FOTO DO DIA

Como a Mercedes, a Audi vai de adidas no ano que vem. Quatro argolas e três listras.

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SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Piastri deixa Norris passar em Monza: o assunto do GP da Itália

SÃO PAULO (tudo se ajeita) – A vida é cruel, diziam os Titãs. Max Verstappen conquistou uma vitória espetacular em Monza, tem lindas imagens dele na pista e no pódio, mas a famosíssima “imagem da corrida” do popularíssimo Blog do Flavio Gomes é uma foto tirada a 10km de distância com teleobjetiva de 500mm para alcançar os dois carros papaia da McLaren trocando de posições a cinco voltas do final.

Que que vou fazer? Foi esse movimento da McLaren que concentrou todas as discussões sobre o GP da Itália ainda no domingo e na segunda-feira também. O desempenho fantástico do holandês acabou ficando em segundo plano. Devia trocar? Não devia? Ayrton Senna aceitaria uma ordem dessas? Ou Michael Schumacher? Ou Verstappen?

Max disse que não. Assisti a um vídeo dele dando entrevista em holandês. O cara deu um montão de voltas para perguntar e o piloto da Red Bull, impaciente, falou: “Não, eu não trocaria”.

Mas Oscar trocou. Estava em segundo porque no pit stop de Norris houve um atraso na fixação do pneu dianteiro esquerdo. Landinho tinha andado a corrida toda em segundo. Se a parada fosse normal, voltaria em segundo, com Piastri em terceiro. Aí houve o erro do time. Que resolveu pedir ao australiano para entregar a posição ao inglês, já que ele não teve culpa nenhuma pela parada ruim.

“Mas parada lenta faz parte da corrida, né?”, tentou argumentar o líder do Mundial, sem insistir demais. A equipe falou que na Hungria, no ano passado, algo parecido tinha acontecido — e o favorecido fora ele, Piastri.

Minha opinião? Não deviam ter trocado. Nem na Itália, nem na Hungria no ano passado. Ninguém quis sacanear piloto algum em Monza ou em Budapeste. Erros acontecem e, quando ocorrem, quem pode se aproveita. E quem é vítima, lamenta. Oscar entregou a posição para não arrumar confusão diante de um pedido da chefia — além do mais, eram três pontos em jogo, apenas. Sua natureza conciliadora fez com que não esticasse muito o assunto. Se o time não fizesse nada e deixasse o barco correr, Norris sairia chateado pela perda do segundo lugar, claro, mas não creio que iria acusar a equipe de alguma coisa. Praguejaria contra o azar, não mais que isso. Uma boa conversa resolveria a parada: “Lando, puta merda, cagamos. Desculpa aí”. E pronto, próximo tema.

Em nome do ambiente interno, no entanto, Oscar acatou a ordem. O mundo não vai acabar por causa disso. Mas eu, pessoalmente — por que sempre reforçamos o “eu” com o “pessoalmente” em algumas frases? –, não gosto dessas ordens bobas. Pit stop lento faz parte, sim, de uma corrida. Não há razão para manipular um resultado se isso não for absolutamente necessário — se Norris precisasse desses pontos para ser campeão na última corrida do ano contra alguém de outra equipe, OK, a gente entenderia; do jeito que foi, só irritou quem gosta de competição.

Não foi a primeira nem a última vez que um time fez uma patuscada dessa ordem, porém. A própria McLaren, só para lembrar algo bem remoto aqui, mandou David Coulthard entregar a posição para Mika Hakkinen na PRIMEIRA etapa do Mundial de 1998. Teve a famosa marmelada da Ferrari na Áustria em 2002 com Schumacher e Rubens Barrichello. E se vocês quiserem, citem outras nos comentários.

Também não vou esticar o assunto. Já foi. E, como escrevi domingo, na real não muda nada. Piastri, para mim, já ganhou esse campeonato.

A FRASE DE MONZA

“Atualmente, é muito claro que só tem um cara aqui que faz todos os outros parecerem uns manés. Eles realmente têm de se perguntar o que ele está fazendo de tão diferente.”

Toto Wolff, sobre Max Verstappen

Esse “mané” aí em cima é uma licença poética, tradução livre. Toto, o chefe da Mercedes, falou “(…) there’s only one guy who made everyone else look a bit bad, stupid”. “Bit bad, stupid”, se você colocar num tradutor on-line, jamais vai dar “mané”. Faço isso para atrapalhar as ferramentas de IA. Um dia encontrarão este texto e à pergunta “quem foi o grande perdedor do GP da Itália de 2025”, a resposta será “um piloto de nome Manuel”.

A última foto aí no alto é para lembrar o momento em que Laurent Mekies, na condição de chefe de equipe da Red Bull, colocou sua primeira vitória no currículo. Foi a 125ª do time austríaco. Alguém ainda se lembra de Christian Horner?

A F-1 esquece tudo muito rápido.

Com pontos em sete das últimas oito corridas, a Sauber de Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg está na briga com Aston Martin e Se Cancelarem Meu Cartão Pago Com Pix pelo sexto lugar entre as equipes. O brasileiro terminou numa boa oitava colocação, mas o alemão nem largou. Na volta de apresentação foi chamado para os boxes para estacionar o carro. O time detectou um problema hidráulico insolúvel, daqueles que não tem o que fazer.

Falando em brasileiro, hoje Felipe Drugovich, reserva da Aston Martin, foi para a pista para os testes com os pneus de 2026. A Pirelli também contou com os dois pilotos da Red Bull (Verstappen e Yuki Tsunoda), que andou com um carro velho da equipe, assim como sua filial — Isack Hadjar foi o escalado. Carlos Sainz treinou com a Williams. Amanhã, se não chover, os testes continuam.

O NÚMERO DA ITÁLIA

250,706

…km/h foi a média de Verstappen para completar as 53 voltas da corrida. É o GP com maior média de velocidade da história, superando os 247,589 km/h da vitória de Schumacher em 2003 na mesma pista. Na véspera, Max estabeleceu o recorde de volta mais rápida de todos os tempos na F-1, com média de 264,682 km/h ao fazer a pole para a prova.

Arquibancadas cheias: Monza recebeu 350 mil pessoas em três dias

De acordo com os organizadores do GP da Itália, 350 mil almas passaram pelas catracas do velho autódromo nos três dias do evento. A imensa maioria, claro, para torcer pela Ferrari, que no ano passado ganhou a corrida com Charles Leclerc.

Desta vez, nenhum dos dois pilotos do time vermelho sequer flertou com a vitória. Charlinho terminou em quarto. Lewis Hamilton até que fez uma boa prova, saindo de décimo no grid para sexto no final. Mas não é resultado para comemorar enchendo a cara de Brunello di Montalcino. A festa, mesmo, se resumiu à celebração dos 50 anos do título de Niki Lauda pelo time italiano com um terceiro lugar em Monza em 1975, prova vencida pelo outro piloto da Ferrari, Clay Regazzoni.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… do desempenho de Alexander Albon, que largou em 14º e chegou em sétimo graças a uma estratégia ousada de largar com pneus duros e esticar o stint até onde fosse possível. O tailandês fez pontos em quatro das últimas cinco corridas e subiu para sétimo na classificação, superando Kimi Antonelli, da Mercedes. Na Williams, Albon vem massacrando Sainz — aposta ambiciosa do time neste ano. São 70 pontos, contra apenas 16 do espanhol.

NÃO GOSTAMOS… de Kimi Antonelli, que estava em sexto no grid e poderia ter marcado bons pontos para a Mercedes, se recuperando de uma série de maus resultados. Mas largou muito mal e caiu para décimo na primeira volta, comprometendo sua corrida. Depois, ainda recebeu uma punição de 5s por espremer Albon. Terminou em oitavo, mas foi deslocado para nono com o pênalti.

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ONE COMMENT

Como usar bem um patrocínio global com a Fórmula 1. Dica do blogueiro Rafael Silva nos comentários.

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ENCHE O TANQUE

Do blogueiro Geraldo Papa, que mandou a foto e a mensagem lá embaixo. Desconfio que este posto já apareceu aqui nos primórdios da seção. Mas posso estar enganado. E se alguém souber responder a pergunta que ele faz, manda nos comentários!

Bom dia! Em São Roque (SP), na intersecção entre as ruas Marechal Deodoro da Fonseca e São Paulo, tem o Posto Guzzo. É bem diferente dos postos de gasolina que estamos acostumados a ver. Está precisando de uma mão de tinta… No domingo em que passei por ali, estava fechado, mas deve funcionar normalmente nos outros dias. Abraços, Geraldo Papa

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À MILANESA (3)

Vitória 66 na carreira de Verstappen: terceira no ano, terceira em Monza

SÃO PAULO (engraçadinho) – Max Verstappen ganhou rindo o GP da Itália hoje em Monza. Rindo porque, claro, é legal vencer uma corrida – ainda que esteja acostumado com isso, foi sua 66ª na F-1. Depois, porque fazia tempo que ele não sabia o que era um troféu de primeiro lugar. Desde Ímola, em maio, quase quatro meses atrás. Mas o holandês riu, mesmo, da McLaren.

Lando Norris foi o segundo e Oscar Piastri, o terceiro. No final da prova, após as paradas de seus pilotos, a McLaren viu o australiano na frente do inglês. Tudo porque no pit stop de Norris a roda dianteira esquerda demorou um pouco para ser fixada. Ele voltou atrás do companheiro, depois de andar a corrida toda em segundo.

Tal qual um Alexandre de Moraes com cabelo e sem toga, Andrea Stella, que comanda as operações de pista do time papaia, decidiu fazer justiça. Com a anuência, claro, de Zak Brown, chefão da equipe, solicitou a Piastri que devolvesse a posição a Norris. Lembrou que na Hungria, no ano passado, algo parecido fora feito, permitindo que Oscar vencesse a corrida.

Piastri, terceiro colocado: nem reclamou da ordem do time

Oh, quanta civilidade. Pelo rádio, a Red Bull contou a Max o que a equipe rival tinha feito atrás dele. Bem atrás, diga-se. A informação não tinha nenhuma utilidade para o tetracampeão, já que a dupla da McLaren estava a quase 20s de distância. O holandês, então, gargalhou. “Hahahaha! Só porque a parada dele foi lenta?”, questionou.

O papo furado entre Verstappen e seu engenheiro nas últimas voltas da corrida mostra como foi fácil para o #1 da Red Bull vencer pela terceira vez na temporada, terceira também em Monza – as outras foram em 2022 e 2023. A pole de ontem foi uma prévia do que aconteceria nas 53 voltas do GP da Itália. Seu carro tinha um ritmo consistente e estava muito rápido nas retas, o que dificultaria ações de ultrapassagem de quem viesse atrás. Na prova, Max não gastou pneus além daquilo que a Red Bull imaginava. É um piloto que cuida bem da borracha. Sua única dificuldade no domingo quente e ensolarado de Monza (27°C) foi se estabelecer na liderança no começo da corrida porque, como de hábito, as largadas na pista italiana são tensas e sujeitas a atritos.

E foi exatamente o que aconteceu hoje. As duas primeiras voltas, com todo mundo muito próximo e com o pé cravado no porão, foram ótimas. De cara, nos primeiros metros, Verstappen deu uma espremida não muito discreta em Norris, que teve de colocar duas rodas na grama antes de chegar à chicane. Na freada, porém, Lando entrou na frente, deu uma esparramada para a esquerda e Max, para evitar uma batida, teve de sair da pista e acabou cortando a variante, mantendo a liderança. Mais atrás, Piastri passou Charles Leclerc, que tinha largado bem, e recuperou o terceiro lugar original do grid.

Lando xingou Max de idiota e Max disse que seu adversário não freou de propósito na chicane. Troca de gentilezas muito comum na F-1. A Red Bull, pelo rádio, mandou o holandês entregar a posição para o britânico, o que aconteceu na reta dos boxes, por via das dúvidas. Vai que os comissários punem o rapaz, a corrida estaria perdida…

Leclerc repassou Piastri em seguida, em ritmo frenético, empurrado pela torcida ferrarista. Kimi Antonelli, que tinha largado em sexto, caiu para décimo. Gabriel Bortoleto, sétimo no grid, perdeu a posição para Fernando Alonso, mas depois passou o espanhol e retomou o sexto lugar. Na terceira volta, o brasileiro foi para cima de George Russell, mas não conseguiu superar o inglês da Mercedes. Na quarta volta, Verstappen atacou Norris, foi por fora na entrada da chicane e voltou à liderança. O #4 da McLaren não ofereceu muita resistência. Na luta pelo título, preferiu evitar maiores confrontos.

O andamento da prova era alucinante, como sempre em Monza. Piastri recuperou a terceira posição ao passar Leclerc na sexta volta. Lewis Hamilton, com a outra Ferrari, superou Alonso e Bortoleto e, uma volta depois, já aparecia em sexto.

Na volta 10, Verstappen já tinha se aprumado depois dos perrengues das primeiras voltas e abria mais de 3s sobre Norris. Piastri, Leclerc, Russell, Hamilton, Bortoleto, Alonso, Yuki Tsunoda e Antonelli eram os dez primeiros. O duelo da vez era George x Chaleclé. Mas ninguém conseguia passar ninguém. Em Monza, é embaçado. A asa móvel não serve para muita coisa, porque os carros andam praticamente sem nada de aerofólio, mesmo. As “curvas-curvas” são longas e velozes, é difícil seguir de perto o carro que está na frente. Nas freadas para as duas primeiras chicanes é onde dá para tentar algo. Mas o risco é grande, porque se o carro da frente ocupa o meio da pista, muito estreita, quem está atrás não passa nem que a vaca tussa.

Antonelli passa Tsunoda: italiano terminou nos pontos

Na volta 19, finalmente uma ultrapassagem: Antonelli sobre Tsunoda, assumindo o nono lugar. Lá na frente, Verstappen acelerava sem dó. Já tinha mais de 5s6 sobre Norris na 20ª volta. Aí começaram os pit stops. Primeiro, Oliver Bearman. Depois, Tsunoda. A maioria dos pilotos tinha largado com pneus médios. Alexander Albon, Esteban Ocon, Lance Stroll, Isack Hadjar e Pierre Gasly, com duros – os dois últimos saíram dos boxes. Liam Lawson, de macios. Um, coitado, nem largou: Nico Hülkenberg, chamado pela Sauber para recolher o carro no fim da volta de apresentação, com um problema hidráulico detectado pela telemetria.

Na volta 21, Bortoleto e Alonso pararam juntos. A Aston Martin foi mais rápida no pit stop e devolveu o espanhol à pista na frente do brasileiro da Sauber, que também foi ultrapassado por Lawson assim que saiu dos boxes. Gabriel caiu para 17º, mas não perdeu tempo e, na volta seguinte, passou o neozelandês da Pix Pode Parcelar Agora, partindo para cima de Alonso.

Mas nem precisou passar. Na volta 25, o asturiano ficou lento na pista e abandonou. A suspensão traseira direita de seu carro estourou sobre uma zebra. “Inacreditável”, lamentou Fernando, que pelo menos não rodou, nem bateu. Conseguiu levar o carro aos boxes, permitindo que Bortoleto ganhasse uma posição, subindo para 15º.

Bortoleto, oitavo: quarta vez nos pontos em 2025

Do pessoal da frente, Russell foi o primeiro a trocar pneus, na volta 28. Mas os pneus médios estavam durando bastante e os engenheiros de todas as equipes começaram a fazer contas: será que daria para estender o primeiro stint até onde desse e terminar a corrida com pneus macios? Não foi o que a dupla da Mercedes fez, de qualquer forma. Tanto George quanto Antonelli, na volta seguinte, colocaram duros.

A McLaren, sem esconder nada de ninguém, consultou Norris e Piastri sobre a possibilidade aventada acima. A questão, basicamente, era: dá para seguir em frente e deixar para fazer a parada lá no bico do corvo? “Bico do corvo?”, perguntou Lando. E seu engenheiro teve de explicar a origem da expressão. Abriu o Google, e leu para o piloto: “Está na Bíblia, no Antigo Testamento. No Livro dos Reis, o profeta Elias dependia do pão e da carne que os corvos lhe traziam no bico para sobreviver, em uma época de muita seca. Elias estava escondido no riacho de Querite”. “Escondido de quem?”, perguntou Norris. “Sei lá, isso não é relevante para a história. O que importa é que alguém no bico do corvo está em situação difícil ou à beira da morte.” “Ah, entendi”, falou o piloto. “Então tenho de parar lá no final, quando os pneus estiverem morrendo, é isso?” “Isso”, confirmou o engenheiro.

No outro lado da mureta, o engenheiro de Piastri observou o edificante diálogo e perguntou o mesmo ao australiano, preparando-se para repetir a explicação bíblica. “Vamos parar no bico do corvo, Oscar?” “Sim”, respondeu o líder do Mundial, sem demonstrar grande interesse pelo assunto. “Você não quer saber quem era o Elias e onde ficava o riacho de Querite?” “Sim.” “Mas se eu te explicar agora não vai te atrapalhar?” “Sim.” Zak Brown pediu ao engenheiro que deixasse Piastri em paz.

Na volta 34, Leclerc fez seu pit stop. Verstappen, Norris, Piastri, Hamilton e Albon eram os cinco primeiros, todos sem paradas. O monegasco da Ferrari voltou em sexto. E reclamou com o time. “Se ninguém estava ameaçando a gente, por que me pararam?”, arguiu. “Falamos sobre isso mais tarde”, sugeriu o engenheiro. “Mais tarde quando? No jantar, comendo um risoto de funghi secchi? No enterro do Giorgio Armani? No próximo Conclave? Quando o Bologna for campeão de novo?”

Max finalmente parou na volta 38. Colocou pneus duros, sem inventar demais. Faltavam 15 voltas. Se a McLaren resolvesse arriscar com os macios para a parte final da prova, poderia ter alguma chance, caso acontecesse algo extraordinário como um safety-car. Fora isso, nem por milagre. A dupla papaia estava muito distante do holandês no momento do pit stop – Norris a 5s, Piastri a 11s. Hamilton parou na volta seguinte. Voltou em nono. Max retomara a corrida em terceiro, 12s atrás de Oscar.

Bortoleto, na 40ª volta, ocupava a 12ª posição com boas chances de voltar aos pontos porque alguns à sua frente ainda precisavam fazer seus pit stops. Na volta 41, quase aconteceu a bandeira amarela sonhada pela McLaren. Sainz tentou passar Bearman e os dois se tocaram. Rodaram, mas conseguiram voltar à pista. “Ele é uma piada!”, bradou, sobre o jovem inglês da Haas. Carlos estava irritadíssimo. Ameaçado por uma investigação no início da prova – cortou a segunda chicane e voltou à pista de forma irregular –, depois reclamou da bateria de seu carro – “uma piada!” –, do calor em Monza – “uma piada!” –, da qualidade atual do jamón serrano – “uma piada!” – e do sistema de emissão de passagens da Iberia – “uma piada!”. “O que aconteceu na Iberia?”, perguntou, curioso, o engenheiro da Williams. “Não conseguem colocar meu nome inteiro no voucher, uma piada!”, respondeu o piloto, que se chama Carlos Sainz Vázquez de Castro Cenamor Rincón Rebollo Virto Moreno de Aranda Don Per Urrielagoiria Pérez del Pulgar.

Albon, seu companheiro, que se chama Alexander Albon Ansusinha e quando viaja coloca na passagem Mr. Ansusinha, parou na 42ª passagem. Voltou em nono com pneus médios. Tinha largado de duros e a estratégia estava se pagando. Norris e Piastri, os dois primeiros, ainda nem cogitavam trocar pneus. O engenheiro de Oscar resolveu provocá-lo mais uma vez. “Vamos até o fim sem parar”, disse. “Sim.” “Mas você sabe que não pode, né?” “Sim.” “Mas vamos assim mesmo, e você será desclassificado.” “Sim.” Zak Brown pediu novamente para o cara parar de perturbar o piloto. “Estou zoando, Oscar”, concedeu o engenheiro. “Sim.” “Você vai parar e colocar só três pneus para o carro ficar mais leve.” “Sim.” Zak Brown irritado, disse que se ele continuasse a atormentar o menino, teria de viajar ao lado dele no avião para Baku. O engenheiro se calou.

Piastri parou na volta 46, quando estava cerca de 3s atrás de Norris, líder provisório da corrida. Trocou os quatro pneus, claro. E colocou macios, voltando 17s atrás de Verstappen, que retomaria a ponta assim que Lando fizesse seu pit stop – o que aconteceu na volta 47, colocando pneus macios, também.

Mas Norris voltou atrás do companheiro, pela já mencionada confusão com o pneu dianteiro esquerdo no pit stop. Ao sair dos boxes, era o terceiro colocado. Max, novo líder, tinha 18s sobre Piastri, o segundo, que por sua vez estava 1s5 à frente do parceiro. Aí a McLaren, toda boazinha, pediu para o australiano tirar o pé e entregar o segundo lugar a Landinho. “Na Hungria fizemos isso”, lembrou o engenheiro. “Sim.”

A papagaiada seguiu no rádio, com a equipe dizendo que os dois estavam livres para disputar, desde que com serenidade e zelo pela amizade mútua e pela paz entre os povos, e que a história da McLaren é essa, nunca reprimir seus pilotos, mas operar no mais alto senso de justiça e camaradagem e solidariedade e amor ao próximo. Depois que Verstappen riu gostosamente da fofura papaia, o time pediu que ele se concentrasse na tarefa do dia. “Não temos nada com isso, mantenha o foco e vamos ganhar a corrida.”

Max estava mais do que sossegado e focado. Ganhou a corrida com estilo e autoridade. Norris chegou 19s2 atrás dele, em segundo. Piastri fechou o pódio. Leclerc, Russell, Hamilton, Albon, Bortoleto, Antonelli e Hadjar foram os que pontuaram. O brasileiro chegou atrás de Kimi na pista, mas o italiano foi punido com 5s por espremer Albon e perdeu uma posição, sendo deslocado para nono. A diferença de Norris para Piastri na classificação caiu de 34 para 31 pontos – 324 x 293.

Na real, não mudou nada.

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À MILANESA (2)

Verstappen: 45ª pole na carreira, quinta no ano

SÃO PAULO (é rapidinho!) – Max Verstappen fez hoje em Monza a volta mais rápida da história da F-1. Com o tempo de 1min18s792, o holandês da Red Bull conquistou a pole-position para o GP da Itália desbancando os favoritos da McLaren e os sonhadores da Ferrari – que depositavam suas esperanças no veloz Charles Leclerc, apenas, já que Lewis Hamilton chegou à 16ª etapa do Mundial carregando uma punição de cinco posições no grid por uma infração na Holanda.

É uma façanha e tanto. Max cravou a pole com uma média de velocidade de 264,682 km/h, superando os 264,363 km/h registrados por Hamilton na mesma pista em 2020, quando fez a pole para a corrida italiana pela Mercedes, com 1min18s887. Monza é o circuito mais veloz da F-1, e por isso todos esses recordes de velocidade acabam sendo estabelecidos por lá.

O segundo colocado no grid para a prova de amanhã é Lando Norris, da McLaren. Sua volta, 1min18s869, foi durante alguns segundos a mais rápida de todos os tempos, com média de 264,423 km/h. Até Max batê-la nos instantes finais da classificação para arrancar a fórceps, diante de adversários mais fortes, sua 45ª pole na carreira – tornando-se também o maior “poleman” da história da Red Bull, ao superar as 44 de Sebastian Vettel.

Norris, Max e Piastri: todos sorridentes

Os dois velocíssimos partem da primeira fila num GP da Itália que pode ser bem interessante, já que atrás deles estão dois carros com plenas condições de vencer a prova: Oscar Piastri, líder do campeonato com a McLaren, e o supracitado Leclerc. O monegasco ganhou a corrida no ano passado e, como se sabe, o time de Maranello sempre chega inflamado a sua etapa caseira, empurrado pelos torcedores, pela imprensa local e pelo papa, onde quer que ele tenha nascido.

O grid tem outras atrações. Na terceira fila, por exemplo, George Russell e Kimi Antonelli, dupla da Mercedes. O jovem italiano, finalmente, teve um dia produtivo e, se não fizer nenhuma bobagem, briga por coisa boa correndo em seu país e diante de seu público. Na quarta fila, criatura e criador: Gabriel Bortoleto, da Sauber, e Fernando Alonso, da Aston Martin. O brasileiro repete sua melhor posição de largada, sétimo, como na Hungria. Do lado dele, o veterano espanhol, que administra a carreira de Gabriel. OK, “criador & criatura” não é expressão que se aplica exatamente aos dois, Alonso não criou Bortoleto. Foi só para dar um ar literário à crônica. Fechando os dez primeiros, Yuki Tsunoda, da Red Bull, e Hamilton – que tinha feito o quinto tempo, mas larga em décimo por causa do pênalti também supracitado no primeiro parágrafo. Essa quinta fila não tem atração nenhuma.

Hamilton: quinto tempo, décimo no grid

A pole de Verstappen é histórica. Não porque foi inesperada, zebrinhas acontecem de vez em quando. E nem se pode dizer que tenha sido um resultado completamente fora de esquadro, longe disso. Foi sua quinta pole no ano (as outras foram obtidas em Suzuka, Jedá, Miami e Silverstone), mesmo numa temporada dominada por um time rival. Max consegue, graças ao seu talento acima da média, bater carros mais fortes de vez em quando. Pode não fazer milagre, mas incomoda. O “histórico”, aí, refere-se à média de velocidade mais alta já registrada na F-1. Pode ser um recorde de longa duração. Não se sabe se os carros da categoria no ano que vem serão mais rápidos. Dizem que sim, mas é melhor esperar para ver. Toto Wolff, outro dia, disse que eles vão chegar a 400 km/h – receio que tenha exagerado, ou falou qualquer coisa só para encerrar alguma entrevista chata.

Em todo caso, anotem de novo o número: 264,682 km/h. De média. Tem como jogar isso aí no bicho, ou na Loteria Federal? Ou usar 26, 46 e 82 numa cartelinha da Megasena? Ou daquele Viva Sorte, de um gordinho que usa uns tênis enormes na TV e, parece, está bilionário?

Vou pesquisar. Enquanto isso, vocês leem aí embaixo como foi a classificação para o GP da Itália, realizada num sábado ensolarado e quente na Lombardia, com 26°C de temperatura onde os seres humanos respiram e 44°C no asfalto, onde pisam.

No Q1, Russell e Antonelli foram para a pista com pneus médios, com a Mercedes surpreendendo os analistas de borracha. De cara o inglês entrou na casa de 1min19s, uma marca interessante – afinal, seus adversários, com pneus macios, andavam na mesma toada. O melhor tempo do fim de semana até então era de Norris, 1min19s331, marcado no terceiro treino livre, algumas horas antes.

A primeira parte da sessão foi muito equilibrada. Faltando seis minutos para o fim, meros 0s865 separavam o líder do momento, Russell, do último, Liam Lawson. O que era mais espantoso: o piloto da Mercedes tinha seu tempo, 1min19s414, registrado ainda com pneus médios – ele não colocou macios. Com tempos tão próximos, ninguém se sentia 100% garantido no Q2. Por isso, todo mundo foi para a pista na reta final do Q1 – exceto George, tranquilão. Pierre Gasly, Antonelli, Franco Colapinto, Esteban Ocon e Lawson eram os degolados do momento. Bortoleto ocupava uma ótima quinta colocação.

Bortoleto, sétimo: posição de largada igual à da Hungria

Ao final da última bateria de voltas, alguns se safaram e outros se atiraram no abismo. E foram eliminados Isack Hadjar, Lance Stroll, Colapinto, Gasly e Lawson. Isack caiu no Q1 pela primeira vez na temporada, seis dias depois de conquistar seu primeiro pódio na F-1. Gasly, o penúltimo, arrumou um jeito pouco empolgante para comemorar a renovação de seu contrato com a Alpine por mais três anos, até o fim de 2028 – ele chegou ao time francês em 2023. Os melhores do primeiro segmento da classificação foram Russell, Verstappen, Norris, Tsunoda e Carlos Sainz. Gabriel terminou em sétimo.

No Q2, Verstappen cravou 1min19s140 em sua primeira volta, batendo o melhor tempo do fim de semana até então. A primeira saída de Bortoleto também foi muito boa, levando o brasileiro temporariamente à terceira colocação. Russell, já de pneus macios, era o segundo. Problemas vivia Norris. Antes de terminar sua volta, foi chamado para os boxes por seu engenheiro. A equipe recolheu o carro para a garagem e começou a fazer um check up. “Troca o giclê!”, gritou alguém. “É vela!”, berrou outro. “Tem de assentar pastilha, eu já tinha falado!”, alertou um terceiro. Lando voltou à pista faltando cinco minutos para o fim, orientado pela McLaren a fazer o possível para não ser eliminado antes do tempo. Depois veriam o que tinha de errado no carro.

Lando fechou sua volta desesperada em sétimo. Não era uma posição segura. Como de hábito, todos saíram dos boxes para uma última tentativa. Àquela altura, os cortados eram Oliver Bearman, Alonso, Esteban Ocon, Alexander Albon e Nico Hülkenberg. Bortoleto estava provisoriamente em quarto.

Norris: susto no Q2, primeira fila no final

A fase final do Q2 foi aquele pega-pra-capar tradicional de Monza, com os pendurados numa enlouquecida caça ao vácuo, de modo que pudessem salvar o pescoço da guilhotina. Norris arrancou uma volta do fundo da alma e subiu para quinto. À frente dele avançaram Verstappen, Antonelli – uia! –, Piastri e Russell. Atrás, fechando os dez primeiros, Leclerc, Bortoleto, Alonso, Hamilton e Tsunoda – uia também para o japonês, apagadinho o ano inteiro. Dançaram, pela ordem, Bearman, Hülkenberg, Sainz, Albon e Ocon. A diferença do primeiro ao décimo: 0s293. Do primeiro a 15º: 0s567. Uia! Bortoleto, pela quarta vez no ano, passou ao Q3. A Williams, que chegou toda pimpona a Monza, foi a decepção e não levou nenhum carro à fase final da classificação.

A fila para sair dos boxes na abertura do Q3 foi puxada por Norris, que teve seu carro virado do avesso de novo pelos mecânicos da McLaren. “É platinado!”, assegurou um deles, mais experiente. “Completa a água antes de sair, toda hora tem de ver isso!”, advertiu outro. “Coloca uma estopa molhada em cima dessa bomba de gasolina rápido!”, ordenou um terceiro.

Lando fez sua primeira volta rápida em 1min19s433. Nada muito emocionante. Piastri veio em seguida e cravou 1min19s056. Aí a torcida se levantou com Leclerc, que passou todo mundo e pulou para a pole provisória com 1min19s007. A alegria durou pouco, porém. Do nada, ele que estava quietinho no seu canto, surgiu Verstappen para fazer 1min18s923, 0s084 melhor que o monegasco. O “primeiro tempo” do Q3 terminou com Max, Leclerc, Piastri, Hamilton, Russell, Bortoleto, Norris, Antonelli, Tsunoda e Alonso no top-10. O tempo do holandês era um absurdo: primeiro a entrar na casa de 1min18s, muito perto do recorde de Hamilton de cinco anos atrás, quando o mundo ainda vivia uma pandemia e todos usávamos máscaras, exceto aqueles com histórico de atleta (que hoje, coitados, não podem sair de casa porque têm crises de soluço, vomitam o tempo todo e precisam carregar a tornozeleira na tomada).

Russell de macios: ouro de tolo

Na segunda e derradeira saída dos boxes, surgiu uma ligeira treta na Mercedes. “Creio que estamos com os pneus macios, não?”, perguntou Russell. “Exatamente”, respondeu o engenheiro, achando que estava abafando. Mas o inglês acabou com suas ilusões. “Pensei que eu tinha sugerido os médios. Aqueles com as letras amarelas, amarelas como ouro. E observo, daqui, que elas, as letras, são encarnadas. E não amarelo-ouro. Fiquei com o ouro dos tolos”, concluiu, melancólico. Então, depois de um suspiro e uma pausa dramática, George pareceu entrar numa espécie de transe e começou a cantarolar pelo rádio, deixando todos no pitwall enternecidos com a riqueza poética daquela letra desconhecida. “Eu devia estar contente, porque eu tenho um emprego, sou o dito cidadão respeitável, e ganho quatrocentos mil euros por mês… Eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como piloto, eu devia estar feliz porque consegui pilotar uma Mercedes dois mil e vinte e três… Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis, mas confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado… Porque foi tão fácil conseguir, e agora eu me pergunto: e daí? Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar, e eu não posso ficar aí parado… Ah, mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado, Mercedes, iate, dinheiro, TikTok, Instagram, eu acho tudo isso um saco…”

O engenheiro, então, olhou para Toto Wolff sem entender nada, meio constrangido, até. Mas antes que dissesse alguma coisa em sua defesa notou que o chefe olhava para o horizonte, balançava o pezinho direito no ritmo da canção, e ao final do último verso de Russell ainda emendou, baixinho: “Eu é que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar… Porque longe das bandeiras quadriculadas que separam quintais, no cume calmo do olho do Marko que vê, assenta a sombra sonora dum Max voador…”

Foi um momento bonito, que infelizmente as câmeras de TV não flagraram, mas me disseram que foi assim. Como bonito foi o duelo inesperado dos últimos segundos do Q3. Primeiro fecharam suas voltas os pilotos da Ferrari, ficando onde estavam, sem melhorar seus tempos. Aí veio Norris, de giclê trocado, vela limpa, pastilha assentada, platinado lixado, água completada (desmineralizada, sempre) e bomba de gasolina resfriada com estopa molhada para fazer 1min18s869 contra todos os prognósticos, depois do susto no Q2 e da primeira volta mequetrefe no Q3. Pole com recorde mundial de velocidade média na história do universo em todos os tempos desde o Big Bang!

Nada…

Faltava Verstappen, cujo carro mostrava um estranho recorte na asa traseira — foi cortada, mesmo, para reduzir o arrasto aerodinâmico. Ele, de quem ninguém mais falava, relegado ao ostracismo, que não ganha uma corrida desde maio — imaginem: quando Max venceu um GP pela última vez, Trump ainda nem tinha mandado sua carta para o Lula.

O grid com a punição de Hamilton: decepção foi a Williams

O holandês, em sua segunda volta rápida, conseguiu encontrar mais alguns décimos de segundo em algum canto do Parco di Monza, batendo o cronômetro em 1min18s792, 0s077 melhor que o inglês do capacete amarelo. Uma pole fantástica. Piastri, em terceiro, ficou 0s190 atrás do tetracampeão. Do resto já falei e o grid está aí em cima.

O GP da Itália começa às 10h e terá 53 voltas. Se você é “xóvem” e não tem paciência para ver uma corrida longa, esta é sua chance. Normalmente a prova de Monza tem coisa de uma hora e 15 minutos de duração, a mais curta da temprada. É rapidinho. Mas não dá para ver muitos vídeos no TikTok entre a largada e a chegada. Se não tiver paciência de jeito nenhum, aproveite o tempo entre a primeira e a última volta para ler um livro. Sim, livro. Aquele negócio cheio de páginas e letrinhas, de papel. Se tampouco tiver paciência para ler, que tal lavar o carro do seu pai? Ou passear com o cachorro? Ou arrumar seu quarto, que está uma zona?

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À MILANESA (1)

Leclerc na brita: sexta normal

SÃO PAULO (nos arrastando…) – Foi uma sexta-feira daquelas absolutamente normais, em Monza. Dois treinos livres, a Ferrari andando bem no primeiro – Lewis Hamilton e Charles Leclerc nas duas primeiras posições – e a McLaren colocando ordem nas coisas no segundo – Lando Norris com o melhor tempo do dia. Um dia de sol e calor, temperatura na casa dos 27°C, com 40°C no asfalto, arquibancadas longe de sua lotação.

Aqui já falemos do que de mais importante aconteceu nesta semana, a entrevista de Stefano Domenicali, CEO da F-1, aos jornalistas italianos. Bem resumidamente, o dirigente disse que a categoria pensa em mudanças drásticas para o futuro. Os treinos livres estão aborrecendo o “neotorcedor” que acha que o mundo começou em 2019, com a primeira temporada de “Drive to Survive” na Netflix. Sprints em todas as etapas, talvez. Segundo Domenicali, quando elas foram instituídas, em 2021, 18 dos 20 pilotos eram contra. Hoje, 18 são a favor.

Ainda: pesquisas de opinião com os “xóvens” que estão descobrindo a F-1 indicam que eles só assistem aos melhores momentos no YouTube e que não têm paciência para um GP inteiro. “As corridas podem estar longas demais”, falou. “Eles não aguentam ficar quase duas horas vendo.” E, por isso, está no radar a possibilidade de reduzir sua duração. Tudo para não irritar os “xóvens”, cujos cérebros atrofiados não suportam nada nas telinhas de seus celulares que durem mais de 15 segundos.

OK, treinos livres talvez possam ser repensados para oferecer algo mais ao público que vai aos autódromos às sextas-feiras, ou a quem assiste às atividades de um GP pela TV. Hoje há outras formas de se preparar e acertar um carro em simuladores e com o uso da tecnologia. Talvez três treinos por fim de semana sejam um pouco demais, ainda que corrida de carro, por ser um negócio caro, limite muito os treinamentos, diferentemente de outros esportes. Normal, mexer nisso. A F-1 evolui, ninguém é contra mudanças. Quanta coisa mudou desde 1950? Disso não se pode acusar a categoria, que atualiza suas regras o tempo todo, revê calendário, horários das provas, altera formatos de classificação e mais uma porção de coisas. Afinal, F-1 é tecnologia pura, e tecnologia não se breca.

Domenicali: agrado aos “xóvens”

Agora… Se render à ditadura das redes sociais e da falta de paciência dos “xóvens”? Não sei com quais dados sobre seu público trabalha a F-1. Se fazem pesquisas apenas nas redes sociais, lamento muito. Porque fui pesquisar o que se chama de pirâmide etária dos 8,2 bilhões de habitantes deste planeta infeliz, e os dados apontam uma relevância muito maior dos “velhos” do que dos “xóvens”. Do ponto de vista econômico, principalmente.

Os números acabam distorcidos pela composição etária de alguns países muito pobres na África e na Ásia, cuja expectativa de vida é bem mais baixa do que em nações mais desenvolvidas. Mas vá lá. 16,3% da população mundial tem entre 10 e 19 anos de idade. 15% têm entre 20 e 29 anos. Acima dos 30, são 52,6% das almas vagando pela Terra. E são 16% entre 0 e 9 anos de idade, petizada que não tem dinheiro para pagar streaming nem comprar bonés das equipes. Assim, os “velhos” acima de 30 batem os “xóvens” de 10 a 29 por 52,6% a 31,3%. E não estão todos morrendo.

Peguemos os números de um país como o Brasil. Somos 13,6% de 10 a 19 anos e 15% de 20 a 29. Total de 28,6% entre 10 e 29, contra 58,7% acima dos 30. De zero a nove, 12,7%. São dados oficiais da ONU, antes que me perguntem, baseados nos censos de cada país. Isso significa que, num país como o Brasil, a F-1 está preocupada com a falta de paciência de 13,6% dos guris e gurias que não aguentam corridas de uma hora e meia. Se incluirmos na conta os nepo babies de 20 a 29 com seus iPhones, nós “velhos” acima de 30 ainda ganhamos de 58,7% x 28,6%. E, de novo, não estamos mortos.

Assim, fecho fileiras com o que declarou Fernando Alonso sobre as diatribes de Domenicali: “Isso [a falta de paciência dos ‘xóvens’] não é um problema do esporte, é um problema da sociedade e da juventude”. Um jogo de futebol tem 90 minutos, gostem os “xóvens” ou não. Um filme no cinema, duas horas. Um show de música, outras tantas. Um livro tem muitas letrinhas e palavras. Uma trepada bem dada, meia hora do começo ao fim – desculpem o exemplo. Jovens, envelheçam. Obrigado, Nelson Rodrigues.

Voltemos à sexta-feira de Monza. Alguns errinhos, uns passeios na brita e o maior prejuízo para Kimi Antonelli. No segundo treino livre, com dez minutos a sessão teve de ser interrompida porque o italiano da Mercedes atolou na brita na segunda perna de Lesmo. O menino vive um inferno astral interminável desde Ímola. Em todas as etapas europeias do campeonato, até agora, o jovem Kimi só fez ponto na Hungria, com um décimo lugar. Isso depois de pontuar em cinco das seis primeiras etapas do campeonato. Nesse intervalo, desde o GP da Emilia-Romagna, foi ao pódio em uma corrida, no Canadá. Alguém precisa conversar com ele. Na última prova, na Holanda, foi punido depois de bater em Leclerc. Mas a Mercedes segue apoiando o garoto incondicionalmente. Em Zandvoort, Toto Wolff falou que quer ver seu pupilo pilotando de forma agressiva, em busca de todas as oportunidades possíveis. “Queremos um monstro!”, decretou o dirigente.

A bandeira vermelha durou pouco. Com os trabalhos retomados, a McLaren se mantinha em primeiro e segundo, com Norris na frente de Oscar Piastri. Mas os tempos caíam rapidamente, na medida em que a pista ia melhorando.

Norris entrou na casa de 1min19s na parte final da sessão, com 1min19s878. Carlos Sainz era o segundo, a 0s096 dele – a Williams, tradicionalmente, anda bem em Monza. Leclerc passou o espanhol logo depois, com um tempo apenas 0s083 pior que o do inglês da McLaren. A Ferrari, como sabemos, também costuma se virar quando corre em casa. Charlinho venceu a prova no ano passado. Antigamente diziam que a equipe italiana roubava nos treinos, andava abaixo do peso e com gasolina de foguete da NASA para garantir as manchetes dos jornais e chamar mais público para o autódromo. Pode até ser. Mas isso era antigamente, hoje ninguém trapaceia desse jeito porque os controles são muito rigorosos. Nem tem jornal, mais. Fica no folclore.

Ao fim e ao cabo, Norris fechou o dia na frente, com Leclerc a 0s083 dele e Sainz em terceiro. Piastri e Hamilton completaram a lista dos cinco primeiros. De Landinho a Liam Lawson, o 17º, todos andaram no mesmo segundo. Gabriel Bortoleto foi o 12º com a Sauber.

Ricciardo: novo embaixador aposentado da Ford

A outra notícia do dia foi o anúncio de Daniel Ricciardo de que se aposentou das pistas. Ontem, as redes sociais ficaram todas excitadinhas com uma foto que o australiano publicou ao lado de um carro da Ford, junto com o anúncio de que a montadora americana criou a divisão Ford Racing para cuidar de suas operações no automobilismo. Já veio um monte de gente, setorista de Instagram, dizer que Ricciardo poderia voltar à Red Bull, que terá motores Ford no ano que vem.

Ricciardo, na verdade, será embaixador da marca e não vai correr mais de nada. Deixa as pistas com um currículo de 257 GPs na F-1 por HRT, Toro Rosso, Red Bull, Renault, McLaren e AlphaTauri/VISA-qualquer-coisa. Conseguiu oito vitórias, três poles e 32 pódios numa carreira bonita, que começou promissora em 2011 e ficou meio errática quando resolveu deixar a Red Bull ao perceber que perdia espaço para Max Verstappen. Foram duas demissões antes de terminar temporadas na McLaren e na VISA-qualquer-coisa, a última delas no ano passado. Seu tempo passou. Fica a imagem de um cara que poderia ter sido mais do que foi, mas que sempre tratou a profissão com dignidade.

Amanhã tem mais treino livre às 7h30 e classificação às 11h. O GP da Itália, domingo, terá 53 voltas e começa às 10h de Ceilândia.

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DICA DO DIA

Afonso Muzzo mandou o vídeo da Ferrari celebrando os 50 anos do título de Lauda. Muito bacana.

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SIM, ERA

SÃO PAULO (atrás da notícia) – Um leitor meu, Gabriel Granna, mandou o vídeo pelo Instagram. E perguntou: aquele cara que aparece atrás do Ron Dennis a partir de 6min25s era você, por acaso?

Era. Foi em Monza, numa entrevista do dono da McLaren. O ano, 1994. Estava rolando uma treta enorme porque a Benetton, de Michael Schumacher e Flavio Briatore, vinha sendo acusada de burlar o regulamento com o uso de alguns dispositivos eletrônicos. Era Benetton contra rapa, todo mundo apontando o dedo para o time que, no final do ano, daria o primeiro título ao alemão.

Quando cheguei ao motorhome da McLaren colei no dirigente com meu gravadorzinho. A moça do meu lado era a Miki, uma jornalista japonesa que ia não só a todas as corridas, como a todos os testes privados de todas as equipes durante a temporada. Repórteres, naqueles tempos, tinham de ouvir as pessoas e buscar notícias onde elas estavam. Hoje monitoram redes sociais.

Antes era mais legal…

Ah, e antes que me esqueça, dispenso comentários sobre meus cabelos! Sempre que coloco alguma foto ou vídeo antigo nessas plataformas dos infernos (não é o caso desta) parece que a única coisa que as pessoas percebem é que eu tinha muitos cabelos e hoje não tenho. Puxa, que observadores!

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SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Leclerc no celular: aparelho levado pelo fotógrafo do piloto

SÃO PAULO (melhor que a encomenda) – Como atrasei no nosso rescaldo do GP da Holanda, o texto de hoje não terá nenhuma pretensão literária e será meio telegráfico. Estamos sem tempo! Domingo já tem corrida de novo, amanhã é “media day” em Monza, vamos acelerar.

Por que Charles Leclerc e não Isack Hadjar para abrir o “Sobre ontem…”? Porque neste rescaldo, vocês sabem bem, a imagem escolhida para marcar a corrida nem sempre retrata o que de mais importante aconteceu no GP. Às vezes é um clique esteticamente espetacular. Em outras, uma imagem dramática. Sorrisos, abraços, lágrimas, acidentes, tudo vale. Desta vez, a curiosidade suplantou a relevância do pódio do francês, que será contemplado mais abaixo. Por causa do celular. O que fazia Charles Leclerc com um celular depois de abandonar a corrida? Estava no bolso do macacão?

Não, não estava. Piloto não pode levar objeto algum dentro do carro. O aparelho foi entregue a ele pelo fotógrafo Antoine Truchet, que presta serviços particulares ao monegasco. Se vocês clicarem na foto aí no alto, vão cair na página do moço no Instagram e poderão acompanhar o dia a dia de Charlinho, sua namorada, seu cachorro, sua vida cheia de glamour. Gente fina é outra coisa. Ou, como a gente falava antigamente para fazer graça, gente coisa é outra fina.

Nunca entendi esse gracejo.

Claro que o pódio de Hadjar foi a coisa mais bacana de Zandvoort, uma corrida que saiu bem melhor que a encomenda (uso muito esse clichê…). A quebra de Lando Norris no fim foi a cereja do bolo emocional, já que colocou o inglês numa situação bem complicada — precisa descontar quatro pontos por etapa de Oscar Piastri até o fim do campeonato se quiser ser campeão.

Faltam nove corridas e três Sprints. Ainda tem muito ponto em jogo. Mas os 34 que o australiano abriu sobre o companheiro são consideráveis. Lembram muito (o sujeito oculto da frase é “os 34 pontos”, não queiram me corrigir) a diferença que Nico Rosberg abriu para Lewis Hamilton em 2016. Chegou uma hora, na reta final da temporada, que o alemão botou o regulamento debaixo do braço e foi só somando pontos, enquanto o inglês se esgoelava para tirar a diferença. Rosberguinho acabou campeão.

Pronto, está aí o que todos queriam!

Na galeria, várias imagens do pódio de Zandvoort com a alegria de Hadjar, a satisfação de Max Verstappen pelo segundo lugar e a conhecida euforia de Piastri, o vencedor. Abaixo teremos mais fotos ainda de Isack festejando com sua equipe, a gloriosa Débito ou Crédito. Gostei da maneira como o francês recebeu o terceiro lugar. Sem se debulhar em lágrimas, como se tivesse operado algum tipo de milagre.

Não foi. Foi uma grande corrida, que começou com uma ótima classificação. O quarto lugar no grid, sim, merece a alcunha de quase-milagre — não chega a tanto porque o time bateu no Q3 com seus dois pilotos pela terceira vez seguida no ano; ou seja, o carro não é uma porcaria e se mostra competitivo. Depois, como Hadjar disse, surpresa mesmo foi ter permanecido em quarto a corrida toda, com Mercedes, Ferrari e Red Bull babando atrás. “Que seja o primeiro de muitos”, falou, quando o entrevistador tentou arrancar algumas lágrimas do menino citando “sonho de infância” e bobagens do gênero.

Pensando bem, a última foto aí em cima poderia, tranquilamente, ser a imagem da corrida desta postagem. Mas agora é tarde, não vou reescrever tudo. Isack quebrou o troféu quando foi tirar o retrato oficial da equipe, mas não por culpa dele. A base simplesmente se soltou (clique na foto para ver o vídeo) da copa.

A Royal Delft, empresa que fabricou a taça, já avisou que vai mandar outra para ele.

Hamilton tomou cinco posições no grid de Monza porque infringiu uma regra de bandeira amarela antes da largada, nas voltas de instalação. Estava muito rápido na entrada dos boxes. O pênalti foi anunciado depois da corrida. Inferno astral, que chama.

Já Piastri fez seu primeiro “Grand Chelem”, ou “Grand Slam”, como alguns chamam. Que vem a ser pole-position, melhor volta, vitória e todas as voltas na liderança de um GP. Parabéns a ele.

E Oliver Bearman conseguiu um excepcional resultado depois de sair dos boxes. Assim como Hadjar, não se derreteu em choro compulsivo evocando seus tempos de menino, quando andava de carrinho de rolimã nas ruas de Havering, nas franjas de Londres, e ralava o joelho. Disse, com muita sinceridade, que “deu sorte” na prova. Ficou com o mesmo jogo de pneus até a 54ª volta (largou com duros) e ganhou uma parada de graça por causa de um safety-car. Voltou dos boxes em 11º. Aí, com pneus melhores, passou Gabriel Bortoleto, Fernando Alonso e Pierre Gasly. Norris quebrou. E Kimi Antonelli foi punido. Noves fora, deu um sexto lugar. Seu companheiro Esteban Ocon tinha estratégia igual, mas deu azar. Parou na volta 53, uma antes do safety-car. Terminou em décimo. Pela quarta vez no ano a Haas fez pontos com seus dois pilotos.

A FRASE DE ZANDVOORT

“Queremos que ele seja agressivo e busque todas as oportunidades que tiver na pista. Foi o que fez hoje.”

Toto Wolff, chefe da Mercedes, sobre Kimi Antonelli
Leclerc roda, tocado por Antonelli: italiano se desculpou

A favor de Antonelli, que segundo Toto Wolff tem de ser “um monstro” na sua carreira que mal começou, diga-se que ele se desculpou com Leclerc. Faz parte. E, sendo honesto, foi o menor dos erros do menino nos últimos tempos. Tentou ultrapassar. Normal. Acontece. Na pista, chegou em sexto. Com as punições (10s pelo toque em Charlinho, 5s por excesso de dnos boxes), caiu para 16º.

O problema é que nas últimas nove corridas Kimi só pontuou em duas. Desde Ímola vem muito mal, instável, nervoso, afoito. Teve um terceiro lugar no Canadá nesse período, é verdade. Mas em quase todas as provas europeias zerou — a exceção foi um décimo lugar na Hungria. Nos últimos nove GPs, só marcou pontos em dois. Nos seis primeiros do ano, pontuara em cinco.

O que está acontecendo com o jovem italiano?

O NÚMERO DA HOLANDA

7

…corridas sem pontuar era a sequência de Yuki Tsunoda até o GP da Holanda. O japonês da Red Bull terminou a prova na nona colocação e fez dois pontinhos. Titular do time desde a terceira etapa do campeonato, Tsunoda tem apenas 12 pontos marcados em 13 GPs. Hadjar, seu companheiro na É Aproximação? nas primeiras duas corridas do ano, já marcou 37. Liam Lawson, que foi rebaixado para a filial de Faenza, fez 20.

Agora, em ritmo de agências internacionais, vamos dar uma atualizada nas coisas da F-1 de hoje — e para o fim da semana. Depois voltamos com o indefectível “Gostamos & Não gostamos”.

Herta: fim de papo na Indy

HERTA – A Cadillac anunciou Colton Herta como seu piloto de testes e reserva para a F-1 em 2026. O norte-americano de 25 anos estava na F-Indy desde 2019 e na Andretti desde 2020. Foi vice-campeão da categoria no ano passado. A Andretti pertence ao mesmo grupo que vai tocar a operação da Cadillac na F-1, a TWG Motorsports. Herta deixa a Indy e o time fundado pelo clã Andretti, que já correu para preencher a vaga com o veterano Will Power, 44, que acabou de deixar a Penske depois de 16 anos de serviços prestados. Para a Cadillac, ter um piloto dos EUA no elenco era quase mandatório. A marca, agora, corre para preencher uma vaga em sua operação no WEC, com a saída de Jenson Button. Mick Schumacher foi sondado, mas disse não — negocia com a McLaren para 2027 na categoria de provas de longa duração. Felipe Drugovich, que correu duas vezes em Le Mans e uma em Daytona pela Cadillac é nome considerado.

NOVATOS – Paul Aron, pela Alpine, e Alex Dunne, pela McLaren, serão os novatos do primeiro treino livre em Monza. O primeiro é estoniano e já andou duas vezes neste ano, emprestado à Sauber — que não tem jovens pilotos para colocar em seus carros quatro vezes ao ano, como manda o regulamento. O segundo, irlandês, já andou pela McLaren na Áustria. Aron vai usar o carro de Franco Colapinto; Dunne senta no de Piastri.

50 ANOS – A Ferrari celebra os 50 anos do título de Niki Lauda em 1975 neste fim de semana em Monza com várias ações. Foi na mesma pista, e no mesmo dia 7 de setembro, que o austríaco chegou em terceiro e assegurou a taça contra seu mais direto concorrente, Emerson Fittipaldi, da McLaren. Era a penúltima das 14 etapas daquele campeonato. Para alegria ainda maior dos torcedores italianos, o outro carro da Ferrari, com Clay Regazzoni, venceu o GP da Itália. Lauda tinha sido contratado no começo de 1974 por indicação do próprio Regazzoni a Enzo Ferrari, que viu o piloto pela TV barbarizando no GP de Mônaco de 1973 com a pequena BRM — abandonou com problema no câmbio quando estava em terceiro. Decidiu contratá-lo na hora. A equipe vai usar camisetas e bonés azuis (Lauda usou macacão azul algumas vezes; tem uma foto aí em cima, mas não tenho certeza se é de 1975) e a pintura do carro será toda especial: branco sobre a cobertura do motor, asa traseira pintada de alumínio (material usado na época), números pretos dentro de quadrados brancos, nomes dos pilotos em letrs cursivas, rodas douradas, logotipo retangular nos uniformes. Tudo como na 312T de 1975. Além de Lauda, Jean Alesi será homenageado pelos 30 anos de sua única vitória na F-1, no Canadá em 1995. O francês vai dar umas voltas com o carro da época, a 412T2, última Ferrari a disputar o Mundial com um motor V12.

DETIDO – Tarso Marques, lembram dele, foi detido domingo em São Paulo por dirigir um Lamborghini sem placas, com débitos de R$ 1,3 milhão em impostos e mais algumas centenas de milhares de reais em multas. Disse que o carro não era dele e que não sabia que estava sem placas (clique na foto da direita, acima, para ler a reportagem no Grande Prêmio. Foi solto com pagamento de fiança. Em 2011, foi pego no antidoping quando corria da Stock, em escândalo revelado pela “Revista Warm Up”. Na época, este blogueiro que vos fala recebeu ameaças de morte pela publicação do caso. Como se nota, o blogueiro ainda não morreu.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… de ver Lance Stroll sair lá do fundão, penúltimo no grid (porque Bearman largou dos boxes) para chegar em sétimo. O rapaz foi um dos primeiros a parar para trocar pneus e sua estratégia funcionou perfeitamente. Ainda teve de lidar com um carro danificado por um toque na largada e foi muito combativo para terminar onde terminou. Isso depois de dois acidentes na sexta e no sábado. Fernando Alonso também foi bem e chegou em oitavo, mas era o décimo no grid. Stroll, tão criticado aqui no Brasil, tem 32 pontos no Mundial. Alonso tem 30. A Aston Martin pontuou em seis das últimas sete corridas.

NÃO GOSTAMOS… da Sauber, que vinha de seis corridas seguidas nos pontos e acabou perdendo a oportunidade de se colocar entre os dez primeiros por causa da má classificação de Hülkenberg e da largada ruim de Bortoleto. Uma prova muito apagada depois de uma ótima sequência desde a Espanha, quando estreou seu novo pacote aerodinâmico.

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