Flavio Gomes sábado, 23 de agosto de 2025 13:34 7 comentários
Lá no Substack, para quem assina minha newsletter, tem uma entrevista com Hermano da Silva Ramos, o Nano, que é o piloto de F-1 vivo mais velho — completa 100 anos em dezembro. É brasileiro nascido na França, um dos 21 pilotos do país (o Brasil, no caso) que já pontuaram na categoria. Está muito simpática, vale a pena a leitura! Para acessar o link, é só clicar na foto.
Flavio Gomes segunda-feira, 18 de agosto de 2025 20:50 8 comentários
SÃO PAULO (vitória mesmo!) – Depois das fotos, coloco a íntegra do press-release do CARDE que recebi hoje. O CARDE, acho que a esta altura todos sabem, é o museu de carros, arte e design inaugurado no final do ano passado em Campos Jordão, iniciativa liderada por Lia Maria Aguiar. E no domingo, dois carros do acervo do museu foram premiados em Pebble Beach, na Califórnia — é o evento de carros antigos mais importante dos EUA. Parabéns a todos os envolvidos. É uma vitória do antigomobilismo brasileiro!
O antigomobilismo no Brasil acaba de conquistar vitórias importantes para a consolidação de sua relevância internacional: dois carros que compõem o acervo do museu CARDE, em Campos do Jordão (SP), foram premiados na estreia do Brasil na Monterey Car Week, na Califórnia (EUA).
No último domingo (17), o Isotta Fraschini Tipo 8A SS Guida Interna Sport 1928 da coleção fez história no Pebble Beach Concours d’Elegance com o troféu “Lap of the Luxury”. O prêmio consagra o carro mais luxuoso do evento, que é reconhecido como o mais prestigiado do mundo no universo dos veículos clássicos. Além de exposto no gramado no campo de golfe de Pebble Beach no domingo, o caminho para a vitória começou na quinta, quando o carro participou do Tour d’Elegance, um trajeto de aproximadamente 100 quilômetros, que percorre a paradisíaca 17 Mile Drive, na Highway One, até Big Sur. Nele, o Isotta Fraschini 1928 e o duPont Model E Touring 1927 – outro modelo enviado pelo CARDE para a Monterey Car Week e exposto em Pebble Beach – demonstraram que não são apenas itens de coleção, mas também máquinas no tempo que funcionam perfeitamente, apesar dos quase 100 anos de idade.
O prêmio em Pebble Beach, coroou uma dupla consagração da primeira participação do Brasil no Monterey Car Week. Na sexta-feira (15), no The Quail, outro evento de classe internacional, a Ferrari F50 exposta no CARDE levou o prêmio máximo na categoria que celebra os 30 anos do superesportivo italiano. Além da rigorosa originalidade e do estado de conservação impecável, o exemplar exposto no CARDE se destacou diante de outros 16 representantes do modelo por sua exclusividade, já que se trata do segundo de três protótipos construídos antes da produção das 349 unidades destinadas ao mercado.
“Foram dois prêmios que não esperávamos ganhar logo na primeira vez em que o Brasil participa como expositor tanto no The Quail quanto no Pebble Beach Concours d’Elegance. Mas esses reconhecimentos transmitem à elite do antigomobilismo mundial que nossa cultura automotiva comporta modelos desse calibre de sofisticação, raridade e valor. É especial pensar que tudo isso era um sonho, e que hoje estamos tendo a oportunidade de viver isso na prática”, declara Luiz Goshima, diretor do CARDE e membro honorário da Fundação Lia Maria Aguiar.
ISOTTA FRASCHINI TIPO 8A SS GUIDA INTERNA SPORT 1928 – Reconhecida internacionalmente, a marca Isotta Fraschini foi fundada em 1900, em Milão, na Itália, por Cesare Isotta e pelos irmãos Fraschini (Vincenzo, Antonio e Oreste). Célebre por associar inovação e qualidade na construção de seus veículos, produziu uma extensa gama de modelos representativos no decorrer das primeiras décadas do século XX. O Tipo 8ª foi apresentado ao público em 1924. Retratando o ápice da sofisticação automotiva italiana, era equipado com um motor de oito cilindros em linha, de 7,4 litros, que gerava cerca de 110 cavalos de potência. Adquirido pelo aviador brasileiro João Ribeiro de Barros no final da década de 1920, o Isotta Fraschini Tipo 8ª SS chassis 1532 foi finalizado em 1928. Possui desenho exclusivo, elaborado pela Carrozzeria Italiana Cesare Sala, de Milão. Ribeiro de Barros ganhou notoriedade em 1927 por liderar a travessia do Atlântico Sul em voo sem escala, a bordo do hidroavião Jahú, um Savoia-Marchetti S.55, equipado com dois motores Isotta Fraschini.
No link acima, mais história sobre esse carro, que nos anos 80, com um de seus antigos donos, costumava visitar a feira da rua Dom Antonio Alvarenga às sextas-feiras, e às vezes parava em frente à oficina do Nenê Finotti, que era garotinho de tudo… Foram os Finotti que o levaram para uma exposição na Bienal em 1986. O mundo dá voltas…
Flavio Gomes terça-feira, 5 de agosto de 2025 18:57 23 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
A “quase batida”: dupla papaia ficou a centímetros de uma desgraça
SÃO PAULO (mais sorte que juízo) – Bateu na trave. Foi na penúltima volta do GP da Hungria que Oscar Piastri, duas paradas, tentou passar Lando Norris, uma, na primeira curva do circuito magiar. O momento foi registrado na foto aí em cima. “Por pouco, muito pouco, pouco pouco, pouco mesmo!”, gritaria o grande Geraldo José de Almeida — jovenzinhos, deem um Google.
Se disso aí sai um acidente idiota, é uma desgraça. A McLaren não corre o risco de perder o campeonato — nem o de Pilotos, nem o de Construtores. A dupla pode se bater à vontade, inclusive. Mas corre o risco de ver o ambiente interno degringolar. E isso não acontece apenas entre pilotos. Esse tipo de conflito contamina todo mundo, já que cada um tem seu time de mecânicos, engenheiros, assessores, puxa-sacos.
É uma situação que a equipe já viveu no passado pelo menos duas vezes: com Ayrton Senna e Alain Prost (em 1988 e 1989) e com Lewis Hamilton e Fernando Alonso (em 2007). Dessas batalhas ninguém sai sem uma cicatriz — às vezes sobram até algumas feridas abertas. Todo cuidado é pouco.
Não foi a primeira potencial treta entre os dois, que desde o ano passado se veem em condições muito parecidas de ganhar corridas. Em 2024, ninguém gritou porque a luta pelo título estava mais distante. Mas, agora, um dos dois será campeão. Sorrisos e emojis fofinhos em mensagens pelo celular serão cada vez mais raros. Para sorte da equipe, nenhuma granada explodiu ainda. Vamos ver quem puxa o pino primeiro.
Pilotos e equipes: Aston Martin subindo
A McLaren chegou a 200 vitórias na F-1, isso já foi dito no domingo. São 11 nesta temporada, contra seis no ano passado inteiro. É um domínio que vai se estender até o fim do campeonato porque, a esta altura, está todo mundo pensando em 2026. Não há mais o que fazer para reverter o quadro. Basta ver a classificação entre as equipes aí em cima. Somadas, Ferrari e Mercedes têm menos pontos que o time papaia.
Na comemoração das duas centenas de triunfos, destaque para o ranking dos vencedores da história mclariana, do fundador Bruce McLaren (Bélgica/1968) a Norris (Hungria/2005). São 22 os que pilotos ganharam corridas pela equipe. O maior deles foi Senna, com 35 vitórias.
A trajetória da McLaren: primeira vitória em 1968
O NÚMERO DA HUNGRIA
45
…pontos fez a Sauber nas últimas seis corridas, desde a estreia de seu novo pacote técnico em Barcelona. Nesse período, o time suíço (e futuro alemão de quatro argolas) só não pontuou mais que as quatro grandes: McLaren (240), Ferrari (118), Mercedes (89) e Red Bull (51). Entre suas adversárias diretas, sempre nessas seis corridas, a Aston Martin foi a melhor com 38, seguida por Pode Parcelar em Três (23), Williams (16), Alpine (13) e Haas (9).
Bortoleto, P6: pontos virão aos montes
Gabriel Bortoleto chamou muito a atenção em Budapeste. Como disse seu empresário (e rival e amigo) Fernando Alonso, em frase destacada abaixo, um sexto lugar com a Sauber não é pouca coisa, ainda que o carro tenha melhorado muito de Barcelona para cá. Mas ainda é a Sauber, na melhor das hipóteses a quinta força do campeonato. Sendo assim, há pelo menos oito carros melhores à frente. E o brasileiro terminou à frente de dois da Red Bull, um da Ferrari e um da Mercedes.
Em 14 corridas, Bortoleto fez um curso intensivo de F-1 e aprendeu muito. É uma esponja que absorve conhecimento, técnica, atitudes, comportamentos, procedimentos, e aplica tudo isso ao seu estilo de pilotagem e convivência num ambiente normalmente hostil e excessivamente competitivo. Hoje, 5 de agosto, 14 GPs disputados, Gabriel é o estreante que vive o melhor momento no campeonato. Sua reputação está sedimentada e já não é mais visto apenas como um ex-piloto de F-2. “O que ele faz é excepcional”, definiu Alonso.
Bortoleto (Piloto do Dia), Lawson e Antonelli: rookies de 2025
São sete os novatos de 2025. Kimi Antonelli ainda é o mais bem colocado, sétimo no Mundial com 64 pontos. Mas vive uma fase horrível. Domingo, com um apagado décimo lugar, fez seu único ponto em sete provas disputadas na Europa. Isack Hadjar, da Aceitamos Pix Se o Trump Deixar, está em 13º com 22. Liam Lawson, seu companheiro, tem 20 e é o 15º. Aí aparece Bortoleto, em 17º com 14. Ele ultrapassou Oliver Bearman, oito pontos, 19º no campeonato. Os outros dois rookies estão zerados — Jack Doohan e Franco Colapinto, ambos da Alpine.
A FRASE DE BUDAPESTE
“Ele é o melhor de sua geração. Se fosse inglês, em sexto com a Sauber, estaria na primeira página de todos os jornais amanhã.”
Fernando Alonso
Alonso: elogios a Bortoleto
E o que foi, afinal de contas, que aconteceu com Charles Leclerc neste GP da Hungria? Depois de descascar a equipe pelo rádio, especialmente depois do segundo pit stop, o monegasco baixou o tom ao final da corrida. A Ferrari citou um “problema no chassi”. Chaleclé mencionou “algo que estava fora do nosso controle” e pediu desculpas pelas palavras duras: “Retiro tudo o que disse”.
Bom, vou reproduzir o que meus colegas jornalistas italianos me contaram (e publicaram, portanto não é segredo algum). A Ferrari largou com o carro muito baixo, “no limite da legalidade”, como se diz, a prancha sob o carro estava raspando no asfalto de forma exagerada e havia o risco enorme de uma desclassificação por desgaste excessivo da peça, como aconteceu na China. Para tentar resolver o problema, primeiro mexeram no mapa do motor, reduzindo a velocidade máxima e evitando um “mergulho” desmoderado nas freadas, principalmente na curva 1. Como não estava resolvendo, na segunda parada colocaram pneus com pressão bem mais alta do que seria recomendável, elevando a altura do carro em alguns milímetros. Com os pneus mais cheios, compostos duros, para piorar, a aderência sumiu. Com o carro mais alto, a aerodinâmica foi comprometida. E Leclerc passou a perder nada menos do que dois segundos por volta.
Foi isso que aconteceu.
Leclerc: carro mais alto; Hamilton: moral mais baixo
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… do desempenho da Aston Martin, que teve seu melhor fim de semana de 2025, marcando pontos com seus dois pilotos pela segunda vez no ano. A outra foi em Silverstone. Foram 16 pontos anotados, elevando o time ao sexto lugar no campeonato. A briga é muito boa com a Sauber: 52 x 51.
Alonso (com Lawrence Stroll) e Lance: bons pontos; Gilles: pódio no 14º GP
NÃO GOSTAMOS… de ver Lewis Hamilton chegar a 14 corridas pela Ferrari sem um pódio sequer. A seguir, uma lista de pilotos mais recentes (e conhecidos) na história da equipe italiana com o número de GPs que precisaram para ganhar o primeiro troféu vestindo vermelho: Villeneuve (14), Alboreto (3), Berger (12), Massa (5), Raikkonen (1), Prost (2), Schumacher (2), Alesi (4), Mansell (1), Irvine (1), Barrichello (1), Alonso (1), Vettel (1), Leclerc (2) e Sainz (5).
Flavio Gomes domingo, 3 de agosto de 2025 12:51 61 comentários
Norris vence, com Piastri colado: sétima dobradinha da McLaren no ano
SÃO PAULO(quem segura?) – Não choveu, e deu a lógica no GP da Hungria. Os dois pilotos da McLaren tiveram um pouco mais de trabalho do que teriam se, ontem, houvessem feito a primeira fila do grid. Como perderam a pole para Charles Leclerc, tiveram de suar um pouco para, no final, chegar ao resultado esperado: nova dobradinha, com Lando Norris em primeiro e Oscar Piastri em segundo. O inglês fez apenas uma parada nos boxes para troca de pneus. O australiano, duas. A diferença de estratégia, circunstancial – Lando largou mal e por isso teve de mudar seus planos ao longo da corrida –, fez com que os dois recebessem a bandeirada separados por meros 0s698.
George Russell, da Mercedes, foi o terceiro colocado. Gabriel Bortoleto, em sexto com a Sauber, conseguiu seu melhor resultado na categoria e o melhor de um piloto brasileiro desde 2017, quando Felipe Massa terminou o GP do Brasil, em Interlagos, em sétimo — foi seu ano de despedida da F-1, correndo pela Williams. Gabriel ganhou também o prêmio de “Piloto do Dia” concedido pelo amigo internauta. E recebeu um enorme elogio de seu empresário Fernando Alonso: “É o melhor estreante dessa geração. Se fosse um inglês terminando em sexto com um carro da Sauber, amanhã estaria em todas as primeiras páginas dos jornais”.
A prova de Hungaroring foi a 14ª da temporada, que agora dá um tempo de três domingos para que pilotos, mecânicos & agregados aproveitem as férias de verão no Hemisfério Norte. Norris, com sua quinta vitória no ano – nona na carreira –, descontou sete pontos de Piastri na classificação. Agora tem 275, contra 284 de seu companheiro de equipe. A McLaren venceu 11 vezes em 2025 e já tem a terceira melhor campanha de sua história, considerando o número de vitórias. Foram 15 em 1988 e 12 em 1984. E ainda faltam dez corridas para o fim do Mundial. O time papaia caminha para fechar seu ano mais glorioso.
Largada em Budapeste: Leclerc segura a ponta
A tarefa de Norris foi difícil hoje porque, para variar, ele largou mal. Caiu de terceiro no grid para quinto nos primeiros metros – foi almoçado por Russell e Alonso. Bortoleto, por sua vez, partiu bem, superando Lance Stroll e se colocando logo de cara na sexta posição. Leclerc, na pole, não deu chance a ninguém e se manteve em primeiro, abrindo mais de 1s sobre Piastri já na segunda volta.
Norris passou Alonso na volta 3, deixando o espanhol tendo de lidar com seu pupilo brasileiro, colado nele. Max Verstappen, mais atrás, começava uma tentativa tímida de escalar o pelotão. Passou Liam Lawson e Stroll e foi para cima do brasileiro em busca da sexta posição. Mas ali empacou.
Naquele momento, apareceu nas telas dos computadores um preocupante aviso da direção de prova: Bortoleto estava sob investigação por uma possível irregularidade na largada, assim como seu companheiro Nico Hülkenberg, que estava lá na rabeira do grid. Durou pouco o inquérito na torre de controle. As imagens foram revistas e o brasileiro não tinha feito nada de errado antes de as luzes vermelhas se apagarem. Mas o alemão, sim: deixou o carro se mover poucos centímetros e tomou 5s de pênalti.
Bortoleto: susto no início, P6 ao final
Leclerc seguia absoluto na ponta no começo da corrida. Com oito voltas, tinha quase 3s de vantagem sobre Piastri. Russell, Norris, Alonso, Bortoleto, Verstappen, Stroll, Lawson e Oliver Bearman ocupavam as dez primeiras posições. Era aquela fase de estudos da corrida, com todos tentando entender como se comportariam os pneus – médios para a maioria; Lewis Hamilton largou de duros e Carlos Sainz, Alexander Albon e Hulk, de macios. “Dá para ir até o final com uma parada só, Oscar?”, perguntou o engenheiro da McLaren. “Sim.” “Mas ainda falta muita coisa para o fim, rapaz, você tem certeza?” “Sim.” “Então beleza, você troca na volta 69, é bom pra você?” “Sim.” “Oscar, você está nos confundindo. O melhor é parar duas vezes, né?” “Sim.”
A ideia de parar apenas uma vez era tentadora para alguns, porque ninguém gosta de perder tempo nos boxes e os compostos médios estavam se virando bem – não fazia muito calor, 21°C, e o asfalto estava longe de ameaçar a borracha dos incautos. Mesmo assim, parte da turma do fundão – Hulk, Franco Colapinto, Albon, Esteban Ocon e Sainz –, com 16 voltas, já tinha feito uma troca. Nenhum deles mudaria a cotação do forint, porém. A questão era saber o que faria o pessoal lá na frente.
A resposta começou a ser dada na volta 18, quando Verstappen parou e colocou pneus duros. Na 19, Piastri fez o mesmo. A equipe avisou: “Pit stop para passar Leclerc!”. “Sim”, respondeu o australiano. Leclerc, o líder, foi então chamado pela Ferrari para reagir à ação da McLaren. Parou na volta 20, junto com Russell. Ali começou sua desgraça, como veríamos adiante. Talvez não precisasse, talvez pudesse ficar na pista, o carro estava andando bem. Talvez, talvez…
Norris, assim, assumiu a liderança, com Alonso em segundo. Os dois com os mesmos pneus da largada.
Sorrisos na Aston Martin: Stroll e Alonso nos pontos
Chaleclé voltou dos boxes bufando, irritado com alguma coisa que descobriríamos depois. Ainda estava à frente de Piastri, que não conseguiu o conhecido “undercut” na volta extra que teve com pneus novos. Norris, sem pit stop, liderava na volta 23. Pouco antes, reclamara de seus pneus. Era jogo de cena. A equipe, pelo rádio, administrava a situação. Pelo andar da carruagem papaia, o inglês faria apenas uma parada, já que seus rivais diretos, tendo trocado pneus muito cedo, certamente fariam duas.
“Certamente”, claro, é por minha conta. Era uma grande possibilidade, claro, mas não necessariamente uma certeza. Talvez os pneus duros de quem já tinha parado durassem até o fim. Talvez não. A própria McLaren tinha suas dúvidas. Por isso consultava Piastri a cada volta, pelo rádio. “Vai dar, Oscar?”, perguntava o engenheiro. “Sim.” “Mas você disse agora há pouco que não ia dar!” “Sim.” “Dá ou não dá, cão?” “Sim.” O engenheiro, então, pediu demissão pela décima vez no ano.
Quem não estava nada contente com o rumo daquela prosa era Leclerc. Em segundo, começou a discutir com a Ferrari pelo rádio. “Vamos perder essa corrida”, vaticinou. Sua queixa, soubemos depois, tinha relação com uma mudança de regulagem na asa dianteira durante o pit stop — parada que também não o convenceu pela precocidade, já que o time italiano o chamou uma volta depois de Piastri e o monegasco achou que poderia ficar mais tempo na pista com seus pneus médios, que se comportavam com dignidade. Seu temor: que a McLaren conseguisse fazer a corrida toda com apenas um pit stop. E ele sabia que não conseguiria. Tinha ainda o negócio da asa, que ele supunha ter sido ajustada de modo equivocado. O moço estava uma pilha de nervos. “Vocês precisam me ouvir mais”, choramingou.
Festa papaia: McLaren chega a 200 vitórias na F-1
Na volta 30, Norris, Leclerc, Piastri, Russell, Alonso, Bortoleto, Stroll, Lawson, Bearman e Verstappen eram os dez primeiros. Desses, Leclerc, Piastri e Russell já tinham trocado pneus. Os demais, não. Lando parou, finalmente, na volta 32. Não visitaria mais os boxes nem por decreto. Era aquela parada e ponto final. Que se virasse até o fim. Voltou em quarto atrás de Russell. Leclerc retomou a liderança com 1s4 de vantagem sobre Piastri. Landinho, então, ficou torcendo para que os três à sua frente torrassem sua borracha, sendo obrigados a uma segunda troca.
Um pouco mais atrás, Bortoleto se mantinha tranquilo em sexto e, como Norris, faria apenas uma parada. O mesmo valia para toda a turma que ainda rodava com os mesmos pneus da largada. Sua corrida era contra os pilotos da Aston Martin: Alonso à frente, Stroll atrás. Se ficasse entre os dois, terminaria onde estava, uma posição à frente da que tinha conseguido no grid. Estava bom demais.
A galera da parada única – Norris à parte — só foi começar a trocar pneus na volta 37. O primeiro foi justamente Stroll. Caiu de sétimo para 12º. Alonso veio para os boxes na 40ª. Norris, naquele momento, acelerou forte e passou a fazer ótimos tempos, para se aproximar dos três primeiros e deles se defender quando assumisse a ponta — todos estariam com sangue nos olhos atrás dele, famintos e com pneus novos. A execução de sua corrida era perfeita, tanto por parte de seu engenheiro quanto, claro, de sua parte, pelo que fazia na pista.
Mercedes, Ferrari e Red Bull: coadjuvantes
Leclerc foi o primeiro dos “two-stoppers” a parar, na volta 41. Colocou um novo jogo de pneus duros, cuspindo marimbondos pela balaclava. Bortoleto fez seu pit stop nesse momento e voltou logo à frente de Stroll. A estratégia da Sauber foi muito boa. Devolveu seu piloto à pista perto de Alonso, em sétimo, e sem ter de se preocupar muito com o canadense, mantido a uma distância segura.
Piastri parou pela segunda vez na volta 46. Voltou em terceiro com pneus duros novos, é verdade, mas a 12s do novo líder, Norris. Teria de remar bastante, e rápido. Leclerc era o segundo e sua profecia – “vamos perder essa corrida” – se confirmava. O ferrarista, na volta 50, estava 8s atrás de Lando e 1s5 à frente de Piastri, que se aproximava rapidamente. Na 51ª, Oscar chegou e passou o vermelho #16 no fim da reta dos boxes, relegando Leclerc à terceira posição. Pelo rádio, inconformado, Charlinho fez longo discurso. Falou que seria um milagre se chegasse no pódio. Maldisse seus estrategistas, a borracha da Pirelli, o asfalto de Budapeste, a comida do motorhome e a máquina de café da Ferrari. (Depois da prova, registre-se, Leclerc se acalmou ao ser informado de que seu chassi apresentou algum problema — não especificado, mas estamos apurando — que o fez perder muito rendimento a partir da volta 40, depois da segunda parada. Ele chegou a perder 2s por volta. “Tenho de retirar tudo que eu disse no rádio, não dava para saber exatamente o que estava acontecendo”, reconheceu. “É que a frustração é muito grande de saber que pela primeira vez em um ano poderíamos vencer uma corrida e não conseguimos.”)
Bortoleto à frente de Verstappen: corrida segura e sem erros
Naquela altura, Bortoleto voltara à sexta posição graças à segunda parada de Verstappen, que caiu para nono. Na ponta, Norris administrava sua borracha com 4s de vantagem sobre Piastri. Mas Oscar, com pneus bem mais novos, tentava chegar no companheiro. A situação era tensa para o inglês. Na 60ª volta, a dez do final, Norris, Piastri, Leclerc, Russell, Alonso, Bortoleto, Stroll, Lawson, Verstappen e Kimi Antonelli eram os dez primeiros. Hamilton, se alguém ainda se lembrava dele, seguia em 12º — exatamente onde largou.
Na briga pelo último troféu do dia, Russell colou em Leclerc. Passou na volta 62, apesar da defesa duríssima – para não dizer desleal – do monegasco, que mudou a trajetória de seu carro na freada. George, pelo rádio, reclamou aos montes. O ferrarista acabaria tomando um pênalti de 5s, que não mudaria em nada o resultado.
Quase: na volta 69, Piastri passou perto de bater em Norris
O terceiro lugar estava resolvido. Restava a disputa pela vitória, que não era pouca coisa e ganhou contornos dramáticos nas últimas cinco voltas. Norris perdeu muito tempo com retardatários e Piastri se achegou babando na fronha, como diz meu amigo Edgard Mello Filho. A diferença caíra para 0s7 na volta 65. Oscar tinha pneus melhores, carro na mão e uma pista complicada para ultrapassar pela frente. Mas nenhum pudor para tentar.
O autódromo ficou de pé. Norris se defendia acelerando, sabendo que em algum momento o escorpião em cima do sapo poderia dar uma ferroada e os dois morreriam afogados no brejo. Piastri, com sua proverbial frieza, preparava o bote. Na abertura da volta 69 mergulhou sobre o parceiro na curva 1, fritou os pneus e, como se diz, “mostrou o carro”. Quase bateu, o que causaria um terremoto na equipe. O sinistro não ocorreu por centímetros. Nos boxes da McLaren foram registrados cinco princípios de infarto.
Os dez primeiros e o resultado final: abandono, só de Bearman
Só que aí era tarde. A chance que Piastri teve foi perdida ali e, na última volta, o carro de Norris ficou da largura da pista. Ninguém passaria o inglês. E ele venceu a corrida com autoridade, pela terceira vez nas últimas quatro etapas do Mundial. Russell foi o terceiro, seguido por Leclerc, Alonso, Bortoleto, Stroll, Lawson, Verstappen e Antonelli na zona de pontos.
“Tô morto”, disse Norris. “A gente não planejou uma parada no começo, mas acabou sendo a única opção para voltar à corrida. É uma aposta, não se pode errar nada, e foi o que aconteceu hoje, um resultado perfeito. É uma briga muito difícil com Oscar, mas vamos tentar continuar assim.” A McLaren chegou à sétima dobradinha no ano, quarta seguida – o que não acontecia desde 1988 com Ayrton Senna e Alain Prost. Nas estatísticas, o time inglês bateu nas 200 vitórias, número redondo, histórico e impressionante — só perde para a Ferrari, que tem 248.
Contrastes: alegria de Norris e Russell, frustração de Leclerc e Hamilton
Agora vão todos descansar e esperar pelas notícias da semana. Como Verstappen descartou qualquer possibilidade de sair da Red Bull, esse assunto está encerrado. A Mercedes deve oficializar a manutenção de Russell e Antonelli por mais algum tempo. A Cadillac pode anunciar pelo menos um piloto nos próximos dias.
E tem muita gente esperando que Hamilton diga alguma coisa sobre seu futuro depois das fortes declarações de ontem. Nas casas de apostas da Inglaterra, já é possível jogar umas libras em “odds” que apresentam a opção de aposentadoria precoce do heptacampeão. “Quero ir embora logo daqui”, foi a única coisa que ele falou ao final do GP da Hungria. Nunca se viu Lewis tão para baixo na carreira quanto neste fim de semana.
Flavio Gomes domingo, 3 de agosto de 2025 9:36 3 comentários
Rafael Câmara, campeão antecipado da Fórmula 3, coloca o Nordeste de vez no mapa do automobilismo mundial! O menino do Recife venceu a corrida longa da Hungria e conquistou o título da categoria hoje, defendendo a Trident, equipe que venceu os últimos dois campeonatos — um deles, o de 2023, com Gabriel Bortoleto. Foi a quarta vitória do pernambucano no ano, que também fez cinco poles. A temporada se encerra com uma rodada dupla em Monza em setembro. São quatro títulos brasileiros seguidos na base, agora: Felipe Drugovich na F-2 em 2022, Bortoleto na F-3 em 2023 e na F-2 em 2024, e Câmara neste ano. Rafael tem 20 anos, uma carreira sólida no kart e na Freca ao redor do mundo (a fórmula regional europeia, que equivale à F-4) e faz parte da Academia de Pilotos da Ferrari.
Flavio Gomes sábado, 2 de agosto de 2025 12:56 27 comentários
Nem Leclerc acreditou: 27ª pole na carreira
SÃO PAULO(essa F-1…) – Ninguém entendeu direito o que aconteceu neste sábado em Hungaroring. Nem mesmo o piloto que fez a pole-position da 14ª etapa do Mundial: Charles Leclerc, da Ferrari. Ele não fazia uma pole desde o Azerbaijão no ano passado – um jejum de 20 corridas. Quando recebeu a informação pelo rádio de que tinha ficado em primeiro, mandou um “mamma mia!” como resposta.
O espanto se justifica. Ninguém imaginava que a McLaren não ficaria com a primeira fila para o GP da Hungria. Os carros papaia ficaram na frente em todas as sessões de treinos livres e também nas duas primeiras partes da classificação. Com folga. Foram os únicos a andar abaixo de 1min15s na pista húngara – no último treino livre e também no Q2. Mas, na hora H, acabaram batidos pelo improvável #16 vermelho. “Não entendo mais nada dessa F-1”, reconheceu o monegasco, que fez a 27ª pole de sua carreira.
Leclerc terá Oscar Piastri, o líder do campeonato, ao seu lado na primeira fila. Na segunda estarão Lando Norris, com o outro carro da McLaren, e George Russell, da Mercedes. O brasileiro Gabriel Bortoleto fez uma ótima classificação e larga em sétimo, sua melhor posição de grid na categoria. Foi a terceira vez que passou ao Q3 no ano – repetindo o que havia conseguido na Áustria (oitavo) e na Bélgica (décimo).
Chuva chegando: ficou para amanhã…
A classificação começou sob ameaça de chuva, depois de uma manhã e um início de tarde com sol e temperatura na casa dos 27°C. No meio da tarde o tempo deu uma fechada e nuvens escuras começaram a se aproximar da região do autódromo.
O melhor tempo do final de semana, até ali, era de Piastri no terceiro treino livre: 1min14s916. Norris fizera um tempo apenas 0s032 pior. A briga pela pole, teoricamente, estava restrita aos dois.
E assim foi na primeira bateria de voltas rápidas do Q1, com Piastri e Norris, nessa ordem, abrindo os trabalhos com 1-2, mas fazendo tempos longe do limite dos carros da McLaren: 1min15s554 para o australiano, com o inglês bem distante, a 0s373. Entre os dois, rapidamente, se intrometeram os dois carros da Mercedes: com Russell em segundo e Kimi Antonelli logo atrás dele.
Faltando 3min para o encerramento do primeiro segmento, Fernando Alonso surpreendeu todo mundo e pulou para primeiro, com 1min15s281. O espanhol, que acabou de completar 44 anos, venceu sua primeira corrida justamente na Hungria, em 2003, pela Renault. Na época, quatro dos pilotos titulares deste Mundial ainda nem tinham nascido: Oliver Bearman, Bortoleto, Antonelli e Isack Hadjar. Outros, como Piastri, Norris, Liam Lawson e Franco Colapinto, eram bebês de colo.
Aston Martin, Mercedes, Red Bull, Ferrari: contrastes
Piastri se encarregou de retomar a ponta logo depois com 1min15s211. A pista melhorou nos últimos minutos e os tempos foram caindo. Nessas condições, dois novatos se destacaram muito: Hadjar em terceiro e Bortoleto em sexto. O brasileiro mais ainda, considerando que seu companheiro de equipe, Nico Hülkenberg, empacou na penúltima posição, à frente apenas de Alexander Albon, o último colocado. Foram eliminados, junto com eles, Yuki Tsunoda, Pierre Gasly e Esteban Ocon. Max Verstappen foi o 11º. Piastri, Alonso, Hadjar, Norris e Leclerc ficaram nas cinco primeiras posições.
Quando começou o Q2, notou-se uma certa movimentação de capas e casacos nas arquibancadas. Começou a pingar fraquinho no lado oposto da reta dos boxes, onde há um parque aquático que sempre aparece nas transmissões da TV. Do outro lado, sol entre nuvens e nenhum sinal de chuva. Alonso fechou sua primeira volta em 1min15s395, confirmando o bom momento da Aston Martin na pista húngara e pulando para a ponta da tabela. Mas Norris virou em 1min14s890 na sequência, enfiando meio segundo no asturiano e cravando o melhor tempo do fim de semana. Piastri, logo depois, fez uma volta boa, também, 0s051 pior, apenas, que a do companheiro.
Verstappen: dificuldades com a Red Bull
Capas e casacos foram recolhidos e a chuva não veio. Amanhã, segundo os serviços meteorológicos, deve chover, mas no período da manhã. A corrida começa às 15h locais (10h de Ceilândia).
Faltavam pouco mais de 4min para o fim do Q2 quando todos voltaram à pista. Tinha gente graúda fora dos dez primeiros, como Lewis Hamilton e Antonelli. Bortoleto também estaria eliminado, naquele momento. Ninguém podia sequer pensar em errar. Seria na conta do chá para todo mundo – exceto para os tranquilos pilotos papaia, soberanos lá na frente.
E foi tenso. Principalmente para Gabriel, que fez uma volta preciosa e passou ao Q3 novamente, na décima posição. Na turma da degola, Antonelli, Bearman, Hamilton, Carlos Sainz e Colapinto. Um vexame da Mercedes e da Ferrari. Não importam as condições, essas equipes têm a obrigação de levar seus dois carros ao Q3. Lewis não se conformava. “Toda hora… Toda hora…”, falou. Classificações têm sido uma pedra na sapatilha do inglês. Mas a coisa está mais complicada ainda nessa sua jornada em Maranello. Em entrevista à Sky britânica, Lewis disse que está se sentindo “completamente inútil”, que não tem nada de errado com a equipe (“é só ver quem está na pole”) e sugeriu uma solução para a Ferrari: “Trocar de piloto”.
Alonso avança, Lewis empaca no Q2: “Sou um inútil”
Norris, Piastri, Lance Stroll, Russell, Alonso, Leclerc, Hadjar, Verstappen, Lawson e Bortoleto avançaram à fase final da classificação. Palmas para Aston Martin e Racing Bulls, com suas duplas entre os dez primeiros, e para a Sauber, que desde o GP da Espanha melhorou seu desempenho barbaramente, colocando seus pilotos em condições de lutar por pontos frequentemente – de Barcelona até Spa, foram cinco GPs seguidos na zona de pontuação.
Norris x Piastri, tudo indicava, seria o duelo pela pole no Q3. Primeiro round: Piastri 1min15s398, Norris 0s096 atrás. O resto lá atrás, cada um com seus problemas – como Stroll, que teve sua volta cancelada por exceder os limites da pista.
E foi Lance o primeiro a sair dos boxes para a segunda tentativa, desta vez bem-sucedida: terceiro tempo, a apenas 0s100 de Piastri. Alonso pulou para segundo, a 0s083 do australiano. OK, tinha um monte de gente para fazer volta, ainda, mas a Aston Martin estava toda orgulhosa dentro dos boxes – era o melhor fim de semana do time desde 2023, quando fez um campeonato bonito, cheio de pontos e pódios.
Bortoleto: terceira vez no Q3 na temporada
Norris, então, foi à luta para buscar pelo menos a primeira fila – naquele momento, era o terceiro colocado. Só que, de repente, Leclerc veio do nada e fez uma volta em 1min15s372, pulando para a primeira posição – um espanto, pois naquela hora, embora o tempo não fosse nada de tão espetacular, estava batendo a dupla da McLaren! E o choque foi ainda maior porque Piastri e Norris não conseguiram superar o monegasco, ainda que tivessem feito voltas bem melhores antes. Quando o rádio informou a Chaleclé que era o pole-position, nem ele acreditou. “O quê? Mamma mia!”, disse.
Na entrevista pós-classificação, o ferrarista foi sincero: “Não dá para entender nada nessa Fórmula 1. Foi difícil passar para o Q2 e difícil passar para o Q3. Então, eu sabia que tinha de fazer uma volta limpa para ficar em terceiro. Aí veio a pole. Não sei o que aconteceu”, falou. “Estou sem palavras.” Foi a primeira pole da equipe no ano.
O grid na Hungria: surpresa na pole
Faltavam as explicações da McLaren, claro. Dominou todos os treinos sem ser ameaçada por ninguém, fez várias voltas abaixo de 1min15s em outras sessões, o que aconteceu, afinal? “O vento mudou muito”, falou Piastri. “Parece uma explicação meio patética culpar o vento, mas foi o que aconteceu e estou surpreso de ver como não conseguimos ser rápidos de novo. Não esperava ficar em segundo aqui para uma Ferrari.” Pareceu mesmo meio patética, a explicação. Norris, com um sorriso amarelo, falou mais ou menos a mesma coisa sobre o vento, mas recorreu à franqueza para acrescentar: “Não dá para reclamar, Charles fez um trabalho melhor, talvez tenha arriscado um pouco mais. Fizemos boas voltas, mas não foram boas o bastante.”
Leclerc, Piastri, Norris e Russell ficaram com as quatro primeiras posições. As diferenças entre eles foram mínimas. Oscar ficou a 0s026 de Leclerc. Lando, a 0s041. George, a 0s053. Depois vieram, pela ordem, Alonso, Stroll, Bortoleto, Verstappen, Lawson e Hadjar. A volta de Gabriel foi 0s353 pior que a de Leclerc e 0s003 melhor que a de Max, um de seus melhores amigos no grid. Um resultado excelente que coloca o brasileiro em plenas condições de pontuar na corrida de amanhã.
Papaias com Leclerc: espanto em Budapeste
Claro que largar na pole na Hungria muda a perspectiva de qualquer piloto. Se Leclerc nem sonhava com uma vitória, agora pode. Precisa largar bem e manter a frieza durante 70 voltas, porque vai ter gente colada na sua caixa de câmbio o tempo todo. Há os pit stops, também, que permitem algum jogo estratégico. E a possibilidade de pista molhada.
Se a McLaren estivesse na pole, seria fácil fazer um prognóstico para essa corrida: sumiria na frente e pronto, seria só uma questão de escolher qual dos dois ganharia. Mas tem uma pedra no meio do caminho. Vermelha e inesperada. O que, quer saber?, salvou esse GP da Hungria.
Flavio Gomes sábado, 2 de agosto de 2025 9:53 5 comentários
SÃO PAULO (na espera) – O JR Duran, que tem um pequeno estúdio de fotos para documentos no interior da França, mandou o vídeo. É um encontro entre Max Verstappen e o jornalista/piloto Chris Harris, uma das celebridades do jornalismo automobilístico na Inglaterra. Eles vão a uma pequena pista francesa para andar com o Mustang GTD, um carrão superesportivo da Ford. O vídeo é muito bom e poucas vezes se viu Verstappen tão à vontade e curtindo o que ele chama de “media stuff”, algo que definitivamente odeia fazer. Mas o assunto eram carros e corridas e nada mais, e disso o holandês gosta de falar. Sem dancinhas, gracinhas, palhaçadinhas de “produtores de conteúdo”.
O vídeo foi publicado dia 30, quarta-feira. Olhando agora, fica fácil concluir que a decisão de ficar na Red Bull — e com a Ford — já tinha sido tomada havia algum tempo. Ninguém faria isso se estivesse disposto a abandonar o barco.
Flavio Gomes sexta-feira, 1 de agosto de 2025 15:47 14 comentários
Os tempos da sexta: McLaren domina
SÃO PAULO (tudo normal) – A sexta-feira de Budapeste foi daquelas que não vão entrar para a história da F-1. Nem desta temporada. Nem de Mogyoród, onde fica Hungaroring. Dia tranquilo, temperaturas amenas para esta época do ano, nenhum incidente digno de nota, nenhuma novidade na tabela de tempos — OK, teve uma, na Red Bull, mas falo adiante e não tem grande relevância.
A McLaren dominou os dois treinos livres, ambos com Lando Norris em primeiro e Oscar Piastri em segundo. A F-1 vai entrar em férias com os dois sendo os únicos na disputa pelo título, quadro que já se desenhou faz algum tempo.
O tempo de Landinho na segunda sessão, que acabou sendo, como costuma acontecer desde 1950, o melhor do dia todo: 1min15s624. Oscar ficou 0s291 atrás. Só eles andaram abaixo de 1min16s. Charles Leclerc, o terceiro colocado, foi 0s399 mais lento. Lance Stroll e Fernando Alonso, da Aston Martin, ficaram em quarto e quinto. É uma surpresinha, mas não se sustenta amanhã.
Drugovich e Alonso: brasileiro andou no primeiro treino
Falando em Aston Martin, Alonso não participou do primeiro treino livre. Estava com dor nas costas. “É na lombar”, explicou. “Uma dor muscular.” Preferiu se poupar na sessão, abrindo espaço para Felipe Drugovich andar com o carro verde. Ficou em 16º e alimentou alguma esperança de correr, caso as dores do espanhol, que acabou de fazer 44 anos, piorassem. Mas Fernandinho garantiu que está tudo bem, é só amanhã e domingo, e nas férias vai cuidar da lombalgia com repouso, chazinho e bolacha água e sal.
Outro novato que fez o primeiro treino livre foi Paul Aron, na Sauber, no lugar de Nico Hülkenberg. Ele é piloto reserva da Alpine, mas como a Sauber não tem terceiro piloto e é obrigada a ceder cada carro duas vezes para alguém ao longo do ano, fê-lo hoje com o estoniano — que já tinha andado em Silverstone. A regra com o outro carro foi cumprida com Gabriel Bortoleto nas duas primeiras corridas da temporada, já que ele é estreante na categoria.
Max atrás de Tsunoda e jogando a toalha
Parece piada pronta, mas Max Verstappen, hoje, jogou a toalha. No caso, uma toalhinha que usa para enxugar o rosto e os mecânicos esqueceram dentro do carro. Depois da primeira curva, ele encostou o carro para a direita o máximo que pôde e atirou o paninho para fora. Os comissários notaram e chamaram o holandês na torre pela falta de civilidade, já que ninguém deve jogar nada na rua pela janela do carro, nem mesmo um chiclete ou uma bituca de cigarro.
Max explicou que se a toalha caísse no meio de seus pés, poderia ser perigoso. Por isso jogou a toalha num lugar onde achou seguro. O pessoal aceitou a explicação e advertiu a Red Bull por ter esquecido a dita cuja dentro do cockpit.
Curioso mesmo, hoje, foi ver Verstappen atrás de Yuki Tsunoda na folha de tempos. É a primeira vez que ele fica atrás de um companheiro de equipe numa sessão oficial de treinos nesta temporada.
Norris na frente: briga será com Piastri
E não tem muito mais o que dizer, não, desta sexta húngara. A briga pela pole, amanhã, será exclusiva da dupla da McLaren. A Ferrari fez duas sessões sólidas com Leclerc e o quinto lugar de Lewis Hamilton na segunda pode indicar alguma possibilidade de luta pelo pódio entre os dois pilotos de Maranello. Talvez a maior chance de Lewis neste ano até agora, já que a Red Bull está perdidinha e a Mercedes, no asfalto mais quente, não anda nada.
Claro que Max pode virar o jogo, como já fez várias vezes na temporada — saindo de uma sexta-feira trágica para um sábado glorioso, ou perto disso. A ver. Até agora, ele só reclamou do carro, que escorrega por todos os lados e não traciona direito. Budapeste não é o melhor circuito do mundo para o tetracampeão. São dez GPs disputados desde 2015 (o primeiro pela Toro Rosso) e apenas uma pole e duas vitórias, pouco para seus padrões. No ano passado, terminou em quinto.
Mercedes e Ferrari: italianos começaram melhor
Hamilton, em compensação, tem oito vitórias na pista magiar — só venceu mais em Silverstone, nove vezes. Depois dele, quem mais ganhou em Hungaroring foi Michael Schumacher, quatro vezes.
Largar na pole na Hungria, todos sabem, é meio caminho andado para vencer. Nas 39 edições da corrida, 16 vezes o ganhador partiu da primeira posição do grid. Em oito delas, da segunda colocação. Isso dá uma taxa de 61,5% de vencedores largando da primeira fila. Não é preciso dizer muito mais.
Hungaroring, quem viu pela TV, está mais bonito neste ano. Reformaram toda a área de box e torre e refizeram a tribuna coberta que fica na reta principal. Estive lá pela primeira vez em 1991. Daquela corrida, sobraram essas fotos aí embaixo. Façam suas legendas…
Flavio Gomes sexta-feira, 1 de agosto de 2025 14:34 9 comentários
SÃO PAULO (jumentos) – O Partido Republicano, em sua conta no Twitter (ou X, como queiram), fez uma postagem celebrando alguma lei do imbecil do Trump para reduzir impostos de automóveis americanos. Diz a legenda: “The One Big Beautiful bill will drive the return of the great American car”.
A imagem escolhida coloca um Lada atrás do cretino. Esse era o tuíte.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
1:10:23
CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...