Flavio Gomes segunda-feira, 6 de outubro de 2025 17:43 10 comentários
Recebo mensagem de um certo J.R, que está logo depois da foto. Reconheço que é uma linda fotografia, embora não me pareça muito atual. Mas como a Esso patrocina a Red Bull, talvez seja.
Por acaso achei este posto aqui, Flavio. Quer dizer, achei a foto deste posto aqui. Ela foi feita por David “Chim” Seymour, um dos picas das galáxias da fotografia que — junto com o Robert Capa e o Henri Cartier-Bresson — fundaram a agência Magnum. A foto formava parte de uma exposição dos trabalhos dele no Palazzo Grimani — em Veneza, claro — acontecida dois anos atrás. Abraços! J.R.Duran
Flavio Gomes domingo, 5 de outubro de 2025 13:08 61 comentários
A clássica comemoração de Russell: segunda vitória no ano
SÃO PAULO(fechou) – Quando as cobertas dos pneus foram retiradas no grid de Singapura, George Russell olhou para o lado, viu que Max Verstappen estava de macios e falou: “Xi, me ferrei”. Com aquela borracha, a chance de o holandês pular na frente na largada era real, e se acontecesse, o cara não perderia a corrida nem por decreto.
Na pole, o inglês da Mercedes estava de médios, uma estratégia que fazia todo o sentido, como fez para a maioria dos pilotos. A tentativa da Red Bull, da mesma forma, não era absurda. Só que não deu certo. Do lado sujo da pista, Max não conseguiu o arranque que desejava. George largou como nunca, disparou na frente, e essa foi a história do GP de Singapura.
Russell venceu pela quinta vez na carreira, segunda no ano. Verstappen terminou em segundo e Lando Norris foi o terceiro com a McLaren, que também fez o quarto lugar com o emburrado Oscar Piastri. O resultado deu ao time papaia seu décimo título mundial de Construtores, segundo consecutivo. São 650 pontos, contra 325 da vide-líder Mercedes. A equipe, agora, só não tem mais taças que a Ferrari, que faturou 16 desde 1958, quando foi estabelecido o campeonato das equipes.
McLaren festeja segundo título consecutivo de Construtores
No Mundial de Pilotos, a situação não mudou muito. Norris descontou apenas três pontos do líder Piastri e agora está 22 atrás – 336 x 314. Verstappen, com 273, tinha 69 de déficit, agora são 63. Faltam seis etapas para o final da temporada, com três Sprints. São 174 pontos em jogo. Para ser campeão, Lando precisa fazer quatro pontos mais que Oscar por final de semana de GP. Max tem de tirar 11. A tarefa do inglês é factível. A do piloto da Red Bull, dificílima.
A prova de Marina Bay não foi das melhores de todos os tempos. Longe disso. O lance decisivo, no que diz respeito à disputa do título, aconteceu nos primeiros metros depois que as luzes vermelhas se apagaram. Norris largou muito bem, partindo para o pau contra Piastri. Pulou de quinto no grid para terceiro. Os companheiros papaia chegaram a se tocar. Oscar reclamou pelo rádio. “Ele bateu em você?”, perguntou o engenheiro. “Sim.” “Quer que a gente avise os comissários?” “Sim.” “Quer que a gente peça para ele te devolver a posição? “Sim.” “Você não acha que foi meio frouxo demais?” “Sim.” “Da próxima vez dá no meio dele.” “Sim.” Zak Brown pediu para o engenheiro parar de perturbar o rapaz: “Não fica bem essa zoeira no rádio, agora temos novos donos, vendi esta bagaça por quatro bilhões de dólares, pelo menos finja que se importa com ele”.
A largada e o toque entre Norris e Piastri: começo quente
Russell, como Norris, tinha largado como um foguete. “Que tiro foi esse?”, comemorou o engenheiro da Mercedes pelo rádio, para desgosto do piloto inglês. “Não aprecio a autora dessa canção”, censurou, contrariado. “Ela se revelou uma fascistoide insuportável. Por que não Guilherme Arantes para descrever poeticamente minha largada?” E começou a cantarolar: “Pegar carona nessa cauda de cometa/Ver a Via Láctea, estrada tão bonita/Brincar de esconde-esconde numa nebulosa/Voltar pra casa, nosso lindo balão azul”. “George, nosso carro é prateado”, resmungou Toto Wolff. “Mas meu capacete é azul, Toto, você precisa entender essas associações que faço de vez em quando. A Via Láctea é prateada. Sacou?” “Cala a boca, George”, encerrou o chefe, que anda meio sem paciência com seus pilotos.
O fato é que com o tiro da Jojô (que é mesmo uma fascistoide, Russell tem toda razão) ou no rabo do cometa de Guilherme Arantes, em quatro voltas, o inglês já tinha mais de 2s sobre o holandês e passou a controlar a corrida sem muitos sustos. Mais atrás, Fernando Alonso, Isack Hadjar, Franco Colapinto, Lance Stroll e Yuki Tsunoda foram os outros que largaram com pneus de faixa vermelha com as mesmas intenções de Max, ganhar posições no início. Mas ninguém fez milagre.
Antonelli: bons pontos para a Mercedes
Russell, Verstappen, Norris, Piastri, Charles Leclerc, Kimi Antonelli, Lewis Hamilton, Alonso, Hadjar e Oliver Bearman eram os dez primeiros na volta 10, com o #63 socando o pé para não dar nenhuma esperança a Max, num ritmo de encher os olhos. A diferença dele para o #1 da Red Bull já passava dos 5s. As posições registradas no final da primeira volta, do primeiro ao último, se mantinham inalteradas, diante da proverbial dificuldade de ultrapassagem em Marina Bay.
Na volta 14 começaram os pit stops. Gabriel Bortoleto parou e aproveitou para trocar o bico de seu Sauber verde-alface, danificado num esfrega-esfrega na largada com Stroll. Tsunoda também foi para os boxes e colocou pneus duros, para ir até o fim da corrida – era um sinal do que faria Verstappen logo mais.
Na volta 17, a McLaren chamou Norris para os boxes. “Pode vir para ultrapassar Verstappen, vamos aplicar nele um ‘undercut’, eles não contavam com nossa astúcia!”, gritou o engenheiro com entonação teatral pelo rádio. Lando estava pouco mais de 1s atrás de Max. Mas era um blefe mequetrefe, jogado no ar para a Red Bull reagir e chamar seu piloto, com medo do tal “undercut”. Certamente sugestão de algum estagiário protegido de alguém na equipe: “Tive uma grande sacada, vamos enganar os caras fingindo que nosso piloto vai para os boxes!”. Macacos velhos, os engenheiros da equipe dos energéticos não caíram na lorota e ambos ficaram na pista.
Sainz, décimo: último a trocar pneus
Max foi parar na volta 20, porque seus pneus macios já não davam mais. Colocou duros, como Tsunoda. Voltou em sétimo e perderia a posição para Norris se não fizesse pelo menos umas duas voltas voadoras com a borracha nova. Lando, por sua vez, apertou o ritmo justamente para fazer o tal do “undercut” sobre o rival na hora da parada. O estagiário se sentiu vitorioso. “Ganhei essa corrida. Esses velhos calvos não entendem nada. Nós, jovens, somos o futuro do planeta”, comentou com uma colega na sede da McLaren, onde estava. Vestia colete “puffer” e mocassins Dolce Gabanna. A gola da camisa polo estava virada para cima. “Babaca”, resmungou a menina.
Lá na frente, Russell desfilava. Tinha mais de 9s de vantagem para Norris, agora segundo colocado, e só na 24ª volta entrou no rádio para falar sobre seus pneus. “Estão começando a perder performance”, avisou. “Vejam bem, não estou querendo, aqui, falar mal da fornecedora, a Pirelli, de tanta história e reputação. Empresa italiana, de um país que adoro. Ah, a Toscana, os vinhos, as massas! Como falar mal da Itália? Mas talvez seja a hora de…”, então Toto Wolff pediu: “Chama ele logo para trocar pneu, senão não para de falar”. George parou, efetivamente, na volta 26. Voltou em terceiro, atrás da dupla da McLaren.
Então, Lando fez seu pit stop, na 27ª. Voltou atrás de Verstappen, em quarto. A tentativa de “undercut” não deu certo. O estagiário, que já tinha pedido para o ChatGPT produzir um novo texto para seu perfil no LinkedIn incluindo o “undercut” de Singapura (“coloque que foi épico e que eu fiz história”, escreveu no prompt), cancelou a operação. “Otário”, falou a colega, baixinho.
Piastri assumiu a ponta, ainda sem trocar pneus. O que foi fazer na volta 28, e a McLaren demorou um pouco mais que o normal. Não resultou em perda de posição, mas afastou o australiano um pouco mais de Norris. Com todo mundo de pneuzinho novo, na volta 30 os sete primeiros eram exatamente os mesmos da primeira volta: Russell, Verstappen, Norris, Piastri, Leclerc, Antonelli e Hamilton.
A turma dos pontos, antes da revisão Hamilton/Alonso
Alonso, que era o oitavo até sua parada, despencou para o fundo do pelotão por conta de um pit stop atrapalhado da Aston Martin. Quando voltou à pista, o engenheiro avisou: “Faltam 34 voltas”. Irritado, o espanhol respondeu: “Se você ficar me falando isso toda volta, vou desconectar o rádio”. Não tem nada mais legal no mundo do que um piloto ranzinza — no fim da corrida, vocês vão entender mais adiante neste relato, ainda deu um show radiofônico xingando muito Hamilton.
De repente, e não mais que de repente, a tranquilidade de Russell ameaçou ser abalada ali pela altura da volta 35. A diferença dele para Verstappen, que tinha se estabilizado na casa dos 6s no início da corrida, caiu para 2s7. Pelo retrovisor, o inglês já via o tetracampeão. Max, no entanto, cometeu um erro na volta 37 e perdeu tempo. “Esse carro está uma merda!”, berrou pelo rádio. A vantagem de Russell voltou à casa dos 5s, o holandês desistiu da vitória e quem se aproximou foi Norris, o terceiro colocado. Mas sem ameaçar de verdade o rival.
Quando começaram a aparecer os retardatários, Verstappen se viu em maus lençóis por alguns instantes. Na volta 46, Lando encostou de vez, ficou menos de 1s atrás e passou a ter o direito de abrir a asa para tentar a ultrapassagem. Max iria sofrer para manter a McLaren atrás.
Hamilton, em sétimo, fez uma segunda parada para colocar pneus macios e tentar atacar Antonelli nas voltas finais da corrida com uma borracha mais aderente e veloz. Seus tempos passaram a ser cerca de 3s melhores por volta que os do italiano da Mercedes. A distância era grande, mas pelo menos abria a perspectiva de uma briga, embora por posição pouco celebrada. Verstappen se segurava à frente de Norris. Na volta 50, a diferença seguia inferior a 1s, mas Lando não atacava.
Max se defende de Norris; Hamilton, de Alonso
O último a trocar pneus foi Carlos Sainz, na volta 51. O espanhol da Williams esperou até o último momento por um safety-car que não veio. Como Liam Lawson, Alexander Albon e Stroll, que adiaram suas paradas até onde a borracha aguentou, foi lá para o fundão. Assim, Alonso voltou à oitava colocação, apesar da parada lerda da Aston Martin.
O primeiro – e único — ataque de Norris sobre Verstappen aconteceu na volta 53. Colocou o carro lado a lado numa freada, mas preferiu não pagar para ver o que aconteceria se tentasse consumar o ato. O muro estava muito perto. E, como diz o ditado, quem tem muro tem medo.
Mudança relevante de posição aconteceu um pouco mais atrás, com Antonelli ultrapassando Leclerc e assumindo a quinta posição. Hamilton, voando, teria pela frente, assim, seu companheiro de equipe, e não mais o jovem da Mercedes. Passou sem dificuldades na volta 56 e partiu para o ataque a Kimi. A estratégia da Ferrari funcionava, o que não é exatamente comum nos dias de hoje.
À frente deles, Norris seguia especulando sobre Verstappen, mas sem partir para a briga aberta. Hamilton chegou em Antonelli na volta 60. Do pessoal que adiou a parada, Sainz era o único que via o esforço sendo recompensado, entrando na luta pelo último pontinho da corrida. Colou em Hadjar e passou, assumindo o décimo lugar.
Lewis, no entanto, não conseguiu superar Kimi. Quando estava grudado no Mercedes #12, pronto para o bote, reportou problemas sérios pelo rádio. “Estou sem freios!”, avisou. Não é a coisa mais agradável do mundo, num carro de corrida. Tirou o pé para não acabar colado no muro. Perdeu a posição para Leclerc e ficou se arrastando na pista em sétimo, rezando para a prova acabar logo.
Resultado (antes da punição a Hamilton), título conquistado, lista atualizada
Russell venceu a corrida com autoridade, levando com ele ao pódio Verstappen em segundo e Norris, que se conformou com a terceira posição – o medo que esse rapaz tem de Max é coisa para tratar na terapia. Piastri, Antonelli, Leclerc, Hamilton, Alonso, Bearman e Sainz fecharam os dez primeiros. Bortoleto foi o 17º. Lewis recebeu a bandeirada 0s4 à frente de Fernandinho. Se o circuito tivesse mais uns 20 metros, perderia também o sétimo lugar. Na pista, não perdeu. Mas no tapetão, sim. Os comissários puniram o inglês com 5s em seu tempo total de prova porque na última volta excedeu os limites de pista várias vezes. Alonso berrava no rádio. “Desgraça! Não pode! Não é porque tá sem freio que pode fazer isso! Guiar sem freio é perigoso! Carajo!” Acabou que Hamilton caiu para oitavo e Alonso ficou com a sétima colocação.
A F-1 volta à nossa agenda daqui a duas semanas, com o GP dos EUA em Austin, no Texas.
Flavio Gomes sábado, 4 de outubro de 2025 13:41 17 comentários
Russell na pole: surpresa em Singapura
SÃO PAULO(quem explica?) – Quem disser que não ficou surpreso com a pole-position de George Russell em Singapura estará mentindo. O inglês da Mercedes bateu todos os favoritos e larga na frente de um GP pela sétima vez na carreira, segunda neste ano – a outra foi no Canadá. A equipe alemã, embora ocupe a vice-liderança do Mundial de Construtores, não vem sendo exatamente uma protagonista da temporada. Ganhou apenas uma corrida – justamente em Montreal, onde George largou na pole – e somou oito troféus em 17 etapas. Não é ruim, mas também não é bom.
No circuito de Marina Bay, porém, o desempenho foi muito bom na noite deste sábado no Sudeste Asiático. Além de Russell na pole, o time colocou Kimi Antonelli em quarto no grid, repetindo a posição de largada da última corrida, em Baku. O jovem italiano vem reagindo depois de uma temporada europeia lamentável, com poucos pontos e muitas batidas.
Entre os dois carros da Mercedes estarão um da Red Bull, de Max Verstappen, e um da McLaren, do líder do campeonato Oscar Piastri. Lando Norris, vice-líder na tabela, larga em quinto. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, em 14º.
Verstappen, segundo no grid: Norris atrapalhou?
Verstappen, o único que no Q3 deu a impressão de que poderia bater Russell, reclamou ao final da classificação que foi atrapalhado por Norris na última curva. “É a Red Bull, eles sempre reclamam de alguma coisa”, desdenhou o inglês.
A noite foi quente e úmida em Singapura, o que não é novidade nenhuma. Termômetros na casa dos 30°C e umidade relativa do ar de 70%. São as condições esperadas para a corrida de amanhã, que começa às 9h de Taguatinga, 20h locais.
A definição do grid começou com alguns destaques interessantes no Q1. Isack Hadjar chegou a ficar em primeiro por um tempinho, com uma volta em 1min30s214. Só foi batido por Norris, o primeiro no fim de semana a fazer um tempo abaixo de 1min30s: 1min29s932. Oliver Bearman, da inconstante Haas, foi outro que apareceu bem. Esteve por alguns minutos em segundo lugar e acabou ficando bem colocado no final. Antonelli, igualmente novato, também andou na frente por um bom tempo, em seu melhor fim de semana depois que saíram as notas da escola – passou de ano sem recuperação.
Antonelli: melhora depois do fim das aulas
Os últimos minutos da primeira parte da classificação foram complicados. Todo mundo foi à pista ao mesmo tempo e o tráfego chegou a atrapalhar alguns. Uma bandeira amarela localizada, com a quebra de Pierre Gasly, prejudicou outros. Lewis Hamilton fez uma voltaça em 1min29s765 e pulou para primeiro. Russell, Norris, Verstappen, Antonelli, Hadjar, Piastri, Charles Leclerc, Bearman e Yuki Tsunoda foram os dez primeiros. Os eliminados: Bortoleto, Lance Stroll, Franco Colapinto, Esteban Ocon e Gasly.
O brasileiro foi um dos que tiveram de dar uma aliviada no acelerador quando passaram pela bandeira amarela do francês da Alpine. Ele não ficava empacado no Q1 desde o GP da Inglaterra. Nas últimas cinco etapas, havia avançado à segunda parte da classificação. “Tive de tirar o pé e foi uma pena porque era uma volta boa que ia me levar fácil ao Q2”, disse à repórter da Band(eirantes) Mariana Becker, que acabou trabalhando hoje (leia nota mais abaixo, nas famosas e infames caixinhas coloridas).
Max & George: todo mundo suado em Singapura
O início do Q2 foi atrasado em alguns minutos justamente porque os comissários tiveram de checar nos vídeos e na telemetria se alguém fez volta sem tirar o pé do acelerador no ponto onde Gasly estava parado, desrespeitando a bandeira amarela. Vários pilotos foram investigados. Inquéritos, abertos. No fim, deixaram para analisar tudo depois da sessão. Eventuais punições seriam aplicadas a posteriori. O problema seria a dosimetria. O que fazer com quem eventualmente avançou ao Q2 infringindo as regras? No fim, ninguém foi punido.
Foram exatos 14 minutos de intervalo entre os dois segmentos, quando normalmente essa parada é de apenas cinco. Segue o jogo. Boxes abertos, Verstappen foi o primeiro a sair para fazer tempo, e fez: 1min29s747. Temporal, como diziam os antigos romanos nas corridas de bigas. Ou “temporale”, no original em latim – o imperador diria “magnum tempus”, porque não se misturava à plebe. Outro que fez um “temporale” foi Antonelli, mas o tempo foi cancelado por exceder os limites da pista na curva 2. “Porca puttana!”, gritaria das arquibancadas do Circus Maximus um tifoso mais exaltado.
Os tempo e Russell: segunda pole do inglês no ano
Mas o bambino não se abalou. Fez uma segunda volta em 1min29s649, sendo superado logo depois por seu companheiro Russell, 1min29s562. “Caspita!”, exclamaria nosso torcedor das corridas de biga, animado com o garoto do time prata. Os tempos caíam rapidamente – a pista de Singapura tem essa característica, de melhorar bem na medida em que o asfalto vai emborrachando. Verstappen também fechou uma volta boa e colou em Russell, apenas 0s010 atrás. A Mercedes entrou na briga. Caíram Nico Hülkenberg, Alexander Albon, Carlos Sainz, Liam Lawson e Yuki Tsunoda. A dupla da Williams, e isso saberíamos apenas horas depois de encerrados os trabalhos de pista, foi desclassificada e larga do fundo do grid. Motivo: asa móvel abrindo mais do que o regulamento permite
Avançaram ao Q3 as duplas de Mercedes, Ferrari e McLaren. Juntaram-se a elas, para a parte final da sessão, representantes de Aston Martin, Haas, Red Bull e Se Preferir Tem o QR Code. Sete times diferentes entre os dez primeiros, o que é legal de ver. Alpine, Sauber e Williams ficaram fora da festa.
Leclerc: lentos, os carros vermelhos
1min29s165 foi o primeiro tempo de Russell em sua primeira volta rápida no Q3, um tempo espetacular. Antonelli fechou sua volta inaugural a 0s372 dele. Foi superado por Verstappen e Piastri. “Britanni celerrimi sunt, eo magis cum cum curribus Germanicis certant”, admirar-se-ia o magnânimo imperador instalado no camarote vip do Circus.
Seria difícil tirar a pole do britânico e seu carro alemão. O primeiro a tentar foi Norris, que fechara a primeira leva de voltas rápidas em quinto. Não conseguiu e ficou onde estava. Russell, para dificultar ainda mais a vida dos rivais, conseguiu baixar um tiquinho: 1min29s158. Foi um balde de água gelada nos outros. Depois disso, ninguém melhorou foi nada. Sobrava Verstappen. Era o último com alguma possibilidade de desbancar o piloto da Mercedes, mas tirou o pé no fim da volta quando pegou Norris pela frente. Larga na primeira fila ao lado do #63. Piastri e Antonelli estão na segunda, como já informado. Norris, Hamilton, Leclerc, Hadjar, Bearman e Fernando Alonso fecharam as dez primeiras posições. “Magnum fuit spectaculum aurigarum, sed duo currus rubri imbecilli sunt… Nimis tardi erant. Occidere eos potes. Utrumque lupis proice una cum obeso domino eorum. Noli oblivisci bonum condimentum ad eos sapidiores reddendos”, seriam as últimas palavras de nosso majestático imperador romano ao final da sessão.
O grid em Marina Bay, ainda sem as punições aos pilotos da Williams
Russell, que bateu o carro ontem no segundo treino livre, disse que sua primeira volta decente no fim de semana foi a última do Q2. Ali, percebeu que tinha chance de fazer alguma coisa que prestasse no fim de semana. Seu medo, amanhã, é o ritmo de corrida. Não fez nenhuma simulação, por causa do acidente. E a largada também lhe causa arrepios: “Max larga muito bem. Vamos ver o que consigo fazer”.
NO AR – Quem acompanhou a transmissão do terceiro treino e da classificação pela Band(eirantes) notou que, diferentemente de ontem, a repórter Mariana Becker entrou no ar. Sem cinegrafista, e pelo telefone – minha experiência nessas coisas garante. Houve uma única aparição em “falso vivo”, como a gente chama: um vídeo gravado com celular que entrou no ar na abertura da transmissão da classificação como se fosse ao vivo, e não era porque dava para ver o céu ainda claro, e já era noite. “Non heri natus sum”, diria o imperador.
EXPLICAÇÃO – E o que aconteceu? Segundo a jornalista Julianne Cerasoli, do UOL, a emissora “resolveu as pendências” com a equipe, embora produtor e cinegrafista não tenham viajado para Singapura. Não há detalhes. Por isso, me permito acreditar que o canal tenha sido alertado pela FOM de que poderia ser multado ou perder os direitos se não tivesse alguém “in loco” no ar. Os contratos de direitos de transmissão obrigam os detentores a terem pelo menos um repórter nos locais das corridas para produzir conteúdo editorial. “Quicumque anum habet, timet”, diz o velho ditado romano.
LINGUIÇA – Sem material gravado em Singapura ou possibilidade de sua repórter entrar ao vivo com imagens, o famoso “pré-hora” da Band(eirantes) foi preenchido com vídeos enlatados e datados, que qualquer um pode ver nas redes sociais da F-1. Para amanhã, a transmissão que às vezes é aberta uma hora antes da largada vai começar às 8h30, 30 minutos depois do normal. Não se sabe qual será o esquema da emissora nas demais etapas do campeonato, que incluem viagens custosas para três corridas na América do Norte (Austin, México e Las Vegas) e duas para o chamado mundo árabe (Catar e Abu Dhabi). Ainda o imperador: “Quod fecerunt fuit farcimen farcire”.
Mercedes, Haas, Visa Etc., Ferrari e McLaren: duelos em 2025
PLACAR – Querem saber como está o placar das classificações neste ano? Vamos lá, com as siglas dos nomes dos pilotos para ver se vocês estão afiados. ALO 18-0 STR, RUS 16-2 ANT, VER 16-0 TSU, LEC 13-5 HAM, HAD 12-3 LAW, BOR 11-7 HUL, PIA 10-8 NOR, BEA 10-8 OCO, SAI 9-9 ALB, GAS 7-5 COL. Alonso e Verstappen são os únicos que ainda não perderam nenhuma para seus companheiros de equipe.
Flavio Gomes sexta-feira, 3 de outubro de 2025 15:51 25 comentários
Piastri lambe o muro: mais rápido da sexta
SÃO PAULO (se for dirigir, não beba; se não for, não beba também) – Singapura é um lugar quente pra burro. Quando não tenho nada para fazer e fico preenchendo aqueles mapas com os países que conheço, tico (do verbo “ticar”, que espero que exista) Singapura pelo critério “se já coloquei o pé em terra, tá valendo como país visitado” — só sobrevoar o território não vale. É um bom critério, e graças a ele Colômbia e Chile entram na minha lista. No total, minha volta ao mundo resultou em 42 países, contando o Brasilzão velho de guerra. Se alguém tiver curiosidade, o mapa é esse aí embaixo. Cortesia do blogueiro: clicando na imagem, tem o link para fazer o seu.
Singapura incluído: aeroporto vale
E o que fui fazer em Singapura? Uma escala. Acho que estava indo para a Malásia, ou para a China, sei lá. Só sei que na sala de espera para o voo seguinte encontramos sabem quem? Gilberto Gil! Ele mesmo. Era, na época, ministro da Cultura. Voltava de não sei onde, ou estava indo para não sei onde, e engatou uma conversa com a gente sobre… Fórmula 1! Sabia tudo. Quem tinha ganhado a última corrida, quem era o favorito para a próxima, qual carro era bom, qual era ruim… Ô homem bonito da porra! Todo de branco, com tranças no cabelo, parecia um rei.
É minha lembrança de Singapura. O aeroporto também impressionou bastante, assim como o comentário de um brasileiro tonto que nos reconheceu (uso tudo na primeira pessoa do plural porque era nosso grupo de jornalistas), puxou conversa e ao passar suas impressões sobre o país, mesmo que ninguém tivesse pedido, contou que a coisa que mais o marcou na viagem foi que “aqui se você joga um papel de chiclete na rua eles cortam tua mão”. Estava profundamente admirado com a organização singapurense e elogiou com sinceridade a pena para quem jogava papel de chiclete na rua. Imbecil.
Bem, vamos falar dos treinos de hoje.
Russell e Lawson: bandeiras vermelhas
Não importa muito o que aconteceu na primeira sessão, com a luz do dia, às 17h30 locais — Singapura está 11 horas à frente do nosso fuso. Porque a corrida é noturna e as condições mudam muito. Essa prova de Marina Bay, aliás, foi a primeira noturna da história, em 2008. Depois virou carne de vaca, tem corrida de noite no Bahrein, na Arábia Saudita, em Las Vegas e deve ter alguma outra que me esqueci.
A pista já foi pior. Em 2023 reduziram de 23 para 19 o número de curvas e cortaram algumas muito lentas. O recorde para a longa volta do circuito é de Daniel Ricciardo, do ano passado: 1min34s486. Foi sua despedida da F-1 e uma forma de a equipe homenageá-lo e tirar um ponto de Lando Norris, que dominou a prova de cabo a rabo após fazer a pole. Assim, ajudou Max Verstappen, da mamãe Red Bull — o holandês nunca venceu em Singapura, única pista do calendário que ainda não ticou, do verbo ticar.
Agora não tem mais ponto extra da melhor volta, então não importa muito.
Norris não foi bem hoje, ficou em quinto no segundo treino, esse já realizado de noite, a 0s483 de Oscar Piastri, o mais rápido do dia. Houve algumas surpresas. Isack Hadjar, da Pode Parcelar? foi o segundo colocado, em sua primeira visita ao circuito. É um resultado que impressiona, porque a pista é tinhosa e cheia de muros. Circuito de rua, sabem como é… E a Aston Martin também andou bem, com Fernando Alonso em quarto (tinha sido o melhor do primeiro treino) e Lance Stroll em sexto. É uma pista travada, lembra um pouco a Hungria no quesito “paredões de asa”, e lá o time verde já tinha se comportado decentemente, também. Deve brigar por pontos.
Alonso soltando faísca: equipe deve andar bem domingo
Houve duas bandeiras vermelhas na segunda sessão, causadas por George Russell e Liam Lawson, cujos incidentes estão nas fotos mais no alto. O inglês da Mercedes foi de frente na barreira de proteção, quebrou o bico e não voltou mais à pista, embora tenha conseguido levar o carro andando para os boxes. Aconteceu com 18 minutos de treino. Lawson, por sua vez, bateu no muro da curva 17 e quando tentou voltar à garagem bloqueou a entrada do pit-lane. As duas interrupções tiraram tempo valioso de todo mundo.
Fez muito calor, como sempre, na casa dos 28°C à noite. A região é sufocante e muito úmida — 80% de umidade relativa do ar. Isso leva os pilotos ao esgotamento físico e à perda de peso. Dizem que na corrida os caras podem perder até 5kg, um ótimo regime. Como as condições climáticas foram consideradas “Heat Hazard” (perigo de calor, em tradução literal), a FIA solicitou que fosse usado uma espécie de colete que refrigera o corpo. Era optativo. Mas como o negócio tem um peso extra, quem não quis teve de carregar lastro no carro.
Os tempos e os três primeiros: Hadjar (o carro é dele!) foi a surpresa
Outro incidente, este mais bizarro, resultou numa multa de dez mil euros para a Ferrari. Quando o treino foi reiniciado depois da segunda bandeira vermelha, a equipe liberou Charles Leclerc de forma perigosa e ele bateu em Norris dentro dos boxes. Realmente não foi uma boa sexta-feira para o inglês, que está 25 pontos atrás de Piastri na classificação e vai precisar suar bastante, com o perdão do trocadilho, para ser campeão.
Falando em título, a McLaren joga seu segundo “match-point” em Singapura. Para garantir o título de Construtores, precisa de meros 13 pontos.
Depois das fotos, caixinhas com as últimas notícias.
Leclerc bate em Norris; McLaren pode ser campeã domingo
LIBERADO – Alex Dunne, irlandês de 19 anos que andou fazendo bons testes e treinos com a McLaren, teve seu contrato rescindido com a equipe papaia. Era uma aposta para o futuro, mas por alguma razão foi liberado. Essa “alguma razão” pode ser a Red Bull, que está de olho no menino, que hoje corre na F-2.
AUSENTE – Como revelou ontem a jornalista Julianne Cerasoli, do UOL, a Band(eirantes) não tem equipe “in loco” em Singapura. Pela primeira vez desde que a emissora voltou a transmitir a F-1, em 2021, uma corrida será mostrada sem repórter no local. Mariana Becker estava a caminho, mas voltou — ou chegou e não vai trabalhar. Tudo porque, segundo Cerasoli, o canal não está pagando os custos da equipe de produção, que inclui cinegrafista e produtor. A emissora não desmentiu a informação. Um vexame. E uma infração contratual, porque toda TV que tem direitos de transmissão é obrigada a enviar pelo menos um representante para todas as corridas. É regra antiga da FIA e atual da Liberty. A Band(eirantes), desde 2021, não mandou narrador e comentarista para nenhuma corrida fora do Brasil. Faz tudo de estúdio. Usa como vinheta de suas jornadas um tema musical requentado da época em que fazia a Indy (abaixo). Mas os “bandlovers” seguem inconformados com a volta da F-1 à Globo, porque o canal do Morumbi é o único que “respeita a categoria e os telespectadores”. Estamos vendo…
CONTRATADO – Pietro Fittipaldi foi contratado pela Cadillac como piloto de testes. Mas calma, patriotas! Ele não vai ser o terceiro piloto do time, vaga que a nova equipe pretende entregar a Colton Herta. O brasileiro se junta a Charlie Eastwood, que corre de Corvette no WEC, e a Simon Pagenaud, campeão da Indy em 2016, para ajudar no projeto da F-1 em simuladores, gincanas, quermesses e bazares beneficentes. A Cadillac terá grana de Carlos Slim, responsável pelos salários de Sergio Pérez. Por algum motivo que nunca entendi, o bilionário mexicano, que entre outras coisas controla a Claro, patrocina todo o clã Fittipaldi onde quer que os moços corram. Essa é a ligação com Pietro.
Flavio Gomes sábado, 27 de setembro de 2025 15:37 39 comentários
Nem falo mais nada… O cara, no caso Verstappen, foi a Nürburgring e ganhou a prova de 4 Horas em parceria com o britânico Chris Lulham. Numa Ferrari de GT3. Quando passou o carro ao companheiro, depois de duas horas pilotando, tinha 1min10s de vantagem sobre o segundo colocado.
Flavio Gomes quinta-feira, 25 de setembro de 2025 18:05 5 comentários
O gracioso Audi A2 está fazendo 25 anos. Todo de alumínio, acho que estava à frente se seu tempo, como se diz. Nem todo mundo entende determinados designs — o Twingo que o diga. Foram apenas cinco anos de vida, com 176.377 unidades produzidas nas diversas versões de motorização (1.2, 1.4 e 1.6, as duas primeiras a gasolina ou turbodiesel). O bichinho não atendeu às expectativas de venda da Audi. Virou um clássico. Quando dava, eu alugava um desses na Europa. Nem sempre tinha nas locadoras. Tendo, nem pensava duas vezes: era ele ou nada.
Flavio Gomes quarta-feira, 24 de setembro de 2025 0:20 12 comentários
SÃO PAULO (sucesso total) – Entre 1977 e 1997, a Lada vendeu milhares de carros no Canadá. Eles eram baratos, tinham ótima reputação e faziam um tremendo sucesso. O que os canadenses mais elogiavam, vejam vocês, era o sistema de calefação dos carros. Os sedãs e as peruas, que aqui se chamaram Laika, foram renomeados como Signet por lá. Niva e Samara também foram exportados para os canadenses. Essa história está muito bem contada no vídeo abaixo. Volto em seguida.
Lá pelas tantas, no vídeo, é mencionado o prédio onde ficava a sede da Lada no Canadá, em Toronto. Mesmo depois do fim das operações da montadora soviética no país, o edifício continuou sendo conhecido como Lada Building. Pelo justo motivo de que o logotipo da fábrica de Togliatti nunca saiu da fachada, como dá para ver na foto abaixo — clicando nela você cai no endereço do prédio pelo Google Fucker Mapers.
O vídeo também conta as dificuldades pelas quais passaram os donos de Lada no Canadá no final de 1979, quando a URSS invadiu o Afeganistão. Postos de gasolina se recusavam a abastecer carros soviéticos. Estacionamentos proibiam que eles parassem lá.
Flavio Gomes terça-feira, 23 de setembro de 2025 23:45 2 comentários
O Ivan Robertson mandou. A legenda está abaixo. Eu amo esses postinhos de uma nota só! E não tem azul mais azul que o do céu da Espanha. Em nenhum lugar do mundo.
Boa noite, Flavio! Dá uma olhada nesse postinho que há ao lado do Xardín do Posío, em Ourense, Espanha. Nem sabia que atualmente existisse algo parecido: uma única bomba para gasolina e diesel, microloja de conveniências e de revistas, mas muito bonito e arrumado! Espero que goste da foto. Abraço!
Flavio Gomes segunda-feira, 22 de setembro de 2025 17:48 23 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
O alívio de Sainz: “smooth operator” na Williams
SÃO PAULO (sem anistia!) – Vamos deixar para falar de Max Verstappen depois. Estou chocado com o medinho da McLaren. Frouxos! Aff…
Falemos, antes, do moço mais emocionado do dia em Baku, o aliviado Carlos Sainz. Ele nem esperava um pódio neste ano. A Williams, tampouco. Mas o espanhol gostaria de estar fazendo um campeonato melhor. Até a corrida de ontem, tinha só 16 pontos em 16 corridas, contra 70 de seu companheiro Alexander Albon. Com a terceira posição no Azerbaijão, fez mais 15. Foi o terceiro pódio “diferente” desta temporada — os outros foram de Nico Hülkenberg em Silverstone, com a Sauber, e de Isack Hadjar, da Não Tá Passando Vou Pagar em Dinheiro, na Holanda; todos em terceiro lugar.
Sainz saiu muito chateado da Ferrari para dar lugar a Lewis Hamilton neste ano. Pela nova equipe, já colocou um troféu na estante de casa. O inglês, não.
Os presentes de Toto Wolff para James Vowles
Não passaram despercebidos os presentes que Toto Wolff, chefe da Mercedes, mandou para James Vowles, seu equivalente na Williams. Vowles começou sua carreira na F-1 como engenheiro na BAR, que depois virou Honda, Brawn e, finalmente, Mercedes. Trabalhou na equipe alemã até 2022 e assumiu o time de Grove no começo de 2023. Ele e Toto são muito amigos. “Lucky Bastard!”, escreveu o velho companheiro na sacola — expressão que pode ser traduzida como “sortudo dos infernos”, para poupá-los de palavrões. “Parabéns pelo seu primeiro pódio como TP [Team Principal].”
Além de uma garrafa de champanhe, Toto colocou na sacola uma garrafinha de Almdudler e uma caixinha de Manner Neapolitaner. São dois produtos tipicamente austríacos — uma soda limonada e um biscoitinho com chocolate. Nem todo mundo sabe, por isso é bom lembrar: Toto Wolff nasceu em Viena e nunca abandonou certos hábitos alimentares muito locais.
Os pontos de 2025: Mercedes na vice-liderança
Mercedes e Xandão Tem Elo foram as duas equipes que subiram na tabela após a corrida de Baku. Os alemães somaram 30 pontos na prova com George Russell em segundo e Kimi Antonelli em quarto. Os italianos, apenas seis — oitavo de Hamilton, nono de Charles Leclerc. Houve um ligeiro mal-estar no time de Maranello. Na volta 43, a equipe pediu para Leclerc sair da frente de Hamilton, que tentaria alcançar Norris para buscar o sétimo lugar. “Se não der ele devolve no fim”, avisou a equipe.
Leclerc entregou a posição e Lewis não conseguiu passar. Na última volta, a Ferrari pediu para o inglês devolver a posição. Ele até tirou o pé, mas calculou mal e acabou cruzando a linha de chegada em oitavo, com o monegasco em nono. O que nos leva à…
FRASE DE BAKU
“Ele que aproveite o oitavo lugar…”
Leclerc, irritado com Hamilton
Leclerc e Hamilton: mal-estar na Ferrari
Em defesa de Hamilton registre-se que, além de tirar o pé, estendeu a mão. “Vou me desculpar com ele”, prometeu, na linha “foi mal aí”. No fundo, nenhum dos dois estava realmente preocupado com a situação. “Era só um oitavo lugar”, falou Lewis. Leclerc gravou um vídeo à noite sem nem tocar no assunto. Estava com Sainz numa van indo da Itália para Mônaco de carro porque uma tempestade impediu o avião deles de pousar em Nice. Não parecia muito irritado.
E agora vamos falar de quem ganhou.
O NÚMERO DO AZERBAIJÃO
69
…pontos é a diferença de Verstappen, terceiro colocado na classificação, para o líder Oscar Piastri, da McLaren. Para o vice Lando Norris, o déficit é de 44. Antes do GP da Itália, o holandês estava 104 pontos atrás do líder. Em Monza, fez a pole e venceu. Em Baku, idem. Descontou 35 pontos em duas corridas.
Verstappen no pódio: quatro vitórias no ano
Vamos aos números, além dos que estão em destaque acima. São 199 pontos em jogo até o fim da temporada — sete GPs, três deles com Sprints. A conta é fácil. Para ser campeão, o holandês da Red Bull precisa, nos próximos dois meses e meio, marcar dez pontos mais que Piastri a cada fim de semana de F-1.
Nas últimas três corridas, Holanda, Itália e Azerbaijão, o tetracampeão fez 68 pontos. Oscar marcou 40. Norris, 24. Como escrevi ontem, não, Verstappen não será campeão. Mas a McLaren está com medinho. “Ele está na briga”, disse o chefe papaia Andrea Stella. “Encontraram alguma coisa no carro que destravou sua performance. Vai ganhar mais corridas até o fim do ano.” Até agora foram quatro, só para constar. Norris ganhou cinco, Piastri venceu sete e a outra vitória foi de Russell.
OK, pode ser que belisque mais algumas. Mas e aí? Vão tomar dez pontos por corrida do cara? Piastri e Norris não vão levar uma sacudida? Ninguém vai ter uma conversa séria com eles? O que fizeram neste fim de semana em Baku foi ridículo. Duas batidas idiotas do australiano, uma classificação ruim e uma corrida apática e desinteressada do inglês.
Piastri no muro: erro raro do australiano, irreconhecível em Baku
Falar em perder o título, na situação em que este campeonato se encontra, soa patético. Digamos que Max vença todas as corridas até o fim do ano e as três Sprints — o que seria um milagre e não vai acontecer. Mesmo assim, se Piastri chegar em segundo em todas elas termina o campeonato 17 pontos na frente. Deu para entender como está fácil, ou quer que desenhe?
Essa postura da McLaren é meio irritante. Está na hora de falar grosso. Dentro de casa e para fora, também.
Mais Williams: Albon, bom companheiro, prestigia Sainz no pódio
Os mais novinhos, que acompanham a F-1 há pouco tempo, talvez não tenham ideia do que é a Williams. A “geração Netflix”, que conheceu a categoria em 2019, tende a achar que a equipe é uma espécie de Sport Recife desde sempre. Afinal, nas sete temporadas cobertas pela série de streaming a Williams ficou em último quatro vezes e em outras duas terminou em penúltimo e antepenúltimo. Além do mais, teve pilotos muito ruins e desastrados como Nicholas Latifi e Logan Sargeant.
Mas o mundo não começou a girar em 2019. Nessas horas vale a pena pesquisar um pouco. Na história, a Williams tem 114 vitórias (está em quinto nas estatísticas), 128 poles (quarto), 314 pódios (terceiro) e nove títulos de construtores (só a Ferrari, com 16, tem mais; a McLaren está com os mesmos nove e vai bater no décimo neste ano). Monstros sagrados como Nelson Piquet, Ayrton Senna, Nigel Mansell e Alain Prost já defenderam a Williams. E a equipe é a que teve mais pilotos brasileiros na história da F-1. Além de Senna e Piquet, vestiram seus macacões em corridas José Carlos Pace, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Antonio Pizzonia e Bruno Senna.
Por isso todo mundo ficou contente com a volta da Williams ao pódio. É sempre bom ver um gigante despertar de uma longa e triste letargia.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… de ver a Rival da Mastercard pontuar pela quinta vez seguida no ano, segunda com os dois pilotos (a outra foi em Mônaco). Os 11 pontos marcados por Liam Lawson (quinto, sua melhor posição na F-1) e Isack Hadjar (décimo) levaram a equipe a 72 no total, ultrapassando a incrivelmente irregular Aston Martin.
Lawson, ótimo quinto; Bortoleto e a Sauber: decepção
NÃO GOSTAMOS… do desempenho da Sauber ao longo de todo o fim de semana. Nem Gabriel Bortoleto nem seu companheiro Nico Hülkenberg deram sinais de que poderiam brigar por pontos em Baku. O carro foi um dos que mais sofreram com as rajadas de vento e o resultado foi sair no zero pela segunda vez nas últimas três corridas. Ficou devendo.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
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CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...