Flavio Gomes sábado, 15 de março de 2025 21:56 7 comentários
...de contar pra vocês como foi minha corrida domingo passado com o Gol Bolinha que homenageia nosso querido DKW #96, hoje vivendo na paz e tranquilidade do museu do Paulo Trevisan em Passo Fundo. Eram 22 no grid, larguei em 12º e cheguei em décimo. Isso na geral. Na minha categoria (C), P2 no grid e P4 no final. Liderei dez das 14 voltas da corrida na C, mas espanei no final. Ninguém para culpar, a não ser eu mesmo. O carro está aberto a novos patrocinadores. Estamos com cotas disponíveis. Quem patrocinou não se arrependeu! Além de tudo, patrocínio dá direito a ver todas as etapas do Paulista lá de dentro dos boxes. Agradecimentos à Edifier, JC Tavares, Clínica de Olhos Teixeira Pinto, Caiuá Agropecuária e Novolhar Gestão Hospitalar!
Flavio Gomes sábado, 15 de março de 2025 21:49 3 comentários
…de contar que Bernie Ecclestone vendeu sua coleção de 69 carros antigos de F-1 para Mark Mateschitz, herdeiro da Red Bull. O preço: 600 milhões de euros. Vão para um museu, de acordo com o ex-dono da categoria. Bernie está com 94 anos.
Flavio Gomes sábado, 15 de março de 2025 13:29 5 comentários
Valtteri Bottas deu umas voltinhas ontem em Melbourne com o primeiro carro da BAR, de 1999. O modelo foi construído em Brackley, onde fica a sede da Mercedes. Para entender: a BAR nasceu no final do século passado, se instalou onde ficava a fábrica da Tyrrell, depois acabou vendida para a Honda, que deixou a F-1 no fim de 2008 e virou Brawn, que durou só uma temporada (2009, campeã) e foi vendida para a Mercedes, que está lá até hoje. Bottas voltou à equipe alemã como piloto reserva e para fazer essas coisas também. Deve estar se divertindo. Notem numa das fotos o nome de um brasileiro, Ricardo Zonta, que era companheiro de Jacques Villeneuve — piloto e dono do time. O carro tinha patrocínio de duas marcas de cigarros da BAT (British American Tobacco), Lucky Strike e 555. O time queria fazer um carro de cada cor, a FIA não deixou, dividiram a carenagem ao meio e cada lado levava as cores de uma marca. As fotos foram extraídas do Instagram da Mercedes.
Flavio Gomes sábado, 15 de março de 2025 12:59 29 comentários
Cinco dos dez primeiros no grid do GP da Austrália são crias de Helmut Marko.
Às vezes é bom contextualizar as coisas… Marko tem sido “acusado” pelos patriotas de “criticar” Bortoleto. Vejam o que ele disse à Servus TV, quando teve de colocar os seis novatos de 2025 em “prateleiras”. Eram três: A para os que ele acha que serão futuras estrelas na F-1; B para pilotos que vão se manter na categoria por um bom tempo, mas sem alcançar o status de grandes protagonistas; e C para aqueles que, na sua opinião, não vão durar muito.
Sobre Bortoleto: “Eu diria que ele entra no B. É um piloto muito inteligente, foi campeão da Fórmula 3, mas com apenas uma vitória. O que fez foi se manter longe de problemas, mais ou menos como na F-2, onde venceu duas vezes. É um piloto que leva o carro até a o fim das provas, bom em estratégia e na gestão dos pneus, mas eu não acho que ele tem aquela velocidade pura [de alguns outros]”.
“Muito inteligente”, “bom em estratégia”, “se mantém longe de problemas”, “leva o carro até o fim das provas”. Na Pachecolândia das redes sociais brasileiras, isso aí é crítica. Estão todos comprando passagens para a Áustria para acampar na porta da fábrica da Red Bull e cantar o hino nacional para latinhas. Em tempo: para Marko, Antonelli, Bearman e Hadjar são A e Doohan, C. Ele tirou Lawson da lista.
Flavio Gomes sábado, 15 de março de 2025 3:36 37 comentários
Verstappen cumprimenta Norris: torcendo pela chuva
SÃO PAULO (café e energético!) – Lando Norris confirmou o favoritismo da McLaren neste início de temporada e fez a pole-position para o GP da Austrália nesta madrugada em Melbourne. Oscar Piastri, piloto da casa, larga ao seu lado na primeira fila. Max Verstappen, que sabe das coisas e disse desde o dia em que chegou ao Albert Park que não iria lutar pela pole nem pela vitória, larga em terceiro. Terá a seu lado na segunda fila George Russell, da Mercedes. Foi a décima pole de Norris. O brasileiro Gabriel Bortoleto, em 15º no grid, fez uma boa primeira classificação na F-1, levando o carro da fraca Sauber ao Q2 logo na estreia. A decepção foi a Ferrari, com Charles Leclerc em sétimo e Lewis Hamilton em oitavo. A corrida será disputada na madrugada deste domingo com largada à 1h. Possivelmente com pista molhada.
Se a previsão para amanhã é de chuva, a classificação começou com tempo abafado e quente, 31°C. Aquilo que a gente chama de mormaço, com o sol aparecendo entre nuvens.
Oliver Bearman e Liam Lawson, que não andaram no terceiro treino livre, foram dois dos primeiros a ir para a pista. O neozelandês da Red Bull tivera um problema de motor e o inglês da Haas, que bateu na sexta, rodou no início da sessão e atolou na brita. Para piorar, assim que saiu dos boxes Ollie percebeu que seu câmbio não estava funcionando. Mau começo. É raro, mas acontece sempre.
Os primeiros tempos no Q1 foram registrados na casa de 1min16s por pilotos menos cotados, como Fernando Alonso e Nico Hülkenberg. Os únicos pilotos que optaram por pneus médios para suas primeiras voltas foram Russell e Antonelli, da Mercedes. Depois trocaram para os macios, como todos os demais.
McLaren bem, Mercedes mais ou menos, Ferrari mal
A primeira volta de Bortoleto, muito boa, colocou o brasileiro provisoriamente na oitava posição, à frente de seu veterano companheiro alemão, o maior sem-pódio da história da categoria. Sua batalha é essa, contra Hulk. É nisso que a equipe vai ficar de olho.
E o resultado para Gabriel acabou sendo excelente, ainda que tenha sido superado por outros carros na medida em que o tempo ia passando. Fechou o Q1 em 15º e avançou à segunda parte da classificação com um tempo só 0s604 pior que o de Norris, o mais rápido com 1min15s912. Estreante, numa equipe meio capenga, Bortoleto tinha muito a comemorar. Passar para o Q2 foi um belo cartão de visitas, na primeira corrida do ano.
Do inglês da McLaren, o melhor, até Hülkenberg, o 17º, a diferença foi de apenas 0s667. Isso se chama equilíbrio. Foram eliminados Kimi Antonelli, Hulk, Lawson, Esteban Ocon e Bearman. Impossível não notar que uma Mercedes e uma Red Bull empacaram no Q1. E com dois novatos — bem-vindos à vida real, meninos. As explicações: Lawson reconheceu que errou em sua volta rápida e não se perdoou; Kimi danificou o assoalho passando por cima de uma zebra e o carro perdeu rendimento, espalhando faíscas por todos os lados. Depois de Norris vieram Russell, Verstappen, Leclerc, Piastri, Hamilton, Yuki Tsunoda, Alexander Albon, Fernando Alonso e Jack Doohan nas dez primeiras posições.
Verstappen abriu os trabalhos do Q2 com 1min15s688, melhor tempo do fim de semana até então. Mas imediatamente foi superado pela dupla da McLaren: Piastri virou 1min15s468 e Norris ficou 0s088 atrás dele. A temperatura começava a cair. Dos 31°C do início da classificação, para 28°C.
Tsunoda, Williams e Bortoleto: destaques do sábado
Norris acabou fazendo uma volta ainda melhor que Piastri no final, 1min15s415, fechando o Q2 também na frente. Verstappen, Russell, Leclerc, Hamilton, Sainz, Tsunoda, Albon e Pierre Gasly avançaram ao Q3. A Williams confirmou sua força e Tsunoda e Gasly levaram medalhas de menção honrosa. Foram eliminados Isack Hadjar (o melhor estreante no grid, em 11º), Alonso, Lance Stroll, Doohan e Bortoleto, que na sua segunda tentativa de volta rápida acabou dando uma chicotada na curva 4, perdeu tempo e não conseguiu melhorar. Mesmo assim foi cumprimentado por todos no box da Sauber.
Bortoleto: Q2 na primeira classificação, excelente resultado
O Q3 começou com Norris errando sua volta, excedendo o limite de pista na curva 4. Jogou fora o primeiro jogo de pneus e teve o tempo cancelado. Piastri não foi muito bem e virou acima de 1min16s. Assim, quem aproveitou a primeira bateria de voltas foi Verstappen, com 1min15s671 – que não era o melhor tempo do fim de semana, mas àquela altura suficiente para ficar em primeiro. Russell chegou perto, ficando 0s024 atrás. Leclerc fechou este “primeiro tempo” de voltas rápidas em terceiro, com Hamilton apenas em sétimo.
Faltando 4min para o encerramento do Q3, os dez carros foram para a pista tentar alguma coisa. Max, se pudesse, espalharia bolinhas de gude e tachinhas pelos mais de 5 km do circuito australiano. A dupla da McLaren estava pressionada: vinha sendo muito rápida em todos os treinos, mas na hora H corria o risco de espanar o parafuso.
O grid em Melbourne: primeira fila papaia
Mas os dois corresponderam. Ou “entregaram”, como se diz hoje – parece que todos viramos entregadores do Mercado Livre, temos de entregar o tempo todo. Piastri foi o primeiro a abrir volta rápida. Virou um temporal, 1min15s180. Norris veio a seguir e foi 0s084 mais rápido que o companheiro: 1min15s096. Verstappen até abriu bem a volta, mas perdeu tempo no último setor e ficou em terceiro, a 0s385 do inglês papaia. Russell foi o quarto. E na terceira fila, duas belas novidades: Tsunoda em quinto, Albon em sexto. Ambos à frente da Ferrari, que decepcionou com Leclerc em sétimo e Hamilton em oitavo. Gasly e Carlos Sainz fecharam o top-10.
Verstappen disse que se lhe oferecessem um terceiro lugar no grid ontem, depois dos dois primeiros treinos livres, aceitaria sem pestanejar. Como sabe que vai chover na hora da corrida, deposita suas esperanças na proverbial capacidade de guiar no molhado. Para Norris, uma primeira fila papaia “é o jeito perfeito de começar o ano”. Mas teme a chuva: “A gente sabe como o Max é rápido nessas condições”.
Norris: dez poles pela McLaren, igualando Alain Prost
Bortoleto, entrevistado por Mariana Becker na Bandeirantes, se disse feliz por ter passado ao Q2. “A gente fez tudo que tinha hoje. Fui pro Q2 e fui muito ambicioso, achei que se fizesse aquela volta que você faz uma vez a cada cinco anos daria para pensar no Q3. Fiz a primeira curva OK, mas na curva 4 fui para cima da zebra e perdi tempo ali. Mas estou feliz, a gente conseguiu fazer todas as voltas sem nenhum acidente e completar o programa que tínhamos. Fico feliz de não ter batido. Acho que foi o primeiro erro no fim de semana, tive de arriscar.”
Leclerc e Hamilton: Ferrari esperava mais
Prognósticos para amanhã? Eu tinha apostado, no começo da semana, em Leclerc. Era chute, nenhuma convicção. Só por milagre. As coisas parecem muito boas para a McLaren, embora a chuva possa jogar água no chope do time. Considerando que a água vem mesmo, mudo minha aposta: Verstappen. No seco, possibilidade bem remota, jogaria minhas fichas em Piastri. Não sei por quê, acho Norris um piloto pouco confiável. Seja como for, deve ser uma corrida bem divertida.
Flavio Gomes sexta-feira, 14 de março de 2025 8:57 35 comentários
Os dois treinos: Norris num, Leclerc no outro
SÃO PAULO (sol, seco, 23°C no lindo ambiente, 38°C no asfalto) – A gente adora fazer previsões na F-1, pra dar uma de espertão. No começo da semana, no “Bem, merdinhas”, melhor programa das noites de segunda no YouTube, que derrubou o “Bem, Amigos” e acabou com as carreiras do Galvão Bueno e do Cleber Machado, mandei um palpite para o GP da Austrália. Fui assertivo e não hesitei: “Ganha o Leclerc”. Falei com tanta firmeza que quem assistia deve ter pensado que eu tinha alguma informação de cocheira, ou que tinha acabado de trocar mensagens de WhatsApp com Zak Brown e Christian Horner.
Olhem as tabelas de tempos aí em cima. Quem foi que terminou o primeiro dia na Austrália na frente? Hein? Quem foi?
Leclerc: confirmando minhas previsões
Foi puro chute, mas por enquanto deu certo. Leclerc, conhecido por estas bandas como Chaleclé, fechou a sexta-feira em Melbourne com o melhor tempo: 1min16s439. Ainda não superou a pole do ano passado, 1min15s915, de Verstappen. Esse tempo deve cair na madrugada de sábado. Os carros voltam à pista hoje à noite para o terceiro treino livre e às 2h definem o primeiro grid da temporada. A tendência é de carros sempre mais rápidos de um ano para o outro quando um regulamento técnico não muda muito.
As atividades em Albert Park (até hoje não sei quem é esse Albert; deve ter sido importante, virou nome de parque) começaram ontem à noite. E antes que me perguntem, não sei patavinas da transmissão da Bandeirantes, porque estava tomando chope com meus irmãos num barzinho e só acompanhei as imagens pela TV, sem ouvir a narração. Admito que fiquei curioso sobre as primeiras palavras do rapaz que ficou na corda bamba por seus comentários transfóbicos, mas poderia apostar que a orientação foi: não fala nada, não toca no assunto. É a cara do canal. Quem viu com atenção, se puder, conte aqui.
Sainz: Williams dá um passo à frente
Na pista, dois destaques no primeiro treino livre. O primeiro, esse carrinho azul aí em cima. Carlos Sainz ficou um bom tempo ponteando a tabela e terminou a sessão em segundo. Seu companheiro Alexander Albon foi o sexto. É claro que é só o primeiro treino do ano, mas a Williams deu bons sinais novamente, como fizera nos testes de pré-temporada no Bahrein. E confirmou, por enquanto, as expectativas de que pode brigar pela ponta da Série B da categoria, o campeonato paralelo travado entre as equipes que não se chamam Ferrari, Red Bull, Mercedes ou McLaren.
O segundo destaque foi esse carrinho branco e preto e vermelho batido aí embaixo. É o de Oliver Bearman, que deu a primeira pancada do ano. Foi séria, tanto que o quase estreante nem participou da segunda sessão com a Haas. Não deu tempo para arrumar o carro e nas lojas de autopeças no entorno do parque ainda não chegaram algumas coisas de 2025.
O inglês, que é uma simpatia, já deu as primeiras declarações no estilo autoimolação pública: “Acho que exagerei um pouco, e muito cedo. É meu estilo, mas não é o estilo certo para a Fórmula 1”. Foi mais ou menos o que disse. Já deu prejuízo. Começa o ano com uma anotação na caderneta.
Bearman: pancada precoce
Como fui dormir muito tarde e deixei para escrever de manhã e ainda estou com sono mesmo depois de duas xícaras de café solúvel Santa Clara, que comprei num mercado em Natal, vou apelar para as caixinhas coloridas para resumir o resto desta sexta em Melbourne. Assim não preciso gastar meu talento literário para encadear parágrafos.
E O HAMILTON? – O Hamilton vai bem, obrigado. Ficou em quinto na segunda sessão a 0s4 de Chaleclé. Disse que ainda está aprendendo como funciona a Ferrari, os nomes dos mecânicos, onde fica o armário, onde pega café, como é o tempero do cozinheiro, qual o pedal que acelera, o formato do volante, esses detalhes irrelevantes. Não foi lá muito empolgante, a estreia. Para os fãs mais emocionados, as coisas estão acontecendo ainda num ritmo lento. Quem achava que o cara ia chegar explodindo a roleta se enganou, claro. Porque não é assim que as coisas funcionam na F-1. Hamilton passou a vida em carros da Mercedes. Desconfio que saiu da maternidade num carrinho com uma estrela de três pontas na frente. Leva algum tempo para se acostumar, mesmo. Mais habituado a vestir vermelho, seu companheiro monegasco ficou em primeiro, mas não se ilude: “É cedo para qualquer conclusão”, falou Charlinho.
Hamilton e Leclerc: aprendizado para um, P1 para o outro
E O VERSTAPPEN? – Esse não estava muito feliz, não. Quinto no primeiro treino, sétimo no segundo. Disse que o carro é equilibrado, mas não tem aderência. Um automóvel com quem se pode conversar, tem opiniões bastante sensatas, mas nenhuma muito convicta. Um isentão. Você sai dele sem saber o que pensa. Mais ou menos isso. Seu prognóstico: “Não vou brigar pelas primeiras posições”. Então, beleza. Problema seu. Cada um com seus pobrêma. Quem é tetra e quer o penta é você. Se vira.
E A MCLAREN? – Apesar de meu palpite leclérquico, parece mesmo ser a favorita para o fim de semana. Mas seguirei com o #16 da Ferrari até o fim. A McLaren mostrou o melhor e mais consistente ritmo de corrida quando seus pilotos foram para longos stints. Na classificação dos dois treinos, Norris foi o mais rápido da primeira sessão e Piastri ficou em segundo na segunda. Tudo na paz papaia.
Bortoleto: primeiro dia sem sustos
E O BORTOLETO? – O fim de semana começou com o rapaz recebendo uma aula rápida de F-1 fora da pista. Os tais “mind games” que atrapalham tanto quando se dá muita importância ao que não tem. Explico. Alguém entrevistou Helmut Marko sobre os novatos e fez uma espécie de “tierlist”, ranqueando os seis meninos (Hadjar, Bortoleto, Lawson, Antonelli, Bearman e Doohan) em “gavetas” A, B ou C. Acho que foi isso, não prestei muita atenção. O que sei é que Marko disse achar que Bortoleto não tem “velocidade pura” e o colocou na prateleira B. “Ooooooh!”, disseram os patriotas das redes sociais. “Marko falou que Bortô é um piloto B! Uma ofensa ao nosso Brasil!” Que chatice. Aí Bortoleto foi entrevistado sobre o assunto, porque na F-1 é assim: o que um fala aqui o outro vai rebater lá, se for bobo. Tivesse um bom “media training”, o brasileiro responderia apenas: é a opinião dele, alguém muito experiente e que descobriu muitos jovens talentos, mas são os resultados na pista que, no fim, dizem quem é quem. Pronto, assunto resolvido. Mas no fim acabou falando um monte, citou seus títulos na F-3 e na F-2, se defendeu com unhas e dentes, parecia querer convencer o perguntador que não era um “piloto B” e que estava sendo injustiçado pelo veterano ex-piloto e guru da Red Bull. Aí terminou o primeiro treino livre em 15º, na frente de Lawson, e vieram os patriotas às redes sociais: chupa Marko, aqui é Brasil, mano, piloto B é o caralho! Que chatice. Bom, vai ser assim o ano todo, vou tentar não dar muita bola. Na prática: Gabriel completou 50 voltas sem grandes problemas e na segunda sessão ficou em 18º, com Hülkenberg, seu companheiro kique-estêique-sáubero em oitavo, o que é um bom sinal, talvez o carro não seja tão ruim assim. Mas vai brigar com a Haas lá atrás, de qualquer forma, e não tem nada de errado nisso. Se qualquer um dos dois passar ao Q2 será um milagre.
Pirelli informa: assim funcionam os pneus
E A MERCEDES? – Foi mais ou menos. Russell gostou do carro com pneus médios e duros, mas com os macios a coisa não virou. O que é um problema, pois os macios são os da classificação, e é melhor classificar bem para não ficar preso no trânsito pesado de Melbourne. Ele que olhe a tabela acima e procure entender como funciona a borracha nessa pista. E mande calibrar direito: 25,5 na frente, 22 atrás. Antonelli terminou o dia em 16º. George, em décimo. Kimi levou uma lancheira dos Power Rangers para a pista e Toto Wolff disse que não precisava, que tem sucrilhos para ele na salinha da equipe e que a mãe dele não precisa mandar lanche. “Mas tem laranjada?”, perguntou Kimi. “Eu só tomo laranjada de manhã.” Tem laranjada, respondeu Toto.
E O ALONSO? – O Alonso anda mal humorado. Só porque metade do grid não tinha nem nascido quando ele começou a correr. São uns moleques que ficam o dia todo no celular, não conversam com ele, não têm assunto e ficam gravando vídeos para o TikTok. Perguntaram do carro. “O carro anda, o motor funciona, os freios brecam, a caixa de câmbio muda as marchas para cima e para baixo, então estamos bem.” E o ano nem começou direito.
E O RESTO? – Achei interessante o desempenho da Pode Parcelar?, com os dois pilotos. Hadjar terminou a sexta-feira como o melhor estreante, em sexto. E Tsunoda foi o quarto. O carro, para mim, tem a pintura mais legal do ano, gosto de carro branco. Não tinha impressionado muito na pré-temporada, mas andou bem nos dois treinos. E Hadjar, conhecido por ser um pouco afoito, não decepcionou. Longe disso. Será a grande surpresa do ano? Eu digo que ainda é cedo, cedo, cedo. Vamos esperar mais um pouco. Tem 24 corridas pela frente.
Flavio Gomes quinta-feira, 13 de março de 2025 19:06 14 comentários
SÃO PAULO (é hoje!) – Aderj informa: sai Rolex, entra TAG Heuer. Era Aderj ou Suderj? Cariocas, esclareçam.
Esse relojão aí (não sei se “relojão” é aumentativo de relógio; achei melhor que “relogião”) vai aparecer em todas as saídas de box da F-1 a partir de agora.
A marca foi cronometrista oficial da categoria de 1992 a 2003 e volta agora, num pacotão de patrocínio do grupo Louis Vuitton que vai durar dez anos e renderá US$ 1 bilhão ao Liberty Media Group, dono da F-1. Inclui champanhe para o pódio.
O relógio tem 1,20 m de diâmetro e pesa 35 kg. Melhor que não caia na cabeça de ninguém.
Flavio Gomes terça-feira, 11 de março de 2025 20:22 212 comentários
Erika Hilton, deputada pelo PSOL (SP)
Querida Erika,
Você não me conhece, e é provável que este texto nunca chegue a você. Hoje todo mundo vive em bolhas, e a minha — sorte sua — está muito distante da sua.
Sou jornalista, tenho quase o dobro da sua idade (ô, como é duro!) e sou mais ou menos conhecido por atuar, principalmente, em coberturas de automobilismo. Já fiz outras coisas, muitas, mas na média a turma sabe que gosto de carros e de corridas, sobre isso escrevo e falo. Não só isso, insisto porque não quero que você me tome por um nerd monotemático. Não sou.
O meio no qual, vá lá, atuo é uma merda, no geral. Desculpe o termo, e já antecipo o pedido de desculpas por outros que certamente usarei, na medida em que a escrita for se inflamando.
No automobilismo, esporte de rico, quase todo mundo é de direita, odeia a esquerda, o PT, o Lula, o PSOL, o Boulos, as artes, a cultura, o conhecimento, as vacinas, o combate à desigualdade. São todos patriotas do bem, ficam excitadinhos com coturnos, acham o Tarcísio demais e o Ricardo Nunes um herói. Sonham em ter apartamentos em Balneário Camboriú. É um meio machista, preconceituoso, agressivo, que caga para a luta de pessoas como você pelas minorias e por causas que eles simplesmente desconsideram. Acabar com a jornada 6 x 1? Provoca arrepios nesses filhinhos de papai. É um perfil fácil de identificar: um bando de valentes machões que se acham mais viris que os outros pelos carros que possuem e/ou aceleram. Ou que gostariam de ter. Filme preferido: “Velozes & Furiosos”. Toda a saga.
Num autódromo, até alguns anos atrás, a gente não via mulheres. Nos grids das corridas, os valentes enchiam a pista de meninas bonitas que ficavam expostas ao público como se fossem produtos para consumo num supermercado. Nas corridas de Fórmula 1 no Brasil, até outro dia, mulheres simplesmente não podiam frequentar os setores A e G das arquibancadas porque hordas de tarados não deixavam nenhuma em paz com cantadas, ofensas, coros de “gostosa” etc. Era um verdadeiro filme de terror. Escrevi sobre isso no UOL há uns anos. (O link está lá embaixo, estou com dificuldades de formatar este texto no WordPress, quando resolver ajeito tudo.)
Algumas dessas barbaridades, felizmente, ficaram para trás. Não tem mais grid girls na F-1 e nos últimos três ou quatro anos parece que as mulheres têm sido menos desrespeitadas nas arquibancadas. Mais mulheres têm se interessado pelas corridas e o público feminino aumentou. Ainda assim, episódios que a gente poderia tranquilamente enquadrar como estupro se repetem ao redor do mundo — como na Áustria em 2022, que também comentei quando escrevia para o UOL.
Fato é que a índole das pessoas deste “universo da velocidade” não mudou muito, não. Te digo sem medo de errar, porque frequento esse botequim. Recentemente, um ex-piloto chamado Ralf Schumacher assumiu um relacionamento homoafetivo e publicou fotos com seu namorado nas redes sociais. Foi vítima você sabe de quê nas mesmas redes. Pilotos gays, ao longo de décadas, tiveram de esconder sua orientação sexual porque sabiam que seriam escanteados e trucidados pelo meio e pelo que se chama de “opinião pública”. Também escrevi sobre eles — mais um link no pé do texto, o último, prometo.
Há algumas semanas você foi brutalmente ofendida por um cretino no Twitter/X. Um certo Oliver Noronha. Alguém que poderia nunca ter nascido, o planeta não sentiria falta. Alguém que, se eu fosse promotor, policial ou coisa que o valha, estaria respondendo a muitos processos. Aí um sujeito do nosso meio, que narra as corridas de F-1 pela TV Bandeirantes, postou um comentário na publicação do tal Noronha te chamando de “fake news humana” e “essa coisa”. Isso foi no dia 23 de fevereiro.
Não conheço o cara pessoalmente, mas desde a campanha presidencial de 2022, quando foi entrevistado por um canal no YouTube cujo apresentador, na época, costumava vestir a camiseta amarela da seleção e usava o boné virado para trás, “garrei” uma antipatia irremovível por ele. Ao ser perguntado sobre Lula, foi desrespeitoso, debochado, mal educado, vulgar. Características inatas de bolsonaristas. Percebi na hora o perfil. E pode me chamar de radical, Erika, mas eu não respeito NENHUM bolsonarista. Por todos — reforço: TODOS –, tenho o mais sincero desprezo. Quero que sumam. Ninguém, NINGUÉM, deveria se identificar com um defensor de tortura, violento, preconceituoso, picareta, misógino, homofóbico, anti — olha a lista — ciência, cultura, conhecimento, educação, humanismo. Um bosta. Quem se identifica com um bosta, bosta é. Quem vota num saco de merda, saco de merda é. Te falei que a escrita iria se inflamar…
Esse sujeito, o narrador das corridas que te chamou de “fake news humana” e “essa coisa”, se chama Sergio Maurício e tem esse perfil. Nunca vi mais gordo, nunca falei com ele, mas já citei a entrevista e nas suas redes sociais vivia atacando a esquerda, o Lula, o PT, xingando mulheres (como a dona da Magalu), escancarando seu caráter. Curioso como essa gente, que antigamente se escondia e tinha certo pudor, até vergonha, passou a se orgulhar do que é. Você já deve ter escutado a frase: abriram a tampa do esgoto. Saiu todo mundo.
Não vou entrar aqui no mérito — irrelevante — da qualidade dele como narrador, se é bom ou ruim. É ruim, mas isso não importa. O fato é que o cara te chamou de “fake news humana” e “essa coisa” numa tribuna pública, que é o que viraram as redes sociais. Afinal, se alguém usa uma rede para avisar ao público que no dia tal a tal hora estará na TV para narrar uma corrida de F-1, é muito claro o uso que faz da própria. Está mandando recado para milhares de pessoas, hoje chamadas de “seguidores”. Quando te chama de “fake news humana” e “essa coisa”, comentando uma postagem que te ofende e agride, o recado que passa ao mesmo público é bastante direto. Dispensa interpretação: você é uma mentira (“fake news”) e mulheres trans não passam de objetos (“essa coisa”).
Quando as primeiras pessoas se indignaram com a infâmia, o narrador apagou suas contas no X e no Instagram e disse que não tinha nada “contra ou a favor” de você. Em entrevista, mentiu afirmando que aquilo era coisa de hackers e que as contas não eram dele. Claro que todos sabiam que eram, porque o seguiam há anos e a própria emissora “retuitava” o que ele postava sobre as transmissões. Pego na mentira, alguns dias depois voltou atrás, admitiu que fez o comentário transfóbico e disse que tem por você “elevado respeito”.
Pois bem. Muitos perfis de molecada que fala de corridas, pilotos e equipes no Twitter/X fizeram uma nota de repúdio, o que me encheu de esperança: nosso meio, afinal, não é 100% uma merda. A emissora tirou o narrador das transmissões dos testes de pré-temporada. Não se manifestou publicamente. Nenhuma nota, nenhuma resposta da assessoria de imprensa. Silêncio absoluto. Menção honrosa para o perfil “EstagiáriodaF1”, um menino que nos últimos anos trabalhou para a Bandeirantes fazendo redes sociais, essas coisas. No dia em que o narrador te ofendeu, fez uma postagem com o logotipo da F-1, um arco-íris e uma mensagem assim: “Só pra deixar bem claro”. Corajoso. Me contaram que foi demitido. Outros disseram que seu contrato acabou.
Hoje é 11 de março. Faz mais de duas semanas que nosso mundinho aqui fica se perguntando quem é que vai narrar as corridas. Afinal, a gente gosta de corridas e a F-1 é importante, o campeonato vai começar domingo na Austrália. A primeira transmissão está marcada para as 22h30 de quinta-feira, estamos em cima. Não sei se você sabe, Erika, mas o Galvão Bueno foi contratado pela Bandeirantes e muita gente estava achando que o narrador do comentário transfóbico seria demitido e o Galvão voltaria a narrar F-1. Mas, na verdade, o que a emissora fez foi deixar a coisa esfriar. Hoje, confirmou às equipes envolvidas, em comunicado interno (de novo, nada de notas oficiais ou explicações ao público, não que eu tenha visto), que ele segue narrando os GPs. Na imprensa em geral, portais, sites especializados, perfis de redes sociais dedicados ao assunto, o que se registra é que “após postagem polêmica” o narrador segue nas transmissões etc.
Não houve postagem polêmica. Houve uma postagem escrota. Em português menos tosco, transfóbica, preconceituosa. Para muita gente, poderia até ser considerada criminosa, na medida em que corroborava as injúrias raciais e de gênero da postagem original. Para mim foi tudo isso e escrota pra caralho. (A esta altura, não vou medir palavras.)
Não falo em nome de ninguém, Erika, mas nenhum homem é uma ilha, já se escreveu. Não falo em nome de ninguém, mas pertenço, sim, a vários grupos sociais. Não estou falando de redes sociais, não, essa praga da vida moderna e digital. Estou falando da vida real. Pertenço a grupos de jornalistas, pilotos (eu também piloto carros), especialistas em automobilismo, amantes de automóveis, colecionadores (tenho uns carros velhos). E mesmo sem ter sido autorizado por ninguém, peço desculpas em nome daqueles que pensam como eu, nesses grupos, pelo que escreveu esse sujeito. Juro que nem todos nós somos uns escrotos. E lamento muito, muito mesmo, que a consequência pelo ato do narrador, que narra para milhões de pessoas em TV aberta, profissional que tem uma inequívoca responsabilidade social, como todo mundo que trabalha com comunicação, tenha sido nenhuma.
Isso mostra, apenas, que para quem o emprega é de boa ser transfóbico, homofóbico e preconceituoso, é tranquilo atacar minorias e mandar mulheres “darem meia hora de b…”, não pega nada abusar de discursos de ódio contra quem historicamente nunca pôde se defender.
Mas a roda da História gira, Erika, e você é daquelas que se defendem.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
1:10:23
CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...