AGENDINHA BARENITA
O segundo GP da sequência de três deste início de campeonato já é domingo, no Bahrein. Horários? Temos! É só anotar tudo na agenda.

O segundo GP da sequência de três deste início de campeonato já é domingo, no Bahrein. Horários? Temos! É só anotar tudo na agenda.


SÃO PAULO (das galáxias) – Max Verstappen venceu o GP do Japão na madrugada de hoje e deu uma banana para o favoritismo da McLaren na corrida de Suzuka e na temporada de 2025. Sem ter o melhor carro do grid, o holandês fez a pole ontem e controlou a terceira etapa do Mundial do começo ao fim. Recebeu a bandeira quadriculada apenas 1s423 à frente de Lando Norris, mas em nenhum momento foi ameaçado pelo inglês. Oscar Piastri, o outro piloto da McLaren, completou o pódio. Foi a 64ª vitória da carreira do piloto da Red Bull.
“Perdi a corrida ontem”, disse Norris, ainda líder do Mundial. “Nosso ritmo era muito parecido com o do Max”, continuou, tentando atribuir à pole-position do rival a vitória do tetracampeão. Lando tem 62 pontos na classificação, apenas uma à frente de Verstappen. Piastri é o terceiro com 49. O campeonato segue nas próximas duas semanas com os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita.
A prova nipônica não foi das mais emocionantes. Os dez primeiros no grid terminaram nas dez primeiras colocações, quase todos onde largaram. Apenas Lewis Hamilton e Isack Hadjar inverteram suas posições: o inglês da Ferrari, oitavo no grid, foi o sétimo colocado; o francês da Meu Chip Está com Defeito largou em sétimo e acabou em oitavo, fazendo seus primeiros pontos na F-1.

Max fez valer a excepcional pole de ontem, mantendo a ponta com firmeza assim que as luzes vermelhas se apagaram. A largada foi limpa e do primeiro ao décimo as posições estavam rigorosamente mantidas ao final da primeira volta. No pelotão todo, prejuízo, mesmo, só de Gabriel Bortoleto: caiu de 17º para último. Dos 20 pilotos no grid, 15 optaram pelos pneus médios – a pista estava seca, já que só choveu pela manhã na região de Suzuka. Hamilton, Bortoleto e Esteban Ocon largaram com pneus duros. Jack Doohan e Lance Stroll foram de macios.
Verstappen comandou a primeira parte da corrida, rapidamente abrindo mais de 1s sobre Norris. Não queria enfrentar uma asa móvel logo de cara. Problemas no início? Quase nada. Apenas reclamou no rádio que seu câmbio estava meio capenga e não subia as marchas direito.
(Pensei, na hora: vai guiar meia hora de Lada pra ver o que é um câmbio que não sobre as marchas direito. Mas foi só uma breve epifania desimportante na madrugada.)
A equipe disse a ele para não se preocupar, que dali a umas duas ou três voltas o câmbio iria melhorar. E melhorou, mesmo. A única explicação plausível: o aquecimento de todo o conjunto. Embora a troca de marchas seja comandada eletronicamente num carro de F-1, engrenagens se encaixam mecanicamente e são lubrificadas. Óleo de câmbio também esquenta. Estou teorizando com a cabeça nos meus carros de corrida, que nada devem à Red Bull.
(OK, à Red Bull talvez devam alguma coisa. À Sauber, não.)
Sem chuva e com a gama de pneus mais duros da Pirelli, o GP japonês se desenhava como corrida de uma parada só, diferentemente do ano passado, em que a estratégia padrão era de dois pit stops (foram três para quase todos porque houve um acidente na primeira volta motivando uma nova largada). Tirando a ultrapassagem de Hamilton sobre Hadjar no início, para assumir a sétima posição, nada aconteceu de muito relevante na zona de pontuação.
(Com 15 voltas, às 2h30, liguei minha cafeteira para tirar um espresso. Isso é relevante, porque comprei um pacote de café guatemalteco e estou avaliando se repito na próxima encomenda. Gostei, cremoso, interessante. Acho que vou dar nova chance à Guatemala.)



Na volta 18, a McLaren chamou Norris para trocar pneus. Malandrão, o engenheiro achou que o blefe iria funcionar: “Box para passar Verstappen!”, falou alto e bom som, para ser notado por todos no autódromo. É tipo piscar o olho no truco sem ter o zap, deixando o adversário ver. Meio ridículo. Lando não parou, claro. Nem a Red Bull caiu no conto do vigário. Quem fez a parada na 20ª volta foi George Russell, que era o quinto colocado. Naquele momento, Verstappen perguntou se podia dar uma acelerada, já que estava administrando bem o desgaste dos pneus. “Vai nessa”, respondeu seu engenheiro.
Piastri, o terceiro, parou na volta 21. A janela de trocas estava aberta. A briga pela ponta dar-se-ia nas paradas de Verstappen e Norris. Isso se fossem para os boxes em voltas diferentes. Mas fizeram-no na mesma volta, a 22ª. Saíram juntinhos, quase lado a lado, e Max se manteve à frente. Norris, na saída do box, teve de passar pela grama e ficou reclamando pelo rádio. Em vão. Não tinha motivo nenhum.
Kimi Antonelli, então, assumiu a ponta pela primeira vez na carreira, com Hamilton em segundo e Hadjar em terceiro – todos sem pit stops. O italiano da Mercedes entrou para as estatísticas como o mais jovem piloto a liderar uma corrida, aos 18 anos e 224 dias de vida. O recordista era Verstappen, que tinha 18 anos e 228 dias de idade quando liderou (e venceu) o GP da Espanha de 2016, sua primeira corrida pela Red Bull. Antonelli também se tornou o mais jovem piloto a registrar a melhor volta de um GP. A marca anterior pertencia igualmente a Verstappen, que tinha já tinha passado dos 19 anos quando fez a melhor volta do GP do Brasil de 2016, em Interlagos. Como reza o ditado, o tempo passa, o tempo voa. E a poupança Bamerindus continua numa boa.

Sem perder muito tempo, Verstappen passou Alexander Albon, que também não tinha parado, e colocou o tailandês entre ele e Norris para tentar ganhar alguma folga em relação ao #4. As paradas foram se sucedendo, menos para os dois primeiros, Kimi e seu antecessor Hamilton. O inglês, que largara com pneus duros, só foi para os boxes na volta 31. Max assumiu o segundo lugar. Norris seguia em sua cola, a 1s6 de distância.
Kimi foi o último dos ponteiros a trocar pneus, na volta 32. A ordem anterior às paradas se restabeleceu, com Verstappen, Norris, Piastri, Charles Leclerc, Russell, Antonelli, Hamilton, Hadjar, Liam Lawson (sem pit stop) e Albon nas dez primeiras posições.
Max não conseguia desgarrar dos dois carros papaia, que se mantinham perto do holandês. Na volta 38, a 15 do final, Verstappen tinha 1s3 para Norris, que por sua vez via Piastri 1s2 atrás. Oscar, então, se animou. Apertou um pouco o ritmo e entrou na zona de abertura de asa móvel sobre o companheiro. Empolgadíssimo, acionou o botão do rádio e disse: “Oi”. Ninguém respondeu, ele também não falou mais nada.

Três voltas depois, na 43ª, o australiano fez seu mais longo discurso radiofônico desde que chegou à McLaren. “Se Lando estiver economizando, manda acelerar porque eu tenho ritmo para pegar o Max”, falou. Na equipe, a chefia se entreolhou e um dos engenheiros disse ao colega ao lado: “Deve ser alguma interferência, Oscar nunca diz mais do que cinco palavras”.
A briga entre os dois carros da McLaren era tudo que Verstappen queria, desde que a refrega tomasse tempo de ambos. Porque Piastri parecia, mesmo, rápido o bastante para alcançar o piloto da Red Bull. Só que não estava adiantando muito. Ele também não conseguia se descolar de Lando, que por sua vez não estava disposto a dar moleza para o parceiro.
Max, gelado como a tarde de Suzuka – 14°C, uma friaca danada –, não se abalava, porém. Para quem sabe controlar uma corrida, um segundo e meio é um dia. Norris se esforçava, mas não conseguia reduzir a distância para tentar abrir a asa móvel. Mesmo se conseguisse, não seria garantia de nada, porque a pista japonesa tem apenas um trecho para uso do dispositivo, na reta dos boxes. E não é exatamente um ponto claro de ultrapassagem.






Assim as voltas iam passando e a prova, chegando ao fim. Piastri voltou ao rádio e disse “oi” de novo. “Oi”, falou o engenheiro. “Agora é ele mesmo”, comentou com o parceiro da mureta. Ficou nisso.
E como ninguém falava mais nada, Verstappen levou seu carro branco até a bandeira quadriculada sem, na prática, ter sido ameaçado de verdade. Ganhou o GP do Japão pela quarta vez consecutiva. Subiu ao pódio com Norris em segundo e Piastri em terceiro. Leclerc, Russell, Antonelli, Hamilton, Hadjar, Albon e Oliver Bearman fecharam a zona de pontos. O brasileiro Gabriel Bortoleto foi o 19º e penúltimo colocado. Yuki Tsunoda terminou sua prova de estreia pela Red Bull em 12º e ganhou do amigo internauta o título de Piloto do Dia. Lawson, de volta à Meu Cartão Tem Cash Back, acabou em 17º.
Foi a primeira vitória de Verstappen no ano. O carro, sabemos, não é grande coisa.
Mas o piloto é.

SÃO PAULO (barbaridade) – Talento não se compra no supermercado. Adoro usar essa frase boba. Mas ela se aplica, quando se trata de falar de caras como Max Verstappen. O holandês da Red Bull fez, na madrugada de hoje, a pole-position para o GP do Japão, terceira etapa do Mundial. É a 41ª de sua carreira e a quarta seguida em Suzuka. O sujeito é tetracampeão mundial. Uma pole a mais não deveria deixar ninguém espantado, embora a última tenha sido há nove meses na Áustria, 15 corridas atrás.
Mas, em 2025, deixa. Porque a Red Bull está longe de ter o melhor carro do grid e vive um momento turbulento com troca de segundo piloto, incerteza quanto ao futuro – em 2026 terá motores Ford, e o último motor bom que a Ford fez foi o CHT do Corcel II – e até possibilidade de perder Verstappen para alguma equipe rival se não for capaz de convencer o piloto de que as coisas vão melhorar no ano que vem. Mesmo assim, num ambiente desfavorável, o moço vai lá e crava todo mundo.
Dá raiva, às vezes.

Verstappen terá a seu lado na primeira fila o líder do campeonato, Lando Norris. Atrás deles partem Oscar Piastri, também da McLaren, e Charles Leclerc, da Ferrari. A terceira fila é toda da Mercedes, com Geroge Russell e Kimi Antonelli. Dois novatos surpreenderam e se colocaram entre os dez primeiros, o francês Isack Hadjar, da Maquininha Sem Aluguel, e o inglês Oliver Bearman, da Haas. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, ficou em 17º no grid. O GP do Japão começa às 2h do domingo e terá 53 voltas, com previsão de chuva para a região de Suzuka.
E vamos contar como foi esse milagre verstappiano na madrugada.

A McLaren tinha sido mais rápida em todos os treinos livres, além de ter terminado antes que todo mundo a montagem dos boxes, servido o almoço primeiro e lavado a louça em tempo recorde. As aflições ficavam para outros pilotos de outras equipes.
Verstappen, por exemplo, reclamava da falta de aderência nos pneus dianteiros. Antes, nos treinos livres, queixou-se de torção do chassi, falou que o carro estava “estranho” e que o bluetooth não estava funcionando, de modo que não conseguia escutar sua playlist do Spotify.
Hadjar era outro que não parava de falar no rádio. Teve problemas no cockpit desde os treinos livres. Almofada escorregando no banco? Carregador do celular quebrado? Acendedor de cigarro pifado? Extraoficialmente, era algo no cinto de segurança. Ou meio solto, ou muito apertado. O jovem francês, na comunicação com seu engenheiro, se autoflagelava: “Não sei o que está acontecendo comigo! Estou arruinando nossa classificação! Sei que dá para melhorar, mas não consigo!”. Um drama danado.


E esquisito, porque os carros da É de Aproximação? tinham andado bem nos treinos livres. Mas no Q1 despencaram para o fundão e quase dançaram. De qualquer maneira, seus dois pilotos avançaram ao Q2 na bacia das almas: Hadjar em 13º, Liam Lawson em 15º. Foram eliminados na primeira fase da classificação, pela ordem, Nico Hülkenberg, Bortoleto, Esteban Ocon, Jack Doohan e Lance Stroll.
Na frente, Piastri ficou em primeiro com 1min27s687, seguido por Russell, Norris, Leclerc e Lewis Hamilton nas cinco primeiras posições. Na Red Bull, tempos quase idênticos: Verstappen foi o sexto e Yuki Tsunoda, o sétimo – a 0s024 do holandês. Antonelli, Pierre Gasly e Carlos Sainz fecharam os dez primeiros. Do primeiro ao 17º, a diferença foi de apenas 0s935.
O Q2 não foi muito diferente. Assim que foi para a pista, Norris fez uma volta em 1min27s146. Faltando exatos 8min26s para o final do segundo segmento classificatório (quanto esforço para não repetir “Q2”), bandeira vermelha. A sétima do fim de semana, e a quinta pelo mesmo motivo: fogo. Fogo no mato. Apesar de todo o esforço dos organizadores, que molharam as margens da pista depois do que aconteceu ontem, as fagulhas provocadas pelos carros quando o assoalho raspa no asfalto caíam nas faixas laterais de grama e continuavam provocando pequenos focos de fogo.
E toca chamar a brigada de incêndio para apagar.


No momento da interrupção, Sainz, Fernando Alonso, Bearman, Tsunoda e Lawson estavam fora do Q3. Mas tinha tempo, ainda. O fogo foi debelado – um bom balde resolveria – e a sessão foi retomada depois de alguns minutos. Ninguém conseguiu baixar o tempo de Norris, que fechou o Q2 na frente. Russell foi o segundo, com Verstappen em terceiro. Piastri, Leclerc, Hamilton, Antonelli, Bearman, Hadjar e Alexander Albon passaram. A surpresa foi o novato Ollie, piloto tão rápido quanto simpático e sorridente. Hadjar também impressionou. Com todos os incômodos misteriosos no cockpit, avançou para o Q3. No grupo dos eliminados, Gasly, Sainz, Alonso, Lawson e Tsunoda. Sainz foi deslocado de 12º para 15º ao perder três posições no grid depois de atrapalhar uma volta de Hamilton.
Não deu para o japonês, como se vê. Além de se descolar de Verstappen, Yuki ainda ficou atrás de Lawson, a quem substitui na Red Bull. Ironia dos deuses do automobilismo. Que, obviamente, não existem. Mas pega bem escrever “deuses do automobilismo”. Tem um quê de poesia.
Os deuses do automobilismo, inclusive, estavam gostando da brincadeira e deixaram para a segunda bateria de voltas rápidas do Q3 o grande momento de Suzuka até agora: a escolha do pole-position.



De cara, na primeira leva de voltas rápidas, Piastri foi o mais rápido, com 1min27s052. OK, Norris fez uma volta ruim, ficou em quinto, mas teria uma segunda chance. E Landinho não precisa dos deuses do automobilismo para, de vez em quando, decepcionar. Fá-lo sozinho. Depois, tenta corrigir na base da pressão interna — e às vezes consegue.
Tirando leite de pedra na abertura do Q3, Max conseguiu o segundo tempo provisoriamente, cronometrando sua volta a 0s226 do australiano. Parecia impossível conseguir algo melhor.
A segunda bateria de voltas rápidas viu Norris saltar à frente de todos. A pole estava garantida. Nos boxes da McLaren, aplausos e abraços.
Mas não se pode nunca descartar Verstappen. Com uma volta excepcional em 1min26s983, o holandês derrubou o favoritismo da equipe papaia e colocou a Red Bull na pole pela primeira vez no ano. Um negócio assombroso. Bateu Norris por 0s012. Piastri acabou em terceiro a 0s044 do #1. Depois vieram Leclerc, Russell, Antonelli, Hadjar, Hamilton, Albon e Bearman.

Sete equipes diferentes nas dez primeiras posições do grid. Muito legal, é para comemorar. Todo mundo gosta de equilíbrio e boas disputas.
Mas dentro desses dez carros, só um piloto pode ser considerado realmente diferente nesta F-1 de 2025. É o que conseguiu a posição de honra do grid. Max Verstappen é um monstrinho que irrita profundamente seus rivais e aqueles que não gostam de seu estilo meio rude, excessivamente competitivo, um tanto arrogante.
Azar deles. Max não dá muita bola para o que pensam dele. Prefere, em vez de perder tempo com irrelevâncias, acelerar.
E como acelera, o desgraçado.
SÃO PAULO (dá tempo, calma) – Quatro bandeiras vermelhas atrapalharam muito a segunda sessão de treinos livres na madrugada de hoje em Suzuka. A primeira assustou. Jack Doohan esqueceu de fechar a asa móvel na curva 1, a primeira dos “esses”, e foi parar na barreira de pneus. Asa móvel fecha sozinha quando se coloca o pé no freio. Mas em Suzuka não se freia para a primeira curva. Inexperiência, claro. Mas será que ninguém na Alpine avisou o rapaz?
Doohan saiu grogue. Briatore marcou mais uma anotação na caderneta. Já tinha feito outra no treino da manhã (que começou ontem à noite) quando Ryo Hirakawa, que fez a primeira sessão (já estava acertado com patrocinadores japoneses), ficou na frente de Pierre Gasly: 12º x 14º. Doohan será mandado embora antes do fim da primavera. Franco Colapinto assume o carro da Alpine em breve. Hirakawa, experiente, moço de 31 anos que corre pela Toyota no WEC, fez bonito.




A sexta-feira foi ensolarada e fria em Suzuza, mas fria. No primeiro treino livre, 15°C. No segundo, 13°C. A primeira sessão teve Lando Norris, com a McLaren, em primeiro: 1min28s549. Os olhos, porém, estavam em Yuki Tsunoda em sua estreia pela Red Bull. E o japonês foi muito bem. Ficou em sexto, a 0s623 de Norris. Max Verstappen foi o quinto, a 0s516 da ponta. A conta é simples: um décimo de segundo, escrevo por extenso, para o holandês.
Nos últimos 200 anos, ninguém na Red Bull andou tão perto de Verstappen. Claro que é cedo, só um treino, mas Yuki começou sua trajetória no time com autoridade e personalidade. Ao final da sessão, falou pelo rádio que achou o carro “interessante”. Para os registros: depois de Norris vieram George Russell, Charles Leclerc e Lewis Hamilton. Gabriel Bortoleto ficou em último, com Nico Hülkenberg em 17º. “Oh, Bortô tomou pau do Nico, ui!”, já começam a gritar as redes sociais.
Deixem de bobagem. Lá no fundão, não faz a menor diferença quem anda na frente de quem.

A segunda sessão, como já informado, foi interrompida várias vezes. Depois da pancada de Doohan teve uma escapada/atolada de Fernando Alonso que causou mais uma bandeira vermelha. Depois, dois fogos fátuos — perdão pela licença poética — pararam o treino. Motivo: as fagulhas lançadas ao universo pelos carros que raspam o fundo no asfalto acabaram provocando pequenos incêndios nas faixas de grama ao lado da pista.
É raro, mas acontece sempre. Na China, no ano passado, algo parecido ocorreu.
Assim, o segundo treino não foi lá muito representativo. De qualquer forma, deu McLaren de novo, com Oscar Piastri virando em 1min28s114 e Norris a 0s049 dele. Isack Hadjar, da Quer Sua Via?, foi o terceiro. Liam Lawson, rebaixado para a filial da Red Bull, ficou em quinto. Bortoleto foi o 13º, uma posição atrás de Hülkenberg. A Sauber está usando um assoalho novo, uma asa traseira nova e mais um monte de coisa nova.




A sessão que define o grid para o GP do Japão, terceira etapa do Mundial, acontece às 3h do sábado. Antes, a partir das 23h30, será realizado o terceiro treino livre. A corrida acontece às 2h do domingo com 53 voltas e a meteorologia prevê chuva, 90% de chances.
Oba.
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Preparados para mais madrugadas de F-1? Atividades em Suzuka começam às 23h30 da quinta-feira. Anotem os horários!




SÃO PAULO (sem pena) – O troca-troca está feito. Liam Lawson volta para a Débito ou Crédito, Yuki Tsunoda vai para a Red Bull. Como escrevi domingo, um exagero. Apenas duas corridas para fritar o neozelandês, ainda que ele mereça — porque se enfiou num buraco e é metido demais; está pagando pelo dedo do meio que mandou a Pérez no México (NO MÉXICO!) ano passado.
Opiniões pessoais à parte, detonar um cara depois de duas corridas é um pouco demais até para os padrões da Red Bull. Nos últimos dez anos, a fritura de rubrotaurinos (vou adotar sem hífen) foi um pouco mais longa, em fogo brando: Pierre Gasly foi chutado após 12 GPs, Daniil Kvyat levou 21, Alexander Albon aguentou 26.
De qualquer maneira, está feito. E talvez seja melhor mesmo para Lawson, que sem a pressão da Red Bull e sem ter de lidar com um carro difícil de pilotar — “extremo”, é como definem muitos — pode conseguir resultados interessantes na filial. O carrinho branco é bom, inclusive. Mas é sempre uma porrada, o rebaixamento. Corre o risco de entrar em depressão. Se Lawson superar mentalmente o baque, termina o ano sorrindo. Mas pelo perfil do cara, sei não…
Tsunoda, agora. Foi incorporado à creche da Red Bull no fim de 2018, depois de conquistar a F-4 Japonesa com sete vitórias e, sei lá, 300 pódios. Seguiu para a Europa e em 2019 e terminou em nono na F-3, com uma vitória em Monza (Lawson, curiosamente, ficou em segundo naquela corrida). Em 2020, subiu para a F-2, foi terceiro colocado e ganhou três corridas. Com apoio da Honda, ascendeu à F-1 em 2021 como companheiro de Gasly na AlphaTauri.
Estreou bem, com um nono lugar no Bahrein. Fechou o campeonato com 32 pontos em 14º. Depois foi 17º em 2022 (12 pontos), 14º em 2023 (17) e no ano passado acabou em 12º (30), já com o time rebatizado.
Yuki tem só 24 anos e não é bobo, não. Amadureceu bastante desde a primeira temporada e se tornou mais do que um baixinho engraçado. Como vai lidar com o RB21 é a pergunta. Max Verstappen gosta de carros, de novo, “extremos”. No seu caso, frente presa e traseira solta. Não é fácil guiar assim, mas não é impossível. E nada impede que um piloto, no segundo carro do time, atenue essa tendência. Não é inguiável. Sergio Pérez fez bons campeonatos como companheiro de Verstappen. Não estamos falando de um disco-voador.
Yuki estreia na Red Bull em Suzuka, na frente de sua torcida. Vai ser interessante, muito interessante. Quanto a Lawson, que baixe o topete. Às vezes é bom.




Dezoito pilotos japoneses já disputaram GPs de F-1. O mais bem sucedido é Kamui Kobayashi, que correu entre 2009 (quando estreou pela Toyota e fez as três últimas provas do ano) e 2014. Passou a maior parte da carreira na Sauber, de 2010 a 2012, quando conquistou seu único pódio — em Suzuka/2012, com uma terceira colocação. Sem grana, ficou fora da temporada seguinte e voltou em 2014 pela fraca Caterham. Depois foi cuidar da vida fora da F-1, especialmente no WEC com a Toyota. Kobayashi marcou 125 pontos na categoria e disputou 75 GPs. Menos que os 89 de Tsunoda, que acumula 94 pontos, mas nenhum pódio. O japonês com mais participações foi Ukyo Katayama, que largou em 94 corridas entre 1992 e 1997 pela Larrousse, Tyrrell e Minardi. O pódio de Kobayashi não é o único do Japão. Takuma Sato foi terceiro nos EUA em 2004, pela BAR, e Aguri Suzuki conseguiu outro terceiro em Suzuka/1990, com a Larrousse. Naquela corrida, a dobradinha foi brasileira com Nelson Piquet e Roberto Moreno, da Benetton.
A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (um gigante) – A morte de Eddie Jordan, na quinta-feira, deixou o paddock mais triste. Antes da largada, ontem em Xangai, todo mundo foi para a pista para fazer a última homenagem ao irlandês. Dos 20 pilotos titulares da F-1, apenas três eram nascidos quando Eddie estreou com sua equipe na categoria, em 1991: Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Nico Hülkenberg. Mas todos enfrentaram, e ainda enfrentam, a Aston Martin, sucessora do time. Essa é a definição exata da palavra “legado”.
Mas vamos ao “day after” do GP da China, como fazemos há décadas.



George Russell foi ao pódio pela segunda vez no ano e Kimi Antonelli, sexto colocado, ganhou a votação de “Piloto do Dia” do amigo internauta. Apesar de ter lidado bem com um assoalho danificado já na primeira volta, ficou espantado com a escolha. “Eu?”, perguntou pelo rádio. “Esquisito…” De fato, teve um monte de gente à sua frente na corrida para ser eleito. Meu voto, por exemplo, iria para Esteban Ocon, que terminou em quinto com a Haas. Isso sim é uma proeza.
Mas voltando à Mercedes, a equipe alemã chegou a 300 pódios com o terceiro lugar de Jorginho. Mais da metade deles, 153, cortesia de sir Lewis Hamilton. O segundo com mais taças? Podem se assustar à vontade: Valtteri Bottas, com 58. Hoje ele atua como coordenador da piscina de bolinhas da creche da fábrica, na Inglaterra.
A FRASE DE XANGAI
“Foi Lewis quem sugeriu trocar de posição. A transmissão da FOM colocou na TV só uma parte da conversa no rádio para fazer sensacionalismo.”
Frédéric Vasseur, chefe da Ferrari



E esse, da frase aí em cima, foi o menor dos problemas da equipe italiana. Além de não repetir, nem de longe, a ótima performance da véspera — vitória de Hamilton na Sprint –, o time teve de amargar uma rara e humilhante desclassificação dupla, perdendo 18 pontos no Mundial. Charlinho estava com o carro 1 kg abaixo do peso mínimo. Tinha terminado em quinto. Lewis arrastou demais a prancha sob o assoalho, que teve um desgaste acima do permitido. A espessura da peça, medida em dois pontos, teria de ser de 9 mm, na pior das hipóteses. Num deles estava com 8,6 mm. No outro, 8,5 mm. Nesses casos, não há discussão. Quem está errado enfia o rabo entre as pernas e sai de mansinho.
Outro que foi punido por estar abaixo do peso mínimo, como informamos ontem, foi Pierre Gasly. E seu futuro ex-companheiro na Alpine, Jack Doohan, levou dez segundos de punição por manobras de defesa exageradas diante dos ataques de Isack Hadjar.
O NÚMERO DA CHINA
2ª
…vez na história que dois adolescentes marcam pontos juntos numa corrida: Antonelli, 18, e Bearman, 19. O critério adotado aqui contempla apenas pilotos com menos de 20 anos — “teens”, em inglês. A primeira vez que isso aconteceu foi no GP da Itália de 2017. Naquela prova, Stroll, 18, chegou em sétimo com a Williams e Verstappen, 19, em décimo com a Red Bull.



O diz-que-diz de ontem após a corrida voltou-se para Red Bull e Meu Cartão Tá Com Defeito. Depois de mais uma atuação desastrosa de Liam Lawson, a imprensa europeia voltou seus holofotes para Yuki Tsunoda. “Ele já corre no Japão!”, gritaram os sites e jornais — ainda existem jornais. O neozelandês, no entanto, ganhou um defensor. Ou mais ou menos isso, e vocês vão entender por quê. Refiro-me a Verstappen. Ele reconheceu que o carro deste ano é bem difícil de guiar, mesmo. Em outras palavras, Lawson não é tão ruim assim. “Mas tenho certeza que se ele for para a VCARB [é como tem sido chamada a filial] vai ser bem mais rápido”, acrescentou o holandês. Em outras palavras, é melhor sair, mesmo.
Lawson é um mala antipático e metido a besta, mas convenhamos… Queimar o rapaz depois de duas corridas parece meio exagerado. Ele não tem tido sequer um carro na mesma configuração de Max. Por isso acho que a saída mais sensata para a Red Bull, neste momento, é colocar Tsunoda no time principal e devolver Liam para a equipe B.
Agora, se continuar se arrastando e arrotando caviar depois de comer jiló, aí talvez não tenha jeito, mesmo. Em seu universo paralelo, na China, ele disse que é melhor que Tsunoda, que já ganhou dele na F-3 e na F-1 tem sido igual.
Tá é variando, o garoto.


GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da Williams, que em duas corridas, nesta temporada, já igualou todos os pontos que marcou no ano passado. São 17, 16 deles anotados por Alexander Albon. Carlos Sainz, que fez um pontinho na China graças às desclassificações de três carros à sua frente, ainda não se encontrou. Disse que está “intrigado” e “perplexo” com seu próprio desempenho na nova equipe. Mas vai melhorar, podem apostar.


NÃO GOSTAMOS… de Gabriel Bortoleto, que pela segunda corrida seguida comete um erro que compromete o resultado final. Na Austrália, rodou, bateu e abandonou. Na China, rodou sozinho na primeira volta, foi obrigado a trocar os pneus, despencou na classificação e ficou andando sozinho até o final, quando conseguiu passar seu companheiro Nico Hülkenberg — que se arrastava desde o início com o assoalho quebrado. OK, o carro é ruim e ninguém deve cobrar resultados da dupla da Sauber. Mas a F-1 como um todo não gosta muito de pilotos que erram com frequência. O brasileiro teve como ponto alto do fim de semana ter passado ao SQ2 na classificação da Sprint.

SÃO PAULO (nossa, que festa…) – Oscar Piastri dominou o GP da China e deu à McLaren a segunda vitória em duas corridas nesta temporada. A equipe papaia conseguiu a 50ª dobradinha de sua história, com Lando Norris em segundo. George Russell, da Mercedes, foi o terceiro — 300º pódio da equipe alemã na F-1. O resultado confirmou o favoritismo do time inglês neste início de campeonato. Com uma boa largada de seus dois pilotos e pneus que se desgastaram menos do que temiam todos em Xangai, foi possível completar as 56 voltas com apenas uma parada, reduzindo as possibilidades de imprevistos.
Cerca de três horas depois da corrida, Charles Leclerc, quinto, Lewis Hamilton, sexto, e Pierre Gasly, 11º, foram desclassificados pela FIA. Na dupla da Ferrari, motivos distintos: Lewis teve um desgaste na prancha sob o assoalho maior do que o permitido e Charlinho estava abaixo do peso mínimo de 800 kg. O francês da Alpine também estava mais leve do que exige o regulamento.
A prova, disputada com sol entre nuvens e termômetros marcando 27°C, não foi lá grande coisa. De acordo com os organizadores, o público chegou a 220 mil pessoas nos três dias do evento. Eles viram, sim, uma exibição de gala do time de Woking. Mas suas principais rivais, Mercedes, Red Bull e Ferrari, primaram pela discrição — os italianos com o agravante da desclassificação.
Destaques, mesmo, foram Esteban Ocon, da Haas, em quinto, e seu companheiro Oliver Bearman, cheio de espinha na cara, em oitavo. Gabriel Bortoleto terminou em 14º, colocação já corrigida após as punições aos três pilotos que chegaram à sua frente. Na pista, foi o 17º.
E vamos contar como foi, porque o dia já raiou!


Quem largou mal, surpresa!, foi Verstappen, ultrapassado pelos dois carros da Ferrari nos primeiros metros da prova. E quem largou bem, surpresa!, foi Norris, passando Russell e partindo com segurança para fazer a escolta a Piastri, que manteve a ponta sem grandes problemas. Dois incidentes a registrar na primeira volta. O primeiro foi um ligeiro toque de Leclerc em Hamilton, que quebrou um pedaço da asa dianteira do monegasco. Evento imediatamente notado por Max Verstappen, que entrou no rádio e deu a notícia para a Red Bull: “Quebrou a asa, quebrou a asa, lá-lá-lá-lá-lá-lá! Vou passar ele no final, lá-lá-lá-lá-lá-lá”. Segundo incidente: Bortoleto rodou sozinho ao tentar passar Bearman, foi parar na brita e teve de levar o carro para os boxes para trocar os pneus. Era penúltimo no grid, caiu para último.
Na quarta volta, outro testemunho de dentro da pista, desta vez relatado por Gasly: “Os freios do Alonso estão pegando fogo!”. E estavam mesmo. Fernando tirou o pé, foi para os boxes e abandonou.
Com dez voltas, Piastri, Norris, Russell, Hamilton, Leclerc, Verstappen, Kimi Antonelli, Yuki Tsunoda, Isack Hadjar e Ocon eram os dez primeiros. Todo mundo cuidando dos pneus, principalmente os dianteiros, mormente o esquerdo. A primeira parte da prova seria de estudos. Ninguém atacava ninguém, com todos esperando o momento de parar para, aí sim, decidirem o que fazer.

Como nada acontecia, as conversas de rádio eram intensas. Na Débito ou Crédito?, Tsunoda pediu para dar uma arregaçada nos pneus dianteiros. “Não queremos”, disse seu engenheiro. “Mas eu quero”, respondeu o japonês. “Então faz o que você quiser, se quiser ir no banheiro, vai, se quiser tomar saquê, toma, não enche, se não precisa de mim, não falo mais nada!” Na Ferrari, Leclerc foi avisado de que iria para o plano B da estratégia traçada antes da corrida. “Acho melhor o plano A”, devolveu o piloto. “Então faz o que você quiser, se quiser ir no banheiro, vai, se quiser tomar saquê, toma, não enche, se não precisa de mim, não falo mais nada!” “Saquê?”, perguntou Leclerc.
As paradas começaram na volta 12. Do pessoal da frente, Yuki foi o primeiro a colocar pneus duros. Voltou em 15º. Depois vieram Antonelli e Hadjar, na volta seguinte. As cartas começavam a ser embaralhadas. Hamilton foi chamado na volta 14. Verstappen foi junto. Os pneus médios, escolha de quase todos no grid (Lance Stroll, Bearman e Liam Lawson largaram de duros), já começavam a esfarelar no novo asfalto chinês.


Na volta 15, o líder Piastri parou. Russell também foi para os boxes. O pit stop do australiano não foi grande coisa. “Demorou um pouco, Oscar”, desculpou-se o engenheiro. “Sim”, falou o piloto. Norris assumiu a ponta. Mas por pouco tempo, porque na 16ª volta fez a sua parada, assim como Leclerc. E quem virou líder? Alexander Albon! A Williams liderando uma corrida! Sabe quando isso tinha acontecido pela última vez? No GP da Inglaterra de 2015 com Valtteri Bottas, hoje trabalhando como recreador infantil na Mercedes.
As paradas aproximaram alguns pilotos, quando a turma voltou dos boxes. Norris e Russell trocaram tinta, mas prevaleceu o #4 papaia, que retomou a posição perdida no pit stop. Leclerc, com sua asa estropiada, se aproximou de Hamilton. Mas não deu em nada, sem briga, sem disputa. Sabem por quê? Porque Hamilton mesmo sugeriu a inversão das posições, já que Charlinho estava no plano, sei lá, F, e ele no, como vou saber?, R. Ou J.
Albon parou na volta 21 e a liderança da Williams virou abóbora. O tailandês, aniversariante do dia, 29 anos, caiu para 14º. Piastri e Norris voltaram a ficar em primeiro e segundo. Russell, Leclerc, Hamilton, Verstappen, Stroll, Bearman, Tsunoda e Ocon fechavam os dez primeiros. Stroll e Bearman, é bom lembrar, tinham largado de pneus duros e esticavam seu primeiro stint. Deu muito certo, como se veria depois.



As posições se acomodaram novamente, então era hora de conversar no rádio. “Me digam alguma coisa, guys”, pediu Hamilton. “Carbonara é com guanciale, não panceta”, respondeu o engenheiro italiano, de pronto. “E oito gemas com pecorino e parmesão para fazer uma cremina”, acrescentou o chefe Frédéric Vasseur, conhecido glutão. Na Mercedes, Toto Wolff perguntou a Antonelli como é que ele tinha sujado o tênis branco novinho um dia depois de comprar no shopping. Kimi falou que foi um menino na escola que pisou no pé dele no recreio e que não teve culpa. “Tênis branco nunca mais volta ao que era”, bronqueou o chefe.
Não era uma boa corrida. Ultrapassagens, quando aconteciam, só lá no fundão e por posições que nada valiam — ainda. Bearman, o único com pneus médios na altura da volta 34, passava em sequência os cágados que encontrava pela frente, como Lawson, Jack Doohan e o opaco Carlos Sainz. Uma segunda janela de pit stops se avizinhava, mas não para todo mundo. Russell, por exemplo, comunicara à Mercedes que não precisaria trocar pneus de novo. Bem, podia estar mentindo. Mas a permanência de Stroll na pista desde o início com os mesmos pneus indicava que os compostos duros talvez aguentassem, sim, até o final. Ninguém sabia direito, porque eles mal tinham sido usados nos treinos.
Hadjar e Tsunoda fizeram a segunda troca nas voltas 35 e 36. O time esperava pontuar, graças às boas posições de largada. Mas por conta dos pit stops, seus dois carros entraram na parte final da corrida lá atrás. E lá ficaram. Stroll parou, finalmente, na volta 37. Caiu para 14º. Hamilton também fez seu segundo pit stop na volta 38. Perdeu só uma posição, para Verstappen, caindo de quinto para sexto. A Ferrari, no fim das contas, usou duas táticas diferentes para seus pilotos: plano G, desclassificar por peso; plano T, desclassificar por danos no assoalho.



Na volta 40, Piastri, Norris, Russell, Leclerc, Verstappen, Hamilton, Ocon, Antonelli, Albon e Bearman eram os dez primeiros. O inglês da Haas era a diversão da prova, com seus pneus médios ajudando nas manobras sobre os que vestiam pneus duros. O último da fila de suas vítimas foi Gasly. O menino foi buscar seu pontinho na marra. Terminou em décimo e subiu para oitavo com os infortúnios ferraristas.
Faltando 15 voltas para o final, a McLaren perguntou a Piastri como estavam seus pneus. “Sim”, disse o líder da corrida. O engenheiro se irritou. “Oscar, queremos saber se os pneus estão bons. Se vai precisar trocar de novo. Se aguentam até o final. Se estão granulando. Se o carro está equilibrado. Vou repetir a pergunta, e espero que você nos dê uma resposta mais completa. Como estão os pneus, Oscar?” “Sim”, respondeu o australiano. O engenheiro jogou o fone de ouvido em cima do teclado e desistiu. “Ele é maluco”, falou para o chefe Zak Brown. E foi embora para o aeroporto.
Nas últimas voltas, Norris passou a reportar problemas nos freios. A equipe tranquilizou o piloto, que não se convenceu muito de que estava tudo bem. Terminaria a prova morrendo de medo, e se o GP tivesse mais uma volta perderia a posição para Russell. Quem se viu em apuros no apagar das luzes foi Leclerc. Verstappen foi-se aproximando da Ferrari #16 e na volta 52 chegou no rival. Conseguiu passar na volta seguinte, assumindo o quarto lugar. Foi a manobra mais bonita da corrida, entre as curvas 1 e 3. Um drible desconcertante, lembrando Dener em cima dos zagueiros da Inter de Limeira.


Piastri venceu com 9s748 de vantagem sobre Norris, que teve de tirar o pé no fim para não se arrebentar num guard-rail com os freios falhando. “Parabéns, Oscar! Grande trabalho! Que corridaça, cuidou dos pneus, foi espetacular! É sua terceira vitória, seu futuro é brilhante, rapaz, eu sabia que a gente não se arrependeria de ter te contratado! Ficamos em primeiro e segundo!”, vibrou o chefe no rádio, já que o engenheiro tinha ido embora. “Sim”, respondeu o australiano. Zak desistiu e também jogou o fone em cima do computador.
Russell fechou o pódio, com Verstappen em quarto. Leclerc, Hamilton, Ocon, Antonelli, Albon e Bearman foram os dez primeiros na bandeira quadriculada. As desclassificações de Leclerc, Hamilton e Gasly (que tinha sido o 11º) fizeram com que Stroll e Sainz entrassem na zona de pontuação em nono e décimo.


É o primeiro ponto do espanhol na Williams, ele que andava meio cabisbaixo. Ocon, Antonelli, Albon e Bearman ganharam duas posições cada. A Haas colocou seus dois carros nos pontos, uma façanha e uma surpresa, já que o time foi o mais mambembe da pré-temporada. Quinto e oitavo, era para comemorar muito, uma reação e tanto do time americano. Como a Quer a Sua Via? pontuou com Tsunoda ontem na Sprint, só a Alpine está zerada no Mundial depois de duas etapas.
Norris lidera o campeonato com 44 pontos, seguido por Verstappen (36), Russell (35) e Piastri (34). A dupla da Ferrari caiu para nono e décimo. Entre as equipes, a McLaren tem 78, a Mercedes foi a 57, a Red Bull soma 36 e a Ferrari, com a perda dos pontos de Leclerc e Hamilton, está em quinto com 17 — mesma pontuação da Williams, mas perdendo nos critérios de desempate.


A F-1 agora faz uma pausa de duas semanas e volta no dia 6 de abril com mais uma corrida de madrugada, no Japão, a primeira de uma rodada tripla que terá depois Bahrein e Arábia Saudita. Maratona braba.
E registre-se que a prova de Xangai mal terminou, já começou a boataria depois de mais uma má atuação de Lawson pela Red Bull. De acordo com a imprensa inglesa, a equipe estaria pensando em substituir o neozelandês metido a besta já em Suzuka. Por Tsunoda, a quem o time nunca levou a sério, mas que não pode ser pior que o playboy de topete com laquê. E no lugar de Yuki? Andam falando em tirar Franco Colapinto da Alpine.
É muita falação, convém ter alguma cautela, mas como diz o ditado, onde há latinha há energético.
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...