Flavio Gomes sexta-feira, 7 de março de 2025 15:35 27 comentários
SÃO PAULO (finalmente) – Agora é oficial, como dizíamos antigamente. A F-1 confirmou o ingresso da Cadillac no Mundial a partir do ano que vem. A equipe, que vem de uma costela da Andretti (já explico toda essa epopeia abaixo), traz junto a General Motors para a festa, que é tudo que a categoria desejava: uma grande montadora no pedaço, disposta a investir muita grana por bastante tempo. E é americana, o que agrada ainda mais os donos da F-1 e os dinheiristas de plantão, que sempre há.
Nas duas primeiras temporadas, a Cadillac vai correr com motor e câmbio feitos pela Ferrari. A unidade de potência própria está prevista para estrear em 2028. Uma nova empresa, chamada GM Performance Power Units, já foi criada e será instalada em Charlotte, na Carolina do Norte. Russ O’Blenes vai chefiar a produção dos motores. Ele tem um bom histórico com a Cadillac nas provas de protótipos do IMSA.
Agora, vamos explicar como isso tudo aconteceu.
Já havia alguns anos que Michael Andretti, ativo e bem sucedido na Indy, na Fórmula E e em outras categorias, brigava por uma vaga na F-1. Até que em janeiro de 2024, formalmente, as equipes que participam do campeonato rejeitaram sua inscrição — ainda que a FIA tivesse aprovado a criação do time, julgando que a Andretti reunia capacitação técnica e financeira para tal. Nem mesmo a associação do ex-piloto com a GM convenceu os dez sócios do clube do bolinha. Parecia que a coisa era pessoal. E nunca foi bem explicada.
Meses depois do “não” no meio da fuça, Michael passou (perdeu?) o controle de sua Andretti Global para o bilionário Dan Towriss, que era uma espécie de sócio do ex-piloto. Towriss tem como principal atividade o comando do Group 1001 Insurance, uma empresa de seguros com ativos calculados em US$ 66 bilhões. E também é dono da TWG Global, holding que atua em vários setores, entre eles o esportivo com participações em times de várias modalidades — fazem parte de seu portfólio o Los Angeles Dodgers (beisebol), o Chelsea (futebol) e o Los Angeles Lakers (basquete), por exemplo.
No final do ano passado, o empresário resolveu atacar o automobilismo de vez. Depois de comprar a Andretti, colocou sob seu chapéu a Wayne Taylor Racing (IMSA), a Spire Motorsport (Nascar, Truck Series), a Walkinshaw Andretti United (que disputa campeonatos na Austrália) e, agora, a Cadillac F-1. Tudo isso foi jogado no liquidificador para formar a TWG Motorsports.
No pacote da Andretti veio o que Michael já tinha começado a fazer para formar sua equipe de F-1: instalações físicas perto de Silverstone, centenas de funcionários e um projeto de carro que já vem sendo desenvolvido há algum tempo. Até Pat Symonds foi contratado. O chefe dessa maçaroca toda será Graeme Lowdon, britânico, 59 anos, que já esteve à frente de uma equipe de F-1: a Marussia.
E aí voltamos a 2016, último ano em que a categoria teve 11 equipes inscritas. Naquela temporada, a Marussia, que nascera como Virgin (2010-2011) e mudou de nome em 2012, já tinha trocado sua denominação de novo, agora para Manor. Foi sua primeira e última temporada com esse nome, marcando um pontinho solitário com Pascal Wehrlein, que terminou o GP da Áustria em décimo. Seu companheiro de equipe no início daquele ano era o indonésio Rio Haryanto, que desapareceu sem deixar rastros. Ele fez as 12 primeiras corridas do Mundial e acabou sendo trocado por… Esteban Ocon! Ele mesmo, que era piloto júnior da Mercedes, que por sua vez fornecia motores à Manor.
E é isso. Estão todos felizes, menos Michael Andretti, que foi escanteado sem dó, perdeu sua equipe, a chance de voltar à F-1 (foi piloto da McLaren em 1993) e a possibilidade de colocar o nome de sua família, de linda e vitoriosa história nas pistas, na elite da elite do automobilismo.
Pilotos para 2026? Vamos ficar especulando isso por meses a fio. Tanto que até as redes da F-1 já estão falando do ano que vem (acima). Um deve ser americano. Colton Herta aparece como candidato. Mas está cheio de gente sem emprego com vontade de correr. Sergio Pérez me parece nome certo para todas as listas. Valtteri Bottas voltou à Mercedes, mas se puder correr, prefere. Daniel Ricciardo? Sumiu do mapa, mas é um nome ainda fresco.
E ainda tem Felipe Drugovich. O brasileiro andou de Cadillac nas 24 Horas de Daytona, semanas atrás. Tem vínculos com a marca, mesmo que recentes. Mas é melhor do que nada. Para mim, é sua maior chance de, enfim, correr na F-1. Mas vai ter de trabalhar forte e rápido com seus agentes. Porque vai ter fila na porta dessa equipe a partir de segunda-feira.
Flavio Gomes quarta-feira, 5 de março de 2025 18:52 122 comentários
SÃO PAULO(listas, listas…) – Vai ser assim o ano todo: a F-1 vai despejar listas de dez mais isso, vinte mais aquilo. Hoje foi dia dos 75 maiores (preparem-se para a salada) pilotos, carros, inovações, equipes e figuras-chave da história da categoria.
Isso mesmo, juntaram Senna com Benetton, difusor duplo, Tyrrell e Gordon Murray. No fim, 75 nomes, marcas e invenções.
Os critérios para essas coisas são sempre arbitrários e discutíveis. Tanto que a tal lista dos 20 maiores pilotos no site oficial da categoria não estabelece ordem nenhuma. O texto é claro: “Apresentados sem nenhuma ordem particular”. Aí começa a relação, com Michael Schumacher como primeiro nome da lista, seguido por Ayrton Senna, Lewis Hamilton, Max Verstappen… “Sem nenhuma ordem particular”, não esqueçam. Querem todos? OK, vamos lá:
Como se nota, apenas dois deles não foram campeões mundiais: Gilles Villeneuve e Stirling Moss. Foram 34 os pilotos, na história, que ganharam pelo menos um campeonato. Tem 18 aí em cima. Portanto, 16 ficaram de fora. Entre eles um tri (Nelson Piquet) e dois bicampeões (Emerson Fittipaldi e Mika Hakkinen).
Como é que entram dois caras que nunca ganharam títulos e ficam fora três multicampeões? Se Piquet ainda desse entrevistas, possivelmente mandaria alguém tomar no cu. Fittipaldi não revelaria mágoa nenhuma para não ficar mal com o pessoal que vive convidando-o para toda sorte de eventos e jantares. Mika iria para o bar tomar Heineken 0,0%. Mas, na minha lista de 20, os três entrariam. Não dá para entrar Mansell e Piquet ficar fora. Não dá para entrar Andretti e Fittipaldi ficar fora. Não para entrar Villeneuve e Hakkinen ficar fora.
Os campeões esquecidos, além dos três citados, foram Rosberg pai, Rosberg filho, Button, Villeneuve filho, os dois Hills (Damon e Phil, que não são parentes), Jones, Scheckter, Hulme, Hunt, Rindt, Hawthorn e Farina.
Na lista dos carros, o RB19 de Verstappen e Pérez, que em 2023 ganhou 21 das 23 corridas da temporada, encabeça a relação “sem ordem particular”, mas é o maior de todos mesmo. Escolheram 15 carros de várias épocas, estão lá a McLaren de 1988 e a Ferrari de 2002, pingaram dois modelos da Mercedes, não esqueceram da Brawn, está tudo bem. Depois vieram odes à tecnologia (carro de seis rodas, suspensão ativa, câmbio semiautomático), às equipes (as grandes históricas ao lado de algumas lembranças simpáticas, como BRM e Jordan) e a pessoas que nesses 75 anos fizeram alguma coisa de relevante para a F-1. Mas aí enfiaram Stefano Domenicali e Susie Wolff, então não dá para levar muito a sério.
E como todo bom blogueirinho e influencer, pergunto: e vocês? Fizeram suas listas? Coloquem aí embaixo! Pelo menos a dos pilotos, quero muito saber sua opinião!
(É mentira, não quero saber a opinião de ninguém, mas lerei. Eu leio tudo.)
Flavio Gomes sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025 17:56 80 comentários
Verstappen: problemas no último dia
SÃO PAULO(falta muito?) – O olhar de Max Verstappen mete medo, não? Principalmente na turma da Red Bull, que deixou o holandês mais de uma hora parado nos boxes hoje na segunda sessão de treinos do último dia da pré-temporada da F-1 no Bahrein. Max estava escalado para andar o dia todo, e fê-lo. Mas o que me pareceu ser um vazamento de água acabou tirando um pouco do tempo de pista do holandês.
No fim das contas, ele terminou o dia em segundo, 0s021 atrás de George Russell, o mais rápido da sexta-feira com 1min29s545. O melhor tempo dos três dias foi de Carlos Sainz, da Williams, ontem: 1min29s348.
Isso significa que Sainz vai ser o campeão mundial?
Não chegaria a tanto, mas ver seu companheiro Alexander Albon em terceiro hoje reforça a percepção de que o time azul deve abrir a turma do pelotão intermediário no começo da temporada, depois das quatro grandes — acho que todos sabem quem são, mas vá lá: Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull em ordem alfabética, para não ferir suscetibilidades.
Sainz, o mais rápido, os tempos de hoje e o quadro com as voltas de cada um
Tem gente que está sentindo falta de informações sobre Gabriel Bortoleto. Afinal, é o primeiro brasileiro na F-1 desde 2017 etc. Bem, ele mesmo não tem muito o que dizer, e não sou em quem diz isso, é ele. A Sauber é uma equipe em fase de transição para Audi e neste ano nada vai acontecer. Se conseguir ficar perto da Haas e de outras duas que terminaram mal o ano — e parece que estão começando mal de novo –, Aston Martin e No Débito Tem Desconto, está bom.
Mas não tem milagre na F-1. Faltava um monte de coisa no carro da Sauber de 2024, vai continuar faltando em 2025. Tanto que até os integrantes do time, do chefe ao motorista do caminhão, dos pilotos ao cozinheiro, evitam juntar quatro letras que serão ditas às expensas no ano que vem: A, U, D e I. A Audi, dona da equipe, não quer ver seu santo nome ligado à falta de desempenho do carro que leva as cores do América Mineiro. Em 2026 tudo será diferente. Não adianta ficar olhando para os tempos e as voltas de Bortoleto tentando achar coisas positivas e extraordinárias. Simplesmente não haverá. E ele não tem nada com isso.
Bortoleto: três dias produtivos e pronto para a estreia
O que é bom, até. Gabriel não será pressionado internamente por resultados porque todos sabem que o momento da Sauber é muito particular. Nem seu companheiro, Nico Hülkenberg. A preocupação do brasileiro tem de ser preservar o equipamento que tem na mão — em português bem claro, não bater — e tentar andar perto do veterano alemão. É isso que será observado pela equipe e seus integrantes. Não o que escreverão seus fãs e produtores de conteúdo no Instagram. Ontem, por exemplo, já mandaram em vários perfis das redes sociais coisas como “Borto tá metendo tempo no Hulk! Tá acontecendo!”. Fãs são muito bobocas, fãs de qualquer um. Piores ainda quando vestem a capa patriota. Nada mais tosco.
Gasly: consistente com a Alpine
Vamos contar agora como foi esse terceiro dia de testes. De manhã (estou chamando de “manhã” a sessão que aconteceu, pelo horário local, das 10h às 14h, entrando no período da tarde; é para facilitar o entendimento) aconteceram algumas coisas esquisitas. Primeiro, fez sol com frio — só 18°C. Mas foi melhor que ontem, que teve até chuva no deserto.
Depois, Oliver Bearman perdeu um pedaço de seu carro, deixando as entranhas da Haas expostas na lateral. Bortoleto teve um problema hidráulico e acabou andando menos do que queria. Teve vento e areia na pista, que estava mais lenta que no dia anterior. Uma bandeira vermelha interrompeu a sessão porque estourou o vidro da cabine de largada e tiveram de recolher os cacos. Verstappen mandou o dedo do meio para alguém na mureta.
Shovlin: “Quem é o pai desse menino?”
E na Mercedes Andrew Shovlin, o engenheiro que comanda a equipe técnica na pista, viu um moleque com uniforme do time nos boxes e perguntou, irritado, quem era o pai daquele menino. O menino era Kimi Antonelli, que ficou chateado (a sequência de fotos não me deixa mentir) e telefonou para a mãe, que é muito brava e não acreditou na história que o filho contou, que estava andando de carro de corrida (“Você tinha dentista hoje, esqueceu?”, deu a bronca). Aí Kimi pediu para Russell tirar uma foto e mandar para a mãe para provar que estava dizendo a verdade, e foi o que George fez, mas reclamou com Toto Wolff no fim do dia que não é pago para ser babá de ninguém. Aí o chefe da Mercedes pegou a mochilinha de Antonelli, chamou o menino e disse “vamos embora que vai começar o Castelo Rá-Tim-Bum”, e deixou todos falando sozinhos.
Hamilton de noite, Leclerc de dia: P1 na primeira parte
Quem não impressionou muito foi Lewis Hamilton, que fechou o dia na sexta posição. Mas só andou de tarde/noite, quando a pista estava um pouco melhor. Por isso ficou à frente de seu companheiro Geor…, digo, Chaleclé, o mais rápido de todos na parte da manhã.
Com 458 voltas no total, a Mercedes foi a equipe que mais andou, no balanço dos três dias. Depois vieram Haas (457), Aproxima? (454), Alpine (405), Williams (395), Ferrari (381), McLaren (381), Sauber (354), Aston Martin (306) e Red Bull (304). Entre os pilotos, Esteban Ocon foi quem mais trabalhou, com 260 voltas, e Liam Lawson o que menos andou, com 149.
A impressão geral, encerrada a pré-temporada, é que a McLaren começa o ano na frente. Foi consistente nas simulações de corrida e não se esforçou muito para impressionar ninguém no cronômetro. Escondeu o jogo, em outras palavras.
Agora todos voltam para casa e se encontram nos simuladores das fábricas para os últimos ajustes, durante o carnaval. No fim da outra semana, embarcam para a Austrália, onde finalmente começa o Mundial, no dia 16 de março, em Melbourne.
E como bom blogueirinho, pergunto: pra você, quem vai ser o campeão?
Flavio Gomes quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025 16:12 22 comentários
Hamilton: mais rápido de manhã, segundo na classificação geral
SÃO PAULO(chuva no deserto?) – Sim, choveu no deserto. No segundo dia da pré-temporada da F-1 no Bahrein, choveu na metade da sessão matinal. Sim, no deserto. E tem gente que acha que o planeta está normalzinho da silva.
Bom, a chuva no deserto tem alguma relevância, assim como os 15°C registrados na região do autódromo, porque deu uma atrapalhada nos treinos. Quem se deu bem foi Kimi Antonelli, que não participou da primeira sessão porque tinha aula de natação. A mãe dele, que é muito brava, não deixou o menino faltar. Mas ficou louca da vida porque ele, de novo, esqueceu a touca no vestiário.
Com a pista molhada por um tempinho, quem estava escalado para a primeira parte dos treinos acabou andando menos que os colegas que foram para a pista de tarde. Um desses foi Lewis Hamilton. Que registrou, de manhã, 1min29s379, o melhor tempo do período. Completou 45 voltas. Seu parceiro na Merce…, digo, na Ferrari, Chaleclé, deu 84 no período vespertino/noturno. Pelo menos, enquanto ficou parado nos boxes, o inglês tinha com quem conversar, sua faz-tudo Angela Cullen.
Angela & Lewis: esperando a chuva passar
Foram 18 os pilotos hoje na pista. Dois tiraram folga: Max Verstappen, da Red Bull, e Alexander Albon, da Williams. Quem treinou pelo time dos energéticos, o dia todo, foi Liam Lawson. Na Williams, Carlos Sainz. Que aproveitou bem a disponibilidade do automóvel e acabou com o melhor tempo do dia.
A equipe inglesa já está colhendo os frutos de ter um adulto como Sainz num de seus carros. O espanhol virou 1min29s348 na melhor de suas 126 (!) voltas. Entregou a viatura limpa e sem riscos. Disparado, nesta quinta-feira, foi quem ficou com a bunda mais quadrada de tanto sentar naqueles bancos duros da F-1. Lawson fechou 91 voltas e também rodou bastante. Os tempos estão aí embaixo, junto com as velocidades máximas registradas no dia e os pilotos que dominaram os três setores da pista barenita.
Clique nas imagens para enxergar os números!
Uma curiosidade em relação a Lando Norris, o mais rápido de ontem: ele tem o segundo melhor setor e no fim do dia estava baixando o tempo de Sainz, até recolher para os boxes. Provavelmente ficaria com a melhor volta do dia, e a McLaren tem mostrado um carro muito equilibrado nesses dois dias de testes. Aliás, é o que dizem por lá: McLaren equilibrada, Ferrari agradável de dirigir, Mercedes mais ou menos igual ao ano passado e Red Bull à espera de Max.
A Williams, depois de 16 horas de atividades motorizadas, desponta como uma possível “melhor das outras”, a saber: tirando as quatro grandes, mencionadas no final do parágrafo acima, estaria um pouco melhor que as demais. Esse pelotão intermediário vai ser bem apertado, como no ano passado. Williams, Alpine, Aston Martin e É Senha ou Aproxima? vão brigar pelas migalhas que sobrarem. Na rabeira, Haas e Sauber se encarregarão de levar a lanterna. Dessas duas, quem conseguir um pontinho milagroso a cada três meses pode dar uma festa.
Sainz sorridente: um adulto na equipe, finalmente
Amanhã termina a pré-temporada e a segunda sessão, das 9h às 13h pelo horário de Brasília (das 15h às 19h pelo horário local), será a mais interessante. É quando teoricamente todo mundo vai tirar gasolina do tanque e espetar pneus macios para aferir seu desempenho real, sem muitos testes aerodinâmicos ou coisa que o valha. É a hora de saber quanto cada um anda de verdade, em resumo. Minha maior curiosidade é ver esse carro “que faz o que eu quero que ele faça” de Verstappen. E, também, Hamilton na segunda sessão (até agora ele só andou no primeiro período), quando a pista, em tese, está mais rápida.
Aí sim a gente vai poder dizer alguma coisa mais concreta sobre 2025.
Flavio Gomes quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025 17:45 20 comentários
A turma de 2025: caras novas
SÃO PAULO(ainda é cedo, cedo, cedo) – Quando viu na TV que a temperatura era de 15°C no deserto, a mãe de Kimi Antonelli ligou imediatamente para o filho e mandou ele “colocar uma blusinha”, em suas palavras. “Fica tranquila, mamma“, respondeu o piloto da Mercedes. “Me deram um casaco e um gorro.” O menino foi escalado para a primeira parte dos testes que abriram a pré-temporada da F-1 hoje no Bahrein “porque tem de dormir cedo”, segundo fonte que tenho no país árabe.
Fez o melhor tempo da manhã.
Aí foi ele que ligou para a mãe para dar a boa notícia, mas antes que pudesse dizer “alô”, levou uma bronca porque “deixou as meias encardidas debaixo da cama” e “se não entregar de novo a lição de geografia vai se ver comigo”. “Outra coisa: quando você vai aprender a não deixar resto de sanduíche na lancheira? Não gostou, joga no lixo!”
A mãe de Antonelli é brava. Nem quis saber em que posição ele ficou.
Antonelli no carro e com os colegas: primeiro dia de trabalho
O primeiro dia da temporada 2025 foi marcado por um apagão no fim da tarde barenita, atribuído à incompetência da Enel. Durante uma hora o autódromo ficou sem luz, o que obrigou a direção do evento a estender o horário de trabalho até o início da novela das oito.
Todos os pilotos andaram e foi impressionante a taxa de quebras ao longo do dia: zero. Não é uma surpresa, porque os carros são parecidos com os do ano passado e ninguém inventou demais, já que em 2026 o regulamento prevê grandes mudanças. Não vale a pena torrar o orçamento num modelo que só vai durar um ano e cuja base, por melhor que seja, não vai servir para nada no ano que vem.
Os tempos e a nova marca da cronometragem: sai Rolex, entra TAG Heuer
Com 88 voltas, Esteban Ocon foi quem mais andou. Ao lado de Oliver Bearman, ele compõe a nova dupla da Haas, que ficou com as duas últimas posições do dia. O carro tinha ainda alguns sistemas que deviam ser checados, e por isso os dois andaram com algumas limitações. Quem foi para a pista no período da tarde/noite teve a primazia de ficar com os melhores tempos, já que a pista estava mais emborrachada. Os seis primeiros colocados fizeram parte deste grupo.
E teve brasileiro na nova folhinha de cronometragem patrocinada pela TAG Heuer, como não? Depois de longos e tenebrosos invernos, verões, outonos e primaveras, o país voltou a ter um representante como titular na categoria. O último fora Felipe Massa, em 2017. Gabriel Bortoleto pegou o carro de Nico Hülkenberg depois do almoço e completou 59 voltas com a Sauber sem maiores intercorrências. O campeão da F-2 falou que foi um dia “divertido” e que não tinha muito mais a dizer. “Já estou ansioso para voltar a andar amanhã.”
Ocon, Norris, Doohan e Bortoleto: começou o ano!
O mais rápido do dia acabou sendo Lando Norris, com George Russell em segundo, Max Verstappen em terceiro e Charles Leclerc em quarto. Um representante de cada um dos times grandes, que tendem a dividir vitórias neste ano. Isso se Verstappen não resolver acabar com a graça de todos. Porque ao final do primeiro teste com o RB21, o holandês, tetracampeão mundial, disse que só teve “boas surpresas” nas 74 voltas que completou. “O carro está fazendo o que eu quero que ele faça”, falou.
Xi.
Norris fez o tempo de 1min30s430 de tarde. Pela manhã, a marca de Antonelli fora de 1min31s428. Lewis Hamilton estreou na Ferrari andando na primeira parte dos testes e voltará à pista amanhã no mesmo horário. Na Red Bull, Verstappen tira folga e só Liam Lawson trabalha na quinta-feira. Max volta na sexta para treinar o dia todo.
Ferrari: todos os olhos em Hamilton e alguns em Leclerc
E todo mundo queria ver Hamilton na casa nova, claro. O inglês ainda não começou a desfilar seus modelos extravagantes — e lindos, porque gosto mesmo! — e apareceu no autódromo vestindo o discreto uniforme do time. E trouxe de volta a neozelandesa Angela Cullen, sua fisioterapeuta, treinadora, coach, amiga, ajudante e carregadora de capacete.
Por enquanto, não dá para dizer nada sobre relação de forças, surpresas, desempenhos extraordinários, possíveis sucessos e prováveis fracassos. Como tenho dito já há algum tempo, esta temporada deve ser parecida com o que foi a segunda metade do ano passado, com muita gente brigando na frente e pequenas possibilidades de uma supremacia como se viu, por exemplo, em 2022 e 2023 com Verstappen e a Red Bull. O que já estaria de bom tamanho. Nas últimas 12 etapas de 2024, foram cinco vitórias da McLaren, três da Ferrari, duas da Mercedes e duas da Red Bull. Houve uma certa superioridade papaia, mas que esteve longe de ser dominante. E ainda tem um monte de novatos em campo, o que deve aumentar ainda mais o índice de imprevisibilidade deste campeonato.
E dois registros, para encerrar em caixinhas:
SÓ LÁ – A F-1 está estudando (e deve aprovar) uma mudança de regra específica para o GP de Mônaco. Serão obrigatórios pelo menos dois pit stops, para dar uma agitada na corrida. Essa determinação valerá apenas para a prova no Principado, onde normalmente só se faz uma parada para trocar pneus. E isso porque é obrigado, já que a pista desgasta pouco a borracha, o percurso do GP é menor e quem para mais de uma vez não tem chance nenhuma de se recuperar, tamanhas as dificuldades de ultrapassagem.
POR AQUI – O canal BandSports está mostrando os testes da pré-temporada, mas o narrador titular da categoria no grupo Bandeirantes, Sérgio Maurício, não participou da transmissão de hoje. Napoleão de Almeida e Ivan Bruno foram escalados para seu lugar segundo o UOL. Maurício envolveu-se em polêmica no fim de semana ao repostar e comentar postagem transfóbica, racista e escrota de um certo Oliver Noronha no X sobre a deputada Erika Hilton. O locutor chamou a parlamentar do PSOL de “fake news humana” e “essa coisa”. Ou seja: foi transfóbico, racista e escroto como o autor da postagem original. Aliás, deixa eu me corrigir aqui: onde vocês leram acima “envolveu-se em polêmica”, leiam “foi transfóbico, racista e escroto”. As contas do narrador no X e no Instagram foram apagadas. A Bandeirantes ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em sua única declaração sobre o episódio, à “Folha”, Maurício disse que a conta do X não era dele. Mas era essa mesma conta que os perfis oficiais da Band indicavam em todas as postagens sobre transmissões no canal. Há anos. Ninguém aqui nasceu ontem. Erika avisou que vai processar o narrador.
Flavio Gomes quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025 16:11 1 Comentário
SÃO PAULO(começou!) – Para não ficar enchendo vocês de postagens sobre cada carro, até porque não tem muito o que dizer deles ainda, seguem os dez na pista hoje no Bahrein. Não houve cerimônias de lançamento dos modelos, que foram direto para a lida. Daqui a instantes um resumo do dia caprichado, como de costume.
Flavio Gomes segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025 20:28 12 comentários
Hoje foi a Mercedes que divulgou fotos do W16. O carro vai para a pista amanhã, também no Bahrein, para o shakedown. A maior novidade do time é o menino Kimi Antonelli. A professora o liberou da redação “Minhas Férias” e ele estará nos testes da pré-temporada. Ninguém no time fala em ganhar campeonato. O carro precisa melhorar em curvas de baixa e na gestão das temperaturas dos pneus. Apesar das deficiências, em 2024 a Mercedes venceu quatro corridas. É o último ano da geração de motores que estreou em 2014. Também graças a eles, os motores, vimos a maior hegemonia da história, com oito títulos seguidos de construtores entre 2014 e 2021. E mais um, de troco, com a McLaren no ano passado. Foram 11 campeonatos e nove taças. Eu queria um motor desses.
Flavio Gomes domingo, 23 de fevereiro de 2025 21:18 11 comentários
Tenho a impressão que ninguém está muito interessado nos carros novos DE VERDADE, uma vez que as pinturas de 2025 foram todas reveladas terça-feira. Em todo caso, aí está o AMR25 da Aston Martin, que comemora ter 32 patrocinadores para esta temporada.
Flavio Gomes terça-feira, 18 de fevereiro de 2025 23:59 81 comentários
A turma de 2025: só duas duplas mantidas, da McLaren e da Aston Martin
SÃO PAULO(funcionou) – A F-1 fez hoje uma apresentação inédita em Londres, para celebrar os 75 anos da categoria. Aconteceu na arena O2 diante de 18 mil pessoas e com a presença de todos os pilotos, chefes de equipe e muitos convidados. Lembrando: apenas McLaren e Aston Martin mantiveram suas duplas (Oscar Piastri e Lando Norris na primeira, Lance Stroll e Fernando Alonso na segunda). Teremos três novatos absolutos (Kimi Antonelli na Mercedes, Gabriel Bortoleto na Sauber e Isack Hadjar na Racing Bulls) e três quase estreantes (Oliver Bearman na Haas, Liam Lawson na Red Bull e Jack Doohan na Alpine)
O evento teve um formato bem definido: cada time teve sete minutos para apresentar carros e pilotos, do jeito que achasse melhor. Exigências: que a dupla de corredores subisse ao palco de macacão e que a pintura que será usada na temporada fosse revelada ao distinto público assim que se erguesse uma espécie de caixote gigantesco cujos lados eram formados por telões de alta definição. A festa foi transmitida pela TV e pelo aplicativo da F-1. Durou duas horas. Foi grandiosa, na medida em que se conseguiu reunir no mesmo espaço e tempo todo mundo que importa, quebrando a tradição de cada equipe fazer o lançamento de seus carros de forma individual — o que, nos últimos anos, vinha sendo feito de maneira virtual, na maioria das vezes.
Mas quem esperava algo mirabolante talvez tenha se decepcionado. O tempo disponível para cada time foi curto, e do ponto de vista técnico é impossível dizer qualquer coisa sobre os modelos apresentados. Muitos deles eram carros do ano passado com a pintura nova. Os personagens principais da festa falaram pouco ou nada — caso da dupla da Red Bull, Max Verstappen e Liam Lawson, que não abriram a boca sobre o palco.
Teve música — ninguém do primeiro escalão internacional –, muitos vídeos, aplausos e vaias. Lewis Hamilton, claro, foi o mais festejado. Christian Horner, chefe da Red Bull, mereceu os maiores apupos das tribunas. A seguir, um resuminho comentado da F175, evento que, dependendo de uma avaliação da Liberty Media, pode ser repetido nos próximos anos.
A campeã: McLaren foi a última a apresentar sua nova pintura na O2 Arena
A FESTA – Pontualmente às 17h de Brasília, 20h em Londres, a celebração começou com uma banda que me chamou a atenção pela guitarra em forma de gilete. Como costumo escrever “Google-free”, não vou procurar o nome dos artistas. Devem ser conhecidos, e o fato de eu não saber quem são não significa nada, porque sou musicalmente um ignorante. O ator, comediante e apresentador de TV Jack Whitehall foi o mestre de cerimônias. Fez uma ou outra piadinha, mas não cometeu nenhuma gafe. Com o tempo apertado, foi econômico nos gracejos. Alguns deles foram dirigidos a Charles Leclerc e George Russell, escolhidos por ele como bonitões da noite. As primeiras imagens da transmissão mostraram alguns pilotos, como Verstappen e Hamilton, e não se detiveram nos convidados especiais. Todos os campeões mundiais vivos foram convidados — tive até de ajudar com alguns contatos, acreditem vocês ou não. Poucos apareceram na TV. Vi Emerson Fittipaldi, Jackie Stewart, Mario Andretti e Nigel Mansell numa mesa de veteranos. Emerson é o maior arroz de festa do mundo. Stewart, o segundo. Não sei quem foi ou quem deixou de ir. Um clipe com imagens históricas dos 75 anos da F-1 foi apresentado. Isso posto, aos carros.
O Sauber C45, Bortoleto e Hülkenberg: viva o América Mineiro!
SAUBER C45 – A Sauber, oficialmente Stake F1 Team Kick Sauber, foi a primeira a subir ao palco. A ordem escolhida foi da pior para a melhor na classificação do Mundial de Construtores de 2024. Surgiram uns caras com tambores no tablado, tocando com baquetas iluminadas de verde. Meteram um clipe do carro andando à noite, com imagens da Lua. Não entendi nada. Alguém me disse que a pintura tem uma “temática astronômica”. Continuei sem entender nada. O carro se chama C45 porque Peter Sauber, fundador do time, sempre usou a inicial do nome de sua mulher, Christiane, para batizar os modelos de sua fábrica. Os novos donos mantiveram a tradição — mesmo quando corria como Alfa Romeo, os carros eram C-alguma-coisa. Não sei como será com a Audi, que é a nova proprietária da equipe. O nome Audi, aliás, não foi mencionado nenhuma vez. As quatro argolas não aparecem em lugar algum. No press-release do time, tampouco. Frases bobas foram mostradas no telão e no fim surgiram Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto ao lado do chefe Mattia Binotto. Cada um disse uma frase e foram embora. As cores inspiradas no uniforme do América Mineiro foram mantidas, e a pintura não é feia.
Sainz, na última foto, e o FW47: Williams tenta renascer
WILLIAMS FW47 – Criatividade não tem sido o ponto forte da Williams no layout de seus carros. Na semana passada andou em Silverstone “camuflada”. A camuflagem era igual à pintura apresentada hoje em Londres: tudo azul. O que não é necessariamente ruim. Ficou até elegante. O novo patrocínio master, da empresa australiana Atlassian (softwares de gestão, essas coisas), é a maior novidade. Além, claro, de Carlos Sainz. Finalmente um adulto para guiar seus carros. O clipe de abertura da apresentação, sob o slogan “Are you ready?” (muito original…), mostrou imagens antigas, dos tempos de glória do time: Mansell, Jones, Prost… James Vowles, o chefe, pegou o microfone, prometeu que a equipe entrou numa nova era e no fim tirou uma selfie com Sainz e Alexander Albon, o outro piloto. No telão, um QR code. Acho que era o Pix da Williams.
Tsunoda, Hadjar e o VCARB 02: como se chama essa equipe?
VISA CASH APP RACING BULLS VCARB 02 – Como se chama essa equipe? O clipe de abertura da apresentação, comandado por um influencer qualquer, fez essa pergunta nas ruas e ninguém soube responder. Continua sendo como no ano passado, pelo visto. O que significa que neste espaço seguirei com a linha Crédito ou Débito? e suas variáveis, porque não serei capaz de chamá-la de “VCARB”, que é como a Red Bull, dona da antiga Minardi, Toro Rosso e AlphaTauri, imagina que, um dia, ela será conhecida. “Até mudar de novo no ano que vem”, disse o apresentador do evento. Yuki Tsunoda e Isack Hadjar terão o carro mais bonito do grid. A pintura ficou ótima, com a prevalência do branco e os detalhes em vermelho e amarelo da marca de energéticos. Pelo menos foi a de que gostei mais. Se vai andar bem, já é outra história.
O VF-25 e a nova dupla Ocon & Bearman: tudo novo de novo
HAAS VF-25 – A sigla dos carros da Haas é a menos compreensível de todas, mas tem uma explicação. Lá em 2016, quanto o time estreou, o VF era de “very first”, o primeiro carro da linhagem da esquadra americana. Que vai para sua décima temporada na F-1. Ficou o VF, sempre acoplado ao ano em questão. Estamos em 25, já, quem diria… E o século começou outro dia! No vídeo de apresentação, o cantor Kane Brown leu um texto exaltando o “American way” da equipe, que tem um piloto francês, outro inglês, motor italiano, usa um túnel de vento alemão, é chefiada por um japonês e mantém uma parceria técnica com a igualmente nipônica Toyota — que mais dia, menos dia, vai acabar comprando o time. Seriam todos deportados por Donald Trump se vivessem, sei lá, na Carolina do Norte. Dos EUA, mesmo, vêm o patrocinador principal e o dono, Gene Haas. Esteban Ocon e Oliver Bearmam formam a dupla totalmente renovada para 2025.
Rosa e azul: Alpine esperando por Colapinto e Mercedes
ALPINE A525 – O nome-código dos carros da Alpine segue o 5 que batizava os antigos carros da marca francesa nas pistas, nos anos 60, com o ano em curso. A apresentação foi pavorosa, com um DJ (me disseram na live do YouTube que é o cara que compôs a música tema da F-1, confere?) saltitante fingindo mexer nuns botões que não tinham função nenhuma, já que por vezes ele abandonava a mesa e a música seguia tocando do mesmo jeito. O carro veio rosa e azul, sendo a primeira cor da BWT, sua principal patrocinadora. Mas cedo, a Alpine anunciou que o Mercado Livre será patrocinador da equipe, abrindo as portas para Franco Colapinto, o piloto reserva. Dizem que Jack Doohan tem seis corridas para mostrar serviço. Penso que já está demitido. Mas vai que dá um rabo monumental, faz um pódio, sei lá. Acho difícil, tais milagres acontecem muito raramente. Mas é bom lembrar que a equipe fez um pódio duplo em Interlagos no ano passado. Vai que… Gostei de ver o cão de seis patas (achei que era uma loba, estou corrigindo agora e aproveito para indicar um link com a história do logotipo) da Agip na tomada de ar, embora a Agip não se chame mais Agip, e sim ENI. Agip era acrônimo para Azienda Generale Italiana Petroli. ENI vem de Ente Nazionale Idrocarburi. Ambas ex-estatais. A ENI incorporou a Agip em 1998. Pierre Gasly é o que sobrou da Alpine de 2024, agora comandada por Flavio Briatore e se despedindo dos motores Renault, sua proprietária. A montadora francesa capitulou e vai usar motores Mercedes no ano que vem.
“My name is Alonso. Fernando Alonso.”
ASTON MARTIN AMR25 – Usando o tema musical dos filmes de 007, a Aston Martin apresentou um clipe de dois caras num jet ski chegando à O2 (acho que eram jet skis) vestindo terno e capacete. Corta para o interior da arena e aparecem Fernando Alonso e Lance Stroll no meio do povo, como se tivessem acabado de desembarcar dos veículos aquáticos. Pelo menos a equipe fez um vídeo de animação mostrando um pouco da história da marca nas pistas. Quando levantaram o caixote de telões, surgiram os pilotos depois da cantora nigeriana Tems, que eu não conhecia, mas canta pacas e é muito bonita. Ela fez seu número cercada de violinistas. A grande novidade da Aston Martin para 2025 é o projetista Adrian Newey, que nem apareceu nas imagens da transmissão. Pelo menos não vi. Mas acho que estava lá.
A Mercedes sem Hamilton: uma nova era
MERCEDES W16 – Depois de 12 temporadas seguidas, Lewis Hamilton não apareceu com a estrela de três pontas na apresentação de um carro da Mercedes. É uma nova era para o time alemão, que foi ousado ao escalar o estreante Kimi Antonelli, 18 anos, para seu lugar. No que isso vai dar? Não tem como adivinhar. O vídeo mostrado antes da revelação das cores do carro foi narrado por uma mulher e terminava com a frase estampada nos telões: “Every dream needs a team”. A Mercedes fala sempre, e muito, sobre trabalho em equipe. Vai precisar mais do que nunca. George Russell assume a posição de líder do time e será interessante ver como vai se comportar sem a presença sempre intimidatória de um multicampeão como Hamilton. O carro começa prateado e termina preto. Os macacões têm as três listras da adidas. Que se escreve assim mesmo, com “a” minúsculo.
Red Bull: todas as tribos no palco
RED BULL RB21 – Foi, de longe, a melhor apresentação. Estivéssemos falando de escolas de samba, e eu diria que a cena final era puro Joãosinho Trinta. Christian Horner apareceu sozinho no início para anunciar o que veríamos (foi muito vaiado) e chamou um clipe para “celebrar a cultura dos carros”. Afinal, é disso que se trata: corrida de carro. Apareceram vários modelos e marcas, e tribos urbanas e música idem, e todos seguindo um caminhão da Red Bull pelas estradas inglesas e ruas de Londres. Quando a carreta chega à O2, corta para dentro do evento e toda a galera entra dançando no palco ao lado de Max Verstappen e Liam Lawson. Mal dá para ver o carro. Os pilotos não disseram uma palavra sequer. Acabou. Recado dado.
Hamilton, Vasseur, Leclerc e a SF-25: essa faixa branca aí…
FERRARI SF-25 – O clipe de abertura foi clichê: desenhos dos carros da Ferrari desde 1950, evoluindo junto com a F-1 em 75 anos até chegar ao modelo SF-25 que seria apresentado em seguida. “We belong to racing”, proclamou o time. Não precisavam fazer nada. Era só levantar o caixote e deixar Lewis Hamilton sozinho ao lado do carro, para ser aplaudido pelos sete minutos regulamentares. O inglês foi a grande estrela da festa, claro. Charles Leclerc vai ter de cortar um dobrado para se impor no time nessa nova situação. Mas vai ser interessante. Ele é bom, jovem, carismático, teremos uma disputa bem legal este ano. O carro? Bom, essa faixa branca aí na tomada de ar para destacar a HP, marca da minha impressora que às vezes me deixa louco (qual impressora não enlouquece a gente?), levou os fãs mais puristas a ficarem de cabelo em pé. O azul de fundo da IBM na asa traseira, também. Mas nos acostumamos. Carro bonito é o que vence corridas, já dizia Enzo Ferrari. Que, por sinal, nasceu num 18 de fevereiro como hoje.
McLaren: defesa de título com mesma dupla
McLAREN MCL39 – Campeã mundial de Construtores, a McLaren levou para o palco alguns de seus carros que ganharam títulos no passado, para celebrar sua história gloriosa. Dois deles de brasileiros, Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna. O time, ao lado da Aston Martin, é o único que manteve a dupla de pilotos: Lando Norris e Oscar Piastri. Pintura praticamente igual à do ano passado. Macacões também. Em time que está ganhando não se mexe, diz o ditado popular. Teoricamente, é o carro a ser batido.
E isso foi tudo. A festa foi encerrada com a banda Take That, as 24 etapas do calendário exibidas no telão e os 20 pilotos e os dez carros no palco. Chega de festa. De 26 a 28 deste mês, todos estarão no Bahrein para a pré-temporada. O Mundial começa no dia 16 de março na Austrália.
Como escreveriam os influencers, estou muito ansioso. E vocês?
Flavio Gomes sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025 11:12 89 comentários
SÃO PAULO(dinheiro novo) – Já com os adesivos da Atlassian, a Williams colocou Carlos Sainz e Alexander Albon na pista hoje em Silverstone para o shakedown do FW47. A equipe manteve uma pintura quase neutra, parecida com a de 2024, porque por contrato ninguém pode revelar pintura antes de terça-feira na O2 Arena, em Londres.
A festa dos 75 anos da F-1 vai ser daquelas de arromba. Todos os campeões mundiais vivos — e, claro, em condições de ir — foram convidados. Tem um que não vai.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
1:10:23
CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
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