Flavio Gomes quarta-feira, 28 de agosto de 2024 17:16 13 comentários
SÃO PAULO(melhor assim) – Recebo press-release assinado pelo amigo Américo Teixeira Jr., assessor de imprensa da CBA, com um relato sobre a transferência dos restos mortais de José Carlos Pace para Interlagos. Fotos abaixo, explicações idem:
Por iniciativa da Confederação Brasileira de Automobilismo, por intermédio da Comissão Nacional de Veículos Históricos (CNVH), o autódromo de Interlagos foi palco de um evento marcado por emoção, simbolismo e valorização da memória do automobilismo brasileiro. Na sexta-feira, 23, os restos mortais de José Carlos Pace foram depositados no circuito que desde 1985 leva seu nome. Paulo “Loco” Figueiredo, presidente da CNVH, foi o idealizador da homenagem.
Tudo começou quando se tornou pública, através do site “São Paulo Antiga”, a situação de abandono do túmulo de Pace no Cemitério do Araçá. O piloto morreu em 1977 num acidente de avião. Segue o release:
Foi automática a ideia de trasladar os restos mortais do vencedor do GP Brasil de F-1 de 1975 para o autódromo, de modo a depositá-los junto ao busto em homenagem ao piloto que correu por equipes dirigidas por nomes lendários como Frank Williams, John Surtees e Bernie Ecclestone. Foram três meses de trabalho, que incluíram a aprovação da família Pace, tratativas com órgãos da Prefeitura, exumação do corpo, autorizações para o traslado, decoração do local, confecção da placa, distribuição de convites e tudo mais.
No dia marcado, às 12h, as atividades da Porsche Cup foram interrompidas para que Rodrigo Pace, filho do “Moco”, desse uma volta pela pista com o Karmann-Ghia que seu pai pilotou com os irmãos Fittipaldi nos anos 60. O carro pertence ao colecionador Maurício Marx. Coroas de flores foram depositadas no local, junto ao seu busto que fica na entrada do túnel que passa sob a pista. Elda, viúva de Pace, sua filha Patrícia e netos estiveram presentes, assim como a viúva de Wilsinho Fittipaldi, Rita, e ex-pilotos como Chiquinho Lameirão, Paulo Gomes e Alex Dias Ribeiro.
Foi uma boa ideia. Cemitérios são vandalizados o tempo todo em São Paulo. Se não tem ninguém para cuidar dos mortos onde eles costumam ficar, que se mudem os mortos. Parece ser a lógica perversa da cidade.
Flavio Gomes terça-feira, 27 de agosto de 2024 13:57 44 comentários
Williams em Monza: sai Sargeant (esq.), entra Colapinto
SÃO PAULO(surpresa!) – A Williams acaba de anunciar a demissão (esperada) de Logan Sargeant e a efetivação (surpreendente) de Franco Colapinto como titular do time já a partir do GP da Itália, neste fim de semana. O argentino de 21 anos será o primeiro piloto do país na categoria depois de Gastón Mazzacane, que disputou 21 GPs entre 2000 e 2001 pela Minardi e pela Prost, sem conseguir pontuar.
Colapinto faz parte do time júnior da Williams desde janeiro de 2023. Fez um teste com a equipe no fim daquele ano em Abu Dhabi e, nesta temporada, participou do primeiro treino livre para o GP da Inglaterra. Vai correr com o número 43.
O argentino vinha disputando a F-2 pela equipe holandesa MP Motorsport. Estava em sexto no campeonato com 96 pontos, uma vitória e três pódios. Embora muito jovem, Colapinto já está na estrada faz tempo. Em 2019, com 16 anos de idade, foi campeão espanhol de F-4 com 11 vitórias em 21 corridas. Naquele ano, teve a carreira gerenciada por Fernando Alonso, que já dava seus primeiros pulos como empresário. Em 2020, disputou a F-Renault Europeia e ficou em terceiro. Na temporada seguinte, dedicou-se mais às provas de Endurance — correu as 24 Horas de Le Mans e de Spa, por exemplo. Voltou aos monopostos em 2022 e em duas temporadas na F-3 conquistou quatro vitórias, terminando um campeonato em nono e outro em quarto.
Sargeant deixa a F-1 com 36 GPs disputados desde o início de 2023, quando chegou à Williams. Seu melhor resultado foi um décimo lugar no GP dos EUA do ano passado, posição que só foi conquistada porque Lewis Hamilton e Charles Leclerc foram desclassificados. Sai da categoria, portanto, com apenas um pontinho no currículo. E vários carros destruídos. A gota d’água foi o acidente nos treinos para o GP da Holanda, sábado, dando um prejuízo à equipe na casa de US$ 1,7 milhão.
Em comunicado oficial, o time inglês agradeceu ao piloto norte-americano e prometeu continuar ajudando o moço em sua carreira. Logan deve correr na Indy no ano que vem.
A escolha por Colapinto acabou pegando muita gente de calças curtas. Os nomes de Liam Lawson, que seria emprestado pela Red Bull, e de Mick Schumacher, preferido de Toto Wolff (a Mercedes é parceira técnica e espiritual da Williams), eram os mais cotados depois da corrida de domingo em Zandvoort.
Flavio Gomes terça-feira, 27 de agosto de 2024 13:19 1 Comentário
Anotem aí os horários da despedida da F-1 da Europa em 2024. Sim, eu sei que tem um pedaço do Azerbaijão na Europa, mas deixemos de chorumelas: é Ásia.
Flavio Gomes segunda-feira, 26 de agosto de 2024 21:30 19 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Lando vence sem ninguém por perto: domínio na Holanda
SÃO PAULO (congelada) – Na foto acima, Verstappen nem aparece. Só foi receber a bandeira quadriculada 22s8 depois. Isso arredondando para baixo, como ver-se-á abaixo, no número escolhido para este GP. Foi um passeio de Lando Norris. Que conseguiu o primeiro “hat-trick” de sua carreira: pole, melhor volta e vitória.
A grande pergunta que Zandvoort deixou é: dá para Norris ser campeão, ainda? Bem, a diferença é de 70 pontos pró-Verstappen. Falta nove corridas para o fim do campeonato, três delas com Sprints. Considerando os pontos extras para as melhores voltas de cada GP, há 258 pontos em jogo. O Grande Prêmio fez algumas contas aqui.
Como ainda tem muito chão pela frente, é desperdício de energia considerar todas as possibilidades matemáticas. Mas apenas a título de ilustração, desconsideremos os pontos extras das voltas mais rápidas. Se Landinho ganhar as nove provas e as três Sprints, terá 474 pontos ao fim da temporada. Se Verstappen chegar em segundo em todas essas etapas, somará 478. A rigor, Max não precisaria mais vencer em 2024 — se não fossem, sempre é bom repetir para ficar bem claro, os pontos extras.
Pilotos & equipes: assim está o Mundial depois de 15 etapas
Tem muita água para passar debaixo dessa ponte. Para ganhar o campeonato, o inglês precisa marcar, em média, 7,8 pontos mais que Max a cada um dos nove finais de semana restantes de GP. Não é muito fácil. Em 15 etapas até aqui, isso só aconteceu três vezes. Na Austrália, Lando 15 x 0 Verstappen (que abandonou); na Hungria, 18 x 10 para Norris; na Holanda, 26 x 18. Por isso o próprio piloto da McLaren disse, depois da corrida de Zandvoort, que pensar em título é “estúpido”.
O NÚMERO DA HOLANDA
22s896
…foi a diferença exata de Norris para Verstappen ao final do GP da Holanda. É a maior entre vencedor e segundo colocado nesta temporada. O ranking corrida a corrida está aí embaixo, à esquerda. E Lando bateu seu recorde pessoal de pontos por campeonato, chegando a 225. Tinha feito 205 no ano passado.
Max é o azul: nem ele conseguiu tanta vantagemNorris ano a ano: melhor temporada
FERRARI GOSTOU – Vamos às caixinhas para acelerar a produção! A Ferrari festejou bastante o resultado em Zandvoort. Afinal, tinha andado mal nos treinos e, no grid, ostentava medíocres sexto e décimo lugares, com Leclerc e Sainz, respectivamente. Se terminassem onde largaram, fariam nove pontos. Mas Charlinho saiu de sexto para terceiro e seu amigo espanhol foi de décimo para quinto. No total, a Ferrari marcou 25 pontos. E ainda levou uma tacinha para casa.
MERCEDES NÃO GOSTOU – Já a equipe alemã saiu da Holanda resmungando e se culpando pelos erros estratégicos e de acerto nos carros de Russell e Hamilton. As posições de largada dos prateados foram quarto e 14º. Ruim, na média, mas para fazer o mesmo cálculo feito para elogiar a Ferrari, vamos lá: se terminassem em quarto e 14º, Russell e Hamilton fariam 12 pontos. Terminaram em sétimo e oitavo e somaram dez.
Momentos de Leclerc: troféu foi no avião, com cinto e tudo
HAAS ENROLADA – A Haas pagou os 12 milhões de euros para a Uralkali, devolvendo o adiantamento que a patrocinadora russa (que pertence ao pai de Nikita Mazepin) tinha feito antes de começar a temporada de 2022. Quando estourou a guerra Rússia-Ucrânia, o contrato foi cancelado, mas o time ficou com a grana. Até domingo à noite, porém, a Uralkali dizia que o dinheiro ainda não tinha aparecido no extrato da companhia. Por isso, a Justiça holandesa reteve os caminhões da equipe no autódromo. Hoje, segunda-feira, a empresa confirmou que recebeu o que lhe era devido. Incluindo um carro de F-1 da temporada de 2021.
A FRASE DE ZANDVOORT
“É meio alarmante. Mas não precisamos entrar em pânico.”
Max Verstappen
Max: champanhe e preocupação com a força da McLaren
Verstappen e a Red Bull precisam juntar os cacos e se preparar para o que vem pela frente. Principalmente a equipe. No Mundial de Construtores, a situação é bem delicada. São apenas 30 pontos de vantagem para o time papaia. Desde a última vitória da equipe, na Espanha, foram disputadas cinco corridas. Nelas, a Red Bull marcou 104 pontos — média de 20,8 por GP. A McLaren, nas mesmas cinco provas, fez 167 — 33,4 por GP.
Nesse ritmo, em três corridas a equipe de Zak Brown ultrapassa a esquadra dos energéticos. O mesmo recorte de cinco corridas transportado para o duelo Verstappen x Norris mostra empate técnico. Max fez 76 pontos nos últimos cinco GPs, contra 75 de Lando.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS da combatividade de Pierre Gasly, que se esforçou muito para conseguir um nono lugar, o chamado “primeiro dos outros” — ficando atrás apenas das duplas de McLaren, Red Bull, Ferrari e Mercedes. Fez mais do que se poderia esperar de um piloto numa equipe capenga como a Alpine.
Gasly: nona colocação com esforçoSargeant: prejuízo de US$ 1,7 mi
NÃO GOSTAMOS de ver Logan Sargeant batendo de novo. Foi no último treino livre, sábado, na chuva. De acordo com a imprensa inglesa, o prejuízo para a Williams foi de US$ 1,7 milhão. O carro ficou destruído. Chegou a pegar fogo. Há uma possibilidade de Sargeant ser chutado da equipe antes do GP da Itália. Mick Schumacher e Liam Lawson estão entre os que poderiam ser chamados para seu lugar.
Flavio Gomes domingo, 25 de agosto de 2024 12:15 54 comentários
O abraço do pai: Norris vence pela segunda vez na carreira e no ano
POÇOS DE CALDAS(quem diria…) – O jogo virou, como se diz. Lando Norris ganhou o GP da Holanda, em Zandvoort, e Max Verstappen, o segundo colocado, precisou de uma luneta ao final da prova para enxergar o carro do rival. A McLaren, definitivamente, tem o melhor carro da F-1 neste momento. Foi a segunda vitória da carreira do inglês – a outra aconteceu em maio, em Miami. A equipe papaia venceu pela terceira vez no ano. O pódio foi fechado por Charles Leclerc, da Ferrari.
No campeonato, as coisas começaram a apertar para a Red Bull. O time austríaco vê sua vantagem na classificação do Mundial de Construtores derreter. Era de 42 pontos sobre a McLaren antes da etapa de hoje, a 15ª de 2024. Agora, são 30 — 434 x 404. Faltam nove provas para o fim do Mundial. Entre os pilotos, Max também começa a se preocupar. Tinha 78 de frente para Norris. Agora são 70 – 295 x 225. Dá para Landinho ser campeão? Uai, dá! É bem difícil, precisa ganhar tudo, torcer contra Verstappen, esperar que Mercedes e Ferrari ajudem e tirem pontos do holandês, ainda tem três Sprints pela frente, não é impossível.
Verstappen não é bobo e sabe que vai precisar de cabeça fria para administrar a gordura que acumulou nas primeiras provas do ano. Mas o fato é que a McLaren já está no retrovisor e piscando o farol alto. A Red Bull precisa juntar seus cacos. Começou a temporada amassando a concorrência. Corre o risco de terminar chorando lágrimas de energéticos.
Em Zandvoort, num domingo de sol e sem ameaça de chuva, a largada do piloto da casa foi, como sempre, de almanaque. Daqueles caprichados, impressão boa, papel de qualidade. A do pole-position Norris, como de hábito, ruim como um panfleto mimeografado com cheiro de álcool e teor inelegível. Incrível como esse moço larga mal. Max, que era o segundo no grid, pulou na frente e imediatamente tratou de abrir mais de 1s sobre o rival, para evitar ataques com asa móvel quando ela fosse liberada.
Russell também começou bem e passou Piastri, se colocando em terceiro. Pérez caiu para sexto. Hamilton – que largou com pneus macios, assim como Tsunoda e Bottas; Magnussen foi de duros e os demais, com médios – começou a escalar o pelotão de grão em grão, passando em 12º na quinta volta.
O problema de Max, que completou seu 200º GP, era escapar da McLaren. No começo do ano, seu carro permitia abrir uma vantagem confortável o bastante para determinar o ritmo da corrida e fazê-lo com todas as variáveis possíveis sob controle – gestão dos pneus, consumo de combustível, temperatura do ar-condicionado, volume do rádio, sinal do celular. Agora, a realidade é outra. Os rivais chegaram e a Red Bull estacionou. Com dez voltas, ele não tinha conseguido construir uma diferença segura sobre Norris: 1s5, apenas.
Norris passa Max na volta 18: fim de corrida ali
Verstappen, Norris, Russell, Piastri, Leclerc, Pérez, Sainz, Gasly, Alonso e Stroll eram os dez primeiros nessa altura da prova. Pelo rádio, engenheiros e pilotos trocavam impressões sobre as estratégias disponíveis para troca de pneus. “Oscar, o que você acha do plano A?”, perguntou o cabra da McLaren. “Creio que o B é mais adequado, meu querido”, respondeu o piloto. Lando também assuntava com seu pessoal técnico. “Se usarmos o plano A, pode ser que dê certo. Mas o B e o C também são bons. O D e o E, neste momento, não nos parece grande coisa. Você sempre achou o F interessante, acha que devemos arriscar?” Norris, meio confuso, falou para escolherem qualquer um.
Verstappen viu a diferença para Lando começar a cair a partir da volta 15. No rádio, em vez de discutir planos, o holandês reclamava. “Na curva 10 o carro não vira! Na reta, não anda! Parado, esquenta! O pneu morreu!” E o britânico chegou de vez. Na volta 17, fez o primeiro ataque. Não conseguiu. Na 18ª, na reta dos boxes, abriu a asa e assumiu a liderança. Max nem viu por onde ele passou.
Era uma corrida dos dois, Norris e Verstappen. Russell, em terceiro, vinha bem atrás. A Red Bull quebrava a cabeça para encontrar um jeito de buscar a McLaren. Não seria fácil. Na volta 22, Landinho já tinha mais de 2s5 de vantagem. Na 24ª, 3s7. “Mais que isso não consigo”, lamentou o tricampeão. “O carro não responde a nada que eu faço.” E a prova, na real, acabou ali.
Os pit stops começaram. Primeiro Hamilton, que já estava em oitavo. Depois, Leclerc. Na sequência, Russell. Todos colocando pneus duros, para ir até o final da corrida. Max parou na volta 28, quando seu atraso em relação a Norris já passava dos 6s. Para não correr riscos, o inglês parou na volta seguinte. Fez a troca sem problemas e voltou à frente de Verstappen, em quarto – os três primeiros, Piastri, Pérez e Sainz, anda não tinham feito seus pit stops. A vitória estava na mão.
Piastri ficou na liderança até seu pit stop, na volta 34, devolvendo a ponta ao companheiro de equipe. No entra e sai dos boxes, quem se deu bem foi Leclerc, subindo de quinto para terceiro. A Ferrari, uh-lalá!, acertou uma ao chamar Charlinho antes dos demais.
Leclerc: estratégia da Ferrari deu certo
Com todo mundo de pneus duros, na metade da corrida, Norris, Verstappen, Leclerc, Russell, Piastri, Pérez, Sainz, Hamilton, Hülkenberg e Magnussen eram os dez primeiros. O dinamarquês da Haas era o único sem pit stop. Gasly e Alonso, que andaram toda a primeira parte da prova nos pontos, caíram bem e teriam de remar tudo de novo para voltar ao grupo dos dez primeiros.
Max desistiu de brigar pela vitória sem muito pudor. Viu que não dava, ficou esperando o tempo passar. Norris desaparecera na frente. Na volta 40, a diferença era de 10s. Quem ainda tinha o que fazer era Piastri. Partiu para cima de Russell e passou, assumindo o quarto lugar. Sua meta era o pódio, no mínimo. Um segundo lugar para fazer uma dobradinha da McLaren, talvez. Para isso, primeiro teria de atacar Leclerc – que tinha pneus mais desgastados por conta da parada precoce.
Oscar foi se aproximando da Ferrari até reduzir a diferença para menos de 1s, na volta 45. Isso permitiria a abertura da asa móvel, facilitando a ultrapassagem. Enquanto isso, mais para trás, quem podia se virava para ganhar uma coisinha ali, outra ali. Sainz passou Pérez e foi para sexto. Hamilton, na volta 50, parou pela segunda vez para colocar pneus macios em busca do ponto extra da volta mais rápida.
Piastri demorava para atacar o monegasco, o que ajudava muito Verstappen. Em segundo, o holandês seguia em ritmo de tartaruga – para os padrões rubro-taurinos, claro. Quando mais o australiano enrolasse para passar a Ferrari #16, menos tempo teria para buscar alguma coisa sobre o #1 da Red Bull. Na volta 53, Charlinho já tinha se livrado da ameaça da asa móvel, voltando a ficar mais de 1s à frente do carro papaia #81.
O pódio que parecia perdido para Leclerc tornou-se uma realidade novamente. Russell, como Hamilton, fez uma segunda parada e colocou pneus macios. Não parecia uma estratégia muito eficaz por parte da Mercedes. O inglês voltou em sétimo, atrás de Pérez, mais de 17s atrás. Precisaria tirar mais de 1s por volta do mexicano para recuperar o lugar. O gênio do time alemão que inventou isso deveria ser demitido.
Quadriculada para Norris: 22s8 sobre Verstappen
Na volta 60, a 12 do final, Norris e Verstappen, em primeiro e segundo, só esperavam pela bandeirada. Leclerc ainda suava para se segurar em terceiro, mas a verdade é que Piastri não parecia ter força para buscar seu trofeuzinho. Sainz, Pérez, Russell, Hamilton, Gasly e Hülkenberg fechavam o top-10. Desses, quem corria algum risco era o alemão da Haas, agora ameaçado por Alonso, em 11º. Valia um pontinho, afinal. Fernandinho acabou passando, na 64ª. Todo o esforço do incrível Hulk para não sair de Zandvoort zerado deu em nada, coitado.
A diferença de Norris para Verstappen ao final da corrida foi um retrato do momento que a F-1 vive nesta altura da temporada. A relação de forças se inverteu. O que a Red Bull fazia nas primeiras provas do Mundial sobre as rivais agora é a McLaren que faz. Landinho recebeu a quadriculada 22s8 à frente de Max. Tinha tanta sobra no carro que ainda fez a melhor volta com pneus duros velhos, somando mais um ponto aos 25 da vitória. Leclerc, como já sabemos, se sustento em terceiro. A turma dos pontos teve ainda, pela ordem, Piastri, Sainz, Pérez, Russell, Hamilton, Gasly e Alonso.
Os dez que pontuaram em ZandvoortMcLaren festeja o bom resultado na Holanda
Conformado, Verstappen disse que depois de ser ultrapassado por Norris no começo da prova só se preocupou em chegar em segundo. Era o que tinha para hoje. Lando, sem euforia excessiva, foi igualmente realista. “Percebi que Max perdeu desempenho nas primeiras voltas e que daria para ultrapassar”, falou.
Semana que vem tem mais. A F-1 se despede da Europa em 2024 com o GP da Itália, em Monza. A notícia da semana, antes da corrida, será o anúncio de Kimi Antonelli na Mercedes. Vai chamar a atenção, claro. Mas a disputa pelo título, convenhamos, é mais atraente. Principalmente porque ninguém esperava que pudesse acontecer.
Flavio Gomes sábado, 24 de agosto de 2024 11:42 13 comentários
Norris: quarta pole na carreira, terceira na temporada
POÇOS DE CALDAS (cuidado, rapaz!) – Lando Norris larga na pole amanhã, na casa do inimigo. O inglês da McLaren confirmou a boa fase dele e da equipe e conseguiu a terceira pole do ano, quarta na carreira. Colocou 0s356 sobre Max Verstappen, segundo no grid. Numa pista minúscula de voltas na casa de 1min10s, é muita coisa.
Seria o bastante para afirmar que é favoritaço à vitória amanhã. Mas não é bem assim. Norris é um mau largador. Com Max ao seu lado na primeira fila, precisa tomar cuidado para não ser engolido pelo rival nos primeiros metros. Se vacilar, dança — embora seja previsível alguma cautela por parte do holandês da Red Bull, líder do campeonato num momento em que seu time não tem mais o melhor carro do grid; Verstappen não pode se dar ao luxo de perder pontos bobos.
Oscar Piastri e George Russell estão na segunda fila. As decepções do dia foram Carlos Sainz e Lewis Hamilton, que estacionaram no Q2 com a Ferrari e a Mercedes. A classificação para o GP da Holanda, em Zandvoort, aconteceu com tempo seco, depois da chuva que, como na véspera, atrapalhou os trabalhos no último treino livre. Vamos a ela.
Norris, Hamilton, Ricciardo, Sainz, Ocon e Russell: sábado holandês
No Q1, Pérez conseguiu uma rara primeira colocação fazendo sua melhor volta em 1min11s006. Os eliminados foram Ricciardo, Ocon, Bottas, Zhou e Sargeant, que nem andou (explicações na caixinha azul aí embaixo; bateu no terceiro treino livre e ficou sem carro).
O Q2 teve duas surpresas bem desagradáveis para os times grandes: uma Ferrari e uma Mercedes na degola. Sainz, Hamilton, Tsunoda, Hülkenberg e Magnussen ficaram pelo meio do caminho. Norris, com 1min10s496, foi o primeiro colocado.
McLaren: em altaRed Bull: em baixa
No Q3, tudo indicava que a disputa seria entre os dois pilotos da McLaren. Na primeira saída, Norris virou 1min10s074 e Piastri ficou 0s119 atrás. A Mercedes, que dera sinas de competitividade ontem, mostrou alguma fadiga com a eliminação de Hamilton no Q2. E Russell ficou longe da briga direta contra os carros papaia.
Restava Verstappen, mas mesmo ele já entendeu que o momento é de minimizar os prejuízos. Milagre não faz. Estava a 0s148 de Lando quando saiu para sua segunda volta. Foi bem, melhorou e, suando sangue, pulou para primeiro. Só que o #4 estava também em sua última “flying lap”, logo atrás.
Não deu tempo nem de a torcida erguer os braços para comemorar. Norris fez 1min09s673, colocando enormes 0s356 de diferença sobre o holandês. Piastri, que também poderia desbancá-lo, não conseguiu. E Max ficou em segundo. Melhor que a encomenda.
Os grid atualizado em Zandvoort: Mercedes e Ferrari ficaram no Q2
Norris, Verstappen, Piastri, Russell, Pérez, Leclerc, Alonso, Albon, Stroll e Gasly ficaram nas dez primeiras posições. A Aston Martin colocou de novo seus dois carros entre os dez primeiros e também merecem elogios Albon e Gasly, capazes de levar carros muito problemáticos — para não dizer ruins, mesmo — à fase final da classificação. Mas Albon estava com o assoalho irregular, foi desclassificado e vai largar em último. Outro punido foi Hamilton, com três posições no grid. Atrapalhou Pérez em sua volta rápida. Caiu para 14º no grid.
Zandvoort voltou ao calendário da F-1 em 2021. Foram três edições da corrida, todas vencidas por Verstappen. Ele também cravou a pole nas três. A primeira derrota veio hoje com a perda da primeira posição no grid. Era previsível. O #1 tentará manter a escrita das vitórias, pelo menos. Está precisando. Já são quatro corridas e dois meses sem ganhar — desde a Espanha, no final de junho. Norris é favorito, sim. Mas não descartem Verstappen. É cedo para dá-lo como morto e acabado.
Sargeant bate de novo: Schumaquinho de sobreaviso
SEMPRE ELE – Logan Sargeant nem participou da classificação. No último treino livre do fim de semana, que foi realizado com chuva e pista molhada, bateu forte, destruiu o carro — que chegou a pegar fogo — e a Williams não teve como montar outro para a sessão que definiria o grid. Vai largar em último amanhã, isso se largar. Se pudesse, a Williams não daria carro nenhum para ele. O acidente foi primitivo: rodas na grama molhada, acelerou, rodou para dentro da pista e se chocou com o guard-rail com violência. A bandeira vermelha perdurou até faltarem dois minutos para o fim do treino, prejudicando o trabalho de todo mundo. Pelo menos não se machucou.
REGRA TRÊS – Mas James Vowles ficou tão irritado que imediatamente surgiram boatos de que Mick Schumacher pode substituir o americano nas últimas corridas da temporada. Ninguém mais aguenta Sargeant na Williams.
FAZ O PIX – A Haas correu o risco de ter seus carros confiscados depois do GP da Holanda. A Uralkali, empresa russa que patrocinava a equipe, ganhou uma ação na Justiça do país e o time foi condenado a devolver a verba já alocada no começo de 2022, quando estourou a guerra com a Ucrânia. Na ocasião, a Haas dispensou o piloto Nikita Mazepin, filho do dono da Uralkali, cancelou o patrocínio e ficou com a grana. O pai de Mazepin foi aos tribunais e a decisão saiu esta semana. Se não pagasse, a Haas não conseguiria sair de território holandês e perderia o GP da Itália. Ontem o time fez o depósito de 12 milhões de euros quitando a dívida.
PLACAR DE GRID – Depois de 15 grids no ano, eis o placar interno nas equipes: Verstappen 15 x 0 Pérez; Albon 14 x 1 Sargeant; Bottas 14 x 1 Zhou; Hülkenberg 12 x 3 Magnussen; Norris 12 x 3 Piastri; Russell 11 x 4 Hamilton; Tsunoda 10 x 5 Ricciardo; Alonso 10 x 5 Stroll; Ocon 10 x 5 Gasly; Leclerc 9 x 5 Sainz (que ficou fora do GP da Arábia Saudita).
Flavio Gomes sexta-feira, 23 de agosto de 2024 12:35 11 comentários
Mercedes, McLaren, Red Bull: quem é a atual terceira força?
POÇOS DE CALDAS(na fumaça) – A F-1 voltou e prestem bem atenção: a Red Bull não é mais aquela. Mesmo. E é incrível, dada a maneira como começou este campeonato — quatro vitórias nas cinco primeiras corridas. Verstappen será campeão. Fez a tal gordurinha na tabela, tem 78 pontos de vantagem sobre o vice-líder Norris, e nem Mercedes nem McLaren podem se considerar hegemônicas neste momento. Essa alternância das equipes rivais será a maior aliada do holandês nas dez provas finais da temporada. E Max, creiam, vai torcer para a Ferrari dar uma melhoradinha, também.
Os treinos para o GP da Holanda, hoje, começaram com chuva e pista molhada, mas o tempo virou rapidamente e boa parte da primeira sessão aconteceu já com a pista seca. No segundo treino livre, sol e apenas o vento para incomodar. Vejam acima, nas artes das equipes para suas redes sociais. Mercedes com primeiro e terceiro. McLaren com segundo e quarto. Verstappen em quinto. E com um carro que parece ter estacionado no desenvolvimento, Pérez, que fez um início de Mundial bem aceitável, despencou de vez.
Tempos em Zandvoort: sem surpresas
Não houve grandes surpresas na sexta-feira. Alguém haverá de dizer que Sainz não deveria estar na rabeira, nem Hülkenberg. Mas o espanhol quebrou o câmbio e mal treinou. Já o alemão bateu de leve no início da sessão e também foi mais cedo para os vestiários. No mais, o de sempre. A Ferrari que não quebrou muito discreta, com Leclerc em nono, a Aston Martin flertando com o top-10 com seus dois pilotos, Tsunoda na frente de Ricciardo. Nada de novo no reino dos Países Baixos.
Leclerc: nono com a FerrariRussell: liderança na Holanda
O dia foi marcado pela confirmação de mais um piloto para 2025: Jack Doohan, 21 anos, na Alpine. O australiano é piloto reserva da equipe há dois anos. Filho do lendário Mick Doohan, cinco vezes campeão mundial de moto nas 500cc, é o primeiro graduado da Academia da Alpine para a F-1. Foi vice-campeão da F-3 em 2021 e terceiro na F-2 no ano passado, com seis vitórias e cinco poles em duas temporadas na categoria.
Assim, restam apenas três vagas para serem preenchidas para o ano que vem: uma na Mercedes, uma na Sauber/Audi e uma na Cadê a Maquininha?, a filial da Red Bull. Kimi Antonelli é o favorito no time alemão. Liam Lawson deve correr na equipe B dos energéticos. E na Audi é que está a maior interrogação. Bottas faz campanha para ficar por lá. Mas não arrisco nenhum palpite, a essa altura. As coisas são meio esquisitas na Audi.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
1:10:23
CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...