ENCHE O TANQUE

Vem da Austrália a mensagem simpaticíssima do Thiago Laranjeiro. Tem posto e carro antigo, tudo no mesmo pacote! Vejam, depois leiam, depois vejam mais!

Camarada Gomov, descobri seu blog em 2006 quando emigrei aqui para terra australis. Lembro de interagir a primeira vez na extinta TwitTV pelos idos de 2010.  Estou enviando umas fotos que já deveria ter mandado antes. A primeira é de um antigo posto aqui em Rosa Brook, perto de casa. Moro em Margaret River, se gostar de vinhos mande o endereço para recebê-los. As outras são a minha entrada no mundo dos antigos. Acredite ou não, aqui você pode investir sua previdência no que quiser, e eu achei esse Lincoln Continental Mark IV com incríveis 2.800 milhas no hodômetro . Pretendo desembarcar em Santos em 2032, quando me aposentar. Subir a serra de Panamá na cabeça e charuto na beiça. Abraço!

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ONE COMMENT

Esse registro do Miguel Costa Jr. é bom demais pra eu ver sozinho…

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SINGAPURA CHEGANDO!

Anotem os horários, já tem corrida de novo no fim de semana!

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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Hamilton cumprimenta Colapinto e Bearman: encontro de gerações

SÃO PAULO (inesquecível) – Extraída das redes, a imagem acima. Do perfil de Lewis Hamilton no Instagram. Foi a que ele mesmo escolheu para postar. O heptacampeão fez questão de cumprimentar Franco Colapinto e Oliver Bearman depois do GP do Azerbaijão. O primeiro chegou à sua frente. O outro, logo atrás. Lewis virou sanduíche de quase estreantes. Ambos disputavam uma corrida de F-1 pela segunda vez.

E eles não correram juntos, apenas. Falando assim, parece que estiveram no mesmo grid e só. Não. Brigaram por posições, dividiram curvas e freadas, andaram lado a lado nas ruas de Baku. Depois dessa jornada, o piloto da Mercedes foi gentil e carinhoso com os dois. Seus elogios foram registrados por escrito no comunicado de imprensa distribuído pela equipe. “É muito legal ver meninos tão jovens guiando tão bem”, disse. Estava genuinamente encantado. Verdade que na entrevista na zona mista não se lembrou do nome de Colapinto. Mas não foi por mal. Hamilton vive no mundo dele. Prefere descobrir quem são seus colegas no convívio, não através da imprensa ou pelas redes sociais.

E o convívio se dá na pista. Lutando. Foi bonito, esse encontro de gerações.

A FRASE DE BAKU

“O meu melhor momento do dia. Que loucura e que sonho transformado em realidade dar a mão a Lewis Hamilton depois de uma corrida juntos. Uau!”

Franco Colapinto, no Instagram

Vamos falar um pouco mais de Argentina e dos argentinos. Colapinto, observamos ontem, foi o primeiro piloto do país a marcar pontos desde 1982, quando Carlos Reutemann terminou o GP da África do Sul em segundo pela mesma Williams. Os quatro pontos que anotou em duas corridas já superam o que seu antecessor Logan Sargeant somou em 36 participações no Mundial pelo time. O americano fez apenas um ponto na carreira, com o décimo lugar no GP dos EUA do ano passado (herdado, já que dois carros entre os dez primeiros foram desclassificados).

Mas nesses 42 anos outros argentinos poderiam ter marcado também se o sistema de pontuação da F-1 fosse o mesmo de hoje. Esteban Tuero terminou o GP de San Marino de 1998 em oitavo com a Minardi. E Gaston Mazzacane fez dois décimos (Brasil e Itália) e um oitavo (Nürburgring) pelo mesmo time em 2000. Naqueles tempos, porém, só os seis primeiros pontuavam.

Mazzacane e Tuero: fariam pontos se estivessem correndo com o sistema atual

O fato é que a Williams não colocava seus dois carros entre os dez primeiros desde o GP dos EUA do ano passado. E foi esperta, a equipe. Mandou cada piloto com uma estratégia diferente. Alexander Albon largou de pneus duros. Colapinto, de médios. Funcionou. O tailandês foi o sétimo colocado, com o argentino logo atrás. O resultado levou o time ao oitavo lugar no Mundial de Construtores, deixando a Alpine para trás: 16 x 13.

E levou Colapinto ao mercado. O chefe James Vowles se derreteu pelo piloto e falou para quem quisesse ouvir: vai fazer tudo para garantir que ele corra em 2025. Onde? Na Audi/Sauber. Porque na Williams a dupla já está fechada com Albon e Sainz. Escrevi isso há semanas, quando a equipe mandou Sargeant passear: Colapinto passaria a ser o concorrente mais forte de Gabriel Bortoleto à vaga no futuro time alemão. Teria nove corridas para mostrar serviço. Já começou.

O NÚMERO DO AZERBAIJÃO

…vez na história que um pódio foi formado por três ex-campeões da F-2: Piastri (2021), Leclerc (2017) e Russell (2018). A outra foi em 1979 no GP da Inglaterra: Regazzoni (Williams), Arnoux (Renault) e Jarier (Tyrrell) haviam sido campeões, respectivamente, em 1970, 1977 e 1973. O GP da Bélgica de 2015 também teve três campeões da divisão de acesso, na época chamada de GP2: Hamilton (Mercedes), Rosberg (Mercedes) e Grosjean (Lotus), campeões de 2006, 2005 e 2011.

O Mundial de 2024 tem sido um dos melhores dos últimos anos. Há briga pelo título e a hegemonia irritante da Red Bull imposta na temporada passada e no começo desta já foi para o vinagre. Em 2023, a equipe austríaca venceu 21 das 22 corridas. Só perdeu em Singapura para a Ferrari. Três pilotos ganharam GPs: Verstappen, Pérez e Sainz. Neste ano, já são sete vencedores de quatro equipes diferentes: Verstappen (Red Bull, sete), Piastri e Norris (McLaren, duas vitórias cada), Hamilton (duas) e Russell (uma), da Mercedes, Sainz (uma) e Leclerc (duas), da Ferrari.

Ontem, carros de sete equipes pontuaram em Baku. Só Alpine, Sauber e Cadê a Maquininha? ficaram no zero.

Sainz: atrás do vácuo, acabou no muro

Quando um não quer, dois não batem. Mas quando os dois querem, os dois batem. Cunhei a frase ontem e repito hoje porque é muito boa. O acidente entre Sainz e Pérez na penúltima volta estragou a bela corrida que os dois faziam. Tudo começou quando Checo resolveu atacar Leclerc pelo segundo lugar. Bobagem. Na fase que vive, era melhor ficar quietinho e buscar um pódio que não vê desde o terceiro lugar na China, em abril. Passou o monegasco por fora, mas espalhou na curva 1, tomou o troco e ainda foi superado por Sainz, que vinha colado e tracionou melhor.

Na curva seguinte, o espanhol é que estava por fora, do lado sujo da pista, e foi a vez de Pérez tracionar melhor. Os dois tinham Leclerc adiante e resolveram pegar o vácuo da Ferrari #16 para chegar à frente na curva 3. Ambos tinham espaço para deixar para o outro. Nenhum quis alterar um milímetro a trajetória. Bateram. Quem quiser culpar Sainz por ter apontado o carro ligeiramente para a esquerda pode. Quem quiser culpar Pérez por não ter se deslocado mais para a esquerda, onde havia espaço à vontade, também pode.

Os comissários não culparam ninguém, os dois se espatifaram e deram um prejuízo desgraçado para suas equipes.

Quem saiu chateado de Baku achando que poderia ter vencido foi Leclerc. Ele explicou a derrota por dois pontos. Primeiro, disse que seu carro demora mais que a McLaren para chegar à temperatura ideal dos pneus. Fez seu pit stop uma volta depois que Piastri. Quando voltou à pista, ficou lento por pelo menos duas voltas. Oscar, por sua vez, já tinha aquecido os pneus pós-parada e chegou nele como um foguete. “Se eu não passasse naquela hora, não passava mais”, disse o australiano. Por isso foi tão decidido na hora de mergulhar e ganhar a posição. Aí vem o segundo ponto de Leclerc: “Eu deveria ter lutado mais para me defender. Achei que depois retomaria o ritmo quando os pneus estivessem bons e teria a chance de passar de novo. Mas subestimamos a velocidade de reta deles. Aí não deu mais”.

Essa velocidade de reta da McLaren anda causando um certo zunzunzum. Há quem desconfie que quando a asa móvel está fechada restam abertas duas pequenas frestas nas extremidades que reduzem o arrasto. Fiquemos atentos. Alguém vai acabar reclamando.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de Oliver Bearman, que arrancou um pontinho no final graças a um erro de seu companheiro Nico Hülkenberg, que fazia uma boa prova mas deu uma lambida no muro e, depois, bobeou tirando o pé antes do safety-car virtual ser acionado. Ali perdeu as posições para Hamilton e para Ollie, que não quis nem saber.

NÃO GOSTAMOS da Alpine, que resolveu arriscar uma estratégia meio doida de deixar seus pilotos na pista sem trocar pneus até o fim, esperando por um safety-car ou uma bandeira vermelha. Esteban Ocon largou dos pits e chegou em 15º. Trocou pneus na volta 49 das 51 da corrida. Pierre Gasly estava em 18º no grid e terminou em 12º. Seu pit stop foi feito na 50ª volta.

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NO BAKU NADA? (3)

Piastri na cabeça: vitória tão bela quanto difícil no Azerbaijão

SÃO PAULO (muito frio, esse moço) – Oscar Piastri é um sujeito bem estranho. Muito novinho, não demonstra contrariedade quando as coisas vão mal, tampouco se empolga muito nos momentos de justificada euforia escancarando sua boca cheia de dentes esperando a morte chegar. Está em seu segundo ano na F-1. Começou, em 2023, se arrastando com a McLaren nas últimas posições. Não dizia nada, não reclamava, não se queixava.

Aí a equipe melhorou um monte e hoje voltou à liderança de um Mundial, no caso o de Construtores, depois de mais de dez anos. E foi ele, Piastri, quem venceu o GP do Azerbaijão, em Baku. Comemorou com a animação de quem chega em casa depois de uma longa jornada de trabalho e nota que o elevador está só no segundo andar, e por isso não vai demorar muito para descer ao térreo. Pequenas alegrias da vida. Ganhar uma corrida, para o australiano, é apenas mais uma pequena alegria da vida. A de hoje foi a segunda dele na F-1.

QUANDO MESMO? – Sim, mais de dez anos. Foi em março de 2014 que, na prova de abertura da temporada, a McLaren liderou a tabela de pontuação pela última vez. Aquela corrida de Melbourne, a primeira da era híbrida na categoria, foi vencida por Nico Rosberg, da Mercedes. Mas seu então companheiro Lewis Hamilton quebrou. E a McLaren colocou Kevin Magnussen (!) e Jenson Button no pódio, somando 33 pontos contra 25 da equipe alemã. Na prova seguinte, na Malásia, a Mercedes fez dobradinha, virou o jogo e assim foi até o fim. Nunca mais a McLaren foi líder. Até hoje: foi a 476 pontos, contra 456 da estropiada Red Bull.

Uma vitória construída com uma única e decisiva ultrapassagem sobre Charles Leclerc na 20ª volta, e uma incrível tranquilidade até o fim da prova com a Ferrari #16 em seu cangote. O monegasco não conseguiu se recuperar e terminou em segundo. O pódio foi completado por George Russell, da Mercedes, posição que caiu em seu colo graças a um acidente entre Carlos Sainz e Sergio Pérez na penúltima volta, sobre o qual falaremos adiante. Lando Norris foi o quarto, depois de largar em 15º. E conseguiu chegar à frente de Max Verstappen, que teve uma atuação apagadíssima e terminou em quinto.

Ontem escrevi aqui que só por milagre, largando lá atrás, Norris chegaria na frente de Verstappen. E que, por isso, o holandês ampliaria sua vantagem na tabela. Não foi o que aconteceu, e nem precisou de milagre algum. Acho que superestimei a capacidade da Red Bull de fazer, pelo menos, uma corrida aceitável. O desempenho de Max foi ridículo. E, assim, o inglês descontou mais três pontos na classificação. Marcou 13, contra dez do #1. A diferença caiu de 62 para 59. Ainda está longe. Faltando sete etapas para o fim do campeonato, com três Sprints no meio do caminho, Lando precisa fazer uma média de 8,4 pontos mais que Verstappen por GP para chegar ao título. Para Max, cada corrida a menos será um alívio.

OUTRAS FAÇANHAS – A prova de Baku também será lembrada por duas façanhas. A primeira, de Oliver Bearman. O inglês foi o décimo colocado em seu segundo GP e pontuou em ambos por equipes diferentes, algo inédito na F-1. Tinha sido sétimo em Jedá pela Ferrari substituindo Carlos Sainz, que teve apendicite. Correndo no lugar do suspenso Kevin Magnussen hoje, repetiu a dose com a Haas, embora um pouco mais para trás. Será titular da equipe americana em 2025. A outra proeza foi de Franco Colapinto, da Williams. Também em seu segundo GP, terminou a corrida num ótimo oitavo lugar. Assim, um argentino voltou a pontuar na F-1 depois de mais de 42 anos. O último tinha sido Carlos Reutemann, segundo colocado no GP da África do Sul de 1982 pela mesma Williams.

E agora vamos saber como tudo isso foi possível na tarde quente e ensolarada da capital azeri.

A largada foi muito tranquila. Leclerc se segurou na ponta, com Piastri em segundo e Pérez, que partiu bem, em terceiro. Norris passou em 13º na primeira volta. Para ele era urgente entrar nos pontos. Na volta seguinte, já era 12º. A McLaren mostrava força. Na ponta, Charlinho, que havia disparado na primeira volta, na terceira já tinha Piastri em seus calcanhares. Mas a pressão durou pouco. O monegasco se aprumou e não permitiu que o australiano tentasse alguma coisa. Esse seria o cenário até a janela de pit stops.

Lando seguia em seu calvário. Foi só na oitava volta que, ao passar Bearman, se colocou entre os dez primeiros. Em 17º originalmente no grid, o vice-líder do Mundial ganhara duas posições graças à troca de motor de Hamilton (que largou dos boxes por isso) e a uma desclassificação de Pierre Gasly (irregularidade no fluxo de combustível na classificação). Não era muita coisa, continuava atrás, mas ajudava.

Largada: Leclerc mantém a ponta, com Piastri atrás

Na liderança Leclerc, na volta 10, tinha mais de 3s de vantagem sobre o papaia #81. O primeiro pit stop do pessoal da frente foi de Colapinto, na volta 11. Era oitavo, caiu para 15º. Como a maioria, o argentino largara com pneus médios. Seis foram de duros: Alexander Albon, Daniel Ricciardo, Norris, Guanyu Zhou, Gasly e Esteban Ocon. As paradas seguiram: Fernando Alonso na volta seguinte, Verstappen, Russell e Hamilton na 13ª, Pérez na 14ª. Pelas previsões da Pirelli, esse primeiro pit stop deveria acontecer mais para a frente, lá pela 19ª volta.

Piastri parou na volta 16 e conseguiu voltar à frente de Pérez, com quem disputava posição naquele momento. Cortesia de Norris, que sem pit stop ainda atrasou o mexicano da Red Bull por pelo menos uma volta. O líder parou nos boxes na volta 17. Sainz assumiu a liderança, mas na passagem seguinte fez sua troca e o companheiro retomou a ponta. Albon, ainda sem parar, era o terceiro.

As posições naturais dos três primeiros se restabeleceram na volta 19, quando Checo passou o tailandês da Williams: Leclerc, Piastri e Pérez. Oscar voltou a assediar a Ferrari, que com pneus duros não parecia ter o mesmo ritmo de antes. E na 20ª volta, na gigantesca reta de Baku, Piastri enfiou o pé no acelerador, abriu a asa, atrasou a freada, mergulhou por dentro e superou Charlinho, que ficou sem ação. A corrida tinha um novo ponteiro.

Ocorre que Oscar passou, mas não disparou. Leclerc ficou embutido nele, com Pérez colado nos dois. Mais para trás, na volta 23, Verstappen chegou em Norris, que estava em sexto sem ter feito seu pit stop, com pneus bem gastos. Perdeu tempo atrás dele. Bastante. Porque à frente dos dois estava Albon, igualmente sem parada. Max não conseguia passar Lando que não conseguia passar Alex. Essa era a situação. Uma demora que, como veríamos depois, foi determinante para que Verstappen terminasse a prova atrás do piloto da McLaren.

Russell: discreto, ganhou o pódio de presente

Na abertura da volta 29, Leclerc atacou Piastri para tentar a liderança de novo. O mclariano se defendeu bem. O trenzinho tinha Piastri, Leclerc e Pérez muito próximos. Sainz, em quarto, estava longe. Albon, Norris, Verstappen e Russell, de quinto a oitavo, formavam outro grupo com um fungando na nunca do outro.

Norris só conseguiu passar Albon quando a Williams chamou seu piloto para os boxes, na volta 32. Mas estava bonita, mesmo, a briga pela ponta. Volta atrás de volta Leclerc tentava passar Piastri, que se segurava com uma frieza de dar gosto. Pérez só observava. Em quinto, Norris seguia na pista sem nenhuma intenção de parar. Verstappen, em sexto, comia o pão que o diabo amassou. Pelo rádio, reclamava que seu carro saltitava na traseira e não tinha nenhuma aderência. Estava ruim, mesmo. Na volta 34, foi ultrapassado por Russell e caiu para sétimo.

O VELHO E NOS NOVOS – Parênteses para a volta 37, em forma de nova caixinha. Em 13º, Hamilton tinha à sua frente Bearman e Colapinto. Um conflito de gerações. Lewis, com idade para ser pai dos dois, não conseguia passar nenhum deles. Demorou um monte. E só passou um. Os dois garotos, afinal, sonhavam com pontos. Fecha a caixinha.

Na volta 38, finalmente, Norris parou. Voltou em sétimo, uma posição atrás de Verstappen, com 15s entre os dois. Faltavam 13 voltas. Havia uma chance real para Lando de chegar à frente de Max. Passara a ser seu único objetivo. Era preciso impor um ritmo forte. Com borracha bem mais nova, era possível.

Leclerc, enquanto isso, especulava atrás de Piastri. Vendo de perto o carro da McLaren, o monegasco passava boletins informativos pelo rádio, volta a volta. “Os pneus dele estão piorando”, “acho que Oscar está tendo algum problema”, “tive a impressão que ele tossiu”, “vejam aí se não está coçando o olho dele”. Mas Piastri seguia em primeiro, impassível. Pérez, o terceiro, já ficara um pouquinho para trás.

A dez voltas do final, na 41ª, a diferença de Verstappen, o sexto, para Norris, o sétimo, era de 10s6. O holandês queria que aquela coisa acabasse logo, mas teria de encarar o rival no final. Era pura matemática: Lando, com pneus novos, tirava 1s por volta da Red Bull. A ultrapassagem era inevitável. O que parecia algo inatingível, chegar na frente de Verstappen largando nove posições atrás, virava realidade.

Norris não fazia contas, porém. Só acelerava. Na volta 45, a diferença caíra para 5s. Na briga pela vitória, a Ferrari, pelo rádio, tentava animar Leclerc. “Vai que dá!”, “acelera!”, “pisa fundo!”, mas nada. Piastri, gelado, se mantinha na ponta sem se abalar. Até que a três voltas do fim Charlinho suspirou e desistiu. E na volta 49, previsivelmente, Lando passou Max e assumiu a sexta posição. Não houve resistência por parte do líder do campeonato.

Parecia que nada mais iria acontecer, mas na penúltima volta a corrida virou de cabeça para baixo. Porque Pérez apertou o ritmo, chegou em Leclerc, atacou o monegasco, passou, tomou o troco, e Sainz, que também tinha chegado no grupo, aproveitou e passou o mexicano. Checo tentou recuperar o posto, mas os dois se tocaram no meio da reta. Pérez ficou louco da vida. Com razão. Sainz ficou louco da vida. Com razão. Em automobilismo, quando um não quer, dois não batem. Mas quando os dois querem, os dois batem. Foi o caso. O safety-car virtual foi acionado.

Naquele momento Verstappen estava no box para colocar pneus macios e buscar o ponto extra da melhor volta. Não adiantou. Com todos lentos na pista, a corrida foi encerrada sob bandeira amarela. E a batida de Sainz e Pérez acabou premiando dois moleques: Colapinto e Bearman, que entraram nos pontos. Piastri, Leclerc e Russell foram para o pódio. O inglês da Mercedes herdou o terceiro lugar sem esperar. Norris, Verstappen, Alonso, Albon, Colapinto, Hamilton e Bearman completaram o grupo dos dez primeiros.

Final em Baku: Norris à frente de Verstappen

Semana que vem tem mais, o GP de Singapura. Lá, a Red Bull deve apanhar de novo. Foi nessa pista que, no ano passado, a equipe sofreu sua única derrota na temporada. Verstappen foi o quinto e Pérez, oitavo. A vitória ficou com a Ferrari de Sainz. O Mundial de Construtores, esse o time austríaco não recupera mais. Já está 20 pontos atrás da McLaren, 456 x 476, e para piorar ainda vê a Ferrari se aproximar, com 425. Se salvar o de Pilotos já estará de bom tamanho.

A esperança de Verstappen é que na última perna da temporada, a partir de Austin, sua equipe encontre uma forma de fazer seu carro andar de novo.

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NO BAKU NADA? (2)

Leclerc: quarta pole seguida no Azerbaijão

SÃO PAULO (Landinho, Landinho…) – Charles Leclerc está com tudo e não está prosa! Que delícia de frase extirpada dos porões empoeirados da minha memória literária e da música do Chacrinha! E que frase de merda!

Vou começar de novo.

Charles Leclerc confirmou a boa fase e menos de duas semanas depois de vencer o GP da Itália, em Monza, conquistou a pole-position para o GP do Azerbaijão, 17ª etapa do campeonato. Oscar Piastri, da McLaren, larga ao seu lado na primeira fila, com Carlos Sainz (Ferrari) e Sergio Pérez (Red Bull) na segunda. Os dois pilotos que lutam pelo título mundial da temporada estiveram longe do protagonismo no sábado quente de Baku. Max Verstappen (Red Bull), o líder, larga em sexto. Lando Norris (McLaren), o vice, em 16º.

Ficou melhor, mas sem graça. Vou fazer de novo.

Charles Leclerc enrabou todo mundo e fez a pole em Baku. Depois de ganhar em Monza, colocou a Ferrari na frente de novo. É sua terceira pole no ano, 26ª na carreira. E a quarta seguida no Azerbaijão, embora nunca tenha vencido essa corrida. Entre os dois que lutam pelo título mundial, Verstappen foi menos ruim: sexto no grid para o líder do campeonato, medíocre. Norris, vice-líder, conseguiu ser ainda pior. Com atuação patética, empacou no Q1 e larga em 16º, um vexame desgraçado. Colocou a culpa em bandeiras amarelas e saiu do autódromo resmungando contra o destino.

Pronto, vale essa.

Vale essa e resume bem o dia em Baku. A Ferrari vem tendo um ano de altos e baixos, mais baixos do que altos, e neste momento está no topo da montanha-russa. Venceu em casa há menos de duas semanas, uma surpresa, e hoje desbancou equipes que teoricamente estariam mais próximas da ponta, como McLaren, Red Bull e até Mercedes. Mas a McLaren, que fizera três das últimas quatro poles da temporada, espanou a porca já na sexta-feira. Ontem, lembrem-se, Norris ficou em 17º e mesmo dando a impressão de que estava escondendo o jogo foi de sua boca que saiu o vaticínio: “Nosso carro não é bom em todo tipo de pista como dizem por aí”, falou, com uma nuvem negra cheia de raios estacionada sobre sua cabeça.

Muito desanimado, o moço. Desse jeito não vai ser campeão nunca. OK, pode até não ser excepcional em todas as pistas, mas olha lá para o Piastri, meu filho! Larga em segundo. Não seria bom, diante das dificuldades da Red Bull nesta reta final de competição? Era uma chance de reduzir ainda mais a diferença nos pontos. Dançou. Mesmo em sexto, com um carro ainda complicado, Max vai ampliar sua vantagem. Só por milagre Norris, largando lá atrás, chega na frente do holandês. Que não é bobo e vai jogar com o regulamento debaixo do braço. Qualquer um faria isso.

É claro que é nos dois que estaremos de olho amanhã, embora nenhum deles vá ganhar a corrida. Mas alguém vai, e por isso essa prova deve ser boa, porque não tem favoritos. Explico adiante. Bem adiante, no final do texto. Mas agora vamos a um breve relado da classificação, para entender como é que se formou este grid azeri — gentílico refinadíssimo, diga-se.

Começou o Q1 e a Mercedes, curiosamente foi para a pista com pneus médios. Um risco. A 7min do final, Russell estava na zona da degola. Quem andava bem era Colapinto. O argentino chegou a liderar a tabela de tempos por alguns segundos e depois, na sua segunda volta rápida, se colocou em terceiro a 0s109 de Pérez, o primeiro colocado – o mexicano acabaria sendo superado no fim por Leclerc & outros. Nos últimos segundos da primeira parte da classificação, a Williams saltou de novo, com Albon em segundo e Colapinto em oitavo. Realmente impressionante.

A ideia de jerico da Mercedes, claro, foi deixada de lado. Jorginho e Hamilton trocaram os pneus médios por macios e se garantiram entre os 15 primeiros. Os tempos começaram a cair drasticamente e ao final do segmento, a surpresa: Norris eliminado, com o 17º tempo (larga em 16º pela desclassificação de Gasly, explicada abaixo). O inglês da McLaren cometeu um erro em sua última volta rápida e o resultado foi uma catástrofe para suas ambições de título. Entrevistado pela repórter Mariana Becker no chiqueirinho da zona mista, foi monossilábico. “Bandeiras amarelas”, grunhiu. Com ele ficaram fora do Q2 Ricciardo, Bottas, Zhou e Ocon.

Na frente, Leclerc fez 1min42s775 e foi o mais rápido, seguido por Albon, Piastri, Gasly, Hamilton e Verstappen nas seis primeiras posições. O quase estreante Oliver Bearman, que tinha batido de leve no último treino livre, avançou em 14º com a Haas. Também ganhou uma posição no grid pelo problema com Gasly. Um bom resultado, assim como o de Colapinto. A molecada mandou bem.

Sainz e Leclerc: Ferrari com boas chances de vitória

A Red Bull deu algum sinal de vida no início do Q2. Verstappen e Pérez cravaram 1-2 na primeira saída dos boxes, com 1min42s042 para o holandês. Leclerc se colocou entre os dois só nos últimos instantes. A Williams seguia surpreendendo, especialmente com o hermanito Colapinto, que terminou em sexto. Ao final, Verstappen, Leclerc, Pérez, Russell, Alonso, Colapinto, Sainz, Piastri, Hamilton e Albon passaram. Bearman, Tsunoda, Gasly, Hülkenberg e Stroll ficaram para trás.

Colapinto em sexto. Nunca tinha andado nessa pista, o rapaz. Um desempenho que chama a atenção. E Bearman, embora não tenha avançado ao Q3, larga na frente do veterano companheiro de equipe. Também é digno de nota. A molecada está mandando bem mesmo.

Com Norris fora da briga desde o Q1, fiquei com a impressão de que Verstappen deu uma acalmada. Ele tinha começado a classificação praguejando contra o carro. “Estou em lugar nenhum!”, disse, expressão que, a partir do original em inglês, poderia ser traduzida como “tô fodido com essa merda!”. O que era esperado. Baku e Singapura, escrevi aqui depois do GP da Itália, seriam sessões de testes de luxo para a Red Bull se aprumar a partir de Austin. E tem sido assim. Mas, questões técnicas à parte, as coisas começaram a melhorar para o líder do campeonato com a debacle do #4 da McLaren hoje.

P1 no grid em Baku: nas três anteriores, Charlinho não venceu

Assim, foi com algum conformismo que Max encarou o sexto lugar provisório na primeira saída dos boxes no Q3. A temperatura tinha caído um pouco, com as nuvens expulsando o sol forte. No asfalto, foi de 38°C no início da classificação para 34°C. A Ferrari largou bem e fez os dois melhores tempos logo de cara, com Leclerc entrando na casa de 1min41s610. O momento Trapalhões aconteceu quando Albon saía dos boxes para sua segunda volta rápida. A Williams esqueceu o ventilador que fica acoplado na entrada de ar sobre a cabeça do piloto, cheia de gelo seco. O tailandês, na saída do pitlane, percebeu, conseguiu tirar o aparato do cocuruto e entregou a gigantesca peça a um fiscal. No momento em que escrevo, a FIA analisa se punirá o piloto por ter sido liberado da garagem em situação de risco. Faz algum sentido – aquilo podia cair na pista. Mas ele conseguiu tirar, não caiu no meio da pista, todos se salvaram podiam pegar leve… Tomara que seja apenas uma multa.

Leclerc voltou a virar muitíssimo bem na sua segunda volta rápida, cravando 1min41s365. Um tempo imbatível. Piastri foi o segundo a distantes 0s321 dele. O equilíbrio que vinha sendo registrado nos treinos livres, com menos de 1s separando os mais rápidos, desapareceu nas mãos e pés do monegasco. Sainz larga em terceiro, com Pérez em quarto. É a primeira vez no ano que o mexicano larga na frente de Verstappen. Russell foi o quinto. Max, embora tenha melhorado um pouquinho na sua segunda volta, terminou em sexto. A diferença dele para a pole foi de intransponíveis 0s658. Hamilton, Alonso, Colapinto e Albon fecharam o grupo dos dez primeiros. É a primeira vez que a Argentina tem um piloto entre os dez primeiros no grid desde o GP do Brasil de 1982 — Carlos Reutemann largou em sexto, com a mesma Williams.

Os tempos em Baku: Leclerc desequilibrou

Gasly perdeu seu razoável 13º lugar ao ser detectada uma irregularidade no fluxo de combustível para o motor e larga em último. Todos atrás dele sobem uma posição. Inclusive Norris que, reforçando, parte em 16º. Não há favoritos para a corrida de amanhã. Leclerc não conseguiu grande coisa a partir da pole nos últimos três anos em Baku: foi quarto em 2021, quebrou em 2022 e terminou em terceiro no ano passado. Piastri pode pensar em vitória, já que não precisará se preocupar em ajudar Norris e tem carro para ganhar. Não se deve descartar totalmente Pérez, duas vezes vencedor no Azerbaijão. A Mercedes parece um pouco distante, mas vai que…

Verstappen? Como já dito, não é besta. Vai perguntar a cada cinco minutos onde está Norris. Terminando na frente dele, volta para casa contente. Com um detalhe nada irrelevante: se Leclerc vencer, o que é plenamente possível, e Landinho não pontuar, idem, o campeonato terá um novo vice-líder. O ferrarista tem 217 pontos e pode ir a 242. Norris tem 241.

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NO BAKU NADA? (1)

Leclerc: bateu num treino, foi o mais rápido no outro

SÃO PAULO (o apocalipse chegou) – Pista muito suja, calor, pressão dos pneus excessivamente alta por recomendação da Pirelli. Resultado: aderência próxima do zero. No fim, o primeiro dia de treinos em Baku mostrou tempos muito acima dos registrados no ano passado. A pole de Leclerc em 2023 foi feita em 1min40s203. Hoje, o monegasco foi o mais rápido do dia com 1min43s484. Na média, a turma foi 4s mais lenta do que na última temporada. A tendência é de enorme melhora amanhã, na medida em que o circuito for ficando mais emborrachado e limpo.

Foi uma sexta-feira normal, sem grandes aberrações na tabela de tempos. Mas não deixou de ser estranho o desempenho de Norris, 17º no segundo treino livre. O inglês da McLaren disse que a pista de Baku, urbana, mostrou que seu carro não é um espetáculo em qualquer tipo de pista, como andam dizendo por aí.

Será? Piastri ficou em quinto. Tive a impressão que Landinho está fazendo graça. Amanhã luta pelas duas primeiras filas fácil.

Os tempos do segundo treino: Ferrari na frente

Quem andou bem foi Pérez, que já venceu duas vezes em Baku e tem cinco pódios no circuito. Se tem uma pista em que dá para dizer que o mexicano tem um desempenho acima do habitual, é essa. Foi o segundo colocado, apenas 0s006 atrás de Charlinho. Verstappen ficou a 0s545 do piloto da Ferrari. Podia pedir umas dicas. Aliás, não se espantem se Pérez fizer a pole. Não está fora de cogitação, não.

Isso porque já deu para ver que a Red Bull não será um desastre no GP do Azerbaijão, como foi em Monza. Ao contrário. Max ficou animado com o primeiro dia e vai mirar em Norris o fim de semana todo. Se ficar na frente dele já estará de bom tamanho. Nem que seja de pouquinho em pouquinho, ao holandês só interessa aumentar a diferença de 62 pontos. E que o campeonato acabe logo. Ainda que não vença mais nenhuma prova.

Equilíbrio mesmo, hoje, só entre os três primeiros. Depois de Leclerc e Pérez veio Hamilton, a 0s066 do líder. Gostou do carro. O mesmo não se pode dizer de Russell, nono colocado. Teve de trocar o motor na segunda sessão e perdeu tempo de pista.

Quem também andou menos do que poderia foi o próprio Leclerc. Ele bateu no primeiro treino e perdeu meia hora de trabalho. Depois, no segundo, reclamou que o carro estava torto e foi para os boxes resmungando. Tinha razão. De acordo com a Ferrari, o problema estava no volante. Ficou mais tempo parado até descobrirem o defeito mas, no frigir dos ovos, conseguiu a primeira posição do dia.

Outro que bateu no primeiro treino foi Franco Colapinto, da Williams. “Erro de estreante”, penitenciou-se. Mas foi bem, o argentino, quando comparado com seu companheiro Albon. Mesmo tendo perdido o final da primeira sessão, ficou na frente do tailandês: 16º, contra 17º do parceiro. No segundo treino, terminou em 14º, uma posição atrás de Albon. No cronômetro, a diferença foi de meros 0s012.

E teve estreia na Haas. Oliver Bearman, que fez seu primeiro GP pela Ferrari em Jedá, no lugar de Sainz, assumiu o carro do suspenso Magnussen. Bearman já está confirmado como titular do time americano para o ano que vem. Andou bem: 11º na primeira sessão, décimo na segunda. Hülkenberg, seu companheiro, ficou em 12º e oitavo.

Fora da pista, as novidades até aqui em Baku são que a McLaren decidiu priorizar Norris na luta pelo título (oh, que inteligentes!) e Helmut Marko disse que a Aston Martin seria um caminho natural para Verstappen no futuro.

E sem mais para o momento, preciso trocar o óleo do meu TL. Nos vemos às 19h no YouTube.

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ASTON NEWEY

SÃO PAULO (grande jogada) – O mistério durou coisa de quatro meses, depois do anúncio da saída da Red Bull: para onde iria Adrian Newey?

O destino óbvio era a Ferrari. Houve conversas, como confirmou Frédéric Vasseur. Passou perto. No fim, prevaleceu a força do francês, que não queria alguém com plenos poderes técnicos em Maranello. Williams e Aston Martin estavam na fila. A Williams, sempre disse aqui e nas nossas lives no YouTube, era só espuma. Não tinha condições de oferecer muita coisa ao projetista. Já a Aston Martin…

A Aston Martin levou Newey, em junho, para conhecer sua nova fábrica. Fica em Silverstone, onde nasceu a Jordan — que deu origem à equipe atual. O cicerone foi Lawrence Stroll, bilionário canadense que comprou a Force India em agosto de 2018 por US$ 117 milhões e assumiu uma dívida de pouco menos de US$ 20 milhões para não deixar o time ir à falência. Stroll rebatizou a equipe como Racing Point e em 2021 transformou-a em Aston Martin, já que é um dos maiores acionistas da montadora inglesa.

Então, começou a gastar. As instalações que encantaram Newey formam o AMR Technology Campus, que incluem fábrica, escritórios e um novo e moderníssimo túnel de vento que entra em operação no ano que vem. Além de lindos jardins e lago com carpas. A Aramco, petrolífera estatal da Arábia Saudita, passou a ser sócia de Stroll-pai (não nos esqueçamos nunca que ele comprou uma equipe para deixar seu filho Lance correr em paz) no time. A Honda será sua parceira técnica a partir de 2026. Hoje está na Red Bull, disfarçada. Faltava alguém como o engenheiro britânico, que tem o currículo mais vencedor da história da F-1. Não falta mais.

Newey será acionista da Aston Martin, além de receber um ordenado cujo valor tem sido especulado entre US$ 25 milhões e US$ 40 milhões por ano por quatro temporadas, inicialmente. Mas a nomeação do projetista como Managing Technical Partner, título oficial, mostra que sua relação com a Aston Martin irá além da condição patrão-funcionário. Assim, calcular quanto ele vai ganhar é tarefa cujo resultado nunca será dos mais precisos. Vai ter muito chute por aí.

“Assim que Adrian ficou disponível, eu sabia que tinha de fazer acontecer”, disse Stroll-pai hoje, lembrando de sua saída do time dos energéticos em maio. “Quando ele viu o que fizemos em Silverstone, entendeu rapidamente onde queremos chegar.” Segundo o dono da equipe, a visita à nova fábrica foi decisiva para Newey aceitar o que lhe fora proposto. Ele ficou impressionado com o que viu. E como escrevi aqui na semana passada, tudo que pediu Lawrence topou.

De acordo com Newey, que começa a trabalhar para valer em 1º de março de 2025, tudo conspirou para que o convite da Aston Martin acabasse sendo aceito. Tem o novo pacote de regras de 2026, que incluem chassis e motores, e ele gosta de começar projetos do zero. Tem também o trabalho de integração com a Honda e o desenvolvimento de novos combustíveis com a Aramco. O novo túnel de vento foi descrito como “empolgante”. Além de muita grana, liberdade para fazer o que quiser e montar sua equipe como bem entender, seguir morando na Inglaterra e trabalhar com alguém como Fernando Alonso — a quem passou boa parte da vida tentando derrotar. “Lawrence está determinado a construir uma equipe vencedora. Sua paixão e seu comprometimento são muito grandes. Ele é o único dono majoritário de uma equipe na F-1 que está ativamente engajado no esporte”, falou em entrevista coletiva hoje pela manhã. “Eu precisava de um novo desafio.”

Newey chegou à F-1 em 1980 pelas mãos, vejam só, dos irmãos Fittipaldi, na Copersucar. Depois foi para a Indy. Voltou à Europa em 1987 para trabalhar na March e em sua sucessora, a Leyton House. Em 1991 foi contratado pela Williams. Em seis temporadas, até 1996, seus carros ganharam quatro Mundiais de Construtores e ficaram duas vezes em segundo. De 1997 a 2005 vendeu sua genialidade à McLaren. Em nove anos, um título de Construtores e quatro vices. No fim de 2005 cerrou fileiras com a Red Bull, onde em quase duas décadas de serviços prestados ganhou seis títulos entre as equipes e entregou cinco vices. No total, contando títulos de Pilotos e Construtores, os carros de Newey na F-1 foram 25 vezes campeões.

É um sujeito que vale cada centavo. Com sua liderança técnica, estrutura prestes a entrar em funcionamento, dinheiro ilimitado e parcerias como as da Honda e da Aramco, é bem provável que a Aston Martin atinja o objetivo estabelecido por Lawrence quando resolveu entrar de cabeça no negócio da F-1. A saber: se tornar uma das grandes e ser campeã. Mas ele tem os pés no chão. Sabe que, em algum momento, vai precisar de alguém para conduzir o fruto de seu trabalho às taças e conquistas. Esse alguém não será o filhote Lance, um piloto de recursos limitados que talvez nem estivesse na F-1 se não fosse quem é. Nem Alonso, que possivelmente não terá tempo de desfrutar do que está sendo erguido agora em Silverstone — aos 43 anos de idade, tem consciência de que a aposentadoria tende a chegar antes dos resultados.

Por isso, preparem-se. Lawrence, como se viu hoje no anúncio da chegada de Newey, quer o melhor que o dinheiro pode comprar para seu time.

E o melhor que o dinheiro pode comprar atualmente se chama Max Verstappen.

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BAKU À VISTA!

Eis os horários para vocês não se perderem no fim de semana!

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LEILÃO DO MUSTANGÃO

O Mustang pintado por Alan Mosca (esq.): leilão para a Gerando Falcões

SÃO PAULO (aplausos) – Se vocês não sabem, saibam: o Mustang está fazendo 60 anos e a Ford realiza várias ações no mundo inteiro para comemorar a efeméride. Aqui, a iniciativa é mais do que nobre. A montadora doou um Mustang GT Performance para ser leiloado, com arrecadação destinada à ONG Gerando Falcões — que atua no combate à pobreza em comunidades por todo o Brasil.

O detalhe que torna esse carro ainda mais especial: pintura idealizada e feita pelo querido Alan Mosca, do estúdio/ateliê que dispensa apresentações para nosotros que vivemos no automobilismo.

O leilão vai até 14 de outubro. Aqui tem mais informações e aqui o link para participar do leilão. Vamos ajudar!

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