FOTO(S) DO DIA

A semana em Ímola foi pródiga em homenagens a Senna (e, em menor escala, a Ratzenberger). Comandadas por Vettel, culminaram com umas voltas que ele percorreu hoje a bordo do MP4/8, o lindo McLaren de 1993. Carregou bandeiras do Brasil e da Áustria, emocionando todo mundo.

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MOTOLAND

Foto e mensagem enviadas pelo blogueiro Mauro Brisola:

Cruzando a Beira Interior Norte de Portugal, em Trancoso, encontrei uma moto que, arrisco dizer, ficaria muito bem na tua coleção. Lindamente desgastada e em pleno uso.

Trancoso… De onde saíram os Gomes da minha família que vieram dar aqui.

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IMOLINHAS (2)

Verstappen: oito pole seguidas, como Senna

SÃO PAULO (impressionante) – Max Verstappen igualou hoje em Ímola um recorde que já tem 35 anos na F-1. Fez a sétima pole-position em sete corridas neste ano e chegou a oito consecutivas, contando a última da temporada de 2023, em Abu Dhabi. A marca de oito seguidas só tinha sido conseguida uma vez na história da categoria, por Ayrton Senna. O brasileiro, então na McLaren, fez a sequência entre os GPs da Espanha de 1988 e dos EUA de 1989.

O holandês, de quebra, igualou outra marca bem duradoura, de sete poles nas sete primeiras corridas de um campeonato. O dono isolado desse recorde, agora dividido com Verstappen, era Alain Prost. Pela Williams, o francês conseguiu o feito em 1993.

Foi uma linda classificação, essa para o GP da Emilia-Romagna. Porque mostrou como uma equipe e um piloto são capazes de virar um jogo que parecia perdido na véspera. Verstappen e a Red Bull começaram muito mal o fim de semana, andando mais de meio segundo atrás da Ferrari e da McLaren, sem grandes perspectivas de mudança. Max, nos dois treinos livres da sexta e também no primeiro de hoje, comeu o pão que o diabo amassou. Teve de domar um carro instável e imprevisível, cometeu erros incomuns, quase bateu mais de uma vez, mas no último instante foi buscar o que lhe era de direito. Das 39 poles de sua carreira, talvez tenha sido a mais difícil de todas.

Então, vamos contar mais um capítulo da incrível carreira desse rapaz que é uma máquina de correr de carro.

Tsunoda: mais uma vez, ótima classificação

O sábado ensolarado de Ímola apontava nos termômetros 24°C e 43°C no asfalto, temperatura que sempre preocupa um pouco por causa das janelas limitadas de funcionamento dos pneus.

O Q1 foi interessante. Se é verdade que Verstappen e a Red Bull melhoraram bem em relação aos treinos livres, era claro também que teriam concorrência, desta vez. McLaren e Ferrari vinham mostrando velocidade desde os primeiros treinos e não negaram fogo. Os carros vermelhos ainda se deram ao luxo de sair com pneus médios. E fizeram voltas bem convincentes, a menos de 0s2 dos líderes Norris, Piastri e Max — os três, com pneus macios, disputaram os melhores tempos.

Ao final do primeiro segmento da classificação, Bottas, Zhou, Magnussen, Alonso e Sargeant foram os eliminados. E Nico Hülkenberg apareceu nos últimos segundos com uma volta espetacular para assumir a primeira colocação. Logo depois Verstappen o superou por 0s079, com 1min15s762. Leclerc também passou o alemão da Haas e foi para segundo, ainda com pneus médios. Por conta da diferença de borracha, o monegasco colocava-se como candidato à pole, com seu companheiro Sainz correndo por fora. Tsunoda em quarto e Gasly em oitavo foram as outras surpresas do Q1. E Hamilton bateu na trave, passando em 15º.

Nota de rodapé para Alonso: o espanhol bateu no último treino livre e a Aston Martin trabalhou loucamente para aprontar seu carro a tempo para a classificação. Ele conseguiu ir à pista faltando seis minutos para o fim do Q1 e já na primeira tentativa foi parar na brita. Parecia um novato ansioso para mostrar serviço. No fim, não conseguiu nenhuma volta decente e vai largar na última fila. É a terceira vez no ano que larga atrás de seu companheiro Stroll, que não é lá essas coisas. No ano passado, ele tomou tempo do parceiro três vezes no campeonato inteiro.

No Q2, a primeira volta voadora de Verstappen foi cronometrada em 1min15s386. Um espanto, considerando o tanto que o RB20 estava indócil ontem. Leclerc conseguiu bater o holandês por 0s058 e, na sequência, creiam, Tsunoda também. Como estavam todos muito próximos, tudo indicava que ia ter briga, mesmo: de Leclerc, o líder até ali, a Piastri, o quarto, apenas 0s079 de diferença.

Mas, no final, Verstappen passou a régua de novo e virou 1min15s176, deixando Charlinho em segundo e Tsunoda em terceiro. O vexame, sempre tem um, foi de Pérez: abriu a fila dos degolados em 11º, seguido por Ocon, Stroll, Albon e Gasly. “Que tragédia”, disse o mexicano pelo rádio, depois de uma volta tenebrosa voando por cima de todas as zebras de Ímola e perdendo tempo em todas elas.

Na mureta da Red Bull, todo mundo concordou com ele em silêncio.

Com a Aston Martin distante da briga e Checo decepcionando, o grupo dos dez primeiros que avançou ao Q3 contou com as duplas de McLaren, Ferrari, Mercedes e Se Der Pra Parcelar Eu Quero. Red Bull e Haas seguiram adiante com um piloto cada. Aqui, vale uma menção a Hulk. Os executivos da Audi devem estar muito felizes. Acertaram no alvo ao contratar o veterano já para o ano que vem, quando começa a transição da Sauber para a montadora das quatro argolas.

Verstappen foi o primeiro dos favoritos a sair dos boxes no Q3. Fez 1min14s869, um temporal. Norris ficou perto, a 0s073 dele. A Ferrari, de quem muito se esperava, não impressionou: Leclerc em terceiro, Sainz em quinto. Na segunda leva de voltas rápidas, ambos teriam de operar algum milagre. Milagre que Max já tinha feito, diante da desgraça que estava seu carro na abertura dos trabalhos em Ímola.

E o tricampeão repetiu a dose. Baixou seu tempo mais ainda, para 1min14s746, em sua segunda volta voadora. Contou com um vácuo camarada de Hülkenberg que pode ter sido decisivo. A Ferrari não chegou nem perto. A McLaren, sim. Piastri ficou em segundo, com Norris em terceiro. O australiano, a apenas 0s074 do #1 da Red Bull; o inglês, vencedor da última corrida em Miami, a 0s091. Leclerc ficou em quarto, 0s224 atrás do pole. Foi seguido por Sainz, a 0s487. Depois vieram Russell, Tsunoda, Hamilton, Ricciardo e Hülkenberg fechando o top-10.

Pouco depois da classificação, Piastri foi punido por atrapalhar Magnussen no Q1 e perdeu três posições no grid, caindo para quinto. Norris, Leclerc e Sainz ganharam uma posição cada.

O grid final em Ímola: Piastri cai de segundo para quinto, Ferrari na segunda fila

Max, que não costuma comemorar poles com muito entusiasmo, vibrou mais do que o normal ao sair do carro. Sabia que ele e sua equipe tinham sacudido a poeira e dado a volta por cima graças à criatividade de seus engenheiros e ao talento assombroso de seu piloto.

“Realmente o fim de semana estava muito difícil até hoje de manhã”, admitiu Verstappen. “Eu não esperava [a pole]. Mexemos em algumas coisas antes da classificação e deu certo. Foi tudo muito no limite. É um grande começo de temporada e é muito especial igualar essa marca [de Senna] aqui, 30 anos depois do acidente. É uma honra fazer o mesmo que ele, que era um piloto muito bom em classificação.”

Resumindo, Max hoje esteve à altura de Senna naquilo que o brasileiro tinha de melhor: buscar uma pole com a volta perfeita, ainda que improvável, às vezes. Foi o que fez Verstappen. Um monstro.

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IMOLINHAS (1)

Tempos em Ímola: finalmente Red Bull mal!

SÃO PAULO (gostamos) – Finalmente uma novidade. Abro o resumão de hoje com os tempos, em vez de uma foto linda, porque é nessa tabela que está a chave para o GP da Emilia-Romagna em Ímola. A Red Bull foi mal! E muito mal. Verstappen em sétimo a mais de meio segundo de Leclerc é coisa demais. Há explicações? Várias.

A começar pela Ferrari. O pacotão aerodinâmico que a equipe inaugura na Itália funcionou. Verdade que Sainz ficou longe de Charlinho, mas a referência tem de ser o mais rápido, não o mais lento. E deu Leclerc nas duas sessões livres — este fim de semana não tem Sprint, é treino para valer, andar o máximo possível, avaliar tudo que der.

Muita gente está com novidades em Ímola, e Ferrari e Mercedes foram as que saíram mais otimistas depois de duas horas de prática, testando tudo que foi trazido para a abertura da temporada europeia de 2024. A Red Bull também atualizou o carro, mas Verstappen odiou tudo. Não conseguiu encaixar uma volta boa, falou que o carro dança para todos os lados e está muito fácil cometer erros. E ele cometeu vários, passeando na brita mais de uma vez. Resumo de seu dia, em suas palavras: “Temos de trabalhar muito se quisermos ser competitivos aqui”.

O que fez a Red Bull andar mal? Talvez as características de Ímola, um circuito muito ondulado que exige que os carros fiquem um pouco mais altos em relação ao solo. O RB20 parece sofrer mais que os outros nessa situação. E ainda tem o vento forte, de rajadas, que atrapalha. Mas o vento está lá para todo mundo, alguém há de argumentar, com razão. Só que carros mais sofisticados em termos aerodinâmicos acabam sendo mais afetados.

Sainz: não tão bem quanto Leclerc, mas otimista com a “nova” Ferrari

O tempo de Leclerc na segunda sessão foi de 1min15s906. O monegasco foi o único a andar abaixo de 1min16s, deixando o segundo colocado, Piastri, a 0s192 de distância. É bastante, por se tratar de uma pista com voltas curtas no cronômetro.

Surpresa do dia foi Tsunoda em terceiro. A cada corrida o japonês da Vai Querer Sua Via? reforça a impressão de que seu futuro está garantido na categoria, seja onde está, seja na Aston Martin no futuro, com o apoio da Honda. Outro que andou direitinho foi Oliver Bearman com a Haas, no primeiro treino livre. Está sendo preparado para assumir um carro da equipe no ano que vem, com o apoio da Ferrari, dona de seu passe.

A Mercedes foi bem com Hamilton e Russell em quarto e quinto. Lewis elogiou o carro, falou em “direção certa” nas atualizações e sonha com pódio. Algo que está distante da Aston Martin, porém. Alonso disse que ainda tem de avaliar direito as modificações feitas nos carros verdes, mas descartou brigar lá na frente.

A classificação amanhã é muito importante, porque Ímola não é um circuito de ultrapassagens fáceis. A torcida da Ferrari, depois do resultado de hoje, estará em peso nas arquibancadas do velho autódromo empurrando seus pilotos, festejando Hamilton — que estará de vermelho no ano que vem — e zicando Verstappen.

Vamos ver se o holandês será capaz de tirar algum coelho da cartola. Mas ainda que a Red Bull não faça a pole e ande mal no fim de semana, cuidado antes de decretar a decadência da equipe. É apenas a sétima etapa do Mundial. Max ganhou quatro das seis disputadas. Ano passado, foi mal em Singapura. No resto, foi bem em todas. E não teve GP da Emilia-Romagna. O time tem uma cota de pistas onde não será dominante neste ano, é normal. E são poucas. Pode ser que Ímola seja uma delas.

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ALBON FICA

SÃO PAULO (aos poucos) – É de ontem, mas merece o registro. E vamos retomando nossa vidinha aqui. Alexander Albon ficará na Williams mais alguns anos. Ele chegou à equipe em 2022, resgatado de um período fora da categoria por decisão da Red Bull, que era dona de seu contrato.

O novo compromisso, de acordo com o time inglês, é de longo prazo. O tailandês preferiu não esperar as movimentações previstas na Mercedes, Red Bull, Alpine, Haas, Sauber/Audi, Crédito ou Débito e Aston Martin. Em todas elas alguma coisa vai acontecer em 2025 — a exceção talvez seja a última, que deve ficar com Alonso e Stroll, mesmo. Aliás, até na Williams algo vai acontecer, já que Sargeant deverá sair — ou depois de agosto, ou no ano que vem.

Fez bem, Albon? Eu esperaria mais um pouco. Mas é muito clara a sintonia entre ele e James Vowles, o chefe da equipe. Está acreditando num projeto. Cada um sabe de si, não é mesmo?

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NAS ASAS

O Boeing 727-200F da Total: um dos mais antigos em operação

SÃO PAULO (sou assim, sim) – A imagem do Boeing da Total sozinho no Salgado Filho, em Porto Alegre, me comove desde a semana passada. Foi o único deixado para trás na área completamente alagada do aeroporto, que vai demorar bastante para funcionar novamente. Tomara que se salve, o avião.

Essa aeronave, um 727-200F, é uma das três desse modelo que a Total opera como cargueiro. Foi fabricado em 1978 e é um dos mais antigos em atividade comercial no Brasil — a Total tem um 1976, o PR-TTO, que está a salvo em Guarulhos. Quem o vê assim, como um Caramelo de asas, esperando pelo resgate — que virá, uma hora –, não tem ideia de sua trajetória nos ares.

O PR-TTP foi registrado pela primeira vez pela Hughes Airwest do lendário Howard Hughes, milionário norte-americano que, entre outras coisas, foi dono da TWA — seu perfil pode ser visto aqui. Depois serviu nas Filipinas, nos EUA, no Equador e na Bolívia antes de ser incorporado pela Total por aqui.

Aos 46 anos de vida, segue prestando serviços com dignidade. Acho que a água não atingiu os dois motores traseiros laterais. Vai dar algum trabalho, mas poderá ser recuperado. Que não seja esquecido.

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O FUSCA CHINÊS

SÃO PAULO (que maravilha) – Algumas histórias de automóveis são realmente fantásticas. Quando fui à China pela primeira vez, em 2004, tudo me pareceu um espanto: o tamanho do país, o trânsito, a quantidade de gente e de bicicletas, os prédios enormes, obras por todos os lados, o autódromo gigantesco.

Mas nada me chamou tanto a atenção quanto a quantidade de… SANTANAS nas ruas! Sim, nosso VW Santana, que depois vim a saber que eram produzidos lá mesmo, e não na fábrica da Anchieta.

Isso foi em 2004. A maioria dos chineses não sabia guiar. Grande parte nunca tinha entrado num carro na vida. O cidadão médio estava começando a aprender a dirigir e se não tivesse buzina em seu carro ele não andaria dez metros. Vinte anos depois, o país é a maior potência da indústria automobilística mundial, faz veículos impressionantes, a tecnologia de ponta causa inveja aos europeus, japoneses e americanos, os caras vão dominar o planeta.

Mas vinte anos atrás andavam de Santana. Sim, o nosso Santana! Esse das fotos. Modelo que, para os chineses, tem a mesma importância na linha do tempo de sua indústria que teve o Fusca para nós.

E para entender como é que tudo começou, precisa ler este texto espetacular do nosso Jason Vôngoli no “Motor1”.

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LADALAND

SÃO PAULO (tristeza) – Recebi as fotos do blogueiro João Procópio Coelho Neto, com a mensagem abaixo. Tudo que respondi foi: “Tadinho”. A placa é de João Pessoa. Se estivesse perto, eu buscava e dava um teto a esse bichinho. Morro de dó, de verdade.

Boa tarde Flavinho. Meu nome é João, moro em Santa Cruz do Capibaribe, interior de Pernambuco. Achei esse Lada encostado. Acompanho você na Placar TV todos os dias, sei que você é fã de Lada.

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SEXTANEWS

SÃO PAULO (e tem coisa…) – Vamos fazer um resuminho da semana porque tem bastante coisa acontecendo no mundo dos carrinhos que correm. Acontecendo. Gerúndio. Porque de acontecido, mesmo, não é tanta coisa assim. E começamos com fato consumado no rali que, acreditem, pode respingar na F-1. Vocês já vão entender. Preparem-se para uma pilha de caixinhas coloridas.

Sainz pai: fora da Audi

PAPAI FOI EMBORA – Carlos Sainz, o pai, era tido como um atalho para levar o filho à operação de F-1 da Audi, que estreia oficialmente em 2026. Não é mais. Aos 62 anos, o veterano piloto de rali assinou com a Ford para fazer a próxima edição do Dakar — na qual defenderá seu título, conquistado com a Audi no começo deste ano. Papai Sainz, assim, volta à marca pela qual estreou no WRC em 1987 com um Sierra RS. Em 1990 e 1992, já na Toyota, foi bicampeão mundial de rali, voltando para a turma do oval azul duas vezes, em 1996/97 e de 2000 a 2002. Subaru, Toyota e Citroën (esta, três vezes) ganharam títulos mundiais de construtores com Sainz em suas fileiras. No currículo, o espanhol ostenta ainda quatro vices no WRC e quatro vitórias no Dakar (em 2010, 2018, 2020 e 2024, respectivamente com VW, Peugeot, Mini e Audi).

ONDE MESMO? – Sim, Ford. Ford que, a partir de 2026, será a fornecedora oficial de motores para a Red Bull. De acordo com a imprensa espanhola, Sainz, o filho, recebeu um prazo dos alemães de Ingolstadt para dizer se Ford ou vai de Simca — no caso, Audi, mas estraga o trocadilho. Até o GP de Mônaco. Mas o atual piloto da Ferrari está empurrando com a barriga para ver o que será de Max Verstappen. A Mercedes ainda não desistiu dele. E, ainda na Red Bull, Sergio Pérez não está garantido. Neste momento, a prioridade de Sainz é a Red Bull. A segunda opção é a Mercedes. Mas ele também não é a primeira opção de Toto Wolff, que sonha com Max e não descarta Andrea Antonelli, o garoto da F-2.

MAIS VALE UM… – Os últimos acontecimentos indicam que Sainz está se afastando da Audi, porque sabe que um projeto desse tamanho pode levar tempo para engrenar. E num mercado aquecido como agora, seu nome é, pelo menos, cogitado por gente importante. A questão é que ele tem de tomar uma decisão diante do velho dilema proposto por mais um dito popular: mais vale um pássaro na mão do que dois voando. No seu caso, o pássaro na mão é a Audi. Mercedes e Red Bull podem voar sem aviso prévio.

PLANO B – A Audi, por sua vez, já tem um plano B para o caso de Sainz refugar. É Esteban Ocon, que já fez chegar à Alpine seu desejo de sair da equipe — o contrato dele com os franceses termina no fim deste ano. Ocon tem mostrado maturidade e serenidade neste ano, apesar de dirigir um carro abaixo da crítica. E fez o primeiro ponto do time domingo em Miami.

DE SAÍDA – Outro que quer se mandar da Alpine é Pierre Gasly. Nas fotos acima, ele mostra o capacete igual ao de Senna que vai usar em Ímola, semana que vem. Há alguns dias, o piloto andou com o Toleman de Ayrton em Silverstone e ficou emocionadíssimo. É um grande fã do brasileiro. Seu destino pode ser a Williams, com um empurrãozinho da Mercedes. Para o lugar de Sargeant, claro.

DE ENTRADA – A Alpine, assim, pode perder os dois quando terminar a temporada. Mas já está se mexendo. Considera levar Mick Schumacher de volta à F-1. O alemão já foi avisado pela Mercedes — onde bate ponto como piloto reserva — que não faz parte dos planos da equipe para o futuro. E já tem um contrato com a Alpine em vigor, no WEC. As peças se encaixam facilmente. A outra vaga, caso a dupla se pirulite, pode ficar com Jack Doohan, que já faz parte da folha de pagamento e não é ruim.

TE PREPARA! – Tem muita gente apostando alto na Ferrari em Ímola. Há na imprensa italiana um desmedido entusiasmo com as modificações que a equipe fez no seu carro, que já está sendo chamado de SF-24 EVO — de “evolution”. Talvez seja um exagero. Não é um carro novo, mas atualizado. As mudanças mais visíveis foram feitas nas laterais junto ao cockpit, nos sidepods, em defletores na carenagem e até nos espelhos retrovisores. As invisíveis estão no assoalho. Tudo feito, claro, para melhorar os fluxos de ar. O carro andou em Fiorano hoje. Ah, pode testar? São os 200 km por ano permitidos para “filmagens”. A Ferrari ainda não tinha gastado sua cota. Saberemos se deu certo, e se pode incomodar a Red Bull, daqui a uma semana na Itália.

ESTAMOS PREPARADOS – A Red Bull não filmou nada nem testou em lugar nenhum, mas também está levando atualizações para Ímola. Quem avisa é Helmut Marko, o guru da equipe. “A vitória de Norris em Miami prova que temos de nos concentrar neste campeonato”, falou. A crítica é óbvia. Desde fevereiro, quando Christian Horner foi acusado de assédio sexual, a equipe entrou num ciclo de más notícias que culminou com o anúncio da saída de Adrian Newey no fim do ano. E ainda tem o diz-que-diz sobre Verstappen. Outro que não sabe se Ford ou sai de Simca.

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SOBRE DOMINGO À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

Nos braços dos mecânicos: finalmente Lando “Nowins” vence

SÃO PAULO (mas…) – Acho que é essa a imagem que ficará do GP de Miami. Nos braços dos mecânicos, Lando Norris finalmente ganhou uma, depois de 110 tentativas na F-1. Domingo, mesmo, no nosso relato da corrida, publiquei a série de abraços que ele recebeu, de pilotos e dirigentes. Eram, todos os abraços, candidatos a aparecer aqui hoje. E ainda teve Frédéric Vasseur, o pândego chefe da Ferrari, com boné da McLaren jogando champanhe no pessoal da equipe rival, na hora da tradicional foto com todos os integrantes do time e a placa de P1.

A placa de P1, igualmente, merece destaque. Para o público brasileiro, especialmente, tem um significado diferente. O time dedicou a vitória a Gil de Ferran, que morreu no fim do ano passado. Ele ocupava um cargo importante na organização e era querido por todos.

Uma série de “firsts” este GP de Miami registrou. Foi a primeira vitória da McLaren desde o GP da Itália de 2021, em Monza, com Daniel Ricciardo. Também a primeira de um motor Mercedes na F-1 desde George Russell no Brasil em 2022.

E a primeira vitória de Norris desde o GP do Bahrein de F-2 em 2018, quando ele foi vice da categoria para Russell. Foram 2.220 dias sem subir ao degrau mais alto do pódio.

Lando no Bahrein em 2018: última vitória, na F-2

O NÚMERO DE MIAMI

12

…pilotos do atual grid da F-1, agora, estão na lista dos vencedores da F-1: Hamilton (103), Verstappen (58), Alonso (32), Bottas (10), Ricciardo (8), Pérez (6), Leclerc (5), Sainz (3), Gasly, Ocon, Russell e Norris (1 cada). Lando foi o 114º piloto a ganhar uma corrida na categoria. Com a vitória, o inglês deixou de fazer parte da relação dos pilotos com pódios e sem vitórias. Ele tinha 15 pódios sem vencer e ocupou durante algumas semanas a primeira posição nessa estatística incômoda, que voltou a ter Nick Heidfeld no topo, com 13.

Algumas atualizações do noticiário, agora, envolvendo personagens dos últimos dias. Começando com Adrian Newey. Ele esteve em Miami. A imprensa italiana insiste que as conversas entre ele e a Ferrari estão cada vez mais fortes. Neste momento, parece ser seu destino mais provável. A não ser que…

A não ser que Newey decida parar de vez. Aos 65 anos, projetou um veleiro de 88 pés que está sendo construído pela Oyster Yatchs em Southampton. Há quem aposte que o engenheiro vai tirar um tempo para ele e para a família, para dar a volta ao mundo no seu barco. A hipótese não deve ser descartada.

O barco de Newey: possibilidade de virar marinheiro

A Red Bull tem tentado minimizar sua saída, mas convive com a perspectiva de uma debandada de seu pessoal técnico, a começar pelo diretor esportivo Jonathan Wheatley, 56, que está na equipe desde 2006 e, segundo a imprensa inglesa, pretende alçar voos mais altos, já que nunca terá espaço no time chefiado por Christian Horner. Porque ele quer ser chefe de equipe. E tem equipe por aí precisando de chefe, ô se tem… Quem pensou em Alpine e Audi acertou.

Sobre uma eventual saída de Verstappen, Oliver Mintzlaff, CEO da Red Bull (a fábrica de energéticos, não a equipe de F-1), disse que o holandês quer paz, não falou em deixar a organização e só deseja ter o carro mais rápido do grid. “Isso nós damos a ele”, falou. “E quer ser campeão, e isso ele sabe que também tem chances maiores de conseguir aqui. Max tem sido um menino muito leal. Tem muitos motivos para ficar e nenhum para sair.”

A FRASE DE MIAMI

“Espero que não!”

Verstappen, quando Jenson Button perguntou a ele se acredita que o ritmo da McLaren é o que se viu na corrida de domingo
McLaren atualizada: Max espera que seja fogo de palha

E vamos falar de Kevin Magnussen?

O dinamarquês abusou das barbaridades no fim de semana, começando na Sprint, ao se defender de Hamilton para permitir que seu companheiro Nico Hülkenberg pontuasse — a propósito, para não esquecer, o alemão agora é, isolado, o piloto que mais corridas disputou sem vencer, 209; estava empatado com Andrea de Cesaris. Nessa defesa, o piloto da Haas saiu da pista várias vezes, cortou chicane, levou 35s de punição. “Ele devia ser banido”, esbravejou Andrea Stella, diretor da McLaren.

No domingo, foi considerado culpado pelo acidente que tirou Logan Sargeant da prova. Sobre a Sprint, Kevin aceitou as punições e disse que foram todas justas. “Não gosto de correr assim, fiz pela equipe, como em Jedá”, falou. Na Arábia Saudita, ajudou Hulk de forma semelhante. O fato é que Magnussen, com tantas punições, corre o risco de ser suspenso por uma corrida se levar mais pontos na carteira. Está com 10, e se chegar a 12 no período de um ano toma um gancho.

Tsunoda: ótimo sétimo lugar

E precisamos também falar de Tsunoda, como não? Com 14 pontos em seis corridas, o japonês da Tem de Colocar a Senha ocupa a décima posição no Mundial, atrás de Hamilton. E à frente de Stroll, da Aston Martin, uma das cinco principais equipes da temporada. No ano passado, em seis corridas, tinha marcado apenas dois.

Tsunoda vem andando frequentemente à frente de Ricciardo em treinos, classificações e corridas. O australiano marcou cinco pontos neste ano, com o quarto lugar na Sprint, sábado. No domingo, não fez nada. O bom desempenho coloca Yuki no mercado. Principalmente porque a Honda quer mantê-lo no grid. E a Honda será fornecedora de motores da Aston Martin em 2026. O obstáculo é Stroll, filho do dono da equipe. Mas Lance, cada vez mais apático, às vezes dá a impressão de que vai desistir da F-1.

Seja como for, a ascensão de Tsunoda é uma má notícia para Felipe Drugovich.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver a reação da Alpine, ainda que modesta. Esteban Ocon terminou em décimo e fez o primeiro ponto da equipe no ano. Recebeu, nos boxes, um abraço do ex-companheiro Fernando Alonso.

NÃO GOSTAMOS de ver Donald Trump nos boxes da McLaren. A equipe se defendeu, se disse “apolítica” e falou que recebeu o pedido da FIA e da Liberty para receber o ex-presidente dos EUA. E que atendeu por respeito à sua posição etc. O fato é que o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem organizou a patacoada contrariando sua própria determinação de proibir manifestações políticas em GPs “sem autorização” — um ataque à militância de Hamilton e Vettel. Zak Brown poderia ter dito “não”. Norris poderia ter se recusado a posar ao lado do criminoso. Mas todos, bovinamente, disseram “sim”. São todos uns babacas.

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