N’EIFEL (4)

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RIO (agora sim) – Mick Schumacher parece ser um menino tímido. Deveria ter estreado num fim de semana de F-1 na sexta-feira, fazendo o primeiro treino livre pela Alfa Romeo. Não deu, por causa da neblina que cancelou as atividades de pista na abertura dos trabalhos para o GP de Eifel, em Nürburgring. Hoje, depois da corrida, Mick reapareceu. Vestindo uma uma jaqueta da Ferrari, já que é piloto da academia do time italiano. E com um capacete do pai nas mãos.

Era parecido com o que Michael Schumacher usara no GP da China de 2006, quando conquistou a última de suas 91 vitórias na categoria. Pela mesma Ferrari que, hoje, aposta nele para o futuro. Timidamente, o menino de 21 anos se aproximou de Lewis Hamilton, que acabara de igualar a marca ao vencer a prova, e entregou o capacete vermelho (que Michael usou na fase final de sua carreira, na Mercedes) ao inglês. Não sei vocês. Mas eu vi, no gesto, uma espécie de passagem simbólica do cetro. A F-1 tem um novo rei. Ele se chama Lewis Hamilton. E seu reinado não tem data para terminar.

Hamilton com o capacete do Schumacher: passagem de cetro

Michael está há quase sete anos escondido pela família depois de sofrer um acidente de esqui na França, em dezembro de 2013. Não se sabe se viu pela TV Hamilton chegar às mesmas 91 vitórias que conseguiu em sua brilhante carreira. Se viu, não se sabe se entendeu o que aconteceu. Se entendeu, não se sabe se sorriu, ou se uma lágrima rolou por seu rosto, ou ainda quais lembranças vieram à sua mente.

Não se sabe nada sobre Schumacher há quase sete anos. Não se sabe como — ou se — ele acompanhou a escalada de Hamilton rumo aos seus recordes, todos eles considerados imbatíveis na medida em que eram estabelecidos graças a um talento incomum e a uma hegemonia da Ferrari que parecia ser difícil de ser repetida.

Bem, todos sabemos que o que a Mercedes vem fazendo desde 2014 não tem paralelos na história, e Hamilton desfruta como ninguém do domínio que seu time impôs à categoria. A vitória de hoje está longe de ter sido uma das mais incríveis de sua incrível trajetória. Mas entra para a história por ter sido a 91ª, uma espécie de número mágico há 14 anos. Assim como a próxima entrará mais ainda, porque aí sim ele se transformará no maior vencedor de todos os tempos, e ficará esperando apenas por mais um título para alcançar o que se julgava inalcançável: ser heptacampeão mundial como Schumacher.

Bottas: frustração depois de uma boa largada com o abandono em Nürburgring

Está muito perto. Lewis ganhou pela sétima vez na temporada e abriu 69 pontos na classificação sobre seu companheiro Valtteri Bottas, que viveu um domingo de enormes frustrações. Na pole, o finlandês conseguiu manter a ponta na largada e parecia perto de jogar água no chope de Hamilton até a 11ª volta, quando cometeu um erro na freada para a curva 1 e perdeu a posição para o companheiro. Logo depois, foi para os boxes trocar os pneus. Mas seu carro começou a perder potência e, depois de ser ultrapassado por Norris e Pérez, Bottas recolheu para os boxes e abandonou — o primeiro abandono da Mercedes no ano.

A corrida ficou, então, muito fácil pra Hamilton. Verstappen, que assumiu a segunda colocação, estava quase 9s atrás na metade da prova, e a atração do GP passou a ser a briga pela terceira vaga no pódio. Os postulantes ainda não tinha levado nenhum troféu no ano: Ricciardo, da Renault, e Pérez, da Force Point. Este, em quinto, ainda teve algum trabalho para superar um combativo Leclerc, que se virava do jeito que dava com uma Ferrari sabidamente horrorosa em 2020.

Na volta 44, quando Norris abandonou, o safety-car foi acionado para retirar a McLaren do inglês, estacionada em local impróprio. Todo mundo aproveitou para ir aos boxes trocar pneus e foi só na volta 50 que a prova foi retomada, com Hamilton relargando bem e Ricciardo e Pérez travando o esperado duelo pelo terceiro lugar, que acabou com o australiano.

A Renault não fazia um pódio desde o terceiro lugar de Nick Heidfeld no GP da Malásia de 2011, em Sepang. Foram longos 188 GPs de espera, e para o piloto quase dois anos e meio de jejum — o último, pela Red Bull, fora em Mônaco em 2018. “Parece que é meu primeiro”, comemorou o sorridente “aussie”, prometendo usar o tempo de voo até sua casa, de noite, para pensar num desenho para ser tatuado no chefe Cyril Abiteboul — aposta é aposta, e o dirigente do time francês, certamente, não vai se opor a nada.

Pérez terminou em quarto e a prova teve outros bons destaques entre os dez primeiros. Sainz Jr., em quinto, não fez nada de muito especial, mas Gasly, em sexto, e Leclerc, em sétimo, mereceram aplausos de suas equipes. Mais palmas ainda foram dedicadas a Hülkenberg, que mesmo largando em último conseguiu terminar em oitavo, levando a Racing India à terceira posição no Mundial com 120 pontos (seriam 135 se não fosse a punição por ter copiado os dutos de freio da Mercedes). A equipe rosa superou a McLaren, que tem 116 na quarta colocação, apenas dois a mais que a Renault. A briga está excelente nesta espécie de “F-1 dos outros” — que exclui Mercedes e Verstappen.

Nono e décimo colocados em Nürburgring também tiveram motivos de sobra para festejar. Grosjean marcou seus primeiros pontos no ano e Giovinazzi fez o seu, também, com um carro que não é exatamente o sonho de consumo de ninguém. Seu companheiro, Kimi Raikkonen, chegou em 12º. E, no dia em que se tornou o piloto com mais largadas na história da F-1 — nada menos do que 323, superando Rubens Barrichello –, o divertido homem de gelo definiu assim o fim de semana em que alcançou o recorde: “Foi uma merda”. O mesmo pode ser dito do domingo de Vettel. Depois de rodar bisonhamente na volta 11, quando atacava Giovinazzi, foi ficando para trás e terminou em 11º.

A corrida na Alemanha acabou não tendo chuva, mas foi disputada num domingo nublado sob um frio glacial de 9°C. Cerca de 25 mil pessoas foram admitidas nas tribunas do autódromo, que desde 2013 não recebia a F-1. Todas aplaudiram Hamilton, que disse que vai demorar para se acostumar com a ideia de ter igualado Schumacher. “É uma honra estar ao lado dele na história, alguém que sempre idolatrei desde criança, jogava videogame usando o nome dele”, falou. Depois, agradeceu e mandou “um beijo para o Michael”.

Lewis tem mesmo de agradecer o alemão. Ele assumiu o segundo cockpit da Mercedes em 2013 substituindo justamente o heptacampeão, que foi resgatado da aposentadoria de três anos por Ross Brawn para correr nas temporadas de 2010, 2011 e 2012. Estes três anos, com Ross e Michael transferindo todo seu conhecimento a uma equipe recém-formada a partir do espólio da Honda, foram essenciais para formatar a Mercedes que vemos hoje.

O obrigado a Schumacher na placa: tem um dedo dele no que é a Mercedes de hoje

Sendo assim, pode-se dizer, sem medo de errar, que os recordes de Hamilton têm o dedo de Schumacher. Ele pode não ter feito seu sucessor diretamente quando parou pela primeira vez, em 2006, nem mesmo na segunda saída de cena, ao final de 2012. Michael e Lewis nunca correram juntos na mesma equipe. Quando o inglês estreou, em 2007, o alemão estava acendendo a lareira em casa e assistindo às corridas de pantufas pela TV. Ao voltar, em 2010, começou a desenhar, na Mercedes, o traçado da estrada que Hamilton encontrou muito bem asfaltada quando chegou.

É, olhando as coisas assim, acho que Michael pode bem ter esboçado um sorriso hoje quando viu Hamilton pela TV. Pelo legado que deixou, e por ver seu reinado passar às mãos de alguém tão bom quanto ele.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

46 Comentários

  • É realmente o HAmilton chegou na MErcedes quando o carro estava pronto. Carro alemão, desenvolvido pelo melhor piloto alemão de todos os tempos. É muito bom ver um piloto negro superando records, com o maquinário alemão. Novos tempos. E parabéns para a Alemanha por ter dado essa oportunidade a ele e a um piloto inglês. Ninguém pode falar mal deles.

    • Le Baguete !
      Agora não adianta ser sarcástico e falso admirador…
      Torceu contra o tempo todo e agora tem que assistir a escolinha do prof. Raimundo para melhorar humor e escrever melhor o português…
      Au revoir !

  • Desde a proibição dos testes particulares pilotos não desenvolvem mais coisa nenhuma. Michael trabalhou duro junto com Todt e Brawn de 96 a 2002 (quando a ferrari se tornou imbatível) pilotando milhares de kms em testes todo ano, quebrou as duas pernas em um acidente e lutou por títulos sem ter o melhor carro. Michael é diretamente responsável pelo sucesso da Ferrari. É o maior de todos por isso.
    As única conversas de Hamilton com equipe responsável pela hegemonia da Mercedes devem ter sido de agradecimentos ou reclamações. Deu sorte. Qualquer outro piloto faria a mesma coisa nesse carro. Alguns, porém, não perderiam um título pra um piloto fraco como Rosberg. Lewis tem os números, e só.

  • Existem estórias e histórias. Vamos a história:
    Porque mais que creditem parte do sucesso da Mercedes aos anos que Schumacher correu por lá, impossível não associar o período ao fracasso tomando uma sonora piaba de Rosberg. Nos três anos. Surreal.
    O mais interessante é perceber que enquanto Michael esteve lá, o carro não evoluiu, pelo contrário foi sendo sempre superado pela concorrência. Piorando a cada ano. Surreal.
    Em 2013 Rosberg continuou, Hamilton entrou no time, o carro cresceu. Em 2014 com novo regulamento a Mercedes voou e esmaga a concorrência até hoje. Incrível, surreal.
    Só nos resta ver o inglês se tornando o maior de todos e fazer história.
    História que pode ficar mais rica e feliz, se o alemão vencer sua corrida mais preciosa.

  • Bottas é um piloto mediano, vive dando provas disso. Quando tenta ser mais, erra grosseiramente. Tem piores e melhores que ele no grid, fato. Acho que deslustra um pouco os feitos hamiltistas, mas obviamente não lhe tiram o mérito e competência de escrever a bela história que estamos acompanhando.
    Que safety car mais desnecessário, parece ter virado um instrumento de redução da vantagem da Mercedes, acionado sempre que possível, mas não vem surtindo efeito. Só serviu pra garantir o P3 do Ricciardo, já que Pérez tinha tudo pra passar sem a troca de pneus que veio a acontecer.
    Corridaça do Leclerc, e Vetel levando pau de Haas Alfa Romeo, indefensável.

  • O recorde está em boas mãos com o Hamilton (imaginem se fosse com o Vettel, já considerado melhor que o Senna na época das vacas gordas – rsrsrsr); ele é um piloto soberbo que – assim como Schumacher – começou arregaçando bonito na categoria, mostrando uma velocidade surreal (Alonso que o diga).
    Se é bom essa sucessão de quebra de recordes e números insanos para o esporte? É evidente que não, denota falta de competição, hiatos técnicos incontornáveis, e previsibilidade enfadonha. E muita gente boa “some” por causa disso (pilotos de grande potencial), mas Hamilton e a Mercedes não têm culpa disso, como Schumacher não teve; de todo modo, Hamilton é absolutamente grandioso e é um ótimo novo Rei da Fórmula Um.

  • O carro é espetacular , mas ninguem tem 91 vitórias , sem ser um cara diferenciado,
    que começou mimado na Maclarem , pra se tornar o melhor na Mercedes.
    Cada época teve o melhor e na atual Hamilton ´ é o cara é pronto ..né FG.

  • Prezado F&G :Lewis Hamilton é um piloto fantástico, conseguiu um feito incrível, afirmo que a F-1, está salva pelo espetáculo oferecido pela Equipe Mercedes-Benz e o piloto Hamilton, na série B Max, vai dar trabalho para o piloto Bottas, que não tem o mesmo carro de primeiro piloto da Mercedes-Benz, na série C, um valoroso reconhecimento ao piloto Daniel Ricciardo, vejamos a tábua de classificação do quarto colocado até o décimo esta muito equilibrado. Não haverá fato novo em 2021, vamos ver o que surge em 2022.

  • Concordo 100% que essa Mercedes de hoje é resultado de um time muito competente e de Schumacher que colaborou muito para dar inicio a equipe. O filho já nasce grande, isso é perigoso, muito confete, obviamente por ser filho de quem é, espero que seja cabeça boa. Já o presente do capacete foi de um mal gosto enorme…, ninguém sabe a condição de Schumacher, a situação completamente embaraçosa, feia, Hamilton botando o cara para trás nos números e erguendo o capacete no pódio, horrível, só é válida se o próprio tenha enviado o presente…

  • Schumacher saiu da F1 em 2006 e Hamilton entrou em 2007. Talvez, se Schumacher não tivesse voltado em 2010, o cockpit da Mercedes não seria tão atraente, tampouco poderia estar vago, ao fim de 2012.
    Mas estava.
    E Schumacher, mais uma vez, saiu e Hamilton chegou.
    Caprichosos detalhes, tal qual o recorde ser igualado na Alemanha.

    Lembro quando MSC fez a pole em Mônaco, em 2012, sem o melhor carro, aos 43 anos. Ao ser perguntado sobre o feito, Hamilton disse: Nada mal para um velho.

  • “Era igual ao que Michael Schumacher usara no GP da China de 2006, quando conquistou a última de suas 91 vitórias na categoria. Pela mesma Ferrari que…”

    Não. Detalhes que me levam a acreditar que não é o mesmo capacete, nem mesmo uma réplica do que ele usou em 2006 na China são: o tom de vermelho, o patrocínio da Monster e a estrela da Mercedes.

  • Hamilton é um piloto comum que corre sozinho sem adversário e quando os teve era mimado e chorão. Culpa da Mercedes, uma equipe convarde que nunca chegará aos pés do que já vimos com Williams McLaren racers de verdade que colocava seus pilotos para se matarem e que o melhor vencesse. Foi assim com Prost Mandel Piquet Senna. Não foi com Schumacher e Hamilton pilotos artificiais genéricos fracos.

  • Curioso.
    Nunca vi uma linha dizendo que os dois primeiros títulos do “grande alemão” se deram em uma equipe que foi desenvolvida pelo verdadeiro gênio Nelson Piquet, que deixou um carro fantástico, desenvolvido com o conceito revolucionário de “bico levantado” nos anos de 1990 e 1991 na Benetton.
    Também nunca li uma linha dizendo que Schumacher, patinando de 1996 até 1999 na Ferrari, precisou que fosse contratado o melhor desenvolvedor de carros daquela geração, Rubens, para então conseguir seus 5 títulos apenas com a presença de Barrichello na equipe.
    Barrichello se foi, a Ferrari e o alemão acabaram.
    Rubens em sua carreira elevou Jordan, Stewart, Ferrari, Brawn, Williams a outros patamares.
    Barrichello e Piquet se odeiam, mas ambos tem a mesma capacidade de desenvolver e acertar carros. E ambos deixaram dois carros espetaculares para o Alemão que, com toda proteção contratual, e competindo contra os fortíssimos David Coulthard e o gordo Montoya, fosse um multicampeão.

      • O problema não era a inconstância do Rubens, mas sim a constância robôtica do Schumacher.

        O Piquet disse uma vez que o Rubinho era sim mais rápido que o Schummy em algumas voltas, mas que o alemão era mais rápido que e o Rubens na grande maioria das voltas de uma corrida, só por isso é que chegava na frente do brasileiro.

        Obs.: Coincidentemente o Piquet, Emerson e Senna faziam isso contra os seus parceiros de Equipe, não é a toa que sempre que tiveram carros campeões levantaram os respectivos canecos ao final do ano… e não os seus parceiros de time… ops… o Prost levantou…

  • FG… Não sei se fico mais ansioso pelas corridas ou pelos teus escritos. Tú é PHoda mesmo. Por mais incrível que possa parecer, a primeira corrida que vi foi aquela icônica vitória do Senna, com a Lotus preta. Acredite, em preto e branco, pendurado numa janela, sequer havia tv na casa da minha família. Eram outros tempos, tinha apenas 10 anos, via o mundo como qualquer outra criança que nascera no interior da Alagoas. Embora tendo crescido ouvindo várias piadas de cunho racista, nunca liguei muito, minha mãe sempre dizia, do jeito dela, que não pariu filhos fracos, que se deixassem abater pela fraqueza dos outros. Só depois de muito tempo, descobrir o significado dessa “fraqueza dos outros” pois ao tentar denegrir os outros, só expomos quem somos. Mas, o que isso tem a ver com F1? Lewis Hamilton… inclusive, li o que alguns “campeões” falam até das roupas que negão usa, que não são roupas de pilotos de F1… enfim, como falei anteriormente, essas fraquezas. Com olhos de criança, até pouco tempo, não havia notado, o quão “elitista” é o automobilismo e, isso não é só na F1. Este certamente não é o espaço para discussões… é apenas uma…sei lá… constatação. Tentando voltar ao rumo inicial, só gostaria de dizer que é um privilégio ver (embora distante, pois sequer vi uma corrida no autódromo) as Histórias sendo escritas aos nossos olhos. E, claro… Parabéns pra vc FG. Como diz o Everaldo Marques…Vc é “RIDÍCULO”.

  • Belíssimo texto. Singelo. Conseguistes o equilíbrio entre o jornalista especializado e o apreciador da F1. Tens afinidade pelo esporte, e pelos que conseguem elevá-lo ao mais alto nível, sem ater-se à cor da bandeira, somente à quadriculada da chegada. Muito bom!

  • Acho que vimos a historia acontecer pela ultima vez : “O automobilismo de base ainda é fragmentado e caro, isso não encoraja aqueles que sonham com a Fórmula 1 a entrar no esporte. Na nossa época fomos abençoados por termos sido descobertos por Ron Dennis e a Mercedes, mas isso não é mais suficiente. Se os custos continuarem aumentando nas categorias de base, a se essas categorias seguirem financeiramente não regulamentadas, acredito que Lewis será o último de sua geração” – Anthony Hamilton

  • Eu gosto do Hamilton, como piloto excepcional e como pessoa humana, porém acho que falta ganhar de Verstappen no mesmo carro. Sim, ele ganhou do Alonso, do Rosberg, mas esse Bottas é muito inferior a Hamilton. Bottas faz uma ou outra volta rápida em cima dele, mas sempre erra quando sob pressão intensa. Esse é um dos pontos fortes do Hamilton: muito difícilmente erra. Enfim, na minha opinião, Hamilton teria que ganhar um campeonato sobre o Verstappen com um carro em condições de igualdade, aí sim eu consideraria Hamilton o melhor de todos os tempos. Enquanto isso não acontece, ele é “”somente”” mais um piloto extraordinário

    • O que faz de Verstappen um piloto tão especial ao ponto de um multicampeão ter que vencê-lo para avalizar suas conquistas? Vencer o bicampeão Alonso – que venceu “apenas” Schumacher – não basta? Vencer o campeão Rosberg não basta? Correr com Button não basta? Qual piloto teve 3 campeões como companheiros de equipe? Quantos títulos tem Verstappen? Verstappen não ganhou nada! Agora há uma exigência nova para ter valor na F1: Vencer Verstappen! Mais um “enrustido” por aqui. Verstappen é um ótimo piloto, e acredite, levaria uma surra de Hamilton com o mesmo carro.

    • Ou seja, como isso jamais vai acontecer, voce nunca vai considerar o Hamilton, o melhor de todos.
      Pode ganhar mais 200 corridas, 10 campeonatos, mas se não correr com o “extraordinário” Verstappen que começou ontem na F1 e não tem nenhum titulo na mesma equipe e vencer.
      O cara não é lá muito bom. rsrsrs

    • Além de vencer Verstappen em igualdade de condições, para ser o melhor de todos os tempos Hamilton terá que vencer campeonatos por mais 2 equipes distintas, com 2 motores distintos, pois até agora só venceu por duas equipes, com um único motor. Fangio venceu por 4 equipes com 3 motores diferentes. Senna foi para Williams para ganhar 2 títulos e depois iria para a Ferrari justamente para igualar seu ídolo Fangio.
      Penso que Hamilton jamais se livrará da pecha de piloto-de-equipe-dominante.

      • Hamilton venceu Alonso, Button, Rosberg na mesma equipe e Vettel em disputa pelo título. Mas ele precisa mesmo vencer o grande Verstappen para te provar algo.

        Brabham, Stewart, Piquet, Lauda, Prost, Senna, Schumacher, Hakkinen, Alonso e Vettel. Nenhum desses multicampeões ganhou campeonatos por mais de duas equipes diferentes. Mas o Hamilton precisa ganhar.

        O motor Mercedes V8 aspirado de 2008 é igualzinho às unidades de potência que equipam os carros da Mercedes desde 2014. Mas o Hamilton precisa ganhar com um Judd, um Ilmor, um Mugen, um Cosworth ou um Hart para ser considerado o melhor de todos os tempos, segundo você.

  • Se Schumacher viu e entendeu, então ele sorriu. É difícil não ficar feliz vendo o sucesso – enorme como o dele – numa atividade tão seletiva e difícil como o automobilismo. Parabéns Hamilton, igualar Schumacher foi a maior façanha que eu já vi em qualquer esporte. E que venha mais!

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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