SURPRESA FOI TER VOLTADO

RIO (fornalha) – Confesso que fui pego de surpresa pela notícia de que a Honda deixará a F-1 no fim do ano que vem. Eu e muita gente — não todos, porque é óbvio que o pessoal da FIA, da Red Bull, da AlphaTauri e das outras equipes já devia estar sabendo com alguma antecedência; decisões assim não são tomadas do dia para a noite.

Mas lembrou o que aconteceu no fim de 2008, quando a mesma Honda decidiu encerrar de repente sua terceira fase na categoria — as duas primeiras foram de 1964 a 1968, como equipe oficial, e de 1983 a 2005, como fornecedora de motores. Naquela altura, os japoneses tinham equipe própria, mas a crise econômica global levou a montadora a suspender seus planos na categoria. O time foi comprado por Ross Brawn, que arrumou uns motores Mercedes, ganhou o Mundial de 2009, vendeu tudo para a mesma Mercedes e o resto vocês sabem. É essa equipe aí que desde 2014 ganha tudo. Sim, a Mercedes é a Honda de 2008.

Gravei um longo vídeo para o “GP às 10” que vai ao ar segunda-feira falando sobre o assunto e não pretendo repetir tudo aqui. Resumidamente, digo que a decisão surpreendeu porque foi repentina, mas que não foi exatamente chocante, diante da realidade atual da indústria automobilística. Aliás, acho que a qualquer momento outras fábricas de automóveis envolvidas com corridas farão o mesmo sem aviso prévio. A gente já viu o que aconteceu no DTM e no WEC, por exemplo. E, mesmo na F-1, as deserções recentes são razoavelmente numerosas e pesadas — estou falando de Toyota, BMW e da própria Honda há alguns anos.

O que parece esquisito é que a Honda voltou outro dia, em 2015. E já está de saída. OK, caiu do cavalo com os fracassos na McLaren, mas começou a se recuperar lindamente com AlphaTauri e Red Bull, conseguindo pódios e vitórias. Vocês se deram conta de que é o único motor, na era híbrida, a ganhar corridas em duas equipes diferentes?

Eu achava, então, que o projeto era de longo prazo. E era, na verdade. Uma empresa como a Honda não investe o que investiu na F-1 para ficar lá por apenas sete temporadas — contando 2021. O que ocorre é que as coisas têm mudado no mundo muito rapidamente. A lógica de 2015 não pode mais ser aplicada em 2020 — em nenhuma área da economia, do comportamento, de nada. Somos capazes de dizer que este planeta é muito parecido com o que era em 2015? Não, claro que não. Ascensão do fascismo internacional (Hungria, Brasil, Turquia, Hungria…), crises de refugiados, guerra na Síria, a maior potência mundial presidida por um maluco, explosão de crimes ambientais estimulados por um governo insano que afetam todo o planeta, a pandemia, o milhão de mortos por Covid-19, tudo isso aconteceu nos últimos cinco anos. E mudou a cara deste planetinha azul tão bonitinho.

Como, então, fazer planos de longo prazo em 2020? Como sustentar planos escritos cinco anos atrás diante de uma realidade completamente diferente em tudo?

A indústria automobilística precisa, de qualquer forma, pensar nas próximas duas ou três décadas, porque o que ela produz está deixando de interessar às pessoas. As novas gerações não vão comprar carros, vão comprar celulares através dos quais possam chamar carros, e isso já está acontecendo aos olhos de todos tem algum tempo. Assim, as montadoras terão de redirecionar seus investimentos, escolher bem onde gastar, porque além de fabricarem coisas que ninguém mais vai comprar no volume de antes, essas coisas terão de ser radicalmente diferentes das que são produzidas hoje. Terão de ser elétricas.

Por isso, deveria ter surpreendido mais o anúncio da volta da Honda, em 2015, do que de sua saída, em 2020. Que diabos esses caras querem com a F-1?, deveríamos ter-nos perguntado há cinco anos. Ali os sinais já eram claros de que o futuro do automóvel estava em outro campo — embora fosse difícil prever os cataclismos políticos e sanitários que adviriam depois para abalar as estruturas de todas as áreas conhecidas disso que chamamos de economia, ou mercado. Não foi um fator único que levou a Honda a fazer o que fez. Mas o primordial, que faz parte de seu core-business, estava na cara de todo mundo. Fazer motor para carro de corrida? Num momento em que o mercado pede desenvolvimento de baterias e motorzinhos elétricos que possam ser carregados em casa? Ou veículos autônomos? Sério que a essa altura alguém ainda estava pensando em corrida de automóvel?

Foi um erro estratégico da Honda, pois, voltar. Não sei o que eles imaginavam com a decisão, mas está na cara que foi um equívoco e que agora estão tentando corrigir o rumo. Bota o prejuízo na conta e vamos em frente.

E a F-1 (agora nas mãos de americanos, outra novidade pós-2015) precisa atentar para isso também. Em algum momento, as montadoras que restam vão picar a mula para cuidar de seu futuro — e o futuro não passa, lamento dizer, por pistas de corrida. E se ela quer continuar existindo, ainda que para um nicho — grande e lucrativo, sem dúvida–, precisa se preparar para isso.

No mais, na configuração de três fornecedores para 2022 — se Ferrari, Mercedes e Renault continuarem –, Red Bull e AlphaTauri terão de se sentar à mesa com os franceses de novo. Porque, teoricamente, a Mercedes terá quatro times (ela própria mais Williams, McLaren e Aston Martin), a Ferrari segue com três (ela própria mais Haas e Alfa Romeo) e a Renault terá apenas uma (ela própria). Não vai ter jeito. Ou, então, comprar os direitos sobre os motores Honda, rebatizá-los e tocar a vida.

Mas alguém é capaz de cravar alguma previsão para 2022? Para amanhã já está difícil…

De qualquer forma, espero que a Honda se despeça com dignidade. Tem mais uma temporada pela frente, afinal. E um nome a zelar, ainda que ninguém mais pareça ligar para isso.

Comentários

  • A Honda vai cair fora porque viu que o seu domínio na F-1 como motor entre 1987 e 1991 (pilotos) e entre 1986 e 1991 (construtores) com os quatro melhores pilotos da década de 80 e início de 90 com Prost, Senna, Piquet e Mansell (foi o único que não foi campeão com o motor Honda) jamais será alcançado atualmente.

  • Ola Flavio, antes de entrar na questao politica, ambiental etc..ela nao saiu da Indy, da Motogp e de outras categorias onde tem carros Honda..esqueceu voce mencionar que faltou competencia para fazer um motor para ganhar da Mercedes..

    • Também não saiu do WTCR, do TCC2000 e sabe-se lá quantas outras categorias regionais.
      Então, os motivos são outros, que nós, simples mortais, não ficaremos sabendo.

      Toyota, por exemplo, saiu da F1 final de 2008 com as suas justificativas. E segue firme em outras categorias até hoje, inclusive NASCAR, com os beberrões V8. (Apesar de toda fama de montadora ecológica, carros híbridos, autônomos, etc…. a análise é bem mais profunda que isso).

      No mais, 50% da análise do Flavio Gomes é coisa de lunático. Como diz o Nelsão: “não tenho bola de cristal pra adivinhar as coisas”. Jornalista tem essa mania de prever o futuro.
      A se conferir, daqui 5 ou 10 anos.

  • Atualmente os carros de rua da Aston Martin usam motor Mercedes, e já está anunciado que irá migrar para motores próprios na configuração V6 Híbrido.
    E já foi divulgado que a equipe de F1 Mercedes vai ser vendida para a Ineos.
    Baseado nestes dados, a minha teoria é que a Mercedes vai transferir a fábrica de motores para a Aston Martin Stroll e também sair da F1 como equipe de fábrica.
    O espólio da Honda, acredito que será herdado pela Ferrari, como já aconteceu brevemente no passado.
    Na onda da Honda, também a Renault deve deixar a F1 em breve.
    Assim o futuro da motorização da F1 será Ferrari x Aston Martin. Muito semelhante aos anos 70, quando o duelo era Ford Corsworth x Ferrari.
    Para mim, serão tempos interessantes, com mais competição que os últimos 10 anos.

  • Caro Flavio Gomes:

    Gostaria de fazer uma denúncia em relação ao site Autoracing, pois o moderador ADAUTO SILVA disse o seguinte sobre o senhor, ao responder a um leitor:

    “A próxima vez que vc nos comparar a uma figura desprezível ou nos acusar de falso jornalismo vc será banido daqui, já que não tem discernimento sequer para separar notícia de opinião.”

    O jornalista ADAUTO SILVA faltou com respeito ao senhor. Tenho grande admiração pelo seu trabalho.

    Leia a área de comentários dos leitores:

    F1 – Emerson Fittipaldi enfrenta enorme dívida e 145 processos judiciais, diz jornal
    https://www.autoracing.com.br/f1-emerson-fittipaldi-enfrenta-enorme-divida-e-145-processos-judiciais-diz-jornal/

      • Saudações Flávio! Falando em Nascar, esperei ansioso pela Taladega 500 a semana toda. Conferi no site do Grande Prêmio o horário era 20:00 horário de Brasília na Fox 2. Para minha surpresa nesse horário não havia nada de Nascar na TV. Fui checar no Google e a corrida tinha começado as 15:00 no horário de Brasília. Dessa vez a informação no site do Grande Prêmio estava incorreta. Alguém deve ter cometido um engano. Como confio no Grande Prêmio nem me dei ao trabalho de pesquisar em outras fontes. Mas dessa vez dancei.

  • A Honda renovou seu acordo de fornecimento de motores com a F Indy, e manterá sua equipe (Acura) na IMSA Wether Tech, termina seu acordo com a Penske e brevemente anunciará seu novo parceiro.
    O fato de encerrar sua participação como fornecedora de motores de F1 no final de 2021 não indica que está se afastando do automobilismo de competição como ferramenta de marketing, apenas está direcionando seus investimentos no caminho do melhor custo/benefício, focando o mercado norte americano onde tem grande participação e o gasto será menor, deixando de lado a F1, que demanda maiores investimentos e tem maior impacto no mercado europeu, onde sua fatia é bem pequena.

  • Prezado F&G: a Decisão da montadora Honda é simplesmente péssima para F-1, desacredita e perde muita credibilidade, no momento em que a categoria necessita de mais montadoras e de mais equipes, colocam água no feijão. O CEO da Honda não tem noção do impacto negativo no Marketing da empresa. Mas o chefão da Honda, com uma lente examina os custos operacionais e prejuízos financeiros, não soube colher os bons e excelentes resultados com novas vitórias da Honda na F-1. Continuo dizendo vinte caros no grid de largada é muito pouco, vamos ver se a F-1, chega ao final de 2021, e vamos aguardar o novo regulamento.

  • Parei de ler o excelente texto quando o senhor falou que no Brasil existe fascismo!
    Infelizmente sua doença pelo PT acabou com seu discernimento.
    A militância sem escrúpulos tomou conta de seus textos.
    Uma pena…

  • A Red Bull ficou numa sutuação bem complicada, afinal sobrou praticamente apenas a desafeta Renault que já tem equipe própria (lembrando que os tempos de vitórias da parceria, a Renault não tinha equipe). Além de já ser uma desvantagem não construir o próprio motor, ainda tem poucas opções na mesa. Mesmo considerando Mercedes e Ferrari, a primeira teria interesse em fornecer para sua atual maior rival? E a segunda não tem garantia nenhuma de quando vai se reerguer. E a Honda que ainda tem um ano de contrato vai investir quanto para um último ano, de saideira tanto dela própria quanto do regulamento?

    Li de novo o boato da Volskwagen, mas ainda tá difícil acreditar. Logo da Alemanha viria o motor a combustão (ainda em maior parte) e partindo do zero? Tempos dif´ceis pela frente… Mercedes cada vez mais certo que terá no mínimo mais um ano de domínio.

  • Tem um grande problema com toda essa explicação sobre o fim do interesse da Honda em corridas. A Honda acaba de estender o acordo com a Indy. Parece que a F1 vai ter que mudar, mais ainda, para reter seus investidores.

  • Outra hipotese viajante cheira cola : Honda vende projeto para papy S$$troll e a Aston Martin que já quis fazer o motor da Red Bull SE a Honda saísse passaria a fornecer pra Red Bull e para sua propria equipe… todos ganham

    • Essa é também a minha teoria, porém com comprando a fábrica de motores da Mercedes. E existem outros elementos nessa direção a Aston Martin anunciou que irá deixar de usar motores AMG Mercedes nos carros de rua.

  • Ah, não há como discordar do pensamento no atacado, mas… 2015!?!?!?!? Desde quando isso tudo está a acontecer apenas deste 2015? É mudança muito mais antiga, avisada, seria como dizer que você é jornalista desde 2015… Claro que não! O caso é de bola cantada, o fato de algumas poucas coisas aconteceram de forma “diferente” agora não quer dizer que o normal é o “antes” de 2015. Não, as coisas sempre foram assim, precisa perceber, tudo vai mudar e pronto, o futuro é do autorama. O que aconteceu nos últimos 4 ou 5 anos é apenas a percepção de que não existe apenas um polo, só isso, logo passa.

  • Tenho um filho de 16 anos. está pouco se lixando para carros. Nunca brincou de carrinho , como foi a nossa geração (bicicleta, bola, ou carrinho). Negócio deles é computador, e brincou muito de LEGO. Não faz questão de sentir prazer em acelerar um carro, “igual ao pai”. Realmente outros tempos. Engraçado que justamente MERCEDES vai parar de produzir automoveis a combustão dentro de 2 ou 3 anos. E justamente eles assinaram que continuam até 2025. Isso sim não faz sentido. MAs tenho visto o Hamilton um pouco agoniado em bater os records de Schumacher, mas por que? Tem até 2025. Ou nãos?

  • Por isso que a F1 valoriza o passe da Ferrari, afinal a categoria e a escuderia são sinonimos … Mercedes foi, voltou, tão falando que vai também …. Renault veio, saiu, veio, saiu, veio de novo… BMW, Ford, Toyota, Peugeot …. todos à mercê dos CEO, CFO e o raio que o parta ….. só Ferrari POR ENQUANTO segurando as pontas da F1 … mesmo que estas pontas hoje em dia estejam desgastadas … Gola que o diga … he he he

  • Os japoneses da Honda são covardes! Tinham um baita projeto em 2009 e venderam por mixaria pro Ross Brawn . E sgora , tem uma baita parceria com uma equipe top como a Ref Bull e um baita piloto como Verstappen , e os covardes abandonam de novo! Deveriam , no mínimo esperar uns dois anos do novo regulamento , pra em caso de insucesso , abandonarem. Que não voltem nunca mais!

  • É o caos
    Só falta próximos Gp brasil serem em Deodoro
    Em tempo, para parar o amilton precisamos:
    q ele pegue covid e fique umas 3 corridas em isolamento
    q depois, ele tenha umas unhas encravadas q inviabilizem pilotagem por mais umas 6 corridas
    A honda tem mais merchan q produto
    Vejam as estatisticas de campeonatos de automobilismo
    Até o alegado pós-venda é mito, tive um Honda e o pós-venda foi nefasto
    #NossaBandeiraJamaisSeráJaponesa

  • É difícil cravar o que vai acontecer no futuro, mas analisando algumas entrevistas e falas, é possível traçar uma tendência. Quando um piloto que tem lastro e coragem pra falar o que pensa diz que o motor Honda é fraco e uma entrevista na série da Netflix, um dirigente da RBR questionando o grau de comprometimento da Honda com a F1, deu pra perceber que a Honda, na F1, só tinha nome. E a RBR como anda desesperada pra recuperar hegemonia forçou uma resposta honesta dos japoneses. O desespero é tanto e o moedor da RBR ligado queimando vários jovens pilotos, além de desfazer parceria vitoriosa com motores Renault, que tenho um palpite que Perez deve assinar com a RBR, quebrando assim a continuidade de contratar só pilotos da academia deles.

  • Será que Honda ainda continuará na Indy? Já que num futuro próximo os motores também mudarão (serão híbridos)? No futuro creio que a Indy vai voltar a usar um único motor, como na época da ChampCar (Coswoth).

  • E tem a “ainda não confirmada” saída da Mercedes da F1, ou seja.
    Parece que o último a sair que apague a luz e a Liberty acorde para “canoa furada” em que se meteu.
    Imaginem.
    F1 com motores Ferrari ou Renault apenas.
    Equipes Ferrari, Willians(se sobreviver depois desta), Renault, Mc Laren, Hass e Alpha Romeo.
    Ou seja…6 Equipes, 12 carros no grid.
    Isso vai dar lucro ???????

  • Vc tem razão Flavinho, a circunstância foi mto estranha. A Mclaren comprou as ações da Mercedes, e planejava desenvolver seu próprio motor a partir de 2015 (ainda sem o novo regulamento de motores turbo híbridos), após o fim do contrato de fornecimento com a Mercedes. Só que em 2011, apenas 3 anos dps de sair da F1 de maneira pouco competitiva, a Honda acertou a volta a Mclaren, de maneira surpreendente. E quando mudou o regulamento dos motores, escolheu entrar 1 ano dps mesmo sabendo do risco de sair atrás das outras fornecedoras.
    Eu particularmente fico triste com essa noticia, pois sou fã das montadoras japonesas. E a F1 agora tem q pensar numa maneira de como sobreviver. Quem sabe voltar aos motores V8 aspirados, mais simples de produzir e mais baratos, subsídio as equipes menores, compra e venda de chassi, dar mais tempo de testes as piores equipes como na MotoGP pro espetáculo melhorar. É esperar pra ver

  • Tal qual corridas de cavalos, corridas de cachorros, corridas de bigas e tantas outras competições que, se não foram extintas, estão relegadas a um nicho especificíssimo, nosso automobilismo seguirá para o mesmo rumo. E como você vem nos dizendo há pelo menos um bom par (ou até mesmo uns bons pares) de anos, o carro como conhecemos e aprendemos a gostar seguirá o mesmo rumo.

  • BMW, Toyota e agora Honda, deixaram a F1. Alguma novidade? As três falharam patéticamente. Investiram fortuna e se lascaram. A situação hoje é diferente de 2015? O mundo vem mudando desde sempre e só agora o senhor Gomes percebeu. Carro elétrico, autônomo e o escambau? Grande merda. Lula, Bolsonaro, Trump infectado até o cu. Who cares? Chega de mimimi! Fuck it. Tudo muda, nada muda e acha empulhação na nossa mente corroída, “fuck you all”.

  • É exatamente por este motivo que achei mau negócio a compra da Aston Martin pelo Mr. Stroll.

    A F1 atual, assim como toda a indústria automobilística baseada em motores a combustão, já é passado. C’est fini.

    • No caso da Aston Martin vejo sentido uma operação de F-1, haja vista o segmento do mercado em que eles atuam, em.que o consumidor pode e quer pagar por tecnologia e o crescimento de que a marca está precisando pode advir do marketing de uma operação de F-1.

    • Na verdade, sabemos que a maior razão do negócio da Aston Martin (que tem tudo para vir em 2021 homenageando a Mangueira, a Estação Primeira!) é tentar fazer do seu rebento campeão de F-1. O que, caso ele consiga o conjunto certo de carro bom + motor bom + piloto iluminado, consegue.
      O segundo fator ele já tem. Tem o melhor motor disponível.
      Carro bom ele já tem a base copiada na cara dura. Tomou quinze pontos de gancho, e ficou por isso mesmo. Pra eles foi ótimo. Se aprimorar direito dá bom.
      Fazer do Stroll um iluminado é mais complicado. Mas, convenhamos, ele já não é mais o Strollpício do início da carreira. Vem, por incrível que pareça, fazendo uma temporada mais consistente que o Pérez. Não é nem será um ótimo piloto. Mas pode queimar nossas línguas.

  • Olá Flávio. Parece que a F1 vai entrando em um caminho irreversível, acredito até que vá sobrar somente motores Ferrari para abastecer os times da F1 ou alguma fabricante de motor que banque as demais equipes (Ford anos 1960-1970).
    Talvez a Red Bull negocie com a Honda para produzir o motor e depois rebatizando (Tipo Megatron da BMV), mas não duvido se Dietrich Mateschitz não resolva abandonar a F1 e investir na Fórmula E ou mesmo se concentre na MotoGP.
    No mais concordo com o restante que foi escrito e que Bernard Charles “Bernie” Ecclestone é o homem que viu o potencial econômico da F1 nos anos 1970 e teve a visão do declínio da mesma. Um gênio dos negócios.

  • Eu esperava pelo anuncio, depois das vitorias da Honda ano passado, a meu ver ,a F1 trata muito mal quem enfia grana pesada neste brinquedo.
    O que aconteceu com a Honda foi um absurdo ,o cara erra no projeto é é obrigado a ficar sei lá ,x tempo ,sem atualizar motor, não pode corrigir a cagada? Tem que ficar se humilhando em praça publica o ano todo?
    Você jogaria dinheiro nisso?
    Olha a Ferrari este ano , não podem mudar o projeto por uma regra escrota , e a maior e “unica ” torcida de F-1 é obrigada a ir ao estagio pra ver seu time levar na cara sem poder mudar o pentelho que tá fora do lugar por capricho de meia duzia de cartolas bigodudos??

    Com o tempo vão todas …… e vai ficar ela ,a Ferrari que tantos torcem o nariz.
    A F1 esta fadada ao fim se não dar valor a quem realmente merece ,os garagistas , e as fabricas independentes , e olha que tem um monte por ai . Gibson, Judd, AER e varias outras marcas de fabrica de motor de competição que muitos nem conhecem.
    Não são conhecidas porque estas prestam serviços as fabricas e são camufladas por colocar o logo do produto como por exemplo o Mazda DPi , que na verdade e um Multmatic-ACER , nada a ver com alguma genética MAZDA.

    A F-1 está na contramão da atualidade . batendo e castigando as marcas que acreditaram no produto …..não vai longe

    • VW?

      Acho que ela quer é economizar um pouco para se recuperar do “dieselgate” é focar nos elétricos.

      Se bem que com a vinda de Domenicalli para a F-1 talvez queiram entrar com a marca Lamborghini para repetir com na pias pistas da F-1 o duelo com.a Ferrari no mercado de carros esportivos e, considerando o desempenho atual do motor da Ferrari, nem precisariam de fazer um bom motor para superarem a “rossa”.

  • Quando já temos mais montadoras envolvidas na Fórmula E que na Fórmula 1, já vemos um sinal do que representa o futuro do automobilismo. Não vai demorar pra F1 ter que começar sua transição pra eletrificação completa dos motores

  • Há alguns anos. quando alguns jornalistas especializados em automobilismo, viviam e pregavam os nostálgicos V8, V10 e V12 e eu defendia os motores híbridos, me chamavam de maluco, que eu não entendia do esporte.
    A F1 deve sobreviver, um dia passará ser elétrica ou quem sabe hidrogenada, estão indo aos poucos porque eles não sabem, como ninguém, qual o caminho a ser seguido.
    Lembro aqui da história do Empire State Building, quem visitá-lo poderá notar uma seria de saídas de tubos em todos os andares, uma empresa queria construir nos subterrâneos de Nova York um sistema de tubos que levaria correspondência entre todos os edifícios da cidade, com uma central que faria essa distribuição. O Empire State, como um edifício moderno já se preparava para a nova era “tubular” de informação. Aí alguém inventou o facsimile e quem investiu no negócio de tubos entrou, literalmente, pelos canos, Daí os fax foram ficando mais modernos e até máquinas de fax a laser foram vendidas, então alguém veio com o tal E-Mail….. Tentar adivinhar o futuro, normalmente é um tiro no escuro que passa longe do alvo. No momento todos os caminhos levam ao carro elétrico, afinal uma máquina de fax é muito mais moderna que enviar cartas através de tubos. Mas…E se aparecer o carro E-mail? O carro WhatsApp? Os carros elétricos no atual conceito, vão trazer uma conta cara a ser paga, o descarte das baterias velhas. E essas mesmas baterias ainda carecem de um custo e peso beneficio bastante alto.
    Voltando a F1, Tsunoda é quem deve estar dando pulos de desespero. Não ficarei nada surpreso se a Red Bull também sair do parquinho e deixar o play ground ás moscas. No fim a salvação da lavoura poderá acabar sendo a Ferrari, deixando a F1 com uma categoria de monomarca até que uma diretriz mais clara seduza novamente os caras que produzem meios de transporte. Mas porque Ferrari? É única equipe/marca que se confunde e é parte intrínseca da Formula 1. Pros outros é investimento, pra equipe de Maranello é parte da vida da empresa.

    • Eles serão os últimos a abandonar o navio. Talvez afundem com ele. A Ferrari é tão parte da F-1 que é impensável imaginar a categoria sem ela. E certamente ela se vê dessa forma.
      Isso irá se refletir quando ela mostrar uma total resistência – se já não mostra – aos motores elétricos.
      Concordo quando diz que tudo hoje se direciona a um futuro de motores elétricos. O problema é que não sabemos ao certo o próximo passo. Hidrogênio? Levitação magnética? Energia Nuclear?
      Como disse muito bem, alguns tentam adivinhar o futuro e literalmente entram pelo cano. Lembro que trabalhei numa empresa e num dado momento nos sentimos no ápice da tecnologia porque compramos um fax que usava papéis A4 comuns e um cartucho de tinta como os das impressoras comuns. E tinha função copiadora. Ou seja, a qualidade das impressões era melhor, não apagavam com o tempo, como os faxes comuns, de impressão térmica, e ainda podíamos fazer uma cópia esporadicamente. E aí chegou o e-mail. E praticamente usávamos o fax só como telefone, mesmo.

  • Fiquei muito surpreso com o anúncio hoje. Mas a volta também foi uma surpresa. Concordo com o FG. A indústria automobilística está tomando outros rumos, e me arrisco a dizer que num futuro próximo, talvez não tenhamos corridas. Infelizmente. O mundo mudou muito. Agora, a pergunta que não quer calar: vão deixar a Indy também?

  • Pelo regulamento atual a Renault deverá ser o motor adotado, quer as partes queiram ou não. O site da F-1 já deu a deixa.

    A RedBull poderia comprar os direitos de fabricação do motor da HONDA? Acho que sim, mas os custos de desenvolvimento continuo dos motores são exorbitantes mesmo para uma equipe rica do grid.

    No próximo final de semana de corrida pergunta ao Gola Profunda se ele já ouviu rumores nos boxes da Renault sobre as ordens para retificar alguns “blocos sambados” para os novos clientes de 2022.

    Concordo com Você FG, dado a extrema sofisticação da categoria o seu futuro fica estremecido caso as fabricantes piquem a mula da competição.

  • Flávio. Acho que corrida de automóvel como conhecemos hoje está acabando. Em alguns anos as corridas serão todas virtuais e os equipamentos para receber as imagens serão 4,5 ou até 6D. Vamos sentir o barulho dos motores, o cheiro da gasolina e tudo mais como se no autódromo estivéssemos.
    Os pilotos serão meros jogadores de vídeo games.
    Torceremos não para a Ferrari ou Mercedes, mas para Nitendo, Microsoft, Apple, etc.