UM BOM RESUMO

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RIO (eu amava Jacarepaguá) – Hoje pela manhã eu e Victor Martins fizemos um “GP às 10” especial sobre o sepultamento do projeto mirabolante de F-1 em Deodoro, decretado ontem com a quebra do contrato entre a Liberty e o tal Rio Motorsports que versava, também, sobre direitos de TV para o Brasil. Pouco depois, o governador de São Paulo (que também não sei o que tem a ver com o assunto, uma vez que Interlagos pertence à Prefeitura e é com a cidade, e não com o estado, que a F-1 negocia) confirmou o que já havíamos informado segunda-feira à noite: que o GP do Brasil permaneceria no autódromo paulistano por mais cinco anos, com opção de renovação por mais cinco.

Até 2025, portanto, a etapa brasileira do Mundial de F-1 fica em Interlagos, podendo o contrato ser estendido até 2030. O prefeito Bruno Covas disse que a corrida passará a se chamar GP de São Paulo, mas não explicou direito que história é essa, nem se a F-1 está sabendo que o tucanato decidiu por conta própria mudar o nome da prova. Não creio que essa ideia estapafúrdia vá vingar — tem mais cara de bravata bandeirante. O festival de Toscanas, Estírias, Emilias-Romagnas e outras denominações de 2020 não deve se repetir num campeonato sem pandemia — que é o que se espera que aconteça no ano que vem. Assim, cada país com seu GP. A prova de 2021 entrou no calendário como GP do Brasil.

No vídeo, eu e Victor falamos bastante, também, sobre o comportamento da imprensa brasileira no caso desde o dia em que o assustador trio Bolsonaro-Witzel-Crivella assegurou que a F-1 estava saindo de São Paulo para correr em Deodoro. Isso foi em junho de 2019 e a promessa era de um GP no Rio já em 2020.

Foi um vexame a forma como compraram essa mentira e a espalharam sem o menor pudor — com as exceções de sempre, o Grande Prêmio entre elas.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

36 Comentários

  • Não torci contra o Rio, mas daqueles que estavam envolvido na treta. Onde tem essa gentalha envolvida, não há seguramente um pingo de veracidade envolvida.
    Juntar esses desgovernos juntos daria coisa boa?
    A situação era claramente política, era apenas uma cortina de fumaça e a Liberty entrou nesse barco furado e o Sr. Chasey comprou um bilhete pra trouxa. Bem feito! Quem se envolve com malandro, uma hora leva rasteira.
    Voltaram pra SP e pra Globo com o rabinho entre as pernas. E de orelhas murchas. Só rindo mesmo.

  • Show de bola a cobertura do Grande Prêmio como sempre. Além de preservar a área de Deodoro, entendo que também enterra aquela história de transformar Interlagos em um grande empreendimento de centro de convenções se não estou enganado.
    Fico feliz e aliviado com a prova em Interlagos, mas concordo que deve ser GP do Brasil e não de São Paulo. Cada uma que estes políticos inventam….

  • Gostaria de parabenizar a equipe do Grande Prêmio por toda essa história envolvendo Deodoro, floresta do Camboatá, pista imaginária aqui ou acolá, Rio Motorsports, corrida no Brasil e afins.
    Há anos leio o Grande Prêmio – acho que a primeira vez que entrei na página foi em 1997 e desde então virei leitor fiel – e jamais, nunca, em tempo algum e em nenhuma circunstância li ou vi algum de seus integrantes divulgar falácias, notícias estilo diz-que-me-diz ou, pior ainda, comportarem-se como imprensa do nariz marrom. E não poderia deixar de ser diferente nesse caso.
    Felizmente, o Liberty Media parece ter mudado o curso das coisas após a divulgação de matéria sensacional pelo Grande Prêmio quanto às intenções do bigodudo Chase Carey de levar a F1 ao Rio a todo custo. Acreditem: a mate´ria chegou sim aos ouvidos deles e pegou muito, mas muito mal. Tinha uma boa impressão do americano até então. Agora não tenho mais.
    Mais uma vez, obrigado Grande Prêmio pelo jornalismo com maiúscula que vocês há tantos anos nos premiam. Precisamos disso mais do que nunca nesses tempos sombrios em que vivemos.

    • “O bem venceu o mal”… hahahaha

      Antes da eleição do primeiro turno
      Antes dos casos de COVID explodirem novamente
      Alguém sabe da GRANA que morreu nessa brincadeira?

      Esses políticos devem rir da nossa cara todos os dias, somos muito otários.

      Obs.: O Tio Bernie é outro que deve estar morrendo de rir, não deve estar acreditando o quando somos tontos.

  • Flavio; o que o Governador tem a ver com isso???? Em principio nada… porém pode haver TUDO. (me surpreende a inocência da grande maioria em alguns momentos onde o nosso poder de analise ficar com a visão turva em relação ao que acontece as nossas vistas). Deve ter rolado GRANA pesada nessa vitória… hahahah.

    Não sabemos na integra o teor no novo acordo. Sabemos que a Prova ficará por aqui nos próximos 5 anos, que o “Brasil” perdeu… e que “São Paulo” ganhou… vide o novo nome: “GP de São Paulo” e não “GP da Cidade de São Paulo” (se estiver no contrato é assim que será “oficialmente” chamado pelos nossos Governantes e no site da Formula-1).

    “Vencemos”… Mas a que preço? Em que condições? Interlagos pode ser da Cidade, mas através de um Convênio pode ter uma influência do Estado. Mais ou menos como o Parque do Ibirapuera, que em principio é do Estado mas por uma série de convênios existe uma intervenção municipal.

    Sendo repetitivo, somos otários. A prova ficou por aqui, já está sendo usada como vitória politica do Doria e do Covas (as vésperas do primeiro turno)… o “bem (Doria/Covas) venceu o mal (Clã Bolsonaro)”.

    Muita gente bateu tambor em relação a uma possibilidade de prova no RJ que qualquer criança que sabe fazer conta de “mais” sabia que não poderia acontecer. Uma prova de F-1 se faz com GRANA… e isso não existe no RJ (aqui em SP só tem grana estatal, acho que nenhuma empresa privada assinou o acordo com a F-1 junto com o Estado/Prefeitura).

    Já falei em posts anteriores… agora devemos procurar as informações corretas sobre o “quanto custou” essa vitória do “bem contra o mal”… uma coisa é certa, deve ter garantido um bom bônus de final do ano para alguns caras da Liberty.

    Para mim, foi uma “Vitoria de Pirro” (para quem não conhece a frase, o google está aí para explicar).

  • É surreal constatar que ao final da segunda década do século XXI opiniões e discursos falsos sobressaiam à realidade! De mamadeira de piroca à fraude eleitoral americana: é assustador o número de pessoas impactadas com essas mentiras. Parabéns ao Grande Prêmio pela excelente cobertura dos FATOS.

  • Aproveitando que esse final de semana tem eleição, queria lembrar que foi a gestão da Erundina que trouxe o a F1 pra Interlagos e depois foi na gestão do Haddad que se iniciou a maior reforma depois de 1990, a reformulação da entrada e saída dos box, construção do paddock, construção do novo prédio com centro de imprensa e torre de controle e reforma completa boxes com a nova cobertura (essa ultima, finalizada na gestão do Dória/Covas).

    • Um site de Automobilismo, site este do Brasil, que tem como base a F1, PERDE TEMPO falando de assunto de F1 NO Brasil?!?!
      O que queres ler aqui, beócio?… Fofoquinhas dos pilotos e dirigentes da F1?? Estorinhas dos “”heróis” das pistas??
      É o maior e melhor justamente porque trata TAMBÉM desses assuntos de “f1 aqui no Brasil”.
      Releia a bobagem que escreveste e depois pede pra apagarem.

    • Ué… Site de automobilismo não pode falar de notícia referente a automobilismo?
      Como assim, cara-pálida?
      Surtou? Ou tá triste porque aqui foi um dos poucos sites especializados em que a posição sempre foi “isso é falácia, mentira, não vai vingar, tem coisa podre aí” e, isso, claro, vai de encontro ao que propaga a turma (ou seria quadrilha?) que acabou com a corrupção no Brasil e é diferente disso tudo que está aí, em prol de Deus, da pátria e da família, talkei?

  • A repercussão da notícia de Deodoro não me surpreende, não é de hoje que a imprensa em geral repassa sem filtro informações “oficiais” (assim entendido como advindas de qualquer autoridade). Num tópico mais inofensivo, mas sempre hilário quando vejo, é a velha notícia repetida todo ano (menos 2020, espero) do público de “dois milhões” no Réveillon da Paulista ou “três milhões” na Passeata Gay. Como é o promotor ou a polícia quem chuta o número, eles citam isso meio escondido no texto e dão destaque ao número milionário na manchete. A cascata é repetida por todo mundo, sem parar pra pensar se faz sentido ou fazer umas contas básicas.

  • Não assisti ao vídeo, confesso que gosto mais de ler do que esses programas de You Tube. Gosto em especial dos textos do escriba deste espaço, torço para que mantenha a teimosia em escrever nestes espaços em extinção chamados blogs.

    Quanto ao tema, parabenizo pela coerência em não se curvar à picaretagem do consórcio miliciano. Apenas me admiro pela forma tonta que a Liberty Media se associou aos charlatões.

    • Só acho que a forma de associação não foi tão ingênua assim… Acho que el bigodón sonhou em ganhar uma coca-cola qualquer se essa patacoada fosse adiante. Talvez tenha se arrependido, se se deu conta com quem estava se metendo. Tomara.

  • Achei legal o nome Grande Prêmio de São Paulo. Já que SP vai pagar uma fortuna em taxa(e o dólar está quase 6 reais).
    Dessa forma promove o nome da cidade e do estado. Quando falam em Brasil fica a imagem de Carnaval, praia, Cristo Redentor, Rio e Amazônia.
    E ultimamente o Brasil virou pária internacional. Muito em função aos elementos que tomam decisões em Brasília.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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