Flavio Gomes quinta-feira, 31 de julho de 2025 18:47 8 comentários
Na Hungria, hoje, Verstappen colocou ponto final nas especulações e confirmou que fica na Red Bull em 2026. E a Ferrari fez o mesmo com o chefe Vasseur, informando que seu contrato foi renovado “por vários anos”. Nos próximos dias a Mercedes confirmará a permanência de Russell e Antonelli. Vamos às férias sem nenhum mistério relevante.
Flavio Gomes quarta-feira, 30 de julho de 2025 23:47 22 comentários
25 anos, hoje, de uma das maiores vitórias da história da F-1. O release em italiano está aqui em casa, eu guardei. Acho mais legal esse. O que veio em inglês está com as fotos em preto e branco. O Brasil não vencia um GP desde 1993 com Senna na Austrália. Em Hockenheim, Rubinho foi gigante.
Flavio Gomes terça-feira, 29 de julho de 2025 17:41 40 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Medo da chuva: todos atrás do safety-car
SÃO PAULO (assim não dá…) – Essa imagem aí em cima é da largada do GP da Bélgica, que a gente fica esperando o ano inteiro porque sabe que vai chover. Só que na F-1 atual não dá mais para andar no molhado. É o que se conclui depois dos últimos eventos em que o clima forçou a entrada do safety-car, a interrupção ou adiamento de atividades de pista.
Não estou aqui choramingando na linha “antigamente era melhor, todo mundo era macho e corria de qualquer jeito”. Antigamente se morria por causa disso. Recentemente também. Spa-Francorchamps registrou dois acidentes fatais nos últimos anos: Anthoine Hubert na F-2 em 2019 e Dilano van ‘t Hoff na Freca em 2023. Prefiro ver gente resmungando do que amigos e familiares de pilotos chorando.
Mas é uma questão que deve ser discutida. Se os carros atuais, com seus assoalhos que geram grande pressão aerodinâmica, produzem spray tão denso, o que fazer? Se os pneus de chuva forte levantam tanta água que impedem um carro de andar atrás do outro, o que fazer?
A F-1 terá de chegar a alguma solução. Ontem, na hora da largada, não chovia. A pista estava molhada, mas secaria depois de dez ou 15 voltas. A visibilidade era ruim? Sim, muito. Mas alguns pilotos achavam que dava para correr — Max Verstappen foi um deles. No fim, quem apostou na chuva na véspera, ajustando seu carro para o molhado, teve de correr no seco mesmo tendo acertado na estratégia. A prova começou com 1h20 de atraso, teve quatro voltas atrás do safety-car e na 12ª os pilotos começaram a colocar pneus de seco. Ou seja: das 40 voltas “úteis” do GP da Bélgica, descontando as quatro atrás do safety-car, 32 foram percorridas no seco e apenas oito no molhado. E quem acertou na ideia de preparar o carro para a condição que a meteorologia previa, ficou chupando o dedo.
O fato é que o medo da chuva está eliminando a imprevisibilidade que o clima traz às corridas, anulando o talento de quem sabe andar no molhado e reduzindo quaisquer possibilidades de surpresas ou exibições de gala históricas. Nas duas categorias — surpresas e exibições de gala –, dá para citar um monte de cabeça: Panis em Mônaco/1996, Senna em Donington/1993, Schumacher em Barcelona/1996, Verstappen em Interlagos/2024, Barrichello em Hockenheim/2000… Não faltam exemplos.
Panis, Senna, Schumacher, Verstappen, Rubinho: reis na chuva
Enfim, não sou a favor de jogar os pilotos na pista a 300 por hora sem enxergarem um palmo à frente do nariz. É perigoso demais. Mas também não sou a favor de riscar da categoria a chance de correr no molhado. Levantem os carros, cortem a potência, instalem luzes, mudem os pneus… Alguma coisa tem de ser feita para que as corridas na chuva não sejam extintas de vez.
O Mundial depois de 13 etapas: Piastri avança
Oscar Piastri aumentou de oito para 16 pontos sua vantagem sobre um estranhamente apático Lando Norris em Spa. O inglês vinha de duas vitórias, fez a pole, estava todo pimpão, mas murchou depois que o australiano fez a ultrapassagem sobre ele na primeira volta.
Verstappen, com o quarto lugar, garantiu matematicamente a terceira posição no campeonato antes da parada para as férias, depois do GP da Hungria. Isso significa que a cláusula de rescisão que poderia acionar, se quisesse, já não pode mais. Max, comenta-se (e ninguém negou), teria como romper o compromisso com a Red Bull se chegasse ao break de verão abaixo do terceiro lugar na classificação. Não precisaria pagar multa nenhuma e ficaria livre no mercado.
Mas está em terceiro e, o que é mais importante, parece disposto a ficar pelo menos mais um ano na equipe austríaca, com quem está assinado até 2028. É o tempo necessário para saber se o motor Ford vai ser bom, se o carro de 2026 será competitivo no novo regulamento, se Laurent Mekies vai emplacar na chefia. Helmut Marko, ontem, falou à imprensa alemã e garantiu que ele fica pelo menos mais uma temporada.
Foi a senha para a Mercedes mandar uma mensagem para George Russell e acelerar a renovação de seu contrato. O inglês quer três anos. A equipe, dois. Mas vão entrar em acordo e o anúncio deve sair nos próximos dias.
O NÚMERO DA BÉLGICA
5
…corridas seguidas nos pontos completou a Sauber, sua melhor sequência desde as oito de 2018/2019 (quatro últimas de uma temporada e quatro primeiras da seguinte). A melhor fase da equipe, porém, está bem mais distante. Em 2007, com a BMW, a Sauber pontuou em todas as 17 etapas do campeonato, terminando o ano em segundo lugar, atrás apenas da campeã Ferrari. Em 2008, foram pontos em 17 das 18 etapas e a terceira posição no Mundial, atrás de Ferrari e McLaren.
Bortoleto, nono: corrida madura e segunda vez nos pontos
Os pontos da Sauber vieram, como costumam dizer as equipes, por cortesia de Gabriel Bortoleto. É a segunda vez que o brasileiro termina nos pontos. Foi oitavo na Áustria e nono na Bélgica. Bortoleto e seu companheiro Nico Hülkenberg colocaram o time em sexto no Mundial com 43 pontos — posição alcançada em Silverstone, depois do terceiro lugar do alemão. A briga nesse miolo da tabela está interessante: Sauber com 43, Pix Pode Parcelar? com 41, Aston Martin com 36 e Haas com 35. A Alpine, mais distante, segue na lanterna com 20.
A FRASE DE SPA
“Eu sabia que era a única oportunidade.”
Oscar Piastri, da McLaren
O australiano disse que planejou a ultrapassagem sobre Norris na primeira volta porque, segundo ele, seria a única chance que teria na corrida. Foi decidido para cima do companheiro, passou e em nenhum momento até o fim da prova viu sua vitória ameaçada. Foi a oitava da carreira dele, sexta no ano.
Dupla pacífica: Norris pareceu não se importar com a derrota
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… de ver Lewis Hamilton combativo e perseverante, mesmo tendo largado em 18º. Chegou em sétimo e ganhou o prêmio de “Piloto do Dia” do amigo internauta. OK, não fez nada de tão espetacular, mas lutou. As ultrapassagens no início foram feitas sobre carros bem mais lentos que a Ferrari. Acertou na mosca, mesmo, ao colocar pneus de pista seca na volta 12, o primeiro a fazer isso. A decisão jogou o inglês para a primeira parte do pelotão. Depois empacou atrás de Albon e lá ficou. Lewis fez uma troca de motor, e por isso largaria dos boxes. Mas com o atraso para o início da prova e a largada atrás do safety-car, acabou se posicionando em 18º na fila indiana.
Hamilton lutou e pontuou; Antonelli vive fase ruim
NÃO GOSTAMOS… de ver mais uma vez Kimi Antonelli zerando. Nas últimas sete corridas, o jovem italiano da Mercedes só pontuou uma vez — com um belo terceiro lugar no Canadá. É verdade que teve quebras fora de seu controle. Mas bateu em algumas, também. Além do mais, não vem conseguindo andar bem nos treinos e nas classificações. A equipe precisa chamar o menino num canto e tentar tranquilizá-lo. Kimi está claramente nervoso e abalado com a má fase. É um garoto de 18 anos que precisa de atenção para não entrar em parafuso.
Flavio Gomes domingo, 27 de julho de 2025 18:07 58 comentários
Piastri vence, com Norris em segundo: seis dobradinhas no ano
SÃO PAULO(sorry for the delay) – Oscar Piastri venceu o GP da Bélgica e ampliou sua liderança no Mundial para 16 pontos em mais uma dobradinha da McLaren em 2025, a sexta no ano. Lando Norris, que largara na pole-position, tomou um passão do companheiro na primeira volta da corrida e não conseguiu reverter o infortúnio. A prova começou com quase uma hora e meia de atraso (uma hora e vinte, Reginato, seu filho da puta, é QUASE UMA HORA E MEIA) por causa da chuva que ensopou Spa-Francorchamps desde as primeiras horas do domingo. No fim, mais de dois terços da 13ª etapa do campeonato foram percorridos com o asfalto já seco. Charles Leclerc, da Ferrari, completou o pódio. Gabriel Bortoleto chegou em nono e fez pontos pela segunda vez na temporada.
Quando o grid foi montado na hora prevista para a largada, quatro pilotos alinharam dentro dos boxes: Carlos Sainz, Lewis Hamilton, Kimi Antonelli e Fernando Alonso. Todos tinham feito classificações tristonhas e decidiram mexer no acerto de seus carros para pista molhada-molhada. Alonso até brincou. “Pensei que seria o único a fazer isso, quando vi tinha um monte de carro ali”, falou. “Até nisso sou azarado.”
Com água por todos os lados, a volta de apresentação teve o safety-car puxando o pelotão para avaliar as condições da pista. Antes de completar meia volta a direção de prova suspendeu a largada. A visibilidade era nula. Foi todo mundo para o grid torcer para o asfalto secar, o que poderia demorar bastante. Não chovia, mas a temperatura baixa, 17°C, e o circuito encharcado faziam prever uma longa espera. Só um piloto reclamou do adiamento da largada. Max Verstappen, pelo rádio, disse que era só dar umas três ou quatro voltas atrás do safety-car que a água escoaria. “Agora vai chover forte e vamos ficar umas três horas aqui sem fazer nada”, resmungou. “É um saco, isso.”
Chuva atrasa tudo: 1h20 de espera até a largada
A região estava cercada por nuvens negras ameaçadoras. Abracurcix morreria de medo de o céu desabar sobre sua cabeça, mais ainda depois do primeiro relatório da meteorologia: chuva forte em nove minutos. Fujam para as colinas! Mas também vai chover nas colinas! Fujam para o Nordeste, então!
E, de fato, depois dos nove minutos previstos o céu desabou sobre as cabeças de todos em Spa, Francorchamps & cercanias. Foi rápido, até, mas molhou mais ainda tudo aquilo que já estava molhado. Não havia muito o que fazer. Naquela hora, tocou o telefone de Toto Wolff. Era dona Veronica. “Nem pense em deixar meu filho sair nessa chuva!” O chefe da Mercedes, então, mandou alguém procurar Antonelli, que foi encontrado chutando poças atrás dos boxes com dois amiguinhos.
Por volta das 11h de Ceilândia, uma hora depois do previsto para o início da prova, as câmeras de TV flagraram – o termo é esse mesmo, um flagrante – algumas frestas entre as nuvens com céu azul e, oh!, sol. Foi a senha para mandar o safety-car de novo à pista para ver se daria para correr. E o diagnóstico foi: dá. A largada, então, foi marcada para as 16h20 locais, 11h20 no Gama.
Verstappen na Eau Rouge: corrida discreta
Nas arquibancadas, belgicanos (adoro escrever “belgicano”; então, Reginato, seu filho da puta, não adianta mandar carta para o jornal) tiravam suas camisetas e passavam protetor solar. Algumas cadeiras de praia foram abertas aqui e ali e creio ter visto três banhistas jogando altinha, esporte que os cariocas querem ver transformado em modalidade olímpica. Os pilotos foram avisados que sairiam atrás do safety-car de novo, por pelo menos duas voltas. Ou mais, se a direção de prova achasse necessário.
E assim foi. Em fila indiana, todos deixaram os boxes e foram encarar o spray que já é um clássico da terra de Tintim, o belgicano mais famoso da história, só rivalizando com Jean-Claude Van Damme. As voltas já estavam contando.
Parte da pista seguia bem molhada, especialmente no complexo Eau Rouge-Radillon-Kemmel. Do outro lado, um sol tímido – “insuportável”, segundo alguns belgicanos – ajudava a secar o asfalto. “Vai secar rápido”, alertou Hamilton, na rabeira do pelotão. As luzes do safety-car foram apagadas no meio da quarta volta. A largada seria lançada, com os carros em movimento. E, finalmente, começou o GP da Bélgica.
Piastri, decidido, foi para cima de Norris no final da reta depois da Eau Rouge e não quis nem saber de gentileza com o companheiro de equipe. Passou o pole sem dó nem piedade. Assumiu a liderança e se mandou. Não que tenha desaparecido no horizonte. Lando se aprumou e decidiu que iria lutar pelo que tinha perdido. Ficou perto de Oscar para aproveitar qualquer eventualidade. Mais atrás, George Russell ganhou a posição de Alexander Albon. E Max Verstappen passou a chargear Leclerc.
(“Chargear”, Reginato, seu filho da puta, era usado pelos locutores de futebol da antiguidade, e se você nunca entendeu o que queria dizer, é porque você é uma besta, Reginato.)
Lando, o bonzinho, cumprimenta Oscar: australiano abre 16 pontos
Nas primeiras voltas da prova, quem mais se divertia era Hamilton. Passou Sainz, Franco Colapinto, Nico Hülkenberg e Pierre Gasly na mesma volta, subindo para 13º na décima passagem. Verstappen, que seguia chargeando Leclerc, fez o primeiro ataque nessa mesma volta, a 10ª, e quase passou o monegasco na abertura da 11ª. Chaleclé reclamou que seus pneus intermediários já estavam em petição de miséria, porque metade da pista estava seca. Mas os de Max não estavam em condição muito melhor.
E foi por isso, e não por qualquer outro motivo, que na volta 12 Hamilton foi para os boxes e colocou pneus slick médios, num raro acerto estratégico dele e da Ferrari neste ano. Hülkenberg, Gasly e Alonso fizeram o mesmo. A turma do fundão não tinha muito a perder e assumiu o papel de cobaia. Piastri parou na sequência e Leclerc, idem. Então todo mundo resolveu ir para os boxes. Que se virassem onde a pista estivesse úmida. Norris assumiu a liderança e iria tentar voltar de sua troca à frente do companheiro. “Acelera, Oscar, senão ele te passa e você fica chupando o dedo!”, ordenou o rádio. “Sim”, respondeu o falante piloto papaia.
Lando fez seu pit stop e colocou pneus duros, para ir até o final sem mais trocas e apostando numa segunda parada do líder do campeonato — que acabaria não acontecendo. Não conseguiu voltar em primeiro, porém. Piastri retomou a ponta, seguido pelo parceiro. Depois deles, a uma enorme distância, vinham Leclerc, Verstappen, Russell, Albon, Hamilton – fazendo uma bela corrida –, Liam Lawson, Hülkenberg e Bortoleto nas dez primeiras posições. Na 15ª volta, não sobrava mais nenhum pneu intermediário na pista.
Hamilton sorriu, finalmente: ganhou 11 posições
Piastri rapidamente abriu mais de 9s de vantagem sobre Norris, pela diferença dos pneus – médios ligeiros x duros lerdos. O sol brilhava sobre Spa, Francorchamps & cercanias e não havia mais perspectiva de chuva, sei lá, pelas próximas duas horas. Pelo rádio, a McLaren avisou Norris que Piastri também tentaria ir até o fim sem uma nova troca. Antes, o engenheiro perguntara ao australiano se dava para fazer isso. “Sim”, respondeu. “Mas vai acabar essa borracha, você tá sabendo, né?” “Sim.” “Não vai nem pro pódio.” “Sim.”
Na volta 20, a Sauber pediu a Hülkenberg para deixar Bortoleto passar. O brasileiro estava mais rápido e assumiu a nona posição. Ele mesmo tinha sugerido a troca pouco antes, percebendo que tinha mais condições de atacar o oitavo, Lawson. O que, no caso, acabou não acontecendo.
A diferença entre Piastri e Norris se estabilizou na casa dos 8s na altura da 21ª volta, quase metade da corrida. O engenheiro de Piastri continuava falando com seu piloto sem parar. “Você decide aí se quer parar de novo, tá ok?” “Sim.” “Se não parar o Lando vai ganhar e vai ser campeão.” “Sim.” “Tá sabendo que o Lando andou mandando mensagem pra sua namorada?” “Sim.” Nessa hora, o engenheiro desligou o rádio e resmungou: “Corno”.
Bortoleto: corrida sólida e pontos pela segunda vez no ano
Com a pista toda seca, o GP belgicano ficou parecido com a Sprint belgicana da véspera: chato. As ultrapassagens se tornaram mais difíceis e as distâncias entre os litigantes não se alteravam muito. Bortoleto, depois de passar o companheiro, não conseguia se aproximar de Lawson o bastante para ameaçar o neozelandês da Pix é Melhor que Visa Chupa Trump. A diferença não chegava a 2s, mas não caía para menos de 1s, o que permitiria ao osasquense abrir a asa móvel.
Na volta 30, Colapinto e Alonso pararam de novo. Depois veio Antonelli. Não se tratava, necessariamente, de um aviso de que uma segunda parada seria necessária para todo mundo. Era, sim, a turma do fundão, de novo, disposta a tentar alguma coisa para ver se funcionava. Perdido por dez, perdido por mil. A galera da ponta, porém, nem esboçava movimento parecido.
Na volta 33, Hulk parou e colocou pneus novos, também. Caiu para 15º, saindo dos pontos. No rádio, a McLaren voltou a conversar com Piastri. “Olha aqui, agora já era, vai até o fim com esse pneu mesmo e não enche o saco. Não vai reclamar depois se der merda.” “Sim.”
Os dez primeiros e a classificação final (dir.): deu a lógica
A corrida se arrastou até o final sem mais novidades, com Piastri, Norris, Leclerc, Verstappen, Russell, Albon, Hamilton, Lawson, Bortoleto e Gasly nas dez primeiras posições. Foi a primeira dobradinha da McLaren na Bélgica desde 1999. Naquela ocasião, com David Coulthard e Mika Hakkinen. Piastri venceu pela sexta vez no ano, oitava na carreira. Aliás, uma curiosidade: os três que foram ao pódio hoje têm oito vitórias na F-1. Não quer dizer nada, é apenas uma curiosidade. Mas ela vai além: sabe quantas corridas Jacky Ickx, que deu a bandeirada para Piastri, ganhou na vida? Oito, também.
(Reginato, seu filho da puta, eu sei que Ickx ganhou mais do que oito corridas na puta da vida. “Vida”, nesse caso, é Fórmula 1. Se você mandar mais uma carta, Reginato, seu filho da puta, eu vou arrebentar sua cara.)
Resumindo, o domingo belgicano foi divertido enquanto choveu. Spa é assim.
Flavio Gomes sábado, 26 de julho de 2025 12:52 21 comentários
Norris na pole: quarta no ano, 13ª na carreira
SÃO PAULO(que chova!) – A McLaren dominou a classificação para o GP da Bélgica. Depois de perder a Sprint para Max Verstappen horas antes, o time papaia se recuperou e fechou a primeira fila para a 13ª etapa do Mundial de F-1. Lando Norris fez a pole e terá ao seu lado no grid Oscar Piastri. Foi a quarta pole do inglês no ano, 13ª na carreira. Charles Leclerc e Verstappen estarão na segunda fila.
Fosse essa corrida disputada no interior do Piauí aos olhos de Josué e Rosa, Cheiroso e Fabiano, Otília e Sabiá (Arduíno, nem pensar; demônio), seria fácil apostar na dupla para mais uma dobradinha dos líderes do campeonato. Mas a prova acontece nas Ardenas, região de clima instável e úmido, palco de batalhas sangrentas das duas guerras mundiais, por onde passava a Linha Maginot dos franceses – não exatamente em Spa-Francorchamps, mas na mesma região; vocês entenderam.
E a meteorologia prevê chuva para amanhã. Fazer previsão do tempo por aquelas bandas não é muito complicado. Se você disser na TV todos os dias que vai chover, seu índice de acerto, ao longo de um ano, será altíssimo. Consultei pelo celular as localidades de Stavelot, Malmedy e Robertville, sítios que conheço bem, sei até onde comer uma boa truta com amêndoas. Em todas as chances de chuva batem na casa dos 80%. Resumindo, vem água.
Pancadaria em 1998: chuva sempre ajuda na Bélgica
Aí, tudo depende de quanto. Em 2021, lembremo-nos, nem corrida teve. Ficaram esperando a tempestade dar uma trégua, não deu, o tempo foi passando, a torcida se encharcando e enlameando, um frio desgraçado, e no fim, quatro horas depois do previsto para a largada, o diretor de prova soltou todos atrás do safety-car, deram três voltas e a bandeira vermelha foi acionada. Valeu o resultado da volta anterior, ou seja, a primeira após a volta de apresentação. Sim: um GP de uma volta. Um horror. Mudaram as regras e isso não pode mais acontecer. Qualquer prova tem de ser encerrada no máximo três horas depois do horário marcado para a largada. Se der para correr, corre. Se não der, tchau.
Resumindo, que ninguém faça prognósticos para o GP da Bélgica. Na chuva, tudo pode acontecer – frase feita e verdadeira. Inclusive nada. Mas já vi cada uma em Spa… A melhor em 1998, quando o grid inteiro bateu na largada. Procurem no Google. Lembro que a sala de imprensa era em cima dos boxes antigos, depois da Source, na descida para a Eau Rouge. Quando começaram a bater, saí da minha mesa e fui para o terraço. Levei alguns segundos. Ao chegar, ainda estavam batendo os últimos. Foi legal pacas.
Mas vamos à classificação, disputada no seco e com 22°C nos termômetros. O tempo urge e tenho de ir para o Canindé.
Leclerc, Norris e Piastri: os três primeiros no grid
Piastri e Norris, gato & rato, abriram os trabalhos no Q1, com o australiano na frente e tempos ainda pouco emocionantes. Havia uma certa escassez de pneus macios para quase todo mundo, por causa da distribuição feita em finais de semana de Sprint – são seis jogos de faixa vermelha para cada piloto. Assim, pneus usados foram colocados nos carros logo de cara, para ver se ainda funcionavam bem.
Norris acabou em primeiro com 1min41s010, com Piastri em segundo, Verstappen em terceiro e Isack Hadjar em quarto. O vexame? Lewis Hamilton, de novo. Ele fez o sétimo tempo, mas perdeu a volta por exceder os limites de pista na curva 4, também conhecida como Petite Montée de l’Eau Rouge (ou, numa tradução livre, “subidinha da Água Vermelha”). Azar de uns, sorte de outros. Gabriel Bortoleto, que tinha ficado em 16º e seria eliminado no Q1, ganhou a chance de fazer o Q2. Lewis, rebaixado, abriu a turma dos degolados, seguido por Franco Colapinto, Kimi Antonelli, Fernando Alonso e Lance Stroll — pior grid da história da Aston Martin.
Antonelli, Antonelli… O que está acontecendo? Época de provas? Boletim veio com nota vermelha e pediram para dona Veronica assinar? Anotação da diretoria porque aprontou no recreio com o gordinho da 6ª C? Andou matando aula? Pegaram o moleque fumando no banheiro? Tá apaixonado pela loirinha da 7ª F?
Alonso e Hamilton: veteranos decepcionaram
Q2 em marcha, notou-se que a Red Bull colocou um pouco mais de asa no carro de Verstappen, pensando na chuva vindoura d’amanhã. Seu desempenho no primeiro setor da pista, de altíssima velocidade, deixou de ser espantoso para ser apenas bom. Na soma dos três trechos, o tempo de volta acabava sendo mais ou menos o mesmo. É que correr no molhado com pouca carga aerodinâmica não é muito recomendável. E entre a classificação e a corrida, não pode mexer muita coisa no carro, como prega o regulamento. E a Red Bull joga dentro das quatro linhas, tá ok?
Faltando cinco minutos para o fim do Q2, Piastri e Norris seguiam em primeiro e segundo: 1min40s626 para o australiano, o inglês 0s089 atrás. Max em terceiro, Leclerc em quarto. A dupla da Sauber, por sua vez, estava batendo na porta do Q3, mas ainda na zona de eliminação: Nico Hülkenberg em 11º e Bortoleto em 12º.
A segunda volta rápida do brasileiro foi muito boa e ele acabou aproveitando bem o presente de Hamilton. Passou ao Q3 com o nono tempo, levando a Sauber à fase final da classificação. Esteban Ocon, Oliver Bearman, Pierre Gasly, Hülkenberg e Carlos Sainz foram os proscritos. Avançaram, pois, as duplas de McLaren, Red Bull e Passa Pix?, junto com representantes solitários de Sauber, Williams, Ferrari e Mercedes.
Red Bull, Mercedes, Sauber, Ferrari, Williams e Yuki sorrindo
Verstappen abriu os trabalhos no Q3 com uma volta em 1min41s078, pouco empolgante. Norris e Piastri rapidamente atiraram o holandês para o terceiro lugar novamente, com 1min40s562 para o #4 e 1min40s751 para o #81. A briga era exclusiva dos amiguinhos da McLaren. Max estava mais de 0s5 atrás do inglês. Bortoleto teve sua primeira volta rápida cancelada porque excedeu os limites da pista, mas não faria muita diferença. O brasileiro chegou ao Q3 sem pneus macios novos, já que usou tudo o que tinha ontem e hoje. Sem pneus na cera, como se diz, é difícil fazer bons tempos.
A segunda excursão dos dez primeiros pelos 7.004 m de Spa atrás de voltas rápidas não mudou muito a ordem das coisas. Apenas Leclerc e Alexander Albon, melhorando seus tempos, escalaram o grid. Chaleclé foi para terceiro, o tailandês da Williams subiu para quinto. OK, Reginato, Piastri também melhorou, mas ficou onde estava. Não sabe ler não, filho da puta?
O grid em Spa: 69ª primeira fila da McLaren
Norris e Piastri dividem a primeira fila pela terceira vez no ano. A McLaren chegou a 69 dobradinhas de grid na sua história e é a terceira nesse item das estatísticas, atrás de Mercedes (84) e Ferrari (83). A diferença entre os dois foi de 0s085. Na segunda fila, Leclerc e Verstappen – o monegasco superou o holandês por meros 0s003. Depois vieram, pela ordem, Albon, George Russell, Yuki Tsunoda, Hadjar, Liam Lawson e Bortoleto. O tempo do brasileiro ficou a 1s825 do de Landinho.
Largada amanhã às 10h. Jogo da Lusa hoje às 16h. Programinha no YouTube às 20h. Classificação do #96 em Interlagos amanhã às 7h, largada às 12h35. Fim de semana cheio, como se vê.
Flavio Gomes sábado, 26 de julho de 2025 8:05 5 comentários
Verstappen comemora: vitória em Sprint pela 12ª vez
SÃO PAULO(zzz) – Max Verstappen venceu a Sprint da Bélgica na manhã deste sábado cumprindo à risca o script que a Red Bull rabiscou para ele: largar bem, colar no pole-position Oscar Piastri na pirambeira da Eau Rouge, pegar o vácuo, passar na freada para a Les Combes. Depois, se segurar na frente como pudesse. Aconteceu exatamente assim. Ao final das 15 voltas, foi o holandês o primeiro a receber a bandeirada. Colado nele, Piastri. Colado em Piastri, Lando Norris, o outro piloto da McLaren.
Foi a 12ª vitória de Verstappen em provas curtas da F-1, disputadas desde 2021. Isso dá 57,1% do total de 21 realizadas. Nesta temporada, ainda tem três pela frente: Austin, Interlagos e Catar.
No campeonato, não mudou muita coisa. Piastri abriu mais um pontinho em relação a Norris na tabela, com a diferença subindo para nove: 241 x 232. Para o time austríaco, embora o peso de uma vitória em Sprint seja quase simbólico, a satisfação maior estava na mureta dos boxes. Foi a estreia de Laurent Mekies como chefe de equipe no lugar de Christian Horner, demitido depois de 20 anos de serviços prestados. Uma boa estreia, pois.
A largada e a perseguição de Piastri a Verstappen
O sábado em Spa-Francorchamps começou sem chuva e com temperaturas amenas, na casa dos 21°C. Como imaginado depois da classificação de ontem, e pelas posições de grid, Max foi para cima de Piastri logo na primeira volta e previsivelmente passou o australiano na freada para a Les Combes, a chicane que fica no topo do circuito após a sequência Eau Rouge-Radillon-Kemmel. Leclerc também deixou um carro da McLaren para trás, o de Norris. O resto ficou tudo mais ou menos como estava.
Lando devolveu a gentileza de Chaleclé na volta 4 e retomou o terceiro posto. Oscar tentava de aproximar de Verstappen, mas tinha alguma dificuldade, mesmo com a asa móvel aberta. Tudo porque a Red Bull optou por deixar seu piloto com pouca asa, como se diz, para ganhar velocidade em reta. Nas curvas, o holandês que se virasse para domar o cavalo chucro. E conseguia. Se a decisão estratégica foi de Verstappen ou do novo chefe Mekies, não se sabe. Seja como for, acertadíssima.
Red Bull, Aceita Pix?, Haas e Williams: todas pontuaram
A diferença entre eles não chegava a 1s em momento nenhum. Mas o tetracampeão parecia não se importar com a visão do australiano no retrovisor. Na volta 9, quem começava a se preocupar era Piastri: Norris, pela primeira vez, reduziu a distância e passou a ter a chance de abrir a asa sobre o companheiro, também.
Os três se descolaram do resto. Enquanto brigavam em Spa, os demais se encontravam em Francorchamps. Em fila indiana, todos muito próximos, é verdade, mas sem tentativas mais agudas de ultrapassagem. Quando a penúltima volta foi aberta, a transmissão da TV mostrou o goleiro Courtois preparado para dar a bandeirada. Boa escolha. É o belga mais famoso desde Tintim.
Os oito primeiros e Max: poucas emoções
Max, imperturbável, seguia em frente. Piastri não atacou. Atrás deles, Norris observava, igualmente sem demonstrar muita disposição de partir para a luta. E, assim, o piloto da Red Bull cruzou a linha de chegada 0s753 à frente do #81 papaia, que por sua vez colocou meros 0s661 sobre o #4 de Norris. Leclerc, Ocon, Sainz, Bearman e Hadjar fecharam os oito primeiros, os que pontuam em Sprints. Bortoleto foi o nono. Gasly, oitavo no grid, não aparece aí porque, coitado, teve um vazamento de água em seu carro e ficou nos boxes. Chegou a ir para a pista quando a prova já tinha começado, mas apenas para ver se estava tudo bem. Uma lástima.
Não foi uma boa Sprint. Acabou sendo um desfile de carros de F-1 em alta velocidade, mas sem empenho de ninguém. Quase um teste de luxo para a definição do grid de logo mais, às 11h. Ainda sem chuva. Que todos aproveitem os últimos momentos assim. A previsão para amanhã é de água à vontade.
Flavio Gomes sexta-feira, 25 de julho de 2025 13:48 24 comentários
Piastri na pole: retomada do australiano?
SÃO PAULO(pau a pau) – Oscar Piastri larga na pole-position para a Sprint da Bélgica, a terceira minicorrida de 2025. O líder do Mundial ficou com o primeiro tempo na sessão que definiu o grid em Spa-Francorchamps. Max Verstappen estará ao seu lado na primeira fila, com Lando Norris, companheiro de Piastri na McLaren, em terceiro. Pode ser o início de uma retomada do australiano, batido por Norris nas duas últimas etapas, na Áustria e na Inglaterra.
Para a dupla papaia, separada por apenas oito pontos na tabela do campeonato, essa prova é importante. Eles vão brigar pelo título até o fim do ano e qualquer pontinho vale, nessa hora. Para os demais, a relevância é um pouco menor. Os pontos contam, é claro, mas não vão mudar o destino de ninguém. Por isso mesmo, atenção na largada: Verstappen, franco atirador, vai buscar o vácuo de Piastri logo depois da primeira curva, La Source, para fazer sua espuminha. O mesmo deve acontecer com Charles Leclerc, da Ferrari, quarto no grid. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, fez uma boa classificação e larga em décimo. O grande vexame do dia foi Lewis Hamilton, em 18º com a Ferrari.
Hamilton: penúltima fila, vexame
A sexta-feira teve sol entre nuvens e termômetros na casa dos 22°C nas Ardenas. Não choveu, e a meteorologia diz que não vai chover amanhã, também. No domingo, ninguém garante nada. Em certas regiões da Bélgica, a chuva é uma certeza tão grande quanto as batatas fritas com maionese.
Pela extensão da pista, mais de 7 km, ninguém pode moscar muito em classificação. Menos ainda em classificação de Sprint, em formato pocket. O tempo é sempre curto e as voltas, longas. Por isso, assim que a luz verde apareceu na saída dos boxes, foi todo mundo à luta porque não haveria tempo para muita conversinha.
Kimi Antonelli rodou na sua primeira tentativa de volta rápida, espalhando brita pelo asfalto – para desgosto de seu companheiro George Russell, que relatou “o piso emporcalhado pela imperícia de determinados novatos que em vez de estarem na escola, estudando, encontram-se em plena sexta-feira correndo de carro e oferecendo riscos, com sua impetuosidade, a motoristas bem mais experientes cujo histórico…”, e era o que estava falando quando o rádio foi cortado, a pedido da Mercedes.
De camiseta: solzinho tornou a sexta-feira agradável em Spa
Mas é igual pra todo mundo, como dizem os técnicos de futebol quando encaram um gramado esburacado, ou os surfistas obrigados a disputar um campeonato nas ondas raquíticas de Praia Grande, ou os tenistas submetidos à fornalha de Melbourne no verão do hemisfério sul. Pouco tempo, que cada um trate de fazer sua volta boa rápido e sem cometer erros.
Hamilton foi um desses. Na sua segunda “flying lap”, freou tarde, travou os pneus e rodou na Bus Stop quando fechava sua volta, sendo eliminado do SQ2. Não teve suspensão nova que resolvesse a parada. A Bus Stop, que tem esse nome porque antigamente havia, de fato, uma parada de ônibus naquele ponto da estrada, não é mais uma chicane clássica – vem babando do trecho de alta velocidade, freia forte, dobra à esquerda, depois direita, acelera, freia de novo, direita, esquerda. Virou uma espécie de curva “negativa”, em que os pilotos precisam brecar rudemente para, então, praticamente dar marcha-à-ré antes de chegar à reta dos boxes. Nunca gostei muito dessa nova Bus Stop. Nem Lewis, pelo jeito. Pela ordem, foram degolados no SQ1 Alexander Albon, Nico Hülkenberg, Hamilton, Franco Colapinto e Antonelli. O argentino deu mais um passo rumo à demissão. Nem na Recoleta alguém acha que o menino chega ao final da temporada.
Ferrari: suspensão nova funciona com Leclerc, 4º no grid
Piastri, com 1min41s769, foi o mais rápido do SQ1, seguido por Verstappen, Norris, Fernando Alonso e Russell nas cinco primeiras posições. Bortoleto foi o décimo colocado, começando bem o fim de semana – no treino livre, já havia conseguido uma decente 13ª colocação.
O SQ2 atrasou um tiquinho porque a turma das vassouras foi chamada para varrer a brita espalhada pela pista. E tinha bastante, porque Spa é desses circuitos em que muitas áreas de escape não são asfaltadas. São, sim, vastas extensões ameaçadoras cobertas de areia e pequenas pedras feitas para atolar, capotar, bater forte e ser devorado pelos monstros da floresta. Os pilotos jovens morrem de medo. Uma vez sugeri a um cara lá do autódromo que colocassem areia movediça ou fosso com ariranhas nas áreas de escape, e ele gostou da ideia da areia movediça porque não sabia direito o que eram ariranhas. Ficou de pensar no assunto.
No SQ2, nada muito diferente: uma volta para cada um e olhe lá; se der alguma merda, vai ser num sufoco danado. Como os carros da F-1 hoje exigem uma preparação de volta, algo como marinar o salmão antes de selá-lo na frigideira, não dá tempo, em Spa, de duas marinadas e duas seladas do jeito que se deve. De novo, acerta aí ou vai fazer bico nos boxes reclamando de alguém.
Gasly, Ocon e Bortoleto: destaques do dia
Assim, a dupla da McLaren foi a primeira a fazer suas voltas, achando que tudo seria tranquilo. Norris virou 1min42s182 e Piastri, 1min41s736. Mas os comissários cancelaram (me recuso a usar o verbo “deletar”, esse anglicismo de termo originário do latim, é verdade, mas cuja natureza é ligada às coisas da informática, não do cronômetro) a volta de Oscar por exceder os limites da pista, levando o pânico à McLaren. Então foi um corre-corre danado nos boxes e no fim das contas deu tempo para as duas marinadas e as duas seladas no salmão – para quem não entendeu, o salmão aí são os pneus, as cargas das baterias dos motores elétricos, essas coisas que precisam ser contempladas nas voltas de preparação; sem elas, não vem tempo.
Norris acabou fechando o SQ1 em primeiro com 1min41s412 e Piastri, na bacia das almas, foi o décimo. Entre eles ficaram Verstappen, Leclerc, Esteban Ocon, Bortoleto, Pierre Gasly, Oliver Bearman, Carlos Sainz e Isack Hadjar. Surpresas, claro, as excelentes performances do quarto ao sétimo colocados – dois carros da Haas, um da Sauber, um da Alpine. Gabriel voltou a andar muito bem, levando seu carro à disputa das dez primeiras posições. E foram para o vestiário mais cedo Liam Lawson, Yuki Tsunoda, Russell, Alonso e Stroll.
Verstappen cumprimenta Piastri: os dois na primeira fila
A Mercedes esperava muito de Spa neste fim de semana. Afinal, venceu o GP da Bélgica no ano passado com Hamilton — Russell, na pista, chegou em primeiro, mas foi desclassificado por estar abaixo do peso e a vitória ficou com seu companheiro, a última do inglês pelo time alemão. Ainda mais porque as temperaturas estão amenas, o que agrada os carros prateados. Mas ficou com seus dois pilotos fora do SQ3 da Sprint. Um belo começo…
Também atrasou o início do SQ3, porque foi necessária uma faxina mais caprichada com o uso de aspiradores Arno para tirar os pedriscos espalhados pelo circuito. Os tempos iriam cair bastante, porque na parte final do “Shootout”, como é chamada essa classificação de Sprint, todos são obrigados a usar pneus macios – no SQ1 e no SQ2, as regras impõem os médios.
Norris, o primeiro a sair dos boxes, fez 1min41s128. Verstappen veio em seguida e conseguiu 1min40s987. Piastri derrubou os dois com 1min40s510. E assim ficaram os três primeiros: Piastri na pole, Max em segundo, Landinho em terceiro. Na sequência, Leclerc, Ocon, Sainz, Bearman, Gasly, Hadjar e Bortoleto.
O grid da Sprint: Haas coloca dois entre os dez primeiros
O quinto lugar de Esteban, que é a forma espanhola para o nosso Estêvão, que vem do grego Stéphanos, que quer dizer “coroado” no sentido de vitorioso, digno e honrado, foi o resultado mais surpreendente. “Ah, mas ele é francês e você disse que o nome é espanhol!”, mandaria uma carta ao jornal meu primeiro hater, o Reginato, que escrevia para a Redação da “Folha” para reclamar de erros em textos de F-1. Nunca conheci o Reginato, mas se um dia tive vontade de matar alguém foi ele. Porque não eram erros-erros, eram problemas de digitação – como sair “Beger” em vez de Berger, ou “Etoril” em vez de Estoril. Uma vez saiu um tempo escrito assim: 1mi28s076. O Reginato escreveu para o jornal para corrigir, o certo era 1min28s076, faltava o “n”, e a carta chegou ao jornal dez dias depois da publicação, e fomos obrigados a publicar um “erramos”, que era a admissão pública de um erro, e que caía no colo de alguém, que tinha uma anotação na ficha, e isso prejudicava promoções e aumentos de salário. Filho da puta, o Reginato.
Esteban é nome espanhol porque o pai do Ocon é de Málaga, Reginato, seu filho da puta. Ele nasceu na França mas o pai quis dar a ele um nome espanhol, Reginato, seu filho da puta.
Bortoleto não fez uma volta espetacular no SQ3 e ficou a 1s666 de Piastri. Mas larga com chances, claro, de terminar entre os oito primeiros e pontuar. A corrida é rápida, 15 voltas, e não tem tanta gente muito melhor atrás dele, não, exceção feita à Mercedes de Russell. O carro da Sauber melhorou barbaramente desde a Espanha e hoje briga no meio do pelotão.
A prova começa às 7h de Taguatinga. “É de Brasília!”, vai escrever o Reginato, em carta para o jornal. Taguatinga é do lado de Brasília, Reginato, seu filho da puta. É onde estava ontem, chorando, o nojento de tornozeleira, Reginato, em quem você deve ter votado, seu filho da puta.
Flavio Gomes terça-feira, 22 de julho de 2025 22:53 27 comentários
SÃO PAULO (isso sim) – 1993. Véspera da abertura do Mundial de F-1 em Kyalami, na África do Sul. A BBC faz um programa de 20 minutos apresentando a temporada que se encerra com o grid de largada. Entrevistas com Senna, Prost, Schumacher, Mosley, Dennis e todos os pilotos britânicos que correriam naquele ano — Herbert, Brundle, Blundell, Hill e Warwick. Entrevistas sérias, sem bobagens, influencers, gracinhas, piadinhas, falsa intimidade. Você assiste e ao final se sente informado e respeitado. Sabe isso que chamam de “pré-hora”? É assim que se faz.
Não é nostalgia, saudosismo, reflexões na linha “no meu tempo era melhor”. É apenas um exemplo de como se transmitia informação no passado. Sabe como? Informando. Ponto. E era melhor, sim.
Ah, eu estava nessa corrida. Foi minha segunda visita à África do Sul. No ano seguinte haveria eleições, Nelson Mandela se tornaria o primeiro presidente negro do país e a F-1 achou que as coisas poderiam estar tensas demais para fazer uma corrida por lá.
Flavio Gomes segunda-feira, 21 de julho de 2025 17:23 1 Comentário
A F-1 volta nesta semana com o GP da Bélgica, sempre um dos mais legais do ano. E tem Sprint sábado. Horários, programação, informações, tudo aí na nossa artezinha!
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
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