FOTO DO DIA

Está cheio de vídeos e outras fotos nas redes sociais dos envolvidos (no caso, McLaren, Brad Pitt, Fórmula 1). O galã teve a chance de pilotar o carro da McLaren de 2023 em Austin. Amanhã ele estará nas telas do mundo inteiro na estreia de “F1 – O Filme”. E aí, estão ansiosos? (Não dou a menor bola para a ansiedade de vocês, é apenas perguntinha para gerar engajamento.)

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ENCHE O TANQUE

Forçando um pouco a barra, só por causa da bomba da Shell. Mas vale pelo inusitado da criação automotiva. Para entender vocês terão de ler o recorte do “Diário Popular” de 16 de junho de 1966, o velho “Dipo”, aqui de São Paulo. Quem mandou foi o Alexandre Giesbrecht.

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LADALAND

Cuidado para não babarem na tela do celular ou do computador. O Azimut (que nome lindo!) será lançado em 2026. Com motor a combustão. 100% soviético.

Link com mais informações aqui.

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STÄDTISCHE LEGION

Como não publicar mensagem tão simpática e foto tão linda? Henrique Fiebig mandou.

Tenho sido um de seus leitores silenciosos há décadas. De quando em quando, em viagem, me pego pensando no seu blog ao me deparar com alguma lembrança automobilística daqueles tempos idos que costumam despertar certa nostalgia, ainda que nós mesmos não os tenhamos vivido. Pois bem: viajando pelas terras ancestrais da Alta Lusácia, lugar de origem de parte da família paterna, cruzei com esse bravo camarada estacionado na Berliner Straße, em Görlitz, diante da fachada do velho hotel que já não existe, mas que certamente foi testemunha das idas e vindas de muitas Alemanhas. O momento capturado me pareceu significativo, a despeito das habilidades do fotógrafo, e por isso rompo o silêncio para compartilhá-lo com você e, quem sabe, com os leitores do blog.

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AGENDINHA AUSTRÍACA

Enquanto a bola rola nessa Copa do Mundo mequetrefe, a F-1 volta a acelerar neste fim de semana na Áustria. Agendinha no ar!

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ONE COMMENT

Alpine, 70 anos. Depois de um vídeo desses, dá vontade até de abraçar o Briatore. Quem mandou foi o André Scudeller. Lindo demais.

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SOBRE DOMINGO À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

O momento da batida: Norris descontrolado

SÃO PAULO (sempre é tempo…) – Mais uma vez recorremos a um frame da TV para eleger a imagem de um GP. A batida de Lando Norris em Oscar Piastri no final da corrida de Montreal ilustra bem o que acontece neste Mundial. Dois pilotos da mesma equipe, a McLaren, brigando pelo título. Em algum momento vai sair faísca. No ano passado já houve um ensaio em Monza. E Piastri não tira o pé. E Norris perde a cabeça. Por isso o australiano lidera o campeonato.

Menos mal para o time que Lando assumiu a culpa imediatamente, colocando água fria na fervura que ameaçava transbordar da panela. Uma crise potencial perdeu força. O pedido de desculpas foi feito antes que os dois pilotos voltassem ao escritório papaia para encarar a chefia. Entre mortos e feridos salvaram-se todos, porque Piastri conseguiu terminar a corrida onde terminaria, mesmo. Mas ficou no ar a…

FRASE DE MONTREAL

“Por sorte só eu paguei o preço.”

Lando Norris

O GP do Canadá colocou pilotos de oito equipes na zona de pontos. As duas únicas que zeraram foram a Alpine e a Se é de Aproximação Encosta Aqui Atrás. Dois times comemoraram seus resultados porque não deixaram passar em branco efemérides importantes. A Haas fez dois pontinhos com Esteban Ocon em nono, no 200º GP da história do time. Já a Aston Martin bateu nas 100 corridas desde a volta à categoria em 2021 festejando o sétimo lugar de Fernando Alonso. O time ainda tem mais cinco participações entre 1959 e 1960. A Alpine também chegou a 100 corridas com esse nome mas, como já dito, não teve nenhum motivo para fazer festa.

O resultado de Montreal recolocou a Mercedes na vice-liderança dos Construtores. Haas e Aston Martin também subiram uma posição. Entre os pilotos, Piastri ampliou de dez para 22 pontos sua vantagem sobre Norris. Verstappen descontou seis pontos em relação ao líder. Eram 49 de diferença, agora são 43.

Kimi Antonelli, eleito “Piloto do Dia” pelo amigo internauta, se tornou o terceiro mais jovem piloto a subir ao pódio na F-1, com a terceira colocação no Canadá. Aí em cima estão os dois primeiros desse ranking, com as respectivas idades em anos, meses e dias, para quem perdeu a aula no Fisk. Fisk, Fisk, inglês é Fisk! Lembram?

Esqueçam, foi apenas uma breve digressão. E não, vocês não estão vendo coisas. Lance Stroll é o segundo mais jovem a levar um troféu de F-1 para casa. Corria pela Williams em 2017 quando foi terceiro colocado no GP do Azerbaijão. Algum valor esse moço deve ter. O primeiro pódio de Verstappen foi também o de sua primeira vitória, na Espanha em 2016. Era sua primeira corrida pela Red Bull.

O NÚMERO DO CANADÁ

10

…corridas na mesma temporada sem subir ao pódio nenhuma vez. Foi a série completada por Lewis Hamilton, algo que nunca tinha acontecido antes em sua carreira. A pior marca era de 2009, nove provas sem troféus entre os GPs da Austrália e da Alemanha. Na carreira, Hamilton igualou sua pior sequência sem pódios, 12 corridas. Isso aconteceu pela primeira vez entre os GPs do Brasil de 2023 e do Canadá de 2024. O último pódio do inglês foi em Las Vegas no ano passado, segundo colocado.

Hamilton nos boxes: marmota atrapalhou

Hamilton terminou a corrida de Montreal em sexto. Teve um problema logo no início da corrida, quando atropelou uma marmota — a única fatalidade do fim de semana no mundo animal. O bichinho abriu um rombo no assoalho de seu carro. “Perdi meio segundo por volta”, contou. “Estou devastado.” Pela marmota, não pelo meio segundo.

Tragédia na marmotalândia, festa para dois pilotos neste domingo: George Russell, o vencedor (130ª vitória da Mercedes na F-1), e Robert Kubica, que ganhou as 24 Horas de Le Mans com a Ferrari do outro lado do Atlântico, na França. Pouca gente se lembra, mas os dois formaram a dupla da Williams em 2019, tempos em que a equipe definhava antes de ser vendida a um fundo de investimento dos EUA. Naquela temporada, o time fez um único ponto, do décimo lugar de Kubica na Alemanha.

O mundo dá voltas…

Corrida encerrada, todo mundo seguiu pra Nova York onde, ontem, foi apresentado em avant-première “F1 – O filme”, produção que estreia nos cinemas no final do mês. Todo mundo, quase. Verstappen não apareceu. Alguém há de dizer: foi cuidar da filha recém-nascida, Lilly, em Mônaco. Pode ser. Mas hoje, terça, o holandês estava fantasiado de Franz Hermann mais uma vez, testando um Aston Martin GT3 em Spa-Francorchamps. Max já não esconde as intenções de engatar uma vida em provas de longa duração. Quando? Não se sabe. Mas está levando a sério. Em maio, ele fez o mesmo em Nürburgring, só que com uma Ferrari.

Mas teve festa, e vamos a algumas fotos. Depois delas, a avaliação de nossa comentarista de moda, Laêne Caetano.

O melhor look, de acordo com nossa avaliadora, foi o de Yuki Tsunoda. “Moderno”, resumiu. Liam Lawson também saiu bem na foto, segundo ela: “Despojado e casual”. O jaquetão estilo José Sarney de Charles Leclerc foi criticado com um olhar de desprezo. Esteban Ocon, segundo ela, escolheu um modelo incompreensível: “Se fantasiou de garçom”. Pierre Gasly, sob sua ótica, “lembrou um agente funerário”. Gabriel Bortoleto, sempre na opinião da especialista, “alugou um terno barato”. Mas ninguém ficou tão mal na fita quanto Nico Hülkenberg: “Parece um cafetão”.

Laêne disparou mais alguns impropérios fashion. “O defunto era maior”, sobre Isack Hadjar. “É farialimer?”, sobre Carlos Sainz. “Não se vai a uma festa dessas com tênis comprado na Renner”, sobre Franco Colapinto e Norris. “Esse é um poser, mas se veste bem”, sobre Hamilton.

Concordei com quase tudo.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… de Hülkenberg, que terminou entre os dez primeiros pela segunda vez consecutiva, levando a Sauber a inimagináveis 20 pontos no campeonato — a equipe fez quatro no ano passado inteiro. O carro andou bem em pistas muito diferentes, como Barcelona e Montreal. Não é uma cadeira elétrica.

NÃO GOSTAMOS… do protesto lavrado pela Red Bull contra a Mercedes, alegando que Russell freou bruscamente atrás do safety-car, levando Verstappen a ultrapassá-lo. A FIA também não gostou e nem aceitou a reclamação. Toto Wolff, chefe da Mercedes, considerou a atitude de Christian Horner, chefe do time rival, “mesquinha e ridícula”.

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NAS ASAS

SÃO PAULO (nem era tanto…) – O Luiz Dutra mandou o vídeo de 1953, da BBC. A emissora acompanhou o voo teste entre Londres e Tóquio, com escalas em Roma (Itália), Cairo (Egito) ou Beirute (Líbano), Bahrein, Karachi (Paquistão), Calcutá (Índia), Rangoon (Birmânia), Bangkok (Tailândia), Manila (Filipinas) e Okinawa (base militar americana no Japão). Em 36 horas, “um dia e meio”, o felizardo passageiro chegava à capital japonesa a bordo de um Comet da BOAC (British Overseas Airways Corporation).

O Comet foi o primeiro avião a jato a entrar em operação comercial, se não me equivoco. Gosto de aviação, estou escrevendo de cabeça, “Google-free”. Se alguém quiser pesquisar, vá em frente e conte o que descobriu nos comentários. Que me lembre, foi uma aeronave que não durou muito, houve alguns acidentes, as investigações concluíram que havia problemas estruturais de projeto e o avião caiu em desgraça.

Mas o vídeo é uma graça.

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GRANDE ESTILO

Recebi o release e republico quase na íntegra, pela importância do carro e pelo bom texto da assessora Juliana Rangel. Depois das fotos.

Em uma busca online por peças de carros antigos na internet, netos de João Storani, fabricante do veículo Concorde, sucesso nos anos 70 e atração do Salão do Automóvel da época, tiveram uma surpresa quando navegavam por um site americano: um dos carros fabricados pelo seu avô estava à venda. João Storani foi um dos primeiros a preservar carros antigos no Brasil. Iniciou o projeto em 1974 com os filhos João Antônio e Cesar Augusto e fabricou 25 modelos do Concorde. Inspirado no Duesenberg J, um cupê conversível norte-americano da década de 30, o veículo era montado sobre o chassi próprio e suspensão do Ford Galaxie e sua carroceria era construída em plástico reforçado com fibra de vidro, incluindo detalhes como capota de lona, estofamento em couro, aletas da grade em aço inoxidável, componentes cromados em bronze, câmbio automático, rodas raiadas exclusivas para o modelo e falsos tubos de exaustão nas laterais do capô.  O Concorde foi um carro muito luxuoso, sendo o carro mais caro no 12⁰ Salão do Automóvel.  O carro fabricado em 1979 foi encontrado pela família em 2015, no Mississipi, e arrematado. Após reunir documentos e comprovar que o carro era original e não uma réplica, a família conseguiu importar o Concorde, que veio na época precisando de restauração. O Concorde ficou guardado todos esses anos e, agora, está sendo finalizada a segunda restauração do veículo. Também foi somente agora que a família decidiu que a relíquia do avô está pronta para entrar em uma exposição e é um dos confirmados no 10º Encontro Brasileiro de Autos Antigos (EBAA), que acontece de 19 a 22 de junho, em Águas de Lindoia. Esse modelo do Concorde é o quarto das 25 unidades fabricadas no Brasil, que a família de João Storani conseguiu encontrar e trazer de volta para Jundiaí. Os veículos ficam guardados em uma garagem especial.

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CANA-DEU (3)

George comemora em Montreal: quarta vitória na carreira

SÃO PAULO (delicinha) – Pela primeira vez no ano o pódio de um GP de F-1 não teve ninguém vestido de laranja. Ou papaia, como se fala hoje, graças a uma fortíssima campanha global de marketing dos produtores de mamão. A McLaren sofreu no Canadá sua primeira pancada da temporada, que ainda terminou com um vexame de Lando Norris. Ele bateu no companheiro e líder do campeonato Oscar Piastri a três voltas do final, lutando pelo quarto lugar. A vitória foi de George Russell, da Mercedes. A equipe ainda levou o jovenzinho Kimi Antonelli ao pódio, em terceiro. O segundo foi Max Verstappen, da Red Bull. Piastri conseguiu terminar em quarto. Lando abandonou, com a suspensão quebrada no muro e a moral destroçada pelo erro bizarro. Pelo menos admitiu o erro.

Russell venceu pela primeira vez no ano e quarta na carreira. Já Kimi levou a Itália ao pódio pela primeira vez desde o segundo lugar de Jarno Trulli pela Toyota no GP do Japão de 2009. A Mercedes voltou ao segundo lugar entre os Construtores, com 199 pontos. Passou a Ferrari, que terminou a prova de Montreal em quinto e sexto, respectivamente, com Charles Leclerc e Lewis Hamilton.

A corrida quebequense foi bacana, com interessantes estratégias e muita tensão nas voltas finais, na briga pelo último degrau do pódio que culminou com a patacoada de Norris. O inglês vai precisar de um divã nos próximos dias.

E vamos ver como foi esse GP do Canadá na ensolarada Montreal, que teve um domingo tórrido para os padrões do país, com os termômetros explodindo nos 25°C.

Russell no início da prova: controle do começo ao fim

Os dois carros da Mercedes largaram muito bem, com Russell não dando chances a Verstappen de jogar areia nos seus olhos na primeira curva, que era seu plano inicial. Antonelli lembrou dos tempos recentes de pega-pega na escola e jantou Piastri. No resto da turma, Nico Hülkenberg ganhou duas posições e Alexander Albon perdeu três – os destaques da largada.

Na quinta volta, Verstappen assediava Russell de forma ameaçadora. “Olha aqui, tô chegando, tonto!”, gritava no rádio, sabendo que alguém na Mercedes passaria o recado ao adversário. “Quando eu te passar vou atirar uma marmota no seu cockpit hahahaha!” George, preocupado, pediu à equipe para alertar os comissários esportivos. “Veja, esse tipo de ameaça muito me preocupa, sobretudo pela questão ambiental. Uma marmota? Viva? Se ele fizer isso, temos de chamar Luisa Mell. Mell com dois ‘L’ no final, procurem-na nas redes sociais. Ela é uma brasileira ativista muito ativa, com o perdão da repetição. Mas é recurso literário que se usa para reforçar uma ideia, e eu costumo…”

Nesse momento Toto Wolff tirou os fones, se levantou e pediu para alguém conseguir uma cópia do contrato de Russell com a equipe. “Deve ter alguma cláusula que permite desligar o rádio”, comentou com quem estava ao seu lado, no caso Valtteri Bottas. Com uma marmota de pelúcia nas mãos.

Na décima volta, George já respirava mais tranquilamente. A diferença para Max batia nos 2s e a ameaça de receber um roedor no cockpit parecia afastada momentaneamente. As posições da primeira volta se mantinham inalteradas: Russell, Verstappen, Antonelli, Piastri, Hamilton, Fernando Alonso, Norris, Leclerc, Hulk e Franco Colapinto nas dez primeiras posições. A primeira ultrapassagem relevante foi de Landinho sobre Fernandinho, valendo a sexta posição.

Max, que no início tentara chegar em Russell, foi para os boxes na volta 13, quando já estava para ser ultrapassado por Antonelli. Colocou pneus duros e não levou um risco no capacete do novato italiano. Na volta seguinte, Russell parou também, colocando os mesmos pneus duros – ele e Max largaram com médios; da turma da frente, apenas Norris e Leclerc optaram pelos compostos com faixa branca, para esticar o primeiro stint. Com as paradas de Verstappen e Russell, Antonelli assumiu a ponta na volta 14. Durou pouco o gostinho de liderar uma corrida. Na volta seguinte a Mercedes o chamou para a troca. Voltou à pista novamente atrás do holandês da Red Bull.

As paradas se sucediam. Hamilton estava sendo ultrapassado por Norris quando entrou, também. Com 16 voltas, Piastri e Norris eram os dois primeiros. Pelo rádio, o engenheiro de Lando mandou o recado: “Vamos precisar de uma daquelas corridas excepcionais para vencer, companheiro”. “Tipo qual?”, perguntou o inglês, sem se lembrar de nenhuma. Na volta 17, foi a vez de Oscar parar. Norris assumiu a liderança, com Leclerc em segundo. Ambos sem pit stops.

No fundão, Gabriel Bortoleto foi ultrapassado por Carlos Sainz e Yuki Tsunoda na mesma volta, caindo de 12º para 14º. Como tinha largado com pneus duros, o brasileiro ia se mantendo na pista enquanto a turma dos médios parava para trocar. Todos que largaram com os duros – nove dos 20 pilotos – torciam por um safety-car, ou um protesto de imigrantes, ou uma invasão das tropas de Gilead. Qualquer coisa que permitisse uma parada “de grátis”. Mas nada de excepcional acontecia.

A corrida até era divertida, porque a galerinha de pneus novos, ao voltar à pista, tinha condições favoráveis para fazer ultrapassagens. E o passa-passa não cessava, ainda que as manobras fossem fáceis, determinadas pela situação da borracha de cada um. Quem tomava passão de todo mundo era Albon, que largara de pneus médios e reclamava um monte com a Williams sobre algo que não sabemos exatamente o que era: “Não sei por que vocês não me escutam nunca!”, falou. O time pediu para ele parar. Ele se recusou. Só foi fazer seu pit stop na volta 24. Caiu para último.

Na Ferrari, Leclerc foi orientado a migrar para o Plano B. Respondeu que preferia o Plano C. O engenheiro disse que tudo bem. Tive a impressão que não sabia qual era o B e qual era o C. Com Charlinho, ultimamente, é melhor não discutir. Na volta 26, Russell chegou no monegasco e passou. Foi para segundo, tendo Norris à frente sem trocar pneus. Era o nome da corrida, àquela altura favoritíssimo à vitória.

Leclerc finalmente parou na volta 29. Colocou pneus duros de novo. “Não entendi a escolha”, disse, pelo rádio. “Nem eu”, respondeu o engenheiro. Nem ninguém. Norris parou na volta seguinte. E colocou médios. Essa escolha todos entenderam. Fazia sentido. Chaleclé continuava reclamando no rádio. “Por que me pararam? Meus pneus estavam bons!” “Não sabemos. Ninguém sabe. E temos raiva de quem sabe”, encerrou o engenheiro.

Com 30 voltas, Russell, Verstappen, Antonelli, Piastri, Norris, Leclerc, Hamilton, Esteban Ocon, Sainz e Alonso eram os dez primeiros. Do inglês da Mercedes para o tetracampeão da Red Bull, a diferença não era grande: 2s2. Max estava no jogo, embora a tarefa fosse bem difícil. Sua preocupação era maior com Antonelli, atrás dele, do que em lutar pela vitória, que parecia distante.

Na metade da prova, volta 35, Ocon, em oitavo, e Sainz, em décimo, eram os únicos da zona de pontuação sem parar, ainda. Bortoleto, em 12º, também seguia com os mesmos pneus da largada, assim como Tsunoda (11º), Liam Lawson (13º) e Pierre Gasly (15º). Esses, estava claro, tentariam fazer a corrida com apenas uma parada.

Na volta 38, quando Antonelli se aproximou novamente de Verstappen, Max parou e colocou um novo jogo de pneus duros. Era seu segundo e último pit stop. A Mercedes reagiu imediatamente e chamou Kimi. Ele também colocou pneus duros e na saída dos boxes quase passou o rival. Mas, com pneus frios, acabou não conseguindo. A briga aconteceria nas voltas seguintes.

Russell, Piastri, Norris, Leclerc, Verstappen, Antonelli, Hamilton, Alonso, Ocon e Sainz eram os dez primeiros na volta 40. O líder parou na volta 42, colocou pneus duros, saiu em quarto e tinha 3s5 de vantagem para Verstappen, com borracha mais nova. Era só não fazer nenhuma bobagem que ganharia a corrida. Bobagem que quase aconteceu na troca de um dos pneus, o traseiro esquerdo, que demorou um pouco para ser colocado corretamente.

Piastri, o líder, falava intensamente com a McLaren pelo rádio. “Os pneus estão bons, Oscar?” “Sim.” “Mas estamos vendo aqui que a borracha está desgastada.” “Sim”. “Então talvez seja melhor trocar, não acha?” “Sim.” “Mas seria bom, mesmo, ir até o fim.” “Sim.” Depois dessa profunda discussão, Piastri parou na volta 46 e colocou seu último jogo de pneus, duros. Voltou em sexto. Norris veio na seguinte. Leclerc assumiu a ponta, com uma parada apenas.

Kimi & George: abraços na Mercedes

O primeiro abandono da corrida foi de Albon, na volta 49. E o primeiro pênalti, para Stroll – deu uma apertada em Gasly, e ainda tomou cinco pontos na carteira. Nada que alterasse a cotação do dólar canadense, já que todos os supracitados estavam no fundo do pelotão, apenas fazendo número. Bortoleto parou na volta 50 e colocou pneus médios, voltando em 18º dos 19 que estavam na pista. Ocon, Sainz, Tsunoda e Gasly seguiam sem trocas.

Na liderança, Leclerc voltou ao rádio e perguntou por que a equipe ainda não o tinha chamado para a segunda troca. “Porque não queremos que você dê muitas voltas de médio”, respondeu o engenheiro. “Mas eu gosto dos médios, eles são bons.” “Por isso mesmo, nós sabemos, só queremos te irritar.” Mas ele parou, na volta 54. E Russell voltou à ponta para as voltas finais da corrida, com Verstappen em segundo, Antonelli em terceiro e Piastri muito perto do jovial italiano. Todos próximos, separados por apenas 4s. Norris, Leclerc, Hamilton, Ocon, Sainz e Hülkenberg fechavam o grupo dos pontos.

Piastri pressionava Antonelli, o que levou dona Veronica, sua mãe, a ligar para Toto Wolff. “Quantos anos tem esse moleque atrás do meu filho? Ele é da 7ª F, eu vi na festa junina! E o Kimi ainda está na 5ª C. Dois anos de diferença! Não pode, vou falar com a diretora!” O chefe da Mercedes concordou. Com dona Veronica não se discute. Prometeu falar ele mesmo com a diretora.

Tsunoda, Ocon e Sainz pararam na volta 58. Eram os últimos que ainda não tinham trocado pneus. Faltando dez voltas, Oscar perdera o contato com Antonelli e passara a ser acossado por seu companheiro Norris. Valia o quarto lugar. Briga interna, gostamos. Alguém entrou no rádio de Oscar. “Ele disse que você é um cuzão!”, falou a voz estranha. “Sim”, respondeu o piloto. “Vai passar por dentro de você, seu banana!” “Sim.” Não aconteceu nada. “E aí, bateram?”, perguntou Verstappen. “Não, Max, não deu certo”, lamentou Christian Horner.

Não naquela hora.

A briga pela última posição no pódio estava bonita e tensa. Antonelli já não tinha como atacar Verstappen, e os dois carros papaia atrás dele vinham com a asa aberta, babando. Na volta 66, Norris aproveitou uma brecha e passou Piastri na freada do cotovelo. Na curva seguinte, Oscar tracionou melhor, os dois desceram a reta juntos e o australiano recuperou a ponta. Na reta dos boxes, Lando perdeu a cabeça. Tentou passar pela grama, sua roda dianteira direita tocou na traseira esquerda de Piastri. Foi para o muro. Uma cagada federal.

Pelo rádio, antes que brotasse qualquer polêmica, o inglês pediu desculpas. “Errei. Foi mal. Culpa minha. Fui um estúpido”, admitiu. O safety-car foi acionado. A corrida terminaria atrás do Mercedão vermelho, já que não haveria tempo para uma relargada. Piastri ainda parou nos boxes para colocar um jogo de pneus macios, caso houvesse um reinício. Ou talvez para garantir que o pneu tocado por Norris não furasse.

Houve também uma tretinha entre Russell e Verstappen, o primeiro freando forte atrás do safety-car, o segundo passando e devolvendo a posição, claro, e reclamando que ele tinha freado agressivamente, e George dizendo que ele tinha ultrapassado ilegalmente, mas ficou por isso mesmo. Jean Alesi, que 30 anos antes vencera o GP do Canadá pela Ferrari, deu a bandeirada. Russell, Verstappen, Antonelli, Piastri, Leclerc, Hamilton, Alonso, Hülkenberg, Ocon e Sainz foram os dez primeiros. Bortoleto terminou em 14º.

O grande perdedor do fim de semana foi Norris. Jogou no lixo dez pontos de um quinto lugar garantido e ainda viu o companheiro marcar 12, além de gerar um mal-estar desnecessário na equipe. Na Mercedes, só festa: um pódio duplo, primeira vitória desde Las Vegas no ano passado, um menino como Antonelli levando um troféu para casa em seu 11º GP. O domingo não poderia ter sido melhor.

Na classificação, Piastri agora tem 198 pontos. Lando estacionou nos 176 e Verstappen foi a 155. Russell, o vencedor de Montreal, está em quarto com 136. Além da turma que tomou banho de champanhe – e do rapaz que precisa tomar um banho de juízo –, a prova teve destaques na zona de pontuação. O interminável Alonso conseguiu seu melhor resultado no ano, sétimo, sendo combativo do início ao fim. Hulk pontuou pela terceira vez no ano com a Sauber, com mais uma atuação sólida, aproveitando as brechas que algumas corridas abrem para que times como o seu terminem entre os dez primeiros. Ocon e Sainz, nono e décimo, fizeram valer a estratégia de apenas uma parada e também beliscaram uns pontinhos.

F-1 agora, só daqui a duas semanas na Áustria, a casa da Red Bull. Até lá, a favorita McLaren precisa juntar os caquinhos da primeira escorregada do ano. Não é tão complicado assim. Cabeça no lugar é tudo que uma equipe precisa nessas horas.

ATUALIZAÇÃO – O resultado final do GP do Canadá só foi proclamando mais de cinco horas depois do fim da corrida. Antonelli, Piastri, Ocon, Leclerc, Sainz, Gasly e Stroll foram investigados por terem ultrapassado outros carros após a bandeira quadriculada, na volta de desaceleração, quando retornavam aos boxes. Ocorre que como a prova terminou sob safety-car, o modo “bandeira amarela em todo o circuito” estava em vigor mesmo depois de encerrada a prova. Uma bobagem completa. Todos foram advertidos, apenas. Ocon e Bearman foram investigados — e também advertidos — por outras duas situações: o primeiro por uma freada brusca atrás do safety-car e o segundo por cortar uma chicane durante a corrida. Norris foi o único que recebeu uma punição de 5s acrescidos ao seu tempo total de prova, por causar a colisão com Piastri. Ainda que ele não tenha terminado a corrida com o carro andando, percorreu mais de 90% das 70 voltas e por isso teve uma classificação final. O pênalti não muda nada, porque ele estava fora da zona de pontos, de qualquer forma. E a Red Bull entrou com um protesto contra Russell por ter freado atrás do safety-car, forçando Verstappen a ultrapassá-lo e, depois, a tirar o pé para o inglês reassumir a ponta. A FIA rejeitou. E o resultado da pista ficou inalterado.

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