FOTO(S) DO DIA

Toda honra e toda glória à Ferrari #83 privada, da AF Corse, que venceu hoje as 24 Horas de Le Mans com o trio Robert Kubica, Phil Hanson e Yifei Ye. Polônia e China entram para a lista dos ganhadores da maior corrida do mundo. E a Casa de Maranello vence a prova pelo terceiro ano consecutivo, cada um com um carro e uma tripulação diferentes. Ah, e o GRANDE PRÊMIO, que transmitiu ao vivo, tinha quase 100 mil pessoas simultâneas assistindo às ultimas voltas em seu canal no YouTube. Parabéns a toda a equipe que transformou aquele sitezinho que criei 25 anos atrás numa potência da comunicação!

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CANA-DEU (2)

Russell: sexta pole na carreira, segunda no Canadá

SÃO PAULO (brilhou) – George Russell foi espetacular em Montreal. O inglês conseguiu a pole-position para o GP do Canadá com uma daquelas voltas que a gente dá uma vez na vida e outra na morte, com o perdão da expressão de péssimo gosto, quando se fala de automobilismo. Foi o único piloto no fim de semana a andar abaixo de 1min11s no circuito quebequense. Bateu a favorita McLaren e Max Verstappen, que voltou a impressionar na classificação depois de andar mal nos treinos livres. Resultado: a primeira fila da décima etapa do Mundial de F-1 terá os dois que se estranharam no final do GP da Espanha, duas semanas atrás.

Oscar Piastri, líder do campeonato, foi outro que nos treinos obteve posições muito discretas, mas no fim das contas brigou pela pole. Acabou com a terceira posição no grid. Seu companheiro Lando Norris, mais uma vez, espanou o parafuso na classificação e larga apenas em sétimo. Errou na sua primeira tentativa no Q3 e não conseguiu emplacar uma volta boa depois.

Russell fez a sexta pole de sua carreira e primeira neste ano. No ano passado também largou em primeiro no grid de Montreal, mas chegou em terceiro. A primeira curva vai ser divertida. Max tem chance de ganhar essa corrida se conseguir andar de cara para o vento, como dizia Galvão Bueno. É a forma de impor o ritmo da prova e administrar os pneus. Mas se ficar atrás de Jorginho nas primeiras voltas, pode sofrer com um desgaste de pneus acima do desejado.

E como fazer a primeira curva na frente? Na base da queda-de-braço, diriam os mais valentes. Ocorre que Verstappen está pendurado na pontuação de sua carteira de motorista. Tem 11 pontos e se for punido por alguma traquinagem será suspenso por um GP. O limite é de 12 para um período de 12 meses. O holandês precisa passar em branco no Canadá e na Áustria, para começar a descartar pontos do passado. Se resolver partir para a briga com Russell logo de cara, pode despertar a antipatia dos comissários e tomar o cartão vermelho.

Resumindo, acho que o tetracampeão vai dar uma aliviada na largada amanhã. Aliás, Russell acha o mesmo. Na entrevista pós-pole, feita por Jacques Villeneuve, foi perguntado sobre a primeira curva. Brincou que tem menos pontos na carteira, insinuando que se alguém tiver de tirar o pé, não será ele. A torcida, que escutava as declarações no sistema de som do autódromo, vaiou e deixou o inglês da Mercedes sem graça.

Mas isso passa. Agora ele e sua equipe vão se debruçar sobre os dados dos três treinos livres e da classificação para traçar uma estratégia que possa dar aos prateados a primeira vitória no ano. Os carros da Mercedes andam melhor com temperaturas baixas e elas têm sido camaradas desde a sexta-feira. Hoje, na classificação, apesar do sol, os termômetros mal passaram dos 20°C. A prova terá 70 voltas, com uma estratégia-padrão de duas paradas.

Agora vamos saber como foi essa pole de Russell.

Os três primeiros no grid: da esq. para a dir., Verstappen, Russell e Piastri

O Q1 foi uma salada de pneus e pilotos se revezando na ponta da tabela, alguns com médios, outros com macios. Russell, Piastri, Verstappen e Fernando Alonso ocuparam a desejada P1 em algum momento. Faltando 5min30 para o fim da primeira parte da classificação, a bandeira vermelha foi mostrada pelos fiscais. Motivo: voou a tampa do motor do carro de Alexander Albon, da Williams. A peça se estraçalhou no vento, espalhando pedaços pelo asfalto. Seria preciso varrer a pista – o sinistro ocorreu na grande reta que leva à última chicane do traçado canadiano.

No momento da interrupção, Carlos Sainz, Pierre Gasly, Albon, Oliver Bearman e Nico Hülkenberg estavam nas últimas cinco posições, perto da degola. A Williams não podia ser dar ao luxo de ficar fora das fases seguintes da classificação, já que seus dois carros vinham andando bem nos treinos — mostrando que o time teria chances bem concretas de pontuar na corrida. É o tipo de oportunidade que não se desperdiça. Lá na frente, antes de retomado o Q1, aparecia um surpreendente Alonso com 1min12s239, marca obtida com pneus médios.

Feita a faxina, quem estava ameaçado pelo cronômetro voltou à pista para se garantir. Norris e Piastri entre eles, e ambos entraram na casa de 1min11s, superando o espanhol da Aston Martin. Lewis Hamilton fez o mesmo e subiu para terceiro. As cartas se embaralharam e ao final foram eliminados Gabriel Bortoleto, Sainz, Lance Stroll, Liam Lawson e Gasly.

Ruim para o brasileiro, que tinha dado a impressão de que passaria ao Q2 com tranquilidade, como fez seu companheiro Hülkenberg. O espanhol da Williams foi atrapalhado por Isack Hadjar, reclamou muito, mas ficou só na braveza. Norris, Piastri, Hamilton, Charles Leclerc, Verstappen, Alonso, Russell, Albon, Hadjar e Franco Colapinto foram os dez primeiros. Albon conseguiu seu tempo na bacia das almas, depois de trocar a cobertura do motor. Colapinto, que estava precisando fazer alguma coisa que prestasse com a Alpine, conseguiu, finalmente: avançou ao Q2.

Verstappen abriu os trabalhos na segunda parte da classificação com 1min11s638 em sua primeira volta rápida. E fê-la, a volta, com pneus médios. Norris e Piastri se aproximaram, mas não bateram o holandês. Leclerc conseguiu, com 1min11s626. E depois, também usando médios, Russell cravou 1min11s570.

(Aqui cabe repetir a explicação pneumática. A Pirelli levou para Montreal o trio de pneus mais macios de que dispõe: C4, C5 e C6. Esse C6 é o mais molenga de todos, portanto mais aderente e, teoricamente, o mais rápido. Foi usado pela primeira vez em Ímola. Mas é inconstante. Às vezes sua performance despenca antes do fim da volta. Por isso alguns pilotos usam os C5, que levam a tarja amarela de médios, mas são os macios na maioria das pistas. Entenderam? Se não entenderam, azar.)

Hamilton: na frente de Leclerc no grid

Foram eliminados no Q2, sem grandes surpresas, Yuki Tsunoda, Colapinto, Hulk, Bearman e Esteban Ocon. O japonês terá de pagar uma punição de dez posições no grid porque no terceiro treino livre fez uma ultrapassagem com bandeira vermelha. Larga em último. Avançaram as duplas de McLaren, Ferrari e Mercedes. Com um piloto cada, Red Bull, Aston Martin, Passa em Três Vezes? e Williams.

Leclerc foi o primeiro a fechar volta no Q3, 1min11s729. Norris fez uma volta péssima e nem chegou perto. Errou na última chicane. Piastri, por sua vez, virou em 1min11s273: 0s456 melhor que o monegasco. Mas não durou muito, a alegria: Verstappen bateu o cronômetro em 1min11s248, surpreendendo todo mundo. O holandês, em quase todos os treinos, vinha andando longe dos ponteiros – a exceção foi o primeiro deles, o menos importante. Não era cotado como candidato à pole.

O grid, com Tsunoda já no fundão, mas sem pênalti de Hadjar

Lando ficou na pista com o mesmo jogo de pneus e acabou fazendo o quinto tempo na primeira bateria de voltas rápidas. Teria pneus novos na segunda tentativa. Mas ele já não era mais protagonista. Porque nos últimos segundos do Q3 quem brilhou foi o trio Piastri-Verstappen-Russell. Oscar superou o holandês, que deu o troco e pulou para primeiro de novo. Então veio Russell para fazer uma volta monumental em 1min10s899, com pneus médios. Verstappen, Piastri, Antonelli, Hamilton, Alonso, Norris, Leclerc, Hadjar e Albon ficaram com as dez primeiras posições.

Hadjar recebeu uma punição de três posições no grid por atrapalhar a volta de Sainz no Q1. Cai de nono para 12º. Albon, Colapinto e Hülkenberg ganham uma posição cada.

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CANA-DEU (1)

SÃO PAULO (freezing) – George Russell foi o mais rápido do primeiro dia de atividades para o GP do Canadá, em Montreal. O inglês da Mercedes fez a melhor volta do segundo treino livre em 1min12s123, 0s028 à frente de Lando Norris, da McLaren, o segundo colocado. Kimi Antonelli, coleguinha de Russell na Mercedes, ficou em terceiro a 0s288 do amiguinho mais velho. O líder do Mundial, o falante Oscar Piastri, terminou o dia em sexto. “Foi uma merda, né Oscar?”, falou um cara para ele no paddock. “Sim”, respondeu.

Foi uma sexta-feira de poucos aci/incidentes no circuito Gilles Villeneuve. No primeiro treino livre, com 15 minutos de bola rolando, Charles Leclerc errou a freada na curva 3 e foi direto no muro. Arrebentou o carro de um jeito que nem conseguiu participar do segundo treino livre. A Ferrari teve de trocar até o cockpit e deve estar trabalhando até agora para montar um carro novo.

A segunda batida do dia foi de Lance Stroll, com sete minutos do segundo treino livre. Não tinha tempo de volta, ainda. Bateu sozinho, ao raspar a roda esquerda no muro antes do cotovelo que leva à última reta do traçado. A suspensão quebrou. Ele quis levar o carro de volta para os boxes, mas o engenheiro disse que não podia. Estacionou onde dava. Sujeito estranho, esse Stroll. Fez de tudo para correr no Canadá, depois de desistir da prova de Barcelona. Operou o punho, deve estar cheio de dores. E bate logo no começo de uma sessão. Pelo menos antecipa o começo da fisioterapia.

Os treinos aconteceram com sol e temperaturas entre 17°C e 19°C em Montreal. Para o canadense médio, um calor de fritar ovo no asfalto. Mas na vida real, é friozinho. Por isso a Mercedes andou bem. Quanto mais quente, pior para os carros prateados. Por isso, o time alemão tende a conseguir alguma coisa nessa corrida. Na primeira sessão, Max Verstappen ficou com o melhor tempo, 1min13s193. Apenas a dupla da Williams andou perto dele: Alexander Albon a 0s039, Carlos Sainz a 0s082.

No segundo treino livre, Albon foi o quarto e Sainz, o sétimo. Indica que a equipe deve andar direitinho no Canadá. Quem também andou direito foi Gabriel Bortoleto, 13º com a Sauber. O carro do time suíço verde-alface melhorou bem desde o GP da Espanha, quando estreou suas atualizações. Gozado como alguns termos ganham corpo na F-1. “Atualizações.” Antes a gente atualizava o computador. Agora, carros. Que seja.

Aí embaixo estão os tempos da segunda sessão. Notem que do primeiro ao 16º, Oliver Bearman, da Haas (que está chegando ao seu 200º GP com uma pintura comemorativa, igual à de 2016, que é igual à de 2025), apenas 0s957 separam os pilotos. O último colocado, Franco Colapinto, da Alpine, ficou a 1s775. O argentino perdeu o viço. Rodou duas vezes, uma em cada treino. Seu cockpit está ameaçado. Já andam falando até em Valtteri Bottas na equipe francesa.

Não foi lá um dia muito empolgante. Amanhã sai o grid a partir das 17h. Em 43 GPs do Canadá disputados em Montreal, 21 foram vencidos pelo pole-position, metade. Largar na frente não é decisivo na pista canadense, cheia de pontos de ultrapassagem e repleta de imprevistos que costumam dar em safety-car. Antes da classificação, o terceiro treino livre acontece às 13h30, pelo horário de Brasília.

Notícias quentes? Só a da caixinha abaixo.

Coletta e Vasseur: boatos na Ferrari

PRESTIGIADO – De acordo com a imprensa italiana, Frédéric Vasseur está na marca do pênalti. A cúpula da Ferrari teria dado a ele três corridas para apresentar resultados – foram só três pódios neste ano, todos de Leclerc, e uma vitória em Sprint de Hamilton. A equipe está em segundo lugar no Mundial de Construtores, mas a diferença para a McLaren é de gigantescos 197 pontos. Antonello Coletta, que comanda a operação da marca no WEC (venceu as duas últimas 24 Horas de Le Mans), poderia ser seu substituto.

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ONE COMMENT

Uma coisa não se nega: ele é esforçado. A Aston Martin confirmou que Lance Stroll vai para a corrida no fim de semana. Felipe Drugovich fica em Le Mans com a Cadillac.

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AGENDINHA 2026

SÃO PAULO (surpresas…) – Foi divulgado hoje o calendário da F-1 para o ano que vem. Serão 24 corridas, como nesta temporada, com uma substituição, apenas: sai Ímola, entra Madri. O que surpreendeu muita gente, especialmente quem se informa por fontes duvidosas de redes sociais, foi a permanência da Holanda. Na verdade, a prova nunca foi excluída do Mundial. Só no Instagram e em vídeos do YouTube. Aqui, pelo menos, vocês não leram nada sobre isso. O GP da Emilia-Romagna, esse sim, estava na marca do pênalti, mesmo. E, de fato, acabou dançando.

A entrada de Madri fez com que se especulasse a saída da etapa de Barcelona, mas no fim das contas o contrato com o autódromo catalão, que termina no ano que vem, será respeitado e a Espanha terá duas corridas. O circuito deverá ser palco de parte da pré-temporada, inclusive, já que com carros totalmente novos é melhor testar tudo na Europa antes de viajar para o meio do deserto. Ainda não foram confirmadas as datas, mas os testes seriam entre 26 e 30 de janeiro em Barcelona e, depois, duas sessões no Bahrein: de 12 a 14 e de 18 a 20 de fevereiro.

Novidade: a inversão das datas de Mônaco e Canadá, fazendo com que a corrida de Montreal coincida com as 500 Milhas de Indianápolis. Não precisava. O GP de Mônaco foi deslocado para 7 de junho e o do Canadá, antecipado para 24 de maio. A prova anterior a essa é a de Miami, em 3 de maio. Custava fazer Montreal no dia 10, por exemplo? Colava com Miami, ajudava na logística e deixava Indianápolis sem uma prova de F-1 no mesmo dia e praticamente no mesmo horário. A mudança de Mônaco é bem-vinda, para que se tenha uma temporada europeia sem o hiato de uma prova na América do norte. Serão nove seguidas no Velho Continente. Dez se incluirmos Baku, onde também dá para chegar de caminhão.

São seis dobradinhas, GPs em finais de semana seguidos: Austrália-China, Bahrein-Arábia Saudita, Mônaco-Espanha, Áustria-Inglaterra, Bélgica-Hungria e Itália-Madri. E duas “tripletas” no fim da temporada, para matar todo mundo de cansaço: EUA-México-Brasil e Las Vegas-Catar-Abu Dhabi. Quatro provas serão realizadas no período da Copa do Mundo da Fifa (de 11 de junho a 19 de julho): Espanha, Áustria, Inglaterra e Bélgica. A corrida de Spa está marcada para o dia da final da competição que será disputada nos EUA, Canadá e México.

A etapa brasileira está marcada para 8 de novembro e será a 21ª etapa do campeonato. Em Interlagos, não em Deodoro — como tinha prometido, para 2019 mesmo, o saco de merda que hoje está sendo interrogado no STF.

Lembrando que em 2026 teremos 11 equipes, com a estreia da Cadillac (que vai usar motores Ferrari). A Sauber vira Audi, com motor Audi, mesmo. A Red Bull troca a Honda pela Ford. A Aston Martin será a equipe oficial da montadora japonesa.

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DICA DO DIA

As aventuras de Michael Schumacher em Le Mans, 1991, pela Mercedes. Dica do blogueiro Rogério Franco, ótimo vídeo da “Autosport”. Já estamos esquentando os motores (ui!) para as 24 horas mais lindas do automobilismo, neste fim de semana.

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AGENDINHA CANADENSE

E vamos em frente que domingo tem corrida de novo!

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BERÇO

Jim Clark. Nem vou falar nada.

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SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

O momento do toque: vitória da McLaren ficou em segundo plano

SÃO PAULO (pausa pra respirar) – Não tem outra, né? Ainda que do ponto de vista estético um frame de TV não seja grande coisa, o valor histórico e jornalístico não se nega. O toque de Max Verstappen em George Russell no fim do GP da Espanha foi o desfecho de uma corrida eletrizante em boa parte por causa do holandês e de sua equipe. A Red Bull foi ousada na estratégia de três paradas, contra o padrão de duas em Barcelona. É uma tática que deixa qualquer piloto, porém, vulnerável no caso de um safety-car. Que não é lá muito frequente na pista catalã.

Só que teve, quando Kimi Antonelli quebrou. E a partir daí desencadeou-se uma sequência de fatos que culminou com a batida e a punição ao tetracampeão mundial — que o jogou da quinta para a décima posição.

E aí vêm os julgamentos. Foi de propósito? Ele não viu, porque estava desconcentrado depois de brigar com a equipe pelo rádio? Foi instintivo e depois se arrependeu?

Trabalho com fatos. Primeiro deles: bateu, tem de ser punido. Segundo, e anterior à batida: a equipe mandou Verstappen deixar Russell passar e isso deixou o rapaz fora de si. Prestem atenção na frase, que vou colocar em negrito: mandou deixar Russell passar. E não devolver a posição. Porque o inglês não chegou a passar Max na curva 1. Eles dividiram a freada e o contorno para a direita. George chegou a tocar em Max. E o piloto da Red Bull, para não bater, foi para a pista de serviço que corre paralelamente ao traçado.

Quem descreveu a cena foram os comissários esportivos, que abriram uma investigação e rapidamente concluíram que nenhuma ação seria necessária (é a primeira imagem aí embaixo; clique nela para ler o teor). Coisa de corrida. A Red Bull não quis esperar a decisão dos comissários com medo de uma punição e se antecipou. Direção de prova, é bom lembrar sempre, não manda piloto devolver posição. Analisa se alguém levou vantagem numa manobra potencialmente ilegal e estabelece uma punição. Mas se antes de concluir a investigação e anunciar a pena o “suspeito” devolve a posição ou deixa a “vítima” passar, segue o jogo.

Max foi orientado pelo time a deixar Russell passar. Aí entrou no rádio e questionou a ordem. “O que? Eu estava na frente!”, gritou (o diálogo em inglês é a segunda imagem acima). Russell, claro, era informado pela Mercedes do que estava acontecendo. Na curva 5, Max tirou o pé, ficou lento e George foi para a ultrapassagem. Era um trecho de baixa velocidade. Mas Verstappen acelerou de novo em linha reta e houve o choque — leve, porque se fosse para tirar o outro da prova, e aí a dedução é minha, baseada apenas no que sei de corridas e pilotos, batia com força e segurava a bronca.

O que quis fazer? Dar um recado? Mostrar que não concordava com a ordem do time? Eu não entro na mente das pessoas. Se fez de propósito, só ele sabe. E duvido que assuma algo do tipo. É muito claro que cometeu um erro. E isso assumiu, em breve postagem no Instagram (está na última imagem da galeria acima): “Um movimento que não foi correto e não deveria acontecer”, escreveu. A punição foi justíssima. Se a equipe não dissesse nada, seguiria na frente e poderia ser ultrapassado depois. Provavelmente aconteceria, pela diferença de pneus.

O momento da batida: foi de propósito?

Respeito todas as opiniões. Mas não inundo vocês com certezas quando tenho dúvidas. Não sou adepto de verdades definitivas construídas a partir de achismos. Cada um acha o que quiser, e o que aconteceu concede a qualquer um o direito de ter uma opinião. Mas certeza absoluta, não creio. De novo: só Max sabe se bateu de propósito. Na hora, achei que não tinha visto, ou que ainda estava discutindo pelo rádio. Os vídeos on-board, porém, mostram que não estava falando nada naquele momento. Estava puto e bateu no colega. Cinco curvas depois, deixou Russell passar. Mas aí Inês era morta, já tinha batido, seria punido.

Comissários esportivos não analisam intenções. Analisam fatos. O fato é que ele bateu e por isso foi levou 10s no lombo. Daí a afirmar que é um mau caráter, desleal e desonesto, um piloto que deve ser suspenso e banido da face da Terra, vai uma grande distância. Fico com minha opinião deixada muito clara aqui ontem: a F-1 precisa de perdedores assim, caras que quando vislumbram uma pequena chance de vencer, lutam por ela. E foi o caso, com a estratégia de três paradas e um ritmo fortíssimo nas 66 voltas do GP.

Detalhe relevante: Verstappen está pendurado na pontuação na carteira: 11 nos últimos 12 meses. Não pode levar mais nenhum nas próximas duas corridas, no Canadá e na Áustria. Se isso acontecer, será suspenso por uma etapa.

E vou dizer… Bem pior que o choque com Russell foi o que quase aconteceu antes, e que dá direito a Verstappen de reclamar de um adversário em particular: Charles Leclerc. Depois da rabeada na entrada da reta, o holandês se manteve pela esquerda para tentar aproveitar o vácuo de Lando Norris, que estava à sua frente, para evitar a ultrapassagem do monegasco. Mas Charlinho realmente deixou seu carro escorregar para cima do rival e eles se tocaram. Ali, roda com roda, de pé embaixo, no meio de uma reta gigantesca, poderia dar uma merda federal. Os comissários, no entanto, acharam que ninguém deveria ser punido. Vendo a imagem do alto, porém, fiquei com a impressão de que o ferrarista exagerou. Talvez tenha procurado o mesmo vácuo. Mas tinha um carro ao seu lado.

O GP da Espanha descolou a dupla da McLaren de Verstappen na classificação. Oscar Pastri abriu 49 pontos e está muito bem na fita. Na classificação das equipes, quem se saiu bem foi a Ferrari, pulando de quarto para segundo na tabela. A Sauber, graças ao quinto lugar de Nico Hülkenberg, deixou a lanterna e subiu para oitavo, relegando a Alpine à última colocação. Oito das dez equipes pontuaram em Barcelona: McLaren, Ferrari, Mercedes, Sauber, Meu Cartão Não Passa, Alpine, Aston Martin e Red Bull. Ficaram no zero a Haas e a Williams — esta pela segunda vez na temporada, como no Bahrein.

O NÚMERO DA ESPANHA

8

…pódios seguidos tem Piastri. Na história da McLaren, apenas dois pilotos chegaram a tanto: Ayrton Senna, do México à Bélgica em 1988, e Lewis Hamilton, em 2007. O inglês, na verdade, bateu nos nove consecutivos entre os GPs da Austrália e da Inglaterra daquele ano.

Alguns números legais produzidos por Barcelona, além desse dos oito pódios consecutivos de Piastri. Começando com Fernando Alonso, que fez seus primeiros pontos no ano e, assim, completa 21 temporadas na F-1 pontuando. O único campeonato em que zerou foi o da estreia, em 2001, pela Minardi. Depois o espanhol passou um ano como piloto de testes, em 2002, e correu direto de 2003 a 2018. Em 2019 e 2020 ficou fora da F-1, voltando em 2021. Aos 43 anos, é o piloto que tem mais GPs disputados na história: 410.

Mais: a Sauber conseguiu sua melhor posição numa corrida desde 2022. Hülkenberg repetiu o quinto lugar de Valtteri Bottas no GP da Emilia-Romagna daquele ano, quando o time disputava o Mundial como Alfa Romeo. Falando nele, Bottas, fiquemos atentos: tem gente dizendo que se Lance Stroll não puder correr em Montreal o finlandês pode ser escalado — como piloto Mercedes, ele pode guiar para equipes que usam os motores alemães. Seria um duro golpe em Felipe Drugovich, o reserva imediato.

Voltando ao interminável Hulk, ele teve seu melhor resultado desde o quinto em Monza/2019, pela Renault. Já a McLaren fez sua primeira dobradinha na Espanha depois de 25 anos. Em 2000, venceu Mika Hakkinen, com David Coulthard em segundo.

A FRASE DE BARCELONA

“Já fiz isso no Mario Kart.”

Lando Norris, sobre a manobra de Verstappen
Norris na salinha: crítica a Verstappen

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da atuação de Gabriel Bortoleto, 12º no grid e 12º na corrida. O brasileiro poderia ter chegado nos pontos, talvez, se a Sauber tivesse optado por colocar um jogo de pneus macios na largada. Mas ele largou com pneus usados e foi usar os novos no último stint. Num determinado momento, a equipe pensou em apenas uma parada para ele. De qualquer maneira, foi sua melhor posição de largada e melhor classificação final numa corrida no ano.

NÃO GOSTAMOS… do desempenho de Lewis Hamilton, sexto colocado, tendo sido ultrapassado pela Sauber no final da corrida. Quase um vexame. Depois da prova, desolado, o inglês disse em entrevista à Sky, da Inglaterra: “O problema sou eu”. Poucas vezes se viu o heptacampeão tão desanimado na carreira.

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TAPAS Y ASAS (4)

SÃO PAULO (surtou) – Olha, a McLaren ganhou o GP da Espanha, fez mais uma dobradinha, vai ser campeã e tal. Parabéns ao Oscar Piastri, que ganhou em Barcelona e chegou a sete vitórias na carreira, cinco neste ano. É um piloto admirável, frio, focado, que fala pouco e erra quase nada. Foi a 186 pontos, dez a mais que seu espevitado companheiro Lando Norris, segundo colocado. A briga pelo título está aí, é muito difícil uma reviravolta de quem quer que seja, ainda que faltem 15 corridas para o fim do campeonato.

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem. A equipe papaia merece ser aplaudida de pé, assim como alguns dos personagens da prova de hoje na ensolarada Catalunha. Especialmente Nico Hülkenberg, quinto colocado com a Sauber, quase um milagre. Ou Fernando Alonso, com três belas ultrapassagens no fim para pontuar pela primeira vez no ano, diante de sua torcida. Ou ainda Isack Hadjar, nos pontos pela terceira vez seguida — comemorando, de quebra o título europeu do PSG, assim como Pierre Gasly, que também chegou entre os dez primeiros..

Mas não dá para contar a história desse GP sem falar de Max Verstappen. “Pô, mas ele ficou em décimo, foi punido, bateu no George Russell!”, gritarão os mais emocionados. Sim, fez tudo isso. Só que é muito legal ver como um piloto vende caro uma derrota. Ver na pista um sujeito que não se conforma em perder. E que tenta ganhar até o fim. O holandês não tem carro, hoje, para fazer frente à dupla da McLaren. Sabe disso. Mas não usa a superioridade dos adversários para amarrar o burro na sombra e ficar em casa guardado por Deus contando o vil metal. Tem alguma chance? Vai atrás. Assim venceu em Suzuka e Ímola neste ano. E foi buscar, em Barcelona: estratégia diferente de três paradas, largada decidida, ritmo forte. Posso até não ganhar, deve ter pensado o tetracampeão. Mas vou dar trabalho.

Deu. E só não deu mais porque no fim da corrida um safety-car levou todo mundo aos boxes para uma derradeira troca de pneus, tirando a vantagem que ele poderia ter nas voltas finais com pneus novos. Talvez não conseguisse, estava em terceiro e Piastri e Norris também tinham pneus em boas condições. Mas estava perto, podia arriscar um ataque, vai saber… Foi quando houve o safety-car, causado pela quebra de Kimi Antonelli. E a Red Bull, nessa parada extra, colocou pneus duros em seu carro, inexplicavelmente. Ou “explicavelmente”: segundo a equipe, eram os únicos novos que tinham sobrado desde a sexta-feira. Só que aqueles pneus de pau, numa relargada, não funcionam. Melhor teria sido deixá-lo na pista com os macios usados que tinha naquela hora, assumindo a liderança. Na pior das hipóteses, seria ultrapassado de novo pelos dois carros da McLaren e chegaria em terceiro. E Max errou na hora da bandeira verde. Deu uma rabeada na última curva e foi ultrapassado por Charles Leclerc numa disputa dura no meio da reta. Perdeu o terceiro lugar. Se estranhou com Russell logo depois. Foi punido. A tentativa de vencer quase deu pódio. E terminou com um décimo lugar.

Max perdeu. O que a F-1 precisa é de mais perdedores como ele.

E vamos à corrida, porque ela saiu melhor que a encomenda, e não foi pouco!

Três paradas: estratégia da Red Bull colocou holandês na corrida

O único piloto que largou de pneus médios, e foi dos boxes, foi Yuki Tsunoda. Os demais, de macios – como a gama da Pirelli era a mais dura do ano, variando as texturas de jacarandá a peroba, os macios de Barcelona aguentariam bem o tranco por algumas voltas. O sol e o calor eram o mesmo da sexta e do sábado: termômetros batendo nos 30°C, asfalto a 50°C.

As luzes vermelhas se apagaram muito rápido hoje, cortesia do diretor de prova que gosta de pregar algumas peças nos pilotos no grid. Piastri não quis nem saber, fechou os olhos e foi embora. Quem dividiu a curva 1 foi Verstappen com Norris. Como de hábito, o holandês prevaleceu. Lando, ao vê-lo do lado, começou a chorar. Russell caiu de quarto para sexto. E quem largou muito bem, ganhando cinco posições, foi Hülkenberg – pulando de 15º para 10º. Seu companheiro Gabriel Bortoleto foi um dos ultrapassados por ele. Mas os comissários perceberam que Nico poderia ter ganhado algumas dessas posições na base do bate-bate e passando pela pista de serviço. Estava sujeito a sanções. Analisaram os vídeos, foram ao VAR e, no fim, não fizeram nada. Coisas de largada, não havia mesmo o que fazer.

Um dos atingidos pela Sauber do veterano alemão foi Alexander Albon, que teve o bico trocado na volta 7. Na volta 10, Piastri, Verstappen, Norris, Lewis Hamilton, Leclerc, Russell, Antonelli, Gasly, Hadjar e Hulk eram os dez primeiros. Oscar já tinha uma folga razoável para Max, quase 4s. Lewis e Chaleclé se estranhavam, com o monegasco se insinuando para cima do companheiro. E acabou passando, aparentemente orientado pela equipe, sem resistência do inglês.

Foi nessa volta, a décima, que alguns começaram a parar. Hülkenberg foi um deles, colocando um jogo de pneus médios. A McLaren avisou a Norris que se ele quisesse poderia partir para cima de Verstappen. “Ele não morde”, disse seu engenheiro. Então Lando se encheu de coragem e passou o rival no fim da reta dos boxes, na 13ª volta.

Max, preocupado com a falta de aderência de seu carro e impotente para brigar com a McLaren, foi para os boxes na volta 14 e colocou um novo jogo de pneus macios. Voltou em oitavo. A Ferrari parou seus pilotos nas voltas 17 (Hamilton) e 18 (Leclerc). Verstappen, com pneus novos, começou a virar rápido e se animou. Foi passando quem aparecia pela frente até se colocar em terceiro de novo na volta 20. E apenas 16s atrás de Piastri, o líder. Daquele jeito, assumiria a liderança quando a dupla da McLaren trocasse pneus.

Naquele momento Bortoleto, que estava andando em décimo, fez seu primeiro pit stop. Voltou em último. Seu ritmo nas voltas anteriores à parada era muito lento. Ele tinha largado com pneus macios usados. Colocou médios novos e melhorou bem. A McLaren consultou Piastri: “Como estão seus pneus? Você aguenta até a volta 25?”, perguntou o engenheiro. “Sim”, respondeu Oscar. Na volta 22, Norris foi para os boxes. Colocou médios e voltou 10s atrás de Max. Piastri, então, parou na 23ª. Também foi para os médios. E Verstappen assumiu a ponta.

A situação, pois, com um terço da prova, era essa: Max em primeiro com pneus macios gastos, tendo de fazer pelo menos mais uma parada; Piastri em segundo a 5s7 dele, com médios novos; Norris idem, a 4s5 do companheiro. Leclerc e Hamilton fechavam o top-5, mas bem distantes. A pergunta era: pararia novamente a McLaren? Ou apostaria nos pneus médios para levar a corrida até o fim com apenas um pit stop?

Verstappen ao fim da prova: irritadíssimo

Era uma possibilidade, remotíssima. Mas longe de ser uma necessidade. Porque na volta 30, Verstappen parou de novo. Colocou pneus médios e deixou clara sua estratégia de três paradas. A McLaren retomou primeira e segunda posições, ficando com a corrida mais ou menos nas mãos.

Na metade da prova, 33 voltas, Piastri, Norris, Leclerc, Verstappen, Hamilton, Russell, Antonelli, Hadjar, Hülkenberg e Oliver Bearman eram os dez primeiros. Bortoleto ocupava a 14ª posição.

Então, a tranquilidade da McLaren começou a virar preocupação. Não, Piastri e Norris não fariam uma parada apenas, é quase impossível em Barcelona. OK, dois pit stops, o padrão. E o Verstappen com três, oxe! Já ganhamos! Isso era o que todos estavam pensando até uns cinco minutos antes. Ocorre que Max acelerava com gosto e ia descontando a diferença. Na volta 37, já era o terceiro de novo, depois de passar Leclerc. Estava apenas 5s4 atrás de Norris..

Verstappen entrou na mente dos engenheiros da McLaren. Era uma ameaça real, porque faria mais uma parada, é verdade, mas seus pilotos também. E as diferenças eram pequenas. “Oscar, acelera aí!”, disse um deles pelo rádio. “Sim”, respondeu o australiano. “Lando, Max está chegando”, avisou o outro. O inglês começou a chorar de novo.

Na volta 46, Bortoleto entrou na zona de pontuação com a parada de Liam Lawson. Seu plano inicial era não parar mais. Podia funcionar. Hülkenberg fez a segunda troca na volta 45 e o brasileiro pulou para nono. Mas assim que saiu dos boxes o alemão recuperou a posição, com pneus mais novos. E Verstappen, na volta 48, fez sua terceira e última parada, para colocar pneus macios. Sua fase final de corrida seria em ritmo alucinante.

A McLaren, tensa, chamou Norris imediatamente. Ele tinha 26s de vantagem sobre o holandês. Também colocou pneus macios. Ao sair dos boxes, olhou no espelhinho e viu o carro de Max crescendo. Ficou ligeiramente apavorado. Piastri parou na volta 50 e, da mesma maneira, calçou pneus macios. Voltou em primeiro, claro, mas a situação não era tão sossegada assim. Estava menos de 4s à frente de Verstappen.

Gabriel tinha parado na volta 49 para seu segundo pit stop, porque os pneus acabaram, mesmo. Colocou seu único jogo de macios novos e caiu para 17º. Não seria sua posição final, porque alguns carros à frente teriam de trocar pneus, ainda. Mas a chance de pontos ficara mais distante, àquela altura.

A briga, porém, estava lá na frente. Piastri, Norris e Verstappen começaram a chegar nos retardatários – Bearman, Alonso, Lawson. Que, assustados, atrapalharam os líderes. Especialmente o coitadinho do inglês da Haas. “Idiotas!”, praguejou Max.

E aí, na volta 55, o safety-car foi chamado. Porque Antonelli quebrou o motor e só conseguiu parar no meio de uma caixa de brita. Piastri, que não é bobo, nem nada, correu para os boxes. Norris fez o mesmo. Ambos tinham pneus macios novos para a reta final da prova. Verstappen também parou, como boa parte dos que estavam na pista. Mas na garagem da Red Bull só havia um jogo de pneus novos. E eles eram duros. “Por que colocaram essa merda?”, perguntou Max, atônito. “Era o que tínhamos, meu filho”, respondeu a equipe.

E para um daqui, outro dali, e Piastri, Norris, Verstappen, Leclerc, Russell, Hamilton, Hadjar, Hülkenberg, Gasly e Lawson eram os dez primeiros na volta 58, atrás do Mercedão vermelho utilizado à guisa de carro de segurança. Bortoleto, com as paradas dos que estavam à sua frente, subiu para 12º. As diferenças construídas em quase uma hora e meia de corrida foram pulverizadas. Teríamos meia dúzia de voltas em ritmo infernal para concluir o GP, para nossa alegria.

O safety-car deixou a pista no final da volta 60. Piastri tirou o pé de tudo, quase parou o carro, acelerando apenas na penúltima curva – é assim que se relarga. E por incrível que pareça, quem bobeou na retomada da prova foi Verstappen. Deu uma rabeada na última curva, perdeu tração e foi ultrapassado por Leclerc. Chegaram a se tocar no meio da reta — houve investigação e os comissários acharam que foi perigoso, mas ninguém foi considerado culpado de nada. Russell quase passou, também. Max teve de ir pela pista de serviço na curva 1, para evitar a batida. Voltou ao leito carroçável da pista na frente da Mercedes do inglês. Mais atrás, Lawson, Bortoleto e Alonso se estapeavam pelo décimo lugar.

Pelo rádio, a Red Bull mandou Verstappen entregar a posição a Russell. O holandês ficou doido. “Por quê?”, gritou. “São as regras”, ouviu de volta. Se tocaram – a impressão que tive foi de uma distração do holandês enquanto discutia pelo rádio, mas não dá para afirmar nada. Acabou deixando Jorginho passar. Estava espumando. Um pouco mais atrás, Alonso seguia na luta. Passou Ocon, Bortoleto e Lawson e assumiu a décima posição. Hülkenberg partiu para cima de Hamilton e… passou! Subiu para sexto, para espanto de todos.

…mas tomou pelo toque no inglês

E, aos trancos e barrancos, Piastri acabou vencendo a corrida, 2s4 à frente de Norris, confirmando o favoritismo da McLaren com mais uma dobradinha. Pela 25ª vez em 35 corridas em Barcelona a vitória ficou com o piloto que largou na pole. Leclerc completou o pódio, com Russell em quarto. Verstappen tomou um pênalti de 10s pelo toque no britânico e caiu de quinto para décimo. A direção de prova informou, depois, que ele nem teria de devolver a posição, foi a equipe que pediu. Mas ainda assim causou uma colisão, e foi ela que resultou na punição. Pior: tomou três pontos na carteira e tem 11 no período de 12 meses. Mais um e será suspenso por uma corrida. Hülkenberg herdou a posição, com Hamilton, Hadjar, Gasly e Alonso nas nove primeiras posições.

Max levou um pontinho para casa, mas saiu do carro irritadíssimo. Com a equipe, por causa dos pneus. Com Leclerc e Russell, porque achou que os dois foram desleais na relargada. Com os comissários, porque o puniram. E com o destino do campeonato, porque Piastri e Norris dispararam na tabela de pontos, tornando o sonho do penta algo muito distante. A diferença dele para Oscar agora é de 49 pontos. Para Lando, 39.

A vida já foi mais fácil para Verstappen.

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