Flavio Gomes sábado, 31 de maio de 2025 18:46 11 comentários
Lance Stroll está fora do GP da Espanha. De acordo com a Aston Martin, o canadense tem sentido fortes dores na mão e no pulso em decorrência, ainda, do acidente de bicicleta no início de 2023 que acabou tirando-o da pré-temporada naquele ano. Foi substituído, na ocasião, pelo brasileiro Felipe Drugovich. Mas conseguiu se recuperar a tempo de começar o Mundial. Segundo a equipe, nas últimas seis semanas Stroll voltou a sentir dores e talvez tenha de passar por nova cirurgia. Drugovich não pode correr em seu lugar porque para participar de um GP, na F-1, é preciso fazer parte da classificação. Mas ele já está se preparando para correr no Canadá, caso Stroll não se recupere até lá.
Flavio Gomes sábado, 31 de maio de 2025 13:16 24 comentários
Norris, Piastri e Verstappen: os três primeiros no grid
SÃO PAULO(perdeu a graça) – A McLaren voltou a fechar uma primeira fila em Barcelona depois de 27 anos. Em 1998, Mika Hakkinen e David Coulthard abriram o grid do GP da Espanha, numa temporada que acabaria sendo vencida pelo finlandês. Mika virou garoto propaganda de várias marcas, inclusive de uísque – fazendo campanhas educativas para não dirigir depois de beber. Seu então companheiro escocês estava hoje em Barcelona, microfone em punho, para entrevistar seus sucessores: Oscar Piastri, o pole-position, e Lando Norris, o segundo colocado no grid.
Foi um passeio papaia na pista catalã. A McLaren dominou todos os treinos e foi a mais rápida nos três segmentos da classificação, sem ter seu favoritismo sequer arranhado por alguém. Nem mesmo Max Verstappen, que sempre é citado como possível pedra na sapatilha dos pilotos que lideram o Mundial, foi capaz de fazer cócegas na dupla. Ficou em terceiro no grid, é verdade, mas só está perto na posição. No cronômetro, a distância foi enorme, intransponível.
E com a confirmação do favoritismo do time inglês, felizmente o assunto “nova diretiva da FIA para as asas que flexionam” sumiu do noticiário turbinado pelas redes sociais que não têm o que dizer. Os produtores de conteúdo estão, neste momento, procurando outros conteúdos para anabolizar suas visualizações. Uma hora acham.
E vamos contar o que aconteceu hoje no ensolarado sábado espanhol.
Piastri, Antonelli e Russell: McLaren absoluta, Mercedes razoável
O Q1 começou com a turma da rabeira indo logo para a pista escaldante de Barcelona, para ver se seria possível, pelo menos, passar ao Q2. Depois que eles voltaram aos boxes – estamos falando de Lance Stroll, Alexander Albon, Franco Colapinto, Esteban Ocon, Oliver Bearman… –, o pessoal da ponta começou a se mexer. Fazia sol e calor, 29°C, em Montmeló – o distrito industrial onde fica o autódromo, a uns 20 km da capital catalã.
Os treinos livres tinham apontado uma enorme superioridade da McLaren, principalmente o terceiro, realizado poucas horas antes. Nele, Piastri registrara a melhor volta do fim de semana até então, 1min12s387. Tinha colocado mais de meio segundo sobre Norris e quase um segundo inteiro sobre Verstappen. Era o prenúncio de um massacre.
A primeira volta papaia da classificação foi de Norris: 1min12s799, saltando para a ponta imediatamente. Piastri respondeu com 1min12s551, 0s248 mais rápido que o companheiro. Verstappen fechou sua volta em segundo, 0s247 atrás de Oscar e 0s001 à frente de Norris. Ninguém nos boxes da McLaren se incomodou muito.
Faltando pouco menos de quatro minutos para o fim do Q1, Colapinto liderava uma fila de pilotos que sairiam dos boxes para uma segunda tentativa de volta rápida. Mas seu carro pifou e a turma atrás começou a buzinar e dar farol. Quem conseguiu, abriu o vidro do carro gesticulando e xingando o argentino. Cujo carro, coitado, tinha enguiçado, mesmo.
Sainz e Tsunoda ficam no Q1; Bortoleto avança, Colapinto quebra
Gabriel Bortoleto, que recebeu as atualizações levadas pela Sauber para a Espanha, fez uma boa volta em 1min13s045 e se colocou em sétimo assim que bateu o cronômetro. Na bandeira quadriculada, o brasileiro fechou o Q1 numa excelente décima posição e avançou ao Q2 pela quarta vez no ano. Foram eliminados seu parceiro de Sauber Nico Hülkenberg, junto com Ocon, Carlos Sainz, Colapinto e Yuki Tsunoda. A diferença do líder Piastri para o japonês da Red Bull, último colocado, foi de 0s834. O equilíbrio que tinha sido pulverizado pela McLaren nos treinos livres voltou, ao menos no começo da sessão que definia o grid espanhol. Mas isso não aliviou a barra de Tsunoda. “Eu realmente não consigo entender o que está acontecendo”, falou seu chefe Christian Horner, pegando uma frigideira e colocando nela um fio de azeite extravirgem, para então acender o fogo baixo.
No Q2, a primeira volta de Bortoleto foi praticamente idêntica à do Q1: 1min13s046. Naquele momento, era um tempo OK. Mas não lhe garantia a inédita passagem ao Q3. Norris virou em 1min12s056, um tempo respeitável. E Piastri foi o primeiro a baixar de “doze”: 1min11s998.
(Coloquei as aspas para vocês começarem a se habituar com meu linguajar de piloto. Já expliquei na semana passada. Piastri virou “onze alto”. Norris, “doze baixo”, ou “doze duro”, que é como falamos quando a primeira casa decimal é zero. As duas formas podem ser usadas, mas o “duro” é realmente melhor para o zero na primeira casa decimal. Portanto, Bortoleto virou “treze duro” na primeira tentativa.)
Lawson ficou no Q2, mas seu parceiro Hadjar seguiu em frente
Quando todos concluíram suas primeiras voltas rápidas no Q2, o brasileiro já havia caído para 11º. Se ficasse aí, estaria ótimo para ele – seria sua melhor posição de largada na F-1. Melhorou o tempo em sua segunda, 1min12s756 (“doze alto”), mas acabou perdendo uma posição e larga em 12º. Ainda assim, é seu grid mais alvissareiro até agora na categoria. Antes, o melhor havia sido o 13º de Miami. Se fizer tudo direitinho amanhã e a Sauber for precisa nos momentos de trocar pneu, tem sua primeira chance real de pontuar no campeonato.
No fim, foram eliminados do Q3 Albon, Bortoleto, Liam Lawson, Stroll e Bearman. Avançaram as duplas de McLaren, Mercedes e Ferrari. Red Bull, Aston Martin, Alpine e Pode Parcelar em Cinco levaram um piloto cada, a saber: Verstappen, Fernando Alonso, Pierre Gasly e o cada vez mais badalado Isack Hadjar. De Piastri, o primeiro, para Max, o terceiro até ali, a diferença era muito grande: 0s360.
(A registrar, no Q2, as preocupações climáticas de George Russell. O inglês entrou no rádio para avisar a Mercedes que poderia, vejam só, chover a qualquer momento. “Amigos, avisto nuvens muito escuras a noroeste de onde me encontro. Tenho estudado muito essas formações. Já ouviram falar de cumulus nimbus? Pode ser usada também a forma cumulonimbus, é a mesma coisa. São nuvens altas que provocam tempestades, por vezes até com granizo. Eu falei granizo, não granito! Adoro esse chiste! Talvez seja o caso de nos prepararmos para a eventualidade de…”, e nesse momento Toto Wolff, nos boxes, tirou os fones de ouvido, abaixou a cabeça, esfregou os olhos com as duas mãos e considerou seriamente a possibilidade de se aposentar.)
Leclerc (esq.): só uma volta no Q3; Hamilton larga em 5º
Piastri fez a primeira volta no Q3 em 1min11s836, mais uma daquelas que impressionam. Verstappen tinha feito 1min12s321. Longe, muito longe – meio segundo, o que numa pista curta como a de Barcelona equivale a colocar Joaquim Cruz para correr os 100 metros rasos contra Usain Bolt. Aí veio Norris, que bateu o tempo do parceiro em 0s017: 1min11s819. Uau. Era uma disputa exclusiva da McLaren. Para o tetracampeão, até mesmo o terceiro lugar no grid já seria lucro, porque na sequência Russell, Charles Leclerc e até Alonso o superaram. O espanhol voltou para os boxes comemorando o que seria uma façanha, colocar a Aston Martin em quinto no grid. Mas faltava a segunda bateria de voltas rápidas de alguns, ainda. Menos para Leclerc, que só fez uma volta e resolveu guardar pneus para amanhã (“decisão minha”, explicou). Ele tem dois jogos de médios e um de macios para a prova. Pode ser que funcione.
E foi um lindo duelo entre Norris e Piastri. O inglês abriu a volta antes. Na medida em que ia fechando os setores da pista, o tempo ia caindo. Lando virou 1min11s755, assumindo a pole provisoriamente. Mas o australiano, que é danado, bateu o relógio em 1min11s546, 0s209 melhor que o parceiro. Nos boxes da McLaren, festa. O engenheiro de Oscar entrou no rádio e não se conteve: “Cara, você é foda! Ninguém mais conseguiria um tempo desses! Você tem noção do que fez?”, vibrou. “Sim”, respondeu o piloto. “Quarta pole no ano, Oscar, quarta na carreira, não é demais?” “Sim.” Na primeira entrevista já no Parque Fechado, o perguntador admirou-se: “Onde você encontrou essa volta, rapaz? Achou que ia bater o tempo do Lando?”. “Sim”, falou o líder do Mundial. “Então amanhã dá pra ganhar…” “Sim.”
O grid em Barcelona: McLaren tranquila na primeira fila
Verstappen acabou ficando em terceiro, 0s302 atrás de Norris. Fez exatamente o mesmo tempo que Russell, o quarto colocado — mas quem faz o tempo antes larga na frente, pelas regras. A partir daí, os que superaram Alonso enquanto ele acenava para o público: Lewis Hamilton em quinto, Kimi Antonelli em sexto, Leclerc em sétimo, Gasly em oitavo e Hadjar em nono. Quando chegou aos boxes, Fernandinho foi avisado de que ficara com o décimo lugar.
Dificilmente haverá alguma surpresa na corrida de amanhã, que começa às 10h e terá 66 voltas. A estratégia de todo mundo será de duas paradas para troca de pneus. Verstappen torce para algo semelhante ao que aconteceu em 2016, quando estreou pela Red Bull e venceu pela primeira vez na carreira. Os então favoritos Nico Rosberg e Hamilton, de uma dominante Mercedes, bateram na primeira volta e a vitória caiu no seu colo. Mas a dupla prateada vivia às turras e essas refregas aconteciam com alguma frequência. Entre Piastri e Norris o ambiente parece ser mais pacífico. Vivem sorrindo um para o outro. Uma batida na largada não é muito provável. Sobra civilidade para os rapazes.
Flavio Gomes sexta-feira, 30 de maio de 2025 13:12 6 comentários
Piastri: você se lembra das minhas asas?
SÃO PAULO (acho que já usei esse título antes, ou quase…) – Ah, as diretivas técnicas… Elas excitam a imaginação dos novos “produtores de conteúdo” das redes sociais. Os “enzos”, como diz meu amigo Sormani, que acham que o planeta Terra começou a girar na semana passada, ou um pouco antes, quando inventaram os “reels”. E que descobriram que há fontes (perfis, como dizem, ou “arrobas”) oficiais e/ou de jornalistas profissionais de onde tirar informações. E que se acham grandes repórteres capazes de dar furos de reportagem pelo simples fato de conseguirem colocar alguns textos em inglês no tradutor do Google antes dos outros e, oh!, conseguirem postar no “insta” também antes dos outros.
Minha paciência com esse oceano de merda está definitivamente chegando ao fim.
A mudança nas asas dianteiras, aplicada a partir de hoje em Barcelona, estava prevista desde o início do ano. Por isso, todas as equipes estavam preparadas. Algumas até já usavam suas asas um pouco mais rígidas e a gente nem estava sabendo – veja o quadrinho de atualizações para o GP da Espanha aí embaixo: zero para a McLaren, nenhuma peça nova, ela que vinha sendo acusada de usar asas dianteiras feitas de lâminas de fórmica.
Os melhores no TL2 e as atualizações: não mudou nada
Resumindo a história, para quem não está por dentro dos paranauês. Antes mesmo da pré-temporada, tinha gente achando que algumas asas dianteiras estavam flexionando um pouco além da conta nas retas, reduzindo o arrasto aerodinâmico. Eram desconfianças trazidas ainda de 2024. A FIA mede essa aeroelasticidade (nem sei se essa palavra existe) submetendo as peças a uma determinada carga vertical, e elas não podiam flexionar mais do que 15mm. Agora, o limite é de 10mm.
A gente sabe que a F-1 “é sobre” milésimos de segundo, mas uma asinha que flexiona meio centímetro menos do que antes não faz diferença nenhuma. E quem diz isso não sou eu, mas os pilotos, a maioria dos engenheiros e, no caso dos treinos livres de hoje em Barcelona, o cronômetro.
As atividades que abriram a nona etapa do Mundial aconteceram com muito sol e calor (coisa de 30°C, com o asfalto fervendo a 50°C) na Catalunha. Pela manhã, começo da tarde em Barcelona, Lando Norris foi o mais rápido, 0s3 melhor que Max Verstappen. O resto foi tudo normal, inclusive com os novatos Ryo Hirakawa (Haas) e Victor Martins (o da Williams, não o do Grande Prêmio) andando lá atrás, sem inventar muito.
A Mercedes, das equipes de ponta, optou por guardar seus pneus macios e andou só de médios e duros. Ficou atrás, também. Em Barcelona, a questão pneumática é forte. A pista come borracha. Tanto que a Pirelli levou para essa corrida, a última da primeira fase europeia da temporada, a faixa mais dura disponível, os modelos C1, C2 e C3. O C1 é o mais duro de todos, feito com uma borracha de textura semelhante à do concreto armado.
Resultados da galera: tudo na normalidade
No segundo treino, como de hábito num fim de semana convencional de GP — sem chuva, Sprint, bandeiras vermelhas ou desfile de Lego –, a primeira metade do trabalho foi dedicada às condições de classificação, importantes em Barcelona. Afinal, das 34 corridas disputadas nessa pista desde 1991, 24 foram vencidas pelo pole-position – mais de 70%. A segunda metade, para a maioria, serviu como preparação para a corrida, com séries mais longas de voltas e uso dos pneus mais resistentes.
O mais rápido da segunda sessão acabou sendo o outro piloto da McLaren, Oscar Piastri, com 1min12s760. George Russell foi o segundo, depois que a Mercedes calçou pneus macios em seu carro. Ficou 0s286 atrás do australiano que lidera o Mundial. Verstappen foi o terceiro, a 0s310. Norris, o quarto — com o mesmo tempo que o holandês. E a Ferrari, com Charles Leclerc, fechou a turminha dos cinco primeiros.
Não houve grandes surpresas na sexta-feira. Nem Lewis Hamilton em 11º a 0s773 do ponteiro? Bem, Lewis não vem tendo um ano dos mais auspiciosos. A Williams só em 14º e 15º com Carlos Sainz e Alexander Albon, então? Já se sabia que nessa pista a equipe não iria fazer grande coisa. Gabriel Bortoleto em 17º, diz aí? É mais ou menos onde tem andado. E só vai ter o pacote de atualizações da Sauber à disposição amanhã. Seu companheiro Nico Hülkenberg gostou das novidades, disse que o carro ficou mais equilibrado. Franco Colapinto em último de novo, hermano? Esse precisa começar a se coçar.
Amanhã tem mais um treino livre às 7h30. Às 11h sai o grid de largada. Antes de tudo isso, às 19h, estarei no meu canal do YouTube para falar de tudo isso.
Flavio Gomes quinta-feira, 29 de maio de 2025 17:41 13 comentários
Esse eu teria… Só não sei quanto custa. Informa a TAG Heuer que são só 971 unidades, numa referência ao ano de lançamento de “24 Horas de Le Mans”, 1971. Steve McQueen usava um parecido no filme.(Antes que alguém imagine que isso aqui é publicidade, o que não teria problema nenhum, mas seria devidamente informado, é que gosto de relógios, mesmo…)
Flavio Gomes terça-feira, 27 de maio de 2025 20:20 39 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
A bunda de Leclerc: na falta de outra…
SÃO PAULO (próximo assunto…) – Que diabo de foto é essa? Pois é. Foi distribuída pela Ferrari depois do GP de Mônaco. A bunda do Leclerc. Tem alguma mensagem subliminar aí? Não, nenhuma. Não que eu tenha percebido. Mas, pelo inusitado — e por falta de coisa melhor –, fiquemos com essa.
Exagerando, numa interpretação possível, poderia justificar a escolha dizendo que ficamos todos com cara de bunda nessa corrida. Porque ela foi feia.
E não sou só eu quem está dizendo…
A FRASE DE MONTE CARLO
“Devemos desculpas ao público. Se eu tivesse um travesseiro no carro, acho que daria uma cochilada.”
Alexander Albon, da Williams
Albon, Russell, Lawson: irritantes & irritados
Poderia escolher outras. “Tenho certeza que muitos fãs não gostaram do espetáculo. Temos de garantir que a mágica de Mônaco não se perca”, falou Toto Wolff, da Mercedes — cujo piloto, George Russell, foi quem mais se irritou com as táticas de Williams e Precisa Digitar a Senha, que seguraram filas de carros atrás para permitir que seus pilotos pudessem fazer paradas sem perder posições.
“Uma ideia é colocar um botão que joga água na pista em cada carro, que pode ser usado uma vez na corrida. É a única solução”, resmungou o inglês. “Ou de jogar casca de banana que nem no Mario Kart”, emendou Max Verstappen.
Russell e a Mercedes zeraram pela primeira vez na temporada. O time alemão continua na vice-liderança do Mundial de Construtores, mas tendo somado apenas seis pontos nas últimas duas corridas viu Red Bull (38) e Ferrari (48) se aproximarem muito na tabela. A McLaren disparou na frente com 319, e na sequência temos Mercedes com 147, Red Bull com 143 e Ferrari com 142. A Williams se isolou em quinto com 54. A sexta colocada, Haas, tem 26. Já a Acho que Meu Chip Está com Defeito conseguiu em Mônaco sua maior pontuação no ano: 12. Tem 22 no total. E Liam Lawson fez seus primeiros pontos na temporada.
Dos 21 pilotos que já largaram em 2025, quatro continuam sem pontuar: Fernando Alonso, Franco Colapinto, Gabriel Bortoleto e Jack Doohan — que neste momento está na geladeira da Alpine.
Festa da McLaren: fazia tempo…
O NÚMERO DE MÔNACO
17
…anos se passaram desde a última vitória da McLaren em Mônaco. A equipe é a maior vencedora do Principado. Com a vitória de Lando Norris, são 16 triunfos. Entre 1984 e 1993, foram nove em dez corridas: Alain Prost em 1984/85/86/88, e Ayrton Senna, de 1989 a 1993 — cinco seguidas. As outras: 1998, Mika Hakkinen; 2000 e 2002, David Coulthard; 2005, Kimi Raikkonen; 2007, Fernando Alonso; e 2008, Lewis Hamilton.
A Ferrari, que tinha comemorado muito a vitória de Leclerc no ano passado, terminou em segundo com o monegasco e em quinto com Hamilton. Foi o segundo pódio de Charlinho no ano — o outro foi do terceiro lugar no GP da Arábia Saudita.
A equipe italiana entrou no centro do furacão nesta terça-feira, com boatos lançados pelo tabloide alemão “Bild”. De acordo com a publicação, Frédéric Vasseur já está na marca do pênalti, como aqueles técnicos “prestigiados” depois de três ou quatro derrotas seguidas no futebol. E o time italiano já teria aberto conversas com Christian Horner, que anda com o filme meio queimado na Red Bull.
Todas as partes envolvidas negam qualquer traço de veracidade no que escreveu o jornal, conhecido por chutar sem muito pudor.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da Haas, que conseguiu pontuar com Esteban Ocon em sétimo e teve em Oliver Bearman um dos nomes da prova. Afinal, o menino largou em último e chegou em 12º. Foi quem mais ganhou posições numa corrida de ultrapassagens impossíveis.
Ocon apareceu bem na corrida; Galvão sumiu
NÃO GOSTAMOS… do sumiço de Galvão Bueno da transmissão da Band(eirantes). Ele só apareceu bem antes da largada ao lado da repórter Mariana Becker, num material gravado de pouco mais de dois minutos em que não dizia nada de especial, apenas chamava o telespectador para a corrida. Como escrevi anteontem, ter um cara como o Galvão em Mônaco e não usá-lo numa transmissão de F-1 no Principado é uma estupidez editorial. Segundo a colunista Fábia Oliveira, do site “Metrópoles”, a emissora, questionada, informou que em nenhum momento anunciou a participação do narrador/apresentador na transmissão. Mas no fim de semana anterior, durante o GP da Emilia-Romagna, o narrador Sérgio Maurício o fez. Enfim, zero para a Band(eirantes). Quem gosta de verdade de F-1 já está contando as corridas para que a categoria mude de endereço, o que vai acontecer em 2026. Globo? Provável. Mas tem mais gente conversando, como Record e Netflix.
Flavio Gomes domingo, 25 de maio de 2025 13:09 112 comentários
Norris: McLaren volta a vencer em Mônaco após 17 anos
SÃO PAULO (tudo errado) – Olha, serei sincero como sempre. Fiquei esperando este GP de Mônaco por causa da promessa de Galvão Bueno na transmissão da Band(eirantes) e com alguma curiosidade pelo desfecho da primeira prova nas ruas de Monte Carlo com obrigatoriedade de dois pit stops.
Galvão não apareceu – exceto numa entrada gravada bem antes da largada na beira do porto, para não dizer nada, ao lado da repórter Mariana Becker. Estou tentando apurar com minhas fontes no submundo da TV para saber o que aconteceu. Ter Galvão em Mônaco e não usá-lo em uma hora de “esquenta” para a corrida me parece uma estupidez. Mas sapeando o “insta” do amigo percebi que ele estava lá, pelo jeito, não pela emissora. Mas, sim, a convite de um banco chamado Stark que levou clientes para o Principado, descolou um barco, colocou nele um DJ e fez do casal Bueno uma espécie de dupla de mestre de cerimônias para entreter os convidados comandando as carrapetas e dançando no convés.
(Aqui, parênteses que adoro. Ano passado esse banco me procurou para fazer a mesma coisa. Na verdade, uma agência a serviço do banco, que é desses “de investimentos”, não de varejo como o Itaú e o Bradesco. Me pediram dicas, valores, caminhos. Avisei que era bem caro – não meu cachê, mas um barco em Mônaco. Coloquei-os em contato com uma amiga na Itália que organiza essas coisas, trabalha para várias equipes fazendo a logística em muitos países, dei um preço para meu trabalho, incluí uma segunda passagem na conta para levar a Laêne (de Econômica para ambos), expliquei que era difícil arrumar hotel para todo mundo, dei opções em outras cidades, enfim, gastei meu tempo e conhecimento para situar o pessoal de modo que eles entendessem o que é um GP de Mônaco. Depois de receber todas as informações, não me responderam nada, deixaram minha amiga no vácuo mesmo tendo recebido dela vários orçamentos com iate incluído e tudo, e quando cobrei uma posição, porque precisava me organizar e pedir credencial para a corrida, há prazos que devem ser respeitados, foram ligeiramente rudes e disseram que o banco achou os valores “um pouco acima”, citando a segunda passagem para a Laêne. E a proposta foi recusada. Claro que Galvão & Desirée devem ter ficado ainda mais “acima”, mas reconheço que são uma atração mais atraente que Gomes & Laêne. Só gostaria, da próxima vez, que fossem menos rudes. Por isso não tenho conta nesses bancos esquisitos.)
Já os dois pit stops obrigatórios apenas desaceleraram a prova, disputada em ritmo lento e quase desinteressado. Os dez primeiros no grid só não chegaram exatamente nas mesmas posições porque Fernando Alonso, que era o sexto na largada, quebrou. E Lewis Hamilton, que era sétimo, ganhou a posição de Iscak Hadjar porque o francês da Aproxima ou Insere? fez suas paradas logo no início apostando em alguma intercorrência alheia, mas nada aconteceu. O único fora do top-10 na largada, Carlos Sainz, entrou nos pontos graças ao abandono do espanhol da Aston Martin.
Resumindo, não deu certo.
Ah, ganhou Lando Norris, o pole-position. Vejam vocês. Já estou no sexto parágrafo deste modesto relato, falei de Galvão, TV, barcos e bancos, e não tinha mencionado o vencedor. Isso lá é jornalismo?
Lando Norris da McLaren, está dito. Com Charles Leclerc, da Ferrari, em segundo. E Oscar Piastri, o outro da McLaren, em terceiro. Foi a sexta vitória da carreira do inglês, segunda no ano, primeira da equipe em Mônaco desde 2008. Segundo pódio da Ferrari na temporada. Na classificação, Lando se aproximou bem do parceiro australiano: Oscar lidera o campeonato com 161 pontos, contra 158 do vencedor da corrida. O terceiro é Max Verstappen, 136. Ele foi o quarto colocado na prova.
Pronto, respondidas as perguntas clássicas que qualquer reportagem tem de responder logo de cara: o quê (GP de F-1), quem (Norris), quando (hoje), onde (Mônaco), por quê (Galvão foi convidado do banco e as duas paradas não funcionaram).
Falta o “como”. Então, foi assim.
Largada: Norris frita os pneus e mantém a ponta
A largada foi limpa, com Norris dando uma fritada de pneus na freada da Sainte-Dévote e mantendo a ponta. Só no meio da volta foi acontecer a primeira treta do dia: Gabriel Bortoleto, que tinha feito uma linda ultrapassagem sobre Kimi Antonelli na Loews, a curva mais lenta do mundo, acabou levando o troco na entrada do Túnel. Sem espaço, bateu de leve nos pneus e o safety-car virtual foi acionado. Yuki Tsunoda, que largou de pneus macios, já foi para os boxes. O brasileiro conseguiu dar a ré e voltar. Pierre Gasly e Oliver Bearman também queimaram o primeiro pit stop.
Dos 20 no grid, 11 tinham largado de pneus médios. Oito, com duros. E só um, Tsunoda, de macios. Podia colocar uma lista completa aqui, mas ela é irrelevante e só travaria o bom andamento da leitura deste texto. A escolha dos pneus não teve nenhuma importância no andamento e no resultado final da prova. Qualquer composto, exceto os macios, duraria as 78 voltas.
A relargada aconteceu na quinta volta, depois que ajeitaram a barreira de pneus. Todo mundo meio lento, esperando para ver o que ia acontecer. Aí, na volta 9, Gasly bateu na traseira de Tsunoda na saída do Túnel e levou o carro todo estropiado para os boxes. Deixou um pedaço de asa pelo meio do caminho. A direção de prova hesitou, não acionou safety-car nenhum e fechou a entrada do pit-lane porque o francês nem conseguiu chegar à garagem da Alpine. Alguém entrou correndo na pista e limpou a área. Bandeira verde e pau na máquina.
Na volta 12, as 11 primeiras posições eram exatamente as mesmas da largada. E tirando Tsunoda, que já tinha parado, e Bortoleto, que havia batido, os demais também estavam nos mesmos lugares, sem ultrapassagens. Era uma corrida esquisita, de espera: todos em ritmo muito lento.
Hadjar, na volta 15, foi o primeiro da turma da frente a parar. Colocou pneus macios. Era quinto, saiu em oitavo. Perdeu só três posições. E como conseguiu isso? Porque a Débito ou Crédito fez seu companheiro Liam Lawson segurar todo mundo, para voltar à frente dele com um pit stop pago. Depois parou Alonso: duros. Na sequência, Esteban Ocon: médios. Uma zona desgraçada, uma salada de pneus diferentes, mas inútil.
Ocon, Piastri, Brown e Stella: pontos e troféus
Pelo rádio, os pilotos perguntavam aos seus engenheiros o que fazer. O líder Norris, que chegou a virar tempos ridículos na casa de 1min19s, começou a fazer suas voltas em 1min14s. Hamilton era um desses, cheio de dúvidas. Na volta 19, a Ferrari trocou seus pneus. O líder Norris parou na volta seguinte. E na 21, Hadjar: pneus duros, queimando sua segunda parada obrigatória. Esse não precisava fazer mais nenhum pit stop. Parecia interessante, a estratégia da Nossa Maquininha Tem Cashback. Não perdeu posição nenhuma, o francês, voltando em oitavo de novo.
A história dos dois pit stops lançava interrogações no ar, mas não necessariamente emoções. A prova seguia sendo um desfile de carros de F-1 em ritmo de cágado, tão devagar que o risco de um safety-car era drasticamente reduzido. Quem iria bater andando a 50 por hora?
Nas duas primeiras posições, na volta 22, Leclerc e Verstappen, sem paradas. Atrás deles, Norris, Piastri e os demais até o oitavo lugar, com um pit stop cumprido. Charleclé parou na volta 23. Na pista, Max, o líder, ainda não tinha trocado pneus. Além dele, Lawson, Alexander Albon, Sainz, George Russell e Antonelli, do nono ao 13º, também estavam com os mesmos pneus da largada. Era um segundo bloco da corrida, liderado pelo neozelandês que tinha segurado todo mundo para ajudar Hadjar.
Racing Bulls, Ferrari, Red Bull e Mercedes: alemães zerados
Max parou, finalmente, na volta 29. Norris retomou a ponta, com Leclerc e Piastri atrás dele. Naquele momento, Hadjar, Bearman, Bortoleto e Franco Colapinto já tinham feito os dois pit stops obrigatórios. Lawson, Albon, Sainz, Russell e Antonelli seguiam sem trocas. Os demais, com uma parada.
Na volta 33, Verstappen reclamou que suas trocas de marchas estavam tão lentas quanto no GP de Mônaco de 1972. Sei lá por que escolheu 1972, mas foi engraçado.
O fato é que era quase uma “não-corrida”. Ninguém corria de verdade e ninguém corria contra ninguém. Carros de F-1 desfilavam pelas ruas chiquérrimas de Monte Carlo morrendo de medo de errar e esperando pelos erros dos outros.
Na volta 38, Alonso abandonou. Estava em sexto. Seu carro parou saindo fumaça do motor. Como estacionou numa pequena área de escape, vaga para idosos, não foi necessária nenhuma intervenção da direção de prova. Muito civilizado, Fernandinho. Com 40 voltas, Sainz, Russell e Antonelli ainda tinham de pagar duas paradas. Estavam em décimo, 11º e 12º. Os demais seguiam em procissão esperando por alguma novidade. Que não vinha.
A esperança era que algum piloto tivesse um surto psicótico e saísse acelerando, passando os coleguinhas lentos e batendo em todo mundo. Mas nem isso era possível, porque em Mônaco não há sequer espaço físico para surtados. O tédio era visível. Torcedores bocejavam nas arquibancadas. Outros observavam as belas paisagens: mar, montanha, barcos, mulheres de biquíni. Na pista, nada acontecia.
Williams: estratégia foi andar devagar
A Williams colocou sua estratégia em prática parando Albon pela segunda vez. Quando ele voltou à pista, estava à frente de seu companheiro Sainz, que ainda não tinha parado. O tailandês saiu da frente, deixou o espanhol ir embora e começou a segurar todo mundo, fazendo voltas em – novamente – ridículos 1min19s. Objetivo? Dar um pit stop de graça para o parceiro.
Estava uma chatice. Norris, Leclerc, Piastri, Verstappen, Hamilton, Hadjar, Ocon, Lawson, Sainz e Albon eram os dez primeiros na volta 48, a 30 do final. Como nada acontecia, Piastri foi para os boxes na volta 49 e fez sua segunda parada obrigatória. Voltou em quarto. A Red Bull mandou Max acelerar. Leclerc parou na 50. Voltou em terceiro. Norris, na 51. Voltou em segundo. Todo mundo desistindo de esperar por um safety-car. Verstappen assumiu a ponta.
De saco cheio, Russell passou Albon cortando a chicane da saída do Túnel para se livrar do trenzinho puxado pelo piloto da Williams. Assumiu o risco de receber uma punição de 5s. A equipe até pediu para ele devolver a posição. “Eu fico com o pênalti!”, decidiu o piloto, irritado. E a direção de prova foi rápida: drive-through, uma punição mais pesada, que leva o cara aos boxes e ele não pode trocar pneus. George esperava menos. Ao ser avisado, encerrou o assunto: “Prefiro não falar mais nada”. Toto Wolff, aliviado, comentou com seu engenheiro: “Vou torcer para mais dessas”. Não devia. pela primeira vez no ano, a Mercedes terminaria um GP sem pontos.
Russell: irritação com lerdeza à frente
Com 60 voltas, Verstappen liderava com Norris em segundo e, na sequência, Leclerc, Piastri, Hamilton, Hadjar, Ocon, Lawson, Sainz e Russell. Max torcia para um meteorito cair sobre o Principado e causar uma bandeira vermelha, porque ainda tinha uma parada para fazer. A Williams era a grande vilã da prova, por ter orientado seus pilotos a andarem devagar para franquear um pit stop aos seus companheiros. Sainz estava na frente de Albon naquele momento, mas o time avisou: troquem as posições daqui a pouco.
Russell, sem trocas, foi chamado para os boxes na volta 64. A corrida se arrastava. Na volta 67, a dupla da Williams fez a inversão de posições: Albon foi para nono, Sainz ficou em décimo. Oh, que bela merda.
A dez voltas do final, só os cinco primeiros estavam na mesma volta. Desculpem a repetição, volta & volta, mas não escrevo mais “giro” como sinônimo de volta faz tempo. Às vezes repetições são necessárias, mesmo comprometendo a estética de um texto — como pneu & pneu, em vez de “compostos”. Também tem ocorrido com frequência. Ah, os cinco eram Verstappen, Norris, Leclerc, Piastri e Hamilton. O sexto, Hadjar, estava um giro atrás, já tendo feito suas duas trocas de compostos.
Max, na liderança, passeava com tempos na casa de 1min16s. Norris já estava colado nele, com Leclerc idem e Piastri ibidem. Não havia o que fazer. Apenas aguardar pela segunda parada do holandês para voltar à ponta. Na volta 72, o último dos moicanos foi para os boxes: Antonelli, que não tinha parado ainda. Estava em 12º. Não faria a menor diferença inclusive se não parasse, fosse desclassificado e crucificado.
Resultado da prova: Norris se aproxima na classificação
No futuro, quando o resultado dessa corrida for publicado por algum texto feito por inteligência artificial, alguém haverá de achar que deu muito certo a regra das duas paradas. Afinal, os três primeiros teriam cruzado a linha de chegada muito próximos. Oh, que disputa! Não seja burra, IA. Foi uma porcaria, totalmente artificial. Como você.
Verstappen foi chamado para os boxes na última volta. Esperou por algum milagre até o fim, que não aconteceu. Colocou pneus macios, voltou em quarto e fim de papo. Norris venceu, seguido por Leclerc (a 3s131), Piastri (a 3s658) e Verstappen nas quatro primeiras colocações. Hamilton, Hadjar, Ocon, Lawson, Albon e Sainz fecharam a zona de pontos. (Detalhe que nem todo mundo percebeu, porque nem todo mundo fica ligado na cronometragem: os computadores, que devem ter dormido de tanto tédio, embaralharam as posições finais e saíram do ar até os tempos serem corrigidos.)
Brown (de laranja): urrando como numa luta de MMA
O pódio foi elegante, como sempre. Príncipes e princesas entregaram os troféus e a única nota destoante foi o chefe da McLaren, Zak Brown, com sua pança de hambúrguer com milk-shake que, ao receber a premiação de Bernard Arnault, dono da Louis Vuitton, mandou um urro gutural e bateu no peito com força, como se estivesse num octógono de MMA. Típico de americanos fãs de Donald Trump.
E assim, de um jeito tosco e cafona, terminou o GP de Mônaco de 2025. Ano que vem vão ter de inventar alguma outra coisa para melhorar o espetáculo. Caso contrário, aqueles que defendem sua exclusão do calendário – eu não sou um desses, que fique bem claro – terão mais munição ainda para bradar contra a existência de uma corrida charmosa e cheia de história.
O problema é que para escrever boas histórias, precisa ser corrida, e não desfile. A solução é obrigar essa turma a correr, não desfilar. Como fazer isso, sinceramente, não sei.
Flavio Gomes sábado, 24 de maio de 2025 13:14 20 comentários
Norris: pole inesperada, primeira da McLaren na pista em 18 anos
SÃO PAULO(mais leve) – Lando Norris desbancou o nativo Charles Leclerc e fez a pole para o GP de Mônaco, oitava etapa do Mundial. É apenas a segunda vez no ano que o inglês da McLaren parte da primeira posição do grid. A outra tinha sido na Austrália, na abertura do campeonato. E é a primeira pole da equipe no Principado desde 2007, com Fernando Alonso. Leclerc ficou em segundo no grid e Oscar Piastri, com o outro carro papaia, larga em terceiro.
Foi uma surpresa, a pole de Landinho. Pela forma como aconteceu e pelo que estava sendo visto nas ruas de Monte Carlo desde ontem, quando começaram os treinos.
Às explicações, portanto, porque elas são necessárias.
Leclerc vinha dominando o fim de semana desde a primeira sessão livre, garoto cascudo que foi criado nas perigosas comunidades monegascas, naqueles morros íngremes e sorrateiros, nas ladeiras de paralelepípedo, ralando os joelhos e brigando com os moleques na rua. Por isso, era o grande favorito à pole na corrida de sua terra. Além de andar bem no Principado, Chaleclé, como é conhecido no pedaço, manja todo mundo por ali: o padeiro das melhores baguetes da Riviera, a costureira que fazia a barra de suas calças Diesel, a vendedora da Lacoste, o relojoeiro que consertava seu Rolex. Correr em casa é correr em casa, qualquer um sabe disso. Dá um ânimo extra.
Leclerc e Hamilton: Ferrari chegou a sonhar
E foi assim que o ferrarista foi para a pista na classificação: cheio de esperança. No Q1, sua primeira tentativa de volta rápida não foi grande coisa, é verdade. O cenário era meio nebuloso para todos. Alguns pilotos saíam com os pneus macios, os tais C6. Outros, com os médios. “Outros” é exagero: só dois, os da Alpine, no primeiro segmento da sessão que definiria o grid.
Com muito tráfego, os tempos ainda não batiam os da sessão matinal. Vinte carros gigantescos andando ao mesmo tempo naquelas vielas estreitas não permitem grandes ousadias. Faltando menos da metade do Q1, as voltas estavam ainda na casa de onze alto, se é que me entendem.
(Nós, pilotos, falamos assim: “onze alto”, “onze baixo”. Alto é com mais de 5 na primeira casa decimal. Baixo, menos de 5. “Fiz oito baixo”, foi o que eu disse em Interlagos na minha última corrida. Ou seja: 2min08s339. Mas na classificação virei “dez alto”, a saber: 2min10s755. Entenderam?)
Piastri (dir.) cumprimenta o companheiro: 11ª pole da carreira de Norris
Então, Piastri e Norris, adormecidos nos treinos livres, acordaram na classificação e saltaram para primeiro e segundo, com Oscar virando onze baixo: 1min11s385. Charlinho, porém, resolveu dar a resposta nos últimos minutos: 1min11s229. A pista ia ficando emborrachada e melhorando, com algumas surpresas despontando lá na frente. Esteban Ocon e Nico Hülkenberg, por exemplo, estavam em sexto e oitavo a menos de dois minutos do final.
E quando a quadriculada já era mostrada para os primeiros que fechavam suas voltas, bandeira vermelha: Kimi Antonelli triscou o guard-rail na saída do Túnel do lado esquerdo e bateu. Pediu desculpas dez vezes. Toto Wolff disse que não tinha problema nenhum, que era para ficar tranquilo porque “não vou contar pra sua mãe”. “Se ela não vai mais deixar eu sair de casa até segunda de manhã!”, afligiu-se o piloto. “Calma, Kimi, ela não viu nada, hoje é reunião de pais na escola”, tranquilizou-o o chefe. “Volta pra cá, não conversa com nenhum estranho na rua e não esquece a lancheira dentro do carro.”
Leclerc, Norris, Piastri, Max Verstappen e George Russell foram os cinco primeiros no Q1. Os eliminados, pela ordem: Gabriel Bortoleto, Oliver Bearman, Pierre Gasly, Lance Stroll e Franco Colapinto. O brasileiro da Sauber bateu na trave para avançar ao Q2. Já o argentino da Alpine manteve o lugar cativo na rabeira do grid. A batida em Ímola fez mal a Colapinto. O menino parece meio assustado, com medo de Briatore. Para não bater, anda devagar. Mas andar devagar, na F-1, não é lá uma estratégia das melhores. Nem em corrida de autorama.
(A registrar no Q1: Verstappen ficou louco da vida com Hamilton — que tinha batido no terceiro treino livre, só para constar. O inglês atrapalhou sua volta. Acabou sendo punido com a perda de três posições no grid. Mas foi culpa da Ferrari, que pelo rádio informou que Max vinha devagar atrás dele. Aquela zona tradicional da comunicação ferrarista. Nada de muito novo.)
Ocon, Hadjar e Alonso: excelentes na classificação
No Q2, novamente alguns pilotos optaram pelos pneus médios, mais consistentes que os macios, dependendo do carro. Lembrando — sempre é bom lembrar — que os macios C6 foram usados pela primeira vez em Ímola, semana passada. Os médios deste fim de semana, pois, são os macios que vinham sendo usados até o GP da Emilia-Romagna, quando a Pirelli jogou na roda a nova borracha mais aderente e nem sempre funcional, porque podem perder rendimento antes do final da volta.
Começa o Q2 e Norris foi o primeiro na classificação a andar abaixo de onze: fez dez alto. Estou tratando vocês como colegas pilotos. Mas OK, se querem números precisos, vá lá: 1min10s959. Um bom tempo. Verstappen virou 0s165 pior. Mas quando faltavam dez minutos para o fim da segunda parte do quali (de novo, estou usando termos que só nós usamos, como “quali”, com “i”), quebrou o carro de Russell dentro do Túnel.
Na verdade, o piloto percebeu o problema bem antes, já no meio da volta, ao passar por uma ondulação. Apagou tudo, depois voltou a funcionar, até parar de vez. Pelo rádio, o piloto relatou à equipe o que tinha sucedido. “Amigos, meu automóvel estancou. Suponho ser algum problema eletrônico, o painel acende e apaga, alumbra e desliga, alumia e se extingue. Já tive isso num carro de rua certa vez, precisei chamar a seguradora. Que bom que tinha sinal de celular! Vocês não imaginam o… posso usar uma palavra feia? Vocês não imaginam o perrengue! Motoristas buzinando impacientes, alguns mais grosseiros até me xingando! Tentei fazer funcionar, mas a bateria se foi. Vou ver se consigo aqui, embora ninguém esteja buzinando para mim neste túnel escuro e sombrio”, informou, sucintamente. Toto Wolff entrou no rádio: “Pega no tranco, George! No tranco!”. Ao que Russell sorriu. “Toto, Toto… No seu tempo isso seria possível. Era só colocar segunda, o pé no desembraio, soltar de repente e pronto, o motor funcionava. Meu pai vivia fazendo isso. Claro, quando tinha alguém para empurrar. E olha que aqui tem, há muitos rapazes solícitos vestindo roupas cor de laranja, será que trabalham na McLaren? Desculpe, não resisti à piada. Mas nossos carros modernos são diferentes, querido! Nem pedal de embreagem temos mais! Seu pândego!”
O carro não pegou, Russell ficou fora da classificação.
Mercedes: Russel quebra, Antonelli bate
A sessão foi retomada depois que a Mercedes do inglês foi removida para local seguro. Dois dos 15 que havia passado ao Q2, portanto, nem tempos fariam: Russell e Antonelli, com seus carros parados. Assim, eram 13 na pista. Leclerc voltou à ponta com 1min10s581. Norris deu o troco: 1min10s570. Pneus médios apareceram aqui e ali: com Fernando Alonso e a dupla da Williams, Alexander Albon e Carlos Sainz. Fernando fez uma boa volta e comemorou pelo rádio, antes mesmo de saber se iria passar ao Q3. Passou. Quem ficou fora foi o outro espanhol. Albon, seu companheiro, acabou colocando pneus macios e saltou para terceiro. Carlos abriu a lista dos eliminados, que teve ainda Yuki Tsunoda e Hülkenberg, além dos dois desafortunados da Mercedes.
Avançaram as duplas de McLaren, Ferrari, Aproxima Aqui Atrás, mais um da Haas, Ocon, grande surpresa, Alonso, da Aston Martin, Albon, da Williams, e Verstappen, da Red Bull. Sete equipes diferentes entre os dez primeiros, nada mal. Um grid sortido, como os dropes Dulcora – foi o que me ocorreu agora, quando escrevi “sortido”.
Sete equipes nas dez primeiras posições, recorde e punição
Norris abriu os trabalhos no Q3 com dez baixo (1min10s464). Piastri chegou perto, 0s067. Dos dez que saíram para suas primeiras voltas, Ocon e Albon usavam pneus médios. Os demais, macios como lençóis lavados com Comfort. Leclerc ficou 0s189 atrás do inglês papaia e Verstappen, o quarto, bateu o cronômetro com diferença de 0s205. A McLaren, realmente, estava guardando munição para o final, safadinha. Adoçou a boca de Charlinho desde a sexta-feira e, na hora de a onça beber água, resolveu andar de verdade.
E os dois pilotos do time inglês estavam verdadeiramente voando. Piastri fez 1min10s140 na segunda saída, e Lando devolveu com 1min10s125. Faltavam os dois carros da Ferrari. O povo nas arquibancadas segurou a respiração. Hamilton não conseguiu superar os líderes do campeonato. Mas Leclerc sacou uma volta do fundo da alma e virou 1min10s063, levantando os fanáticos monegascos com suas taças de champanhe e canapés de camarão. Só que a dupla da McLaren não tinha terminado o serviço, ainda – e aí a surpresa mencionada lá no primeiro parágrafo. Oscar e Norris ficaram na pista a abriram uma terceira volta rápida. “Duas sem tirar de dentro”, diria alguém nos anos 80, piada daquelas machistas de adolescentes que não caem bem hoje em dia.
O australiano melhorou, mas não o suficiente para derrotar seu companheiro de equipe ou Leclerc: com 1min10s129, ficou onde estava, em terceiro. Só que Lando tirou forças não se sabe de onde e bateu o relógio em 1min09s954, conseguindo a mais bonita de suas 11 poles até agora na carreira. Um recorde para o circuito montado nas ruas chiques de Monte Carlo.
O grid (antes da punição da Hamilton) e os três primeiros: Charlinho não gostou
Norris e Leclerc dividem a primeira fila, com o piloto da casa demonstrando alguma decepção com o resultado. “Não sei se dá pra ganhar largando em segundo”, lamentou. Piastri teria a outra Ferrari, de Hamilton, ao seu lado na segunda fila. Mas o inglês tomou três posições de punição por atrapalhar uma volta de Verstappen no Q1 e caiu para sétimo. Max herdou o quarto lugar (a 0s715 da pole). Isack Hadjar ficou com a quinta posição, excelente, e Alonso larga em sexto — igualmente ótimo. Depois de Lewis, completando os dez primeiros, Ocon, Liam Lawson e Albon. Palmas para a dupla da Maquininha, que eles merecem. E muitos aplausos para Esteban, também. A Haas é uma verdadeira montanha russa.
Discreto em todas as atividades de pista em Mônaco até chegar a classificação, Lando virou o favorito imediato à vitória amanhã. Sim, a corrida terá duas paradas obrigatórias para troca de pneus e isso pode mexer em alguma coisa. Mas não necessariamente com quem está na ponta. Este tem a prerrogativa de estabelecer o ritmo da prova e se precaver contra eventuais entradas de safety-car. Tem de ficar esperto, de olho em tudo que está acontecendo atrás dele. A equipe, idem. Vai ter muita estratégia casada dentro dos times. Se não bobear, a McLaren vence amanhã. Mas surpresas são sempre bem-vindas. Vamos torcer.
Flavio Gomes sexta-feira, 23 de maio de 2025 16:22 14 comentários
Gasly em Mônaco: perto, muito perto
SÃO PAULO (raspando) – Alguém ainda fala “tirou uma fina”? Adorei o título desta série para Mônaco/2025. E fui eu mesmo quem inventou. Aliás, eu invento todos os títulos e nunca recebi o devido mérito por isso.
Mônaco, dia 1. Os treinos começam com os caras passando um pouco longe do guard-rail e acabam, sempre, com todos tirando uma fina. De vez em quando, batem. Às vezes batem uns nos outros, também. Ou não conseguem fazer as curvas e dão de frente na proteção metálica.
Teve tudo isso hoje na abertura dos treinos para a oitava etapa do Mundial. Antes que me esqueça: Charles Leclerc foi o mais rápido nas duas sessões. Ele venceu a prova no ano passado. E ele mesmo foi o primeiro a bater, na traseira de Lance Stroll, com poucos minutos de treino pela manhã. Quebrou sua asa, mas deu para arrumar. O canadense da Aston Martin perdeu o treino todo.
Asa de Piastri, Leclerc e Hadjar: incidentes
De tarde, Isack Hadjar lambeu o guard-rail na saída do Túnel e furou o pneu esquerdo traseiro. Depois lambeu outro guard-rail na Saint-Dévote, mas não quebrou nada muito sério e ainda terminou o dia em sexto. Já Oscar Piastri, no segundo treino, como Hadjar, bateu de leve na Sainte-Dévote e perdeu o bico. Também treinou normalmente depois disso e ficou em segundo.
Os tempos: destaque para Leclerc nas duas sessões
A novidade deste ano para Mônaco é a obrigatoriedade de duas paradas para troca de pneus na corrida. Deve dar uma agitada na prova, que no ano passado foi muito chata. Amanhã é que importa: classificação. Mesmo com os dois pit stops mandatórios, largar na frente será fundamental. Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer com essa regra específica para esta corrida. Na dúvida, o melhor é andar bem.
Max, Lando, Gabriel e Adrian: personagens do Principado
Adrian Newey foi uma das atrações do dia em Monte Carlo, aparecendo pela primeira vez num GP com o uniforme verde da Aston Martin. Foram quase duas décadas de Red Bull, e é nele que o time aposta para virar grande. Detalhe observado: o caderninho vermelho de uma vida toda ganhou capa verde, agora. A F-1 é cheia dos detalhes.
Favoritos para a pole? A McLaren tem sido forte sempre, mas pode ser que enfrente alguma resistência da Ferrari de Leclerc. Na Red Bull, Max Verstappen tem começado mal os finais de semana com frequência, para virar o jogo no sábado e acabar entrando na luta por vitória no domingo. Não creio que será assim nesta corrida. O RB21 não é grande coisa em pistas de baixa velocidade, sem curvas longas e de alta. O que Max conseguir é lucro.
Ah, Oliver Bearman foi punido, já, com dez posições no grid. Passou Stroll com bandeira vermelha. Vai largar em último, claro.
Às 19h estaremos no ar no YouTube para falar de tudo isso!
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
1:10:23
CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...