DEPORTA ELES! (4)

Piastri: quatro vitórias no ano e liderança consolidada

SÃO PAULO (já vi melhores, mas já vi piores) – Oscar Piastri ampliou sua liderança no Mundial de F-1 ao vencer o GP de Miami, sexta etapa do campeonato. Foi sua quarta vitória no ano, sexta na carreira. Lando Norris, seu companheiro de McLaren, foi o segundo. O pódio foi completado por George Russell, da Mercedes. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, abandonou com problemas de alimentação de combustível.

Na tabela de classificação, o australiano tem agora 131 pontos, contra 115 de Norris. Max Verstappen, quarto colocado na corrida da Flórida, é o terceiro com 99. E já vê Russell, com 93, se aproximando perigosamente.

A corrida foi disputada sob ameaça constante de chuva, mas não caiu uma gota sequer. A tarde foi abafada, 26°C, e nublada. Não choveu nem antes da largada, como ontem antes da Sprint. Ainda bem, porque as tempestades esperadas poderiam estragar o momento mais divertido do fim de semana: o desfile das estrelas do espetáculo. Cada equipe recebeu um carro feito de Lego com motor elétrico. Em duplas, os pilotos ficaram batendo roda a passo de tartaruga pelos mais de 5 km do circuito, morrendo de dar risada. Foi ótimo para Toto Wolff, que vive sendo perturbado pela mãe de Kimi Antonelli em dia de corrida. “Mandei um vídeo para sua mamma dizendo que você estava bem na prova e ela disse que finalmente teria um domingo de paz”, disse o chefe ao jovem piloto.

Largada em Miami: único bom momento de Verstappen

Com Verstappen na pole, o GP de Miami começou com uma boa largada do holandês. Como de hábito, ele fez uma careta para Norris e, mesmo atrasando a freada na primeira curva, manteve a ponta. Lando começou a chorar quando viu Max na frente e caiu para sexto. Um início de prova desastroso. Só parou quando seu engenheiro informou que não era um monstro fazendo careta, era só outro piloto. Antonelli, Piastri, Russell e Alexander Albon passaram o inglês da McLaren.

Logo na primeira volta Liam Lawson tocou em Jack Doohan, que furou o pneu e abandonou. Pode ter sido a melancólica despedida do australiano da Alpine da categoria. Todo mundo aposta na sua substituição por Franco Colapinto em Ímola, próxima etapa do campeonato, a primeira na Europa. A ver. Já o piloto da Nossa Maquininha Também Aceita Pix rodou. Também abandonaria a prova pouco depois.

Por conta de alguns pedaços de carro na pista, o safety-car virtual foi acionado, mas já na quarta volta a direção de prova agitou a bandeira verde e a ordem estava dada: pé no porão. Norris passou Albon e Piastri fez o mesmo com Antonelli. Estavam ligadíssimos, os pilotos da McLaren. Seus carros sobravam. Era tudo que Verstappen não queria: Oscar atrás dele. Já na volta 5 o animado líder do campeonato estava menos de 1s atrás do holandês, podendo abrir a asa móvel.

McLaren deixando Verstappen para trás: imbatível, a dupla papaia

Mas Max acelerou e conseguiu se distanciar um pouquinho. “Oscar, tente se aproximar para usar o DRS”, pediu o engenheiro. “Sim”, respondeu o piloto. “Você acha que consegue?” “Sim.” “Mas ele está abrindo, Oscar”, retrucou o engenheiro. “Sim.” “Desse jeito ele ganha, Oscar!” “Sim, eu sei.” Foi quando o engenheiro olhou para o lado e perguntou, desconfiado: “É ele mesmo? A resposta foi longa demais.”

A corrida estava boa, pelo menos nas disputas pelas primeiras posições. Na volta 7, Norris mergulhou para cima de Russell e assumiu o quarto lugar. Verstappen não conseguia descolar muito de Piastri, que por sua vez já tinha deixado Antonelli comendo poeira. Carlos Sainz, mais atrás, passou o companheiro Albon e foi para sexto. Bortoleto se mantinha na posição original de largada, 13º.

Na volta 9, Piastri foi para cima de Max. Reduziu bem a diferença e foi alertado pelo rádio, como quase todos os pilotos sobre a possibilidade de uma tempestade vindoura. “Vai chover, e vai ser forte!”, avisou seu engenheiro. “Sim”, respondeu Oscar. “Quer que a gente prepare um bote?” “Sim.” Na mesma volta, Norris, voando, passou Antonelli e assumiu o terceiro lugar.

Bortoleto na frente de Hülkenberg: brasileiro abandonou no fim

A décima volta foi daquelas de tirar o fôlego. Sem medo de cara feia, Piastri resolveu atacar o líder de verdade. Max se defendia com o vigor de sempre. Abriu a volta 11 ainda na frente. Oscar continuava babando na gravata. Pelo rádio, o engenheiro do tetracampeão orientava: “Fica por dentro, Max, deixa ele se virar!”. Piastri até tentava. Com isso, Norris se aproximava dos dois.

A ultrapassagem, afinal, aconteceu na volta 14. Max atrasou a freada na curva 1 e não conseguiu resistir. Aí Norris chegou para fazer o mesmo. O holandês, pelo rádio, reclamou dos freios. “Não servem pra nada”, se queixou. Lando tentou a ultrapassagem na abertura da volta 15 e não passou. Mas parecia questão de tempo. Piastri agradecia e ia abrindo. Na volta 17, já tinha mais de 5s sobre Verstappen. Foi quando Lando ultrapassou o rival, no miolo da pista.

Só que Verstappen é holandês e não desiste nunca. Algumas curvas depois, passou de novo. Pareceu realmente uma linda manobra. Mas, na verdade, o que aconteceu foi uma devolução de posição de Norris, que tinha feito a ultrapassagem anterior por fora dos limites da pista. Tanto que na volta seguinte Lando superou novamente o #1 da Red Bull e, por fim, assumiu a segunda colocação. Piastri estava 9s à frente dele. Ali acabou a corrida, pelo menos no que diz respeito à briga pela vitória.

Na altura da 20ª volta, nuvens escuras pairavam sobre o autódromo em volta do estádio e o tempo fechou. No mesmo momento, pelo rádio, Russell chamou a Mercedes: “Senhores, olhem para o céu. Repararam como plúmbeo está o firmamento? Notei algumas gotas, poucas, é verdade, na minha viseira. Quando vinha para a pista, estava escutando o rádio. Ouço muito rádio, em todos os países. Tem uma moça que fala do tempo com enorme segurança na estação local. Disse ela: ‘Choverá antes das cinco da tarde. E será pesada, a precipitação’, garantiu a moça. Não sei seu nome. Mas não tenho motivos para duvidar de…” “George, cala a boca”, pediu Toto Wolff.

Bortoleto, naquele momento, foi o primeiro a trocar pneus. Colocou os compostos duros, para ir até o fim da corrida. Piastri, Norris, Verstappen, Antonelli, Russell, Albon, Sainz, Charles Leclerc, Yuki Tsunoda e Esteban Ocon eram os dez primeiros. Lewis Hamilton, em 11º, sofria para passar um carro da Haas. Conseguiu na volta 23.

Chuva? Zero. Os alertas dos engenheiros e o depoimento detalhado de Russell tinham mais cara de alarmismo, àquela altura, do que de realidade. A prova se aproximava da metade, e nada de água.

O primeiro piloto do pelotão da frente a parar foi Antonelli. Junto com ele veio Sainz. Não dava mais para esperar pela chuva, os pneus estavam acabando. Verstappen parou na volta 27, para não tomar um “undercut” do piloto da Mercedes. Voltou em sétimo, à frente de Kimi, o italianinho.

Na volta 29, quebrou o motor de Oliver Bearman. Estava no meio da pista, e foi necessário acionar o safety-car virtual mais uma vez, para que seu carro fosse retirado da pista. Quem não tinha parado ainda aproveitou. Piastri e Norris foram juntos para os boxes. Voltaram à pista onde estavam, em primeiro e segundo. Russell veio também, assim como Leclerc. Se deu bem o inglês, ganhando nos boxes a posição de Verstappen. Apenas dois pilotos, naquele momento, ainda não tinha trocado os pneus: Nico Hülkenberg e Pierre Gasly, na segunda metade do pelotão. Ambos tinham largado com compostos duros, para esperar a chuva cair.

A selfie: McLaren passeou em Miami

Na volta 32, depois de ser informada pelo rádio que o motor estava falhando, a Sauber chamou Bortoleto para os boxes. O brasileiro abandonou, mas nem conseguiu chegar à garagem. Bem mais à frente, de quinto em diante, Albon, Antonelli, Sainz e Leclerc trocavam posições, olhares e ofensas. O safety-car virtual foi acionado de novo para que os comissários colocassem o carro de Bortoleto em lugar seguro – procuravam alguma vaga de estacionamento do Walmart com valores aceitáveis para diárias de 24 horas.

Na volta 34, bandeira verde de novo. Sainz e Leclerc foram para a trocação (é assim que se fala, nas lutas livres?) direta e o monegasco conseguiu ficar à frente do ex-companheiro de equipe. Hamilton, que acompanhava tudo aquilo de camarote – e tinha pneus médios, pois largara com duros –, veio na balada e também passou o espanhol, assumindo o oitavo lugar.

E nada de chuva. Piastri, entusiasmadíssimo na liderança, era consultado por seu engenheiro. “Oscar, você acha que vai chover?” “Sim.” “Quer trocar os pneus logo de uma vez?” “Sim.” “MAS OSCAR, SE TROCAR E NÃO CHOVER VOCÊ PERDE A CORRIDA!” “Sim.”

Naquele momento, Hamilton chegou em Leclerc. Tinha pneus médios contra duros do companheiro e pediu, implorou, rogou, suplicou pela troca de posições. “Meus pneus estão fritando!”, desesperou-se. A Ferrari hesitou. “Um momento, já te retorno”, pediu o engenheiro. “Vocês querem que eu fique aqui até o fim da corrida?” “Lewis, você tem a asa móvel, tente…” O inglês ficou meio puto. “Isso não é trabalho de equipe…” Finalmente a Ferrari ordenou a troca. Meio óbvio. Climão desnecessário. Era a volta 40.

O mal-estar continuou, já que Hamilton não abriu muito em relação a Leclerc. Este, então, entrou no rádio. “Estou travado atrás dele. Peçam para que ele acelere mais, estou no ar sujo!” Na boa, dois bobos brigando por sétimo e oitavo lugares. Se sou eu o chefe, desligo o rádio e dou uma placa: “Virem-se!”.

Na volta 52, a equipe mandou Hamilton devolver a posição de novo. Um circo. Lewis tirou o pé e Charlinho passou. O heptacampeão ficou mais pistola ainda. Esse troca-troca todo visava tentar alcançar Antonelli, o sexto colocado. E não deu. Que pobreza…

A prova se encaminhava para o fim e tudo que de interessante aconteceu nas primeiras voltas, a briga forte pelas primeiras posições envolvendo a dupla da McLaren e Verstappen, basicamente, ficou no passado. Chuva não veio. Ninguém bateu, nenhum safety-car foi necessário. Estratégia de pneus? Uma parada para todo mundo.

No fim, o GP de Miami não foi mesmo grande coisa. Piastri venceu com tranquilidade, fazendo dobradinha com Norris e levando ao pódio, de bicão, Russell em terceiro. Verstappen foi o quarto, seguido por Albon, Antonelli, Leclerc, Hamilton, Sainz e Tsunoda nas dez primeiras posições. Yuki quase perdeu o décimo lugar porque excedeu a velocidade nos boxes e foi punido com 5s. A posição ficaria com Isack Hadjar, mas faltou pouco mais de 0s1 para o francês conseguir o pontinho. Na última volta, Hamilton e Sainz ainda se bateram a poucos metros da linha de chegada, mas o inglês ficou à frente.

Piastri comemorou a vitória efusivamente. Deu até três passos de dança diante dos mecânicos — aprendeu com jogadores da NFL, me disseram. Parecia um androide de feira de ciências do ensino médio. “Está feliz, Oscar?”, perguntou o entrevistador do dia, o ex-piloto Jenson Button. “Sim.” “Você acha que pode ser campeão?” “Sim.” “E Norris, pode reagir?” “Sim.” Sua namorada veio festejar junto. Muito animada, a moça também foi entrevistada pelos repórteres no entorno. “Está orgulhosa?” “Sim.” “Já tinha visto ele dançar desse jeito?” “Sim.” “Vocês vão se casar?” “Sim.”

E foi isso. Agora, uma semana de pausa e, depois, três domingos seguidos com corridas em Ímola, Mônaco e Barcelona. Vem, Europa!

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FOTO DO DIA

A era dos SUVs na Stock brasileira começou, depois de alguns percalços, com Felipe Fraga fazendo a pole em Interlagos. O modelo usado emula o Mitsubishi Eclipse Cross (a bolha, claro, sobre chassi tubular). A marca japonesa voltou à categoria depois de 16 anos e colocou cinco carros entre os oito primeiros no grid. A corrida, amanhã, começa às 12h10.

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DEPORTA ELES! (3)

Max na pole: volta mágica, deixando Norris e Antonelli para trás

SÃO PAULO (o moço é brabo) – Pela terceira vez no ano, Max Verstappen desbancou os favoritos da McLaren e fez a pole-position para um GP. O holandês larga na frente amanhã em Miami, como já fizera em Suzuka e Jedá. Foi a 43ª pole da carreira do piloto da Red Bull. Mais uma volta mágica, daquelas que ninguém entende de onde vem. Ele terá a seu lado na primeira fila Lando Norris, da McLaren. “Achei que agora que ele virou pai, ficaria mais lento. Me enganei”, brincou o inglês. O terceiro colocado foi Kimi Antonelli, da Mercedes – como ontem, o italianinho deixou um monte de gente mais experiente comendo poeira. O brasileiro Gabriel Bortoleto, em 13º, conseguiu seu melhor grid até agora na F-1.

Diferentemente da Sprint, a classificação aconteceu com pista seca e 27°C em Miami – começou 15 minutos depois do horário previsto, por conta do atraso na minicorrida. E ela foi melhorando muito rapidamente, na medida em que o asfalto ia ganhando borracha das muitas voltas percorridas pelos 20 carros. Quando Bortoleto e Liam Lawson pularam para quinto e sexto com carros que não estão entre os mais empolgantes do mundo, deu para perceber que a hora de fazer volta rápida era ali, nos últimos instantes do Q1.

E foi modelo Marginal-às-seis-da-tarde (quem não entendeu pergunte aos amigos paulistanos o que é a Marginal às seis da tarde) o final da primeira parte da classificação, com todos os carros na pista – exceto o de Verstappen, que liderava a tabela naquele momento com 1min26s870. No fim, Max foi seguido por Norris, Oscar Piastri, George Russell e Alexander Albon nas cinco primeiras posições. Bortoleto ficou numa ótima 11ª posição, passando ao Q2 pela segunda vez no ano. Foi 0s130 melhor que seu companheiro Nico Hülkenberg, o 16º, que abriu a fila dos eliminados – depois dele vieram Fernando Alonso, Pierre Gasly, Lance Stroll e Oliver Bearman.

No Q2, Bortoleto voltou a fazer uma boa volta e esteve entre os dez primeiros a maior parte do tempo. Faltando menos de 5min para o fim, todo mundo foi para a pista para tentar salvar o sábado. E teve gente que não conseguiu. A maior decepção foi Lewis Hamilton em 12º, sem conseguir levar a Ferrari ao Q3. Horas antes, estava todo feliz com o terceiro lugar na Sprint. A alegria durou pouco. O inglês ficou atrás, ainda, de Isack Hadjar, o 11º. Com eles foram eliminados Bortoleto, Jack Doohan e Lawson. Avançaram, pela ordem, Piastri, Norris, Russell, Antonelli, Verstappen, Carlos Sainz, Albon, Charles Leclerc, Yuki Tsunoda e Esteban Ocon.

Foram eles a lutar pelas dez primeiras posições no grid no Q3. Dos favoritos à pole, Verstappen foi o primeiro a registrar volta: 1min26s492. Norris e Piastri, na primeira bateria de saídas dos boxes, chegaram perto, com diferenças de 0s003 e 0s017. Os demais ficaram bem longe, incluindo a dupla da Mercedes – Antonelli tinha feito a pole para a Sprint na véspera, poderia surpreender novamente.

Mas a segunda volta de Verstappen foi daquelas… Fez 1min26s204, deixando o abacaxi para os demais. Norris não conseguiu bater seu tempo e ficou a 0s065 dele. Piastri, tampouco: 0s171 de diferença, que não foi suficiente nem para o terceiro lugar, superado que foi pelo velocíssimo e talentosíssimo e novíssimo Antonelli, o terceiro no grid. Russell foi o quinto. Completando os dez primeiros, Sainz, Albon, Leclerc, Ocon e Tsunoda.

O grid em Miami: Hamilton foi a decepção

Max segue tirando leite de pedra de um carro que não é lá essas coisas, o RB21 da Red Bull. Há alguma possibilidade de chuva amanhã, perto da hora da corrida – não necessariamente durante. A prova começa às 17h de Sobradinho, 16h locais, com 57 voltas.

Palpites? Eu, sinceramente, não tenho muita convicção de nada. Para apostar numa zebra, jogaria alguns cobres em Antonelli. Mas é mais desejo que prognóstico baseado em fatos. Seria legal ver o moleque ganhando uma corrida logo nos primeiros passos de sua longa caminhada. Agora, quem quiser apostar em algo mais seguro jogue em Verstappen. Na largada ele faz uma careta para o Norris, que vai se assustar e começar a chorar, e aí o resto é fácil.

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DEPORTA ELES! (2)

Norris e Hamilton: primeiro e terceiro colocados em Miami

SÃO PAULO (até que foi legal) – Lando Norris venceu a Sprint de Miami, com Oscar Piastri em segundo e Lewis Hamilton na terceira posição. Kimi Antonelli, que largou na pole, acabou fora da zona de pontuação após uma confusão nos boxes na hora da troca de pneus — depois pontuaria por conta de algumas punições.

Troca de pneus em Sprint?

Pois é, teve. Porque o circuito estava molhado na largada e secou no fim. E, assim, a segunda minicorrida da temporada acabou tendo um roteiro ligeiramente diferente das anteriores. Vamos contar como foi.

Hamilton no início da prova: pista molhada

A chuva que caiu sobre Miami de manhã encharcou a pista num jeito que acabou fazendo uma vítima antes mesmo de começar a prova: Charles Leclerc. Numa volta de instalação, aquelas que os pilotos podem fazer antes de levar o carro para o grid (tem um tempo previsto para isso no regulamento, ele não estava se divertindo), o monegasco, de pneus intermediários, estampou o muro.

Nada mudou na programação. Apesar do aguaceiro, a direção de prova avisou que a largada aconteceria normalmente e o esquema seria: atrás do safety-car e vamos ver o que dá.

Não deu, porque não dava para ver nada. Antonelli reportou a falta de visibilidade atrás do safety-car. “Não consigo enxergar nada!”, alertou. Se na pole estava assim, imaginem atrás dos outros carros. Piastri, por exemplo, foi um que demonstrou alguma preocupação. “Nada”, falou, pelo rádio. “Nada o quê, Oscar? Você não vê nada? Não tem nada? Não quer nada?”, perguntou o engenheiro. “Sim”, respondeu o australiano.

Max Verstappen, nessa primeira volta atrás do safety-car, passou reto numa curva e caiu para o fundo do grid. Foi quando a direção decidiu abortar a largada com bandeira vermelha. Voltou todo mundo para os boxes e o início da prova, que estava marcado para as 13h (de Taguatinga), foi atrasado para as 13h28 (de Ceilândia).

A pista seguia bem molhada, mas sem chuva e com clima abafado. Miami é assim mais ou menos o ano inteiro. De vez em quando cai um pancadão, molha tudo e a população sai correndo para os mercados e shoppings para estocar água potável, batata frita e botes a remo. Aí a chuva para.

Parou, como de hábito, e o procedimento foi retomado, novamente atrás do safety-car e com uma volta descontada da distância original, de 19 para 18. Enquanto o Aston Martin verde feioso puxava o pelotão, as voltas iam sendo marcadas (por causa do combustível contadinho). Quando o diretor de prova achou que dava para correr, foram todos para o grid para uma largada parada, com 15 voltas pela frente.

Antonelli não largou muito bem e Piastri, como aquele moleque mais velho no recreio que vive empurrando os meninos mais novos, o fez com Kimi na primeira curva. Sua mãe ligou na hora para Toto Wolff: “O senhor não vai fazer nada?”. “Sì, signora, vou falar com a diretora”, respondeu.

Oscar assumiu a liderança, com Norris em segundo e Verstappen em terceiro. Antonelli caiu para quarto. Liam Lawson ganhou cinco posições e foi o ganhador do troféu “Largador da Sprint”, que criei agora. Nico Hülkenberg perdeu quatro e levou o troféu “Pior Largador da Sprint”, igualmente criado hoje.

Com oito voltas, a pista secava rapidamente. Piastri, Norris, Verstappen, Antonelli, George Russell, Hamilton, Alexander Albon e Fernando Alonso eram os oito primeiros. George entrou no rádio. “Senhores, creio que meu ritmo é ligeiramente superior ao do nosso querido Kimi. Reconheço o valor de sua pole ontem. Oh, lembrei-me de meus tempos de criança! Eu vivia desenhando carrinhos nos meus cadernos na escola. Até o dia em que Miss Bearman, sim, o mesmo nome de nosso colega Ollie, me deu uma bronca daquelas… Eu desenhava os carrinhos de Alonso, mas não digam para ele, pode ser que se ofenda e me acuse de etarismo. Mas, voltando aqui às coisas da pista, considerando meu ritmo, será que não seria o caso de…” “Cala a boca, George!”, interrompeu Toto.

Na volta 11, Yuki Tsunoda, que estava lá atrás, parou para colocar slicks. Era uma aposta. A mesma feita por Hamilton na volta 12 — a Ferrari foi ligeira, pela primeira vez neste século. Yuki colocou médios. Lewis, macios — escolha dele, que se pagou. A turma de trás, sem muito a perder, foi para o tudo ou nada. E a galera mais à frente percebeu que era o único jeito, mesmo.

Na volta 13, uma confusão nos boxes. Antonelli e Verstappen pararam. A Red Bull liberou Max em cima de Kimi e eles se tocaram. O italiano, por isso, não conseguiu trocar seus pneus e voltou para a pista. Teve de sair do box e parar de novo na volta seguinte. Sua corrida acabou. Pouco antes, Carlos Sainz bateu no muro, furou o pneu e abandonou. Lá na frente, Piastri começou a sofrer com os pneus intermediários. Norris era o segundo. E Oscar parou para colocar pneus médios. Landinho assumiu a ponta. Russell e Alonso pararam, também.

Safety-car no fim: sorte de Norris

Faltavam quatro voltas. Norris, sem trocar pneus, tinha 20s de vantagem sobre Piastri. E foi chamado para os boxes. Então, na volta 15, Alonso foi tocado por Lawson e bateu forte, no momento mesmo em que o inglês da McLaren estava trocando os pneus. O safety-car foi acionado e Piastri teve de tirar o pé. A corrida praticamente acabou. Não haveria tempo de remover os destroços de Alonso. Lando se deu bem. Verstappen, enquanto isso, era punido com 10s pela imprudência da equipe. Pelo rádio, mandou todos ao inferno.

E pelo rádio, também, Antonelli se lamentava. “Nem sei o que dizer, gente…”, suspirou. “Minicorrida, Kimi. Não é relevante!”, tranquilizou-o Toto. “O que é ‘relevante’?”, devolveu o piloto. “Nada, Kimi, está tudo bem, sua mãe não para de telefonar, diga aí no rádio que está tudo bem!”

E a prova terminou com Norris, Piastri, Hamilton, Verstappen, Albon, Russell, Lance Stroll, Lawson, Oliver Bearman e Tsunoda nas dez primeiras colocações. Max, com os 10s de pênalti, caiu para 17º. E Bearman, que largara em penúltimo, terminou em oitavo. Mais uma atuação notável do inglês da Haas. Lewis também se deu muito bem nas paradas e acabou levando um troféu de acrílico para casa. Gabriel Bortoleto, da Sauber, foi o 15º.

Como foi uma Sprint confusa, os comissários tinham várias investigações a fazer depois da quadriculada. Lawson, por exemplo, poderia ser punido pelo toque em Alonso. O resultado descrito acima, pois, não era definitivo. Mas na ponta não havia nada a reparar. E na luta pelo título entre os dois pilotos da McLaren e Verstappen, o que mudou foi a distância da dupla papaia para o holandês, que ficou estacionado nos 87 pontos. Lando, por sua vez, descontou um ponto de seu companheiro. Ao fim da Sprint, o placar apontava 106 para Piastri, 97 para Norris. E assim foram todos almoçar para esperar pela classificação de logo mais, que define o grid do GP de Miami, sexta etapa do Mundial.

PUNIÇÕES – Pouco antes do início da classificação foram anunciadas punições a três pilotos que chegaram nos pontos na Sprint, além de Verstappen. Todos tiveram 5s acrescidos aos seus tempos de corrida. Como a prova acabou sob safety-car, com todos colados, acabaram saindo dos pontos. Lawson foi punido pelo toque em Alonso e perdeu o sétimo lugar. Albon, quarto, levou um pênalti por irregularidade durante o período de safety-car. E Bearman, oitavo, por ser liberado pela Haas no pit stop de forma perigosa. Assim, o resultado final da Sprint foi: 1) Norris; 2) Piastri; 3) Hamilton; 4) Russell; 5) Stroll; 6) Tsunoda; 7) Antonelli; 8) Gasly.

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DEPORTA ELES! (1)

Antonelli: prodígio da Mercedes na pole

SÃO PAULO (impressionante) – Kimi Antonelli fez a pole-position para a segunda Sprint da temporada da F-1, em Miami. O adolescente de 18 anos é o mais jovem piloto a largar na pole de uma corrida da categoria, ainda que seja de uma prova curta, que não entra para as estatísticas. Ele supera em mais de dois anos e meio o recorde que pertencia a Sebastian Vettel desde o GP da Itália de 2008. E é o primeiro italiano a largar na pole desde Giancarlo Fisichella na Bélgica em 2009.

Não entram para as estatísticas, esses números, mas se instalam nas memórias desse guri incrivelmente talentoso, aposta da Mercedes desde que estava no berço. Terá ao seu lado amanhã, na primeira fila, Oscar Piastri, da McLaren. A Sprint de Miami terá 19 voltas e começa às 13h. Às 17h será definido o grid da corrida principal do domingo, sexta etapa do campeonato.

E vamos contar como foi a festa teen de hoje na Flórida.

Verstappen: brigando na frente do jeito que dá

Como é tudo mais apertado no “shootout” (ainda não me entendi com esses termos das Sprints; até “Sprint” escrevo com maiúscula, não sei por quê), com menos tempo de pista e tal e coisa e coisa e tal, ficou para os últimos dois minutos a definição de quem passaria e quem seria eliminado no SQ1. Os riscados foram Lance Stroll, Jack Doohan, Yuki Tsunoda, Gabriel Bortoleto e Oliver Bearman. George Russell ficou com o melhor tempo, 1min27s688, seguido por esse cada vez mais interessante Antonelli.

Nenhuma novidade entre os que empacaram na primeira parte do “chutaut”, exceção feita a Tsunoda. É Red Bull, afinal. Bearman, o último colocado, já tinha batido no final do treino livre, causando a primeira bandeira vermelha do fim de semana. Gabriel, na comparação com seu companheiro de Sauber Nico Hülkenberg, ficou em grande desvantagem: o alemão avançou em 14º com um tempo 0s770 melhor que o do brasileiro. Ah, Bortô nunca andou nessa pista! Bem, Antonelli, tampouco. E ficou em segundo, na frente de Ferrari, McLaren, Red Bull et caterva. O mesmo vale para Isack Hadjar, que também avançou — e acabaria o dia entre os dez primeiros.

Doohan: fritado por Briatore

Quem saiu cuspindo marimbondo foi Doohan. Pelo rádio, fez um pronunciamento contra sua equipe. Parei de ouvir quando ele começou a falar do conclave e das chances mínimas de Mikola Bychok, o mais jovem cardeal do colégio eleitoral, que nasceu na Ucrânia mas atua como bispo da Eparquia dos Santos Pedro e Paulo em Melbourne. Tem 45 anos. Mas, em resumo, aparentemente a Alpine o mandou para a pista quando faltavam, sei lá, dez segundos para a quadriculada, e ele não teve tempo de abrir volta. Soube depois, mas não sei se é verdade, a fonte no caso não é muito confiável, que o mecânico que o liberou se chamava Phlawio Breeatowre.

No SQ2, com todos usando pneus médios novamente (os macios no “xutalt” só são permitidos no SQ3), o cenário se repetiu. Duas voltinhas para cada, sem tempo nem de respirar. Alguns, nem isso: uma volta rápida só. O calor estalava em Miami: 28°C, com 48°C no asfalto. Lando Norris fez o melhor tempo, 1min27s109, seguido por Max Verstappen, Piastri, Antonelli, Charles Leclerc, Lewis Hamilton, Russell, Alexander Albon, Fernando Alonso e Hadjar. Rodaram Hülkenberg, Esteban Ocon, Pierre Gasly, Liam Lawson e Carlos Sainz – que errou na sua única tentativa, saiu dos limites de pista, teve a volta cancelada e acabou ficando sem tempo e sem moral na equipe.

O grid da Sprint: caiu o favoritismo da McLaren

Verstappen, que no começo da semana se tornou papai – nasceu Lilly, de seu relacionamento com Kelly Piquet –, foi o primeiro a sair dos boxes no SQ3, seguido por Russell. O holandês resolveu fazer duas voltas rápidas. A opção dos demais foi por uma única tentativa, para economizar pneus macios. Max cravou 1min27s070 na sua primeira e Russell, 1min26s791 – 0s279 mais rápido. Os demais foram todos para a pista ao mesmo tempo, já no final da sessão.

E os tempos começaram a cair. Verstappen chegou a retomar a ponta na sua segunda volta, mas acabou superado por outros três. E a pole ficou com Antonelli, 1min26s482. Enquanto comemorava, sua mãe ligou para Toto Wolff para perguntar se o menino tinha passado protetor solar e se tinha comido sucrilhos de manhã. E reforçou: segunda-feira cedo ele tem natação! “Sì, signora Antonelli”, respondeu o chefe. “Suo papa è qui, non preoccuparti!” “Quello stronzo…”, reclamou a mãe, batendo o telefone e dando a entender que o pai de Kimi não é flor que se cheire.

Pole-position para o garoto prodígio da Mercedes, com Piastri em segundo a 0s045 dele. Em terceiro, Norris, seguido por Verstappen, Russell, Leclerc, Hamilton, Albon, Hadjar e Alonso.

Que coisa, esse rapaz. Mas ele tem natação segunda de manhã. Se faltar, o couro vai comer em casa.

MIAMI ETERNA – A F-1 anunciou que renovou seu contrato com Miami até 2041. Não, você não leu errado. 2041, mesmo. A pista, de 5.412 metros, estreou no calendário em 2022. É um hub de negócios para a categoria. Montado em torno do estádio do Miami Dolphins da NFL, o Hard Rock Café Qualquer Coisa, o circuito tem 19 curvas e é um dos nove da temporada percorrido no sentido anti-horário. No ano passado, Norris venceu. Foi sua primeira vitória na categoria.

PÉREZ NA FITA – Amanhã à noite a Cadillac vai fazer uma festa de apresentação da nova equipe, que estreia no ano que vem usando motores Ferrari por três anos. O motor próprio da marca, que pertence à GM, aquela mesma que faz Opala, Chevette e Ipanema, foi homologado para entrar na pista em 2029. E o nome de Sergio Pérez está cada vez mais forte como candidato a uma das vagas no time. Deve ser ele, mesmo, segundo minhas fontes na Embratel. O outro pode ser um americano, se depender do desejo dos donos da Cadillac. Mas não é uma condição sine qua non. Quem corre por fora — e não tem nada de americano — é Valtteri Bottas.

SANGUE AZUL – Além do azul HP que tomou conta de parte do carro da Ferrari, a cor também foi aplicada nos macacões de Hamilton e Leclerc. Mas as roupas, ao contrário do automóvel, ficaram lindas. Macacão branco é sempre muito bonito.

DE QUEM É? – Cena inusitada na abertura do treino livre hoje: Norris teve de tirar de dentro do cockpit algumas ferramentas esquecidas na montagem do carro. E ele já estava amarradinho, pronto para treinar. Precisou parar para procurar o dono daquelas chaves de boca, alicates, martelos e sei lá mais o quê. Claro, estou exagerando na quantidade. Mas foi engraçado, isso foi.

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DE CARONA…

…no Gol #96, quarto colocado na última etapa do Paulista. Faz tempo que vocês não me veem correndo aqui! Que tal aparecer no autódromo na próxima? É em junho!

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E MAIS FOTOS DO DIA!

Também a Nossa Maquininha Não Tem Aluguel vai de pintura nova em Miami. Assim serão os carros de Hadjar e Lawson no fim de semana. Comentários?

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MAIS FOTOS DO DIA

E a Ferrari, cada vez mais “HPeizada”, vai assim para a corrida de Miami. Segundo a equipe, o método de envelopamento desenvolvido pela HP é revolucionário etc. E pela primeira vez na história, garante o time, o layout tem elementos gráficos assimétricos. Suponho que estejam falando da asa traseira. Como fazem os influencers, pergunto: gostaram? Deixem seus comentários aqui embaixo! (Não vou ler nenhum.)

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FOTO DO DIA

Essa será a pintura da Sauber de Hülkenberg e Bortoleto em Miami.

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ENCHE O TANQUE

SÃO PAULO (longe…) – Blogueiros no exterior têm prioridade! Vejam a mensagem (e as fotos) do José Bonifácio:

Caro Flavio, sou leitor assíduo do blog há bastante tempo (não deixe de escrever!). Faço minha pequena e singela contribuição ao blog com essas fotos (que não ficaram grande coisa). Há alguns meses, fiz uma viagem ao Alasca e visitei Coldfoot, um vilarejo com 11 moradores permanentes, acima do círculo polar ártico (turistas ganham um “certificado” por ter cruzado a linha imaginária). Junto ao posto há um restaurante (o saloon mais ao norte dos EUA) e uma pequena agência de correios. Eles ficam à beira da rodovia Dalton Highway (única rodovia que conecta o norte do estado e eleita uma das mais perigosas do mundo, segundo a BBC). É isso. Espero que contribua para o blog.

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