FOTO DO DIA

Rafael Câmara conquistou o título da FRECA (Formula Regional European Championship) neste final de semana em Barcelona. O relato de sua campanha está aqui. É um resultado bem importante. Parabéns ao menino, apoiado pela Ferrari.

Rafael Câmara conquistou o título da FRECA (Formula Regional European Championship) neste final de semana em Barcelona. O relato de sua campanha está aqui. É um resultado bem importante. Parabéns ao menino, apoiado pela Ferrari.

SÃO PAULO (fervendo) – Daniel Ricciardo está fora da F-1 e Liam Lawson será seu substituto a partir da próxima etapa do campeonato, em Austin.
O que tínhamos para falar do australiano, acho que falamos no “Sobre ontem…”. Página virada. Sei que nas redes sociais (sobrou alguma além do Instagram?) vão pipocar mensagens melosas de agradecimento, saudades, gratidão, alguma indignação, emojis chorosos, essas babaquices dos dias de hoje.
E muitas fotos do australiano, claro, em seus 14 anos de F-1. Dessas eu gosto.
Ricciardo merece as homenagens sinceras e as manifestações de equipes e pilotos depois que a notícia foi oficializada são bem legais. Dão bem o tom de quanto é querido entre os seus. É um bom cara, um piloto talentoso, deixou sua marca. Em seu perfil do Instagram, agradeceu àqueles que fizeram parte de sua trajetória e aos fãs. “[A jornada] Sempre teve altos e baixos, mas foi divertida. E, verdade seja dita, eu não mudaria nada”, escreveu. “Até a próxima aventura.”

Agora vamos avançar um pouco.
Liam Lawson, 22, foi confirmado pela Aproxima Aqui Atrás (conhecida como Visa Cash App Racing Bulls, VCARB para os íntimos) para o lugar de Ricciardo até o fim do ano, somando mais seis corridas às cinco que já disputou na categoria. Seu número será o 40. Dependendo do desempenho — e acho que não teremos surpresas — será o companheiro de Yuki Tsunoda em 2025.
E se sua performance for acima da média, podem se preparar, aí sim, para alguma surpresa. Que seria o lugar de Sergio Pérez na Red Bull.
No ano que vem? Sim, no ano que vem.
Umas coisas têm sido ditas aqui e ali sobre o futuro do mexicano. E a última, que veio da pena do prestigiado jornalista Joe Saward, é que ele pode anunciar sua aposentadoria no final de semana do GP do México. Isso apesar de ter tido o contrato renovado, neste ano, até o fim de 2026.
Se Pérez tiver mesmo decidido pendurar o capacete (ou se tiverem decidido por ele…), a Red Bull, obviamente, já está mexendo seus pauzinhos. Lawson é uma possibilidade para o lugar de Checo. Nesse caso, é fácil promover alguém de sua creche para preencher o lugar aberto no time B, como o francês Isack Hadjar, atual vice-líder da F-2.
Mas há outros na agenda de Christian Horner. Franco Colapinto tem uma estrelinha anotada ao lado de seu nome. Oscar Piastri (cujo agente é Mark Webber, ex-piloto da Red Bull) tem duas, já que está sob contrato da McLaren. Mas nada é impossível, como se sabe — Oscar tinha contrato com a Alpine e acabou no time papaia. E ao lado do nome de George Russell há três estrelinhas assinaladas, já que seu contrato com a Mercedes se encerra no final de 2025. O inglês, além de tudo, carrega o potencial de irritar Toto Wolff.
O fato é que Ricciardo se fue. Pela segunda vez. Havia sido demitido da McLaren no final de 2022 e só teve uma nova chance no ano passado porque Nyck de Vries foi chutado. A Red Bull não discrimina traseiros. Dá um bico, mesmo. Sem dó.
Lawson tem um currículo interessante. Neozelandês, estreou na F-3 em 2019 e conseguiu dois pódios. Em 2020 já fez um campeonato bem mais consistente na categoria, terminando a temporada em quinto com três vitórias e seis pódios. No ano seguinte saltou para a F-2 e fechou o campeonato em nono com uma vitória e três pódios. Paralelamente, correu no DTM pela AlphaTauri. Fez quatro poles, venceu três corridas e subiu dez vezes no pódio. Em 2022, foi terceiro na F-2 com quatro vitórias e mais dez pódios. E no ano passado a Red Bull colocou o rapaz na Super Fórmula japonesa, onde foi vice-campeão com três vitórias e quatro pódios.
Por conta do acidente de Ricciardo em Zandvoort — bateu e quebrou a mão nos treinos –, Liam assumiu o carro da então AlphaTauri em seu lugar e disputou cinco GPs em 2023: Holanda, Itália, Singapura, Japão e Catar. Seu melhor desempenho aconteceu em Singapura: décimo no grid, nono na corrida, fazendo seus primeiros pontos na F-1.
Está sendo bem preparado pela Red Bull. Tem futuro. E a F-1, assim, vai renovando seus quadros. Para o ano que vem já estão escalados Oliver Bearman (Haas), Jack Doohan (Alpine) e Kimi Antonelli (Mercedes). Lawson e Colapinto buscam um lugarzinho ao sol. Assim como outro novato, o brasileiro Gabriel Bortoleto, que segue no radar da Sauber/Audi e vem sendo tratado a pão-de-ló pela McLaren.
C’est la vie. Ou, em tradução livre, a fila anda.
A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (atraso perdoado?) – A foto acima é de autoria do australiano Kym Illman, cujo trabalho merece ser visitado — sua conta no Instagram é esta aqui. Veterano no ofício, repórter acima de tudo — e com a dádiva de ter vindo ao mundo com o olhar sensível e artístico dos grandes fotógrafos –, decidiu esperar pela saída de Daniel Ricciardo do circuito de Marina Bay. Nesta postagem da mesma rede social, ele conta que o piloto deixou a pista à 1h46 da madrugada de segunda-feira. E ele clicou a despedida.
A iminente saída de Ricciardo da F-1 causou comoção no mundinho das corridas — que inclui os fãs, claro. Por sua simpatia, carisma, camaradagem, pelo sorriso sempre largo. Ninguém tinha visto o piloto chorar. Mas depois da corrida de Singapura ele chorou. Mais de uma vez. Não deve ser fácil, não, perceber que acabou.
E acabou porque de fato desde 2022, seu segundo ano de McLaren, Ricciardo não consegue repetir na pista nada parecido com aquilo que fez dele um dos mais promissores pilotos da segunda década deste século. Tanto que, naquele ano, foi demitido com contrato em vigência para que Oscar Piastri pudesse estrear. Em 2023 a Red Bull recontratou o australiano como uma espécie de embaixador da marca. Era pura caridade. E ele acabou ganhando a vaga na AlphaTauri por conta do mau desempenho de um colega, Nyck de Vries. Neste momento, final de setembro de 2024, Ricciardo está sendo vítima da mesma situação que lhe deu a chance de retomar a carreira. Não está bem, tchau.
Medidas como essa não são novidade na empresa que Daniel conhece tão bem. A lista de pilotos precocemente descartados ou arrancados de seus carros sem aviso prévio pela Red Bull é gigantesca: Christian Klien, Vitantonio Liuzzi, Scott Speed, Robert Doornbos, Daniil Kvyat, Pierre Gasly e Alexander Albon são alguns deles. Sem contar nomes como António Félix da Costa, Jaime Alguersuari, Sébastien Buemi, Jean-Éric Vergne, Sébastien Bourdais e Brendon Hartley, uns com passagens pela Toro Rosso, outros cultivados desde a base sob promessas de promoções que nunca vieram. Todos moídos sem muito tempo para se firmarem. A maioria guarda mágoas da dupla Christian Horner/Helmut Marko até hoje.



Laurent Mekies, chefe da Quer a Sua Via?, disse no press-release oficial do time após o GP que a melhor volta da corrida foi uma espécie de presente a Ricciardo. Coisa raríssima, a possibilidade de demissão consta na texto distribuído à imprensa. “Considerando que esta pode ter sido a última corrida de Daniel, quisemos dar a ele a chance de saborear o momento”, falou.
PODIA? – Aqui cabe uma caixinha. Muita gente sem a menor noção do que é a F-1 saiu atirando na Red Bull porque mandou Ricciardo fazer a melhor volta para tirar o ponto extra de Lando Norris. Se sim, e daí? Não é vedado a nenhum piloto tentar a volta mais rápida de uma corrida. Assim como não há nada que proíba uma mesma organização de ter duas equipes. Parcerias entre times coirmãos são muito comuns na história da categoria. Pilotos da Williams não endurecem para os da Mercedes quando vão tomar volta. Os da Alfa Romeo não se furtavam a dar uma mãozinha para os da Ferrari. Comparar o que Ricciardo fez com a pilantragem de Nelsinho Piquet e da Renault em 2008 beira o absurdo. É a tal de falsa equivalência. Tenham dó.
Que não se tome, porém, Ricciardo como um mau piloto. Seu currículo é dos melhores e os números que amealhou desde a estreia na HRT em 2011 são expressivos, melhores do que os de muitos campeões do mundo e de pilotos em atividade ou do passado que normalmente são colocados nas primeiras prateleiras da categoria. Em 257 largadas, venceu oito corridas (mais que Charles Leclerc, John Surtees, Gilles Villeneuve e Clay Regazzoni, por exemplo), subiu ao pódio 32 vezes (empatado com Jim Clark e à frente de Jack Brabham, Bruce McLaren, James Hunt, Jacques Villeneuve, Keke Rosberg e George Russell), fez três poles e 17 melhores voltas.
Correu dois anos pela Toro Rosso (2012 e 2013), fez cinco temporadas na Red Bull (de 2014 a 2018) e pelo time chegou em terceiro no Mundial duas vezes (em 2014, à frente do recém coroado tetracampeão Sebastian Vettel, e em 2016), foi para a Renault (2019 e 2020, quinto colocado no ano da pandemia) e depois para a McLaren (2021 e 2022, vencendo um GP no primeiro ano, em Monza, e acabando com um jejum de vitórias de nove anos da equipe). Não é pouca coisa.
Ricciardo merece respeito, e não a enxurrada de bobagens que andei lendo em redes sociais de influencers neo-comentaristas que acham que a F-1 começou com “Drive to Survive”. Deixa seu nome marcado na história não como um dos melhores de todos os tempos, claro, mas como alguém que conduziu sua carreira com dignidade e talento.
Foi escolhido pelo amigo internauta, sensível, como Piloto do Dia em Singapura.
O NÚMERO DE SINGAPURA
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…vezes Ricciardo impediu, na última volta, que um piloto conseguisse o que se chama de Grand Chelem (ou Grand Slam) na F-1. A saber: pole, vitória, melhor volta e todas as voltas na liderança. Norris tinha tudo isso até o australiano colocar pneus macios e partir para a volta mais rápida. Isso tinha acontecido também no GP de Abu Dhabi de 2020, quando ele defendia a Renault. Também cravou na última a melhor volta da corrida. A “vítima” naquele dia foi Max Verstappen.


Ainda sobre esse tema, Ricciardo disse que se Verstappen ganhar o Mundial deste ano por um ponto, “ainda que eu não torça contra Lando”, como fez questão de destacar, terá sido um belo presente de Natal a alguém que considera muito. “Max foi a única pessoa que me mandou uma mensagem depois do Japão perguntando se eu estava bem e me dizendo para seguir em frente, de cabeça erguida, apesar de tudo”, contou. Em Suzuka, para quem não lembra, Daniel abandonou a corrida na primeira volta depois de um acidente com Albon.
A FRASE DE MARINA BAY
“Esse é o tipo de coisa que me faz, sim, pensar em abandonar este esporte.”
Max Verstappen




Verstappen soltou o verbo depois da corrida, ainda sobre o assunto “não pode falar palavrão que titio Sulayem fica bravo”. Resumindo, falou que não tem paciência para essas bobagens. E que no estágio em que se encontra na carreira não precisa lidar com essas coisas.
Não acho que vai parar de correr amanhã porque o palerma do presidente da FIA vomita seus discursos moralistas e racistas cada vez que abre a boca. Mas que sua carreira pode ser encurtada por tais disparates, isso pode. Uma hora o cara cansa, já ganhou tudo que tinha de ganhar, vai pra casa e pronto.


A terceira corrida seguida da Haas nos pontos levou Nico Hülkenberg à primeira página do Mundial de Pilotos. Ele foi a 24, deixando Lance Stroll para trás nos critérios de desempate. A equipe americana também sonha em passar a Meu Cartão Tá Bloqueado pelo sexto lugar entre os construtores. O placar aponta 34 x 31 para o time B da Red Bull.
Algumas caixinhas, agora.

FAZIA TEMPO – Graças ao trabalho de Oscar Piastri no Azerbaijão e de Lando Norris em Singapura, a McLaren conseguiu duas vitórias seguidas depois de muito tempo sem o que os ingleses chamam de “back-to-back”. A última vez tinha sido nas duas corridas finais de 2012, com Lewis Hamilton nos EUA e Jenson Button no Brasil.
SEM FORÇAS – O forte calor da noite de Singapura deixou muitos pilotos fisicamente debilitados ao final da prova. George Russell saiu trôpego de seu carro. Lewis Hamilton também se queixou de fraqueza. Por isso a Mercedes cancelou as entrevistas dos dois pós-GP. E os jornalistas não ouviram de Lewis as reclamações pela burrice da equipe de colocar pneus macios em seu carro para a largada. “Minha corrida acabou ali”, disse no dia seguinte o heptacampeão. “Nossa estratégia foi errada”, admitiu Toto Wolff.
EU TAVA NERVOSO – Logo depois da largada, Albon entrou no rádio para chamar Franco Colapinto de maluco, pelo mergulho que deu na primeira curva — ganhando quatro posições, inclusive. Depois, o tailandês da Williams desculpou-se. “Eu teria feito o mesmo”, disse.
CIPA – Desde sua primeira edição, em 2008, todos os GPs de Singapura tinham tido alguma intervenção de safety-car. Foram 14 seguidas. Domingo isso não aconteceu pela primeira vez na corrida disputada na cidade-estado do Sudeste Asiático. Já são nove GPs sem safety-car nesta temporada, em 18 etapas.


REDONDINHO – Registrem-se aqui as marcas alcançadas por Carlos Sainz e Lewis Hamilton em Marina Bay. O espanhol, que faz seus últimos GPs pela Ferrari, largou numa corrida pela 200ª vez. Já o inglês da Mercedes bateu nas 350 provas disputadas. Lewis passou Kimi Raikkonen nas estatísticas. O líder é Fernando Alonso, com 395. A F-1 teve 1.119 GPs até hoje. Fernandinho participou de 35,3% deles.




Bem, não podemos deixar de falar alguma coisinha do vencedor, não é mesmo? Norris ganhou a corrida com 20s945 de vantagem para Verstappen. Uma luneta, como a gente diz no automobilismo. Uma curiosidade é que Max, no ano passado, também chegou muito atrás do vencedor em Singapura, no caso Carlos Sainz: 21s441. O detalhe é que entre ele e o espanhol ainda passaram antes pela quadriculada Norris, Hamilton e Leclerc. O holandês terminou a prova em quinto, e foi a única corrida que a Red Bull não venceu em 2023.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS de ver como a McLaren cresceu no campeonato até assumir, em Baku, a liderança entre as equipes. Se dividirmos a temporada em três partes de seis GPs cada, o time papaia marcou 124 pontos na primeira, 171 na segunda e 221 na terceira.


NÃO GOSTAMOS de ver como a Red Bull está se desmanchando nesta temporada. Não só nos pontos — como se vê acima, na comparação com a McLaren, foram 239, 134 e 102 pontos nos três períodos de seis corridas cada deste ano. Mas em sua estrutura, também. A equipe já perdeu o mago Adrian Newey para a Aston Martin. Há alguns dias, quem anunciou a saída para ser diretor esportivo da Audi foi Jonathan Wheatley, que estava na equipe desde 2006. Agora quem está indo embora é o estrategista Will Courtenay, para a rival McLaren. A coisa está feia.

SÃO PAULO (reta final) – O placar informa: Max Verstappen 331, Lando Norris 279. O inglês da McLaren venceu de ponta a ponta o GP de Singapura com o holandês da Red Bull em segundo. Foi a terceira vitória de sua carreira, todas neste ano. A diferença que era de 59 pontos caiu para 52. Faltam seis corridas para o fim do campeonato. Três delas com Sprints, que distribuem mais pontos.
Vamos aos cálculos. A pontuação máxima que um piloto pode alcançar com seis GPs + três Sprints + seis melhores voltas é de 180. Digamos que Norris consiga a façanha. Chegaria a 459 pontos no final do campeonato. Mas digamos que Verstappen fique em segundo em todas, também, incluindo as Sprints. Somaria mais 129. E fecharia o ano com 460.
Resumindo a ópera matemática, Max não precisa mais vencer na temporada. E a Norris não basta fazer todos os pontos disponíveis, porque se o rival ficar na sua cola o tempo inteiro, já era.
Claro que as duas situações – Norris ganhando tudo e Verstappen em segundo – são altamente improváveis. As cifras acima servem apenas para ilustrar o momento deste ótimo Campeonato Mundial. Uma conta mais simples é 52 dividido por 6. Dá 8,66…, uma dízima periódica, se bem lembro o nome disso. Ou seja: para ser campeão, Norris precisa, a cada etapa, somando os pontos das corridas longas e curtas, além dos eventuais pontos extras, fazer 8,66 pontos mais que Verstappen. Arredondando para cima, já que não há dízimas periódicas na F-1, nove.

Não é fácil. Mas não é impossível. Verstappen está num cenário que não lhe concede a opção de cometer erros. Nem a ele nem ao seu time. Que, aliás, já jogou a toalha do Mundial de Construtores. Com o resultado de hoje em Marina Bay, que ainda teve Oscar Piastri no pódio, a McLaren disparou na tabela e será campeã entre as equipes. Foi a 516 pontos, com os 40 anotados por sua jovem e talentosa dupla de pilotos. A Red Bull marcou apenas 19 do segundo lugar de Verstappen e do décimo de Sergio Pérez. Está com 475, 41 atrás dos papaias.
A pausa de três domingos sem corridas até a próxima etapa, marcada para o dia 20 de outubro em Austin, nos EUA, poderá ser útil para os rubro-taurinos se recomporem. É preciso encontrar alguma forma de fazer com que seus carros recuperem pelo menos um pouco do viço do início do ano, quando ganhou quatro das cinco primeiras provas da temporada. Max não vence desde a Espanha. Já são oito provas em jejum. A McLaren, por sua vez, ganhou quatro das últimas seis. É o melhor carro de todos os tempos da última semana, e tem de aproveitar que está por cima. Mas não pode deitar na fama. Ferrari e Mercedes são duas equipes que, neste ano, têm tido alguns espasmos de competitividade a ponto de vencerem GPs e fazerem poles. Não por outro motivo esta temporada é apenas a terceira na história que contabiliza três vitórias ou mais de quatro equipes diferentes. Isso só aconteceu antes em 1974 e 1977.
QUANDO? – Em 1974, o Mundial teve 15 etapas e foi conquistado por Emerson Fittipaldi, da McLaren – que também ganhou o título de Construtores. Naquele ano, quatro equipes ganharam pelo menos três GPs. Foram quatro vitórias da McLaren e três de Ferrari, Lotus e Brabham. E, de quebra, a Tyrrell ainda venceu duas vezes. Já em 1977 foram seis equipes diferentes a vencer GPs. Shadow e Ligier, apenas uma vitória para cada. Lotus (cinco), Ferrari (quatro), McLaren e Wolf (três cada) foram as quatro com três ou mais vitórias. O campeão daquele ano foi Niki Lauda, da Ferrari, também campeã entre as equipes.

O maior aliado de Norris e, por conseguinte, grande atrapalhador de Verstappen será Piastri. A equipe já definiu que até o fim do ano o australiano terá de trabalhar pela causa maior que é o possível título do inglês. Algo que já deveria ter sido feito antes. Norris perdeu dez pontos bobos por entregar a vitória na Hungria ao seu companheiro – que tinha cometido um erro e por isso perdeu a liderança após um pit stop – e por não ter sido dada uma ordem de inversão de posições entre os dois em Monza. Podem fazer falta, no fim.
Tem muita água para rolar ainda debaixo dessa ponte. A F-1 vive um grande ano. E vamos ao GP de Singapura, que não foi lá essas coisas.

Quando as mantas térmicas foram retiradas dos pneus antes da largada, causou espécie a escolha inusitada de Lewis Hamilton, terceiro no grid: pneus macios. O outro que escolheu a goma mais melequenta foi Daniel Ricciardo, lá atrás. Quatro pilotos optaram pelos duros: Kevin Magnussen, Lance Stroll, Valtteri Bottas e Guanyu Zhou. Os demais foram para o papai-e-mamãe: médios na largada para colocar duros na parada única prevista para as 62 voltas da prova.
Pela primeira vez na vida Norris conseguiu fechar a primeira volta em primeiro depois de largar na pole. Desta vez o inglês partiu bem, decidido, e não deu chances a Verstappen. Que, por sua vez, segurou a segunda posição mesmo com Hamilton de pneus macios atrás dele. A melhor largada de todos foi de Franco Colapinto, que ganhou quatro posições, pulando de 12º para oitavo. Verdade que logo foi ultrapassado por Charles Leclerc e caiu para nono. Alexander Albon, em compensação, despencou para 15º. E já reclamou pelo rádio do companheiro. “O Franco mergulhou que nem um hincha maluco do Racing ou do San Lorenzo! Ele é louco? Está pensando o quê? Só porque nasceu no mesmo país do papa? Onde vamos parar? É esse doido que vocês acham que é o futuro da Fórmula 1? O que tem naquele mate que ele bebe? Vocês não desconfiam de quem toma bebida quente nesse calor? Hein? Hein?” A resposta da Williams foi o silêncio.

As primeiras dez voltas da prova foram percorridas no modo vamos-ver-se-acontece-alguma-coisa, com todos se estudando e evitando ataques ou atos de heroísmo. Norris tinha 3s de vantagem sobre Verstappen, que também não era acossado por Hamilton, em terceiro. George Russell, Piastri, Nico Hülkenberg, Fernando Alonso, Leclerc, Colapinto e Pérez eram os dez primeiros. Que coisa, esse jovem argentino. Até outro dia corria na F-2. Na décima volta do GP de Singapura estava atrás de uma Ferrari e à frente de uma Red Bull.
O ritmo de Norris era muito forte. A McLaren não queria surpresas e na volta 15 o #4 já abria mais de 9s em cima de Max. O primeiro carro de ponta a parar tinha sido o de Sainz, na volta 14. Carro de ponta, posição de fundo, diga-se. O espanhol, desde o início, estava empacado em 12º atrás de Yuki Tsunoda. Havia largado mal, depois de bater no Q3 e ficar apenas em décimo no grid.

Um rádio chamou a atenção lá pela volta 16. Pérez: “Ele é muito bom, Colapinto. Difícil de ultrapassar”. Raro, raríssimo. Não era um piloto xingando o outro porque estava fechando a porta ou mudando de direção. Era um elogio! Repito: “Ele é muito bom, Colapinto”. Foi o que disse Pérez. Na Argentina, redes sociais printavam a imagem com a frase na tela para gerar memes infinitos. No mesmo momento, Albon abandonava a corrida com o radiador fervendo e a Williams ficava apenas com Franco na pista e a missão de pontuar – dava para pensar nisso, como não? No fim não deu, por pouco.
Hamilton, com seus pneus macios, parou na volta 18. Colocou duros e voltou em 13º. A corrida não era boa. Embora o circuito de Marina Bay tenha quatro zonas de abertura de asa móvel, as ultrapassagens são bem difíceis. E isso se refletia na pista. Quando a prova chegou à volta 25, as posições da largada permaneciam praticamente inalteradas. “É muito frustrante isso aqui! Quanto tempo teremos de ficar nesse lenga-lenga?”, perguntou Leclerc pelo rádio depois de passar horas atrás de Alonso. “Calma, meu filho”, recomendou o engenheiro da Ferrari. “Você nem paga a F1TV, não reclama.”


Norris voava. Em 25 voltas, 20s de diferença para Verstappen. Um massacre. Max, por sua vez, tinha 12s de folga para Russell, o terceiro. O holandês não estava nem aí. Não imaginava mesmo que pudesse vencer. Dependia de uma largada melhor que a de Lando, para deixar o rival assustado. Como não aconteceu, ficou na dele.
As paradas de quem largou com pneus médios começaram com Alonso na volta 26. Russell foi para os boxes na 28ª e se deu bem. Na primeira parte da prova estava atrás de Hamilton. Voltou à frente do companheiro. Uma ultrapassagen, oh!, aconteceu na volta 29: Leclerc sobre o valente Hulk pelo quarto lugar. Pérez, que tinha desistido de atacar o muito bom Colapinto, parou na 30ª. Então…
Então Norris teve algum problema. Pelo rádio, informou alguma intercorrência, algo na asa dianteira. A Red Bull imediatamente chamou Verstappen para os boxes. Ele estava um ano atrás do inglês da McLaren. A volta anterior de Lando foi 4s pior que a média que ele vinha virando. Pelo sim, pelo não, Norris parou na volta 31. Voltou em primeiro, tranquilamente. Retomou o ritmo. Era alarme falso. Pelo rádio, a equipe tranquilizou seu piloto: “Tivemos um pequeno probleminha na asa, meu caro. Nada sério”. Sério tinha sido a tal volta 4s pior. O que aconteceu não foi nada na asa. Foi um erro, mesmo. O líder da corrida, por muito pouco, não terminou de forma patética estampado no muro. Safou-se.

Nas paradas, Pérez ganhou a posição de Colapinto. Foi o chamado “undercut”. Sainz também já tinha passado nos boxes, porque fizera seu pit stop muito cedo. Contra isso o argentino nada tinha a fazer. Se posicionou em 12º após a parada e precisaria que algo extraordinário acontecesse até o final para fazer pontos de novo. Mais à frente, Russell, em quinto, pedia pelo rádio: “Preciso que alguém me encoraje. Que me incentive a fazer algo fora do normal. Que tal frases de autoajuda? Há bons livros sobre o assunto. Na internet podem ser encontradas, também. Porque isso me ajudaria a…”. Naquele momento Toto Wolff, como de hábito, mandou George calar a boca.
Depois de tentar passar Leclerc, Russell acabou ganhando a quarta colocação com a parada do monegasco, na volta 37. Dos primeiros, o único que não tinha trocado pneus era Piastri, que veio para os boxes na 39ª. Não conseguiu voltar à frente de Hamilton e retomou a lida em quinto, onde estava na primeira parte da prova.

Na volta 40, com todos já de pneus trocados, Norris seguia na liderança com 23s de vantagem para Verstappen. Russell era o terceiro. E, finalmente, uma ultrapassagem relevante. Com borracha mais fresquinha, Piastri passou Hamilton e foi para quarto. O inglês da Mercedes tinha trocado seus pneus muito antes. Não teve como se defender. Sainz era o sexto. Leclerc passou Alonso e foi para sétimo. Hulk e Pérez fechavam a turma dos dez primeiros, com Colapinto em 11º.
Piastri passou a ter o carro mais rápido da pista naquele momento e partiu para cima de Russell para beliscar um pódio. A equipe mandou ir para cima. “Chegar é uma coisa, passar é outra”, respondeu Oscar, sem assumir grandes responsabilidades e citando famoso narrador de TV. Mas na 45ª volta passou, e foi fácil. George não teve como se defender. Entrou no rádio e reclamou do calor. “Isso aqui parece uma sauna, parceiro”, disse. Nos boxes, Toto Wolff bufou. “Quer ar-condicionado, querido?” Virou-se para o jovem Kimi Antonelli, ao seu lado, e aconselhou o rapaz que no ano que vem será titular da Mercedes: “Nunca peça ar-condicionado no futuro. Isso me irrita”.


Na volta 50, a 12 do final, Norris, Verstappen, Piastri, Russell e Hamilton eram os cinco primeiros. Com os pneus totalmente desgastados, Lewis foi ultrapassado por Leclerc e caiu para sexto. Um péssimo resultado para quem começara a noite em terceiro no grid. Sainz, Alonso, Hülkenberg e Pérez continuavam formando o top-10. Se alguma briga ainda era possível nas voltas derradeiras, ok, duas eram possíveis: Pérez x Hülkenberg e Leclerc x Russell.
Mas apesar das tentativas pouco convictas de Leclerc, George segurou o quarto lugar. Da mesma forma, o mexicano não conseguiu passar o alemão. Norris venceu com 20s945 de vantagem para Verstappen. Piastri fechou o pódio. Russell, Leclerc, Hamilton, Sainz, Alonso, Hulk e Pérez colocaram seus pontinhos na mochila. E a melhor volta ficou com Ricciardo, chamado para os boxes no final para colocar pneus macios e tirar o ponto extra que estava nas mãos de Lando. Quem convocou nem foi sua equipe, a Quer Sua Via?, e sim a Red Bull, a matriz. O australiano cumpriu a missão. E ainda foi escolhido pelo amigo internauta como Piloto do Dia. Nessa altura do campeonato, qualquer pontinho que puder ser tirado de Norris ajuda Max.

Os pilotos saíram ensopados de suor de seus carros. A prova foi disputada sob um calor equatorial de 31°C e umidade relativa do ar na casa de 75%. Verstappen disse que teve uma corrida solitária e achou “bom” o segundo lugar. Norris, ao ser entrevistado por David Coulthard, disse que estava muito cansado, que o carro foi “ótimo” o fim de semana todo e levou um banho de água gelada do ex-piloto escocês para se refrescar.
A semana pode começar amanhã com revelações importantes no mercado de pilotos, como a iminente substituição de Ricciardo por Liam Lawson. Daniel, ao fim da corrida, ficou alguns instantes dentro de seu carro e, depois, chorou diante das câmeras. “Sei que pode estar acabando”, disse o australiano. “Eu apenas queria desfrutar de alguns instantes no cockpit…” Foi um momento tocante. E as lágrimas não deixam muitas dúvidas de que já em Austin o neozelandês estará no carro da filial da Red Bull.
Espera-se algo, também, em relação à única vaga aberta para 2025, na Sauber/Audi. Como foi amplamente noticiado nos últimos dias, Bottas ganhou força na disputa e dois novatos, Colapinto e o brasileiro Gabriel Bortoleto, correm por fora.

SÃO PAULO (não é fraco, não) – Lando Norris confirmou seu favoritismo e larga na pole para o GP de Singapura. É a sexta da carreira dele, quinta no ano. Mas o nome da noite de sábado em Marina Bay foi Max Verstappen. O holandês conseguiu a segunda posição no grid e vai para o corpo a corpo amanhã contra seu maior rival na luta pelo título de 2024. Com um carro complicado, que ontem fechou o dia em 15º, o tricampeão fez muito mais do se esperava numa Red Bull que entrou em parafuso há alguns meses. Deixou a outra McLaren para trás, assim como as duplas de Ferrari e Mercedes – teoricamente mais fortes que seu time na pista urbana do Sudeste Asiático. E ainda deu um cacete elegante na FIA (leia a caixinha laranja lá no fim do texto!).
“A gente conseguiu melhorar o carro”, resumiu Verstappen. “Tive uma volta cancelada, não podia errar na segunda, estou muito feliz com o resultado.” E tinha de ficar satisfeito, mesmo. As perspectivas para ele em Singapura eram as piores possíveis. No ano passado, foi a única prova que a Red Bull não venceu. Em tese, hoje ficaria a léguas de Norris no grid. Em vez disso, estará colado em seu retrovisor na largada amanhã. Lando vai perder o sono.
A Mercedes ficou com a segunda fila, com Lewis Hamilton em terceiro e George Russell em quarto. A surpresa da noite foi Nico Hülkenberg, da Haas, em sexto. A Ferrari acabou fracassando e parte apenas em nono e décimo. Charles Leclerc teve sua volta no Q3 anulada e Carlos Sainz bateu.

O Q1 começou com Verstappen tirando leite de pedra, tentando andar perto do favorito Norris e dos dois carros da Ferrari, que foram bem em todos os treinos livres. Na primeira saída, conseguiu: ficou a 0s130 do inglês da McLaren. Os pilotos foram pegando a mão da pista e Alexander Albon chegou a liderar a tabela, posição recuperada logo depois por Norris com 1min30s002. Foi o melhor tempo do Q1, um pouco mais alto do que tinha feito horas antes no terceiro treino livre, na casa de 1min29s. Max também melhorou e fechou o segmento em segundo, a 0s155 do líder. Quase um milagre. Oscar Piastri foi o terceiro, seguido por Hamilton e Sergio Pérez nas cinco primeiras colocações.
A Williams confirmou seu bom momento e colocou Albon em sétimo e Franco Colapinto em nono. Yuki Tsunoda também fez sua parte depois do bom trabalho da sexta e passou em décimo. O mesmo não se pode dizer de seu companheiro Daniel Ricciardo, que abriu o grupo dos eliminados em 16º. Junto com ele foram mais cedo para o hotel Lance Stroll, Pierre Gasly, Valtteri Bottas e Guanyu Zhou. Ricciardo, sempre é bom lembrar, que corre neste fim de semana ameaçado pela demissão sumária para que a Passa no Débito Mesmo coloque para correr o neozelandês Liam Lawson já na próxima etapa, em Austin (leia a caixinha azul lá no fim do texto!).


As coisas não começaram bem para o holandês no Q2. Sua primeira volta, que não foi grande coisa, foi cancelada por exceder os limites da pista. Norris fez sua primeira volta rápida em 1min30s007, quase igual ao Q1. E Hamilton foi o primeiro a baixar de 1min30s, com 1min29s929, acordando a Mercedes. Ontem, vocês lembram, a equipe alemã estava bem desorientada, para dizer o mínimo.
Verstappen voltou à pista para tentar salvar a noite de sábado a pouco mais de seis minutos do fim do Q2. Não podia errar. E não errou. Virou 1min29s680, outro milagre. Nos últimos minutos, a pista ficou cheia. Todo mundo tentando se garantir entre os dez primeiros, e as duplas de McLaren e Ferrari querendo bater a Red Bull. Só quem conseguiu foi Piastri, com 1min29s640. Leclerc ficou em terceiro, seguido por Hamilton, Norris, Sainz, Hülkenberg, Russell, Tsunoda e Fernando Alonso.
Os eliminados foram Albon, Colapinto, Pérez, Kevin Magnussen e Esteban Ocon. O argentino ficou apenas 0s007 atrás de seu companheiro de Williams, repetindo as boas atuações de Monza e Baku no confronto direto. Mas eles saíram chateados de Marina Bay. A equipe esperava colocar os dois no Q3. Não passou nenhum.
A cota de milagres de Verstappen teria de ser renovada se ele quisesse fazer a pole, algo que nunca conseguiu em Singapura. A dupla da McLaren começou o Q3 com amplo favoritismo. Mas a primeira rodada de voltas rápidas foi interrompida a oito minutos do final. Sainz perdeu a traseira de seu carro quando ia abrir sua volta e estampou a barreira de proteção. Bandeira vermelha. “Não sei se foi por causa dos pneus frios, do ar sujo, dos incêndios na Amazônia ou do aquecimento global”, lamentou pelo rádio. “Vamos apurar”, prometeu a Ferrari.


A vermelhona #55 ficou razoavelmente arrebentada. Só Piastri e Hülkenberg tinham tempos registrados – 1min30s037 para o australiano, nada de excepcional. Verstappen foi mais rápido, mas novamente teve seu tempo cancelado. Desta vez, porque quando fechou a volta as bandeiras amarelas estavam sendo mostradas no local da batida do espanhol. Ele tirou o pé, mas não quiseram nem saber. Ficou bravo. Se disse algum palavrão, não foi registrado. Quem vinha bem e teve de abortar a volta foi Norris. Tinha as duas melhores parciais da pista até ali. E restaria para todos um único jogo de pneus para uma volta solitária nos minutos restantes.
Feitos os reparos onde Sainz bateu, os boxes foram reabertos e os carros foram para a pista na conta do chá, nos últimos instantes. Todos juntos. O último a sair foi Verstappen. Passou Tsunoda e Russell na volta de aquecimento de seus pneus e foi à luta. A dupla da McLaren liderava o pelotão. Norris cravou 1min29s525, um temporal. Piastri errou e não melhorou. Hamilton chegou perto, mas Max superou o inglês e operou o terceiro milagre do dia, conseguindo a segunda posição no grid a 0s203 de Landinho. Hamilton ficou em terceiro, seguido por Russell, Piastri, Hülkenberg, Alonso, Tsunoda, Leclerc (teve o tempo cancelado por exceder os limites de pista) e Sainz.
Norris tem um péssimo retrospecto largando na pole. Nunca, nas cinco anteriores que fez e nas duas em Sprints, conseguiu fechar a primeira volta em primeiro. Se isso se repetir amanhã, terá problemas com Verstappen. A largada será tensa. Gostamos disso.

MERCADO 1 – Valtteri Bottas está dando a volta em todo mundo e neste momento é o grande favorito à vaga na Sauber/Audi no ano que vem. As negociações do novo chefe Mattia Binotto com a McLaren para liberar Gabriel Bortoleto esbarraram no tempo de empréstimo desejado pelos alemães. A McLaren topava apenas dois anos. A Audi queria mais. Algo parecido aconteceu nas negociações com a Williams para ter Franco Colapinto. O time inglês não quis cedê-lo a perder de vista. Resultado: ofereceram um contrato de um ano apenas para Bottas. O finlandês topou. E pode ser anunciado em breve. Na opinião deste blogueiro, um erro. A Audi deveria se esforçar mais por Colapinto ou Bortoleto. Eu iria fácil no argentino. O brasileiro ainda é muito cru, embora claramente talentoso.
MERCADO 2 – A Red Bull prometeu para depois do GP de Singapura uma definição sobre Daniel Ricciardo. Ele não ficará na Pega lá a Maquininha no ano que vem, isso é certo. A questão agora é saber se fica até o fim do ano. Ou se será substituído por Liam Lawson já a partir do GP dos EUA. Apostem na segunda opção. É provável que o australiano se despeça da F-1 amanhã. E se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o que fazer com ele, o resultado da classificação hoje deu a resposta. Ricciardo não passou do Q1. Tsunoda larga em oitavo.
SEM CENSURA – O melhor do dia foi Verstappen se recusar a responder perguntas na coletiva obrigatória dos três primeiros. Avisou a todos os jornalistas que teria muito prazer em falar do lado de fora da sala. Por quê? “Porque posso pegar mais um dia [de serviços comunitários].” Um protesto inteligente contra o tonto do presidente da FIA que teve como resultado uma improvável união dos pilotos. Todos ficaram do lado dele.





É o título do texto inédito e exclusivo para os assinantes da minha newsletter, que está aqui. Trata da cessão do nome Senna a um absurdo prédio de mais de 500 metros de altura que será erguido, onde mais?, em Balneário Camboriú. Precisa assinar para ler. É a vida.

SÃO PAULO (todos os gatos são…) – Lando Norris foi o mais rápido da sexta-feira em Singapura e só Charles Leclerc chegou perto dele. A Mercedes e a Red Bull estão perdidinhas da silva. Williams e No Crédito Dá Pra Parcelar foram as surpresas da noite. É o resumo da abertura das atividades no circuito urbano de Marina Bay.
Mas o melhor foi antes.
Mohammed bin Sulayem, o mentecapto que preside a FIA, deu entrevista esta semana — e reforçou que quer mais rigor no cumprimento de uma norma cretina — para reclamar que os pilotos têm falado muitos palavrões pelo rádio. Aqui, uma observação: os xingamentos nunca passam de “shit” (merda) e “fuck” (foda), e geralmente são dirigidos a eles mesmos e suas equipes. Aí o pascácio emendou: “Piloto não é cantor de rap, o ambiente da F-1 não é pra isso”. Não sei se foi com essas palavras e não estou a fim de procurar. Mas o que ele quis dizer é que rappers são mal-educados e no mundo das corridas todos são refinados e gentis, e não pega bem falar palavrão. Preconceituoso, lorpa, racista de merda.
Vai se foder, vai.
Levou um coice de Hamilton — achei que foi de leve, até — e Verstappen, acreditem, recebeu hoje uma punição dos comissários porque falou “fucked” na entrevista de ontem — ao descrever seu carro “fodido” em Baku. Foi “condenado” a pagar serviços comunitários, ou algo assim.


Era mesmo só o que faltava. Se eu fosse piloto, passaria o fim de semana todo falando “shit” e “fuck” pelo rádio. Se os caras querem abrir os rádios, que aguentem. Esse presidente da FIA é, mesmo, um imbecil completo.
Dito isso, vamos aos treinos.
McLaren (Norris) e Ferrari (Leclerc) voaram. Lando fez 1min30s727 e Charlinho ficou 0s058 atrás. O terceiro colocado, Sainz, terminou a 0s629 de distância. A Mercedes não entendeu ainda para que lado tem de virar o carro — Russell, inclusive, bateu no fim e quebrou o bico — e a Red Bull concluiu, depois de um assustador 15º de Verstappen a 1s294 de Norris, que tem dia que de noite é foda.
Será que Mohammed vai me condenar a limpar banheiros públicos?



Para ver os tempos aí em cima em tamanho maior, é só clicar na imagem que ela fica grandona. Se eu achar aquela tabelinha que costumo publicar aqui, depois troco.
Seguimos. Quem andou bem, muito melhor do que o normal, foi a dupla Tsunoda-Ricciardo. O japonês ficou em quarto e o australiano, em sexto. Nota do editor: pode ser a última corrida de Ricardão. São muito fortes os boatos de que a Red Bull, dona da Aproxima na Tela está pensando em colocar Liam Lawson para correr até o fim da temporada. O próprio Daniel admitiu, ontem, que “neste esporte tudo pode acontecer”.
A Williams também chamou a atenção principalmente no primeiro treino livre, realizado no fim da tarde no Sudeste Asiático. De noite, fechou em nono com Albon e em 16º com Colapinto — que fará sua primeira corrida noturna e não conhecia a pista.




E, por fim, a asa traseira da McLaren. A equipe tem sido acusada de ter uma espécie de DRS disfarçado, com frestas nas extremidades do dispositivo para reduzir o arrasto aerodinâmico. A FIA disse que está tudo nos conformes com a asa, mas mandou tirar aqueles buraquinhos. E a McLaren respondeu que fará isso.
Uai, se era legal, por que mandar mudar a asa?
Ah, FIA, vai à merda.
Outra pintura especial para Singapura: da McLaren. A equipe quer relembrar o período da série MP4, entre 1981 e 1996, quando era patrocinada pela Marlboro e seus carros pareciam maços de cigarro. É o layout mais marcante da história do time, sem dúvida, que lembra pilotos como Lauda, Senna e Prost.

SÃO PAULO (gosto de marcas) – Eu teria essa Kombi da Sharp! Mas só porque é da Sharp… Será que vai existir no mundo real? Chama LDK+. E é elétrica, claro. Foi apresentada como protótipo. Na verdade, é uma TV ambulante. O mundo está ficando bem louco. Mas uma coisa é certa: todo mundo copia a Kombi.

SÃO PAULO (tenso) – Essa será a pintura da Mercedes em Singapura. O carro troca o prateado sobre o bico pelo Verde Esmeralda (cores com sobrenomes sempre em maiúsculas) da Petronas, empresa da Malásia que está fazendo 50 anos — e patrocina a equipe desde 2010, quando sucedeu a BrawnGP.
Muitos times usam pinturas diferentes na prova noturna do Sudeste Asiático. Veremos algumas, neste fim de semana. Mas não na Red Bull. As pinturas especiais para Singapura e Austin não serão usadas, e a equipe pediu desculpas aos milhares de fãs que participaram de concursos para escolher desenhos nos últimos meses. Motivo: não colocar peso extra de tinta nos carros. E não é brincadeira. Tinta demais pesa, mesmo. E qualquer quilinho a mais no RB20, nessa altura do campeonato, pode atrapalhar.
Melhor não inventar.
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...