BEARMAN & HAAS

Bearman: anúncio será em Silverstone

SÃO PAULO (boa escolha) – Oliver Bearman será anunciado como titular da Haas para 2025 depois do GP da Áustria, que acontece neste fim de semana. O time americano irá divulgar o acerto antes da corrida de Silverstone, no domingo seguinte. O inglês de 19 anos, que é piloto da Academia da Ferrari, assinou por dois anos. A equipe italiana, claro, deu um empurrãozinho. É parceira técnica da Haas, que tem até salinha em Maranello. A outra vaga está indefinida. Esteban Ocon, Valtteri Bottas, Guanyu Zhou e o atual titular Kevin Magnussen brigam pelo lugar. Nico Hülkenberg, parceiro de Magnussen, já fechou com a Sauber/Audi.

Bearman impressionou muito no começo do ano, quando foi chamado às pressas pela Ferrari para substituir Carlos Sainz no GP da Arábia Saudita. O espanhol foi internado com apendicite e a equipe recorreu ao jovenzinho, que atualmente defende a Prema na F-2. Ele fez o terceiro treino livre, foi para a classificação, largou em 11º e terminou em sétimo, com calma e frieza admiráveis. Ali garantiu seu futuro.

Neste ano, Bearman já fez dois treinos livres em finais de semana de GP pela Haas, em Ímola e Barcelona. Vai participar também das sessões oficiais na Inglaterra, Hungria, México e Abu Dhabi. Com um currículo respeitável — campeão alemão e italiano de F-4 em 2021, terceiro na F-3 em 2022 e sexto na F-2 no ano passado, com quatro vitórias e seis pódios –, Bearman não vem bem nesta temporada na categoria de acesso. Companheiro de Kimi Antonelli, o queridinho da Mercedes, tem apenas 18 pontos e está em 17º lugar depois de dez etapas. O parceiro tem 48 e é o nono.

Na verdade, é a Prema que não está andando nada. Somou 66 pontos e está em sétimo entre as equipes. A Campos, líder do campeonato, tem 120. E os dois moleques, todos sabem, estão mesmo é com a cabeça na F-1. Seus resultados na F-2 não serão determinantes para as decisões já tomadas por seus empregadores. Bearman ganhará sua chance na Haas, isso já está definido, e Antonelli correrá na Williams ou na Mercedes. O mais provável é que já faça alguns GPs neste ano pela primeira, no lugar de Logan Sargeant. Que, por sua vez, está acertando com a mesma Prema para correr na Indy no ano que vem.

Todo mundo se ajeita, em resumo.

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AGENDINHA

Anotem aí os horários da Áustria, porque neste fim de semana tem Sprint!

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LEGIÃO URBANA

Estou abrindo muitas exceções ultimamente nesta seção, mas o Danilo Cândido, de Diadema, é blogueiro antigo e merece. E o carrinho, também. A mensagem dele está depois da foto.

Sei que não costuma postar contribuições de “outrem” nesta seção, porém esse Fiesta chama minha atenção todos os dias quando atravesso a Av. Firestone em Santo André rumo ao trabalho, por isso imaginei ser interessante. E muito difícil ver um CLX (provavelmente 96-97) em tamanho estado de conservação, com o interior também impecável. Apesar do design meio controverso, acaba ficando lindo assim, tão em forma após quase 30 anos (indicando também como o tempo voa, já que em pouco tempo poderá ter placa preta).

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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Protagonistas: Norris e Verstappen dominaram o GP

SÃO PAULO (e foi bonito) – Vencedor e vencido se cumprimentam no Parque Fechado. Não é lá uma imagem muito original, mas ilustra bem o que foi o GP da Espanha, ontem. Verstappen passou dois anos e meio sem adversários — porque o carro era bom, porque ele é ótimo, porque os outros fizeram trabalhos ruins em 2022 e 2023. Agora parece que terá. Aqui e ali, nem sempre o mesmo, de vez em quando. Não importa. Tudo que aqueles que gostam de corridas e competições em geral querem é ver disputas. Porque é nas grandes disputas que sobressai o talento.

Verstappen tem dado demonstrações inequívocas de seu talento em corridas difíceis neste ano. Ímola foi uma delas. Montreal, outra. Barcelona, mais uma. Com 61 vitórias no lombo, às portas do quarto título mundial, já pode ser colocado no panteão dos maiores de todos os tempos sem muita hesitação. No meu olimpo particular, ladeia Schumacher e Hamilton. E vou dizer: os três com alguma folga sobre o quarto colocado. Que pode ser quem vocês quiserem.

O NÚMERO DA ESPANHA

106

…pódios tem Verstappen na F-1, o que o coloca em quarto lugar nas estatísticas ao lado de Alonso e Prost. À frente deles estão Hamilton (198), Schumacher (155) e Vettel (122). Max venceu pela quarta vez em Barcelona, terceira seguida. E desde o GP da Espanha de 2022, quando assumiu a liderança do Mundial ultrapassando Leclerc na tabela, nunca mais deixou a ponta. São 763 dias como líder do campeonato.

Hamilton não ia ao pódio desde o GP do México do ano passado, em outubro. Fazia tempo que não participava de uma coletiva pós-corrida. Até tirou uma soneca ontem. Quando Verstappen chegou e flagrou a cena, cravou: “Ele claramente está ficando velho!”. Com mais uma tacinha, Lewis garantiu a 18ª temporada seguida com pelo menos um pódio — desde a estreia, em 2007. Já a McLaren festeja seu sexto pódio seguido no ano, sequência que não conseguia desde as temporadas de 2011 e 2012. Aliás, foi em 2011 que a equipe levou um troféu em Barcelona pela última vez. Dois, para ser preciso: Hamilton foi segundo e Button terminou em terceiro aquele GP da Espanha.

E o menino Norris, hein? O segundo lugar alçou o rapaz à vice-liderança do campeonato, posição que nunca tinha ocupado antes. Chegou ao pódio pela sexta vez no ano em dez etapas. No ano passado inteiro foram sete. E uma curiosidade: fez cinco dobradinhas com Verstappen nesta temporada. Mas ganhou só uma. Nas demais, foi segundo colocado.

A FRASE DE BARCELONA

“O combinado era pouparmos os pneus no início. Foi desnecessário. Mas era sua corrida de casa, está num momento importante da carreira, acho que quis fazer algo espetacular. Mas eu não era a pessoa certa para ele fazer isso.”

Leclerc, sobre Sainz

ALPINE, JURA? – Falando em Sainz, a última do mercado: Flavio Briatore quer levá-lo para a Alpine. Até ontem, só Williams e Sauber/Audi estavam no horizonte do espanhol. Seria uma volta ao time que defendeu em 2017 e 2018, ainda como Renault. Mick Schumacher seria outro cotado para a vaga de Ocon. A amizade de Briatore com a família do alemão ajudaria. Mas parece pouco provável.

E NA WILLIAMS? – Caso Sainz aceite a Alpine, ou a Audi, a Williams já teria um plano B engatilhado. E segundo o “Blick”, jornal suíço, esse B é de Brasil: Felipe Drugovich. A conferir.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver a reação da Alpine, que voltou a pontuar com seus dois carros e passou a Haas na classificação. Agora está em sétimo com oito pontos, contra sete do time americano. Gasly ficou em nono e Ocon terminou em décimo. Não é lá grande coisa, mas o ano tinha começado com cinco corridas seguidas no zero.

NÃO GOSTAMOS da Aston Martin, que está deixando Alonso meio de saco cheio. Nas últimas quatro corridas, ele deixou de pontuar em três. O espanhol não passou pano para ninguém. “Não podemos mentir para nós mesmos. Neste momento, nosso carro não está em condição sequer de pontuar. Barcelona é uma pista que te coloca na posição que você merece.” No caso, 12º com ele e 14º com Stroll.

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ONE COMMENT

Luiz D’Avila mandou o vídeo, mas não disse o preço, então desisti.

O Tourbillon custa mais de R$ 20 milhões, então desisti mesmo. Mas o que não sabia era que 55% da Bugatti hoje pertencem a um croata que faz carros elétricos. A VW repassou outra parte das ações à Porsche. Disso vocês sabiam?

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BARCELONETAS (3)

Verstappen, sete vitórias no ano: ficando cada vez mais difícil

SÃO PAULO (por pouco) – Deu Max Verstappen na Espanha. Mas não foi aquela sopa no mel. O holandês teve de suar o macacão. Ganhou de novo, é verdade, pela sétima vez em dez corridas neste ano — a segunda seguida. Mas num momento em que a Red Bull, quem diria, parece não ter o carro mais rápido do grid. Desde Miami, quando Lando Norris ganhou seu primeiro GP, o time dos energéticos tem enfrentado algumas dificuldades. O desempenho não é nitidamente superior ao da concorrência, como nas primeiras etapas do campeonato — e na temporada toda de 2023. Foram, a partir da prova da Flórida, cinco corridas. Max venceu três delas, em Ímola, Montreal e, agora, Barcelona.

Conclusão: se a coisa aperta, que se recorra àquela pecinha entre o banco e o volante chamada piloto. E piloto a Red Bull tem de sobra.

Max não tem feito milagres, mas está tendo de cortar um dobrado para superar a incrível ascensão da McLaren e as estocadas eventuais de Mercedes e Ferrari. Hoje, na Catalunha, Norris provavelmente venceria se tivesse conseguido manter a ponta na largada. Estava na pole, o carro mostrara um ótimo ritmo em todos os treinos e a boa forma seria confirmada nas 66 voltas da corrida. Só que bobeou. E a perda da liderança nos primeiros metros acabou determinando seu resultado final. Ficou em segundo, a pouco mais de 2s de Verstappen — que chegou à 61ª vitória de sua carreira.

As coisas começaram a dar errado para Norris quando George Russell, quarto no grid, fez uma das mais lindas largadas dos últimos tempos, assumindo a liderança na primeira curva, enquanto Norris se preocupava em procurar Verstappen no retrovisor. E o inglês da McLaren foi ultrapassado também por Max, que, também foi ultrapassado por Russel, mas manteve sua posição original de grid, o segundo lugar.

E, então, veio o momento decisivo para o holandês logo na terceira volta. Sem perder muito tempo, Verstappen passou Russell no final da reta dos boxes e foi para a ponta. Isso aconteceu segundos depois de seu engenheiro, pelo rádio, sugerir que aquele poderia ser o melhor momento para a ultrapassagem, porque a reta é grande, tem asa móvel e isso e aquilo.

Antes de terminar a frase, o holandês já tinha ido. Ali ganhou a corrida. Como de hábito, foi preciso, calmo, eficiente, administrou o desgaste dos pneus e controlou a diferença para quem estivesse em segundo, sabendo que em algum momento este seria Norris, voando. O que aconteceu na fase final da prova. Quando já era tarde demais.

Mas voltemos ao início do GP, quando Max assumia a liderança e começava a desenhar mais um triunfo para ampliar sua liderança na tabela de classificação. Enquanto isso, a dupla da Ferrari, que ocupava a terceira fila do grid, começava um divertido lenga-lenga radiofônico entre Leclerc e Sainz. “Ele passou muito perto”!, disse o monegasco quando foi ultrapassado pelo companheiro. “Ele me tocou, eu estava na frente!”, retrucou o espanhol. Ambos de fato tocaram pneus na curva 1. Mas nada muito dramático, exceto pelo tom dos queixosos. O simpático Frédéric Vasseur, chefe ferrarista, bem que gostaria de mandar os dois plantarem batatas, mas ficou quieto.

Torcida de Sainz: sexto lugar, sem muita festa

Na décima volta, a prova estava estabilizada, como costuma acontecer em Barcelona antes das paradas para troca de pneus. Verstappen, Russell, Norris, Hamilton, Sainz, Leclerc, Gasly, Piastri, Ocon e Hülkenberg eram os dez primeiros, todos eles especulando as possibilidades de parar antes, esticar um pouco o primeiro stint… Enfim, decidir o que fazer.

Max liderava com relativa tranquilidade, mais de 2s à frente de Jorginho. Leclerc x Sainz, na batalha pelo quinto lugar, era o que de mais promissor a prova apresentava àquela altura. Mas Charlinho não atacava o parceiro. Apenas reclamava. “Só porque ele é espanhol pode fazer o que quiser? Só porque corre em casa? Não tenho medo de torcida, não! Manda vir em turma! Sou do morro, rapá!” Vasseur suspirava.

Na volta 14, Pérez, que tinha acabado de assumir o décimo lugar, fez sua primeira parada. Depois veio Gasly, num pit stop desastroso da Alpine. Russell foi aos boxes na 16ª, junto com Sainz. A Mercedes se atrasou um pouco na roda traseira direita, mas o inglês conseguiu sair ainda à frente da Ferrari #55. A janela de paradas estava aberta para todo mundo, e as estratégias eram basicamente as mesmas: trocar os pneus macios por médios — exceto Pérez, que colocou macios como na largada. Um segundo pit stop seria necessário, dado o alto desgaste da borracha na pista catalã.

Max parou na volta 18. Norris, então, assumiu a liderança seguido por Leclerc e Piastri, que não tinham feito suas trocas. O #1 da Red Bull voltou em quarto, 4s à frente de Russell. Se Lando parasse logo, ganharia a posição do #63 da Mercedes. Mercedes que, naquela hora, estava era vibrando com Hamilton, numa batalha bonita contra Sainz. O heptacampeão acabou passando e Carlos reclamou de novo. “Ele me tocou! Eu estava na frente!”, e aí o cozinheiro da Ferrari, que também usa rádio e escuta todas as conversas, se irritou e acionou seu microfone, normalmente usado para tirar algumas dúvidas sobre almoço e jantar, se a massa seria trufada ou verde, se o molho seria Alfredo ou carbonara, essas coisas da gastronomia. “Você só reclama, cazzo!”, berrou o chef.

Norris, segundo: vitória escapou na largada

Em primeiro, Norris ia ficando na pista. Eram já 23 voltas com seus pneus macios, que duravam mais do que o esperado. O rádio avisou que quando ele parasse, voltaria atrás de Verstappen, Russell, Hamilton e Sainz. Parou na 24ª. Voltou atrás de Verstappen, Russell, Hamilton e Sainz, em sexto. Teria como se recuperar, com pneus cerca de dez voltas mais novos que aqueles que estavam à sua frente. Mas perderia algum tempo, segundos preciosos.

O último dos 20 pilotos a fazer o primeiro pit stop foi Leclerc, na volta 25. E Verstappen, então, voltou à ponta com mais de 5s de vantagem sobre Russell. A Ferrari informou a Sainz que a desejada punição a Hamilton não tinha dado em nada. “Oh, não sei por que existe um livro de regras, se elas não são seguidas…”, lamuriou-se. O cozinheiro, lá do motorhome, vendo a corrida pela TV, entrou no rádio de novo. “Cala a boca, cazzo!” Vasseur passou a prestar atenção naquele funcionário desbocado. “Esse moço tem espírito de liderança. Talvez esteja no lugar errado…”, pensou.

Na volta 26, com pneus mais novos, Norris passou Sainz e assumiu o quarto lugar. Foi para cima de Hamilton, para entrar de novo na zona de pódio. Seu ritmo era forte, reforçando a sensação de que se tivesse largado bem seria o grande favorito à vitória. Mas Verstappen, na liderança, já estava cerca de 8s à sua frente. O #4 da McLaren teria de remar bastante para alcançá-lo.

Lando passou Lewis na volta 32, sem dificuldades. Abriu a asa na reta dos boxes e chegou à frente dele na freada da curva 1. O próximo alvo era também prateado, Russell. Que, naquela altura, se transformava em aliado de Verstappen. Quanto mais segurasse Norris, melhor para o holandês.

Na metade da prova, volta 33, Verstappen, Russell, Norris, Hamilton, Sainz, Leclerc, Gasly, Piastri, Ocon e Hulk eram os dez primeiros – Pérez já tinha feito o segundo pit stop. Max aproveitou que Norris perdeu algum tempo atrás de Russell e ampliou a vantagem. Só na volta 35 Lando passou, com alguma dificuldade – Jorge resistiu, retomou a posição, mas acabou cedendo. Max agradeceu. Estava 9s3 à frente.

Hamilton: de volta ao pódio depois de oito meses

Russell e Sainz, então, foram para suas segundas paradas, e os dois colocaram pneus duros. Norris começou a apertar ainda mais o ritmo. Na volta 39, a diferença caiu para 7s5. Na 40, 6s7. De grão em grão, a galinha papaia ia enchendo o papo. Max, que já tinha reclamado de seus pneus “inconsistentes” – foi o termo que usou –, ia se virando até a segunda parada, quando esperava ter pneus mais, digamos, consistentes. Lando voava. Na volta 42, já aparecia no mesmo enquadramento das câmeras de TV, 5s6 atrás do líder.

Hamilton parou na volta 44 e colocou pneus macios para a última parte da corrida. Voltou em sétimo. Verstappen parou na 45ª. Também calçou macios e voltou em terceiro. A McLaren avisou Norris: “É nossa chance!”. A corrida estava boa. Carros com pneus diferentes, estratégias diversas, muitas ultrapassagens. Mas o grande lance era acompanhar Norris, agora líder, e Verstappen, o terceiro. Entre eles, Leclerc. A diferença de Lando para Max era de 15s. Mas o piloto da McLaren ainda tinha um pit stop para fazer. Fê-lo na volta 48, também colocou pneus macios e voltou em segundo, 8s atrás de Verstappen. Os dois com a mesma borracha, a do inglês apenas três voltas mais nova. E a prova ficou no mano a mano: Max a caça; Lando, o caçador.

Norris acelerava como se não houvesse amanhã. Pelo rádio, a Red Bull informou Verstappen que o menino maluquinho não estava muito preocupado em poupar os pneus. Fazia volta rápida em cima de volta rápida. A 15 voltas do fim, a diferença caíra para 5s8. Um pouco mais atrás, Hamilton, com seus pneus macios, chegou em Russell e assumiu o terceiro lugar na volta 52. O companheiro não ofereceu muita resistência.

O rádio de Verstappen seguia intenso, para dizer o mínimo. “Max, Lando continua não poupando pneus. Acho melhor acelerar”, disse o engenheiro. E orientou: “Coloca o botão aí na posição 10”. “Qual?”, perguntou o piloto. “Dez, meu filho. Um-zero.”

Comemoração de Verstappen: apenas 2s sobre Norris

Não se sabe direito o que a posição um-zero significa, mas é possível intuir. Alguma potência a mais, algo que permitisse manter Norris a uma distância segura. A diferença, que vinha caindo à ordem de quase meio segundo por volta, se firmou na casa dos 5s. Diminuiu um pouco na volta 58, para 4s8. Norris se esfalfava. Mas seus pneus também já não eram mais os mesmos. A verdade é que Max tinha tudo sob controle.

Verstappen acabou recebendo a quadriculada com 2s219 de vantagem para Norris, com Hamilton em terceiro. O inglês da Mercedes estava longe do pódio desde o final de outubro do ano passado, quando foi segundo colocado no México. Russell terminou em quarto, com Leclerc em quinto nos seus calcanhares. Sainz, Piastri, Pérez, Gasly e Ocon fecharam os dez primeiros. A Alpine voltou a pontuar com seus dois carros.

No campeonato, Verstappen foi a 219 pontos e agora tem, como vice-líder, Norris com 150. Disse que a ultrapassagem sobre Russell na terceira volta foi “crucial” e que teve de guiar o tempo todo num modo “defensivo”, sabendo que Lando vinha babando na gravata. Este, por sua vez, lamentou a derrota. “Eu deveria ter vencido. Não fiz uma boa largada. Nosso carro hoje era o mais rápido de todos.”

Final em Barcelona: todos os carros terminaram a prova

Depois de um fim de semana discreto da Ferrari, para não dizer ruim, Leclerc caiu para o terceiro lugar na classificação, com 148 pontos. Sainz (116) e Pérez (111) completam a lista dos cinco primeiros na tabela. Entre as equipes, a Red Bull agora tem 330, contra 270 da Ferrari, 237 da McLaren e 151 da Mercedes.

Domingo que vem tem Áustria, com Sprint. No outro, Inglaterra. Teoricamente, a Red Bull deveria nadar de braçada nessas duas pistas. Mas as coisas mudaram nos últimos dois meses. Verstappen, agora, tem adversários. Nenhum à sua altura, diga-se. Mas capazes de derrotá-lo, sim. Só que, para isso, não podem errar como Norris errou hoje. Porque Max não erra.

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BARCELONETAS (2)

Pole de Norris: segunda na carreira do inglês da McLaren

SÃO PAULO (melhor assim) – Lando Norris fez a pole-position para o GP da Espanha hoje em Barcelona. É apenas a segunda de sua carreira, quase três anos depois de largar na frente no GP da Rússia de 2021, em Sochi. Lembrávamos de corridas na Rússia? Pois é. Cinco meses depois daquele GP o país entrou em guerra com a Ucrânia e foi banido do calendário. O mundo anda muito acelerado. A guerra continua, e a F-1, também. Sem Sochi – ainda bem, a pista era uma chatice.

Não dá para afirmar que foi uma surpresa monumental. A Red Bull continua fortíssima, mas não tanto como no ano passado, quando ganhou 21 das 22 etapas do Mundial. Max Verstappen ficou em segundo no grid. Depois de sete poles seguidas nas sete primeiras corridas do campeonato (oito consecutivas, contando a última de 2023), amarga a terceira prova sem conseguir a primeira posição no grid. Em Mônaco, deu Ferrari com Leclerc. No Canadá, Russell com a Mercedes. Agora, Norris com a McLaren. O pessoal tem se revezado para bater no holandês.

Quando Verstappen cravou 1min12s306 em sua primeira volta rápida no Q1, deu para perceber que venderia caro o favoritismo para a pole já arranhado nos treinos livres. Quem conseguiu batê-lo foi Leclerc, por meros 0s049. Norris, Sainz e Russell vinham a seguir, mas um pouco mais distantes no cronômetro, a mais de 0s1.

Foi só nos últimos segundos que Hamilton virou 1min12s143, pulando para a ponta e se colocando entre os candidatos à posição de honra no grid – ele já tinha fechado a sexta-feira na frente. Na zona de eliminação, Magnussen, Tsunoda, Ricciardo, Albon e Sargeant. Uma certa surpresa a degola da dupla da Cadê a Maquininha?, que vem frequentando Q2 e Q3 com alguma assiduidade nesta temporada. O resto, normal.

O início do Q2 foi alvissareiro, com Gasly, Pérez, Hulk, Ocon, Bottas e Alonso entrando na casa de 1min12s. A pista estava mais rápida, com muitas nuvens encobrindo o sol catalão e temperatura mais baixa no asfalto – 35°C, contra 44°C do começo da classificação. Aí entraram os adultos na pista. Sainz enfiou 1min11s874 na cara dos rivais. Norris fez 1min11s872, 0s002 melhor que o espanhol. Piastri e Leclerc também ingressaram no clube do 1min11s. E Verstappen esfregou 1min11s653 na fuça da patuleia, deixando todos para trás.

Faltava Hamilton. Mas logo na primeira saída o britânico da Mercedes acionou o rádio e avisou: “Estes pneus estão ruins”.

Hamilton: melhor grid desde EUA/2023, onde também saiu de P3

(Sei que não cabe aqui, mas tive a mesma sensação esta semana ao pegar meu Gol GT na oficina, ele que estava parado havia algum tempo. Ainda calça os clássicos e incomparáveis Pirelli P6000, nas medidas 185-60-R14. São pneus que não existem mais. Um deles, o traseiro direito, ficou alguns dias meio vazio e temo que tenha deformado. Terei de trocar, infelizmente, pela idade. Se for de Pirelli de novo, agora o P6000 se chama Formula Energy. Há boas opções Michelin, Goodyear, Dunlop e Continental. São pneus caros. Tem uns chineses mais baratos, mas sou meio conservador com pneus. Quando peguei a Anchieta, minha reação foi igual à do Hamilton. Só não tinha rádio, então falei sozinho.)

Lewis trocou os pneus. E quando acertou sua volta, pulou para segundo, a 0s139 de Max. Russell veio no embalo e foi para terceiro. A briga pela pole seria ótima, com vários pretendentes: as duplas de Mercedes, Ferrari e McLaren, mais Verstappen. Pérez também foi ao Q3, mas ninguém acreditava no mexicano, apesar de pilotar um Red Bull. Alonso, Bottas, Hülkenberg, Stroll e Zhou empacaram no Q2. A Aston Martin segue desabando. E a Alpine levou Gasly e Ocon ao Q3, uma façanha para o time francês – pela primeira vez no ano, foi com os dois carros à fase final da classificação.

Pérez abriu o Q3 com uma volta totalmente bunda em 1min13s061. Verstappen repetiu o desempenho da fase anterior com 1min11s673 – apenas 0s020 pior. Os desafiantes não conseguiram feri-lo: Norris (a 0s123), Hamilton (0s143), Russell (0s167), Sainz (0s242) e Leclerc (0s276) fecharam a turma dos seis primeiros na primeira bateria de voltas rápidas. Piastri só tinha um jogo de pneus macios novos e faria uma volta só. Mas errou em sua tentativa, foi para a brita, voltou aos boxes e ficou em décimo.

Leclerc: Ferrari acreditava na pole, mas larga em quinto e sexto

Sainz e Leclerc melhoraram seus tempos na segunda saída. Mas não superaram o que Verstappen já tinha feito na primeira. E o holandês ainda baixou para 1min11s403, dando pinta de que voltaria à pole. Hamilton também melhorou, assim como Russell. Ambos, porém, longe do tempo de Max, para decepção da Mercedes. Quem brigaria com ele?

Lando Norris.

O inglês da McLaren fez uma volta sensacional em 1min11s383 e bateu o tricampeão mundial por 0s020. Hamilton ficou em terceiro a 0s318 de Lando. Os dois meninos da primeira fila, como se vê, mandaram o equilíbrio às favas. Lewis terá a seu lado na segunda fila o companheiro Russell, que triscou o parceiro a 0s002. Na terceira alinha a dupla da Ferrari: Leclerc em quinto, Sainz em sexto, com 0s005 entre eles. Gasly, Pérez, Ocon e Piastri completaram o top-10. Pérez, porém, larga em 11º porque já chegou a Barcelona punido com três posições no grid por ter voltado aos boxes, no Canadá, com a asa traseira pendurada depois de uma batida.

Os tempos em Barcelona: Pérez perde três posições

A largada será fundamental amanhã, assim como a gestão dos pneus. Não há um favorito destacado. Verstappen, se não ganhar a ponta de cara, o que é mesmo difícil, vai jogar com paciência e estratégia. Não pode deixar Norris escapar. Seu ritmo de corrida, que testou exaustivamente nos treinos livres, foi melhor que o da concorrência. As paradas de box devem definir o resultado.

É uma prova aberta, em resumo. O que é uma ótima notícia para um campeonato que começou muito parecido com o que tinha terminado alguns meses antes, de domínio absoluto da esquadra rubro-taurina. McLaren, Ferrari e Mercedes não se abateram e resolveram partir para a briga. Ainda estão perdendo. Mas de vez em quando acertam uns golpes em Verstappen. Que segue firme, mas está tendo de se defender. No ano passado, era nocaute em toda corrida. Agora, tem de se contentar com algumas vitórias por pontos. E uma ou outra derrota.

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BARCELONETAS (1)

Hamilton na frente: como nos velhos tempos

SÃO PAULO (a ver) – Nem parecia a Mercedes dos últimos anos. Lewis Hamilton, como nos velhos tempos — dele e da equipe — foi o mais rápido hoje na abertura dos trabalhos em Barcelona. Nessa pista, o inglês tem seis poles, seis vitórias, 11 pódios. Cinco dessas vitórias seguidas: de 2017 a 2021. Mas não dá para dizer que é favorito a ganhar domingo. Lewis nem ao pódio foi neste ano, ainda. De qualquer maneira, é clara a melhora da equipe, que tem um carro problemático e imprevisível. Menos, agora, do que no começo do ano. O GP da Espanha é o décimo da temporada. Está na hora de o time alemão mostrar algum serviço. Como já mostraram Ferrari e McLaren, que vêm batendo de frente com a Red Bull.

Red Bull que, por sua vez, começou mal mais um fim de semana, com Verstappen apenas em quinto e resmungando o tempo todo. Pode ser que amanhã ele faça a pole, ou ao menos brigue por ela. Mas é evidente que a superioridade demonstrada no ano passado e nas primeiras corridas desta temporada já não é a mesma. As explicações são muitas: bateu no teto da performance, tem pouco a crescer, as outras melhoraram, o ambiente se deteriorou com as denúncias contra Christian Horner, o afastamento de Adrian Newey… Pode ser qualquer uma dessas, ou todas juntas. O que, convenhamos, é ótimo para o campeonato. Ainda acredito que Max será campeão. Mas não será extremamente fácil como em 2023. Algum trabalhinho ele terá.

Tempos de hoje: Gasly é a surpresa

Barcelona é um circuito onde a Red Bull deveria retomar o ritmo, depois de algumas provas incômodas em Miami, Ímola, Mônaco e Montreal. Nessas quatro, apesar dos percalços, Verstappen venceu duas. E em Miami, mesmo sem ganhar, foi quem saiu da Flórida com a maior pontuação naquele fim de semana, que teve Sprint — marcou 26, contra 25 de Norris, que ganhou a corrida principal. Sua liderança na tabela ainda é confortável, com 56 pontos de vantagem para Leclerc, o vice-líder (194 x 138). Seus desafiantes oscilam bastante. A dupla da Ferrari, por exemplo, não pontuou no Canadá. A Mercedes é uma montanha-russa. A McLaren, sim, tem apresentado alguma consistência.

Nos treinos de hoje, com sol e calor na Catalunha, Hamilton, Sainz e Norris, os três primeiros, ficaram praticamente juntos. A surpresa foi Gasly, da tumultuada Alpine (leia abaixo, nas caixinhas), em quarto. Não deve se sustentar aí amanhã. Quem decepcionou a torcida local foi Alonso, que terminou o dia em 14º com a Aston Martin.

Verstappen foi apenas o quinto mais rápido, 0s240 atrás do Mercedão #44. Tende a reagir na classificação, com um gás a mais no motor — o regime de potência nunca é integral nos treinos livres. Mas se alguém esperava um passeio, como eu, pode tirar o cavalinho da chuva. A briga amanhã vai ser intensa. Largar na pole em Barcelona tem peso. A pista não é das melhores para ultrapassagens.

E temos algumas caixinhas, claro, para animar a sexta-feira. A elas.

WILLIAMS, CARLOS? – Pois é. Aumentam os rumores de que Carlos Sainz pode acabar na Williams em 2025. A equipe já fala abertamente em um nome para ladear Alexander Albon a partir do ano que vem. E não esconde que está conversando com o espanhol. O tailandês já renovou. James Vowles, o chefe da Williams, garante que muita gente boa está sendo contratada, que os planos do time são ambiciosos, que vai entrar dinheiro e que o simples fato de falar com Sainz já mostra que não está blefando. Este tem duas alternativas: aceitar a Williams, com a segurança de que os motores Mercedes, a partir de 2026, tendem a ser competitivos, ou fechar os olhos e mergulhar no projeto da Audi — atual Sauber.

BYE, SARGENTO – E Logan Sargeant já foi avisado que não fica, embora oficialmente nada tenha sido publicado. O americano deve se dar por feliz se chegar ao fim do ano empregado. A Mercedes, parceira da Williams, conseguiu que a FIA reduzisse a idade mínima para emissão de superlicença, de modo que se quiser colocar seu filhote Andrea “Kimi” Antonelli para correr, pode. O italiano, atualmente na F-2, faz 18 anos em agosto. A ideia é jogar o menino na Williams para acelerar o aprendizado e tê-lo como titular no ano que vem ao lado de Russell, já que Hamilton vai para a Ferrari.

VOLTOU – E não é que a Renault, num gesto de desespero, contratou Flavio Briatore? Ele será “conselheiro executivo” da Alpine, seja lá o que for isso. O italiano estava afastado da F-1 desde 2009, quando foi banido da categoria por ter arquitetado a batida proposital de Nelsinho Piquet no GP de Singapura do ano anterior. O acidente garantiu a vitória de Alonso, o outro piloto da Renault. Bruno Famin, o chefe da Alpine, disse que não se importa com o passado. Deveria. Briatore pode ser charmoso, sedutor, inteligente, esperto, malandro. Ninguém tira dele as conquistas da Benetton, nos anos 90, e da própria Renault neste século — teve participação, claro, nos títulos de Schumacher e Alonso. Mas é um picareta. O que fez em 2008 é inaceitável do ponto de vista ético e esportivo. Certas coisas não merecem perdão. Mas depois que Pat Symonds, que estava envolvido no episódio, foi contratado pela Liberty como diretor-técnico da F-1, as punições do “Singapuragate” ficaram desmoralizadas. Vale tudo. Até chamar Briatore de volta.

Gasly com o carro da Alpine: qual motor em 2026?

E O MOTOR? – Ainda a Alpine. A equipe já admite, vejam só, desistir de fazer motores e comprar de alguém a partir de 2026. Seria ridículo. A Renault está metendo os pés pelas mãos com sua equipe. Essas coisas eu nem conto pros meus Twingos. Tá doido.

OLLIE DE NOVO – Para registrar: Oliver Bearman participou do primeiro treino livre em Barcelona no lugar de Hülkenberg pela Haas. Foi o segundo de seis que fará até o fim do ano — o próximo será em Silverstone. Bearman só não será titular da Haas em 2025 se decidir parar de correr. O piloto pertence à Ferrari, que faz os motores da equipe americana. Hoje ele completou 29 voltas e ficou em 19º.

HÁ DEZ ANOS – Hoje faz exatos dez anos da última pole brasileira na F-1. Foi no GP da Áustria de 2014, com Felipe Massa, então na Williams. A temporada, primeira da era híbrida, foi dominada pela Mercedes, que fez dobradinha naquela corrida. Felipe terminou em quarto, atrás ainda de seu companheiro Bottas, que fechou o pódio.

HÁ 17 ANOS – Em 2007, Hamilton e Alonso disputaram um GP juntos pela primeira vez. Eram companheiros de equipe na McLaren, inclusive. Domingo, largam para a 300ª corrida dividindo o grid. É a disputa mais longeva da história da F-1.

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FOTO(S) DO DIA

Vocês vão ver isso aí em Barcelona neste fim de semana e saberão o que é: uma nova área VIP na reta oposta, com vista para boa parte do circuito. Será a nova marca arquitetônica do autódromo. Que deixa o calendário em 2026, provavelmente, porque já está fechado um contrato com Madri para o GP da Espanha.

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LEGIÓN URBANA

Eric Palmieri mandou, e como tem corrida na Espanha, prioridade para nossa turma na Catalunha.

Hola, Flavio. Buenos días! Acompanho o blog há décadas, de quando era no outro servidor (iG? Nem me lembro mais, hehehe!). Como te disse, moro na Catalunha há alguns anos. Outro dia estava passeando por uma das praias aqui perto de Barcelona, e me deparo com um Kadettão muito bem conservado, ainda em uso, e de quatro portas. Acho que essa versão não foi pro Brasil. Só tinha Ipanema quatro portas. Kadett não tinha, se não me engano.

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