Flavio Gomes quarta-feira, 13 de maio de 2026 23:51 9 comentários
SÃO PAULO(tudo acaba) – Os últimos SAABs serão leiloados de 21 a 30 de maio pela sueca Klaravik. Trata-se de um pequeno lote de sete carros que nunca foram vendidos, mas que terão de deixar a fábrica de Trollhättan. São três 9-3 a gasolina fabricados em 2014 como modelos de pré-produção, para testes, e quatro protótipos de 2019, todos da era NEVS — o consórcio chinês que comprou a SAAB da GM em 2012 e faliu anos depois. Esses últimos são elétricos. Um deles, feito em 2019, funciona. Os outros três são protótipos — um deles, autônomo. Nenhum tem registro. Aqui tem uma descrição detalhada de cada um, além de um (uma?) SUV que fora trazido (trazida?) da China pela NEVS para testes.
Esse lote é o que sobrou da fábrica histórica erguida em 1947. O primeiro SAAB de quatro rodas chegou ao mercado dois anos depois. Antes, a empresa fazia aviões. Ainda há, como se sabe, uma divisão aérea da SAAB, mas há decadas ela nada tem a ver com o braço automotivo.
Para quem não sabe, sou um “saabista”. Ao ver o vídeo abaixo, quase chorei.
A fábrica poderá ser visitada no dia 30 por quem estiver acompanhando o final do leilão. Depois, não sei o que será feito dela.
Para entender a importância da SAAB na Suécia, e de sua grande rival Volvo, assistam a “Um homem chamado Ove”. O filme teve uma versão americana com Tom Hanks que se chama “O pior vizinho do mundo”, mas não se compara. Vão no original. Tem de graça no YouTube.
Flavio Gomes sábado, 9 de maio de 2026 13:03 9 comentários
SÃO PAULO (eles são f…) – A Audi Tradition reconstruiu o Auto Union Lucca. É mais uma façanha de Ingolstadt. Não sei se existe no mundo alguma marca que preserva mais seu passado. Quando não encontra os carros que escreveram sua trajetória, fá-los. A história do Lucca está muito bem contada aqui. É um carro de recorde de 1935 que bateu nos 326 km/h. Mas o melhor de tudo é entender a alcunha “Lucca”.
Leiam. História nunca é demais.
3 anos de trabalhoO motor de 16 cilindrosVista da traseiraVista da dianteiraPasseando em LuccaCidade escolhida ao acasoA Crosthwaite & Gardiner recriou……o carro a partir de fotosCartaz promocional1934: túnel de ventoO recorde: fevereiro de 1935Zwickau: após o recordeO Lucca reconstruído: mais um para o acervo da Audi
Flavio Gomes sexta-feira, 8 de maio de 2026 0:27 33 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Gasly no ar: felizmente, só susto
SÃO PAULO (relevem) – O fato em si não teve nenhuma importância. O GP de Miami não será lembrado pelo acidente entre Pierre Gasly e Liam Lawson. Mas uma boa foto deve ser valorizada. O autor é Sam Bloxham, da agência LAT Images.
Apesar do pedido de desculpas do neozelandês e de sua equipe, Gasly ficou bravo. “Era evitável”, falou. Tendo a concordar. A presepada de Lawson foi atribuída, pela Maquininha Amarelinha, a “uma falha da quinta marcha”. Se estava em quinta e não reduziu, era só meter o pé no breque. Se a quinta não entrou, a explicação não faz nenhum sentido por não ser a marcha usada naquela curva.
Mas deixa pra lá. Ninguém vai se lembrar dessa história daqui a meia hora. Só o fotógrafo, que acertou em cheio.
Cheguei a pensar em outra, esta menos sensacional no visual, mas espetacular na ação. Vejam:
Verstappen roda na curva 2: por milagre, ninguém bateu nele
O que Max Verstappen fez foi impressionante. Rodou na curva 2 logo depois da largada. Estava cercado de carros por todos os lados. E ninguém encheu seu Corcel energético. Aqui, aplausos efusivos para toda a pilotaiada, que conseguiu evitar um carambolage histórico, como dizem os franceses — palavra muito melhor que “engavetamento”. E para o holandês, também. que deu um 360 e seguiu em frente como se nada tivesse acontecido.
Mas a corrida teve um vencedor, e não foi nem Gasly, nem Verstappen. Kimi Antonelli está deixando boquiabertos aqueles que, no ano passado, passaram a temporada dizendo “ainda é cedo”. E para não ignorar o menino de Bolonha, seguem alguns cliques bonitos dele no domingo, ainda inéditos neste blog que ninguém lê.
Coleção Antonelli Miami/2026: clique nas imagens e amplie
Já foram exaustivamente destacadas as marcas que Antonelli estabeleceu em Miami, mas vou repetir: terceiro piloto a vencer suas três primeiras corridas de forma consecutiva (antes: Damon Hill em 1993 com a Williams e Mika Hakkinen em 1997/98 com a McLaren) e primeiro na história a converter suas três primeiras poles em vitórias.
Kimi ampliou sua liderança no Mundial para 20 pontos em cima de George Russell. As classificações estão aí embaixo. A arte é diferente porque a imagem que eu costumo usar, do Twitter da F-1, não foi atualizada com a punição a Charles Leclerc. Uma vergonha. O placar está 100 x 80 para o italianinho.
Pilotos e equipes: italiano avança, Mercedes dispara
O NÚMERO DA FLÓRIDA
48
…pontos marcou a McLaren em Miami, contando Sprint e GP. Até então, na temporada, tinha feito 46 nas três primeiras etapas — incluindo a miniprova da China. Uma reação e tanto. O time papaia fez pole e dobradinha na Sprint e levou os dois pilotos ao pódio no dia seguinte. A Mercedes marcou 45 pontos e a Ferrari, 20.
Piastri (esq.) e Norris: McLaren reage com maior pontuação do fim de semana
A boa atuação da McLaren não foi o suficiente para deixar Lando Norris mais animado. O campeão mundial segue odiando os novos carros da categoria. Mas é inegável que a equipe melhorou muito. Fossem quais fossem os problemas detectados nas primeiras provas do campeonato, eles foram resolvidos. E o pacote de atualizações levado para Miami funcionou.
Foi um recado para a Mercedes: não cochila que o cachimbo cai.
A FRASE DE MIAMI
“Com esses carros, você é punido por ir ao limite e por acelerar antes que os outros. Não acho que vão conseguir consertar isso.”
Lando Norris
Domenicali (com Colapinto, Messi e Antonelli): calendário pode mudar
Notícias do lado de lá, agora.
Bahrein e Arábia Saudita ainda não desistiram de seus GPs. Os dois países acreditam que a guerra promovida pelo Agente Laranja pode terminar a qualquer momento, permitindo um rearranjo no calendário mais para o final do ano com a volta das duas corridas à programação de 2026. Talvez colocar uma delas ali perto de Azerbaijão e Singapura, entre o final de setembro e começo de outubro, e empurrar a outra para a vizinhança de Catar e Abu Dhabi.
Não se espantem se acontecer. Aliás, vou ficar espantado é se não acontecer. Lembremo-nos que até agora FIA e Liberty não usaram o termo “cancelamento” para as provas que deveriam ter acontecido em abril. Disseram, apenas, que elas não iriam mais acontecer em abril.
A sutileza tem razão de ser. “Cancelar” significa rasgar contratos e perder dinheiro. Mudar as datas mitiga esse problema. Stefano Domenicali, CEO da F-1, disse em Miami que nada está descartado.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da Williams, que finalmente deu o ar da graça e levou seus dois carros aos pontos. Nada tão espetacular, é verdade, um nono e um décimo de Carlos Sainz e Alexander Albon, mas já foi o suficiente para descolar da Audi na classificação, subindo para cinco pontos.
Williams: pontos com os dois carrosBortoleto: Audi sai no zero
NÃO GOSTAMOS… da Audi, que começou o campeonato direitinho com pontos na Austrália, mas parece que desandou cedo demais. Os problemas técnicos são excessivos e graves, porque não afetam apenas o desempenho: tiram os carros de treinos, classificações e corridas. Bortoleto mal classificou. Hülkenberg não largou na Sprint. Situações semelhantes ocorreram nas etapas anteriores. Ao fim e ao cabo, os quatrargólicos deixaram Miami zerados. Uma crise interna já foi verificada, com a saída de Jonathan Wheatley da chefia de operações nos GPs. Estreou o ex-piloto Allan McNish na função. O time precisa se aprumar.
Flavio Gomes domingo, 3 de maio de 2026 16:29 33 comentários
Antonelli vence em Miami: três vitórias seguidas
SÃO PAULO(sequinho) – Kimi Antonelli venceu sua terceira corrida seguida e disparou na liderança do Mundial. Ele agora tem 100 pontos, 20 de vantagem sobre seu companheiro de Mercedes, George Russell. O italiano de 19 anos ganhou o GP de Miami, quarta etapa do campeonato, disputado de cabo a rabo com pista seca – a FIA antecipou a largada em três horas com medo de uma tempestade prevista para a região no final da tarde. O time alemão continua estatisticamente invicto em 2026 – só não ganhou uma Sprint, a de ontem, que não conta para os anais. São quatro poles e quatro vitórias em quatro GPs.
A dupla da McLaren, Lando Norris e Oscar Piastri, completou o pódio. Russell foi o quarto. A prova foi divertida e agitada. Num circuito menos sujeito às intempéries do regulamento, com mais freadas fortes e trechos lentos para carregar baterias, não houve nenhuma intercorrência motivada por queda brusca de velocidade em retas. A pista fez com que o espetáculo fosse melhor. É verdade que houve um ou outro iô-iô. Mas nada tão comprometedor como em Melbourne, Xangai e Suzuka. Miami agradou. Já vimos coisas muito piores e ficamos contentes.
Antonelli se tornou o terceiro piloto a vencer seus três primeiros GPs de forma consecutiva. Antes dele Damon Hill (Hungria, Bélgica e Itália em 1993 pela Williams) e Mika Hakkinen (Europa em 1997, Austrália e Brasil em 1998 pela McLaren) lograram a façanha. Mas pela primeira vez na história um piloto converte suas três primeiras poles em vitórias. O jovem Kimi está escrevendo capítulos importantes na F-1. E não só pela idade.
Ao final da prova, alguns pilotos foram informados que estavam sob investigação por possíveis irregularidades na corrida. Entre eles Russell, o quarto colocado, Max Verstappen, o quinto, e Charles Leclerc, o sexto. “Em havendo” alguma mudança – como tem gente falando assim, que coisa horrorosa –, alteramos o texto aqui.
E HOUVE – Por volta das 18h30 começaram a sair as punições. Leclerc teve 20s acrescidos ao seu tempo total de prova por fazer várias curvas por fora dos limites da pista depois da rodada na última volta. Assim, caiu de sexto para oitavo — a posição final já está atualizada no restante deste relato. Verstappen tomou 5s por cruzar a linha da saída de box depois de sua parada, mas o pênalti não mudou sua posição e ele manteve o quinto lugar. Russell saiu sem penalidades.
E vamos saber como foi a tarde em Miami, que até o fim da prova ostentava um céu cinzento e nublado, com termômetros marcando 26°C.
Largada em Miami: Antonelli (à dir.) perde posições
A largada foi confusa e deliciosa. A Mercedes, de novo, largou mal e Antonelli foi ultrapassado por uma turminha do barulho. Mas, de alguma forma, se recuperou e conseguiu se posicionar em segundo, atrás de Leclerc. Este, como de hábito, partiu como se tivesse um caramuru no rabo. Quem se atrapalhou miseravelmente foi Verstappen, que era o segundo no grid. Perdeu posições, entrou forte na curva 2, rodou. Deu um giro de 360 graus e ninguém o acertou, quase um milagre. Caiu para nono e pediu desculpas à equipe. No meio da volta, uma briga desigual chamou a atenção: Franco Colapinto x Lewis Hamilton. E Franco deu um chega-pra-lá em Lewis, vingando os soldados de seu país em 1982. As Malvinas são argentinas, como se sabe. Mas perdeu a posição.
Na quarta volta, Antonelli mergulhou sobre Leclerc na curva 17 e reassumiu a ponta. Com muita facilidade, diga-se. E com a mesma facilidade, na volta seguinte, Charlinho passou Kimi. Ousadia? Garra? Arrojo? Não, bateria, mesmo. Depois, também graças às baterias, Norris passou Antonelli como se cortasse um tablete de Aviação com faca quente – adoro essa comparação. Então houve a entrada do safety-car, na volta 6. Dois carros parados no meio da pista: Isack Hadjar, esmurrando o volante de raiva, e Pierre Gasly com seu Alpine trepado numa barreira de proteção. Nessa hora Verstappen parou e trocou seus pneus médios por duros caindo para o fim do pelotão. Tentou consertar a bobagem da primeira volta com uma estratégia que dependeria da chuva para dar certo.
Hadjar e Gasly: safety-car no início
Os infortúnios de Hadjar e Gasly não tiveram relação entre eles. O francês da Red Bull bateu sozinho ao saltar na zebra debaixo do viaduto, depois de tocar a roda esquerda no muro. O da Alpine se enroscou em Liam Lawson, num toque roda com roda que pareceu involuntário — a Maquininha Amarelinha explicaria depois que Lawson teve um problema no câmbio naquela curva. O carro de Gasly girou no ar, numa pirueta espetacular. O neozelandês abandonou, também, logo em seguida. Assim como Nico Hülkenberg, da Audi, que parou por forças ocultas na quarta volta.
Leclerc, Norris, Antonelli, Russell, Piastri, Hamilton, Colapinto, Alexander Albon, Carlos Sainz e Oliver Bearman eram os dez primeiros com o safety-car na pista. O único que tinha trocado pneus era Verstappen, em 16º. Gabriel Bortoleto aparecia num decente 14º lugar, longe de confusões e aproveitando-se dos quatro abandonos precoces do começo da prova. Mas, na prática, era o último colocado – atrás dele só havia lesmas, as duplas de Aston Martin e Cadillac. Em resumo, a posição era boa; o desempenho, não.
O safety-car saiu da frente do pelotão no final da 11ª volta. Uma volta depois da relargada, Norris foi para cima de Leclerc e assumiu a liderança. Antonelli fez o mesmo e almoçou o monegasco, que uma reta depois retomou o segundo lugar. Habilidade? Talento? Disposição? Não, bateria, mesmo.
Kimi abraça Verstappen e vai ao pódio com a dupla da McLaren
Verstappen entrou na zona de pontos na volta 16, depois de atropelar quem viu pela frente – ninguém muito complicado, como Bortoleto, Arvid Lindblad, Esteban Ocon, Bearman. Encostou nos carros da Williams e passou os dois sem maiores problemas – chegou a tomar um X de Albon, mas devolveu com um Y rapidinho. Na volta 18, já estava em oitavo, depois de superar Sainz.
Com 20 voltas, Norris tinha mais de 3s sobre Antonelli, de novo em segundo. Leclerc vinha em terceiro, trocando chumbo com Piastri. Russell, Hamilton, Colapinto, Verstappen, Sainz e Albon eram os dez primeiros. Max estava numa situação interessante. Todo mundo à sua frente teria de trocar pneus, ainda. Se chovesse depois, a troca para pneus de chuva seria necessária para todos. E ele já estaria lá frente. Se não chovesse, porém, seus pneus chegariam ao final da corrida no osso, deixando-o em situação de altíssima vulnerabilidade.
Russell parou na volta 21. Colocou pneus duros e foi o primeiro a perder posição no box para Verstappen, que por sua vez passara Colapinto e já era o sexto colocado. Leclerc foi chamado aos boxes na volta 22. Não parecia ser uma ideia exatamente brilhante, já que todas as equipes tinham a informação de que dali a três ou quatro voltas começaria a chover. Chaleclé achou o mesmo. “Da próxima vez que tomarem alguma decisão, falem comigo. Eu estou aqui também”, esbravejou pelo rádio. A Ferrari nem respondeu. Max subiu para quinto.
McLaren, Red Bull, Williams, Mercedes e Colapinto com Messi
A questão era tentar adivinhar a intensidade da chuva, se ela chegasse. O primeiro a falar sobre o assunto foi Norris, o líder. Na volta 26, reportou “algumas gotas” pelo rádio. Verstappen voava. Chegou em Hamilton e foi para cima do inglês da Ferrari. Passou na volta 27. Era o grande nome da corrida. Antonelli também parou para trocar pneus. Max subiu para terceiro.
Só que a borracha não espera pela água. Na volta 28, Norris foi chamado para trocar seus pneus, porque os médios já tinham ido para o vinagre. Voltou atrás de Kimi, tomando o chamado “undercut”, e perdeu a corrida ali. Piastri parou na 29ª. Verstappen virou líder, mas com Antonelli e Norris nos seus calcanhares, ambos com pneus novos. Aí, de novo, não tem milagre. Os dois ultrapassaram o holandês com facilidade.
Norris atrás de Antonelli: faltou vontade?
Na volta 30, Antonelli, Norris, Verstappen, Colapinto, Russell, Leclerc, Piastri, Hamilton, Ocon e Bortoleto eram os dez primeiros. Colapinto, Ocon e Bortoleto não tinham trocado pneus, ainda. Seu Jorge não conseguiu segurar Leclerc e caiu para sexto na volta 31. Colapinto finalmente parou e voltou em oitavo. Como não tinha caído uma gota d’água sequer até ali sobre o município de Miami Gardens, condado de Miami-Dade, a estratégia de Verstappen de parar no safety-car — depois de rodar sozinho na primeira volta, lembremo-nos — começou a caminhar solenemente para o brejo. No caso da Flórida, para o pântano. Se tivesse chovido na hora certa para a Red Bull, ele poderia até ganhar a corrida.
Piastri e Russell trocaram posições nas voltas 35 e 36, ultrapassagens bonitinhas de videogame. No fim o australiano se manteve na frente. Quem começava a se preocupar era Antonelli, na liderança. Reclamou que não conseguia trocar as marchas direito, com problemas nas borboletas atrás do volante. Norris chegou. Na volta 37, a 20 do final, estava a menos de 1s do bolonhês. Só que Lando, às vezes, dá a impressão de que não está… a fim. Mesmo podendo apertar todos os botões disponíveis para tentar ultrapassar o #12 da Mercedes, o campeão mundial flanava pelo circuito passivamente sem esboçar um ataque. O máximo que fazia era narrar a corrida e alcaguetar Kimi. “Ele está excedendo os limites da pista”, entregou.
Leclerc: erro no final custou várias posições e ainda deu punição
Na volta 45, Verstappen foi alcançado por Leclerc. Valia o terceiro troféu do dia. Com pneus bem melhores, o monegasco não quis perder muito tempo. Mesmo sabendo com quem estava lidando, aproximou-se em duas voltas e na 47ª passou. Tomou um repasse – bateria – e na reta seguinte passou de novo. Não foi tão emocionante assim. Mas deve render alguns vídeos no TikTok para provar que a F-1 está maravilhosa.
Max, sem pneus, se tornou uma presa fácil. Logo depois foi ultrapassado por Piastri e caiu para quinto. Em breve seria avistado por Russell. O que aconteceu na volta 54. O tetracampeão resistiu na primeira tentativa de seu Jorge, que também tinha pneus não muito bons. No fim, sucumbiu. E na última volta outra briga boa: Piastri x Leclerc pelo terceiro lugar. O ritmo do australiano no fim surpreendeu a Ferrari. Ele chegou e passou. Charlinho se desesperou, acelerou mais do que devia numa saída de curva, rodou, tocou no muro, e completou a corrida se arrastando, tendo sido ultrapassado ainda por Russell e Verstappen a metros da bandeirada. “Foi erro meu”, assumiu o ferrarista.
A classificação corrigida e o recorde de Antonelli
Antonelli, Norris e Piastri foram ao pódio. Russell, Verstappen, Leclerc, Hamilton, Colapinto, Sainz e Albon fecharam a zona de pontos. Horas depois da prova Leclerc foi punido e caiu de sexto para oitavo, como já informado lá no alto. Hamilton subiu para sexto e Colapinto, para sétimo — seu melhor resultado na categoria. Bortoleto foi o 12º.
F-1, agora, só daqui a três semanas. Ainda na América do Norte, no Canadá, dia 24 de maio. Neste momento, existe um sujeito que vai ficar noites sem dormir até a prova de Montreal. Seu nome é George Russell. Ele não esperava que aquele garotinho que anda de mochila nas costas e tem bichinhos de pelúcia no quarto fosse tão bom.
Ou talvez até achasse, sim, que um dia o menino se tornaria um grande piloto. Afinal a Mercedes apostou alto no moleque, como fizera com ele mesmo, Russell, anos atrás.
Flavio Gomes domingo, 3 de maio de 2026 12:31 9 comentários
SÃO PAULO(passou rápido) – Foi um leitor, Afonso Muzzo, que me mandou a foto abaixo, a primeira, da esquerda. É da página 44 de meu livro ÍMOLA 1994. Nesse capítulo, eu conto como fundei meu segundo jornal, “São Paulo Agora”, aos 12 anos. Durou uma edição. Mas, nela, pela primeira vez escrevi jornalisticamente sobre F-1. E foi sobre o GP da Espanha de 1976, disputado em 2 de maio daquele ano. Exatos 50 anos atrás. “Lauda perdeu de manhã e ganhou à tarde” era o (ótimo) título.
Meio século atrás. E eu tenho, claro, meu jornalzinho guardado. O livro, bom, esse pode ser comprado direto na minha lojinha. É só clicar aqui.
Flavio Gomes sábado, 2 de maio de 2026 18:30 20 comentários
Antonelli, todo de roxo: três primeiras poles seguidas na F-1
ÚLTIMA HORA – Na noite de sábado, a FIA anunciou que vai antecipar a corrida de domingo em três horas. Assim, a largada acontece às 14h pelo horário de Brasília, e não mais às 17h. O motivo é a previsão de tempestades com raios, trovões, furacões, tufões, tsunamis, terremotos e erupções vulcânicas no horário original.
SÃO PAULO(vai, Lusa!) – Kimi Antonelli conseguiu a terceira pole de sua carreira hoje em Miami, sua terceira nesta temporada. O jovem italiano da Mercedes manteve a invencibilidade da equipe no ano, sem considerar as Sprints – ontem, Lando Norris, da McLaren, fez a pole da minicorrida que não vale para as estatísticas. O líder do campeonato terá a seu lado na primeira fila do grid da quarta etapa do Mundial um surpreendente Max Verstappen, que saiu da lama das primeiras corridas de 2026 para se colocar numa condição de alguma competitividade depois de um mês sem corridas na categoria. Charles Leclerc, da Ferrari, ficou em terceiro, com Norris em quarto. Gabriel Bortoleto, da Audi, larga em último.
Para o brasileiro, praticamente não teve classificação. Depois de enfrentar um princípio de incêndio no carro de Nico Hülkenberg antes da largada da Sprint – que a equipe não esclareceu direito até o momento em que escrevo estas linhas direto do Canindé –, a Audi deixou Gabriel nos boxes sem conseguir funcionar seu carro para a classificação até os instantes finais do Q1. Uma breve imagem dele fora do carro, de pé, com o macacão arriado, foi mostrada quando seus amiguinhos começaram a ir para a pista. Ele só conseguiu sair quando faltavam 3min44s para o encerramento do primeiro segmento da sessão que definiria o grid da prova de amanhã. Não conseguiu muita coisa, porque milagres não são comuns na F-1. Larga em último. Seu tempo foi 5s084 pior que o do primeiro colocado no Q1. A pé seria mais rápido. Na volta aos boxes, seus freios traseiros ainda pegaram fogo. Ele nem conseguiu trazer o carro para a oficina.
O QUE ACONTECEU – Mais tarde a Audi informou que motor e câmbio foram trocados no carro de Hülkenberg entre a Sprint e a classificação, sem explicar a fumaceira vista quando ele se dirigia ao grid da miniprova. Já com Bortoleto o problema foi a demora para uma troca de câmbio antes da classificação, o que atrasou sua ida à pista. Depois, o problema foi nos freios, mesmo. O brasileiro também recebeu a notícia de que foi desclassificado da Sprint. Ele tinha terminado em 11º, o que não daria ponto algum, de qualquer forma. O motivo foi uma infração na entrada de ar para o motor.
O Q1 começou em condições climáticas parecidas com as de ontem e as de hoje na Sprint: um sol para cada um, temperatura passando dos 30°C, asfalto a mais de 50°C – característica local, já que na Flórida se usam compostos muito escuros na pavimentação.
Antonelli, Leclerc e Colapointo: destaques de Miami
No atual estágio da F-1, ninguém precisa se esgoelar nessa primeira fase da classificação porque quatro das seis vagas da primeira eliminação são fixas. Pertencem às duplas de Aston Martin e Cadillac. Com Bortoleto parado na garagem a maior parte do tempo, seriam cinco os decapitados de Miami antes mesmo de o carrasco descer a lâmina. Na prática, o Q1 iria eliminar apenas um piloto para se juntar aos cinco supracitados. E quem se reuniu a eles foi Arvid Lindblad, da Maquininha Amarelinha. Na ponta, Antonelli com 1min29s653.
Enquanto a sessão não era reiniciada, a captação de imagens de TV mostrava centenas de pessoas pulando e agitando bandeiras de qualquer coisa a esmo nas arquibancadas. Elas ficavam particularmente excitadas quando se percebiam sendo vistas pelos telões. Suponho que DJs animavam a “galera”. Uso as aspas porque detesto o termo. “Vamos lá, galera.” Tem coisa pior? Mas é o tal negócio. Na falta de barulho de motor, alóquis. E me deixem em paz com meus neologismos.
Kimi em ação: líder confirma o bom momento
O Q2 já foi mais sério e intenso, ainda que os favoritos à degola fossem claros – a saber, as duplas de Haas e Williams, mais os sobreviventes de Audi e Maquininha. Norris cometeu um erro em sua primeira volta. A Ferrari abriu bem o segmento com Hamilton e Leclerc na ponta. Piastri, que passou ao Q2 na bacia das almas, pulou para terceiro. Então veio Antonelli para cravar todo mundo. Na sequência, Russell em terceiro. Aparentemente, mataram a Mercedes antes do tempo. Mas era ainda o Q2. A hora de o óli-guêitor beber água estava longe. Ao fim e ao cabo, ficaram pelo caminho, previsivelmente, Hülkenberg, Liam Lawson, Oliver Bearman, Carlos Sainz, Esteban Ocon e Alexander Albon. Avançaram para o Q3 as duplas de Mercedes, McLaren, Ferrari, Red Bull e Alpine. Verstappen foi o mais rápido com 1min28s116. Surpresa? Sim, surpresa.
Na primeira leva de voltas rápidas do Q3, Antonelli voltou a impressionar com 1min27s798, enfiando uma luneta de 0s345 sobre Leclerc, então o segundo colocado. “Luneta”, no automobilismo, é o equivalente a goleada, lavada, entubada. Acho que foi o Edgard Mello Filho que inventou. Precisa de uma luneta para enxergar o cara atrás, esse é o sentido. Ou, do ponto de vista de quem está atrás, precisa de uma luneta para enxergar o cara que está na frente. A McLaren, que encantara Miami e os condados ao redor com o desempenho da Sprint, fechou essa primeira bateria em quarto e sétimo, sem impressionar ninguém.
E o italianinho confirmou a pole com a categoria de um gênio precoce, um Mequinho de macacão e capacete, sem precisar fazer melhor na sua segunda volta rápida. Verstappen, Leclerc, Norris, Russell, Hamilton, Piastri, Franco Colapinto, Isack Hadjar e Pierre Gasly ficaram com as dez primeiras posições.
O grid em Miami: Mercedes segue invicta depois de quatro GPs
Não, a Mercedes não dormiu nas férias, não.
Amanhã vai chover, é o que dizem os serviços meteorológicos. A F-1 vai ver o que fazer, porque há regras para tempestades na Flórida. Se começarem a cair raios a menos de 12 km do local da corrida, todo mundo tem de se abrigar em bunkers, túneis ou lojas do Starbucks. Só é liberada qualquer atividade ao ar livre depois de meia hora sem raios e trovões. A prova estava marcada para as 17h da Papuda, 16h locais. Mas vocês já viram na caixinha vermelha lá em cima: a largada foi antecipada em três horas.
Isso não é garantia de pista seca, porém. Pode chover antes, molhando o asfalto. Ou mesmo no novo horário da corrida, mas sem raios e trovões. Diante dessa previsão imprecisa, não dá para apontar favoritismo de ninguém. Aliás, não dá nem para saber se vai ter corrida. Quem assistiu ao Mundial de Clubes no ano passado – aquele que o Palmeiras não tem – sabe que os caras interrompem tudo por horas, se for preciso. Muitas vezes cancelam os eventos. Assim, o melhor a fazer é esperar, mesmo com a mudança de horário.
Mas que esse menino Antonelli é danado, é. Tem três poles na carreira, três seguidas. Na história, apenas outros dois pilotos fizeram suas três primeiras poles de forma consecutiva. Seus nomes: Ayrton Senna e Michael Schumacher.
Flavio Gomes sábado, 2 de maio de 2026 14:16 2 comentários
Norris: vitória na Sprint, quarta dele nas minicorridas
SÃO PAULO (luto absoluto) – Lando Norris venceu a Sprint de Miami no início da tarde deste sábado, com dobradinha da renascida McLaren. Oscar Piastri foi o segundo colocado e Charles Leclerc, da Ferrari, o terceiro. Foi a primeira prova do ano não vencida pela Mercedes, incluindo as duas Sprints já realizadas na temporada. Kimi Antonelli, líder do Mundial, terminou em quarto. Mas imediatamente após o fim da minicorrida o italiano levou um pênalti de 5s por exceder os limites da pista mais vezes do que os comissários tenham achado razoável. Caiu de quarto para sexto. A diferença dele para o companheiro George Russell na tabela, que iria para dez pontos, caiu para sete.
Foi a quarta vitória de Norris em Sprints. Até hoje foram disputadas 26 provas curtas na categoria, desde 2021. Max Verstappen venceu 13 delas, metade. Lando ganhou, como prêmio, uma placa entregue por um dos astronautas da Artemis II, o comandante Reid Wiseman.
Os três primeiros e o astronauta Reid Wiseman, que não vende travesseiros
Foi uma prova OK, sem grandes momentos, exceto, talvez, por um breve duelo entre Verstappen e Lewis Hamilton. Não dá para fazer nenhuma avaliação muito definitiva sobre as mudanças do regulamento, não visíveis a olho nu – tudo passou pelas configurações dos motores, recuperação de energia, megajoules e quilowatts. Houve menos ultrapassagens, vai berrar alguém. Calma. Foi uma Sprint de 19 voltas. Nem todas as pistas são iguais. É preciso mais tempo para entender se as coisas vão funcionar. Não se precipitem.
O que deu para perceber é que McLaren, muito, Ferrari e Red Bull, um pouco menos, melhoraram bastante nas férias forçadas. Mas a Mercedes deu a ligeira impressão de ter estacionado, embora seja igualmente precipitado cravar que tenha dormido sobre os louros das três primeiras etapas. De novo: nem todas as corridas são iguais, nem todas as pistas são idênticas, e mesmo equipes dominantes têm seus pontos fracos. Miami pode ser isso para a Mercedes.
Antonelli punido: caiu de quarto para sexto
A miniprova foi disputada em 19 voltas debaixo de um sol inclemente de 31 graus, fervendo o asfalto a 53. Quase todos escolheram pneus médios, com exceção de duas duplas lá do fundão: a Aston Martin com macios, a Cadillac com duros. No grid, 20 carros. Dois pifaram antes da largada. Nico Hülkenberg, da Audi, quando se dirigia ao grid. Ferveu tudo. Pouco antes, deu para ver nos boxes, sob o carro, o piso molhado de um líquido cor de rosa. Quem ainda sabe o que é um radiador deve ter matado na hora: Paraflu, claro! O outro que não largou foi Arvid Lindblad, da Maquininha Amarelinha. Ia partir dos boxes, lá ficou.
A largada da Mercedes foi ruim de novo e Antonelli caiu de segundo para quarto. Chegou a ser assediado por Russell, mas um telefonema de dona Veronica foi decisivo: tirem esse velho daí!, gritou pelo telefone para Toto Wolff.
Kimi, então, foi para cima de Leclerc, que reclamou pelo rádio que o menino estava pegando pesado no roda-a-roda – ele viu pelo retrovisor o lance com George. Verstappen e Hamilton também se estranharam. Max, que engasgou na partida, acabou ficando na frente. Depois Lewis passou o cabra. Quinto no grid, o holandês caiu para sétimo.
Russell de roxo-Nu Bank: “Melhora deles é assustadora”
A McLaren partiu muito bem com Norris e Piastri, o primeiro na pole e o segundo já pulando uma posição. O ritmo do campeão do mundo era surpreendente. Com sete voltas, já tinha mais de 2s de vantagem para o australiano. “A melhora da McLaren e da Ferrari é assustadora”, diria Russell depois da corridinha. Oscar, por sua vez, tinha 1s5 sobre Leclerc. Na volta 8, George passou Antonelli e foi para quarto. Dona Veronica ligou. Caiu na caixa postal de Toto Wolff e ela deixou um recado mal educado. Pelo WhatsApp, mandou um áudio. “O que é vafanculo?”, perguntou Toto ao cozinheiro da equipe, um napolitano que estava vendo a corrida perto dele. “Com dois efes?”, perguntou o chef. “Como vou saber?”, devolveu Toto. “Ela mandou um áudio!” “Se for com um efe só, não é nada”, disfarçou o rapaz, e saiu de fininho.
Verstappen e Hamilton se divertiam mais atrás. Max passou o inglês da Ferrari pelo acostamento e foi obrigado a devolver a posição. Seguiram em sexto e sétimo. Duas voltas depois, o holandês passou de vez. E Antonelli repassou seu Jorge depois do “vaffanculo” de dona Veronica.
A três voltas do fim Leclerc se aproximou de Piastri. “Ele está chegando”, avisou o engenheiro da McLaren. “Sim”, respondeu o australiano. “Você viu?” “Sim.” “E não vai fazer nada?” “Não.” Não precisou, mesmo. Na penúltima volta Charlinho cometeu um ligeiro erro e Oscar abriu quase 2s para o ferrarista.
Lando, o vencedor, e os oito primeiros na Sprint de Miami
Assim, Norris, que não foi incomodado em nenhum momento, ganhou a Sprint com quase 4s de vantagem para Piastri. Leclerc fechou o pódio que não é pódio. Antonelli, Russell, Verstappen, Hamilton e Pierre Gasly fecharam a zona de pontos. Gabriel Bortoleto foi o 11º. A poucos metros da bandeirada, Fernando Alonso passou Sergio Pérez e ficou em 16º. Não tem importância, claro, exceto para os litigantes – Aston Martin e Cadillac. A estreante americana estava quase conseguindo chegar, na pista e andando, na frente de um time veterano. Mas Fernandinho não quis nem saber.
Daqui a pouco sai o grid para o GP de Miami. Apostar na Mercedes, que seria pule de dez até um mês atrás, não é uma boa ideia na pista da Flórida. Norris x Piastri será a disputa. Leclerc e Antonelli são os azarões.
Flavio Gomes sexta-feira, 1 de maio de 2026 20:01 16 comentários
Norris na pole: F-1 volta diferente das férias forçadas
SÃO PAULO(até que enfim) – O primeiro dia de F-1 depois das férias forçadas de abril trouxe duas novidades. A primeira foi a reação da Red Bull, elogiada por Max Verstappen — que, até ontem, estava disposto até a tirar foto segurando latinha de Monster para demonstrar sua contrariedade com o carro, as regras, a equipe e a vida. A segunda foi o renascimento da McLaren. A equipe campeã do mundo, que começou a temporada claudicante e cheia de problemas técnicos, fez a pole-position para a Sprint de Miami com Lando Norris. Pela primeira vez no ano a Mercedes, que lidera o campeonato, não faz uma pole na temporada. A equipe alemã está invicta em corridas — venceu as três primeiras e a Sprint em Xangai. Terá alguma dificuldade nas duas provas da Flórida, a julgar pelo que se viu nesta sexta-feira. A Sprint terá 19 voltas e largada amanhã às 13h da Papuda. O GP principal, com 57 voltas, acontece domingo às 17h30.
A folga de abril, motivada pelo cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, foi bem aproveitada por uns e nem tanto por outros — falaremos da Aston Martin adiante. Além de Red Bull e McLaren, a Alpine mostrou que soube trabalhar direitinho e, pasmem, colocou seus dois carros entre os dez primeiros no grid da Sprint. Pasmem de novo: Franco Colapinto na frente de Pierre Gasly. “Banana tá comendo macaco”, diríamos em tempos d’antanho para expressar espanto. Ou: “Poste tá mijando em cachorro”. Nossos ditados eram muito bons.
Gasly, Stroll e Verstappen: personagens da sexta
O único treino livre para o GP de Miami, que deveria ser a sexta mas é a quarta etapa do Mundial, teve 90 minutos de duração, debaixo de um calor desgraçado. Eram 29°C na moleira e 52°C no asfalto. De cara todos perceberam a asa “Macarena” da Red Bull, copiando a da Ferrari — que gira 180 graus. O nome foi dado por Frédéric Vasseur, chefe do time italiano, associando o movimento de abertura da asa traseira ao gestual da coreografia de um dos maiores sucessos musicais de todos os tempos, da dupla espanhola Los del Río. “Macarena”, por supuesto.
Não, não vou deixá-los apenas cantarolando. Pausa nos motores. Vejam e ouçam Antonio Romero Monge e Rafael Ruíz Perdigones. Depois continuem lendo.
Seguindo…
Nessa sessão de treino livre, Charles Leclerc ficou em primeiro com 1min29s310 e Verstappen, sorrindo, terminou em segundo 0s297 atrás. O melhor Mercedes foi o de Kimi Antonelli, quinto. Gabriel Bortoleto fez o 14º tempo.
Durante o intervalo até a classificação, o assunto dominante foi a possibilidade de mudança nos motores para 2027. De configuração, apenas. Está lançada a ideia de mudar a distribuição da potência gerada pelo motor elétrico e pelo motor a combustão, que hoje é de 50% a 50%. Pode ser que os motores no ano que vem tenham 60% de sua potência originada pelo motor a combustão, reduzindo a relevância dos motores elétricos. Das cinco fábricas de motores, Honda e Red Bull/Ford são a favor. Ferrari e Audi, não se sabe direito. A Mercedes é contra. Seja como for, qualquer decisão tem de ser tomada até o dia 15 de maio, porque se houver essa alteração os tanques de combustível terão de mudar de tamanho. E isso mexe nos projetos dos carros da temporada seguinte, que começam a ser feitos mais ou menos nessa época. Se quatro das cinco aprovarem, a mudança poderá ser implantada.
Leclerc, o mais rápido no treino livre
A classificação para a Sprint foi realizada com o mesmo calorão. A propósito, a previsão para domingo é de chuva muito forte. Se caírem raios a menos de 12 km do estádio — o circuito é montado em volta da arena Hard Rock, onde joga um time de futebol americano cujo nome me escapa –, o evento é interrompido por força da legislação local. Ainda que não esteja caindo uma gota d’água. Americanos têm muito medo de raios e trovões. Temem que o céu desabe sobre suas cabeças.
No SQ1, Norris ficou em primeiro com 1min28s723, seguido por Leclerc e Oscar Piastri. Os eliminados foram Liam Lawson, na Maquininha Amarelinha, Esteban Ocon, da Haas, a dupla da Cadillac Sergio Pérez e Valtteri Bottas, e a dupla da Aston Martin, Fernando Alonso e Lance Stroll. O espanhol deu uma volta se arrastando e seu tempo, 12s588 pior que o de Norris, nem deve ser levado em conta. O canadiano não fez uma volta sequer. A Aston Martin protagoniza os mais patéticos vexames da F-1 desde a chegada das nanicas do começo da década de 2010 — Virgin/Marussia, HRT/Hispania, Lotus/Caterham, aquelas coisas simpáticas, mas inviáveis, inventadas por Max Mosley.
No SQ2, Foi a vez de Leclerc virar bem, 1min28s333 em sua melhor volta. Rodaram no cronômetro Bortoleto, seu companheiro de Audi Nico Hülkenberg, Oliver Bearman (Haas), Alexander Albon (Williams), Carlos Sainz Vázquez de Castro Cenamor Rincón Rebollo Birto Moreno de Aranda Don Pero Urrielagoiria Pérez Deltún (Williams) e Arvid Lindblad (Amarelinha do PagBank).
O grid da Sprint: Mercedes fora da pole
Por fim, no SQ3, uma volta apenas para cada piloto, dada a escassez de oferta de pneus macios. E sem chance de réplicas ou tréplicas, Norris bateu o cronômetro em 1min27s869, 0s222 mais rápido que Antonelli, o segundo. É sua quinta pole em Sprints. Piastri e Leclerc formam a segunda fila. Na terceira, Verstappen e George Russell. Depois vêm Lewis Hamilton, Colapinto, Isack Hadjar e Gasly.
Encerro estas mal-traçadas atacando novamente a equipe global, porque hoje, onde estava, não havia modo de assistir às atividades que não pelo canal de esportes do grupo carioca. O meninozinho que narra, tadinho, é bem informado, até, e evita falar besteiras. Acerta dados históricos e coloca algumas informações na hora certa — como quando apareceu o novo chefe da Audi, Allan McNish, alcunha “Allan McLixo” quando eu cobria F-1, corretamente identificado como tendo sido três vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans. Mas insiste no lamentável “será que…?”, essa linguagem paupérrima de internet, “será que Russell vai fazer a pole?”, “será que os motores vão aguentar?”, “será que vai chover?”, “será que ninguém vai lembrar que o Bolsonarinho é chapa de milicianos?”. Jornalista não tem de lançar perguntas no ar, tem de dar respostas, fica a dica, ou #ficaadica, se for mais fácil de compreender.
Outra, meninozinho: não vibre com um terceiro de tempo de Bortoleto como se fosse um gol em final de Copa do Mundo num momento em que só havia quatro carros na pista faltavam 18 para fechar volta. E pare, por favor, pare de falar SETOR, SETOR, SETOR. Pare de celebrar o primeiro setor, de festejar o segundo setor, de comemorar o terceiro setor. PARE DE FALAR SETOR!
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
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