Comentar

FUSCA DO DIA

O Olavo Ito mandou o vídeo comovente com o depoimento de Pepe Mujica sobre seu Fusca. Que homem! Que carro!

Comentar

FOTO DO DIA

“Sai um duto de freio!”, pede o chefe ao engenheiro. “Simples ou duplo, chefia?” “Faz do simples.”

Comentar
Comentar

(OUTRA) DICA DO DIA

Este vídeo com a história da Matchbox é simplesmente delicioso. Alguém mandou aí nos comentários, mas não sei quem foi. Assuma! E obrigado.

Comentar

SOBRE ONTEM À TARDE

Começando mal, com uma escolha quase aleatória da “imagem da corrida”, acima. Claro que não foi essa. A melhor foto era do Verstappen babando na gravata atrás de Hamilton nas últimas voltas, mas usei ontem. Então, porque estou com pressa, peguei qualquer uma.

Começando mal, a nova temporada de “Sobre ontem…”. E apanhando das formatações deste novo visual do blog. Então, se sair tudo meio estranho aí embaixo, não estranhem. O problema sou eu.

O NÚMERO DO BAHREIN

5.226

…voltas na liderança completou Hamilton ontem desde sua estreia na F-1, em 2007. É um novo recorde. Na parte final da prova ele superou as 5.111 lideradas por Michael Schumacher.

Lewis tem sido um demolidor de recordes, especialmente nos últimos dois anos, quando começou a alcançar Schumacher sem planos para parar. Sua vitória de ontem no Bahrein foi a 75ª pela Mercedes. E a quinta no circuito do deserto.

Como sempre, faltou dizer uma coisinha ou outra da prova. Vamos a elas, sem enrolar muito:

Alonso: sanduíche atrapalhou

Fernando Alonso (acima) abandonou a corrida com um problema nos freios. Depois de verificar o que tinha acontecido, a Alpine encontrou uma embalagem de sanduíche bloqueando um duto de freio traseiro. Jogar papel no chão é um horror. Lembrou uma corrida no Rio, não lembro qual, em que o povo emporcalhou a grande reta e teve piloto abandonando, também, com superaquecimento. Mas dos motores, porque as entradas dos radiadores ficaram cheias de saquinhos de cachorro-quente Geneal.

Um dos problemas da Red Bull ontem foi de falta de pneus duros. A equipe gastou quase tudo nos treinos, e ficou com apenas um jogo novo para Verstappen (abaixo) na corrida. Por isso ele teve de usar médios depois do primeiro pit stop. Pode ter sido fatal. O segundo stint do holandês foi prejudicado pelo desgaste precoce da borracha. Hamilton usou macios-duros-duros.

Verstappen: faltou pneu

Alonso e Mazepin, no visual, foram os únicos que abandonaram a corrida. Mas nas voltas finais outros dois carros foram retirados da corrida: Latifi, com problema no turbo, e Gasly, com o câmbio em pane. Mas como o pau estava comendo lá na frente, ninguém nem percebeu.

A determinação da torre de controle para que Verstappen devolvesse a posição a Hamilton causou muita polêmica depois da corrida. Por que vários pilotos passaram por fora dos limites da pista na curva 4 durante a prova e não aconteceu nada?

O diretor de prova, Michael Masi, explicou que todos estavam sabendo que não podiam passar por ali para ganhar “vantagem duradoura”. Durante os treinos, os tempos obtidos quando eles extrapolaram os limites da pista foram cancelados. Para a corrida, ficou combinado que se acontecesse de vez em quando, tudo bem. Desde que ninguém usasse o artifício para ganhar alguma vantagem. Fazendo uma ultrapassagem, por exemplo.

OK, foi exatamente o que aconteceu com Max. Mas à essa recomendação cabem interpretações. Se o cara passa todas as voltas por fora da zebra e ganha tempo em cada uma delas, também desfruta de uma “vantagem duradoura”. Ou não?

Por isso até mesmo Toto Wolff, chefe da Mercedes, beneficiária da decisão, reclamou. “As regras precisam ser claras, sagradas, e não escritas como uma novela de Shakespeare, que permitem muitas interpretações.

Concordo plenamente. Podia ser a frase da corrida. Mas escolhi outra:

A FRASE DE SAKHIR

Acho que perdi alguns anos de vida nessa corrida. Foi uma das vitórias mais difíceis da minha carreira.

LEWIS HAMILTON

A declaração foi dada pelo vencedor da prova a Mariana Becker, repórter da Band, no cercadinho da imprensa em entrevista exclusiva. E CONSEGUI COLOCAR UMA FOTO!

O “Gostamos & Não gostamos”, agora, neste novo formato bloguístico, vai com essa caixinha de cor para ganhar algum destaque. Espero que atenda às necessidades estéticas do rescaldão.

GOSTAMOS De Sergio Pérez, claro, que saiu de último para quinto e fez as melhores ultrapassagens da corrida. Vai dar muitas alegrias à Red Bull. E, talvez, alguma dor de cabeça a Verstappen.

NÃO GOSTAMOSDa Aston Martin, particularmente de Sebastian Vettel. O carro não andou (e esperava-se muito, depois do que fez no ano passado) e o piloto cansou de cometer erros. Estreia desastrosa. O pontinho de Stroll não salvou o fim de semana. Muito pouco, pela expectativa criada.

Agora, legal mesmo foi essa montagem que acabei de receber. A vida imitando a arte…

BAHREIN BY MASILI

E, para terminar, atualizando o post com a genial leitura do fim de semana feita por nosso amigo e cartunista oficial Marcelo Masili. Pensei em publicar em post separado, mas a tradição desta seção requer que fique por aqui, mesmo. Claro que o tema escolhido por ele foi a maratona televisiva promovida pela Bandeirantes na sua volta às transmissões da F-1. Genial, como sempre:

Comentar

FOTO DO DIA

Ficou para hoje. Continuo achando essa conversão do oval de asfalto em terra impressionante. Li que foram necessários 2 mil caminhões!

Comentar

DICA DO DIA

Nada a ver com nada, se a gente ficar pensando que só existe F-1 no mundo, mas tudo a ver com o que amamos: Copa Shell de Marcas e Pilotos, 1992, Jacarepaguá. Carros lindos, pilotos excepcionais, grande público, e decisão tomada: quero um Apollo de corrida!

Comentar

NÃO ENCHE O SAKHIR (3)

Hamilton: 96 vitórias, e essa foi das mais difíceis

SÃO PAULO (bom começo) – Farei aqui uma provocação, como se fosse um advogado redigindo uma inicial.

Considerando…

  • …que Hamilton é um gênio;
  • …que também é muito experiente;
  • …que pouco antes do ocorrido a equipe tinha avisado o requerente que não podia mais passar por fora da pista na curva 4;
  • …que o mesmo retrucara: “Uai, mas tô fazendo assim a corrida toda, sô”;
  • …que a equipe mandou a tréplica: “Pois não faz mais que pode dar merda e estão enchendo o saco”;
  • …que faltavam três voltas para terminar a corrida e Verstappen ia passar o requerente, e quando chegou estava bem perto da curva 4;
  • …que para passar na curva 4, estando na frente e dando uma espalhadinha marota, o ultrapassador tem de ir lá fora;
  • …que “lá fora” era onde não podia passar mais;
  • …que o requerente, assim que perdeu a posição, entrou no rádio e falou para a equipe “ele foi lá fora kkk”;
  • …que o ultrapassador, duas ou três curvas depois, foi avisado pelo rádio de sua equipe que tinha de devolver a posição ao requerente;

…chegamos à conclusão que Hamilton armou uma arapuca para Verstappinho, que ainda tinha um tempinho de três voltas para passar o requerente em ponto menos perigoso, com asa móvel à disposição e tudo mais.

E Max caiu.

Max pelo lado de fora da curva 4: teria sido uma arapuca hamiltoniana?

Não sei o que vocês acham, talvez eu esteja superestimando a genialidade de Hamilton, mas gosto de algumas teorias mirabolantes e defenderei esta por algum tempo, até alguém me apresentar argumentos contrários.

No caderninho que comprei por R$ 4,69 no mercado para fazer minhas anotações nesta temporada (foram dois, um de capa verde e outro de capa vermelha), assim que Verstappen saiu de seu segundo pit stop, na volta 40, perdendo novamente a liderança para Hamilton, fui registrando as diferenças entre eles volta a volta. Lewis tinha parado na 29ª. Seus pneus, portanto, eram 11 voltas mais velhos que os do jovem Max. Ambos com compostos duros.

Na volta 41, a diferença pró-Hamilton era de 7s7. Nas seguintes, uma a uma, caiu para 6s6, 5s4, 5s1, 4s3, 3s9, 3s0, 2s7, 2s5, 1s8, 1s4, 0s6 e 0s1. Sempre na linha de chegada, a diferença anotada. Caindo de pouco em pouco, é verdade, nada muito absurdo. Mas como se sabe, em granjas a frase é muito famosa, de grão em grão a galinha enche o papo.

Na 53ª volta, portanto, um mero décimo, menos que uma piscadela, um pentelhésimo. Na 49ª, quando o engenheiro Bono — que não é o Vox — falou para o inglês que aquele moço que estava aparecendo no espelhinho era Verstappen, Lewis, com a autoconfiança que 95 vitórias e sete títulos injetaram em suas veias em anos de F-1, falou: “Deixa comigo, Bono”.

Hamilton para Bono, ao ver Max no retrovisor: “Deixa comigo!”

Se estava arquitetando alguma armadilha, acho que nunca saberemos. Às vezes é até instintivo. Seja como for, deu certo e o britânico, heptacampeão mundial, venceu uma prova de abertura do campeonato depois de seis anos — a última fora em 2015 na Austrália. Agora no Bahrein, circuito escolhido pela F-1 para dar o pontapé inicial na temporada mais longa da história, com 23 etapas previstas.

Venho dizendo, em textões e videozões, que este campeonato será diferente dos últimos baseado no que a Mercedes fez nos três dias de testes lá mesmo, no Bahrein, e no que aconteceu nos treinos de sexta e ontem. Verstappen enfiou uma luneta de quase 0s4 em Hamilton na classificação, largava na pole, era o favorito à vitória. E, no fim, ganhou a Mercedes de novo. Desde o início da era híbrida na categoria, em 2014, a equipe foi derrotada em provas de abertura apenas em 2017 e 2018, pela Ferrari de Sebastian Vettel.

Errei na previsão?

Não. Será, sim, um Mundial bem diferente, porque a Mercedes encontrou um adversário. Mas, se é assim, porque ganhou como sempre?

Aí é que está. Ganhou, mas não como sempre. A diferença na quadriculada entre Hamilton e Verstappen foi de 0s745. E Max teve de devolver a posição para Lewis depois de ultrapassá-lo a três voltas do final. Não conseguiu mais reagir porque seus pneus ficaram sujos, e a corrida acabou antes que pudesse tentar alguma coisa.

A Mercedes jogou na estratégia e driblou uma equipe que tem um carro mais rápido. E certas estratégias tendem a dar certo quando se tem o melhor piloto de todos os tempos a seu serviço.

Toto Wolff: nem ele acreditou

Para entender esta vitória, então, vamos começar do começo.

O GP do Bahrein teve um início com alguns solavancos, o primeiro deles chamado Nikita Mazepin, que rodou e bateu pateticamente na primeira volta, provocando a estreia de um Aston Martin como safety-car. Na relargada, na volta 4, foi a vez de Gasly acertar a traseira de Ricciardo obrigando a direção de prova a travar o pelotão com o safety-car virtual para limpar a pista. Só na quinta volta que a corrida foi começar de verdade. Até ali, de muito relevante, Bottas tinha perdido a terceira posição para Leclerc. E só. Verstappen e Hamilton eram os dois primeiros.

Bottas recuperou o terceiro lugar rapidinho, Norris e Leclerc travaram uma bonita disputa pelo quarto posto, Pérez — que largara do box quando seu Red Bull apagou na volta de apresentação — começava uma linda recuperação depois de antecipar sua primeira parada e, lá na frente, Hamilton mantinha Verstappen em seu campo visual sem permitir que o rapaz chegasse a abrir 2s de vantagem.

A jogada da Mercedes foi chamar Lewis para a primeira parada na volta 14, colocar pneus duros em seu carro e ordenar: enfia o pé que a gente dá o “undercut” no cara. “Undercut”, em português, é um acrônimo de “a gente para antes, coloca pneus novos, sai voando que nem louco, reza pra não ter ninguém na frente atrapalhando e quando ele parar vai voltar atrás se tudo der certo, e depois a gente vê o que faz”.

Numa dessas voltas pós-pit stop, Hamilton chegou a virar quase 3s mais rápido que Verstappen. Que foi parar na 18ª, para voltar em segundo 7s atrás do inglês, bufando de raiva. Mas estava com pneus médios, em tese mais rápidos que os do adversário. Teria de remar, mas uma hora chegaria nele para retomar a ponta.

Na chegada, 0s745 de vantagem: igual, mas diferente

Enquanto se desenhava uma disputa de gato e rato entre os dois pela vitória, lá no meio a gente se divertia com brigas de várias naturezas. A melhor delas na volta 21 envolvendo Alonso, Vettel (que não tinha trocado pneus ainda) e Sainz — oitavo, nono e décimo. Foi como ver dois craques veteranos fazendo embaixadinhas no gramado, com um garoto tentando roubar a bola; ele acaba roubando, mas sofre.

Max, previsivelmente, com borracha mais macia, foi tirando a diferença para Hamilton. Quando, na volta 28, armava o bote para passar, viu o inglês se pirulitar de novo para os boxes. Lewis colocou pneus duros novamente e voltou em terceiro. Verstappen reassumiu a ponta. Bottas era o segundo, mas seu pit stop, na volta 31, foi desastroso e ele saiu definitivamente da briga para a qual, na verdade, não havia sido convidado.

Verstappen, naquele momento, tinha 20s de vantagem para Hamilton e uma parada para fazer. E demorou para trocar seus pneus pela última vez. Foi na volta 40, quando Lewis já tinha descontado 6s e se preparava para liderar de novo no momento em que o holandês fosse para os boxes. Max colocou pneus duros para a parte final da corrida. Voltou quase 7s atrás da Mercedes #44. E, então, começou a perseguição já relatada lá em cima neste texto, que culminaria com a ultrapassagem defeituosa na volta 53, a posição devolvida, a derrota enfiada goela abaixo da Red Bull.

McLaren: Norris e Ricciardo nos pontos, com discrição

O brilho do duelo entre Hamilton e Verstappen ofuscou algumas atuações muito boas nessa prova de estreia, a melhor delas, sem dúvida, de Sergio Pérez. O mexicano chegou em quinto depois de largar em último e ganhou, inclusive, o título de “piloto do dia” concedido pelo amigo internauta. Ele contou que o carro apagou do nada na volta de apresentação e já estava pronto para bater no cinto e pedir umas fajitas com guacamole pelo iFood quando, de repente, tudo voltou a funcionar.

Fez as mais belas ultrapassagens da prova e mostrou que a Red Bull acertou na mosca ao contratá-lo. Chegou em quinto. É um pilotaço. Em condições menos adversas, e assim que acertar a mão em classificações, trará pontos de baciada para o time. E alguns troféus, também.

Pérez: estreia pela Red Bull com atuação digna dos grandes

Merecem destaque da mesma forma, embora com menos entusiasmo, as duplas de McLaren e Ferrari. Todos terminaram nos pontos. No time papaia, Norris foi quarto e Ricardão, sétimo. Na equipe vermelha, Charlinho terminou em sexto e Carlinhos, em oitavo.

Mas a gente gostou mesmo foi do Tsunoda.

Ou Tsufoda. Ou Tsunami. Vamos pensar no assunto.

Yuki, o ninja da AlphaTauri: pontos na estreia

Desde o GP do Bahrein de 2016 que um estreante não marcava pontos na F-1. Naquela ocasião, o belga Stoffel Vandoorne disputou a prova no lugar de Fernando Alonso pela McLaren, depois de um acidente que o espanhol sofrera na Austrália. Chegou em décimo. Coincidentemente, com motor Honda, também.

Hoje, Yuki fez uma prova corretíssima, largando apenas em 13º, e terminou em nono fazendo algumas ultrapassagens muito bonitas e esbanjando respeito por seus rivais. “Foi muito emocionante passar Alonso”, contou. “Depois que passei, procurei copiar o que ele estava fazendo na minha frente.” Quando Alonso estreou na F-1 pela Minardi, em 2001, Tsunoda era um bebê de menos de um ano de idade que comia papinha em Sagamihara, no Japão.

É o máximo.

Vettel se desculpa com Ocon: péssima estreia

Quem não foi o máximo, longe disso, foi Vettel. Largou em último depois de perder cinco posições no grid por ter feito sua volta de classificação com bandeiras amarelas na pista, e depois, na corrida, acertou a bunda de Ocon numa freada desastrada. Só neste fim de semana, levou cinco pontos na carteira. Foi lá pedir desculpas ao francês da Alpine, OK, gesto nobre. Mas seu desempenho foi horroroso, 15º lugar com um pênalti extra de 5s por ter batido no carro azul do colega.

Sebastian foi o único piloto a fazer a prova inteira com apenas uma parada, na volta 25. A estratégia evidentemente deu errado. Para não dizer que foi tudo uma desgraça, chegou a ocupar o sétimo lugar lá pela volta 19, quando todos tinham feito seus pit stops e ele seguia se arrastando com borracha em petição de miséria pela pista barenita.

Mas é muito pouco. Stroll, pelo menos, terminou em décimo e fez um pontinho para a Aston Martin. Que decepcionou como um todo — a equipe andou para trás em relação ao que fizera no ano passado como Racing Point.

Fim de prova no Bahrein: Bottas fez a volta mais rápida

Alpine e Alfa Romeo também podem ser colocadas no balaio das decepções. A primeira porque mostrou estar longe de McLaren e Ferrari — para ficar apenas no segundo pelotão — e a segunda, porque dela se esperava ao menos alguma briga por pontinhos mais robustos do que as migalhas normalmente reservadas ao nono ou décimo colocados. É verdade que Raikkonen chegou perto, mas sem empolgar. Ficaram devendo, ambas.

Dos estreantes, Tsunoda já foi aplaudido e Mick Schumacher pelo menos levou o carro até o final sem muitos sobressaltos. Seu pai, quando estreou há 30 anos na Bélgica, quebrou na primeira volta. Mazepin é uma anomalia. Na Inglaterra já estão chamando o bobalhão de Maze-Spin. Eu já nem sei o que dizer.

Mick Schumacher: estreia correta, nada além disso

Sobre a transmissão da TV, agora, porque sei que será muito discutida, debatida, elogiada e criticada.

A Band (argh, detesto Band, sempre vou falar Bandeirantes) começou cedo a falar de F-1, lá pelas 9 da manhã, e terminou bem depois do pódio, o que é uma delícia para quem gosta de corridas. Claro que não será assim sempre — esse pré-hora, como a gente chama em TV, tão longo. Mas era a volta da F-1 ao canal depois de 40 anos, então tudo se justificava. Comecei a ver quando Piquet chegou aos estúdios. O pessoal na apresentação não escondia a ansiedade, e a conversa com o tricampeão e seu filho Nelsinho ficou meio truncada. Tanto que o destaque, ao menos nas redes sociais, foi o momento em que Piquet chamou a Globo de “globolixo”.

Há quem ache engraçado. Eu considero apenas boba, essa referência. Molecagem de Nelson-pai — quase previsível, eu diria, do tipo que já perdeu a graça. Até porque o termo vem sendo usado por bolsominions nas mesmas redes, e Piquet tem feito esse papel, infelizmente, de defender o seboso nojento e fedido que virou presidente. Problema dele.

Com “bola rolando”, como se diz, o quarteto Sérgio Maurício/Reginaldo Leme/Felipe Giaffone/Mariana Becker se virou bem. Achei que o narrador abusou um pouco do “espetacular” para qualquer coisa que acontecia na pista, mas isso é um pouco meu gosto pessoal. Não curto muito, em emissora nenhuma, narrações que ficam levantando a bola demasiadamente do evento. Se o espetáculo é bom, ele se basta. Não precisa ninguém gritando a todo momento que é espetacular e sensacional. Mas, repito, é gosto pessoal. Sempre fui mais comedido no ar.

O pós-corrida, para mim, foi o destaque. Primeiro, o pódio. Depois, a chance de Mariana entrevistar o vencedor, Hamilton. Na sequência, o bate-papo no estúdio, que não acompanhei até o fim. Mas estava agradável, até onde vi.

A audiência média da corrida foi de 5,1 pontos, com pico de 6,1. Menos do que a Globo apresentava no ano passado — o GP do Bahrein de 2020 deu 9,3 de média. Não é ruim. E acho que tende a aumentar na medida em que o público for descobrindo onde estão as corridas agora.

Deu tudo certo, em resumo. Para a F-1 e para a emissora. E vamos em frente.

Hamilton festeja mais uma: tudo certo para a F-1 e para a Bandeirantes
Comentar

NÃO ENCHE O SAKHIR (2)

SÃO PAULO (fervendo) – Leiam a tuitada da Mercedes abaixo:

Mercedes contente com o adversário? Sei…

Ah, tá bom! Me engana que eu gosto, como dizia não sei quem. Quem dizia me engana que eu gosto? Era alguma música?

Escrevi ontem, num final apoteótico do textão da sexta, que a moleza acabou. Na F-1, todo mundo mente. Mas o cronômetro, não. Verstappen fez a pole para o GP do Bahrein com uma folga de 0s388 para Comandante Amilton, o segundo colocado. Foi a quarta da carreira dele. A primeira da Red Bull numa abertura de temporada desde 2013 — com Vettel, na Austrália. E a primeira da Honda em corrida inaugural de um Mundial desde 1991, com Senna no GP dos EUA, em Phoenix.

Mais uma: desde 2014, só a Mercedes fazia pole na abertura do campeonato. Todas de Hamilton, menos a do ano passado, que foi de Bottas, na Áustria.

O jogo virou, não é mesmo?

Verstappen: quarta pole na carreira

E isso é bom. A Mercedes vai levar um tempo para entrar nos eixos. Christian Horner, chefe rubro-taurino, chamou a atenção para um fato que não deve ser desprezado. Todo mundo dava (ou torcia para) a equipe preta-prata como descartada, fim de uma era, aquelas coisas, mas rapidamente já houve uma reação. “Eles já estão lá”, falou.

É uma meia-verdade, ou meia-mentira — como queiram. De fato, dois carros da Mercedes estão entre os três primeiros. Para quem fez uma pré-temporada tão ruim, deu para ver que o trabalho na fábrica nos últimos dias foi intenso e já mostrou resultados. É a meia-verdade. Porque dizer que já estão lá é uma meia-mentira. A diferença de Lewis para a pole foi gigantesca, ainda mais quando se ouve dele que tirou o máximo que podia do carro. Sapattos ficou ainda mais longe: 0s589.

Os tempos estão aí embaixo. Cronômetro não mente.

O grid para o GP do Bahrein: Max estraçalhou a concorrência

Na noite quente e seca barenita, 30°C na hora da classificação, Max confirmou o domínio imposto em todas as sessões desde ontem. No último treino livre, ainda sob o sol inclemente do deserto, enfiou 0s7 em Hamilton, o segundo. Só perderia a pole se cometesse algum erro. Não cometeu.

O Q1 foi legal, com a primeira grande surpresa do dia: Tsunoda em segundo. A transmissão da F-1 informou que ele é o primeiro piloto nascido nos anos 2000 a disputar um GP de Fórmula 1. Nasceu em 11 de maio do primeiro ano deste milênio desgraçado. Não é o mais jovem a largar, porém. Essa primazia ainda é de Verstappen.

Outros três pilotos se destacaram na primeira parte da classificação: Alonso, El Fodón Azulón, da Alpine, em sétimo; Giovanudo, da Alfa Romeo, em nono; Jorginho Russell, da Williams, em 13º. Menino bom, esse Jorginho.

Tsunoda: P2 no Q1

Os degolados foram L’Ocon (a cada ano que passa, mais opaco), Lentifi, Tião Verdão, Schumaquinho e Mal-zepin. (Ah, para com esses apelidos! Não paro.)

Claro que a grande decepção foi Vettel, em 18º. A explicação foram bandeiras amarelas na hora em que tentou sua volta rápida. Sei não… Vamos dar a ele o benefício da dúvida, por enquanto. Mas que sua trajetória na Aston Martin começou meio pedregosa, disso não há dúvidas.

Alonso: nono no grid na volta

O Q2 teve quatro equipes optando por fazer tempos com pneus médios, para esticar o primeiro stint amanhã. É preciso alguma confiança para espetar borracha mais lenta nessas horas. Nos últimos tempos, Mercedes e Red Bull sempre fizeram isso, e repetiram. A novidade foi ver McLaren e AlphaTauri optando pela mesma estratégia.

Todos se deram bem, exceto Tsunoda, que acabou apenas com a 13ª posição. Como vamos chamar Tsunoda? Aceitamos sugestões. O japonês do novo milênio disse que não entendeu por que seu carro perdeu tanta aderência com os médios. Lição número 1 para a vida: isso acontece. Vai olhar a telemetria que ela explica.

Ficaram no Q2 Pérez (ainda apanhando um pouco de um carro feito desde a manjedoura para Verstappinho guiar), Giovinazzi, o já mencionado Tsunoda, mais Raikkonen e Russell. Surpresa, aí, a degola de um carro da Red Bull, claro. Mas, como Vettel, Pérez ainda tem a justificativa do noviciado na equipe. A curva de adaptação é mais rápida para uns, mais lenta para outros.

Norris: McLaren tranquila no Q3

Três equipes levaram seus dois carros ao Q3: Mercedes, Ferrari e McLaren. As outras quatro vagas foram distribuídas entre Red Bull, AlphaTauri, Alpine e Aston Martin.

Olha o Gás-ly! fez um tempo que me impressionou logo de cara, 1min30s014, mas Hamilton o superou em seguida com uma volta em 1min29s549, botando alguma pressão em Verstappen. O holandês deu o troco na hora, 0s023 mais rápido. A diferença, irrisória, pode ter iludido os torcedores da Mercedes. Mas ela seria ampliada na segunda volta rápida, com o temporal que garantiu a pole a Max.

Bottas, que só tinha um jogo novo de pneus macios, terminou em terceiro. Leclerc foi o quarto, a 0s681 de Max. Charlinho reagiu bem às seguidas sessões atrás de Sainz, que chegou agora à Ferrari. Os dois pilotos, aliás, só fizeram uma volta no Q3, por escassez de macios. Alonso e Stroll também tiveram apenas uma chance.

O quinto foi Gasly, que melhorou seu tempo da primeira saída e mostrou que a antiga Toro Rosso será protagonista no segundo pelotão neste ano — a Honda tem um papel importante nisso, o carro nasceu bem, os pilotos são muito interessantes.

Gasly, quinto no grid: Honda e AlphaTauri, tudo a ver

A McLaren se colocou logo atrás de Pierre, com Ricardão em sexto e Chuck Norris em sétimo. Esses foram o que se classificaram a menos de um segundo de Verstappen. Sainz, Alonso e Stroll, que fecharam os dez primeiros, ficaram um pouco mais distantes no relógio.

Logo depois da entrevista dos três primeiros colocados ainda na pista, conduzida por David Coulthard, vimos a cena mais divertida do dia. O escocês faz 50 anos hoje. Depois das perguntas de praxe a Verstappen, Hamilton e Bottas, ele viu o holandês vindo em sua direção com um bolinho de aniversário e abriu um sorriso.

O resultado:

Max: bolo na fuça de Coulthard

É ótimo que a temporada comece assim. Garantia de disputa, porque a Mercedes sabe que está atrás, mas sabe também que a jornada é longa prevista para 23 etapas — digo “prevista” porque acredito que a pandemia fará vítimas no calendário. E tem tempo para dar a volta por cima.

Horner tem alguma razão quando detecta uma reação rápida de seus adversários entre a pré-temporada e a primeira classificação do ano. Mas quanto a Mercedes vai conseguir melhorar? E a Red Bull? Tem alguma sobra? Talvez. Max fez a pole com o assoalho de seu carro ligeiramente danificado. Esses quase quatro décimos de segundo sobre Hamilton poderiam ser um pouco mais. A diferença é grande. Que os mercêdicos corram atrás. A gente fica aqui assistindo de camarote.

Red Bull: será que tem mais para tirar desse carro?

Falemos agora da TV. Depois de 40 anos, foi a primeira definição de um grid na F-1 transmitida para o Brasil por uma emissora não pertencente ao grupo Globo. Participaram o narrador Sérgio Maurício, os comentaristas Reginaldo Leme e Felipe Giaffone e a repórter Mariana Becker.

Não percebi muita diferença entre o que se fazia no outro canal, o que é natural. Afinal, todos eles vieram do mesmo lugar. Notei que nas redes sociais muita gente falou sobre o clima descontraído, que todos estavam mais soltos etc. Também acho um exagero. Sérgio Maurício conduzia suas transmissões da mesma forma no SporTV.

De bom, o fato de a transmissão só ser encerrada depois das entrevistas, com comentários de todos e a sensação de que ela teve começo, meio e fim bem definidos. Não fosse isso, inclusive, não teríamos visto o bolo na cara de Coulthard. Na Globo, os caras pareciam loucos, correndo para encerrar a transmissão um segundo depois de definida a pole, como se tivesse estourado a Terceira Guerra Mundial e William Bonner estivesse a postos no estúdio para dar a notícia — e no fim o que vinha depois da F-1 era apenas mais alguma partida chata de algum esporte aborrecido. Nunca entendi a pressa.

Os três no estúdio pareciam à vontade — Sérgio talvez tenha começado um pouco nervoso, trocando alguns nomes, mas nada comprometedor — e foram se entrosando na medida em que as coisas aconteciam na pista. No balanço geral, uma transmissão correta, honesta, que satisfez os fãs.

F-1 na Bandeirantes: transmissão correta, mas sem audiência

Problema para a Bandeirantes, porém, é a audiência. Pelo que vi nos índices prévios divulgados, o canal oscilou entre 1,8 e 2,6 pontos no Ibope na Grande São Paulo, enquanto a Globo, com seu programa de bricolagem, se mantinha estável na casa dos 14 pontos. Isso explica, talvez, o fato de a emissora do Morumbi ter vendido até agora apenas uma cota publicitária para a cobertura da temporada, para a operadora de celular Claro.

É um caminho longo para gerar receita e audiência, que exigirá resiliência e paciência dos envolvidos. A F-1 fora da Globo, como negócio, perde muito — como o futebol.

Comentar

Blog do Flavio Gomes
no Youtube
MAIS VISTO
1:09:35

FÓRMULA GOMES: GP DA EMILIA-ROMAGNA, DIA #3

Análise da segunda etapa do Mundial de F-1 de 2021 em Ímola!...

1:28:25

FÓRMULA GOMES: GP DA EMILIA-ROMAGNA, DIA #2

Análise ao vivo da pole de Hamilton em Ímola, do segundo lugar de Pérez, dos fracassos de Alonso e Vettel e muito mais!...