AUSTRÍACAS (1)

Hamilton em primeiro: melhorou quanto, a Mercedes?

SÃO PAULO(que conversinha…) – Hamilton em primeiro, Bottas em segundo. E não deu nem uma semana da surra da Red Bull para cima da Mercedes na mesma pista. O que explica o resultado de hoje os treinos livres para o GP da Áustria?

Uma pequena melhora da Mercedes, sem dúvida. O trabalho de Hamilton no simulador, algo que ele odeia, deu algum resultado, aparentemente. Também está mais frio: 19°C hoje e asfalto a 32°C, contra 26°C/54°C na semana passada. A gama de pneus mais macios da Pirelli para esta prova, da mesma forma, ajudou — com temperaturas mais baixas, o funcionamento da borracha mais aderente é melhor.

Isso significa que Lewis fará a pole amanhã?

Nem ele acha isso. “A Red Bull tem coisa guardada, eles têm algum tipo de ‘modo de classificação’ como a gente tinha no passado”, falou o inglês. “A gente melhorou um pouco, sim, demos um pequeno passo à frente, mas não o bastante para tirar os dois décimos por volta que perdemos para eles, principalmente nas retas.”

Verstappen a 0s217: Red Bull tem algo guardado, acha Hamilton

Lewis fez 1min04s523 na sua melhor volta de tarde, em treino que terminou com pingos de chuva — não suficientes para molhar a pista. A previsão é de um sábado nublado e um domingo com fortes pancadas, algo que pode mudar a história da corrida. Bottas ficou em segundo hoje, 0s189 atrás do parceiro. Verstappen, o terceiro, fechou sua melhor volta 0s217 atrás do britânico.

A surpresa do dia foi a Aston Martin, com Stroll em quarto e Vettel em quinto. A AlphaTauri também andou bem e veio na sequência, com Tsunoda e Gasly. Alonso, Norris e Giovinazzi fecharam os dez primeiros. A Ferrari, destaque de manhã, foi mal à tarde: apenas 13º com Sainz e 16º com Leclerc.

Vettel, quinto: boa sexta-feira da Aston Martin

O momento cômico do dia foi uma rodada de Lando Norris no final da segunda sessão, passeando na brita e voltando à pista. Pelo rádio, o engenheiro perguntou: “Danificou alguma coisa?”. E o piloto respondeu na hora: “Meu talento”. Norris é engraçado. E muito bom, também. É o único piloto que pontuou em todas as corridas deste ano.

Hoje à noite, às 19h, falamos do primeiro dia de atividades para o GP da Áustria no “Fórmula Gomes”, em meu canal no YouTube. Apareçam por lá!

Os tempos do segundo treino: Mercedes na frente
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FOTO DO DIA

Segundo o Fábio Seixas, a camiseta nova custa 6 mil dinheiros brasileiros. Uau!

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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

Hamilton namora o carro da Red Bull: situação inédita na Mercedes

SÃO PAULO(virou) – Não chega a ser maravilhosa a imagem acima, é um frame da TV inglesa, mas ela mostra bem o que está acontecendo na F-1 em 2021. Hamilton não sabe direito o que fazer para virar o jogo. Max ganhou a quarta no ano, e o placar agora aponta 4 x 3 para ele, em vitórias sobre o britânico da Mercedes. Nos pontos, são 18 de vantagem. Nas estatísticas, o holandês igualou, com suas 14 vitórias, Emerson Fittipaldi, Graham Hill e Jack Brabham. Está, ao lado deles, em 19º no ranking dos maiores vencedores de todos os tempos. Deixou para trás Alberto Ascari e David Coulthard. Com mais uma, empata com Jenson Button. E ele só tem 23 anos.

E a Mercedes, agora?

ESTÍRIA BY MASILI

A Mercedes está assim, na leitura do nosso genial Marcelo Masili: muros de Bracley pichados, fora todo mundo!

Brincadeiras à parte, a equipe alemã vive um dilema. Investe tempo e dinheiro para melhorar esse carro que só vai durar até o fim do ano ou se dedica ao projeto de 2022, que prevê modelos muito diferentes em tudo, pavimentando um futuro de médio prazo? Hoje há um orçamento limitado para todo mundo, não se pode torrar grana à toa. A Red Bull claramente está apostando suas fichas — e seus euros — em 2021. O carro está cada vez melhor. Hamilton disse ontem que, neste momento, não há como andar no mesmo ritmo. Pebolim Wolff não sabe direito o que fazer. Mas garantiu: o time não vai jogar a toalha faltando 15 corridas para o fim do campeonato. Também não vai abrir a carteira comprometendo 2022. O negócio é usar a cabeça e gastar pouco.

É o grande charme deste Mundial: saber como os gigantes prateados vão reagir — e se vão.

Lewis, enquanto estava na frente, deu várias entrevistas para expressar sua satisfação com uma disputa diferente da dos últimos anos.

Não sei se agora está tão feliz assim.

Nuvens negras no horizonte da Mercedes: necessidade de reação imediata

Sábado tem reunião no Red Bull Ring com os fabricantes de motores da F-1 — Ferrari, Mercedes, Renault e Honda. Como se sabe, os japoneses pulam fora da categoria no fim do ano, mas duas grandes marcas foram convidadas para participar das conversas: Porsche e Audi. As conversas são sobre os motores e combustíveis que serão adotados a partir de 2025.

Sobre a Honda, chegou a quatro vitórias seguidas, algo que não conseguia desde as primeiras provas da distante temporada de 1991, com Senna na McLaren.

O NÚMERO DE SPIELBERG

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…corridas sem vencer acumula a Mercedes nesta temporada, sua pior série desde o início da era dos motores híbridos na F-1, em 2014. A equipe que domina a categoria há sete anos tinha ficado, nesse período, duas vezes sem vencer por três corridas: no início de 2018 (duas vitórias da Ferrari e uma da Red Bull) e em 2019 (três da Ferrari).

Hamilton, ontem, conseguiu um segundo lugar pela 43ª vez na carreira, igualando o recordista de segundos até hoje, Michael Schumacher. “Não é o que a gente queria, mas fizemos bons pontos”, disse pelo rádio à equipe. Foram 34 pontos para a equipe alemã, incluindo o extra da melhor volta da corrida. A Red Bull fez 37 com a vitória de Verstappen e o quarto lugar de Pérez. O time austríaco tem 252 pontos agora, contra 212 dos alemães.

A briga pelo terceiro lugar segue legal, com a McLaren chegando a 120 graças ao quinto lugar de Norris — o único piloto a pontuar em todas as provas até agora em 2021. O inglês fez 86 desses pontos. Ricciardo, maior decepção do ano, apenas 34. Ontem, não pontuou. A Ferrari, que fez sexto e sétimo no GP estírico com Sainz e Leclerc, tem 108. Charlinho, apesar do erro no início, tirando Gasly da corrida, foi eleito o Piloto do Dia pelo amigo internauta.

Hamilton e Bottas: neste momento, segunda força do campeonato

A FRASE DA ESTÍRIA

“Se a gente não desenvolver o carro para melhorar a performance até o fim do ano, esse é o tipo de resultado que vamos ter daqui para a frente. Mas não vou contestar a lógica da equipe, nem seus processos internos.”

LEWIS HAMILTON

Hamilton reconhece que a Red Bull melhorou muito nas últimas corridas, e essa melhora é visível a olho nu. Talvez as três vitórias nas quatro primeiras corridas do ano tenham mascarado a situação — a impressão, agora, é de que foi a Red Bull que perdeu essas provas, e não a Mercedes que ganhou. Mesmo a questão da asa flexível tem sido relativizada nos últimos dias, sem ataques de pelanca de Wolff ou de seus colegas de Mercedes.

O resumo de tudo quem fez foi Ross Brawn, diretor-técnico da F-1: a maré virou.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS – Do anúncio de que o GP da Rússia, a partir de 2023, será disputado em São Petersburgo, em vez de Sóchi. A pista atual é chatíssima. A nova não é como o desenho abaixo, mas pelo menos já está gerando memes (com algumas imprecisões, como a data…). O que é mais do que Sóchi conseguiu em sete edições até hoje.

Leningrado e ponto final: GP comunista em 2023

NÃO GOSTAMOS – Dos troféus simplórios oferecidos aos três primeiros colocados no GP da Estíria. A velha história de reproduzir o traçado, um troço muito pobre e pouco criativo. Melhor seria uma vaquinha de louça. Para quem não reparou, está aí embaixo, na mão de Bottas, o terceiro colocado.

Bottas e o troféu: sem graça demais
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MAXSTRUDEL (3)

Verstappen: vitória amplia liderança para 18 pontos em cima de Hamilton

SÃO PAULO(mais ou menos…) – Como não choveu, deu a lógica. Max Verstappen venceu sem dificuldade alguma o GP da Estíria, levando a Red Bull à quarta vitória seguida na temporada e infligindo à Mercedes sua pior sequência sem ganhar desde o início da era híbrida da F-1, em 2014 — em 2018 e 2019, o time chegou a perder três consecutivas.

Foi a quarta vitória do holandês no ano, 14ª na carreira. E a consolidação da liderança no campeonato depois de oito provas: 156 x 138 sobre Hamilton, o segundo colocado — e detentor da melhor volta da prova, arrancando a fórceps um pontinho extra na última passagem, porque nunca se sabe quando vai precisar, né?

Bottas foi o terceiro, com Pérez em quarto. Só eles terminaram a corrida na mesma volta. Uma corrida, diga-se, meio sem graça, de resultado previsível e sem disputas interessantes mesmo no meio do pelotão.

O que fica do GP da Estíria? Expressão que minha namorada usa sempre: “É, gente… O jogo virou!”. Virou. A Red Bull, hoje, pode encher a boca e dizer que tem o melhor carro da F-1 e que é candidata ao título para, finalmente, colocar fim à mais longa hegemonia da história da categoria — para quem não lembra, a Mercedes ganhou os últimos sete Mundiais de Pilotos e Construtores.

Largada em Spielberg: Max leva a quarta no ano, de ponta a ponta

Com pista seca, sol e calor, largando na pole, Max fez questão de escapar logo para evitar qualquer problema com a asa móvel de Hamilton, quando ela pudesse ser aberta. Fez direitinho. Pulou à frente e na volta 5 já tinha mais de 2s de vantagem para o inglês. E daquele mato não sairia mais coelho. A vitória estava garantida, a não ser que algo de muito excepcional acontecesse.

O início da prova não foi dos mais auspiciosos para Leclerc e Gasly. Numa tentativa de ultrapassagem ainda na primeira volta, o ferrarista tocou a roda traseira esquerda do alphataurino e teve de ir para os boxes trocar o bico. Pierre não conseguiu voltar. Seu pneu furou e ele chegou à garagem com o carro todo estropiado. O abandono tirou do francês a chance de bons pontos em Spielberg.

Na volta 10, o primeiro momento um pouco mais relevante da corrida: Pérez passou Norris sem nenhuma dificuldade e assumiu o terceiro lugar. A McLaren tinha problemas. Bottas também chegou e deixou o inglês para trás. Ricardão, lá no fim da fila, relatava falta de potência pelo rádio, se arrastando em 13º. Nos boxes, a equipe tentava descobrir o que estava acontecendo, qual botão apertar, para qual orixá acender uma vela. E devem ter encontrado o santo certo, porque pouco depois o ritmo dos dois carros papaia se estabilizou.

Norris, quinto: problemas no início, boa posição no final

Jorginho Russell era o destaque da prova nas primeiras voltas. Em décimo no grid, valeu-se da trapalhada entre Leclerc e Gasly para ganhar duas posições e na 15ª volta se mantinha firme em oitavo, algo impensável para a Williams nos últimos anos. À frente dele, Alonso não conseguia desgarrar do inglesinho, que ainda tinha a vantagem de ter largado com pneus médios, podendo adiar sua parada. Fernandinho tinha macios.

Enquanto se esperava o início da janela de pit stops, não dava para dizer que o GP estírico era o mais emocionante de todos os tempos. Na altura da 20ª volta, Verstappen tinha uma boa folga de mais de 4s para Hamilton, que nem sabia direito quem era o terceiro colocado, tão longe estava Pérez. Bottas, Norris, Stroll, Alonso, Russell, Tsunoda e Sainz fechavam a turma dos dez primeiros.

O sonho de pontos de Russell acabou quando ele fez sua parada, na volta 26. A Williams teve de injetar ar comprimido no sistema que alimenta tudo no carro, a operação demorou mais que um discurso de Fidel, e ele acabou caindo para 17º — acabaria abandonando pouco depois, na volta 39. Pérez parou em seguida e tampouco seu pit stop foi bom: quase 5s, uma enormidade para os padrões atuais da F-1. Bottas veio na volta seguinte, trocou os quatro pneus em 2s6 e ganhou a posição do mexicano.

Russell: abandono num dia em que a Williams poderia pontuar

Na 29ª volta foi a vez de Hamilton fazer seu pit stop. Colocou pneus duros, seguindo a estratégia padrão para a maioria na prova. Verstappen, claro, parou logo depois. Tudo conforme os manuais que ensinam a ganhar corridas: troca rápida, voltando na frente de Lewis. A diferença na volta 31, depois que os dois pararam, aqueceram os pneus, trocaram o óleo, as palhetas do limpador de para-brisas e passaram o cartão na maquininha, estava igualzinha: oscilando entre 4s e 5s.

Se a Mercedes de Hamilton não conseguia chegar na Red Bull de Verstappen, mais para trás a Red Bull de Pérez se ouriçava para cima da Mercedes de Bottas, que aparentava ter problemas no pneu traseiro direito. Sainz e Ricciardo, na volta 42, foram os últimos a pararem, fechando a janela de pit stops. O espanhol da Ferrari se deu bem, escalando o pelotão até a sétima posição. Daniel voltou lá para o fundão. Sainz, com pneus novos, passou Stroll logo depois e assumiu a sexta colocação. Na falta de outro, era o cara da corrida. E desta vez os carros vermelhos estavam bem. Charlinho, mesmo tendo caído para último no início, saiu ultrapassando todo mundo depois de um segundo pit stop e foi buscar seus pontos, entrando no top-10 na volta 51, ao superar o ex-companheiro Vettel.

Ferrari: bons pontos com Sainz em sexto e Leclerc em sétimo

Nesse momento, a 20 voltas do final, Hamilton entrou no rádio e perguntou se faltava muito para acabar aquele porre. Max estava mais de 7s à frente e era inalcançável. O duelo esperado entre Pérez e Bottas não aconteceu no momento que se esperava. Quando o mexicano estava a menos de 2s do finlandês, a Red Bull o chamou para uma segunda parada, na volta 56. Colocou pneus médios e Checo voltou onde estava, em quarto, mas agora longe de Valtteri. Se a ideia inicial era tirar o ponto extra da melhor volta, que estava com Hamilton, cumpriu. E, virando bem mais rápido, ainda dava para alcançar o #77 no final.

Leclerc, com pneus novos, seguia se recuperando. Passou Tsunoda e Alonso e foi para cima de Stroll, o sétimo. Na volta 60, ganhou a sexta posição. E foi eleito pelo amigo internauta o Piloto do Dia. Lá na frente, Verstappen passeava e Hamilton já tinha desistido de vez da luta. Pérez seguia enfiando o pé para alcançar Bottas, para brigar pelo terceiro troféu do dia. Dava pinta de que conseguiria. A quatro voltas do final, a diferença era de 6s3. “Tirável”, digamos assim. Afinal, Valtteri se arrastava com os pneus em mau estado, sendo ultrapassado até por pilotos que estavam uma volta atrás.

Restou a Lewis parar na volta 70 para colocar pneus macios e tentar recuperar o ponto extra da melhor volta da corrida. Conseguiu. Pérez acabou recebendo a quadriculada a menos de 1s de Bottas. Se tivesse mais uma volta, levaria o pódio. Apesar de tudo, o dia para a Mercedes não foi um desastre total, com um segundo e um terceiro. Depois de Pérez, na zona de pontos, vieram Norris, Sainz, Leclerc, Stroll, Alonso e Tsunoda.

Final de prova na Áustria: domínio absoluto de Verstappen

Max assumiu que a vitória foi fácil. “O carro estava bom demais”, falou pelo rádio. “Foi tranquilo controlar tudo, o desgaste de pneus, a vantagem para Lewis, e tudo funcionou muito bem.” No Mundial de Construtores, a Red Bull abriu 40 pontos sobre a Mercedes, 252 x 212. Para Hamilton, foi uma corrida “solitária”. “Eles vêm melhorando nas últimas provas e neste momento é impossível disputar com eles. Precisamos ver onde estamos perdendo, a velocidade de reta da Red Bull é muito alta. Eles estão mais rápidos, e a gente precisa melhorar a performance para voltar à briga.”

Domingo que vem tem mais, na mesma pista, com pneus um pouco diferentes, mais macios. Mas creio que será tudo igual. A Red Bull passou a Mercedes em tudo. Demorou um pouco, por alguns vacilos no início da temporada. Mas, agora, a quebra do domínio alemão parece inevitável. Falaremos disso às 19h no “Fórmula Gomes”, no meu canalzinho no YouTube.

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MAXSTRUDEL (2)

Verstappen: sexta pole na carreira, terceira no ano

SÃO PAULO(a chuva vem?) – O momento é de Verstappen e da Red Bull. Quanto a isso, não há dúvidas. O moço fez sua terceira pole no ano, sexta na carreira, e é franco favorito à vitória amanhã no GP da Estíria. Mesmo se chover, que é o que diz a meteorologia. Mas ela disse que ia chover hoje e não choveu. Seja como for, Max colocou 0s226 em cima de Hamilton, o segundo no grid. Entre eles poderia estar Bottas, que fez o segundo melhor tempo (0s194 atrás do holandês), mas perdeu três posições pela presepada de ontem nos boxes. Larga em quinto.

Veremos um novo duelo tête-à-tête dos dois nessa corrida? É possível, mas receio que só no início da prova. A tarefa de Verstappen será abrir rápido, antes que as três zonas de asa móvel sejam liberadas, ajudando nas ultrapassagens. Hamilton anda cabreiro. A Mercedes, também. É a primeira vez, desde 2014, que a equipe se vê numa situação de inferioridade. E dá sinais de que não conseguirá reagir a tempo. Insisto: quem sair na frente do campeonato depois da segunda prova austríaca, daqui a uma semana, será o campeão.

Hamilton, segundo no grid: lutar até o fim

O que resta a Hamilton, nessa altura dos acontecimentos? Lutar e tentar alguma coisa para reverter o quadro. Aproveitar eventuais chances que se lhe ofereçam, como fez nas primeiras corridas do ano — venceu três das quatro. O problema para ele é que Verstappen não parece muito disposto a dar chance para o azar.

Max fez a pole hoje com uma volta que descreveu como “deliciosa” em 1min03s841. Foi o único a entrar na casa de 1min03s, num grid apertado, como era de se esperar pelo tamanho da pista. Mesmo assim, pode-se dizer que foi apertado para os outros, não para o rubro-taurino. Ele só não foi o mais rápido no terceiro treino livre, de manhã, quando Lewis deu sinal de vida e ficou em primeiro. Mas foi fogo de palha.

Com sol e calor nas montanhas da Estíria, pouca gente nas arquibancadas pelas restrições da pandemia e asfalto torrando a 56°C, o Q1 foi divertido, com instantes finais bem surpreendentes. Quando faltavam 6 minutos para o encerramento da primeira parte da classificação, para se ter uma ideia, Latifi era o oitavo colocado. O sonho de uma tarde de verão durou pouco para o canadense da Williams, porque na última saidinha todo mundo melhorou e ele acabou eliminado, em 16º. Atrás dele ficaram Ocon, Raikkonen, Schumacher e Mazepin. Nota zero para o francês da Alpine e para o finlandês da Alfa Romeo. Ambos decepcionaram redondamente.

Russell: 11º tempo, mas larga em décimo após punição a Tsunoda

No Q2, apenas Verstappen, Bottas e Hamilton fizeram seus tempos com pneus médios, para usá-los na primeira parte da corrida. Os demais, com diferenças tão pequenas no cronômetro, não quiseram arriscar e foram de macios, mesmo. A brincadeira estava apertada de verdade. Faltando 5 minutos para o fim, 0s977 separavam o primeiro do 15º colocado. Do primeiro ao décimo, 0s371. Qualquer pelinho seria fatal. E, no detalhe, foram degolados Russell (por meros 0s008), Sainz, Ricciardo, Vettel e Giovinazzi. A Williams não pode reclamar de Jorginho. Segue indo ao Q2 em todas as corridas da temporada e hoje ficou na frente de uma Ferrari, uma McLaren e uma Aston Martin.

Ricardão, tão bem ontem, fracassou. Não encontrou explicação para o péssimo 13º lugar. Disse que seu carro perdeu performance e achou tudo “muito estranho”. Seu companheiro Orlandinho Norris, em compensação, voava lá na frente com o segundo tempo, atrás apenas de Pérez.

Norris, só sorrisos: com punição de Bottas, parte em terceiro

No Q3, a Mercedes soltou Hamilton na pista logo de cara, para que ele tivesse tempo de fazer três voltas rápidas. A melhor delas foi a segunda. Na terceira, errou e pediu desculpas pelo rádio. Verstappinho virou rápido imediatamente e sua segunda melhor volta também seria suficiente para a pole.

Além de Bottas, Tsunoda, oitavo colocado, também recebeu uma punição de três posições no grid por ter atrapalhado o #77 da Mercedes numa volta rápida e caiu para 11º. Uma pena para o japonês, que vinha fazendo seu melhor fim de semana desde a estreia, no Bahrein. Mas acontece. Não foi avisado pela equipe que a Mercedes de Valtteri estava numa volta rápida e acabou ficando no caminho do finlandês.

Tsunoda: bom fim de semana, mas punido na classificação

Verstappen e Hamilton dividem a primeira fila, com Norris e Pérez logo atrás. Um ataque do mexicano a Lewis não deve ser descartado na largada, já que ele tem pneus macios, contra médios do inglês — teoricamente, seu carro deve tracionar melhor nos primeiros metros da prova. Bottas ficou em quinto após a punição, com Gasly em sexto, Leclerc em sétimo, Alonso num bom oitavo, Stroll em nono e Russell em décimo graças ao pênalti para o japonesinho.

A Red Bull vem de três vitórias seguidas, algo que não conseguia desde 2013 — quando Vettel papou nada menos do que as nove últimas etapas do campeonato para conquistar seu quarto título mundial. Desde o início da era híbrida da F-1, em 2014, a Mercedes nunca ficou mais do que três corridas sem vencer. Isso aconteceu apenas duas vezes. Em 2018, nas três primeiras provas do ano deu Ferrari/Ferrari/Red Bull (com Vettel para o time vermelho nas duas primeiras e Ricciardo para a equipe austríaca). Em 2019, depois das férias de verão, a Ferrari venceu três consecutivas com Leclerc na Bélgica e na Itália e Vettel em Singapura.

Desconfio que a equipe alemã terá de conviver com essa sequência indesejável amanhã, se a lógica prevalecer. Falaremos disso mais tarde, às 19h, no “Fórmula Gomes” lá no YouTube.

O grid corrigido: Verstappen favorito e Mercedes em situação incômoda

Como falaremos também do anúncio da F-1 de que em 2023 o GP da Rússia muda de endereço. Sai da aborrecida pista de Sóchi para a linda São Petersburgo, onde fica o Autodrom Igora Drive — a cerca de 50 km da cidade, é verdade, mas numa região muito mais interessante, no mínimo.

A pista, desenhada por Hermann Tilke, tem apenas 4.086 m de extensão e 15 curvas. Parece interessante, daquelas que piloto costuma dizer que tem “fluxo”, com bastantes curvas de alta e pelo menos dois bons pontos de ultrapassagem. Qualquer coisa é melhor que Sóchi, vamos combinar.

A pista de Igora, a 56 km de Leningrado

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ELAS

A pole-position Alice Powell: início da W Series

SÃO PAULO(pé no porão) – Saiu hoje o grid da primeira etapa da temporada das meninas, a W Series, que vai ganhar muito mais visibilidade neste ano porque só correrá junto com a F-1. A categoria feminina estreou em 2019, foi suspensa em 2020 por causa da pandemia, e em seu segundo campeonato terá oito etapas, todas aos sábados em finais de semana de GP. A primeira é agora, a segunda na semana que vem e na sequência as garotas correm nos finais de semana dos GPs da Inglaterra, Hungria, Bélgica, Holanda, EUA e México.

Alice Powell, que também pode ser chamada de “Alice Pole”: P1 em Spielberg

A britânica Alice Powell fez a primeira pole do ano, com 1min28s964 em sua melhor volta. Os carros da W Series usam chassis Tatuus e motores Autotecnica Motori, ambos italianos. São motores turbo de 4 cilindros e 270 HP. Os pneus usados são da sul-coreana Hankook. O nome-código dos carros é Tatuus F3 T-318, o que já entrega sua origem: são monopostos de F-3, velozes e ariscos, e a ideia da organização é clara e aberta: preparar mulheres para o automobilismo de ponta, sonhando com a chegada de alguma delas à F-1. O que, convenhamos, seria espetacular.

O Tatuus F3 T-318: motor turbo, 270 HP, câmbio de seis marchas, pneus Hankook

A prova de amanhã começa às 11h de Brasília e terá transmissão para o Brasil pelo SporTV 3. Vale a pena assistir. Uma pilota brasileira estará no grid de 18 meninas, a catarinense Bruna Tomaselli, 23 anos, que conseguiu a 11ª posição no grid com 1min29s517.

Toda sorte do mundo às meninas. Elas dominarão o mundo, um dia, para sorte do mundo.

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MAXSTRUDEL (1)

Bottas roda nos boxes: experiências perigosas

SÃO PAULO(com creme) – Mais do que qualquer outra, a imagem do dia hoje em Spileberg foi a de Bottas rodando dentro dos boxes. Quase acertou os mecânicos da McLaren. Que ajudaram a colocar o finlandês de novo no prumo. O resultado da presepada: Valtteri já perdeu três posições no grid para a corrida de domingo na Áustria, o GP da Estíria — oitava etapa do Mundial.

A FIA puniu o piloto porque ele confessou que estava experimentando um jeito de ganhar tempo nos pit stops, saindo em segunda marcha. Não entendi a lógica — sempre que saio em segunda, com qualquer carro, ele perde torque e engasopa –, mas segundo Bottas foi por isso que ele deu uma rabeada e rodou, colocando em risco a segurança de quem estava por perto. Ferro nele.

Verstappen na frente: holandês liderou os dois treinos de hoje

A Red Bull começou o fim de semana na frente, para desespero da Mercedes. A equipe alemã procura demonstrar alguma calma, mas sabe que se levar dois cocos seguidos na pista da rival vai ser difícil reverter a situação no campeonato. A Red Bull vem de três vitórias seguindas, não nos esqueçamos.

É verdade que a melhor volta do dia foi de Hamilton, mas ela foi anulada porque ele passou dos limites da pista. De qualquer forma, internamente, é sinal de que o inglês carrega alguma competitividade para o fim de semana. E que pode sonhar com algo melhor do que chegar em segundo de novo — o que, na prática, seria desastroso em termos de pontuação.

Verstappinho liderou os dois treinos livres, e numa pistinha com voltas em 1min05s a diferença que ele abriu do segundo colocado à tarde, Ricardão, preocupa os adversários. A segunda sessão, hoje, começou sob ameaça de chuva, que acabou não vindo. Mas a previsão para amanhã e depois é de tempo muito instável, com boas chances de pista molhada. Ótimo, embaralha tudo e gostamos de pista molhada.

Ricciardo, segundo colocado: australiano começa a se entender com a equipe

Olhando a classificação do segundo treino livre, claro que chamam a atenção as posições de Ricciardo e Ocon, segundo e terceiro. Assim como o mau desempenho de Pérez, que precisa melhorar bem em classificação para ajudar a Red Bull na sua luta para quebrar a hegemonia da Mercedes. Vettel e Stroll também foram bem, mostrando que a Aston Martin começa a crescer depois de um péssimo início de campeonato.

Quem deve andar bem amanhã, em condições normais, é Gasly. Foi o segundo de manhã e não pôde treinar de tarde porque a Honda encontrou alguma coisa errada em seu motor e preferiu checar todos os sistemas, para não correr o risco de uma quebra indesejada.

Bottas, agora na pista: Mercedes precisa reagir

Dois assuntos técnicos dominaram o dia em Spielberg. O primeiro, mudança nas regras de pit stop a partir do GP da Hungria. A FIA quer proibir sensores nas pistolas que colocam as porcas nas rodas nas trocas de pneus. A Red Bull usa esses sensores, que acionam a luz verde que guia a saída do piloto e permite paradas fantásticas em menos de dois segundos. A Red Bull, claro, está puta com isso.

O outro tema diz respeito aos pneus. A Pirelli fornecerá dois jogos extras de pneus nos treinos livres do GP da Áustria, semana que vem, construídos de forma mais “robusta”. Eles serão testados e poderão ser usados no GP da Inglaterra. A Pirelli reconheceu que não tem como controlar a pressão dos pneus durante o uso em treinos e corridas — e quando resolve fazer pneus mais robustos, assume que os furos de Stroll e Verstappen em Baku podem ter relação com o tipo de construção do produto, e não com detritos na pista, como alegou.

No ano que vem, de acordo com a empresa, todos os carros terão sensores nos pneus com a adoção do TPMS — Tyre Pressure Monitoring System. A novidade será implantada para que ninguém use em seus pneus uma calibragem diferente daquela recomendada pelo fabricante.

E teve também outra notícia importante, a inclusão da Turquia no calendário para o lugar do GP de Singapura, dia 3 de outubro, cancelado por causa da pandemia. A Turquia iria entrar no lugar do Canadá em junho, mas acabou perdendo a vez porque o país está na lista de locais perigosos, de acordo com o governo inglês — a maioria das equipes tem sede na Inglaterra. A Liberty, no entanto, espera que até outubro a situação já esteja controlada no Império Otomano.

Hoje à noite tem “Fórmula Gomes” a partir das 19h para falar de todos esses assuntos no meu canal no YouTube, apareçam!

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FUSCA DO DIA

Quero ver se nossos fuscólogos sabem que modelo é esse da Sandra Annenberg, que se transformou hoje na minha apresentadora favorita!

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PIOR NÃO FICA

SÃO PAULO (vamos ver…) – Os organizadores do GP de Abu Dhabi anunciaram mudanças no layout do circuito, um dos mais chatos do mundo. São três modificações que pretendem aumentar as possibilidades de ultrapassagem, dar mais ritmo às voltas e criar até uma curva inclinada.

Faz tempo que o encerramento do Mundial merece uma pista melhor. Em que pese o cenário impressionante, Abu Dhabi nunca fez corridas boas. Vamos torcer.

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