É CHAMPANHE OU NÃO É?

SÃO PAULO(dia cheio demais!) – Aviso aos navegantes, e aos narradores, comentaristas e repórteres: não tem mais champanhe na F-1.

A categoria anunciou hoje um acordo com o Grupo Lunelli, que detém os direitos de fabricação do vinho frisante Ferrari Trento. Tecnicamente, embora seja da mesma, digamos, família de bebidas, não é champanhe — que vem a ser um vinho originário da região francesa de Champagne. É um frisante. Ou espumante, como queiram. “Sparkling wine”, em inglês. O que não quer dizer que seja champanhe. Para ser mais claro: todo champanhe é espumante, mas nem todo espumante é champanhe, entenderam? Embora quase todo espumante, mesmo os que não são feitos em Champagne nem usam os métodos de fabricação e as uvas específicas da região, seja genericamente chamado de champanhe.

E é essa bebida que será usada nos próximos três anos nas cerimônias de pódio da F-1. A fábrica de Ferrari Trento fica na região do Trentino, nos Alpes Italianos. “Italian Art of Living” é seu slogan publicitário. Informa o press-release da Liberty que uma garrafa de Ferrari Trentodoc Jeroboam “apareceu num pódio da F-1 no passado”, sem informar quando.

Bom destacar: esse Ferrari do nome não tem nada a ver com a equipe. Ferrari é um sobrenome razoavelmente comum na Itália, e não significa que todos são parentes diretos de Enzo Ferrari. A vinícola foi fundada na cidade de Trento em 1902 por um certo Giulio Ferrari, e meio século depois o negócio foi assumido pela família Lunelli.

Ainda de acordo com as informações divulgadas, Ferrari Trento foi premiada três vezes como “Sparkling Wine Producer of the Year” no “The Champagne and Sparkling Wine World Championships”, o que me faz acreditar que entrou no campeonato para brigar com outros frisantes, espumantes e champanhes, o que talvez coloque a bebida, afinal, na categoria cuja denominação que nos acostumamos a usar nas corridas. Afinal, o frisante que estará no pódio da F-1 também é feito com uvas chardonnay e pinot noir, como os vinhos de Champagne.

Quer saber?

Narradores, comentaristas e repórteres, podem continuar dizendo champanhe.

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MOTOLAND

Deixei passar os 50 anos da Yamaha no Brasil, em novembro. Para comemorar, o pessoal da Bendita Macchina fez uma réplica da Red Dragonfly, de 1955, com mecânica atual. Foi a primeira moto feita pela Yamaha, uma cópia descarada das DKW 125cc. Ficou linda!

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GLOBAND

SÃO PAULO (uma hora voltamos ao normal) – A Bandeirantes fechou hoje a equipe que vai transmitir o Mundial de F-1 pelo menos nos próximos dois anos. Depois de contratar Reginaldo Leme, no fim do ano passado, Mariana Becker e Sérgio Maurício nas últimas semanas, agora foi a vez de Max Wilson fechar na condição de ex-piloto-comentarista. Felipe Giaffone também voltará ao canal — a assinatura do contrato deve acontecer amanhã.

Max era um nome muito bem cotado, e de novo a emissora acerta na mosca. Ele não é chato, não tem aquele tom professoral aborrecido de Luciano Burti, é bem-humorado, entende o inglês dos rádios (correu muito tempo na Austrália, tem ouvido treinado), já andou de F-1, estava em atividade até outro dia na Stock. É um cara excepcional. E tem experiência na função, exercida no SporTV entre 2014 e 2018 nos treinos transmitidos pelo canal a cabo. Com brilho, diga-se.

Giaffone, por sua vez, fez Indy por anos na Bandeirantes e estava na Globo comentando F-1 há dois ou três anos, não lembro direito. O retorno à antiga casa era previsível, já que a emissora carioca ficou com pouca coisa de motor, e também representa um ótimo reforço. Giaffone, inclusive, comentou Fórmula E no SporTV no fim de semana — movimento dos mais estranhos e surpreendentes, esse do canal ir atrás dos carros elétricos.

Como se vê, a equipe de vídeo que fará F-1 na Band (aff, uma hora eu iria escrever Band…) é exclusivamente importada da Globo, assim como o produtor Jayme Brito, que cuida das operações fora do Brasil e é também marido de Mariana. Ninguém vai estranhar nada, pois.

Pode-se discutir se seria o caso de a Bandeirantes trilhar outro caminho, atrás de novos nomes, gente diferente, dar a sua cara ao produto que acabou de conquistar. Mas eram duas, as alternativas: arriscar uma “assinatura” autoral de suas transmissões com uma equipe totalmente nova, ou ir na bola de segurança com ex-globais.

Como Reginaldo já estava lá desde o fim do ano passado e Brito costurou a negociação com a emissora — portanto Mariana viria de qualquer jeito –, a primeira opção foi descartada de cara. Assim, pegar narrador e comentaristas que já trabalharam juntos transmitindo uma categoria que tem muitas particularidades — e público chato pra cacete — acabou sendo um caminho natural. Que não tem nada de ruim.

Falando como telespectador, espero que os cinco, porém, mudem seus estilos sem perder a essência. Que não queiram na Bandeirantes apenas reproduzir o que faziam na Globo. As transmissões vão precisar de ar fresco, alguma novidade. O público espera por isso.

Portanto, se soltem, meninos e menina! Tem uma página em branco na frente de cada um de vocês. Escrevam uma nova história, ainda que o tema seja o mesmo!

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ENCHE O TANQUE

Gênova, em foto enviada pelo Eugenio Chiti. Notem a propaganda política no poste à esquerda: do Partido Monarquista!

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DICA DO DIA

Linda, imperdível história da Brianezi, que voltou à vida graças ao Alexandre Badolato — um cara que tem feito coisas inacreditáveis com carros e botões.

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“FOLHA”, 100

SP 29.03.90

Da: Direção de Redação

Sobre: Editoria de Esportes

          Comunico que a partir da data de amanhã o editor-adjunto de Esportes, jornalista Flavio Gomes, está efetivado nas funções de editor.

Otavio Frias Filho

Diretor de Redação

O comunicado foi pregado com uma tachinha, como era praxe naqueles tempos, no mural de avisos que ficava no quarto andar do número 425 da alameda Barão de Limeira, região central de São Paulo, em cuja porta de entrada, afixada na fachada de pastilhas já pintadas de amarelo claro, uma placa de metal informava aos passantes que ali ficava a Empresa Folha da Manhã S.A.

As oito linhas do texto, incluindo cabeçalho e assinatura, ocupavam menos da metade da lauda de papel jornal, numerada verticalmente de 1 a 20 nas duas margens e, no alto, de 1 a 6 — encimados por sete blocos de números que determinavam a quantidade de toques por linha indicados a quem fosse datilografar alguma coisa naquela folha.

Acima dos blocos de números, um espaço exíguo para o autor escrever seu nome, a matéria e a numeração da lauda. No rodapé, as recomendações bem detalhadas: 1) Escrever à máquina em 3 espaços, bem em frente ao número das linhas e sem transpor os limites do retângulo. 2) Preencher os claros do cabeçalho da lauda e acrescentar um X (pé) à última delas, após a numeração. 3) Principiar os parágrafos a 5 espaços da margem esquerda e concluir todos eles, sempre que possível, na mesma lauda em que foram iniciados. 4) Evitar frase de mais de 5 linhas. 5) Em cada lauda, no mínimo 2, no máximo 4 parágrafos, e no mínimo 1 e no máximo 2 intertítulos. 6) Corrigir a matéria antes de entregá-la. 7) A máxima clareza nas emendas.

Já não se usavam laudas na Redação da “Folha” em março de 1990. O jornal estava informatizado e todos dispunham de terminais de computador com telas de fósforo, nos quais era possível apenas escrever e arquivar textos. Mas até pouco tempo antes, era das laudas que saíam as matérias datilografadas por repórteres e redatores que, então, passavam ao pessoal da digitação, os primeiros a usar computadores no começo da década de 1980 do século passado. Quando toda a Redação foi equipada com aqueles estranhos monitores e seus teclados semelhantes aos de uma máquina de escrever, as laudas foram sendo aposentadas aos poucos.

Digo aos poucos, porque devem ter sobrado pacotes e mais pacotes daquelas folhas numeradas e cheias de recomendações. E sendo assim, elas deixaram de ser usadas para a nobre missão de levar notícias ao mundo e foram relegadas ao ostracismo dos comunicados internos, ainda datilografados, e à serventia como rascunho. Laudalândia, o longínquo país de onde vinham as laudas, deve ter-se tornado um lugar muito triste com a decadência de seu mister. Ninguém mais se importava com sua graduação em linhas e toques, muito menos com as recomendações do rodapé.

Só que naquele dia 29 de março de 1990, a lauda presa ao quadro de avisos com suas oito linhas, incluindo o cabeçalho, era a confirmação por escrito que eu tinha virado alguém na vida. Aos 25 anos de idade, três anos e pouco depois de entrar naquele prédio pela primeira vez, passaria a comandar formalmente uma equipe de vinte e poucos jornalistas na editoria de Esportes do maior jornal do país.

Era uma quinta-feira, e eu tinha passado boa parte da semana anterior em Interlagos, que voltara a receber uma etapa do Mundial de Fórmula 1 naquele fim de semana. No dia 23, quando voltei do autódromo para o jornal, a Redação estava em polvorosa. Por volta das 15h30, agentes da Polícia Federal haviam invadido o prédio e queriam prender os diretores da “Folha” sob a acusação de irregularidades na troca de faturas emitidas em cruzados novos por outras em cruzeiros. Fernando Collor de Mello tinha acabado de assumir a Presidência da República e elegeu o jornal como um de seus inimigos.

“Considero a invasão de uma violência estúpida e ilegal. Por trás dos esbirros policiais está Collor de Mello, a quem não reconheço como presidente da República, mas como usurpador vulgar da Constituição”, declarou Otavio Frias Filho, nosso diretor de Redação, que passaria as horas seguintes debruçado sobre o teor do editorial que seria publicado na Primeira Página do sábado, 24, sob o título “A escalada fascista”.

Em dias como aquele, a iminente nomeação de um garoto de 25 anos como editor de Esportes não era exatamente o assunto dominante das conversas na Redação barulhenta, enfumaçada e vibrante da Barão de Limeira. Por isso, ninguém notou quando alguns dias depois retirei a lauda do quadro de feltro pregado na parede do hall de entrada da Redação, dobrei cuidadosamente e coloquei no bolso de trás da calça. Tampouco minha promoção era uma surpresa. Desde setembro de 1989 eu ocupava a função interinamente, porque nosso editor Alon Feuerwerker tinha sido deslocado para a editoria de Política para reforçar a equipe que fazia a cobertura das eleições presidenciais. E por lá ficara. Assim, acabei efetivado.

Gosto de estabelecer alguns nexos em episódios como esse, ainda que eles existam apenas na minha cabeça. Poucos dias depois de escrever o editorial mais eloquente da história recente do jornal, Otavio perdeu alguns minutos assinando o comunicado que me elevava ao cargo que eu imaginava o maior possível na hierarquia da “Folha” – nunca achei que tinha perfil para muito mais que aquilo.

Todos ficamos chocados com a invasão do jornal pela tropa collorida e no sábado, quando cruzei rapidamente com Otavio na Redação, disse a ele que Collor havia confirmado que iria ao GP e participaria da cerimônia de pódio, e que a única vez que isso tinha acontecido antes fora numa corrida extra-campeonato disputada em Brasília em 1974. O presidente, na ocasião, era o carniceiro Emílio Garrastazu Médici, que entregara o troféu a Emerson Fittipaldi, o vencedor. “E tem foto disso?”, perguntou. “Eu arrumo”, respondi. “Boa.”

“Boa” era a senha para “vai em frente” na “Folha”. Não foi difícil encontrar a imagem no Banco de Dados, e ela foi publicada abaixo da retranca que informava que Collor iria a Interlagos. A associação entre ele e Médici carregava alguma sutileza, mas era clara. Por isso Otavio falou “boa” quando dei a ideia, embora aquilo fosse irrelevante diante da crise entre o governo e o jornal – era apenas uma alfinetadinha, uma maneira que encontrei de, de alguma forma, mostrar que o caderno de Esportes não estava alheio a tudo que vinha acontecendo.

A “Folha” fez 100 anos hoje, e passei oito deles dentro daquele prédio. Não posso reclamar. Se minha carreira tivesse se resumido àqueles oito anos, seria alguém plenamente satisfeito com o ofício, apenas por ter feito parte daquele momento do jornalismo brasileiro. Profissionalmente, nunca trabalhei tanto. E nunca fui tão feliz.

Quando folheio meus arquivos, uma dezena de pastas com recortes de cada palavra que deixei impressa nas páginas da “Folha” entre novembro de 1986 e maio de 1994, organizados por data e editoria, mês a mês, com estatísticas inacreditáveis (em Educação e Ciência, por exemplo, onde fiquei até janeiro de 1988, publiquei 606 textos), volto no tempo com uma alegria e um orgulho infinitos.

Sinto o cheiro do papel, sujo meus dedos na tinta que parece nunca secar, escuto o ruído ensurdecedor das rotativas que ficavam no andar térreo expondo suas entranhas através de uma enorme parede de vidro, me vejo parado ali observando o jornal rodando, como fiz tantas vezes, para pegar os primeiros exemplares, conferir se estava tudo no lugar, eventualmente voltar correndo ao quarto andar para corrigir algum erro para o segundo clichê, e depois caminhando até o estacionamento nos fundos do prédio onde meu pequeno Gol branco – carro cedido aos editores – me esperava entre kombis abarrotadas com pacotes de jornal amarrados com barbante, e saía pela Barão de Limeira já escura e deserta, dobrava à direita na rua Aurora, passava em frente aos cinemas e teatros pornôs, contornava a Praça da República, pegava a avenida São Luís, encostava no meio de outras kombis que se preparavam para distribuir o “Diário Popular” saído das oficinas da Major Quedinho, sentava no balcão da lanchonete Estadão, pedia um sanduíche de pernil e um guaraná, e devorava o jornal do dia seguinte com uma satisfação de literatura – eu me sentia assim, um personagem dos livros que lia e que um dia talvez pudesse escrever.

O jornalismo é o rascunho da História, e por oito anos rascunhei um pedaço dela naquelas páginas que hoje completam um século. Nunca mais voltei ao prédio da Barão de Limeira, mas sonho frequentemente com ele, sonhos estranhos em que subo ao quarto andar por um elevador de carga que nem sei se existe, e quando entro na Redação me vejo desorientado, procurando a mesa onde me sentava, que tinha uma Olivetti Lexicon cinza embutida na qual, valendo-me das laudas de rascunho, escrevia as pautas e os relatórios diários, e as imagens vão se esfumaçando e tudo aquilo desaparece, como em qualquer sonho recorrente que nunca termina.

Alguém me contou um dia que numa das reformas pelas quais passou o quarto andar fizeram uma galeria com Primeiras Páginas históricas do passado, algumas delas devem ter sido aproveitadas entre as que ficavam penduradas na sala de reuniões – lembro de uma, não sei por quê, que anunciava que o divórcio havia sido aprovado no Brasil –, mas é claro que de 1994 para cá muitos outros eventos marcaram o jornalismo, como o 11 de setembro, a eleição de Lula, o 7 a 1 da Alemanha, as notícias vão se sucedendo, umas substituem as outras, e assim é.

Mas tem uma delas que permanece intocada, a da edição de 2 de maio de 1994, cuja manchete é a mais direta e objetiva possível, “Acidente mata Ayrton Senna”, e o texto da capa leva a assinatura do enviado especial a Imola, o menino que de alguma maneira, pois, continua lá dentro depois de tanto tempo.

Parabéns, “Folha”, pelos seus 100 anos. E obrigado por tudo.

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CAPRICHARAM!

Foto escolhida a dedo: Sérgio Maurício em Jacarepaguá, seu habitat

SÃO PAULO (quase pronta!) – Não conheço Sérgio Maurício pessoalmente, mas todos que convivem com ele afirmam: é aquele sujeito muito boa praça com quem deve ser uma delícia tomar uma cerveja num boteco. E tem rejeição zero, não só entre jornalistas, como no meio das corridas e no público em geral. De quebra, é muito competente, ótimo no ar, sabe do que está falando, tem ritmo, usa o humor na medida certa, tem boa voz, é antenado e culto.

Diante de tudo isso, palmas para a Bandeirantes na escolha de quem vai narrar as corridas de F-1 nas duas próximas temporadas, pelo menos. A equipe vai tomando forma e ninguém vai estranhar muito, porque ela é toda oriunda da Globo — que transmitiu a categoria nos últimos 40 anos. Falta apenas um segundo comentarista, muito provavelmente um ex-piloto, e as especulações apontam para três nomes: Rubens Barrichello, Felipe Giaffone e Max Wilson. Os três também foram globais, e por isso nem dificuldade de entrosamento haverá.

Sérgio ainda não confirmou oficialmente a mudança para a Bandeirantes, possivelmente por questões contratuais. Tinha gente que achava que ele iria hesitar em sair da Globo, mas acho que fez muito bem. Nos últimos anos, associou seu nome de tal forma à F-1 que com a saída da categoria da emissora carioca acabaria ficando órfão na antiga casa. E os rumos da Globo andam meio confusos no que diz respeito a direitos de transmissão de modalidades esportivas. a F-1 é um porto seguro para Sérgio, que terá a possibilidade de narrar corridas em canal aberto, o que é sempre um sonho de quem milita no universo do automobilismo.

“No capricho” é o bordão do novo narrador da Bandeirantes. Que caprichou na contratação. Vai ser ótimo ver os GPs com ele. Boa sorte, garoto!

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