Flavio Gomes quinta-feira, 2 de abril de 2026 22:43 14 comentários
Como a Ford e a Mercedes contribuíram com os assassinos da ditadura militar argentina (1976-1983), nos textos de Esteban Viu. Lá o povo diz “nunca más” o tempo todo. Aqui, metade da população quer a volta desse período de sombras e crimes.
Flavio Gomes segunda-feira, 30 de março de 2026 21:05 40 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Pobre Antonelli, no dia dele o cara escolhe uma foto do Bearman!
SÃO PAULO (é o fuso) – O GP do Japão será lembrado como aquele em que Kimi Antonelli se tornou o mais jovem líder da F-1 de todos os tempos. OK, é merecido. Mas Kimi, o italianinho, vai nos perdoar no futuro. O jornalismo é o rascunho da História. O acidente de Oliver Bearman, no futuro, terá mais consequências para a categoria que a simpatia do piloto da Mercedes em Suzuka. Porque a F-1 terá de mudar alguma coisa. Ela foi avisada pelos pilotos mais experientes: vai dar merda. Não deu ouvidos. O inglês da Haas poderia ter se arrebentado.
Não importa quem — e se — alguém errou nesse acidente. Vi alguns vídeos de patetas dizendo que o acidente não teve nada a ver com o regulamento, que um apertou um botão errado, que o outro errou a marcha, teses estapafúrdias que desaguam na culpabilidade. Brasileiro adora arrumar um culpado para tudo. (Por que esses vídeos aparecem no meu celular do nada? Eu só vejo vídeos de imobiliárias em João Pessoa!)
O resumo da ópera é o seguinte: se numa corrida de carros da mesma categoria dois deles chegam no mesmo ponto de um circuito com velocidades tão distintas sem que nenhum deles esteja quebrado, tem alguma coisa errada. Com as regras, não com os pilotos.
E quando isso acontece, vai dar merda, porque não estamos falando de Gol Bolinha x Voyage Chinesinho, que se esgoelam, quando tudo dá certo e com vento de proa, a 170 km/h. Estamos falando de carros de F-1, que ultrapassam os 350 km/h.
A hora que morrer alguém, como escrevi domingo, vão chorar no caixão.
Kimi na ponta: pode mandar emoldurar
Eis as classificações do Mundial depois de três etapas. Quem mais subiu foi Piastri, que estava na roça com três pontinhos da Sprint na China. “Quando a gente larga, até que vai bem”, brincou o australiano. Isso porque nos GPs principais de Melbourne e de Xangai, não deu nenhuma volta. A segunda colocação do maclariano foi sólida, construída a partir de uma boa largada e com um ritmo bem aceitável. Ganhar da Mercedes, mesmo sem o safety-car que jogou Antonelli na ponta, não sei se daria. Ele disse que sim.
Lando Norris, em compensação, está apagadíssimo. O campeão mundial terminou a corrida em quinto. Anda macambúzio pelo paddock. Tanto que ninguém lembra que é campeão mundial.
Piastri, P2: australiano finalmente largou
Sobre a precocidade do menino Antonelli, falamos bastante domingo. Os dados históricos, inclusive, já foram anotados: líder do Mundial aos 19 anos, 7 meses e 4 dias de idade. A quebra de tabus italianos, idem. Foram necessários 73 anos para que um piloto da Bota ganhasse duas corridas seguidas de novo. Alberto Ascari fez isso nos GPs da Holanda e da Bélgica de 1953 pela Ferrari. Alguns meses depois, sempre em 1953, Giuseppe Farina e Ascari ganharam na Alemanha e na Suíça, tendo sido essa a última sequência de duas vitórias italianas na F-1.
Aqui é bom lembrar que a Itália, na F-1, se destaca muito mais por suas equipes — Ferrari à frente — do que pelos pilotos. Tanto que apenas dois foram campeões mundiais, e no alvorecer da categoria: Farina em 1950, Ascari em 1952 e 1953. Embora 16 pilotos italianos tenham vencido GPs na história, o que coloca o país em segundo lugar no número de vencedores, no ranking geral a Itália aparece apenas em oitavo no número de vitórias, com 45. À frente dela estão Reino Unido, com 326 vitórias de 21 pilotos diferentes (aqui entram ingleses, escoceses e norte-irlandeses), Alemanha (179 de sete pilotos), Brasil (101 de seis), França (81 de 14), Holanda (71, todas de Max Verstappen), Finlândia (57 de cinco) e Austrália (52 de cinco).
Antonelli em Suzuka: líder mais jovem, tabu italiano quebrado
Falamos muito das duas vitórias, mas pouco das duas poles seguidas de Antonelli. Não são muitas, claro, apenas duas, mas apenas outros três pilotos fizeram suas duas primeiras poles de forma consecutiva na categoria: Ayrton Senna em 1985 (Lotus, Portugal e San Marino), Michael Schumacher em 1994 (Benetton, Mônaco e Espanha) e Lewis Hamilton em 2007 (McLaren, Canadá e EUA).
Já a Mercedes não conseguia três primeiras filas seguidas no grid desde 2020, com a sequência Nürburgring/Portimão/Ímola.
A FRASE DE SUZUKA
“Esses meninos hoje em dia aprendem a dirigir e tiram carteira de motorista com carros automáticos na autoescola. Então temos de ensiná-los a soltar a embreagem devagar.”
Toto Wolff, chefe da Mercedes, sobre a má largada de Antonelli
Antonelli: autoescola atrapalha na largada
Quem claramente não gostou nada do que aconteceu no Japão foi George Russell. Na modesta opinião deste nada modesto escriba, ele continua sendo o favorito ao título. É bom, inteligente, bonitão, educado e experiente. Está na oitava temporada, de bobo não tem nada, foi forjado nos corredores mercêdicos, é claro que chegou sua hora. O problema é que se Antonelli emplacar mais uma vitória, o que está longe de ser impossível, talento, inteligência, beleza, educação e experiência serão substituídos, em conjunto, por um buraco sem fundo. Por isso Toto Wolff foi a ele depois da corrida para trocar algumas palavras e evitar que o rapaz entre em parafuso. A própria Mercedes divulgou o vídeo.
Não é muito comum expor essas intimidades, ainda que a ideia inicial possa ter sido minimizar a derrota com algumas explicações que até podem fazer sentido — acerto errado na classificação, botão apertado em hora imprópria (junto com uma troca de marcha, o que enlouquece o sistema), recuperação de energia falha. A impressão que me passou foi mais de fraqueza do que qualquer outra coisa. Isso que vocês, internautas, chamam de “sentir a pressão” — algo que eu jamais escrevo.
Só sei que no comunicado de imprensa da Mercedes Russell não deu os parabéns a Antonelli, ele que é tão bem nascido e mimoso.
O NÚMERO DO JAPÃO
88
…voltas na liderança tem Antonelli nesta temporada, considerando apenas as corridas principais (nas estatísticas, as Sprints não entram). Depois dele vêm Russell (36), Charles Leclerc (23), Piastri (16) e Hamilton (4).
Falemos da TV, agora. Começando, para provar que não estou de má vontade com ninguém, com o bom número de audiência obtido pela Globo na madrugada. Pico de 5,3 e média de 5 pontos no ibope-que-não-se-chama-mais-ibope. É que “ibope” já virou sinônimo de medida de audiência e, desconfio, é termo incorporado ao léxico brasileiro. Quem mede é outro instituto com outro nome, nem sei se o Ibope existe, ainda.
Sobre a transmissão em geral, fiz um vídeo muito bom para a “Foi o Que eu Disse TV” (faço vídeos semanais). Está aí embaixo.
Sim, volto a tocar no tema Ayrton Senna. Que é o único tema que a Globo e suas filiais do Caburaí ao Chuí conseguem resgatar para falar da história da F-1, numa veneração insuportável e descabida.
Não vou repetir aqui o que disse no vídeo. Mas vou aproveitar o ensejo para explicar quem é, afinal, o cabra que a Mariana Becker entrevistou com um capacete dito original de Senna de 1994. Quem viu o breve quadro de curiosidades que ela, aparentemente, vai apresentar antes dos GPs, ficou sem saber quem é o sujeito, de onde veio, o que estava fazendo no Japão, quanto pagou no objeto que, segundo Becker, era “onde ele colocava a cabeça”.
Trata-se do canadense Darren L. Jack, um colecionador de memorabilia de automobilismo que juntou tanta coisa que montou um enorme museu. O capacete, aparentemente, vale mais de um milhão de trumps. O cara tem um site, também, que vende todo tipo de tranqueira relativa ao mundo das corridas. Tem desde boné assinado por Pierre Gasly por US$ 250 a macacão de Nigel Mansell de 1986 por US$ 50 mil. Como se vê, o cara coleciona, pero no mucho. Se abrir a carteira, leva o tal do capacete “onde ele colocava a cabeça”.
Eu não vendo nada.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da Alpine de Pierre Gasly, que já marcou 16 pontos nesta temporada — 15 deles do francês, sétimo colocado em Suzuka. No ano passado, a equipe rosa e azul levou 12 etapas para chegar a 17 pontos e terminou o ano com apenas 22, em último. Agora com motores Mercedes, já está sendo chamada de “quarta força” do campeonato, atrás apenas de Mercedes, Ferrari e McLaren. OK, quem falou isso foi Flavio Briatore, o chefe. E o time está em quinto na classificação. Mas está valendo.
Gasly (esq.) e Bortoleto: Alpine bem, Audi mal
NÃO GOSTAMOS… da Audi, que estava andando bem em todos os treinos, mas na corrida não fez nada. Criou-se até um mal-estar entre Mattia Binotto e Gabriel Bortoleto, que criticou a falta de velocidade de seu carro nas retas e foi acusado de apertar o tal do botão “Boost” quando não devia, perdendo energia.
Flavio Gomes domingo, 29 de março de 2026 6:25 77 comentários
O gesto de Antonelli imitando Usain Bolt: nova marca registrada?
SÃO PAULO(chega suado e veloz do batente…) – Kimi Antonelli fez história de novo. Adoramos escrever “fez história”. Quando a história é efetivamente feita, claro. No caso, a história do moleque é essa: tornou-se o mais jovem líder de um Mundial de F-1 desde os tempos dos dinossauros. Aos 19 anos, 7 meses e 4 dias de tenra idade, o italiano da Mercedes assumiu a ponta da classificação ao vencer o GP do Japão, em Suzuka. Foi sua segunda vitória na carreira, a segunda seguida.
E vamos logo passar a régua nos números e nas façanhas do menino para não esquecer nada. O recorde anterior de liderança precoce pertencia desde 2007 a Lewis Hamilton, que com um segundo lugar na Espanha pulou para o primeiro lugar no campeonato com 22 anos, 4 meses e 6 dias de vida. A vitória no Japão levou Antonelli aos 72 pontos, contra 63 de seu companheiro George Russell, quarto colocado na corrida da madrugada. Kimi deu à Itália duas vitórias seguidas pela primeira vez desde 1953. Isso mesmo, 1953, ano em que a rainha Elizabeth foi coroada, a Petrobras foi criada e a TV Record foi fundada. Pelé jogava bola no Baquinho de Bauru, faltavam quatro anos para a URSS lançar seu primeiro satélite ao espaço e o homem só chegaria à Lua 16 anos depois. Em 1953, Giuseppe Farina venceu o GP da Alemanha e na corrida seguinte, na Suíça, a vitória foi de Alberto Ascari. Depois disso, nunca mais a Bota comemorou dois triunfos consecutivos na categoria.
O pódio em Suzuka: McLaren, Mercedes e Ferrari
A terceira etapa do Mundial teve no pódio, junto de Antonelli, o australiano Oscar Piastri, da McLaren, e o monegasco Charles Leclerc, da Ferrari. A Mercedes venceu todas as corridas do ano até aqui, incluindo a Sprint da China. Assim, lidera entre as equipes com 135 pontos. A Ferrari é a segunda colocada com 90.
A vitória de Antonelli, quando se olha para a classificação final da prova, foi bem tranquila. Ele recebeu a bandeira quadriculada 14s antes de Piastri. Mas o início não foi dos mais sossegados. Os dois carros da Mercedes, que estavam na primeira fila pela terceira vez no ano, largaram como se seus pilotos tivessem engatado a quarta marcha, em vez da primeira. Já tentou sair do lugar em quarta? Pois é.
(Claro que a pergunta é direcionada a motoristas que ainda engatam marchas manualmente. Como nunca tive carro automático, parto do princípio — equivocado — de que todo mundo sabe o que é alavanca de câmbio, engatar marcha, pedal de embreagem. Mas quase todo mundo hoje prefere carro automático, já há mais de uma geração que só sabe o que é D, P e R, uma chatice inventada por brasileiros, inclusive, e adotada muito rapidamente pela indústria automotiva estadunidense. Por isso, inclusive, sempre atribuí à burrice dos americanos a popularidade do câmbio automático, um troço mais chato, inclusive, do que escutar o Luciano Burti falando de macarrãozinho. A propósito, ele falou, hoje? Não assisti pela Globo. Não deve ter falado, porque ninguém teve problema de pneu.)
Início de prova: dupla da Mercedes despenca após má largada
A largada anêmica dos mercêdicos empurrou Antonelli para sexto e Russell, para quarto. Piastri e Leclerc vieram como dois foguetes e assumiram as duas primeiras posições. Gabriel Bortoleto caiu de nono para 13º e seu companheiro Nico Hülkenberg, de 13º para 19º. A Audi, histórica rival alemã da Mercedes, resolveu largar tão mal quanto.
A dupla que estava na primeira fila, então, teve de começar a remar para recuperar o que havia perdido com a partida vagarosa. Decidido, seu Jorge passou Lando Norris e Chaleclé e na quarta volta se colocou em segundo, enquanto Kimi sofria um pouco mais, empacado na quinta colocação. Era o melhor cenário do mundo para o inglês. Quando seu companheiro conseguisse se livrar dos chatos à sua frente, ele já estaria bem distante, podendo controlar o ritmo da corrida.
No fim da oitava volta, Russell foi buscar a liderança e passou Piastri na chicane, aquela chicane onde Senna blá-blá-blá. Mas, com menos bateria, foi repassado pelo tagarela maclariano no fim da reta dos boxes. O que havia funcionado contra Norris e Leclerc não se repetiu com Oscar. Paciência. Charlinho, Landinho e Kimi, o italianinho, vinham um pouco mais atrás, os três colados, mas evitando tentativas suicidas e/ou condicionadas pela energia disponível que os painéis de seus carros indicavam. Isso quando a corrida já atingia sua primeira dezena de voltas.
Algumas das disputas ioiô: ferraristas se tocaram
Antonelli finalmente deixou Norris para trás no fim da volta 11, assumindo a quarta colocação. Lando não deu o troco. Piastri, Russell, Leclerc, Antonelli, Norris, Hamilton, Pierre Gasly, Max Verstappen, Esteban Ocon e Arvid Lindblad eram os dez primeiros na volta 14. Gabriel aparecia em 14º.
(Verstappen é aquele mesmo, tetracampeão mundial e melhor piloto do planeta na atualidade. Mas ele largou em 11º e está de mal com a vida. Por isso, mal será mencionado no relato de hoje. E porque não fez nada de muito espetacular, mesmo, exceto insinuar, mais uma vez, que ninguém deve se espantar se ele desaparecer de repente e começar a postar fotos fazendo trilhas no Nepal ou dando a volta ao mundo numa Kombi.)
Verstappen após a corrida: deixando a F-1?
A McLaren surpreendia com Piastri na ponta. Depois do ioiô na oitava volta contra Russell, ficou com o “iô” definitivo e abriu mais de 1s3 sobre o inglês da Mercedes. Novo troca-troca aconteceu na volta 16, quando Antonelli passou Leclerc na mesma chicane e perdeu a posição de novo no meio da reta, com menos bateria que o monegasco. Ficou tudo como estava, Charles em terceiro, Kimi em quarto.
Na volta 17, Norris parou para trocar pneus, abrindo a janela de pit stops. Todos tinham largado com médios, exceção feita a Bottas, que escolheu os duros. A tática era padrão: uma parada, tirar os médios e colocar os duros (ops!) e seja o que a Pirelli quiser. Leclerc foi chamado na 18ª. Piastri, na 19ª. Russell e Antonelli, assim, ficaram em primeiro e segundo – suas posições naturais em 2026. George tinha 3s de vantagem sobre o companheiro de equipe.
Oscar voltou em sexto, com Leclerc em sétimo e Norris em oitavo. Ninguém podia perder muito tempo, porque os dois carros da Mercedes, de cara para as cerejeiras floridas, tendiam a abrir do resto do pelotão, para tentar voltar de seus pit stops na frente de todo mundo. Era o que indicava a lógica. George parou na volta 21. Não conseguiu, porém, ganhar a posição de Piastri no box e voltou atrás dele. Aí, sua sorte começou a mudar de vez. Na hora em que saía dos boxes, Oliver Bearman bateu. O safety-car foi acionado. Antonelli, que assumira a liderança quando Russell parou, foi chamado para trocar seus pneus. Hamilton e Gasly, segundo e terceiro, também foram para os boxes. Todos se deram muito bem. Lewis ganhou duas posições, nessa brincadeira. E Kimi se manteve em primeiro.
A batida de Bearman e o alerta de Sainz: está perigoso
O acidente de Bearman foi muito violento. Ele se deparou com Franco Colapinto num trecho de alta velocidade, antes da curva conhecida como Colher, e o argentino perdeu potência de repente, por causa do diabo da bateria descarregada. O inglês da Haas jogou o carro na grama para não encher a traseira da Alpine, perdeu o controle e foi direto numa barreira de pneus. Saiu mancando do carro. A equipe, mais tarde, informou que ele não quebrou nada e só teve uma contusão no joelho. A FIA disse que Franco estava a 174 km/h. Bearman, a 262 km/h. O impacto foi equivalente a 50G. “Isso vai acontecer direto”, alertou Carlos Sainz, da Williams. “Tem gente que está achando legal. Não, não é legal.”
Parabéns a quem inventou esses motores de merda. Quando morrer alguém, vão chorar no caixão.
Russell, pelo rádio, lamentou seu azar. “Vejam, tenho sido extremamente desafortunado nas duas últimas corridas. O safety-car foi acionado justo quando eu saía dos boxes após a excelente troca dos pneumáticos de meu carro. Por isso meu jovem companheiro pôde parar sem perder tanto tempo, com a bandeira amarela que nos alerta sobre perigos na pista. Bafejado pela sorte, o bambino. Bambino é garoto em italiano, não? Tenho aprendido algumas palavras em italiano, acho simpático para conversar com ele e sua simpática mamma. Kimi é um bom menino e tem uma família ótima. Ah, se eu tivesse esperado mais uma volta… Mas como saber, não é mesmo? É impossível adivinhar o futuro. By the way, quem foi que bateu?” “Ollie”, respondeu alguém. “Oh, Ollie… Outro jovem. Impetuoso, destemido. Espero que esteja bem. Mas precisa dar um jeito naqueles dentões. Vocês sabem, piloto de F-1 tem de zelar pela boa aparência. Nem todos têm olhos azuis como bolas de gude e cabelos naturalmente ondulados como os meus. Precisam de uma ajudinha, se é que me entendem. Eu indicaria a ele um bom dermatologista para ver aquela acne, também.” “Do que ele está falando?”, perguntou Toto Wolff. “Espinhas”, respondeu o engenheiro.
Safety-car na pista: Antonelli, de repente, vira líder
O safety-car saiu no fim da volta 27 com Antonelli, Piastri, Russell, Hamilton, Leclerc, Norris, Gasly, Verstappen, Liam Lawson e Bortoleto nas dez primeiras posições. O brasileiro também tinha parado sob bandeira amarela, galgando alguns postos. Na relargada, Lewis atacou Russell e passou o desafortunado dos olhos de bola de gude, assumindo o terceiro lugar e partindo para cima de Piastri. Antonelli, esperto, escapou na liderança.
No passa-e-repassa mais para o meio do pelotão, Bortoleto foi superado por Ocon e Hülkenberg, mas Hulk ficou sem bateria depois de passar o brasileiro. Enquanto procurava o carregador, foi ultrapassado pelo companheiro, por Isack Hadjar e por Lindblad. Aí carregou a bateria e repassou o estreante da Pode Parcelar em Três. Aquelas coisas desta F-1 mezzo elétrica, mezzo turbo: passa, descarrega, é ultrapassado, carrega de novo, passa outra vez e beleza, vamos em frente que atrás vem gente.
Na altura da volta 35, a 18 do final, Russell já se convertera em decepção do dia, encaixotado entre Hamilton e Leclerc na quarta colocação sem conseguir atacar a Ferrari #44. Suzuka se mostrava uma pista difícil de ultrapassar com qualquer regulamento. O tal do botão de ultrapassagem não estava servindo para nada. O “boost”, outro botão introduzido neste ano, tampouco. Aliás, essas duas novas bossas do regulamento de 2026 foram relegadas à indiferença tanto da transmissão da TV nas informações disponíveis na tela, quanto dos narradores e comentaristas britânicos da F1TV – vou lembrar que assisti à prova no aplicativo, obviamente, ou seja, vou te dizer que não vi na Globo.
Parte da turma dos pontos em Suzuka: Gasly bem de novo
Leclerc insistiu, insistiu e acabou passando Russell na volta 37, partindo para cima de Hamilton. George, efetivamente, vivia um domingo pouco auspicioso depois da infelicidade no pit stop. Antonelli, por sua vez, tinha desaparecido na frente com a segurança de um veterano. Parecia ter 19 anos de F-1, não de idade.
Hamilton e Leclerc, entrando na reta final da corrida, travavam a briga do momento. Valia pódio. Chaleclé atacou o parceiro no fim da volta 41. Não conseguiu. Chegaram a se tocar. Nos “esses” de alta, arriscou e passou. Foi a ultrapassagem mais bonita do dia. Russell se animou um pouco, viu como o monegasco tinha feito e, na volta seguinte, fez o mesmo. Passou Lewis e foi para quarto.
Na volta 51, George passou Leclerc e Norris passou Hamilton. Metros depois, Leclerc passou George e Hamilton passou Norris. No Reino Divino das Baterias, São Duracell celebrou com Santa Ray-O-Vac o sucesso de seu rebanho. A satisfação só não foi plena porque Lando insistiu e, na volta seguinte, ganhou a quinta posição do inglês da Ferrari.
Os dez primeiros e Kimi, mais jovem líder da história
Antonelli, Piastri, Leclerc, Russell, Norris, Hamilton, Gasly, Verstappen, Lawson e Ocon foram os dez primeiros. Bortoleto viu a quadriculada em 13º. Kimi, na primeira entrevista pós-vitória, reconheceu que sua largada foi “desastrosa”, disse que “é cedo para pensar em campeonato” e admitiu que teve sorte no safety-car. “Mas o ritmo depois disso foi incrível”, derreteu-se, enamorado do W17. W17 é o nome do carro da Mercedes.
A categoria agora faz uma pausa forçada de mais de um mês. As corridas do Bahrein e da Arábia Saudita, marcadas inicialmente para 12 e 19 de abril, foram canceladas por causa da guerra deflagrada pelo lunático Donald Trump contra o Irã, em conluio com os assassinos do governo israelense. A temporada será retomada no começo de maio, com o GP de Miami – segunda etapa com Sprint do ano.
ATRASO – O GP do Japão começou com dez minutos de atraso por causa de um acidente feio na preliminar da Porsche Cup. Um carro decolou no outro, levantou voo, arrebentou o alambrado e quase caiu em cima de torcedores. Felizmente o piloto não se machucou. Mas a proteção teve de ser refeita, o que demorou mais do que se esperava.
Alonso: levou a carroça até o final
TERMINOU – Registremos a alegria de Fernando Alonso, que terminou a primeira corrida do ano pela Aston Martin. O espanhol, que se tornou pai de um menino na semana passada, falou que a equipe vai levar umas dez corridas para resolver seus problemas. Esforçou-se para levar o carro até o fim. Tem sido muito profissional e evita criticar a Honda ou o time. Mas dificilmente segue a carreira no ano que vem. Vai fazer 45 anos em julho. Não tem mais idade para ficar se arrastando numa cadeira elétrica de uma F-1 que considera desagradável. “Ninguém precisa ter nenhum talento especial. Hoje você vem numa velocidade, o carro da frente diminui de repente porque acaba a bateria, e aí ou você se arrebenta na traseira do cara, ou passa ele. Isso é manobra evasiva, não ultrapassagem”.
Boné da Audi salvo na Globo: agradecimentos no guichê ao lado
SOS BONÉS – Peguei o finalzinho da transmissão da Globo e não pude deixar de notar que o cinegrafista, hoje, não cortou o logotipo do boné de Bortoleto. Antes tarde.
Flavio Gomes sábado, 28 de março de 2026 5:50 44 comentários
Antonelli: segunda pole seguida em 2026
SÃO PAULO(o menino cresceu) – Andrea Kimi Antonelli larga na pole para o GP do Japão, em Suzuka. A Mercedes lacrou a primeira fila de novo, com George Russell em segundo. Nada de novo no front. Três corridas, três primeiras filas. Quatro, se formos contar a Sprint da China. Como a McLaren deu o ar da graça depois do fiasco de Xangai – nenhum dos dois pilotos largou –, o terceiro lugar no grid ficou com ela, cortesia de Oscar Piastri. Com ele divide a segunda fila o monegasco Charles Leclerc, da Ferrari. Gabriel Bortoleto fez uma boa classificação, avançou ao Q3 e parte da nona colocação com a flecha de prata da Audi.
A classificação para a prova de Suzuka aconteceu de novo com temperatura baixa, 16°C, e o sol foi embora, deixando o sábado nublado e cinzento. Teve boas surpresas entre os dez primeiros – além de Bortoleto, Pierre Gasly em sétimo, Isack Hadjar em oitavo e Arvid Lindblad em décimo. E uma grande decepção: Max Verstappen em 11º, sem conseguir levar a carroça da Red Bull ao Q3. O holandês está até agora maldizendo o novo regulamento da F-1, o projetista do seu carro e todos os descendentes de Henry Ford. Se pudesse, pegava um trem-bala em Nagoia, parava em Narita, entrava num 747 da JAL e sumia no mundo.
Ah, a mudança de regra para a classificação – redução da entrega de potência de 9 para 8 megajoules na hora de carregar as baterias – foi percebida por zero pessoa. E compreendida por menos gente ainda. Vamos à pista, agora.
Kimi (no terceiro treino livre): domínio da equipe alemã
“Muito tráfico”, diria um narrador com quem trabalhei em passado remoto. Foi assim o Q1, e sempre será, com 22 carros na pista, alguns deles muito lerdos por natureza — outros, mais ainda em suas voltas preparatórias para aquecer pneus e freios, modular a carga das baterias, regular o ar-condicionado e equalizar o som no Tojo.
Mas Q1, em 2026, não reserva muitas surpresas. O “tráfico” acaba não sendo decisivo. Só dá zebra se o sujeito não conseguir sair dos boxes, ou tiver dor de barriga antes de ir à pista. Isso porque Williams, Cadillac e Aston Martin são quase fixas na zona de eliminação. A Williams, porque fez um trabalho porco no novo carro e começou o ano com um lastro de 30 kg. É como se Carlos Sainz e Alexander Albon carregassem 15 garrafas de Dolly de dois litros dentro do cockpit. Peso em carro de corrida cobra um preço. No caso, faz andar devagar. A Cadillac porque é novinha, coitada. Tudo é mais difícil. E a Aston Martin porque quem desenhou o carro esqueceu de perguntar a quem faz o motor se ele é encaixado no chassi na frente ou atrás do câmbio.
Piastri, terceiro: australiano vem bem no Japão
Às vezes, porém, alguém se mete ali no meio e outro alguém faz um milagre. Hoje o milagre foi de Sainz, que passou ao Q2 com a Williams. E quem se juntou aos degradados foi Oliver Bearman, da Haas – surpreendente, tratando-se do quinto colocado no campeonato. A ordem dos eliminados, a partir do 17º, foi a seguinte: Albon, Bearman, Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Fernando Alonso e Lance Stroll. Nas primeiras posições, Leclerc com 1min29s915, Russell, Antonelli, Piastri, Lewis Hamilton e a valente dupla da Audi, com Nico Hülkenberg em sexto e Bortoleto em sétimo. É o melhor fim de semana quatrargólico na temporada, até agora, com presença constante de seus dois pilotos entre os mais rápidos.
O Q2 já era outra história. Três equipes não teriam problema algum para avançar – Mercedes, Ferrari e McLaren –, mas as outras precisariam lutar por décimos e centésimos de segundo. Qualquer deslize poderia ser fatal. Apesar do favoritismo, quem não repetia até ali o mesmo desempenho dos treinos livres era a Mercedes. “Veja bem”, entrou Russell no rádio. “Alguma coisa se passou com nossos carros. Não me parece natural esta perda de performance repentina. Havíamos começado tão bem o fim de semana! Quando chegava ao autódromo, hoje, as cerejeiras floridas me inspiraram tanto! Mas aquele clima de harmonia oriental em nossa garagem, de uma hora para outra, desapareceu. O que pode estar acontecendo?” Toto Wolff perguntou ao engenheiro do que George estava falando. “Das cerejeiras”, respondeu o funcionário da equipe.
Bortoleto, nono: ótima classificação
No fim da segunda parte da classificação, porém, Antonelli deu um um clique no carro e fez o melhor tempo do fim de semana: 1min29s048. Leclerc foi o segundo e junto com eles se classificaram Piastri, Hamilton, Russell, Lando Norris, Gasly, Bortoleto, Hadjar e Lindblad. Ficaram fora Verstappen, Esteban Ocon, Hülkenberg, Liam Lawson, Franco Colapinto e Sainz.
Há, claro, que se observar uma ou outra coisinha aqui. A começar por Max. Vencedor e pole dos últimos quatro GPs do Japão, o holandês, que está odiando a vida, caiu no Q2. Hadjar, seu jovem companheiro franco-argelino, avançou. Hulk decepcionou, depois de andar lá na frente o tempo todo. Na hora em que precisava, espanou o parafuso. E Lindblad, 18 anos, estreante, que perdeu um treino inteiro ontem por problemas de câmbio e meteu tempo no metido Lawson, passando ao Q3 com autoridade. Além de Gasly, claro, de quem sempre falamos: anda mais que o carro e é subestimado; apenas um francesinho contra esse mundão todo.
Red Bull, Ferrari, McLaren, Mercedes e Leclerc: sábado em Suzuka
Antonelli disse a que veio na primeira leva de voltas do Q3: 1min28s778, baixando ainda mais o melhor tempo do fim de semana nipônico. Russell, o das cerejeiras, bateu a ampulheta 0s298 atrás, em segundo. OK, era uma primeira fila provisória, mas a diferença entre os dois chamava a atenção. Piastri e Norris vinham atrás deles, com Leclerc e Hamilton na terceira fila temporariamente. A primeira volta de Bortoleto, com pneus usados, colocou o brasileiro em nono.
Bater Kimi seria difícil. Dificílimo. Complicadíssimo, eu diria. O menino, que ganhou sua primeira corrida há duas semanas, na China, já começa a incomodar seu Jorge. Que cometeu um erro em sua segunda volta rápida e ficou com o tempo da primeira. Na segunda saída de todo mundo, aliás, só Leclerc, Gasly e Bortoleto melhoraram seus tempos. Nem Antonelli superou Antonelli.
O grid em Suzuka: mais uma primeira fila da Mercedes
Kimi larga na pole pela segunda vez consecutiva. Piastri ficou em terceiro a 0s354 dele, seguido por Leclerc (diferença de 0s627), Norris (0s631), Hamilton (0s789), Gasly, Hadjar, Bortoleto e Lindblad.
Que bom que uma Ferrari ficou na segunda fila, para garantir a diversão na largada e os vídeos no TikTok da nova geração de fãs da categoria, aqueles que não têm paciência de ver corridas de uma hora e meia de duração. Chaleclé e Lewis vão disparar feito um raio, ganhando posições e brigando com carros melhores que os deles por umas dez voltas. Isso vai durar até Antonelli e Russell se aprumarem, caminhando para mais uma dobradinha.
Assim será.
MANDA QUEM PODE – A F-1 cancelou os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, marcados para abril, por causa da guerra do consórcio assassino EUA-Israel contra o Irã. Aquela região do planeta não é muito segura para nada, hoje em dia. Mas os sauditas não desistiram de sua corrida. Como diria Téo José, querem porque querem o GP, mesmo que ele seja deslocado para o fim do ano. A categoria pode remanejar algumas datas para acomodar Jedá no calendário. Isso, claro, se o conflito não continuar indefinidamente. É bom lembrar que a Arábia Saudita tem forte presença na F-1 como um todo e despeja rios de dinheiro nela. Via Aramco, sua petrolífera estatal, patrocina o Mundial e tem sociedade na Aston Martin. Fora o resto, tipo presentinhos.
Equipe global na F-1: velhos (e novos) erros
PÉSSIMO INÍCIO – A Globo transmitiu a classificação de Suzuka em TV aberta como nos velhos tempos: abertura cinco minutos antes, encerramento da jornada quase junto com a bandeira quadriculada. Uma pressa de ir embora que dá até gosto. O Sportv, pelo menos, mostrou as entrevistas dos três primeiros no grid.
ENGANA QUEM? – Novamente a dupla global “in loco”, neste GP formada por Marcelo Courrege e Mariana Becker, teve de se desdobrar para aparecer na matriz e na filial antes do início da sessão. O que resultou numa situação esquizofrênica: nos dois canais eles surgiam ao mesmo tempo dizendo coisas diferentes com a rubrica “ao vivo” na tela. Na boa, a emissora realmente acha que engana alguém com esses “falsos vivos”, para usar o jargão da TV? Pega muito mal. Muito.
ATUAÇÕES – Mariana atuou como comentarista na Globo e não no Sportv, que quando a bola começou a rolar ficou apenas com a equipe no estúdio. Becker foi mal de novo na nova função. Em suas participações, ela não sabe se reporta ou analisa, se comenta ou tenta ser engraçada. Everaldo Marques, o narrador titular, não comete erros mas tem sido muito repetitivo. Alguém precisa dizer a ele — eu estou dizendo — que Gabriel Bortoleto é brasileiro apenas uma vez numa transmissão. Não é necessário falar “o brasileiro Gabriel Bortoleto” cada vez que for citar o cabra. Depois da primeira, basta “Bortoleto”. Ou “Gabriel”. Ou “o brasileiro”. Ou “o piloto da Audi”.
TREINO É TREINO – No canal a cabo, Felipe Giaffone melhorou um pouco o nível dos comentários, mas está pouco à vontade com seus novos colegas. Já o jovem narrador Bruno Fonseca tem de ser orientado. Não se narra treino como se fosse corrida. Se você está narrando um treino no mesmo tom e ritmo com que narra uma corrida, em um dos dois está fazendo errado. Porque treino é treino e jogo é jogo, como dizia Didi. E ele precisa parar de repetir “setor” a cada cinco segundos — parece que é a única leitura que consegue fazer de uma volta, os tais dos setores, que em treinos livres têm pouca ou nenhuma importância.
Bortoleto e Norris: bonés cortados
O PASSADO CONDENA – Mas o pior veio depois da classificação. Por enquanto, só foi visto no Sportv — mas as imagens serão usadas na TV aberta, também. Como nos velhos e piores tempos, o cinegrafista global foi orientado a cortar da imagem os logotipos que aparecem nos bonés dos pilotos. Para isso, tem de fechar o zoom na cara do entrevistado num grau que dá para contar até os cravos no nariz do coitado. Pouca gente percebe essas coisas, mas eu não sou bobo e sei exatamente o que está sendo feito. As duas imagens aí em cima, feitas no aconchego do meu lar, não me deixam mentir: sumiram as quatro argolas da Audi da cabeça de Bortoleto e até o símbolo da McLaren da bombeta de Norris. Uma terceira entrevista, de Verstappen, também cortou o logo da Red Bull. Mas essa eu não fotografei. A capacidade da Globo de ser babaca é infinita.
Flavio Gomes sexta-feira, 27 de março de 2026 4:45 15 comentários
Piastri: McLaren dá sinal de vida
SÃO PAULO(sem sal) – O primeiro dia de atividades para o GP do Japão, em Suzuka, teve como novidade o bom desempenho da McLaren, que nem chegou a largar no GP da China, duas semanas atrás, com problemas nas baterias de seus dois carros. O time papaia conseguiu se meter entre a Mercedes e a Ferrari, que dominaram as duas primeiras etapas do ano. Oscar Piastri fez o melhor tempo da sexta-feira, com 1min30s133.
“Bom desempenho” talvez seja um tanto exagerado, considerando que o campeão mundial Lando Norris, companheiro de Piastri, passou, no segundo treino livre, mais tempo nos boxes do que na pista. Problemas hidráulicos, segundo as primeiras informações. Ficou em quarto, de qualquer forma, mostrando algum desempenho. Mas a equipe morre de medo de quebrar alguma coisa amanhã ou domingo. Seus carros não são confiáveis.
Mas, neste momento, quais são?
McLaren, Mercedes, Ferrari, Williams, Haas e Red Bull
A Mercedes ficou com segundo e terceiro lugares, pela ordem: Kimi Antonelli a 0s092 de Oscar, George Russell a 0s205. Em quinto e sexto se colocaram os moços da Ferrari, Charles Leclerc e Lewis Hamilton. Gabriel Bortoleto, da Audi, só conseguiu ir para a pista nos últimos dez minutos da sessão. A equipe teve de trocar o câmbio de seu carro, problema que manteve o brasileiro quase o tempo todo na garagem. Mas o outro carro foi bem, com Nico Hülkenberg em sétimo – o “melhor dos outros”, expressão usada desde os tempos das corridas de bigas para designar aquele que lidera o segundo escalão.
Bortoleto sai dos boxes: pouco tempo de pista
Foram duas sessões de treinos realizadas com sol e temperaturas na casa dos 17°C na histórica pista japonesa, que teve lances de arquibancadas completamente vazios. Muitos tiveram dificuldades ao longo do dia, ainda consequência do noviciado no trato com os modelos de 2026 e suas particularidades elétricas. Além de Bortoleto e Norris, também passaram um bom tempo sem capacete pilotos como Sergio Pérez, da Cadillac, e Arvid Lindblad, da Com Essa Taxa Prefiro Pix – este nem andou no segundo treino.
Os carros voltam à pista na noite de hoje, 23h30 pelo horário de Brasília, para o terceiro treino livre. Na madrugada de sábado, às 3h, sai o grid de largada para o GP do Japão, terceira etapa do campeonato.
Não há previsão de chuva para o fim de semana.
Os tempos e a torcida: sexta em Suzuka
TREINO 1 – Para os registros arqueológicos, Russell foi o mais rápido no primeiro treino livre, com 1min31s666. Antonelli ficou em segundo, 0s026 atrás. Norris, Piastri, Leclerc e Hamilton fecharam os seis primeiros, e a diferença de Lewis para seu Jorge não chegou a 0s4. Verstappen, o sétimo, ficou a 0s791 do líder. Bortoleto foi o 11º.
CENSURA – Na véspera, também para os registros, Verstappen expulsou de uma coletiva da Red Bull um jornalista inglês do “The Guardian”. Foi o mesmo que, no ano passado, lhe fez pergunta mais do que pertinente sobre os pontos perdidos por uma punição em Barcelona – não fosse aquilo, talvez ele pudesse ter sido campeão, já que terminou apenas dois pontos atrás de Norris. A atitude ridícula não teve resposta à altura da imprensa. O certo seria todos se levantarem e saírem da sala, em solidariedade. Mas só o coitado do repórter do “Guardian” se retirou, para não arrumar confusão.
SÓ NA CLASSIFICAÇÃO – A FIA mudou a configuração dos motores para a classificação para evitar uma queda muito brusca de velocidade na hora do tal do “superclipping” – quando a bateria acaba, o piloto fica com o pé no fundo do acelerador e o motor a combustão desvia potência para a bateria, funcionando como um gerador, para carregá-la de novo. A entrega de energia foi reduzida de 9 para 8 megajoules. Isso fará com que o tempo de “superclipping” caia de dez para quatro segundos por volta. Os tempos devem subir, mas as voltas serão menos afetadas por corte de potência resultante do consumo de bateria nas retas.
Flavio Gomes sexta-feira, 27 de março de 2026 2:17 2 comentários
SÃO PAULO(café) – Já que o único assunto hoje é motor elétrico, leiam a excepcional reportagem de Jason Vôngoli sobre o Itaipu, o elétrico da Gurgel. Prestem atenção especialmente nos primeiros parágrafos, se a tentação foi dizer que a empresa brasileira foi boicotada pelos governos da época. É conversa para boi dormir.
Flavio Gomes sexta-feira, 20 de março de 2026 14:33 29 comentários
Wheatley e os “motivos pessoais”
SÃO PAULO(ah, o dinheiro…) – Os dois comunicados hoje pingaram na caixa postal mais ou menos na mesma hora. A Audi informando que Jonathan Wheatley, depois de 354 dias no cargo (antes como Sauber), deixa a equipe “por motivos pessoais”. A Aston Martin, em texto assinado pelo dono, Lawrence Stroll, garantindo que são “especulações” as histórias dando conta de que Adrian Newey vai deixar de ser chefe de equipe — função assumida há poucos meses — para ficar só à frente das questões ligadas ao projeto do carro.
Ambos mentem. Os motivos pessoais de Wheatley se chamam Aston e Martin. E Newey vai, sim, ficar só com as pranchetas, ainda que o time negue de pés juntos e não mude seu status interno para não ter de mandar imprimir novos cartões de visita.
Agora é só esperar para saber qual o período de quarentena de Wheatley, um ex-mecânico da Red Bull que ascendeu na equipe e comandou as operações de pista durante o período mais fértil de Max Verstappen.
O pessoal de Ingolstadt deve estar bem puto com ele. Mattia Binotto vai acumular funções, agora, até que um novo chefe seja contratado. Se é que vão achar alguém. Eu telefonaria para Otmar Szafnauer, ex-Alpine, Force India e Aston Martin. É um cara experiente que poderia assumir o cargo de imediato, sem grandes traumas. Na Alpine, sua passagem foi turbulenta — foi sob sua gestão que Oscar Piastri foi contratado e descontratado. Mas, aparentemente, os problemas na época foram causados por outras gestões e ele pegou o bonde andando. Um bonde meio trôpego, diga-se. Mas talvez a Audi vá atrás de nomes novos, alguém mais de engenharia, mesmo, de colocar a mão na massa tecnicamente, deixando nas mãos de Binotto o ônus de gerenciar pessoas. Foi o que a Red Bull fez quando mandou Christian Horner embora e trouxe Laurent Mekies.
Flavio Gomes quinta-feira, 19 de março de 2026 22:36 9 comentários
SÃO PAULO(belezuras) – Esses novos milionários que vêm surgindo como “influencers” ou banqueiros, modelo Vorcaro, amam F-1. Toda hora que um vai para a cadeia a imprensa mostra suas garagens, e sempre aparecem réplicas de carros de corrida penduradas na parede. Às vezes colocam na sala. Invariavelmente, modelos pilotados um dia por Ayrton Senna. Poderiam fazer algo que preste com seu dinheiro fácil e trazer esses dois carros de verdade para o Brasil — irão a leilão nos próximos dias. Depois de confiscados, que é o destino do patrimônio dessa gente cafona, poderiam ser encaminhados ao museu do Paulo Trevisan. Aí estariam em boas mãos.
Para quem quiser dar um lance, o link da Toleman pode ser acessado por aqui e o da Lotus, aqui.
Flavio Gomes quinta-feira, 19 de março de 2026 19:36 6 comentários
Foto Betoissaphotos / Moto GP Brazil 2026
Diogo Moreira mostrou o capacete que vai usar em Goiânia na etapa brasileira da MotoGP. Homenagem, claro, a Ayrton Senna. Que, justiça seja feita, gostava de motos. A categoria volta à cidade depois de 37 anos — recebeu etapas do Mundial em 1987/88/89. Em 1992, a sede foi Interlagos. E de 1995 a 2004, Jacarepaguá.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
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