30 ANOS

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RIO (os dois) – Eu era editor de Esportes da “Folha” em 21 de outubro de 1990, quando Ayrton Senna ganhou seu segundo título mundial e o Brasil conseguiu sua última dobradinha na F-1. Claro que quase toda a cobertura foi concentrada no bicampeonato. Motivos havia de sobra, ainda mais pela maneira como aconteceu.

O caderno de Esportes da segunda-feira, dia 22, teve 20 páginas. Treze delas foram dedicadas à cobertura do GP do Japão. Uma delas a gente abriu com Piquet, a terceira, página nobre. Foi uma edição bonita.

Claro que, na época, ninguém imaginava que seria a última dobradinha brasileira na categoria. Como se diz, a história leva alguns anos para ser compreendida, e o jornalismo nada mais é do que um rascunho dela, a história. Hoje, 30 anos depois, me parece que esse pódio com Piquet e Moreno tem um peso tão grande quanto a conquista de Senna.

Mas é algo que a gente só consegue entender com o passar do tempo. Foi um grande dia para o automobilismo brasileiro, aquele 21 de outubro. Daqueles que não acontecem duas vezes.

E vocês, o que lembram daquela madrugada de domingo?

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

41 Comentários

  • 30 anos se passaram, mas para quem assistiu parece que esse GP do Japão 90 foi anteontem.
    O Senna bateu no Prost na hora certa porque sua McLaren-Honda naquele momento era um carro não confiável mesmo largando onde ele queria na parte limpa da pista, com isso Prost, Balestre e Senna acabam ficando empatados no Jogo Sujo.
    O Senna acaba Bicampeão depois da batida, mas quem carimbou bonito esse GP foi a dupla brasileira da Benetton Piquet e Moreno, só não sabíamos que era a última dobradinha brasileira numa pista de F-1.

  • Caramba! 30 anos!
    Piquet & Moreno: 1-2! Quem poderia imaginar que seria a última dobradinha brasileira na F-1!
    E o polêmico acidente entre Senna e Prost! Uma tremenda irresponsabilidade de Senna! Felizmente nada de grave aconteceu!
    Mas em 1992 na F-3000 japonesa Hitoshi Ogawa morreu após uma colisão com Andrew Gilbert-Scott.

    • No post do Rodrigo Mattar (“30 anos”) uma informação surpreendente: o pódio com Piquet, Moreno e Suzuki foi a única vez que o pódio não teve piloto europeu (500 Milhas de Indianapolis entre 1950/1960 só fez parte da F-1 para que não fosse um “Campeonato Europeu de Fórmula 1”). Eu não sabia disso!

  • Boa noite Flávio!

    Lembro bem, muito bem!
    Estava no balneário de Jacaraípe, no município de Serra-ES. Acabou a energia, ouvi pela RB 840 AM num radinho Dunga (preto) alguma coisa, da Motoradio. Mas essa estação “confundia-se” com a estação Gazeta AM 820 da cidade vizinha Vitória, As vezes a narração da corrida “sumia”. Vizinho da época, que DEUS o tenha,. Sr Pedro, Dr. Pedro Mansur, assistiu à corrida, transmissão da TV Globo, creio que naqueles televisões pequenas em preto e branco, cinco polegadas, muitas vindas do Paraguai, à época, dentro de sua Elba azul. Volume estava alto, e eu aproveitava, quando som da BAND AM sumia e ouvia o som da TV Globo. Não consegui ver sequer uma volta da corrida, Escelsa restabeleceu fornecimento normal, apenas após a bandeirada. Possuia um video cassete quatro cabeças da JVC, mesmo estando em outra casa, em outro munícipio, esqueci de deixar a corrida gravando, que pena!
    Meu irmão, então um menino de nove anos recém completados, meu companheiro de quarto naquela época, me acompanhou na jornada.
    Não lembro quem narrava na BAND, mas acho que nos comentários, estava mestre Edgar, estou certo?

  • Eu me lembro da sensação de alma lavada! Pelo troco dado pelo Senna, por mais que não tenha sido a coisa mais bonita do mundo, e (na mesma medida) pelo pódio do Moreno, um cara que eu já admirava desde o começo dos anos 1980. Aliás, aproveito pra agradecer ao Grande Prêmio pelos Cadeira Cativa com ele, além das outras edições (já no aguardo da segunda temporada) e de toda a nova programação criada durante a pandemia.

  • aquela historia ta fresca na memoria graças as excelentes entrevistas/ bate-papos com o Moreno recentemente… ta na hora da proxima parte…. ;)

    aqueles episodios foram os melhores da historia…confesso q fiquei triste quando acabou… podia escutar + 10horas de histórias do moreno fácil fácil

  • Me lembro perfeitamente. Na sala, eu e meus saudosos pais. Estava com o ano anterior entalado na garganta, Balestre, Prost, etc.. Quando o Senna foi reto levando o Prost junto, eu comecei a gargalhar. E eu, como Piquesista juramentado, recebi a cereja do bolo com a dobradinha. Tempos em que nossos pilotos eram pilotos. Pois é…

  • Sempre assisti as provas do Japão. Estava em um jantar na casa de nosso Amigo “Zepa”. Estávamos em 4 casais. Eles ficaram frustrados com a primeira curva e Eu achei legal pacas o meu Piloto ganhar a Prova com o Moreno em segundo.

    Tem uma coisa que separa o Prost e o Senna para o Vettel e o Hamilton… esses dois ultimos não tem sequer um titulo com a mínima mancha de jogo sujo.

    Daqui uns vinte anos acho que alguém vai falar como esses dois caras sempre decidiram na pista sem sacanear ninguém

  • Lembro que nas corridas da madrugada (Austrália e Japão) meu saudoso Pai me pedia para acorda-lo antes da largada, enquanto eu aguardava início da transmissão pela Globo.
    Foi uma expectativa por uma disputa de posições que encerrou-se de forma prematura, porém o P1 e P2 com Nelson Piquet e Roberto Puppo Moreno foi de emocionar, chegando às lágrimas durante a festa do pódio.
    Lembrança dos bólidos limpos em relação aos atuais (parecem um Landau com apêndices aerodinâmicos), com suas cores inesquecíveis (sendo a própria Benetton uma delas) sem dizer dos pilotos, bons tempos que estão na memória!

  • As lembranças são muitas. Primeiro essa das cobertura dos jornais. Comprei tudo que achei no dia seguinte. Meu avô tinha falecido e sido enterrado naquele dia. A história também não sabia mas seria o início de uma sequência de 7 provas por brasileiros. Depois dessa, Piquet ganhou a seguinte, a última da temporada, Senna ganhou as 4 primeiras do ano seguinte e Piquet voltou a vencer depois (quando Mansell passou dando tchauzinho quando abriu a última volta e parou o carro no meio dela). Só sei dizer que tudo me faz falta: Meu avô, Piquet, Senna, Mansell, aqueles incríveis anos da Fórmula 1 e aquelas maravilhosas coberturas dos jornais no dia seguinte.

  • Ficar acordado até as 4 da manhã. Minha mãe pediu pizza pra mim antes, que comi de novo na hora da corrida. Lembro do Mansell arrebentando mais uma embreagem. Quase tão legal quanto a dobradinha foi o 3o lugar do Suzuki.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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