Flavio Gomes terça-feira, 2 de dezembro de 2025 23:16 4 comentários
O Passatão #19 em 2024: vamos ajudar!
SÃO PAULO (por que não eu?) – Todo mundo faz, faço também! Está aberta nossa campanha de financiamento coletivo (vaquinha, mesmo…) para a disputa das Mil Milhas 2026 com o Passat #19 da LF Competições. Vocês sabem que vencemos em nossa categoria no ano passado e, neste ano, terminamos em segundo. A corrida será no fim e semana de 24 e 25 de janeiro de 2026.
Todos os detalhes para quem quiser participar estão aqui! E nem venham com conversinha, tá todo mundo cheio da grana!
Flavio Gomes terça-feira, 2 de dezembro de 2025 13:17 17 comentários
Lindblad sobe, Hadjar com Max e Tsunoda reserva: novidades do dia
SÃO PAULO(mais um estreante) – A Red Bull fechou suas duplas para 2026 na F-1. Já era esperado que Isack Hadjar, depois de sua primeira temporada na Racing Bulls, fosse promovido ao time principal. Na verdade, a ideia inicial, desde o começo de 2025, era ter Liam Lawson como companheiro de Max Verstappen, mas o neozelandês foi rebaixado para a filial depois de apenas duas corridas. Foi uma daquelas presepadas do grupo sob a batuta de Christian Horner e Helmut Marko. Horner já saiu. Marko está fazendo hora extra e, enquanto não se aposenta, segue falando merda — como a acusação a Kimi Antonelli depois do GP do Catar, que levou a um ataque digital ao jovem italiano da Mercedes.
Com o rebaixamento de Lawson, Yuki Tsunoda subiu para a Red Bull. Enquanto isso, Hadjar ia mostrando seu talento, apesar do mau começo — bateu antes da largada na corrida de abertura do campeonato, na Austrália. Neste momento, é o décimo colocado na classificação, com 51 pontos. Já subiu ao pódio uma vez, em terceiro na Holanda. Quebrou o troféu.
O francês fez por merecer o acesso. É rápido e impetuoso. Às vezes extrapola na gritaria pelo rádio, mas na pista tem sido muito correto e bem pouco problemático. Se classifica muito bem e deverá ser muito útil à Red Bull no ano que vem. Afinal, o time vive de um piloto só faz tempo.
O novo nome na organização é Arvid Lindblad, que assume o lugar de Hadjar na Racing Bulls. Britânico, 18 anos, filho de pai sueco com mãe de ascendência indiana, Lindblad faz parte da academia da Red Bull desde 2021. Atualmente é o sexto colocado na F-2, com duas vitórias na temporada — uma na Sprint de Jedá e outra na prova principal de Barcelona. Será o 20º piloto da base da Red Bull a chegar à F-1. Sua experiência na categoria se resume a dois treinos livres neste ano, na Inglaterra e no México. Foram 48 voltas e 242 km percorridos. Andou com o número 36. Ainda não se sabe se será o que vai usar em 2026.
E Tsunoda? Acabou sendo a grande surpresa do anúncio. Ele continua na Red Bull, como piloto reserva e de testes. Com cinco temporadas na F-1, o japonês apagou neste ano quando foi promovido à equipe principal do grupo. O melhor resultado que conseguiu foi um sexto lugar no Azerbaijão. Eu achava que seria dispensado e, por seu vínculo com a Honda, terminaria como reserva da Aston Martin — para onde vão os motores japoneses no ano que vem. Mas a cúpula dos energéticos achou que ele ainda pode ter alguma serventia dentro de casa.
A turma de 2026: apenas um estreante
Com os anúncios de hoje, o grid de 22 pilotos para 2026 está fechado. Lindblad será o único estreante. A Cadillac chega como equipe nova com pilotos velhos, Valtteri Bottas e Sergio Pérez. A Sauber muda de nome para Audi, mas mantém seus pilotos. As duplas de McLaren, Mercedes, Ferrari, Alpine, Aston Martin, Haas e Williams também permanecem as mesmas. E por enquanto é isso.
Flavio Gomes segunda-feira, 1 de dezembro de 2025 21:34 29 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Cadê todo mundo?
SÃO PAULO(apostas?) – Ontem no FÓRMULA GOMES, tradicional programa do YouTube que concentra as maiores audiências da internet, um rapaz me alertou para o fato de que em 2010, na Ferrari, o engenheiro de Fernando Alonso era Andrea Stella. Vocês se lembram, El Fodón chegou a Abu Dhabi com 246 pontos, contra 238 de Mark Webber e 231 de Sebastian Vettel, a dupla da Red Bull. Alonso, por não parar para trocar pneus no começo da corrida — se bem me lembro, teve um safety-car e ele ficou na pista, mas posso estar enganado e não vou ver o videoteipe –, voltou no tráfego depois de seu pit stop e empacou por 500 voltas atrás do lindo Renault patrocinado pela Lada de Vitaly Petrov. Terminou em sétimo. Tião Alemão ganhou e foi o campeão.
O espanhol tinha largado em terceiro. Seu companheiro Felipe Massa partiu de sexto no grid e acabou em décimo. O chefe da Ferrari era Stefano Domenicali, hoje CEO da Fórmula 1. Stella está na McLaren e é o cara que cuida das estratégias da equipe, porque Zak Brown só sabe dar “give me five”.
Se eu fosse o Lando Norris, estaria preocupado, agora.
Petrov x Alonso em 2010, Hulk ontem: momentos decisivos
A primeira foto lá do alto é a escolhida como imagem mais importante do GP do Catar porque retrata o erro crasso da equipe papaia ao não chamar seus pilotos para trocar pneus na sétima volta, quando o safety-car foi acionado para recolher os restos mortais de Nico Hülkenberg. O alemão rodou depois de um toque em Pierre Gasly e espalhou pedaços de isopor pela pista, além de perder um pneu.
A McLaren argumenta que se tivesse de parar os dois pilotos ao mesmo tempo, Oscar Piastri em primeiro e Norris em terceiro, faria com que o inglês, forçosamente, perdesse tempo esperando o australiano fazer o trabalho nos boxes. “Não esperávamos que todos fossem parar. Quando você está na frente, não sabe o que os outros vão fazer. E Lando perderia tempo numa parada dupla”, disse Stella. Mas, gente… Uma parada ruim leva três segundos, cinco com algum atraso numa operação de dois carros. Se esse fosse o prejuízo de Norris — e não seria, porque ele chegaria à garagem alguns segundos depois, e não colado no rabo do outro –, teria sido bem menor do que parar depois sob bandeira verde com todo mundo socando o pé.
Deu no que deu. Perdeu o pódio e ainda salvou um quarto lugar no fim.
Mas, agora, Inês é morta — que linda história de amor, a de Inês, embora macabra. Mesmo com todos os piripaques recentes, Lando tem nas suas mãos e pés o título de 2025. É só não fazer nenhuma bobagem e se blindar de besteiras alheias. Foram fartas, nas últimas duas corridas. Não nos esqueçamos das pranchas desgastadas além do permitido em Las Vegas.
Inês, a morta original: rainha-cadáver portuguesa do século XIV
Ainda acho que Norris vai ser o campeão. O inglês tem 12 pontos a mais na algibeira que Max Verstappen e 16 mais que Piastri. Se ganhar o título, terá sido merecido. O mesmo vale para qualquer um dos outros dois, claro. Um campeonato se faz de 24 corridas, altos e baixos, idas e vindas. No fim, em geral, ganha mesmo o melhor. A melhor história, evidente, seria Verstappen campeão. O sujeito tinha 104 pontos menos que o líder na Holanda, na 15ª etapa — no caso, Oscar. O placar estava 309 x 205 para o australiano. Em oito corridas, Max passou Piastri e está a 12 do novo líder. Depois da prova de Zandvoort, venceu cinco de oito GPs. Seria uma virada épica, um título histórico. Se Norris ganhar, o impacto não será o mesmo. Ficaremos com a sensação de que, no fim das contas, apesar dos soluços papaia, deu a lógica.
Minha aposta é em Norris. Mas eu gostaria que Verstappen fosse o campeão. Acho mais legal.
Assim estão os campeonatos: Williams garante o 5º entre as equipes
As combinações possíveis de resultados em Abu Dhabi são muitas, já falamos delas ontem, mas para resumir Norris precisa de um pódio para ser campeão. Se Verstappen for o segundo, Lando pode chegar em sétimo, desde que Piastri não vença. Agora, imaginem a situação, especulada ontem no mesmo FÓRMULA GOMES: última volta, Max em primeiro, Russell em segundo, Piastri em terceiro, Norris em quarto. Ou mesmo Piastri em segundo, qualquer um em terceiro, Norris em quarto. O que faz a McLaren?
Sim, manda Oscar parar o carro, e está certa. F-1 é esporte coletivo, também. Sempre digo: as ordens de equipe são, em 99% das vezes, uma chatice desnecessária, uma demonstração de poder de quem manda. Mas tem hora que é preciso. Se acontecer algo parecido domingo, às favas o pudor e as incensadas regras papaia. Vale taça.
Nas tabelas acima, nota-se também que a Williams garantiu o quinto lugar no Mundial — fantástico, tinha ficado em nono no ano passado com ridículos 17 pontos — e a Aston Martin subiu para sétimo, deixando a Haas para trás entre os Construtores. Cortesia de Alonso, que se vira como dá e segue na torcida para que Adrian Newey faça um foguete para o ano que vem. A equipe, a propósito, já marcou a apresentação do carro novo, assim como Red Bull e No Pix Damos Desconto. As datas estão aí embaixo.
Temporada 2025 nem acabou, 2026 já começou
A FRASE DE LUSAIL
“Pode ser. Acho que eles estão numa situação difícil, porque têm de tratar os pilotos de forma justa. Assim, podemos tirar vantagem disso. Deve estar sendo difícil para eles.”
Hannah Schmitz, estrategista da Red Bull
Hannah com Max: decisão de parar foi dela
Foi da estrategista Hannah Schmitz a decisão de parar Verstappen no safety-car, mesmo observando que a McLaren não chamara Piastri para a troca de pneus. “Você tem certeza?”, me perguntaram. “E eu disse que sim. Quando vi que todos pararam, tive certeza de ter feito a coisa certa.” Sempre fica uma dúvida, claro, por maior que seja sua convicção. Estamos falando de decisões tomadas em questões de segundos.
Na frase destacada acima, um repórter tinha perguntado a Hannah se ela achava que a McLaren tinha optado por deixar seus dois pilotos na pista para não dar a impressão de que estava favorecendo um deles. Ela foi bem clara e sincera. É muito boa, essa moça. A Red Bull e Verstappen devem muito a ela.
O NÚMERO DO CATAR
7
…vitórias no ano tem Verstappen, o mesmo que Piastri e Norris. As outras duas desta temporada foram de George Russell, da Mercedes.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… do segundo pódio no ano de Carlos Sainz, que nas últimas sete corridas marcou 48 pontos. A arrancada se deu a partir do terceiro lugar em Baku. No mesmo período, seu companheiro Alexander Albon marcou apenas três. Mas está na frente no campeonato, 73 x 64. Importante, para a Williams, foi assegurar o quinto lugar entre as equipes, como já mencionado lá em cima neste rescaldão. Quem viu essa equipe no ano passado “definhando em nono”, como falou o chefe James Vowles, quase não a reconhece agora.
Sainz: segundo pódio no ano; Red Bull: pedido de desculpas
NÃO GOSTAMOS… do que disseram, primeiro, Gianpiero Lambiase (engenheiro de Verstappen); depois, Helmut Marko, o guru sem filtro da Red Bull. Ambos acusaram Kimi Antonelli de deixar Norris passar no final para prejudicar Verstappen, porque a McLaren usa motores Mercedes. Valeu o quarto lugar para Lando. Toto Wolff reagiu na hora e disse que, irritado, foi falar com “GP” — que teria pedido desculpas. A equipe emitiu uma nota se desculpando, também, porque a consequência da verborragia foi um ataque insano das milícias digitais ao jovem italiano — com ofensas homofóbicas, ameaças a sua família e coisas do tipo. Marko, porém, reiterou a acusação que não tem nenhum cabimento. É um idiota completo.
Flavio Gomes domingo, 30 de novembro de 2025 16:42 68 comentários
Verstappen: sétima vitória no ano, ainda na briga pelo título
SÃO PAULO(zero pra eles) – O Mundial de Fórmula 1 foi decidido na última etapa em 29 ocasiões desde a criação do campeonato em 1950. A última vez, em 2021 – Max Verstappen x Lewis Hamilton, o primeiro (e polêmico) título do holandês. Domingo que vem, um campeão sairá da corrida derradeira da temporada pela 30ª vez. E são três pilotos na briga, pela ordem na tabela: Lando Norris, Verstappen e Oscar Piastri. O que não ocorria desde 2010, quando chegaram a Abu Dhabi, com chances de título, quatro almas: Fernando Alonso (Ferrari, 246 pontos), Mark Webber (Red Bull, 238), Sebastian Vettel (Red Bull, 231) e Lewis Hamilton (McLaren, 222). Ganhou Vettel.
Cortesia da McLaren, essa disputa tripla que teremos no próximo domingo no circuito de Yas Marina. O time, hoje, cometeu um erro grotesco no GP do Catar, entregando a vitória de bandeja a Verstappen, quando uma dobradinha a partir da primeira fila do grid era resultado mais do que visível no horizonte e despojaria o holandês da luta. Se Piastri, o pole, vencesse, e Norris, o segundo no grid, terminasse onde largou, Lando teria 414 pontos, contra 399 do companheiro e 386 de Max, caso ele terminasse em terceiro. E aí já era, a taça de campeão ficaria em casa, na sede de Woking.
Norris: ainda na frente, com 12 pontos de vantagem
Mas…
Mas, para começar, Norris perdeu o segundo lugar logo na largada. OK, se terminasse em terceiro, também, não seria nenhuma tragédia. Ainda mais com Piastri em primeiro, desfecho mais óbvio para um fim de semana que começou com o australiano fazendo a pole e vencendo a Sprint do sábado, e largando na pole no domingo para disparar na frente nas primeiras voltas da corrida. Estaria tudo bem. A vantagem para a etapa final seria quase intransponível, 22 pontos, com 25 em jogo.
E…
E, para embaralhar tudo, a McLaren, no momento decisivo da prova, fez uma burrada gigantesca. Foi na sétima volta, quando o safety-car foi acionado porque Nico Hülkenberg e Pierre Gasly se tocaram na luta pelo nono lugar. O alemão da Sauber rodou e seu carro ficou em posição perigosa. Todo mundo aproveitou o momento para fazer a primeira troca de pneus das duas obrigatórias em Lusail – por recomendação da Pirelli, cada jogo de pneus só poderia ser usado por 25 voltas; o GP teve 57.
Hülkenberg roda: momento decisivo da prova
Todo mundo aproveitou, você leu algumas linhas acima. Todo mundo, menos a McLaren – e Esteban Ocon, mas ele só é citado aqui pelo rigor jornalístico, não é relevante nesta história.
Por não parar seus dois carros no safety-car, a McLaren deixou sua dupla na obrigação de fazer um de seus pit stops com a corrida em ritmo normal, perdendo muito mais tempo nos boxes que todos os outros que pararam atrás do safety-car, em ritmo de passeio dominical. O que, forçosamente, jogaria Piastri e Norris para trás sem grandes chances de voltar a brigar pela vitória numa pista de ultrapassagens muito difíceis.
Não tem outro nome, pois, o que aconteceu: burrada. Poderíamos usar “cagada”, mas o termo me parece meio escatológico e deselegante. Erro, desacerto, engano, deslize, equívoco, falha, lapso, tropeço, descuido, bobeada, mancada, vacilada, procurei vocábulo que descrevesse com a maior precisão possível o que aconteceu, mas não encontrei nada melhor.
Burrada, mesmo.
O resultado e a classificação: tudo para Abu Dhabi
Assim, Verstappen venceu a penúltima etapa do Mundial na agradável noite catari, com 22°C nos termômetros do Golfo Pérsico. Piastri foi o segundo, com Carlos Sainz em terceiro e Norris em quarto. Foi a sétima vitória do piloto da Red Bull no ano, 70ª na carreira. Com isso, assumiu a vice-liderança do campeonato com 396 pontos. Norris foi a 408. Piastri tem 392. Max chegou a Lusail 24 pontos atrás de Norris. Vai para Abu Dhabi com 12 de desvantagem.
Os três protagonistas da temporada têm sete vitórias cada. Norris ainda é favorito ao título. Doze pontos são doze pontos. Se for ao pódio na última prova, em qualquer posição, será o campeão. Se Max vencer, ele não pode terminar abaixo de terceiro. Se Piastri ganhar, um quinto lugar para ele basta. Se Verstappen for segundo colocado e Oscar não vencer, um sétimo lugar lhe dá o título. Se Piastri for segundo e Verstappen não vencer, um oitavo garante a taça. Há muitas outras combinações possíveis, claro. Essas são apenas algumas. Mas em todas dá para perceber que a situação de Lando não é exatamente trágica. Doze pontos são doze pontos.
Mas…
Mas a gente já viu jogos sendo virados no minuto derradeiro de um campeonato, e o mais emblemático de todos talvez seja justamente aquele da temporada de 2010, a última com mais de dois cabras chegando à prova final podendo ser campeões. Naquele ano, Vettel não liderou o Mundial em nenhum momento. Pousou em Abu Dhabi em terceiro na classificação. Saiu campeão, o primeiro título da Red Bull na história. Verstappen está em situação semelhante. Até hoje, no Catar, sua melhor posição na tabela em 2025, desde a quarta etapa, vinha sendo o terceiro lugar. Só agora reassumiu a vice-liderança, como nas três primeiras corridas do ano. E pode ser penta domingo que vem.
Bem, vamos saber como tudo isso aconteceu. Era uma corrida, como dito ontem, desenhada para a McLaren se os papaias não fizessem bobagens. Como fizeram, tem bastante para contar.
Largada em Lusail: Piastri dispara na frente
Na largada, Piastri fechou os olhos e foi em frente. Verstappen, sabedor do medo que Norris tem dele, gritou “buuuuuh” e passou o inglês, assumindo o segundo lugar. Quem largou mal foi George Russell, caindo de quarto para sétimo. O resto foi mais ou menos normal. Hamilton, que tinha pneus macios no início, pulou de 17º para 14º. Outro que largou com macios foi Hülkenberg, o que ajudou no momento da ultrapassagem sobre Charles Leclerc, para catar dele o décimo lugar no comecinho do GP. Alexander Albon e Franco Colapinto foram de duros. O resto, de médios.
Na sétima volta, o episódio chave desde domingo. Um raro safety-car em Lusail, pista de vastas áreas de escape e contatos incomuns. Hulk e Gasly se tocaram na briga pela nona posição e o alemão rodou. Um erro de cálculo do piloto da Sauber e um certo egoísmo do francês da Alpine no controle do território. Verstappen nem piscou e foi correndo para os boxes trocar seus pneus, chamado pela estrategista Hannah Schmitz. Ele e o mundo. As exceções, como já mencionado lá em cima, foram Piastri, Norris e Ocon.
Safety-car com McLaren na pista: cadê todo mundo?
Esteban parou na volta seguinte, punido por queima de largada. Restaram na pista, sem trocar pneus, os dois primeiros colocados. Piastri ficou meio cabreiro. Pelo rádio, fez longo discurso. “Não era melhor parar?”, questionou. Seu engenheiro tentou contemporizar, sem parecer muito convincente. “Eles perderam toda a flexibilidade para a corrida”, falou. Silêncio no rádio. “Entendeu?” “Sim.” Norris também perguntou ao time se tinham feito a coisa certa. “Está tudo bem, já sabemos que eles todos vão parar na volta 32”, informou o engenheiro, com uma conversinha sem pé nem cabeça. Bela merda, saber que todos vão parar na volta 32…
Na 11ª volta, a relargada foi autorizada. Piastri, Norris, Verstappen, Sainz, Kimi Antonelli, Alonso, Isack Hadjar, Russell, Leclerc e Oliver Bearman eram os dez primeiros. A dupla papaia socou o pé no acelerador e foi embora. A orientação era para não se preocuparem com a borracha e abrir o máximo possível de Verstappen, o terceiro, porque precisariam de alguma gordura diante da perspectiva de parar quando todos continuassem na pista.
McLaren, à esq.: erros; Red Bull, à dir.: acertos de Hannah Schmitz
Oscar fechou os olhos de novo e tratou de acelerar o que podia e o que não podia. Na 20ª volta, o australiano já tinha 3s5 sobre Norris e 8s em cima de Max. Essa diferença entre primeiro e terceiro subira para 12s na volta 24. Oscar foi, então, chamado para os boxes. A parada foi tranquila e o rapaz voltou em quinto. Na 25ª volta, foi a vez de Norris trocar seus pneus. Parou e voltou atrás de Piastri. Verstappen assumiu a liderança, com Sainz em segundo e, depois, Antonelli, Piastri, Norris, Alonso, Hadjar, Russell, Leclerc e Bearman nas dez primeiras posições. De Max, o ponteiro, para Piastri, o quarto, o intervalo era de 19s. Esse, o tamanho da burrada.
A conta do engenheiro da McLaren, 7 + 25, não exigiu o acionamento de supercomputadores nem servidores submarinos de IA refrigerados pela água do mar no litoral cearense para se confirmar. De fato, na volta 32, todos os outros pilotos iriam para os boxes e os dois carros laranja voltariam às primeiras posições. Aí, teriam de acelerar feito malucos para parar, no máximo, nas voltas 49 e 50. E, então, saber em quais posições voltariam dos boxes.
Tinha sido uma burrada, mesmo. Ninguém mais duvidava.
Piastri na parada e depois da corrida: equipe pisou na bola
Sem poder consertar o passado, Piastri foi para cima de Antonelli na volta 30 e passou o italiano, assumindo o terceiro lugar. Foi a primeira ultrapassagem relevante da corrida. Oscar parecia, mesmo, outro piloto em relação ao zumbi que ficou seis corridas fora do pódio desde Monza e renasceu no Catar. Em alguns grupos de zap que sigo clandestinamente, uns caras especularam que era um clone que vinha correndo e que o verdadeiro estava na Flórida, assim como outro sujeito aí, que também teria arrumado um sósia – este, porém, veio com defeito, tem ataques de soluço e vomita o dia inteiro.
Verstappen parou, como se esperava, na volta 32. Colocou pneus duros. E aí vieram todos os outros, que tinham de fazer o pit stop obrigatório depois de 25 voltas com o mesmo jogo de pneus. Os duros foram a escolha quase unânime. A McLaren voltou à ponta e depois do segundo pit stop mandatório, que ainda estava devendo, poderia fazer a parte final da prova com pneus macios, se quisesse. Não iria resolver tudo, mas poderia ajudar. Naquele momento, a vitória era algo distante; os dois no pódio atrás de Verstappen, uma realidade ao alcance da dupla.
Imagens do vencedor: cinco vitórias nos últimos oito GPs
Faltando 20 voltas, Piastri liderava com 6s2 para Norris. A McLaren, então, mudou seus planos. Chamou Piastri na volta 42, antes do que precisava, e colocou pneus duros em seu carro. O “aussie” voltou em terceiro. Pelo menos não correu o risco de perder o pódio para Sainz, que era uma ameaça. A diferença para Verstappen era de 17s. Teria 13 voltas para tentar alguma coisa. Era impossível.
Tinha sido uma burrada, mesmo.
Na volta 45, quem foi para os boxes foi Norris. Mas este voltou em quinto, atrás de Sainz e Antonelli, se complicando bastante na corrida. Tinha pneus mais novos, verdade, mas na pista catari borracha mais bonita não é o suficiente. E a distância não era pequena: mais de 3s entre o italiano da Mercedes e ele. E se passasse, ainda teria um Sainz esfomeado pelo pódio – o espanhol não parava de falar pelo rádio, “¡Vamos!”, “¡Este podio es mío!”, “¡Nadie me puede quitar este trofeo!”, “¡Antonelli, ayúdame y te regalaré un videojuego nuevo para Navidad!”.
As mensagens de rádio na McLaren, em contraste, eram de uma melancolia atroz. Seus dois pilotos sabiam que o time tinha feito uma burrada. O time sabia que tinha feito uma burrada. O mundo sabia que todos tinham feito uma burrada. Ainda assim, Lando tentava se aproximar de Kimi. Carlos seguia desesperado sonhando com o terceiro lugar e vendo fantasmas em qualquer barulhinho de seu carro. “¡Ay, no! ¡Se me rompió algo en el coche! ¡Me cuesta girar a la derecha!”, gritava. A equipe nem respondia.
Alegria de Sainz: segundo pódio no ano, Williams em 5º
Lá na frente, tranquilo, Verstappen cantarolava canção recém-aprendida, com forte sotaque. “Da manga rosa quero o gosto e o sumo/Mamão maduro, sapoti, juá…” “Melão, Max”, corrigiu seu engenheiro. O piloto não entendeu.
A duas voltas do final, o pneu de Hadjar, que era o sexto colocado, furou. Um abandono doloroso. Mas não mudou o rumo da corrida. O que mudou foi um errinho de Antonelli na penúltima volta que permitiu a Norris ganhar o quarto lugar, somando mais dois pontos importantíssimos na luta pelo título – àquela altura da enchente, jacaré era tronco para o líder do campeonato.
Max venceu com 7s995 de vantagem para Piastri. Sainz conseguiu seu pódio suado e merecido em terceiro. Norris, Antonelli, Russell, Alonso, Leclerc, Liam Lawson e Yuki Tsunoda foram os dez primeiros. Gabriel Bortoleto terminou em 13º.
“Foi uma corrida incrível. Tomamos a decisão correta de parar no safety-car e estou muito feliz por estar na disputa ainda. Foi um fim de semana difícil, mas ganhamos”, falou o vencedor. Dá para ser campeão em Abu Dhabi?, perguntou Martin Brundle, ex-piloto e atual jornalista. “Tudo é possível no momento. Não estou preocupado com isso.”
Dá, sim.
Quanto a ficar preocupado, isso é com os outros dois.
Flavio Gomes sábado, 29 de novembro de 2025 16:46 19 comentários
Piastri na pole: australiano reage, mas pode ser tarde…
SÃO PAULO(agora, meu filho?) – Talvez a reação de Oscar Piastri tenha vindo um pouco tarde demais. O australiano fez a pole para a Sprint ontem, venceu a minicorrida um pouco mais cedo hoje e, algumas horas depois, cravou a pole para o GP do Catar. Por enquanto, barba, cabelo & bigode, como se dizia antigamente não sei exatamente à guisa de quê. Se vencer a corrida amanhã, emenda com a costeleta. E carrega para Abu Dhabi alguma esperança de ser campeão mundial. Foi a sexta pole da carreira de Piastri na F-1, todas elas conquistadas neste ano. A última tinha sido na Holanda, sete etapas atrás.
A primeira fila será inteira da McLaren, um retrato desta temporada. Lando Norris, líder do campeonato, ficou com a segunda posição no grid. Tem 22 pontos de vantagem sobre seu companheiro na classificação. Para passar a régua no Mundial, tem de sair de Lusail 26 pontos à frente de Oscar e Max Verstappen, terceiro no grid e terceiro na tabela. Se ganhar a corrida, será o campeão. Se ficar em segundo para qualquer um dos dois, a decisão dar-se-á em Yas Marina.
Bortoleto e Verstappen: nos extremos do grid
Apostas? Vai ficar para Yas Marina. Pelo andar da carruagem até agora neste fim de semana, Piastri vence o GP catari. A corrida, aliás, não deve ser grande coisa. Há um parco potencial para surpresas. Viu-se na Sprint, uma prova de 19 voltas em que nada aconteceu – a maioria terminou onde começou. Amanhã, dois pit stops serão obrigatórios. Todos, então, largam com a mesma estratégia. Se não fizerem bobagens na largada, os dois pilotos da McLaren devem fazer uma dobradinha.
Os tempos no início do Q1 não foram grande coisa quando comparados com a pole da Sprint que Piastri fez ontem, 1min20s055. Sua primeira volta rápida, por exemplo, foi cronometrada em 1min20s739. Esse tempo foi superado depois por Isack Hadjar e Verstappen. Mais adiante, por Norris: 1min20s157. A resposta de Oscar foi imediata, cravando o segundo tempo a 0s077 do líder do campeonato. No finalzinho, George Russell foi para a primeira posição com 1min20s074. Gabriel Bortoleto passou ao Q2 em 14º.
Os eliminados foram Yuki Tsunoda, Esteban Ocon, Lewis Hamilton, Lance Stroll e Franco Colapinto. Parece não haver mais o que dizer sobre Lewis. Decadência? Desinteresse? Desalento? Desmotivação? Desânimo? Desespero? Derrocada? Declínio? Depressão? Derrotismo? Desesperança? Desengano? Desilusão?
Dá pra entender, não. Difícil. Doloroso. Deprimente.
Hamilton, desastre; Gasly, milagre; Norris, na dele
A “Autosport” inglesa listou em sua conta no Twitter os três pilotos da Ferrari que não passaram do Q1 duas vezes seguidas. Luca Badoer, Giancarlo Fisichella e… Hamilton. Os dois primeiros em 2009, quando substituíram o acidentado Felipe Massa, que levou uma mola na testa na Hungria e quase morreu. Com todo respeito a sua história e talento, se não está mais a fim, melhor pedir para sair.
No Q2, Piastri fez uma voltaça em 1min19s650 logo em sua primeira tentativa, mudando o patamar da classificação. Foi o primeiro no fim de semana a baixar de 1min20s, estabelecendo um novo recorde para Lusail.
Mercedes, Red Bull e Ferrari: todos atrás da McLaren
Norris viveu alguns instantes de tensão ao ter sua melhor volta cancelada por exceder os limites de pista. Havia conseguido o tempo de 1min20s146. Teria de fazer uma nova tentativa sem margem de erro. Não errou e foi para segundo, a 0s211 do parceiro papaia. Verstappen ficou em terceiro. Os três andaram na casa de 1min19s. Passaram também Kimi Antonelli, Russell, Fernando Alonso, Carlos Sainz, Pierre Gasly, Charles Leclerc e Hadjar. Foram jantar mais cedo Nico Hülkenberg, Liam Lawson, Oliver Bearman, Bortoleto e Alexander Albon. Gabriel larga em 19º porque foi punido com cinco posições no grid após causar o acidente na largada do GP de Las Vegas. A grande surpresa foi Gasly entre os dez primeiros. O francês tem feito alguns milagres com seu Clio cor de rosa.
Alonso: brilhando de novo, mais uma vez no Q3
Norris e Piastri foram para um duelo de dois no Q3. São sempre dois num duelo, beleza? Se alguém falar “um duelo entre Norris, Piastri e Verstappen” amanhã, torça o nariz. E alguém vai dizer. Lando virou 1min19s495 na primeira volta, Oscar ficou 0s035 atrás dele. Verstappen bateu o cronômetro quase meio segundo atrás deles em quarto, atrás ainda de Russell nessa primeira bateria de voltas rápidas. Quem nem fechou tempo foi Leclerc. Rodou bonito, deu várias piruetas, não bateu em nada, voltou aos boxes. A sessão foi brevemente interrompida porque Sainz saiu da garagem com uma fita plástica enroscada no pneu. A serpentina do novo milênio se soltou no meio da pista. Bandeira vermelha para recolher a dita cuja.
O grid no Catar: primeira fila papaia
Eram 22h no Catar, 16h aqui, quando o Q3 foi retomado. Norris errou no começo da volta e tirou o pé. Ficou torcendo para Piastri não conseguir espremer mais alguma coisa de sua laranja. Mas o australiano espremeu 0s108 e fez a pole com o tempo de 1min19s387, baixando ainda mais o recorde do circuito. Norris ficou em segundo com Verstappen em terceiro (a 0s264) e Russell em quarto. Depois deles, Antonelli, Hadjar, Sainz, Alonso, Gasly e Leclerc. Oito equipes diferentes entre os dez primeiros. U-hu.
O GP do Catar amanhã começa às 13h pelo horário do Comando Militar do Planalto.
Flavio Gomes sábado, 29 de novembro de 2025 12:02 5 comentários
Piastri: vitória fácil em Sprint sonolenta
SÃO PAULO(aquecimento) – De 24 para 22. A vitória de Oscar Piastri na Sprint do Catar, agora há pouco, reduziu a diferença dele para o líder do Mundial, Lando Norris, que terminou a corrida curta em terceiro. De grão em grão, como escrevemos aqui ontem. (Por que “escrevemos” se fui só eu quem escreveu? Tem de ver isso daí.) Max Verstappen terminou em quarto. Assim, oito pontos para o australiano da McLaren, seis para seu companheiro e cinco para o holandês da Red Bull. Noves fora, está 396 x 374 x 371 na luta pelo título mundial. Foi a terceira vitória de Piastri em corridas Sprint.
“Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”, falou, pelo rádio, Neil Armstrong. No caso, conversava com alguém em Houston. “Sim”, disse Piastri quando seu engenheiro comemorou a vitória: “Ganhamos, Oscar! Estamos de volta! Vamos pra cima deles! O cara não liga pra ser campeão!”.
Sprint ticada, restam agora 50 pontos em jogo para terminar o Mundial. São 25 do GP do Catar amanhã e mais 25 em Abu Dhabi, semana que vem. As contas não mudam muito. Se Norris sair de Lusail pelo menos 26 pontos à frente de Piastri e Verstappen, acabou e o inglês é campeão. Se ganhar a prova, por exemplo, para facilitar o entendimento. Se terminar em segundo, vai depender de onde chegarem seus adversários.
Todos largaram de pneus médios na última Sprint do ano, no final de tarde de 25 graus na perifa de Doha. Lance Stroll, Lewis Hamilton, Pierre Gasly e Franco Colapinto largaram dos boxes – informação absolutamente irrelevante. Piastri fez uma largada de almanaque, sem dar nenhuma chance a George Russell ou Norris, que estavam atrás dele no grid. Yuki Tsunoda também foi bem, serviu de escudo para Verstappen e logo abriu para o companheiro passar. Max, assim, pulou de sexto para quarto na primeira volta. Fernando Alonso, por sua vez, caiu de quarto no grid para sexto. Charles Leclerc despencou de nono para 13º. Gabriel Bortoleto foi outro que largou bem, ganhando duas posições.
E quase mais nada aconteceu até a 19ª e última volta da minicorrida. Tirando as queixas de Verstappen – carro pula, rádio picota etc. –, foi a Sprint mais sem sal de todos os tempos. OK, elas só existem desde 2021 e pode ser que outras tenham sido assim, não lembro. Mas essa foi ruim, mesmo.
Com metade das voltas completadas, quase todo mundo estava separado por mais de 1s, impedindo a abertura da asa móvel – que, no Catar, não ajuda muito porque a pista não tem freadas fortes. Só Chaleclé, depois da largada vexatória, tentava alguma coisa sobre Oliver Bearman. Brigava por algo, diga-se, que não valia nada: o 12º lugar. Acabou errando e foi ultrapassado por Lawson, mas a coisa estava tão chata que o neozelandês teve de devolver a posição porque tinha passado por fora da pista.
O resultado e os três primeiros com Djokovic: troféus na estante
Só na 13ª volta uma ultrapassagem relevante: Kimi Antonelli sobre Alonso, que deu uma escapada na última curva e permitiu ao italiano subir para o sexto lugar. E Tsunoda, coitado, tomou um pênalti de 5s por exceder os limites da pista várias vezes, depois de ser advertido, tomar cartão amarelo e anotação na caderneta. Encerrada a prova, Antonelli foi punido pelo mesmo motivo.
Já contando as punições aos supracitados, Piastri, Russell, Norris, Verstappen, Tsunoda, Antonelli, Alonso e Carlos Sainz pontuaram, pela ordem. Bortoleto foi o 11º. Por enquanto, Oscar está gabaritando em Lusail. Recebeu a quadriculada quase 5s à frente de George. Às 15h tem definição do grid para a corrida principal.
Flavio Gomes sexta-feira, 28 de novembro de 2025 17:29 23 comentários
A alegria contagiante de Norris: de volta
SÃO PAULO (tem jogo…) – Ele andava meio sumido, mas apareceu. Oscar Piastri subiu ao pódio pela última vez em Monza. Foi naquela corrida em que a McLaren se candidatou ao Nobel da Paz ao ordenar a troca de posições entre ele e Lando Norris porque, oh, a parada nos boxes do inglês foi ruim. Ele não merecia aquilo. Então, Oscar contestou daquele seu jeito eloquente. “Você acha errado?”, perguntou seu engenheiro. “Sim”, respondeu. “Vai ficar putinho?” “Sim.” “Mas vai sair da frente do mesmo jeito.” “Sim.”
Desde então, o australiano murchou. Recolheu-se ao seu marsúpio particular e nas seis provas seguintes ninguém mais viu o rapaz. Bateu no Azerbaijão, foi quarto em Singapura, quinto nos EUA, no México e no Brasil e tinha terminado em quinto em Las Vegas, também. Ganharia uma posição com a punição a Kimi Antonelli, mas acabou desclassificado. Seis corridas desaparecido. Nelas, marcou 42 pontos. Se fosse um campeonato de seis etapas com duas Sprints (Austin e Interlagos), Oscar seria o sexto colocado. À frente dele estariam Max Verstappen (136 pontos no período), George Russell (100), Norris (97), Antonelli (71) e Charles Leclerc (63).
Oscar Jack Piastri (até o nome inteiro dele é sem graça, coitado; quem neste mundo se chama “Oscar Jack”?) fez a pole-position hoje para a Sprint do Catar, penúltima etapa do Mundial.
Renasceu.
Trofeuzinho da pole na Sprint: importante, claro
Vice-líder do Mundial, 24 pontos atrás de Norris e empatado com Verstappen, Oscar pode descontar um pouquinho dessa diferença amanhã na minicorrida de 19 voltas no circuito de Lusail, que fica pertinho de Doha, capital do país árabe. De grão em grão, vai saber… Piastri assumiu a liderança do Mundial na quinta etapa, em Jedá, e ficou na ponta da tabela até a 19ª, no Texas. No México, perdeu a posição para Norris. Havia muito tempo que não fazia nada de notável. Essa pole, como ele mesmo disse, em longo discurso de agradecimento à equipe pelo rádio, pode ser uma virada de chave.
Na íntegra, segue o que ele falou (desculpem a longa transcrição, mas cada palavra importa): “É bom estar de volta”.
Foi uma noite agradável a desta sexta no Catar. O primeiro treino livre — e único do fim de semana — aconteceu dentro da mais pura normalidade, com tempo seco e 26°C de temperatura. Teve o próprio Piastri na frente, com o tempo de 1min20s924. Foi 0s058 mais rápido que Norris e o terceiro colocado, Fernando Alonso, acabou sendo a surpresa da sessão com a Aston Martin.
Verstappen: irritado do começo ao fim
Quem não ficou nada contente com o início dos trabalhos foi Verstappen. “Esse volante não vira”, reclamou. “OK, Max”, assentiu seu engenheiro. “Esse breque não breca.” “OK, Max.” “Esse motor não anda.” “OK, Max.” “Esse assoalho bate no chão.” “OK, Max.” “Essas marchas não entram.” “OK, Max.” “Esse banco é duro.” “OK, Max”. “Esse macacão é quente.” “OK, Max.” “Essa sapatilha aperta.” “OK, Max.” “Esse pneu é uma merda.” “OK, Max.” “Esse carro não faz curva.” “OK, Max.” “E também não vai na reta.” “OK, Max, tirando isso, o resto…?” “O resto tá OK.” Ficou em sexto, a 0s580 de Oscar.
Na classificação para a Sprint, os termômetros já haviam caído para 21°C, clima supertranquilo para todo mundo. Max foi o primeiro a fazer tempo, 1min22s258. Ao final do SQ1, ele mesmo ficou com o melhor tempo, 1min21s172, depois de a primeira colocação passar também pelas mãos de Isack Hadjar, da Doze Vezes Sem Juros na Black Friday, Norris e Alonso. Foram eliminados Lance Stroll, Liam Lawson, Lewis Hamilton, Pierre Gasly e Franco Colapinto.
Hamilton: de novo degolado no Q1
Hamilton, Hamilton… O que acontece com esse moço? Ao final da classificação, foi entrevistado pela Sky Sports, emissora inglesa que transmite a F-1. No total, para três perguntas, devolveu nove palavras de acordo com o canal de TV: “same as always”, quando perguntado como tinha sido o Shootout; “no, [not] good enough”, quando perguntado sobre o acerto de seu carro para a Sprint; e “the weather’s nice”, sobre as perspectivas para a provinha de amanhã. Eu contei 11 palavras, se consideramos esse “not” entre colchetes (virou uma praga esse negócio de colchetes, ninguém tem critério pra esse negócio!) e o “is” contraído após o apóstrofo. Onze ou nove, tudo que diz respeito a Hamilton neste ano tem sido… muito pouco. Não vou criar teorias da conspiração aqui, nem tenho informação alguma a respeito. É puro impressionismo. Mas acho que Lewis se arrepende de ter ido para a Ferrari. Não é como ele imaginava. Parece comigo em Itacaré há quatro anos, mal comparando: pura fantasia. Eu voltei. Ele vai insistir? Não sei. Mas não ficaria surpreso se, de repente, decidisse pendurar o lindo capacete amarelo. Hamilton está triste. É melhor ser alegre que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe.
Tsunoda e Alonso: surpresas entre os dez primeiros
No SQ2, Norris ficou com o melhor tempo, 1min20s956, 0s049 à frente de Piastri. Ficaram pelo caminho Hadjar (volta cancelada por exceder os limites da pista), Oliver Bearman, Gabriel Bortoleto, Nico Hülkenberg e Esteban Ocon. Avançaram as duplas de McLaren, Mercedes, Red Bull e Williams, além dos representantes isolados de Ferrari e Aston Martin.
Antonelli abriu os trabalhos no SQ3 com 1min20s903 e depois disso a briga pela pole ficou entre Piastri e Russell, que se revezaram na ponta. Norris estava na luta, também, mas errou na última curva em sua melhor volta e ficou em terceiro. Oscar fechou a sessão com 1min20s055, meros 0s032 à frente do inglês da Mercedes. Alonso foi o quarto, sua melhor posição de largada no ano contando Sprints e GPs. Yuki Tsunoda, surpresa das surpresas, ficou em quinto, à frente de Verstappen. Antonelli, Carlos Sainz, Leclerc e Alexander Albon fecharam as dez primeiras posições.
“Tenho 44 anos e sei bem o que fazer com um carro, com pneus, com tudo. Por isso de vez em quando vou bem nas sextas-feiras”, comemorou Alonso. “Sofro um pouco mais que os jovens com o jet-lag, mas consigo me virar.” Fernandinho — boatos indicam que vai ser papai, a confirmar — teve a companhia nos boxes de Adrian Newey, projetista da Aston Martin que, nesta semana, foi promovido a chefe da equipe no lugar de Andy Cowell — que caiu para cima e vai cuidar da transição em 2026 para os motores Honda, novos combustíveis Aramco e lubrificantes Valvoline; vai trocar o óleo, em resumo.
Por fim, Bortoleto. Resultado normalíssimo, lembrando que o brasileiro perde cinco posições no grid para a corrida principal, de domingo, por ter causado um acidente na largada em Las Vegas. Na Sprint, parte de onde terminou a classificação, 13º, com poucas chances de pontuar se nada de anormal acontecer à frente — é difícil de passar nessa pista. Espera-se que complete a primeira volta. Pode parecer bobagem, mas depois de duas corridas sem passar dela a pulguinha fica atrás da orelha.
Bortoleto e Alonso: brasileiro em 13º, espanhol em 4º no grid
A Sprint catari amanhã começa às 11h da Papuda e terá 19 voltas. Depois, às 15h (sempre no horário da Superintendência da PF na Asa Sul), acontece a sessão de classificação que vai definir o grid do GP do Catar. A corrida, domingo, terá 57 voltas e largada às 13h da Estação de Rádio da Marinha. Serão obrigatórios dois pit stops, porque a Pirelli só garante a segurança de seus pneus para no máximo 25 voltas — o circuito de Lusail tem muitas curvas de alta velocidade que submetem os pneus a cargas laterais de estresse muito elevadas; nem cantando o hino para eles a situação melhora.
Para ser campeão, Norris precisa marcar dois pontos mais que Piastri e Verstappen no fim de semana todo. A chance é grande. Se não conseguir, a decisão fica para Abu Dhabi, no outro domingo.
Flavio Gomes quarta-feira, 26 de novembro de 2025 19:44 12 comentários
Isso era um grid… selvagem! O relato do nosso leitor Rogério é um retrato do automobilismo brasileiro nos anos 80. Divirtam-se.
Bom dia, Flavio Gomes, tudo bem? Me chamo Rogerio Kawabe e gostaria apenas de compartilhar um pouquinho da história de Interlagos que presenciei principalmente nos anos 80. Meu pai participou do Campeonato Paulista de Turismo 5000 por cerca de três anos, antes de passar para a Speed 1600 (foi campeão umas três vezes) e finalmente para a Turismo N, onde encerrou a carreira. Foram muitos anos e várias histórias para contar. Estas fotos em particular foram de uma etapa em 1982, se não me engano. Durante os treinos, meu pai estava com carro para brigar pela pole, mas por um problema na classificação, acabou largando na 33ª e última posição. Estava com alguns amigos dele vendo a corrida no final do muro da saída do box, entre a 1 e a 2 (ninguém ligava na época), e ele vinha bem na corrida de 21 voltas pelo anel externo de Interlagos. Porém, em dado momento, vimos que não passava da 12ª posição, quando aconteceu o acidente destas fotos. Ele vinha atrás desse Maverick que estava em 11º, mas percebeu que o carro estava bem instável, espalhando para todo lado, o que tornou a ultrapassagem difícil e perigosa. Na curva do Café, o carro à frente entrou em pêndulo e acabou batendo de frente no lado de fora da curva. A pancada foi tão forte que este voltou de ré e, pasme, passou por cima do carro do meu pai e bateu no muro interno da pista. O tanque de combustível se partiu e pegou fogo. No final, só o piloto do carro #78 se feriu, pois o cinto de segurança dele era bem precário e ele bateu com o queixo no volante e quebrou o maxilar, entre outras lesões. Meu pai foi visitá-lo no hospital no dia seguinte e o rapaz se recuperou bem. Meu pai faleceu em 2007 e seu nome é José Geraldo Kawabe. Ali no grid de largada é o Maverick branco número 9, e aquele com a frente destruída na foto do acidente. Depois ele ainda desfilou com este carro todo amassado no aniversário de Diadema, nossa cidade!
Flavio Gomes quarta-feira, 26 de novembro de 2025 19:31 1 Comentário
Há anos estou para postar este vídeo do SAAB do Jay Leno. Pensam que sou só eu que gosta de suecos dois tempos? O dele é um pouco mais velho que o meu, 1958. Uma graça.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
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CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...