FOTO DO DIA

A Ferrari revelou a pintura da 499P que vai defender o título do WEC neste ano. Bicho bonito da peste! O campeonato começa no dia 28 de março no Catar (antes tem testes nos dias 22 e 23 na mesma pista). Depois Ímola (19 de abril), Spa (9 de maio), Le Mans (13 e 14 de junho), Interlagos (12 de julho), Austin (6 de setembro), Fuji (27 de setembro) e Bahrein (7 de novembro).

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LADALAND

Linda foto enviada pelo Jose Armando San Pedro Miralles.

Lindo registro do Antigo Mappin na Avenida Pereira Barreto no Município de Santo André. A foto foi tirada entre os anos 80 e 90. A construção acomoda atualmente o Shopping ABC.

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ONDE DESLIGA? (3)

SÃO PAULO (fim de papo) – Acabou a pré-temporada. Foi a mais longa da F-1 nos últimos anos, desde a introdução dos testes coletivos com a simultânea proibição dos treinos avulsos em pistas espalhadas por aí. Tais restrições começaram em 2010, por razões de economia. O custo por quilômetro num carro de F-1 é altíssimo. Não me peçam esse valor, porque há muitos cálculos possíveis — podem, ou não, incluir a quantidade de gente mobilizada, aluguel de autódromo, número de motores, gastos variáveis com pneus e combustíveis, depende se vai ter café e pão de queijo, refresco e amendoim etc.

Mas é alto, podem crer. Lembro que no auge da gastança da categoria a Ferrari torrava US$ 600 milhões por temporada, e uma parte considerável disso era incinerada em Fiorano, porque Michael Schumacher não tinha clima bom em casa e preferia ficar na Itália treinando das seis da manhã às seis da tarde, com meia hora de almoço. A torneira de outros times também jorrava sem dó, como na Toyota, e uma hora aquele troço iria ficar inviável. Então resolveram começar a cortar os custos, e os testes foram os primeiros a dançar. (Os pilotos, exceto Schumacher, adoraram.)

Neste ano, foram 11 dias gastando gasoli… digo, óleo de fígado de bacalhau, biomassa, chorume, extrato de mamona líquida e bastante borracha: cinco em Barcelona, seis no Bahrein. Cada time pôde andar nove dias — três dos cinco na Espanha e todo o tempo no deserto de Sakhir.

Andou-se bem. Era preciso, porque a F-1 passa por uma reforma de regulamento como nunca antes neste país. Ninguém sabia direito como os carros iriam andar, nem se iriam andar. Andaram. Quebraram pouco, até. Algumas equipes tiveram bastantes problemas, como a Aston Martin. Hoje, por exemplo, Lance Stroll completou só seis voltas, nenhuma cronometrada. A equipe, então, empacotou tudo e jogou no lixo. Foram todos embora depois do lanchinho da tarde. Foi a grande decepção de fevereiro. Vamos nos divertir com os rádios de Fernando Alonso nas primeiras corridas do ano. O problema hoje foi na bateria do motor Honda. Ontem também.

Outros times saíram satisfeitos e aliviados do Bahrein, como a estreante Audi, que só nesta semana completou 357 voltas e seu motor, novinho em folha, aguentou. A Audi nunca tinha feito motor de Fórmula 1. A lembrança mais recente das quatro argolas era dos motores dois tempos da Vemag na década de 60 no Brasil, sob a batuta de Miguel Crispim Ladeira. Seus três cilindros e mil centímetros cúbicos de cilindrada produziam 100 HP. Sem nada elétrico, exceto as lâmpadas na capota para localizar o carro na pista nas Mil Milhas.

Ferrari, Mercedes, Red Bull e McLaren se revezaram na ponta com os melhores tempos e algum equilíbrio entre elas. No fim, 1min31s992 foi a melhor volta das duas semanas barenitas, de Charles Leclerc. Em 2022, ao fim da pré-temporada com os carros novos de então, também inaugurando um novo regulamento, o melhor tempo havia sido de Max Verstappen, da Red Bull: 1min31s720.

Ou seja, como diz Luciano Burti: começa-se esta nova era com os carros andando mais ou menos a mesma coisa que no início da última. Vou te falar que, como diz Luciano Burti, que logo logo a performance se aproximará daquela que vimos nos últimos dois anos. Obviamente, como diz Luciano Burti, não será na Austrália, na abertura da temporada. Vamos lembrar, como diz Luciano Burti, que há um longo caminho pela frente.

O que mais me chamou a atenção nestes dias — e esqueçam a parada dos motores, como disse ontem só volto a tocar no assunto quando eles forem assunto novamente — foi o enorme abismo entre as quatro maiores e o resto. Cadillac na rabeira era algo esperado, mas seria legal se as outras estivessem um pouco mais perto, e não a dois, três, quatro segundos de distância por volta.

A Austrália ainda não mostrará a realidade do campeonato. É só a primeira corrida do ano e é daquelas muito particulares, disputada numa pista nem-nem — nem de rua, nem permanente. É num parque, tem uns muros próximos, às vezes faz frio, às vezes faz calor, e quem for esperto, especialmente na turminha do fundão, faz o que fizemos nas Mil Milhas: a prioridade é terminar. Foi assim, por exemplo, que Felipe Nasr se tornou o melhor estreante brasileiro da história, com um quinto lugar em Melbourne pela Sauber em 2015. Ele ficou três anos na F-1 e nunca mais conseguiu repetir o resultado.

Depois da corrida em Albert Park a gente conversa sobre favoritos e candidatos ao rebaixamento. Mas se você estiver em algum bolão e não puder esperar, coloque George Russell campeão, Verstappen em segundo, Oscar Piastri em terceiro, Lando Norris em quarto, Kimi Antonelli em quinto, Lewis Hamilton em sexto e Charles Leclerc em sétimo. Isack Hadjar será o oitavo. A Audi não vai chegar ao pódio, a não ser em circunstâncias muito excepcionais, previsão que vale para Williams e Alpine. A Haas vai terminar na frente da Racing Bulls. A Aston Martin, com todos os problemas, acaba na frente da Cadillac, que voltará a fazer limusines presidenciais.

E Valtteri Bottas não vai mostrar a bunda porque isso pode ofender os conservadores em conserva na América.

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ONDE DESLIGA? (2)

Antonelli, o mais rápido da quinta-feira

SÃO PAULO (desculpem o atraso) – Tenho a impressão de que as discussões sobre os novos motores da F-1, a coisa de ter de tirar o pé na reta, a necessidade de pensar em gestão de energia antes de acelerar e todo o resto vão arrefecer rapidamente. Porque pilotos e equipes têm pressa. Precisam fazer essas geringonças funcionarem a contento. Urge encontrar atalhos, descobrir truques, artimanhas, jeitinhos, esparrelas, logros, tramoias, embustes, subterfúgios, tramas, expedientes, ardis e tretas de todas as naturezas para que seus carros sejam rápidos. Não adianta reclamar, o regulamento é esse, os motores são esses, quem não gostar que pegue seu paletó na cadeira e vá fazer outra coisa.

O mesmo vale para quem se mete a comentar F-1, gente como eu. Minha opinião sobre o tema já foi dada. Não vou ficar repetindo a mesma ladainha o resto da vida. E está na cara, porque essa é a história da F-1, que rapidamente engenheiros e babalorixás da eletrônica vão tapar os buracos que afligem os puristas como Max Verstappen e encontrarão soluções que serão imediatamente copiadas pelos outros e la nave va. Daqui a alguns meses, teremos esquecido do tema. Foi assim quando proibiram controle de tração e suspensão ativa, quando introduziram os pneus com ranhuras, quando inventaram a asa móvel, quando surgiu o KERS, quando vetaram os motores turbo, quando surgiram os híbridos, quando enfiaram o Halo sobre o cockpit e por aí vai. Os motores mezzo a cobustão mezzo elétricos são apenas mais um soluço, que passa rápido com um bom copo d’água.

Assim, só voltarei ao assunto se ele voltar a ser… assunto! Quem tinha de reclamar já reclamou, quem tinha de defender já defendeu, quem achou uma merda já emitiu seu parecer, quem acredita que as corridas serão espetaculares com as novas estratégias, botões e carregadores de bateria, idem.

Nesta sexta acaba a pré-temporada. Na quinta (escrevo depois da meia-noite), segundo dia de treinos da semana, Kimi Antonelli fez o melhor tempo, 1min32s803. Oscar Piastri, da McLaren, ficou 0s058 atrás dele. Foram os dois únicos que andaram abaixo de 1min33s nesta semana. Lewis Hamilton quebrou de manhã e a Ferrari perdeu tempo nos boxes. A Aston Martin viveu mais um dia terrível e o carro de Fernando Alonso parou no meio da pista com problema de superaquecimento no motor. Verstappen foi o que mais andou, 139 voltas. Foram 16 pilotos na pista.

Volto ao tempo de Antonelli: 1min32s803. Nossa, os carros estão muito mais lentos, a pole no Bahrein no ano passado foi de 1min29s841! OK, os carros tendem a ficar mais lentos com menor pressão aerodinâmica e velocidade mais reduzida nas curvas. Mas vejam… Quando estreou a geração anterior dos carros da categoria, em 2022, o melhor tempo na pré-temporada do Bahrein foi de 1min31s720, de Verstappen. No ano seguinte, 1min30s305 de Sergio Pérez, então na Red Bull. Em 2024, 1min29s921 de Carlos Sainz, da Ferrari. E no ano passado, o mesmo Sainz, já na Williams, bateu o cronômetro em 1min29s348 no circuito barenita.

Entendem onde quero chegar? É possível que nesta sexta o melhor tempo da pré-temporada no circuito de Sakhir esteja muito perto do que Verstappen conseguiu em 2022, também ano de estreia de novos carros e novo regulamento. A evolução é muito acelerada. Em breve esses carros estarão andando tanto quanto os anteriores. E se os caras terão de dirigir apertando botões e perguntando pelo rádio onde deixaram seus carregadores — todo mundo perde carregador! –, problema deles.

Não adianta reclamar, e não dá tempo de reclamar. A F-1 é urgente.

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NAS ASAS

Vejam as fotos primeiro. A mensagem do Fernando Hartiman, depois.

Prezado Flavio, recebi essas fotos do Antonov por e-mail muitos anos atrás de um amigo que trabalhava na Infraero em Curitiba. As fotos parecem ser dos anos 90 e sinceramente não sei se realmente foram tiradas no aeroporto de Curitiba. Em umas das fotos aparece um caminhão com adesivagem de Confins. Caso queira usar no seu blog na seção “Nas asas”.

Agora, as perguntas de sempre: quem, quando, onde, por quê? E o que será que o Antonov trouxe? E o que levou? Esse é o que foi destruído na Ucrânica? E não pude deixar de notar, claro, as belezuras da TAM e da Transbrasil ao fundo…

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ONDE DESLIGA? (1)

A foto da classe: cenário “industrial”

SÃO PAULO (tá chegando!) – Eis os 22 pilotos de 2026 na foto da turma feita no Bahrein. Pegaram alguma garagem vazia e fizeram a imagem sem gastar muita coisa com cenário. São tempos de austeridade.

Sou um analista de macacões, casos vocês não saibam. Deveria ter sido estilista, sempre acho que escolhi a profissão errada. Farei críticas individuais abaixo. Depois volto para falar do primeiro dia de testes da última semana da pré-temporada.

AUDI – Tinha gostado muito da programação visual da Audi em geral, da pintura dos carros aos uniformes dos mecânicos, até perceber que os macacões de Bortoleto e Hülkenberg são pretos da cintura para cima e acinzentados da cintura para baixo. Isso faz deles modelos da Ducal, com calças cinza e camisas pretas. Horríveis.

ALPINE – Muito feios. Seus pilotos parecem estar usando colete à prova de balas cor de rosa, o que é de evidente mau gosto.

FERRARI – Os da Ferrari são bonitos e elegantes, porque italianos são bons de moda. Os modelos, dois homens lindos, ajudam. Faixas verticais nas laterais cooperam na composição, deixam tudo mais longilíneo.

RED BULL – Esses possivelmente estão com o prazo de validade vencido, a FIA precisaria verificar, porque são os mesmos de 2005. A equipe deve ter comprado um grande lote de macacões na época de sua fundação e usa os mesmos há mais de 20 anos. Se procurarem bem, no de Hadjar deve estar bordado “Klien” em algum lugar. O de Verstappen foi usado por Coulthard, certeza.

CADILLAC – Compraram macacões de brim, daqueles que vendem para kart indoor de shopping. A sapatilha de Pérez parece um Kichute.

WILLIAMS – Branco cai bem em macacões, o problema é lavar. Mas estão OK. Se resolverem mudar, podem revender para motoristas de ambulância no Mercado Livre.

McLAREN – Quem é que achou que aquele desenho preto perto do pescoço, só para um lado, iria ficar bom? Parece um babador torto. E notem a postura de Piastri, lá em cima. Parece um menino esperando para receber a hóstia na Primeira Comunhão.

MAQUININHA DE APROXIMAÇÃO – Não consigo olhar para os uniformes desses moços sem lembrar de meus antigos carnavais em Campinas, quando depois de umas doses de Carpano e dois tubinhos de lança perfume, antes de entrar no salão da Fonte, tombava num jardim qualquer do Cambuí e chamava o Hugo. Aí ficava tudo bem.

ASTON MARTIN – Verde mais morto que esse, só o da camisa do Palmeiras. Com preto, poderia lembrar o América Mineiro. Mas aquele friso amarelinho… Barbaridade.

HAAS – Não é ruim. O logotipo da Haas, porém, parece ter sido feito por algum primeiranista do curso de desenho industrial do Mackenzie em 1982.

MERCEDES – De longe, o melhor de todos. As faixas da adidas nos ombros, o azul-turquesa (verde-maravilha?) da Petronas nas pernas, tudo no lugar. Cores bonitas, que combinam.

Aos treinos, agora.

Hoje foi Russell, o mais rápido. O tempo dele, 1min33s459. Pouquinho melhor que o melhor da semana passada, e assim as marcas vão caindo naturalmente. Pneus mais macios estão sendo usados nesta semana. O que não cai muito é a diferença entre as equipes da frente e as mais lerdas. No regulamento anterior, chegamos a ter 20 carros no mesmo segundo em alguns treinos livres de GP no ano passado. Procurei isso aleatoriamente e encontrei o resultado de um TL em Monza com resultado assim. Houve outros.

Hoje, temos 22 carros no mesmo dia, para ser bem otimista. Cadillac e Aston Martin estão muito, muito distantes. Audi, Débito ou Crédito?, Williams, Haas e Alpine parecem andar na mesma toada. Mas estão próximas apenas entre elas, bem longe do quarteto Mercedes/McLaren/Ferrari/Red Bull.

Chama a atenção a confiabilidade (palavra horrível, vou procurar outra; gosto de “fieza”, mas ninguém vai entender) do motor Audi. A unidade de potência saiu do forno outro dia, mas tem funcionado direito e não quebra. Parece o AP do meu Gol Bolinha.

O único dos 22 pilotos que ficou de folga hoje foi Verstappen. A Red Bull trabalhou apenas com Hadjar. Max deu novas entrevistas, para falar sobre o que havia dito na semana passada — que esses carros de F-1 não são de F-1, basicamente. Hoje, negou que esteja pensando em se aposentar por desgosto. “Eu preferiria que fosse diferente, em termos de regulamento? Sim. Mas também sei que é assim que as coisas funcionam, então precisamos nos virar com o que temos”, disse, conformado.

Houve treino de largada, porque tinha muita gente com medo de ver carros parados no grid já que não dá tempo de os últimos “encherem” o turbo quando estacionam em seus lugares. Até o ano passado, as luzes se acendiam assim que o último chegava, e se apagavam rapidamente para começar a corrida. A FIA decidiu, então, que vai haver uma luz azul dentro dos carros, no volante, informando que a turma toda ainda está alinhando e precisa de um tempinho para “ligar a turbina”. “Vai ser tranquilo, é só esperar a turma de trás”, tranquilizou Bottas, que pertence à turma de trás. “O procedimento vai ser mais demorado, mas não tem perigo nenhum”, aquiesceu Hamilton.

Na simulação, ninguém ficou parado no grid. Acho que isso será resolvido até Melbourne.

E a última notícia do dia: a FIA se mexeu no caso da taxa de compressão dos motores. Resumindo, a Mercedes consegue aumentar essa taxa quando os motores estão quentes. Mas a medição para atestar se ninguém está roubando é feita com os motores frios. Outras fabricantes reclamaram — como ficaram sabendo, é algo que a espionagem industrial explica, e ela é muito ativa na F-1. Então, a entidade avisou que a partir de agosto vai medir a taxa de compressão com os motores a 130°C. Até lá a Mercedes que se vire para não ser pega no pulo. A Ford (e a Red Bull) era a única fornecedora que não estava reclamando, possivelmente porque faz algo parecido. Mas, agora, se juntou a Ferrari, Honda e Audi na desconfiança geral.

A Mercedes vai resolver o problema e ninguém será mandado para a Papudinha.

Russell, o melhor da Quarta-feira de Cinzas

E fechamos o dia com uma imagem de Russell no crepúsculo barenita, lembrando que amanhã e depois teremos mais dois dias de pré-temporada. Depois volta todo mundo para casa, estuda dados e resultados, ouve os pilotos e, se precisar, muda alguma coisa. Porque a partir de 6 de março é pra valer, com a abertura dos treinos para o GP da Austrália.

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O SOL NASCEU NO SOL

Um pouquinho das Mil Milhas…

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ONDE LIGA? (3)

SÃO PAULO (de zero a dez?) – Bem, terminou a primeira parte da pré-temporada oficial hoje no Bahrein. Aquela semana no começo de fevereiro nem pode ser considerada, já que, de fato, foi usada mais para saber se os carros andavam para a frente ou para trás.

Depois de três dias, a Mercedes fechou a semana na frente com Kimi Antonelli, hoje, fazendo 1min33s669 em sua melhor volta. Os tempos vão cair bastante na semana que vem na mesma pista desértica, já que serão usados pneus mais macios e as equipes já cumpriram, pelo menos a maior parte delas, o primeiro objetivo da pré: buscar confiabilidade, andar bastante e não quebrar nada.

Na Espanha, a Mercedes tinha dado mais de 500 voltas, mas no Bahrein teve dois dias de problemas chatos que a fizeram perder muito tempo nos boxes. Antonelli foi a vítima nos dois, suspensão anteontem e motor ontem. Hoje, conseguiu andar mais. E o desempenho foi ao encontro de declaração de Andrea Stella, da McLaren, que disse serem Mercedes e Ferrari as melhores até agora. “Estão mais competitivos do que nós”, falou.

Fala-se muito nesses testes, mas quase ninguém diz a verdade. Porque se disser, ou admite que o carro está uma merda, ou fica com fama de arrogante. O melhor entrevistado é sempre o cronômetro, que não mente. Mas, em compensação, pode ser manipulado.

O que o cronômetro diz até agora, de relevante, é que encontrar o equilíbrio do ano passado, com 1s5 separando primeiro do último colocado, vai demorar um pouco. Os carros mais lentos têm sido muito mais lentos que os mais rápidos. Coisa de 3, 4, 5s.

Na semana que vem, é bem possível que a maior parte dos times leve atualizações para a pista e que vejamos carros bem diferentes dos que vimos nesta semana. Acho, também, que as diferenças não serão tão abissais da ponta para a rabeira.

O que se percebeu, até aqui, é que o novo regulamento não agradou os mais bocudos. Hoje foi a vez de Fernando Alonso detonar:

“Nesses carros, até um chefe de cozinha consegue fazer curvas.”

Me senti representado, embora só cozinhe em casa, mesmo. Semana que vem tem mais três dias de testes. Por enquanto, bom Carnaval para todos!

CHIQUÉRRIMA – A Audi tem feito um ótimo trabalho de imprensa nestes seus primeiros passos na F-1. Distrubui bons textos e fotos inspiradas, vídeos sem palhaçada e informações acuradas. Não me surpreende, porque é assim há anos com carros de rua, clássicos e competições em outras categorias. Ver as quatro argolas num carro de F-1, para quem gosta de automobilismo e conhece história, é muito bacana. O desempenho ainda não veio. Mas no quesito elegância, o pessoal de ingolstadt tem se saído muito bem.

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ONDE LIGA? (2)

SÃO PAULO (sei não…) – Às vezes me pergunto por que a F-1, lá atrás em 2014, foi inventar esse negócio de motores híbridos. Me pergunto por que a F-1 se acha na obrigação de “passar mensagens” ao mundo, ainda que todo mundo saiba que são só da boca pra fora, papo pra boi dormir, pra inglês ver.

(“Pra inglês ver” é daquelas expressões que sobrevivem aos séculos, ainda que tenham nascido quando nenhum de nós era sequer projeto de gente — como “a ficha caiu”, que vai atravessar os tempos sem que as pessoas tenham a mais remota ideia de que ficha é essa que cai. Ela vem lá das primeiras décadas do século 19, quando a Inglaterra proibiu o tráfico de escravos e a abjeta elite luso-brasileira assinou tratados internacionais fingindo que os acatava, enquanto continuava traficando e escravizando gente. Em 1831 foi promulgada até uma lei que proibia o tráfico de africanos, a Lei Feijó. Que, naturalmente, era desrespeitada, sob a conivência criminosa das autoridades. Era só “pra inglês ver”.)

Falo da mensagem da eletrificação, da demonização dos combustíveis fósseis, da emissão zero de carbono prometida para 2030 (vão viajar como? De canoa?). OK, mensagens edificantes para a massa ignóbil que habita o planeta são sempre importantes, desde que sejam ouvidas, tenham efeitos concretos e não cheguem carregadas de cinismo.

Sem hipocrisia aqui. Ninguém compra carro com motor híbrido por causa da F-1. As pessoas compram carros com motores híbridos ou elétricos 1) para economizar dinheiro com gasolina e impostos; e 2) por uma consciência ecológica que, certamente, não foi despertada por Lewis Hamilton fazendo uma curva em Mônaco ou Charles Leclerc acelerando feito um maluco em Monza.

Fórmula 1 é corrida de carro, e corrida de carro é, sempre foi e sempre será uma coisa besta que, do ponto de vista ambiental, é uma aberração — se alguém do mundo das corridas quiser passar uma mensagem ecológica honesta, que pare de correr. E não estou falando só dos motores a combustão e de quanto eles gastam de gasolina e óleos em provas de duas horas de duração, no caso específico da F-1 (meu Gol bolinha é a álcool, pelo menos por isso não vou parar no inferno). Olhemos para o resto. Pensem no quanto se queima de combustível em navios e aviões para transportar toneladas de equipamentos para 24 etapas ao redor do mundo. No que se gasta no transporte de milhares de pessoas que se deslocam de um país para o outro todas as semanas em aeronaves movidas a querosene, e que precisam ir de casa para os aeroportos, e dos aeroportos para os hotéis, e dos hotéis para os autódromos — não fazem isso a pé ou de bicicleta. No que se torra de pneu — mesmo os não usados são jogados fora. No diesel que consomem os caminhões que carregam os motorhomes pela Europa. No que se desperdiça para montar e desmontar arquibancadas, decorar camarotes, tribunas, hospitality centers — adesivos, painéis de vinil, litros de tinta, luminárias, aparelhos de TV. No que se desembolsa com insumos para atender a essa gente toda, tudo de plástico, material descartável, não biodegradável. No que se usa de energia elétrica gerada sabe-se lá como para iluminar autódromos em corridas noturnas.

Alguém acha, mesmo, que é diminuindo a importância de motores a combustão que a F-1 está ajudando o planeta em alguma coisa? Alguém já parou para pensar no que é preciso para produzir essas baterias paquidérmicas que vão fornecer energia a um motor elétrico que vai entregar metade da potência para tirar os carros do lugar?

Façam uma conta comigo. Numa temporada de 24 corridas, com seis horas, no máximo, de atividades de por fim de semana, teríamos 144 horas de uso para cada carro. Vou fazer contas bem toscas e arredondando para cima, porque nenhum carro de F-1 fica seis horas rodando num fim de semana. Para chegar nesse tempo acumulado estou considerando três treinos livres de uma hora, mais uma hora de classificação e duas horas do limite de um GP, que normalmente acaba antes disso. Os motores V8 aspirados de 2,4 litros usados até 2013 consumiam, em média, 200 litros por corrida. Vamos multiplicar por três para cobrir todo o fim de semana e chegamos a 600 litros por cabeça com um capacete. 22 carros de F-1 consumindo 600 litros de gasolina por fim de semana de GP gastariam 13.200 litros de sexta a domingo. Num Mundial de 24 corridas, o total chegaria a 316,8 mil litros se todos, repito, ficassem seis horas ininterruptas queimando gasolina por fim de semana.

Um caminhão-tanque médio, como o que abastece o posto aqui do lado todos os dias, carrega 30 mil. Dez deles bastariam para uma temporada inteira de F-1. Dez dias do meu postinho de quatro bombas resolveriam o problema da categoria.

Dez desses fariam uma temporada inteira da F-1

Convenhamos, o mundo não iria acabar por causa de uma categoria que gastasse dez caminhões de gasolina por ano. Vai acabar, claro, e espero que em breve, mas por outros motivos — não culpem a F-1, nem meus carros antigos nem meu Zippo.

Por isso acho que qualquer categoria de carros de corrida não tem de passar mensagem ecológica alguma. É cinismo. Cascata. Conversa. Papo-furado. A não ser aquelas como a Fórmula E — e é praticamente só ela, mesmo –, que nasceram com o propósito de pregar e praticar gestão energética, eficiência, sustentabilidade e tal. E está tudo bem, é uma visão das coisas, não tem absolutamente nada de errado com isso.

Mas esse caminho que a F-1 escolheu nega todo o passado, a origem e a natureza das corridas. Distorce um princípio básico das competições automobilísticas, cláusula pétrea que as define: ganha quem completa determinado percurso no menor tempo — portanto, percorrendo-o com a maior velocidade possível. Se você entrega a um piloto um carro que, para sair do lugar, exige que se tire o pé do acelerador numa reta, que não pode ser conduzido no limite daquilo que se entende como velocidade — da máquina e de quem a conduz –, está contrariando o postulado sobre o qual a modalidade foi erigida.

E essa parece ser a F-1 de 2026. Metade da potência elétrica não faz nenhum sentido. Ou o carro é elétrico, ou a combustão. O híbrido, que faz sucesso nas ruas, é para manobrar na garagem. Ou para ir à padaria. Carro de F-1 não se manobra na garagem. E ninguém vai à padaria com um carro de F-1.

Escrevi esse tratado todo, correndo o risco de ser cancelado pelo Greenpeace (que, pelos dogmas que defende e por aquilo que luta, teria toda razão em fazê-lo), para concordar com Max Verstappen.

Hoje, depois do segundo dia da pré-temporada no Bahrein, o holandês falou bastante sobre o assunto enquanto seu companheiro de Red Bull queimava borracha e um combustível produzido, sei lá, a partir de alguma lixeira do Mercado da Lapa. Destaco algumas frases:

“Como amante e entusiasta das corridas, gosto de pilotar no limite. E, no momento, não dá para dirigir assim.”

“Para mim, isso simplesmente não é Fórmula 1. Talvez seja melhor pilotar na Fórmula E, porque lá o foco é eficiência e gestão de energia. Em termos de pilotagem, isso aqui não é divertido. Parece um Fórmula E anabolizado.”

“Se falta energia para você andar no limite o tempo todo, isso afasta o esporte da sua forma tradicional de pilotagem.”

Dificilmente alguém vai falar mal dos novos carros com tanta sinceridade e desenvoltura. Talvez Fernando Alonso e Hamilton, os mais velhos do grid. A molecada, compreensivelmente, vai se calar. Até por falta de referências e instinto de preservação do emprego. E, também, por uma características das novas gerações: a de aceitar e normalizar qualquer despautério que o mundo lhes apresenta, como se tudo não passasse de algum desígnio divino, impossível de combater. Por essa postura apática, passiva, desinteressada, e não por outro motivo, surgiram no planeta recentemente excrementos como Jair Bolsonaro e sua família, Nikolas Ferreira, Javier Milei, Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Silas Malafaia, e as guerras, os genocídios, o ICE, a uberização do trabalho, o vício nos celulares, os feminicídios, as redes sociais, os pedófilos da internet, Balneário Camboriú, a louvação à IA e toda sorte de absurdo que pessoas com um mínimo de lucidez têm enorme dificuldade de digerir.

Aí em cima está o resultado do segundo dia da pré-temporada no Bahrein. Lá no alto, três fotos de Leclerc, o mais rápido com 1min34s274 — ontem, Lando Norris virou 1min34s669, quase a mesma coisa. Fato relevante: a Mercedes voltou a ter problemas, agora com o motor; ontem tinha sido na suspensão, e em ambos os episódios a vítima foi Kimi Antonelli. Outra: a Aston Martin está em crise antes mesmo de começar o campeonato. “Estamos 4s atrás dos nossos rivais”, disse Lance Stroll. Quatro segundos! Alonso ficou irritado nos boxes. A primeira criação de Adrian Newey junto com a Honda, pelo menos por enquanto, não agradou.

Não há equilíbrio nos tempos, como se vê na tabela do meio. Mas isso tudo pode mudar, ainda tem quatro dias de treinos pela frente — amanhã e mais três na semana que vem. Por enquanto, calma.

E encerro com palavras de Norris, que rebateu a contrariedade de Verstappen com o que viu até agora sendo igualmente sincero. Fiquem com ele e até amanhã!

“Recebemos uma quantia absurda de dinheiro para pilotar. É diferente, tem de entender as coisas e gerenciá-las de forma diferente, mas continuo dirigindo carros, viajando pelo mundo e me divertindo muito. Então, no fim das contas, não podemos reclamar.”

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CARRO DA FIRMA

Se é Bayer, é bom.

Centro de São Paulo, com o edifício Martinelli ao fundo
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