LAS BREGAS (1)

SÃO PAULO (pra quem gosta…) – Para quem perdeu (como eu), a cerimônia de abertura do GP de Las Vegas está aqui. Foi ontem à noite no horário local, de madrugada por aqui. Os pilotos aparecem no fim. Sobem de elevadores por uma plataforma e surgem de dentro de caixas iluminadas por neon. “Me senti um palhaço”, disse Verstappen.

Um horror.

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A Renault apresentou ontem seu novíssimo Twingo. É a única chance de eu ter um carro elétrico na vida.

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ESCOLHA A SUA

SÃO PAULO (que dureza…) – Abaixo, as equipes que prepararam pinturas novas para o GP de Las Vegas, neste fim de semana. Algumas novidades foram sutis, como na Alpine (grafismos nas cores tradicionais) e na McLaren (patrocínios novos, como do uísque Jack Daniels). Outras, gritantes — como as cartas de baralho na Alfa Romeo e o cafonérrimo letreiro na Williams. Escolha a melhor. Ou pior.

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Tem louco pra tudo…

Alexandre Neves mandou.

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QUE FIQUE EM VEGAS

SÃO PAULO (quero só ver) – O GP de Las Vegas, semana que vem, tem tudo para dividir o mundo da F-1 em adoradores e “haters” da corrida na qual a Liberty, com o perdão do trocadilho, aposta boa parte de suas fichas.

O primeiro grupo vai apontar o dedo para o segundo acusando-o de retrógrado, ultrapassado, avesso a novidades. Exaltarão, seus integrantes, a incrível capacidade que o EUA têm de “fazer espetáculos”, o “show de luzes, luxo e organização”, e defenderão com a própria vida o “american way of life” que a atual dona da categoria vem tentando impor a um campeonato nascido na Europa — e que torce o nariz para a breguice que vem do lado de lá do Atlântico.

Do outro lado da trincheira, os detratores de Vegas vão fundear seus ataques em uma premissa: isso aí não é automobilismo, não passa de uma pirotecnia gigante e artificial para ganhar dinheiro, a corrida é o que menos importa. Um comentário que li numa postagem do perfil oficial da categoria no Instagram resume bem tal pensamento: “Depois que a geração Netflix e TikTok descobriu a F-1, nosso esporte virou um circo”.

Por enquanto, não há nenhum prognóstico muito positivo para a prova. Na lista de potenciais problemas aparecem a temperatura — nesta época do ano naquele pedaço do mundo o clima é glacial –, o desenho medíocre da pista e o ódio da população local, que teve a cidade virada de cabeça para baixo para a montagem da estrutura necessária para receber um GP.

No momento em que escrevo, 21h44, os termômetros na capital da jogatina marcam 3°C. Lá são 16h44. Las Vegas está cinco horas atrás do fuso de Brasília. Na história da F-1, há o registro do GP do Canadá de 1978 como o mais gelado de todos os tempos, disputado no começo de outubro daquele ano com pinguins tremendo a 5°C.

Já peguei coisa parecida em Nürburgring na véspera de um GP da Europa ou de Luxemburgo, não vou lembrar quando. Mas a geladeira só ficou aberta até quinta-feira à noite. Na sexta, quando começaram os treinos, o sol apareceu e a temperatura subiu. E as atividades eram diurnas. O GP de Las Vegas, como se sabe, será noturno, no sábado (25). Para nós, 3h do domingo (26).

Se a F-1 se esforça para criar uma expectativa de enorme sucesso, essa corrida corre o risco de ser um baita fracasso. Com muito frio, os pneus não atingirão temperaturas compatíveis com as necessidades dos carros atuais. Não por outro motivo a pré-temporada da F-1 já não acontece mais na Europa, no fim do inverno do Velho Continente. Tem sido realizada no Bahrein. Pneus gelados são inimigos da aderência. Os carros vão escorregar como se estivessem andando no gelo. É pista de rua, com muros próximos. As chances de acidentes são grandes.

O traçado de Las Vegas: longo e desinteressante

O traçado é uma bobagem de mais de 6 km feito para que a propaganda oficial alardeie “velocidades de até 500 km/h” ou coisa do tipo. Assim tentarão convencer os locais de que verão uma exibição extraordinária de perícia e coragem no meio dos cassinos. Foi concebido muito mais para ser “instagramável” do que, propriamente, para uma competição com carros de corrida que apure alguma técnica ou talento de seus participantes.

As imagens geradas serão, claro, fantásticas e impressionantes. Para quem gosta de letreiros de neon, roda-gigante, iluminação feérica, pirâmides falsas e torre Eiffel fora de Paris, um prato cheio. A pista e o evento serão chamados à exaustão de “espetaculares” na TV. Não esperem grande senso crítico. De ninguém.

Hoje apareceu aquela foto lá do alto deste post, que mostra a pintura das zebras. Os quatro naipes do baralho estão representados. Oh, que sacada. Por aí dá para imaginar o que vem pela frente, A única certeza dessa corrida é que será menos ridícula que as de 1981 e 1982, realizadas numa pista despropositada montada no estacionamento de um hotel. Aquilo ultrapassou todos os limites da sensatez.

Gosto, em geral, de novidades no calendário. Curti quando a F-1 foi para a Malásia, aventurou-se pela Índia, Turquia e Coreia do Sul, voltou à Argentina e à África do Sul sem ditadura e apartheid… A passagem por Indianápolis teve um peso histórico, Austin é uma bela pista, Baku tem seu charme, até o circuito do Bahrein, país à parte, merece elogios. O que não quer dizer que todas as novidades sejam um sucesso absoluto. Sochi era uma merda, assim como Jedá, Miami, Paul Ricard e Abu Dhabi.

Pelo que vi até agora, o GP de Las Vegas vai ser uma porcaria. Mas será considerado por muita gente sensacional, aconteça o que acontecer. Procurem, nos próximos dias, ouvir os pilotos e o que dizem nas entrelinhas — são raros os esculachos públicos e explícitos. Eles são as estrelas da companhia. E os que mais entendem do assunto.

Depois, façam seu juízo.

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SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

Fotochart divulgado pela F-1: apenas 0s053 separando Alonso de Pérez

SÃO PAULO (vexames mil, porém…) – Eis a imagem divulgada ontem à noite pelos perfis oficiais da F-1 nas redes sociais. A chegada do GP de São Paulo para Alonso e Pérez, terceiro e quarto colocados em Interlagos. Isso aí se chama fotochart (o pessoal na categoria usa “photo finish”), e é um método de captação fotográfica semelhante ao usado nas competições de atletismo, por exemplo. Mas nasceu, se minha percepção histórica não está equivocada, nas corridas de cavalos, mesmo. No turfe, falar em fotochart é tão comum quanto citar o VAR hoje em dia no futebol. O fotochart serve para tirar dúvidas. E se alguém tinha alguma sobre a conversão de 53 milésimos de segundo em centímetros, com um carro de F-1 acelerando numa reta, a imagem aí em cima esclarece bastante coisa.

Acho que Alonso já foi suficientemente elogiado aqui ontem. E também lá no canal do YouTube, e por todo mundo que assistiu ao GP de São Paulo. É quase unânime a opinião de que ele salvou a corrida, que não foi das mais empolgantes de todos os tempos. Ao contrário. Tirando as breves confusões pré e pós primeira largada, com o abandono de Leclerc e o acidente de Albon e Magnussen, Interlagos ofereceu uma prova bem standard, tipo Fusca Pé-de-boi ou Vemaguet Caiçara. Ou ainda Gordini Teimoso.

(Um pouco de cultura automotiva. Estão aí embaixo os três: Pé-de-boi, Caiçara e Teimoso. Aos que não sabem do que se trata, sempre tem o Google para ajudar.)

Talvez a melhor imagem do domingo fosse a do abraço entre Fernandinho e Checo na zona mista, a área de entrevistas. Do ponto de vista jornalístico, tem mais significado. O mexicano foi até o espanhol para confraternizarem depois do espetáculo que ambos sabem ter proporcionado ao público no autódromo e pela TV. Mas essa foto foi usada no textão de ontem, então já era. O abraço está aí embaixo, de todo modo, em vídeo.

Alonso chegou a 106 pódios na carreira, como já informado. Igualou Prost. O francês, coitado, viu duas marcas de sua carreira sendo alvejadas na prova de ontem. Além de estar prestes a perder o quarto lugar entre os que mais foram ao pódio na história para o espanhol, viu cair sua posição no ranking dos maiores vencedores. Ele tem 51 vitórias e era o quarto colocado empatado com Verstappen. Que ganhou e foi a 52. Sendo 17 neste ano, em 20 etapas. E é daí que vem…

O NÚMERO DE INTERLAGOS

85%

…de aproveitamento em vitórias tem Verstappen nesta temporada. E um novo recorde já está superado, mesmo que ele não vença nenhuma das duas provas que restam no campeonato. Se ficar com os mesmos 17 triunfos ao final de 22 etapas, bate em 77,3% do total. Se ganhar em Las Vegas e Abu Dhabi, chega a 86,4%. O maior percentual de vitórias na mesma temporada, de 75%, pertencia a Alberto Ascari, que ganhou seis das oito corridas disputadas em 1952.

A cereja do bolo da atuação de Max no fim de semana de vitórias na Sprint e no GP foi essa aí em cima. Aumentem o som. Ele cantarola com seu engenheiro “Green Green Grass of Home“, hit de 1966 de Tom Jones — fiquei surpreso com a escolha no toca-fitas do carro da Red Bull. Mas vocês, os dois ou três que leem este blog, não devem ter ficado tão espantados assim. Eu vivo dizendo que ele tem rádio no carro e ninguém acredita!

Mas vamos seguindo, que tem bastante assunto. Um deles é esse aí embaixo:

Trata-se de um senhor esporro que a FIA deu na organização do GP de São Paulo. Porque houve invasão de pista no final da corrida com carros ainda andando. Uma falha grave na segurança que não passou despercebida. Um baita vexame. Os organizadores têm agora até o dia 30 de janeiro para apresentar um plano de ação detalhado que impeça a repetição dessa insanidade. OK, invasões de pista acontecem em vários autódromos, mas nunca com carro andando. Aí, realmente, não dá.

E, para piorar ainda mais a reputação da corrida — e da parte mais escrota do público brasileiro –, vejam o vídeo abaixo. São os cidadãos de bem que estavam no espaço da Heineken, que fica no interior da sequência Mergulho-Junção-Café, agredindo seguranças e funcionários que apenas faziam seu trabalho para invadir a pista, também.

Um bando de babacas.

Ainda no extrapista, não deixemos de registrar aqui a alegada falha no som de Ludmilla no início do hino nacional e a prisão de um otário que, no sábado, fez ofensas racistas a um médico negro que estava num camarote com um boné do PT. Pena que não divulgaram o nome do criminoso.

E que se destaque igualmente o sucesso das ações de marketing da Porto Seguro, que distribuiu 70 mil bonés ao público no autódromo, montou uma tribuna para quatro mil pessoas com roda-gigante, simuladores e torneio de pit stop (a Vila Porto), e usou e abusou de seus patrocinados Gabriel Bortoleto, Felipe Drugovich e família Barrichello. A Porto também patrocina a vertical de canais do YouTube da qual faço parte. Mas não é por isso que estou falando dela, não. É que o bonezinho azul claro corre o risco de virar marca registrada da corrida de Interlagos. Uma bela sacada que mexeu com o visual das arquibancadas. Pelo jeito, a Porto curtiu o mundo do automobilismo. Que bom. Os pilotos e o público agradecem.

A FRASE DE SÃO PAULO

“Nosso desempenho foi imperdoável. Demos a nossos pilotos um carro miserável que não merece vencer uma corrida.”

Toto Wolff, chefe da Mercedes
Toto Wolff: performance “inaceitável”

É um bom frasista, Toto Wolff. Por isso aparece sempre por aqui, nestes rescaldões. À sua sentença, acrescentaria duas, dos pilotos da Mercedes. Russell, que venceu em Interlagos em 2022: “Um ano atrás, nesta mesma pista, tivemos nosso melhor fim de semana na temporada. Doze meses depois, no mesmo circuito, fazemos o pior do ano. Não tem explicação”. Hamilton, cansado: “Mais duas corridas com essa coisa e espero nunca mais ter de pilotá-lo”. A referência pouco elogiosa ao W14 embute uma preocupação extra. A Mercedes está na estaca zero para fazer o carro de 2024. A melhora de performance recente, pelo jeito, foi casual. Não teve nenhuma base sólida.

Algumas observações agora sobre a pontuação de pilotos e equipes depois de 20 corridas de um campeonato interminável. A AlphaTauri encostou na Williams ao somar pontos em três corridas seguidas. Vai acabar passando, se Tsunoda e Ricciardo se esforçarem. Já a disputa pelo vice entre as equipes segue indefinida, tamanhas as oscilações de Mercedes (382) e Ferrari (362). Na tabela dos pilotos, os 18 x 6 aplicados por Pérez sobre Hamilton em Interlagos, somando Sprint e GP, praticamente definiram o vice-campeonato. Lewis precisa descontar 32 pontos em duas corridas. Só por milagre. Mas a luta entre Alonso, Norris e Sainz está bonita. Vejam abaixo.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de dois pilotos em particular no pelotão do meio, Gasly e Tsunoda. O francês saiu de 15º para sétimo e correu boa parte da prova com um olho só, porque um cisco fez com que lacrimejasse a prova toda. O japonês veio de 16º para nono e, mais um pouco, poderia atacar Hamilton.

NÃO GOSTAMOS da Ferrari, claro. Leclerc, coitado, nem começou a corrida. Sainz terminou em sexto. O monegasco estava em segundo no grid. O espanhol não conseguiu fazer os pneus funcionarem. Em resumo, uma droga.

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RÁDIO BLOG

Estar vivo para ver uma música dos Beatles ser lançada mais de meio século depois do fim da banda é um privilégio.

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SPGP (3)

Postagem de Norris: “Dois campeões mundiais e eu”

SÃO PAULO (gracias) – Max Verstappen isolou-se como quarto maior vencedor da história da F-1. Ganhou o GP de São Paulo, em Interlagos, e foi a 52 vitórias na carreira. Agora tem, à sua frente nas estatísticas, Lewis Hamilton (103), Michael Schumacher (91) e Sebastian Vettel (53). O holandês deixou Alain Prost para trás. Foi sua 17ª vitória em 20 corridas neste ano – recorde dele mesmo agora ampliado, o de triunfos na mesma temporada.

Mas o nome do domingo de sol e calor no autódromo paulistano foi Fernando Alonso, terceiro colocado – o segundo foi Lando Norris, da McLaren. Graças a ele, a prova ganhou em empolgação nas últimas voltas, com o espanhol da Aston Martin se defendendo de forma brilhante de Sergio Pérez, da Red Bull. Defendendo e atacando, também. Porque Fernandinho chegou a perder a posição na penúltima volta, mas foi buscar sua taça na última, com a garra de sempre. A atuação do asturiano justificou o ingresso para um GP que não foi exatamente um primor de emoções, mas acabou sendo salvo por Alonso. No fim das contas ficou na média de um campeonato que entrará para os anais como um samba de uma nota só.

Leclerc volta a pé: abandono antes da largada

E até que Interlagos deu a sensação de que iria pregar suas peças antes mesmo da largada, com um “momento Hardy” de Hanna Barbera. No Laranjinha, Leclerc, segundo no grid, foi reto e bateu nos pneus na volta de apresentação. Oh, vida, oh, dia! “Por que tenho tanto azar assim? Por que sempre comigo?”, lamentou-se pelo rádio. Chaleclé perdeu todo o sistema hidráulico de sua Ferrari. Uma pane que deixou a direção ficou pesada como a de um FNM e fez as rodas traseiras travarem. Alarmes tocaram. Trombetas do apocalipse soaram. Pifou tudo. O ferrarista conseguiu colocar o automóvel numa agulha de resgate, tirando-o da pista. E, assim, a largada foi dada. Para, pouco depois, parar tudo de novo.

Às explicações.

Assim que se apagaram as luzes vermelhas, Verstappen pulou muito bem e Alonso, com um buraco à frente pela ausência de Leclerc, muito mal. Stroll, terceiro no grid, também parecia tirar um ônibus da garagem, tamanha a demora para sair do lugar. Norris aproveitou, passou o espanhol e o canadense e conseguiu fazer o S do Senna na segunda posição. Era o melhor cenário possível para buscar um pódio. Hamilton veio junto, em terceiro.

Mas, um pouco atrás, Albon tocou em Hülkenberg – ou foi tocado –, apontou para dentro e Magnussen bateu nele. Ambos foram parar na área de escape do S do Senna. Um pneu voou e atingiu o carro de Daniel Ricciardo. Imediatamente, o safety-car foi chamado. Na sequência, a bandeira vermelha foi acionada em todos os postos de controle. A proteção de pneus no ponto da batida teria de ser reparada, seria preciso parar a corrida.

Carro de Albon é resgatado: bandeira vermelha

Verstappen, Norris, Hamilton, Alonso e Stroll eram os cinco primeiros quando a prova foi interrompida, na terceira volta. Os pilotos voltaram ao pitlane e Piastri foi para a garagem. “Teremos de retirar o carro”, avisou o engenheiro do australiano da McLaren. Havia um problema em sua asa traseira. Mas como a corrida foi paralisada, alguém teve a brilhante ideia de tentar solucionar o problema. Talvez desse tempo. E deu. Mas ele acabaria fazendo apenas figuração na prova.

Cabe destacar que, de maneira até surpreendente, quase todos os pilotos foram para a corrida com pneus macios, que iriam durar muito pouco – coisa de 20 voltas num estado minimamente aceitável de performance e desgaste. Mas a experiência da Sprint, na véspera, mostrou que dava para começar com eles.

Enquanto a nova largada não era dada – a paralisação foi de quase meia hora –, os organizadores aproveitaram para informar que, nos três dias do evento, 267 mil pessoas estiveram em Interlagos para ver o GP. Que, hoje, não é mais chamado de GP do Brasil, e sim de GP de São Paulo. E não GP São Paulo, sem o “de”, como eu vinha escrevendo. Adotarei essa forma, “de São Paulo”, respeitando os caracteres da transmissão oficial. Virou zona, esse negócio do nome da corrida. Lembro que, no passado, muita gente chamava a prova de “GP Brasil”. E eu insistia: “Do Brasil”. Como “da Hungria”, “da Alemanha” e “dos Estados Unidos”. Mas brasileiro tem mania de cortar palavras, sílabas, letras. Um inferno.

O novo grid foi formado com as posições da terceira volta. Piastri conseguiu colocar o carro na pista, assim como Ricciardo, apesar do pneu que acertou sua asa traseira. Ambos largaram do pitlane.

Max partiu bem de novo, assim como Norris. Na freada do Lago, Alonso passou Hamilton e foi para terceiro. O único piloto na pista com pneus médios era Piastri. Os demais permaneceram com os macios.

Na sexta volta, em quinto, Russell entrou no rádio. Estava atrás de Hamilton. “Pessoal, vamos trabalhar juntos, em equipe. Aprendi isso num curso de coaching. Não vou atacar meu colega. Afinal, somos colegas. O ambiente na equipe é importante. A harmonia, a camaradagem, uma certa cumplicidade. Valorizo muito isso, tomar um café na copa, conversar sobre o trabalho, a vida…” “Cala a boca, George”, pediu Toto Wolff, desejando ter esticado suas férias recém-interrompidas.

Norris se insinua sobre Verstappen: durou pouco, a esperança de disputa

Norris não deixou Verstappen escapar. Na volta 8, desandou a abrir asa e tentar a liderança. Ali, parecia que teríamos uma corrida. Então, alguém avisou o tricampeão que ele não estava sozinho na pista. “Max, há um automóvel de cor laranja atrás do seu. Me parece que ele quer passagem, você poderia dar uma olhadinha?”, pediu seu engenheiro. O holandês, que estava mudando de playlist no novo equipamento de som, por bluetooth, deu uma espiada no retrovisor. Percebeu que havia, sim, um carro por perto. Acelerou. Duas voltas depois, a diferença para Landinho, que era de 0s7, subiu para 2s2. Acabou a corrida.

Enquanto isso, Russell seguia narrando o evento pelo rádio. “Pessoal, aqui é George falando, tudo bem?” Ninguém respondeu. “Vocês sabem que sou eu, seus pândegos!”, descontraiu. “Bom, é o seguinte… Atrás de mim há um mexicano. À frente, um inglês, como eu. Eu jamais atacaria um compatriota. Menos ainda sendo ele da mesma equipe que a minha. Mas o rapaz latino-americano – notem, eu disse latino-americano, e não sul-americano como aquele cidadão da outra equipe, aquele que tem um olho só – está a me pressionar. Vocês sabem, México, cartéis… Viram ‘Breaking Bad’? Eles são implacáveis. Não perdoam. Como dizem, ‘passam no fogo’. Será que não é o caso de…”, e foi quando Toto Wolff, de novo, pediu para ele calar a boca.

Russell x Hamilton: muito falatório e pouca performance

Enquanto discursava, na volta 14 Pérez passou. Assumiu o quinto lugar. George voltou ao rádio. “Mas não éramos uma equipe? Lewis não deveria me ajudar? Aqui é cada um por si, é isso? Vejam, no meu curso de coaching aprendemos que…”, e aí Toto Wolff ordenou: “Desliguem o rádio dele, pelo amor de nosso senhor Jesus Cristo”.

Na volta 18, Checo passou Hamilton no S do Senna, assumindo o quarto lugar. Lewis até tentou dar o troco, mas não tinha carro para isso. No fim da volta, foi para o box trocar pneus. Na 19ª, a Mercedes chamou Russell. “Quando parar, gostaria de discutir algumas coisas, alguns pontos que me parecem…”, mas não deu tempo de terminar a frase, os pneus estavam trocados e ele voltou à pista em 11º, atrás do companheiro de equipe.

Os pit stops começaram em ritmo intenso. Pérez parou na volta 21. Quando voltou, estava atrás de Hamilton de novo. Na 23ª, recuperou a posição. Mais atrás, o prolixo Russell perdia a posição para Stroll. Logo depois, o canadense foi para cima de Hamilton e passou também. A Mercedes se arrastava.

Verstappen comemora: 17 vitórias na temporada

Na volta 28, Verstappen e Norris pararam juntos. Ambos colocaram pneus médios. Após o pit stop, Max aumentou sua diferença para Lando para mais de 5s. Alonso seguia firme em terceiro, em sua melhor corrida desde o GP da Holanda, em agosto. Pérez, Stroll, Hamilton, Russell, Sainz, Ocon e Bottas completavam os dez primeiros, todo mundo com pneuzinho trocado. Mas o espanhol da Aston Martin seria ameaçado, em algum momento, pela Red Bull de Checo.

Em sétimo, colado em Hamilton, Russell tentou contato com a Mercedes pelo rádio. Como ninguém respondia, telefonou. Atendeu uma plantonista em Stuttgart. “Gutten Nacht!”, arriscou o piloto, em alemão. “Aqui é o George!” A moça perguntou qual George, mas logo se arrependeu de iniciar um diálogo àquela hora e emendou, antes que o outro dissesse qualquer coisa. “Olha, hoje é domingo, não tem ninguém na fábrica, liga amanhã”, e bateu o fone na cara dele.

Na volta 35, Sainz passou Russell. Lá em Stuttgart, vendo a corrida em sua salinha, a atendente resmungou: “Esse cara é muito fraco, tá louco…”. E continuou a lixar as unhas, esperando o plantão acabar. Sem prestar muita atenção à TV, que estava sem volume, nem percebeu quando, duas voltas depois, o espanhol da Ferrari passou Hamilton, também, assumindo a sexta posição. Mas ela jamais diria uma palavra desairosa sobre Lewis. No ano anterior, quando o piloto visitou a fábrica, ganhou um autógrafo na camiseta e um beijo do heptacampeão que ela se gabava às amigas ter sido quase um selinho. “Pegou de lado”, jurava. A telefonista amava Hamilton. Até tatuou #44 nas costas. Uma tatuagem pequena, mas bem feitinha.

Russell: no fim, abandono com problemas de motor

Bottas, que chegou a andar nos pontos, abandonou na volta 41. Era o quinto carro fora da corrida, já que seu companheiro Zhou parara pouco antes. Àquela altura, a única briga de alguma relevância que se desenhava era pelo terceiro lugar, com Pérez chegando em Alonso para tentar um trofeuzinho. Bem mais atrás, Russell era ultrapassado por Gasly, na volta 43. O domingo da Mercedes era uma tragédia. Na volta 46, já ameaçado por Tsunoda, o inglês parou pela segunda vez. E colocou pneus macios.

Pérez fez o mesmo na volta 47 para tentar atacar Alonso na parte final da prova. A segunda bateria de pit stops começou, com Hamilton vindo na sequência. Os macios, ainda que usados, foram a escolha de todos nas paradas derradeiras. Alonso foi para os boxes na volta seguinte à do mexicano, para não perder a posição. Voltou à frente. Mas ainda muito ameaçado.

Por várias voltas, Pérez x Alonso concentraram as atenções no autódromo. Valia lugar no pódio. Na volta 57, Verstappen foi para seu segundo pit stop. Tinha um jogo de pneus macios novinho em folha, com etiqueta e tudo, para a parte final da corrida. Seu companheiro continuava atiçando o veterano da Aston Martin. Norris, líder provisório, era o único na pista com apenas uma parada.

Na volta 59, a Mercedes chamou Russell para os boxes. “De novo?”, questionou o piloto. “Vejam, nossa posição não é boa, mas temos de respeitar o esporte, a competição. No meu curso de coaching aprendi que não se deve desistir até o último…”, e foi quando Toto Wolff perdeu a paciência e gritou: “George, sai do carro e fica quieto!”. O inglês abandonou, com alegados problemas no motor.

Os dez primeiros em Interlagos: Alpine com dois nos pontos

O último pit stop da prova foi feito por Norris na volta 60. Voltou em segundo, a mais de 11s de Verstappen. Atrás deles, Alonso resistia bravamente aos ataques de Pérez, usando toda sua experiência e a malandragem adquirida na adolescência nos becos escuros de Oviedo. Checo abria a asa nas retas, tentava, tentava, mas não conseguia se aproximar o suficiente para tentar uma manobra decisiva. Dava gosto de ver Alonso: frio, calculista, talentoso, escolhendo trajetórias diferentes e enlouquecendo o rival.

A agonia da Red Bull deu a impressão de que chegaria ao fim na penúltima volta. Pérez passou no S do Senna, conseguiu se defender na Reta Oposta, mas… O outro ali era Alonso. Ele é espanhol e não desiste nunca, como diz a canção. Na última volta, o carro verde #14 embutiu em Pérez e, na freada do Lago, por fora, o bicampeão retomou o terceiro lugar. Recebeu a bandeirada 0s053 à frente de Checo, que teve de se contentar com o quarto lugar. Um pódio gigantesco de Fernandinho. Troféu suado, mas muito merecido.

Verstappen e Norris ficaram em primeiro e segundo, resultado até previsível por tudo que aconteceu ao longo do fim de semana. Depois de Alonso, na zona de pontos, vieram Pérez, Stroll, Sainz, Gasly, Hamilton, Tsunoda e Ocon. A luta pelo vice de pilotos segue aberta, mas Checo abriu 32 pontos e, agora, dificilmente perde o segundo lugar. Ele tem 258 pontos, contra 226 de Hamilton. Alonso (198), Norris (195) e Sainz (192) travam uma boa disputa pela quarta posição. Entre as equipes, a Mercedes segue com 20 pontos de vantagem para a Ferrari: 382 x 362. Faltam duas provas para o fim do campeonato, em Las Vegas e Abu Dhabi.

Alonso subiu ao pódio pela oitava vez no ano e colocou na estante seu 106º troféu. Ele empatou com Prost nessa estatística na quarta colocação. Só Hamilton (197), Schumacher (155) e Vettel (122) subiram mais vezes do que eles no pódio. Como o asturiano ainda tem pelo menos mais um ano de contrato com a Aston Martin (o terceiro é opcional, mas tudo indica que ele seguirá correndo em 2025, apesar de já estar com 42 anos de idade), as chances de juntar mais algumas taças é muito grande.

O que seria ótimo. Alonso é um piloto bom demais para ter seus números desinflados pelas temporadas erráticas que disputou pela McLaren, Renault e Alpine. O que fez hoje em Interlagos é coisa de gênio.

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SPGP (2)

Verstappen e Pérez: primeiro e terceiro colocados

SÃO PAULO (rapidinho) – Max Verstappen ganhou a Sprint de hoje Interlagos tendo apenas o trabalho de ganhar uma posição na última corrida curta de 2023. Foi sua sétima vitória em provas desse tipo, que começaram a ser disputadas em 2021. Das seis deste ano, ele ganhou quatro. Lando Norris e Sergio Pérez ficaram em segundo e terceiro.

A corrida foi realizada com sol e calor, felizmente sem nenhum sinal do dilúvio que devastou parte do autódromo ontem no final da tarde. Os organizadores trabalharam rápido e conseguiram recuperar os danos causados pela ventania e pela chuva. No balanço das intempéries, foram seis feridos leves e muitas coberturas de arquibancadas danificadas. Pouco, para a intensidade da tempestade.

Norris: primeira posição no grid

Antes de contar a história da Sprint, vale mencionar o que aconteceu na classificação para a corrida curta. Norris fez a pole, seguido de Verstappen, Pérez, Russell, Hamilton, Tsunoda, Leclerc, Ricciardo, Sainz e Piastri nas dez primeiras posições. Na primeira parte da classificação, o Shootout, Alonso e Ocon se bateram na Curva do Sol. O francês abria volta rápida e o espanhol estava desacelerando. Fernandinho não deixou um espaço generoso à sua esquerda, e Esteban deu uma rabeada que acabou levando ao choque e à batida. O piloto da Aston Martin conseguiu voltar aos boxes, mas não deu para arrumar o carro. Ocon chamou o ex-companheiro de “idiota” pelo rádio. Mas Alonso evitou hierarquizar as culpas: “Eu estava no lugar errado na hora errada, dessas coisas que acontecem”. Ninguém foi punido. Os comissários entenderam que foi um daqueles “incidentes de corrida”. No caso, de classificação.

Por dentro: Max passa Norris e some na frente

Mas vamos à corridinha. Pneus macios foram a escolha de quase todos – Magnussen, Hülkenberg e Sargeant foram de médios. Verstappen largou muito bem e fez valer o lado de dentro para a primeira perna do S do Senna. É assim que se passa ali. Deixou Norris para trás. Na freada do S, Russell também passou o inglês da McLaren. Hamilton passou Pérez e, pouco depois, levou o troco. Como nas outras duas Sprints de Interlagos, em 2021 e 2022, a prova era disputada em ritmo frenético, com todo mundo andando muito perto.

Na quinta volta, Norris recuperou o segundo lugar em cima de Jorginho. Max, em primeiro, não tomava conhecimento do que se passava em seus retrovisores. Na volta 8, Pérez passou Russell no S do Senna e foi ultrapassado pelo supracitado na entrada da curva do Lago. Interlagos tem disso, bons pontos de ultrapassagem para quem sabe onde mergulhar retardando a freada. Quase sempre dá certo. E deu para o mexicano na décima volta, agora por dentro no S do Senna. Manobra clássica. Dessa vez, não deixou o #63 da Mercedes devolver a gentileza.

Tsunoda: grande atuação, sexto lugar

O troca-troca de posições entre o S do Senna e a freada do Lago se repetiu com Ricciardo para cima de Sainz na volta 12, em briga pelo oitavo lugar — Ferrari tomando canseira da AlphaTauri, quem diria… Na 14ª, repeteco: Ricciardo passa primeiro, Sainz recupera depois. Aí, Piastri aproveitou e também deixou o australiano para trás.

Os primeiros colocados foram se distanciando e os intervalos entre eles, aumentando. Verstappen estabeleceu uma diferença segura para Norris. Pérez, em terceiro, nem esboçou um ataque ao segundo colocado. Ao contrário, percebeu que Russell estava longe e se acomodou ali. Pelo menos uma medalhinha levaria para casa. Quem despencou de rendimento depois de 20 voltas foi Hamilton, ultrapassado por Leclerc e Tsunoda e caindo de quinto para sétimo.

E, num estalar de dedos, a Sprint terminou com Verstappen, Norris, Pérez, Russell, Leclerc, Tsunoda, Hamilton e Sainz nas oito primeiras colocações. O resultado foi muito bom para o mexicano, que aumentou em quatro pontos sua diferença para Lewis na luta pelo vice-campeonato, de 20 para 24.

Os oito que pontuaram: mexicano da Red Bull se deu bem

APARECEU – Felipe Massa finalmente apareceu no autódromo. A organização do GP disse que ele era “muito bem-vindo”. Deu uma entrevista ou outra. E falou que tem credencial para o ano todo, por isso foi a Interlagos. “Estou lutando pela justiça, pelo que é justo”, resumiu, falando sobre seu pleito pelo título de 2008. Barrichello, Nelsinho Piquet e outros pilotos brasileiros também circularam pelo paddock.

Massa no autódromo: credencial para o ano todo
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SPGP (1)

Verstappen faz a pole: depois, o mundo acabou

SÃO PAULO (salve-se quem puder) – Max Verstappen larga domingo na pole para o GP São Paulo, antepenúltima etapa do Mundial de F-1. O holandês garantiu a posição de honra da prova de domingo antes que o mundo acabasse com uma tempestade que se abateu primeiro sobre a zona sul, se espalhando depois por outras regiões da cidade. Ela veio na metade do Q3, interrompendo os trabalhos no autódromo. Foi a 11ª pole do tricampeão no ano, 31ª na carreira. Amanhã é dia de Sprint em Interlagos. Se houver sobreviventes do furacão, eles voltam ao autódromo para a minicorrida que começa às 15h30. O grid desta será definido a partir das 11h.

Max & Adriano: o rei da hora e o imperador de sempre

A classificação começou com céu nublado e tempo abafado, na casa dos 28°C, enquanto chovia forte em alguns bairros paulistanos. E com 15 minutos de atraso. A pista teve de ser limpa com caminhões-vassoura pelo excesso de terra e pedriscos que, depois do treino livre, chamaram a atenção de Alonso. “Não é uma pista no nível da F-1”, exagerou o espanhol, subindo um pouco o tom.

A Ferrari tinha feito 1-2 no único treino livre, pela manhã. Mas a McLaren, no fim da sessão, deu pintas de que seria rápida, com seus pilotos fazendo as melhores parciais nos dois primeiros trechos do traçado, e abortando as voltas no fim. Por isso, ninguém se espantou quando Norris fez 1min10s623 logo de cara. As equipes trabalhavam com a possibilidade de chuva a qualquer momento, por isso era importante registrar tempo o quanto antes. Leclerc baixou o tempo de Landinho em 0s151. Piastri, na sequência, também jogou o inglês para trás.

Enquanto isso, Verstappen reclamava. “Meu carro está pulando que nem um canguru, como no México!”, falou, pelo rádio. “Perneta?”, perguntou o engenheiro. Max não entendeu a piada – a maioria dos que nos leem também não, provavelmente.

Sessão interrompida: Stroll em terceiro no grid

Como de hábito, os tempos em Interlagos ficaram muito próximos. Todos os pilotos no Q1 ficaram no mesmo segundo – 0s935 do primeiro ao último; até o 19º, 0s695. Qualquer milésimo conta. Isso se dá porque a pista é curtinha, com voltas muito rápidas – na casa de 1min10s. No final da primeira parte da classificação, Russell acabou com o melhor tempo: 1min10s340. Max reagiu e foi o segundo, a 0s096 do mercêdico que, no ano passado, venceu no Brasil. Tsunoda, Ricciardo, Bottas, Sargeant e Zhou foram os eliminados.

Verstappen abriu bem o Q2 com 1min10s162. Sua volta só foi batida por Norris a 3min30s do final: 1min10s021. Havia mais de um candidato à pole, isso era claro. Qualquer um de Red Bull, Ferrari, Mercedes ou McLaren poderia ficar em P1. Tudo dependeria de acertar tudo numa volta no Q3.

A proximidade dos tempos se repetiu no Q2, com menos de 0s4 separando o líder da tabela do décimo, o último a passar para a fase final da classificação. Ficaram fora Hülkenberg, ocon, Gasly, Magnussen e Albon.

Os tempos em Interlagos: Aston Martin reage

Cinco equipes levaram suas duplas ao Q3: McLaren, Red Bull, Aston Martin, Ferrari e Mercedes. Sem surpresas, pois. Aí o céu fechou de vez. Nuvens muito escuras se aproximaram do autódromo, vindo da represa, claro, e alguns torcedores – que encheram as arquibancadas, numa sexta-feira festiva e colorida – começaram a vestir capas. Só que chuva, mesmo, daquelas de molhar o asfalto, não vinha. Na dúvida, os pilotos formaram uma fila na saída dos boxes para pegar pista seca. E faltavam três minutos para a luz verde.

Daria tempo para todos fazerem voltas no seco, só que daquele jeito: com pressa e sem se preocupar muito com a perfeição. O mundo desabaria sobre as cabeças de todos em breve, justificando os temores de Asterix e Obelix, quando terminasse a classificação. (Se não entenderam também, leiam.)

Stroll com Verstappen: melhor desde pole em 2020

Verstappen fez 1min10s727 na sua primeira volta rápida. Não era um tempo bom, mas ninguém conseguiu nem chegar perto na primeira saída dos boxes. O vento forte, vindo de várias direções, impediu os pilotos de fazerem voltas minimamente aceitáveis. E essa saída acabou sendo a única. Piastri rodou. Sainz escapou. O vento soprou. A chuva chegou. O asfalto molhou. A luz sumiu. A classificação acabou. Uma tempestade assustadora despencou sobre Interlagos e a direção de prova deu bandeira vermelha a 4min19s da quadriculada, suspendendo as atividades e recomendando que todos fugissem para as colinas.

Verstappen e Leclerc formam a primeira fila do GP São Paulo, domingo. O monegasco ficou a 0s294 do holandês. Na segunda, uma surpresa: Stroll em terceiro, Alonso em quarto. Para o canadense, uma espécie de remissão dos pecados. É sua melhor posição de largada desde a inesperada (e solitária) pole que fez para o GP da Turquia em 2020, ainda pela Racing Point. Hamilton e Russell ficaram em quinto e sexto, terceira fila da Mercedes, pois. Norris, Sainz, Pérez e Piastri fecharam os dez primeiros.

Às posições de Russell, Gasly e Ocon, que estão um pouco acima na tabela de tempos, acrescentem duas. Os três foram punidos porque enrolaram para entrar na pista, atrapalhando outros pilotos na saída de box. Assim, Russell caiu para oitavo, Ocon para 14º e Gasly para 15º.

Caixinhas, agora, para arredondar a semana.

Alonso: mentiras de redes sociais

FAKE NEWS – A cascata da semana passada, disseminada nas redes sociais, foi: Alonso vai para a Red Bull em 2024 e Pérez, para a Aston Martin. Mentira pura, mas o público de F-1 hoje, sobretudo os mais novos, se alimenta disso. Sai espalhando e, depois, jornalistas de verdade são obrigados a desmentir o que nunca publicaram. Isso irrita a imprensa profissional, claro, mas não só ela. Alonso mesmo, ontem, disse que “vai tomar providências” contra o que chamou de “mentiras para dar audiência na internet”. A origem dessa bobagem foi a postagem de um “influencer” que se intitula “jornalista freelancer” – inglês, irlandês ou coisa que o valha – e se baseou numa “informação” publicada num site amador da… Polônia!

Lindeza em Interlagos: Porto segue com Drugovich (foto: Rodrigo Berton)

TESTING, TESTING – Ontem, também, só que agora a notícia é real: Felipe Drugovich renovou com a Aston Martin, segue como piloto de testes e desenvolvimento em 2024 e está procurando alguma coisa para fazer além de trabalhar em simuladores no ano que vem. Ficou tarde, porém. Equipes que disputam campeonatos de alguma relevância já fecharam seus pilotos para a próxima temporada – WEC, Indy, Fórmula E. Drugovich falou que teve de distribuir “nãos” aos convites que recebeu porque sua prioridade é a F-1. O brasileiro, que tem 23 anos, terá como última tarefa em 2023 a participação no primeiro treino livre em Abu Dhabi, prova de encerramento da temporada. Vai no carro de Alonso. Em 2024, Drugovich continua com patrocinadores fortes que bancam seu lugar na Aston Martin, como a Porto Seguro e a XP Investimentos.

Interlagos: chove, mas a gente gosta

MAIS SETE – Hoje, a boa notícia para paulistanos e Interlagos’ lovers foi a da extensão do contrato da cidade com a F-1 por mais sete anos. O GP do Brasil, agora chamado de GP São Paulo, segue no nosso querido templo pelo menos até 2030. Gostaria de lembrar que em 2019 o tosco asqueroso, nojento, com tendências genocidas e golpista vagabundo, ao lado de um picareta que desapareceu, anunciou que a F-1 iria para o Rio no ano seguinte, num autódromo que seria construído em Deodoro. Parte da imprensa brasileira comprou essa lorota, dando-a como fato consumado. Fui dos poucos a denunciar a mentira cabeluda — de vez em quando falo bem de mim. O governador de São Paulo à época, João Doria, renovou o contrato com Interlagos alguns meses depois. O tal autódromo de Deodoro nunca saiu. Ainda bem, porque a ideia dos pilantras era fazer a pista numa área de floresta preservada. O abominável perdeu a eleição, hoje não pode se candidatar nem a síndico de condomínio na Barra. Pesada. O malandro que apresentou o projeto da pista sumiu. E Interlagos segue firme e forte.

COM MUITO ORGULHO – Hamilton, que no ano passado ganhou o título de cidadão brasileiro, apareceu na quinta com uma jaqueta e uma calça pintadas com as cores do Brasil e o rosto de Senna. Hoje, entrou no autódromo com agasalho da CBF da Umbro, antigão – de 1994. E fez um capacete especial para a corrida, lembrando o de Ayrton. Ele é muito fã de Senna e ama o Brasil, como todos sabem. Mas continua falando apenas duas palavras em português: “Oi” e “obrigado”. Nos eventos promocionais pré-corrida, o que de mais importante Lewis disse foi que, nestes últimos dois anos, redescobriu o prazer de terminar uma corrida em segundo lugar.

SEM MASSA – Registrando que, até agora, Felipe Massa não apareceu no autódromo. A FIA não o proibiu de nada. Mas ele sabe que seria meio constrangedora a presença, porque todos só perguntariam a ele sobre a reivindicação do título de 2008. Um encontro casual com Hamilton, já pensaram? Aliás, na coletiva de quinta, Leclerc, Sainz, Bottas, Sargeant e o próprio Hamilton foram perguntados sobre o desejo de Felipe e o processo que pretende mover contra a FIA e a F-1. Ficaram em silêncio. Não tinham nada a falar sobre o assunto.

PAVOR – A tempestade que atingiu Interlagos derrubou o teto de uma arquibancada da Porsche, levou parte da cobertura da tribuna da Porto, arrancou uma tenda da Heineken, sumiu com a bandeira do Brasil gigante que havia sido hasteada em orgulhosos mastros no meio da semana e inundou boxes e paddock. Até agora, a organização do GP diz, oficialmente, que não há feridos. Mas já recebi relatos de gente em Interlagos saindo de ambulância, outros de pessoas sendo levadas em macas e pânico em certos setores. Aguardemos, torcendo para que tudo esteja bem. O negócio foi pesado. Às 20h, um comunicado foi emitido com o seguinte teor: “As equipes do GP São Paulo avaliaram os acontecimentos ocorridos no autódromo de Interlagos nesta sexta-feira, 3 de novembro, em função dos fortes ventos e chuvas na cidade. Foram identificados alguns pequenos incidentes com espectadores, atendidos prontamente pelas equipes do evento. Verificaram, ainda, que algumas áreas foram danificadas, mas não houve comprometimento das suas estruturas, que já estão sendo reparadas para o evento de amanhã”.

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