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Sunday, 17 de October de 2010 - 0:29Automobilismo brasileiro

SÓ QUE…

SÃO PAULO (irritado) – A F-3 Sul-americana está em Londrina neste fim de semana. No grid, 13 carros, sendo apenas sete da categoria principal (a outra é a Light, que larga junto). Oito chegaram ao final. Vi uma etapa, no Velopark, ao vivo. Os carros são legais, as equipes são organizadas, mas ninguém participa. Mas campeonato de oito carros, que tem sido a média no grid este ano, não é campeonato.

A categoria conseguiu o patrocínio da Petrobras via Lei de Incentivo ao Esporte. O Ministério dos Esportes aprovou no fim do ano passado a captação de R$ 7.063.763,75 graças a um projeto apresentado, em nome da F-3, por um certo Instituto de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro, aparentemente sediado no Paraná. F20E2E83E05527D02E7CAC982229" target="_blank">Está aqui, para quem quiser ver. Não há nada de ilegal nisso. Qualquer um pode apresentar um projeto ao Ministério, que o analisa e, se achar que deve, aprova. E se a Petrobras quer colocar seu dinheiro nisso, tudo bem. Faz parte de suas atribuições, acredito, apoiar o esporte a motor. O valor total, aliás, ficou longe de ser captado. A Petrobras, de acordo com o site, entrou com R$ 1.800.000,00. Acho até que essa lei é interessante, se bem utilizada e tratada com seriedade. O mesmo vale para a cultura, o audiovisual e tudo mais. Há um punhado de leis de incentivo pingando no pedaço.

Só que…

Só que tem coisa errada aí. Os projetos contemplados pela Lei do Incentivo ao Esporte exigem alguma contrapartida social/educacional/de fomento. A legislação é bem complexa. No caso da F-3, a tal contrapartida, até onde eu sei, seria a Fórmula Universitária — em tese, um ambiente para formação de pilotos, técnicos e engenheiros, com a participação de universidades. A F-Universitária não existe.

Um passeio por esses projetos aprovados, na área automobilística, revelam outras coisas esquisitas. O Interlagos Motor Clube, por exemplo, egrégio organizador de muitas etapas do popularíssimo Campeonato Paulista de Velocidade no Asfalto, emplacou dois. É só entrar aqui e colocar em “Proponente” o nome do dito cujo. Um dos projetos aprovados se chama “Das ruas para o esporte”. Suponho que seja para ajudar a financiar as provas de arrancada. Não consegui localizar no site uma descrição do projeto. Talvez esteja em algum lugar, não sei. O valor aprovado para captação é de R$ 1.331.147,16. E os proponentes prometem um público de… 230 mil pessoas.

Putz. 230 mil pessoas? Será que o Ministério pede uma comprovação razoavelmente crível desse público estimado?

Tem outro, também do Interlagos Motor Clube. Para o Campeonato Paulista de Kart. Valor aprovado de R$ 1.506.235,00. Estimativa de público: 173 mil pessoas.

Putz.

É importante dizer que o Interlagos Motor Clube não captou nada até agora. E é importante também esclarecer que esses valores não são dotações públicas para nada. O proponente aprova seu projeto e sai a campo para arrumar patrocinadores/doadores/financiadores. Se conseguir, ótimo. Se não conseguir, azar. O governo não entra com dinheiro algum. Apenas abre mão de arrecadar determinados valores em impostos, que deixam de reforçar os cofres públicos para financiar os projetos aprovados.

Mas sugiro aos técnicos do Ministério do Esporte que, pelo menos no caso do automobilismo, procurem saber por onde anda esse público monumental antes de aprovar algum projeto. Prometer que 173 mil pessoas verão um campeonato de kart me parece meio exagerado.

PS: a F-3 estimou seu público em 180.020 pessoas para toda a temporada. Parece mais um exagero, mas como uma de suas nove rodadas duplas acontece junto com a F-1 em Interlagos, é possível que se chegue perto disso ao longo do ano — embora em todas as demais provas o público seja minúsculo.

19 comentários

  1. Dilson Motta says:

    Olá Flávio!

    Como grande democrata que sou e sempre serei respeito seu ponto de vista, somente gostaria de questionar alguns pontos abordados no seu post. O principal deles diz respeito a Fórmula Universitária. A categoria ainda não foi para as pistas em função da burocracia de algumas Universidades. Temos 8 universidades já com seus carros e mais 10 carros para entregar aguardando somente a documentação necessária das universidades que solicitaram carros.
    Outro ponto é onde você alega que a contrapartida social do projeto da F3 é a F universitária. Engano seu. Basta ler o projeto que você verá que não há qualquer contrapartida nesse sentido.
    O público estimado da fórmula 3 tem que considerar todas as etapas, ou seja, o público das 24 corridas do ano. Se considerarmos o público de sábado e domingo da F1, devemos ter algo em torno de 40 mil pessoas no sábado e 60 mil no domingo, com o público de sábado e domingo de Santa Fé já tivemos 50 mil pessoas e uns 40 de dois dias de Piriápolis, Ai já superamos a nossa expectativa. Expectativa pode ou não ser alcançada, não é promessa.
    Sobre o comentário de um rapaz sobre o show do Living Colors fico com a sensação de que não devemos mais tomar tal iniciativa, que diga-se de passagem já vem sendo adotada na F1. Nós da Fórmula 3 distribuimos mais de 4.000 ingressos em parcerias com a Petrobras e com alguns parceiros locais.
    Sobre o número de carros no grid é importante ressaltar que algumas conquistas desse ano vão fazer com que esse problema também seja resolvido. Temos hoje no Brasil 33 chassis de F3, 15 da principal e 18 da Light e espero ter 19 carros na prova de São Paulo.
    Se considerarmos que a própria F3 européia enfretou problemas esse ano acho que poderemos tambem melhorar esse ponto. Basta ver que esse também é um problema na Future Fiat, que tem tudo para dar certo, carros novos, custo relativamente baixo, mas se ve refem do mercado de pilotos.
    Vamos ressaltar os pontos positivos que são a transmissão ao vivo da RedeTV, o patrocínio da Petrobras, a premiação do Bruno Andrade para a Renault World Series, o treino da RedBull para campeão e vice, e a significativa redução de custos a cada temporada para os pilotos, a persistência na categoria Light, onde o custo por corrida chega a R$ 12.500.

    Quanto a sua insinuação sobre o destino do recurso gostaria de informar aos seus inúmeros leitores que a prestação de contas é auditada e que os valores só podem ser investidos nas linhas que foram apresentadas no projeto e, mesmo que não fossem, você me conhece e sabe que jamais faria uso indevido.

    Sei o quanto você preza pelo automobilismo nacional e por viver nele sabe que temos aqueles que trabalham para ajudar e outros que muito ajudariam se não atrapalhassem.
    Mas é da vida.
    Estou a sua diposição para qualquer esclarecimento que julgue necessário, pois sei que nutrimos carinho recíproco.

    Quando li alguns comentários postados sobre seu texto
    lembrei de uma faixa que a torcida do Vasco levava ao Maracanã quando ia ver meu Fluminense jogar contra eles em 1974. O grande time de Roberto Dinamite, Jorginho Carvoeiro, Alcir, Andrada e Cia era acusado de ter ganho o campeonato brasileiro somente em virtude de uma armação que inverteu o mando da final contra o Cruzeiro.

    Os cães ladram e a carruagem passa.

    Saudações tricolores!

    Dilson Motta
    Produtor da Fórmula 3 Sul Americana

    • Flavio Gomes says:

      Dilson, mais do que ninguém torço para tudo dar certo. Muito por você, a quem conheço bem o bastante para colocar a mão no fogo em qualquer situação, muito pelos amigos da Petrobras, sérios e comprometidos com o automobilismo, muito pelos batalhadores da F-3 como o Dárcio, o Formigão, o Bassani e outros. Não fiz insinuação nenhuma de má destinação de verba, ao contrário. Fiz questão, inclusive, de mostrar quanto foi captado (longe do total), para ficar claro a todos como mesmo com os incentivos fiscais é difícil arranjar dinheiro para o automobilismo.

      Este post tem muito mais um tom de lamento do que de denúncia de seja lá o que for. Lamento por ver que as coisas são difíceis, que apesar de todo seu esforço é duro encher esse grid e tal. O caso da Universitária, no entanto, é merecedor de críticas. Assim como as previsões de público do kart e da arrancada — e isso não tem nada a ver com a F-3; é apenas a constatação de que o Ministério do Esporte tem de abrir os olhos e avaliar direito os projetos que aprova.

      E veja se o Muricy não entrega o ouro de novo. Abraços.

  2. Zezito Linhares says:

    Só para constar: A Lei de Incentivo ao Esporte é bem elaborada e exige uma comprovação minuciosa das despesas e demais itens do contrato, evitando fraudes. Então, uma coisa é enquadrar um projeto nela, permitindo aos patrocinadores usarem o benefício fiscal. Outra coisa é arrumar os patrocinadores. E mais difícil ainda é comprovar os itens exigidos na Lei para que os patrocinadores possam realmente receber o incentivo fiscal.

  3. Orlando Salomone says:

    Juro que já tentei entender o desinteresse do brasileiro pelas categorias de base do automobilismo.

  4. Alan Magalhães says:

    Discordo de sua abordagem. Alguma lei foi infringida? Algum crime cometido? Exageraram no público estimado? Sim. Mas exagerar não é exclusividade dessas entidades citadas. Se não conseguirem comprovar, que se sujeitem às sanções cabíveis. Alguém estudou a metedologia dessa projeção, inclui audiência eletrônica, impressa, de internet? Há sites e blogs que divulgam zilhões de acessos. Mas espinafrar estas iniciativas dessa forma, é como vir com uma pá de cal em cima do pouco que restou do automobilismo. Penso que deveríamos ajudar, ao invés de apenas jogar pedra, ou, ficarmos neutros. O cara conseguiu o direito de vender um patrocínio incentivado, ponto. Não roubou ninguém. Se venderem, ótimo, se não venderem, azar deles, mas criticar por criticar, me parece uma atitude mesquinha e invejosa. Todos os esportes olímpicos são sustentados assim, ou de forma bem pior. Por causa disso vamos acabar com o esporte no Brasil? É por isso que o automobilismo está morrendo aqui, ninguém faz nada e os que tentam fazem tomam pedradas. Dediquei boa parte da minha vida a organizar e promover categorias no Brasil. Tomei tanta paulada, fui tão acusado de milhares de coisas que desisti. Fazia muito por amor ao esporte, nunca ganhei dinheiro com isso, mas sempre fui chamado de ladrão, aproveitador, como a maioria dos promotores é. Ou ajuda-se ou deixa os caras em paz tentando fazer suas categorias sobreviverem.

  5. paulo says:

    Se eles gastassem algum com divulgação destes eventos, que quem não é do meio desconhece, talvez o público crescesse um pouquinho !!

  6. LBM says:

    Na Fórmula Future em Brasília só tinham oito carros também.

  7. Thiago Barbosa says:

    As leis de incentivo no Brasil são boas, o que falta é transparencia. Fico feliz em saber que temos grande publico no fantastico automobilismo nacional.

  8. Leonardo de Souza says:

    Só uma correção, a F3 teve em Londrina 13 carros e não 8, 8 foram os pilotos que marcaram tempo no Segundo treino livre com chuva,muitos decidiram não sair com tempo ruim e até uma prova teve que ser mudada de dia para permitir a realização do evento em boas condições climáticas.

    • Flavio Gomes says:

      São 7 na A e 6 na Light. E ontem foram 8 que terminaram a corrida, no total. A principal, portanto, tem 7. E a média tem sido de um grid com 8 carros. Mas vou colocar a informação com mais precisão, obrigado.

  9. Marcelo Soutello says:

    Fórmula futuro com 7 carros no grid também em Brasília.

  10. Ronaldo says:

    Flávio, uma informação muito interessante: Não sei o que os promotores estão fazendo em outros estados, mas esse ano, quem comprou ingresso para a f3 aqui em Brasília também teve direito a ir no show do living collors. Ou, para bom entendedor, quem comprava ingresso pro living collors podia entrar na f3. Entendeu como eles fazem para comprovar o público? Não acompanhei os demais estados, nem se, como por aqui, o autódromo se usa para tudo menos corridas. Mas dá uma olhada nos eventos de abertura/apoio das corridas de f3 que você vai ver.

  11. Fernando Guzzo says:

    Brasilsilsil!!!!

  12. André Scudeller says:

    180 mil? Nem a GT da vida que tem mais apelo consegue meia dúzia de gatos pingados.

  13. Carlão says:

    Tambem pudera…com dirigentes da nossa gloriosa confederação de automobilismo que vão pra cadeia…esperar o que ???

  14. marcio says:

    Infelizmente no Brasil todas as leis de incentivo fiscal nos ultimos 20 anos sempre foram pra agradar a poucos, e bem relacionados, só nao concordo quando diz “O governo não entra com dinheiro algum” se o estado renuncia a receber um imposto a favor de um projeto no fim das contas quem paga por ele somos nós. E eu nao quero ajudar a pagar nem F3, nem a fazer filmes que ninguem assiste.

  15. Casino says:

    Fazer o que né,230 mil pessoas,173 mil pra ver corrida de Kart, nosso glorioso kartismo tem mais publico que o Super GT!?
    Veremos o resultado desse descaso daqui a 8 10 anos quando não tiver ninguém na F1,talvez só o filho do barrica,enquanto isso vamos empurrando a situação com a barriga,afinal,pra maioria das pessoas automobilismo é coisa pra abastado,mesmo que a grana que o financie saia ou não vá para quem precise.

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