A CAIXA

SÃO PAULO(my life) – Estava no porta-malas do Niva, e não sei bem como foi parar lá. Possivelmente, alguns meses ou anos atrás, fui à casa de meus pais com o jipe e minha mãe me entregou. Ela guarda tudo e, quando encontra, me devolve.

A caixa azul e laranja, quando eu tinha 12 ou 13 anos, era o que de mais valioso uma criança poderia ter. Nela cabia o mundo. O mundo, no meu caso, eram bolhas, chassis, motores, coroas, pinhões, pneus, silicone, decalques, aceleradores, uma latinha de Azedinhas Sonksen com peças, contatos, eixos, guias e alfinetes.

Uma caixa de autorama, no entanto, não era nada se não tivesse adesivos colados na sua superfície barulhenta e colorida. Eles mostravam quem era seu dono. No meu caso, de novo, o estilo era bem eclético. Quem via minha caixa sacava logo de cara que eu era fã da Lotus do Emerson, que curtia a corrida espacial com um leve pendor para os cosmonautas no embate com os astronautas, que já tinha viajado de Varig, que meus pais tinham estado em Capri, que rolava até um lance psicodélico com borboletas e flores. Um negócio meio Mutantes, se é que vocês me entendem.

autorama001

E os carros. Sempre os carros… Tudo tinha começado com um Fórmula 1 da Estrela, o vermelho, porque o preto, a Lotus do Emerson, ficou para meu irmão mais velho. Desse só sobrou o aerofólio traseiro. Mas ele deve estar em algum canto, encontrarei. Meu pai pintou e colocou os decalques. Vermelho, asas dianteiras brancas, o capacete azul com uma faixa amarela.

Mas isso era coisa de amador, esse tipo de carrinho que vinha no Autorama da Estrela. Quando nos mudamos para São Paulo caí no profissionalismo e fui conhecer a Sébring (assim mesmo, com acento) na Augusta, e passei a frequentar também as pistas do Ibirapuera e do clube Paulistano. Morava perto, ia a pé. E como estudava no Arqui, na Vila Mariana, pit stop obrigatório era na Loja Paraíso, que na minha cabeça era uma rival mortal da Sébring — quem comprava suas coisas numa não podia visitar a outra, simples assim; eram inimigos.

autorama002Eu trafegava bem pelas duas, porém, porque já na época era café-com-leite, não ganhava de ninguém com meus carros, embora não fizesse feio. É que nunca tive grana para comprar um Mura, o melhor motor da época, e tinha de me contentar com um Mabuchi, um só, e alguns Estrelinhas que não eram grande coisa.

E foi na Sébring e na Loja Paraíso que gastei boa parte da minha mesada com as bolhas que eu mesmo pintava e colocava os decalques, sendo apenas o DKW #9 o que comprei já pintado e decorado, porque DKW era raridade, mesmo naqueles tempos.

Os outros fui eu que fiz, exceto a Carreteira #18 que meu pai pintou porque era fã do Camillo. O azul era um Chevette, que ostentava no spoiler, orgulhosamente, a inscrição “Escuderia Paraíso”, da loja da Domingos de Morais. O verde claro #30 era um Passat TS. O amarelo e vermelho #32, não sei direito. Talvez outro Chevette. O Fusca, esse lembro bem, era para ser um Herbie, mas eu não tinha tinta branca e pintei com cinza claro. Nunca fiquei contente com o resultado e por isso esse carro pouco andou.

gol82O Gol prata foi coisa já de quase adulto, eu nem corria mais. Mas achei a bolha e fiz igual ao meu primeiro carro, um LS 1982 prateado com quatro faróis na frente — ainda não desisti dele, o de verdade.

E tinha o protótipo preto #11, o que corria com o Mabuchi. Meu irmão mais velho tinha um idêntico branco, numeral 10. Nossas corridas eram épicas, especialmente no Ibirapuera. Mas eu perdia sempre. Acho que por causa do acelerador, o dele tinha uma espécie de resfriador que melhorava o desempenho da bagaça. O meu esquentava muito e era uma merda. E desconfio que o uso de silicone demais nos pneus, que eu riscava com uma minúscula chave de fenda, segurava demais o bicho nas retas. Nas curvas, ia bem. Problemas de set up, em resumo.

Tirei a caixa do Niva dia desses, quando fomos resgatar os carros na bat-caverna I para transferi-los para a bat-caverna II. Levei para casa, passei um pano por fora para tirar o pó, puxei as duas alças para fora, abri a caixa e mergulhei nos meus anos 70, quando tudo que me importava eram o autorama e a Portuguesa. As bolhas estão todas como sempre foram, um pouco deformadas pelo tempo, mas prontas para vestir um chassi, caso seja preciso. Os motores viram. Não têm sinal de ferrugem, foram bem guardados durante anos.

autorama003Mas ficarão quietinhos na caixa de lata. Serão vigiados de perto pelo moleque cabeludo que um dia, ainda no Rio, se inscreveu no Grande Prêmio Nacional de Autorama que seria disputado no Flamengo, com patrocínio da Vasp e da British Caledonian.

Não há registros do resultado.

Comentários

  • Sei que estou uns 2 anos atrasado mas sempre é tempo de elogiar o que é bom….
    Parabéns pela matéria…ainda tenho também minha caixa de autorama com meus carros…. e também gastei muito dinheiro em carrocerias, pneus, chassi, glub e em baterias para andar na Sebring na rua Augusta, nos fundos….depois quando a loja veio para frente na própria rua e depois voltou pro fundo novamente…. levava dinheiro contado e as vezes para lá em cima na rua Augusta e comia um Taco no “Jack in the Box”………………… Vice campeão de Mabuchi 1:24 num torneio de inauguração da loja nova …… comprava também na Mobral, Casa Aerobrás, Alfredo Lupatelli, enfim…nesse mundo do Autorama…….. Que Saudades….
    Mais uma Vez…… Parabéns…… Abraços, Denis Bomfim.

  • Cara, acesso o SITE http://www.grandepremio.com.br(WARMUP) a anos, muitos anos, em nenhum momento imaginei que me encontraria nesse post, UMA CAIXA DE AUTORAMA….
    Cara minha historia no autorama e muito idêntica a sua, eu tenho minha caixa como a sua, com os mesmos itens e mesmas historias, de tempos em tempos eu abro ela e viajo longe…
    Lembro dos meus sonhos, carrinhos que eu queria, pois meus Estrelinhas e mabuchis não davam conta, o foco era MURA…MURA 12…que só muitos anos depois, tipo década de 90 fui ter um. Minhas bolhas 99% eu fazia, não via graça em comprar as bolhas feitas, eu punha os decalques, pintava, transformava, testava as colocações de asas de formas e tamanhos diferentes, enfim viajava!!!!
    Chegava o dia de praticar esportes no período da tarde no LICEU PASTEUR, próximo ao ARQUI e eu ja tinha o roteiro na cabeça, depois dos treinos eu passava pela LOJA PARAÍSO, namorava a vitrine, namorava as peças de forma geral, chassis, pneus, bolhas, motores e me passava por um ótimo comprador e entendido perguntando preços para esperar o final do ano chegar e com a grana que sempre ganhava no natal voltar lá e gastar com autorama…., depois dessa passada pela loja Paraiso, ia para a PISTA MONZA, logo depois do ARQUI, lembra?
    La era o mesmo esquema, namorava as vitrines, sonhava, observava e sempre que dava corria 2 ou 3 baterias, isso de 1980 a 1985, depois disso muita coisa deixo de ser sonha, comecei a trabalhar e gastar com autorama,
    Na década de 80 também ia muito na SEBRING, na Casa AEROBRAS no centro, noa pista do Ibirapuera e naquela pista que tinha na Sto Amaro perto do Gouveia que não me lembro o nome…a também ia na loja MINIATURA no Shopping Ibirapuera comprar peças, em fim….nas principais lojas e pistas de autorama de São Paulo e frequentei entre o final da Década de 70 até 1994 frequentemente, depois disso quando me da a louca, dou uma passada la perto do ARQUI ao lado de onde era a Pista Monza onde hoje tem outra pista e me divirto um pouco, outras vezes vou até a Pista Monza que mudou para Moema e observo por horas e passa um filme pela cabeça….Que saudade….ser criança na década de 70 era muito mais fácil e divertido!!!

  • Nesta época eu morava em BH, de 80 a 81 ia diariamente as duas pistas locais, a Kraft (pista pequena, com 23m) e a Autorama Center (uma espécie de Blue King caseira, de fórmica azul clara e 48m de extensão).
    Os campeonatos eram bem organizados, nossos Mabuchi “fio vermelho”, com chassis de 3 movimentos e “alma de aço” fabricados pelo Fabinho, tinham até eixo traseiro 3/32 roletado, eram muito bem acertados, sem aletas na bolhas e viravam os 48ms do Autorama Center na casa dos 5″, um assombro para a época! Nada que se comparasse aos 1/24 com os Mura 27, mas essas coisas não existiam nas gerais…

  • Cara… por que a maioria das bolhas de Fusca acaba virando um Herbie?
    Incrível… eu mesmo tive duas, uma vermelha já pintada e, depois, uma branca que eu mesmo pintei, meti os 53 na frente e atrás e um símbolo do Chicago Bulls em cada porta.

    Tem um blog que acompanho na net (Paperslot) que faz bolhas pra Autorama em papel, tem até o Opala D1 que foi da equipe do meu pai pilotado pelo Edgard Mello Filho… vou acabar me auto-presenteando no Natal com um desses.

  • Flavio, maravilhoso esse tópico!
    Vi seu cartão de inscrição do Grande Prêmio Nacional de Autorama, e vou te contar uma passagem única! Na época eu tinha 20 anos e era piloto oficial da Paraíso nas categorias top. Eu tinha livre acesso aos materiaias da Paraíso para montar os carros de corrida. Quando a Estrela lançou o Campenato Nacional, eu gostaria muito de participar, mas era limitado a pessoas até 15 anos. Achando que a Paraiso deveria estar representada nesse campeonato, convenci o Osvaldo e Roberto, donos da Paraíso, a me autorizarem a montar um carro, que pintei com as cores da loja e convidar um garoto para pilotar por nós. O Ricardinho era meu amigo, tinha 15 anos e, como disse o Ratier (grande Ratier!!!), naquela época corria pela Hi Speed nas categorias top. Falei com os pais do Ricardinho e o desafio foi aceito! Montei uma Lotus 72 com um capricho imenso, respeitando todas as limitações do regulamento, mas podendo selecionar as melhores peças e motores do estoque da loja (testei 65 motores e selecionei 3 !!!). Fomos para a final do campeonato de SP, que foi absurdamente disputado e ganhamos (RIcardinho pilotando). Para se ter uma idéia, o segundo colocado na final paulista foi o Gugu, hoje figura reconhecida mundialmente, varias vezes campeão mundial, etc..
    Finalmente, na grande final barsileira, no Salão da Criança, novamente ganhamos, Ricardinho pilotando sempre muito bem, mas desta vez de forma mais tranquila, uma vez a grande força estava mesmo em SP.
    Fomos convidados para um almoço com a Diretoria da Estrela, com Ewaldo presente.
    O prêmio maior foi uma viagem de uma semana para a Inglaterra, voando British Caledonian, com direito ao Hilton de Londres e, faltando 2 dias para o retorno, procurei a moça da British Caledonian que havia nos recepcionado em Londres e pedi que ela nos indicasse uma pensão para ficarmos mais 4 dias em Londres por nossa conta. A supresa final foi a gentil autorização para que ficassemos no Hilton por mais esses dias “for free” !!!
    Enfim, lembranças boas demais dessa época!
    Há 2 anos voltei a me divertir correndo com réplicas 1/32 divertidissimas e muito mais baratas que um psiquiatra para nos resgatar das loucuras da vida de hoje!!!!
    Abraços a todos daquela época!!!!

      • Encontrei com Roberto ano passado e no local da Loja Paraiso ele montou um grande salão de beleza!!!… resolveu ganhar dinheiro!!!…rs. Me disse ainda que seu irmão Osvaldo ainda tem uma pequena fabrica de insumos para autorama, tem quadras de tênis de aluguel no Jabaquara e outras coisinhas mais!.. Um dia desses vou visitar o salão e matar saudades com os dois pioneiros da Loja (Equipe Paraiso)…

    • Caro Flavio, bem provável que não se lembre de mim, mas nos conhecemos no Luis que preparava os dkw, onde fez uma carreteira para andar na abertura da formula 1 . eu era piloto do Ricardo Serata e fiz um dkw cinza e participamos desse desfile, Meu DKW parou na reta dos Boxes e fui puxado pela reta pelos carros do resgate, tomando a maior vaia.. bem isso não vem ao caso. mas é pela matéria e relembrei os anos 80 e os campeonatos paulista de autorama (mabuchi) dos quais participava. Lembro tambem das lojas claro a SEBRING com duas lojas na rua augusta, a BOX no ipiranga, na rua Silva Bueno, bem como das pessoas o Ramos, Flavio Pirilo, Sr,Plinio da loja Sebring, e muitas outras.

  • Muito legal!!! Nostalgia Pura!!! Se puder traga ela para exposição de carros antigos de Autorama da Shelby (Revival Ewaldo de Almeida) no primeiro sábado de dezembro. Aliais estão todos convidados à trazer suas relíquias para exposição, e também mesmo sem expor, vir curtir as exposições e corridas. Feliz dia das crianças para todos nós!

  • Minha caixa igual cheia de adesivos ficou guardada por mais de 20 anos, mas graças ao excelente trabalho da turma da Lima Hobbies aqui em Curitba meu mabuchi original da Sebring está rodando como novo. FG u,m dos seus melhores blogs, cheio de lembranças …

  • Se é para relembrar comecei também com autorama estrela em forma de 8 que aos poucos foi crescendo e mudando desenho da pista pois comprava as peças . Os primeiros carros da estrela corriam sem sair da pista e na velocidade máxima do controle. Bons tempos também. Estudava no Dante Alighieri e íamos para a Rua Augusta comprar as peças dos carrinhos.

  • Baixou saudade do tempo em pauta….
    Era legal pra caramba mesmo.
    Você tinha sorte de conseguir uns trocados. Eu não. Só assistia mesmo.
    Desses tempos só sobrou a saudade.
    E o sabor das azedinhas da Sonksen… Era bom demais!

  • FG…

    Aqui pelas araucárias curitibanas lembramos:….. Do glub (silicone), mura 20, mura green, mura zero, dos estrelinhas roletados, dos resfriadores gigantes dos aceleradores, estes últimos as vzs triplos!!!!! Das carenagens com aquele plástico no intuito down force….. Das micro chaves Ale q tantas vzs perdemos, do carvão grafitado quê passávamos nos contatos do carro/pista e por aí vai….
    Bons tempos q hoje em dia não mais existem pros piás de condomínios….

  • Escrevo ouvindo Construção, do Chico, então vê que temos a mesma idade, sou de 63…. e acho que já contei essa história aqui: meu estrelinha estava tinindo de rápido na pista do Ibirapuera, acho que num daqueles domingos de manhã eu fiquei tão emocionado com a volta que dei na pista, que me distraí e não coloquei o carrinho na caixa, ou roubaram mesmo (invejosos!), e só fui perceber quando abri a caixa em casa, para meu desespero e choro! Encerrei a carreira que prometia… Outro dia vi que uma pista que tem no começo da av. Santo Amaro ainda funciona… “Morreu na contramão atrapalhando o sábado.”… Demais o Chico!

  • vc chegou a andar na pista que tinha embaixo do cine bruni copa na rua barata ribeiro perto da santa clara?eu sei que vc morou la pertinho,pois foi ali que comecei a envenenar o sangue,detalhe importante e a british caledonian que investiu uma grana ao trazer varios f ford ingles e fez varias corrias no brasil com botas daqui da terra
    bons tempos

  • eu tinha alguns Estrelinhas, um Mabuchi e um Mura 12, este Mabuchi eu coloquei em um carrinho da estrela um Fiat 147, vermelho, andou bastante, nós em Cuiabá-MT, na antiga Hobbyrama, fizemos um campeonato de Fiat 147, não deixaram eu correr com o Mabuchi, descobriram, mesmo eu colocando o induzido na caixa de um Estrelinha, um amigo me dedou, andava pacas, o engraçado é como diz FG, os adesivos nas caixas era a nossa identidade e cheguei a fazer uma marca com as minhas inicias pintadas com spray através de um vamos dizer assim um”fotolito”, boas lembranças vou procurar minha caixa para ver onde esta…

  • Muito bom. Minha caixa eu dei pros meus irmãos mais novos, que curtiram um revival nos anos 90. Não sei onde foi parar.
    Eu gastava tudo o que tinha na Loja Paraíso e na Monza, que eu preferia à Sebring porque não tinha que pegar ônibus (sou da rua Capitão Macedo, Vila Mariana). Isso sem contar as pistas épicas que montava em casa, dando a volta na sala e que minha mãe tolerava por semanas! Tinha Estrelinhas, uma Mabuchi e um Mura, que comprei quando era mais velho pra poder correr na Parolu em Santo Amaro. Mas confesso que gostava mesmo dos mais lentos, aqueles em que você era obrigado a tirar o dedo nas curvas senão eles saíam da pista. Nunca vi graça em sentar o dedo e mal ver o carrinho andando. Há uns 10 anos atrás, talvez mais, visitei a nova Monza em Moema. Tava lá o Toninho e o filho dele, firmes e fortes na paixão.

  • Me fez reviver bons momentos!
    Também tive a mesma configuração – 1 Mabuchi e alguns estrelinhas!
    Loja Paraiso era meu ponto e de alguns amigos.
    A primeira bolha foi uma Ferrari 512M, adorava! Depois um Opala D-3 e o Maverick da Hollywood, que pintei como o original, e por aí foi.
    Muitas semelhanças, inclusive a grana curta, Ibirapuera e gosto pelos nacionais preparados. Nunca consegui a carretera, mas tinha visto um camarada que tinha uma.
    Muito legal!

  • Karay véi, nosssssa, Flávio tinha um tal de roletar os motores e o eixo, mas grana para isso, necas, lembro que tinha uns carrinhos que quando desligavam a pista os caras quase davam uma volta rsrs. A pista ?? BMC – Brasilia Modelismo Center, em cima da Fofi, loja de roupas na 510 sul- Brasilia anos 70..

  • Show! Show Flávio!
    Esta carroceria da carretera é de babar. Saiba que em uma reportagem da Revista Quatro Rodas de 1974, aparece uma destas, mas na cor vermelha. A bolha de DKW, há vários anos atrás, um rapaz tirou várias para nós por causa de uma corrida de carreteras que fizemos na antiga pista da Red Fox e eu comprei umas 5 destas. Vou procurar por aqui e se encontrar são suas.. O carro preto é uma bolha da Ferrari 512 concept (é rara pra caramba).
    Como eu não tinha $$ na década de 70 eu levava meus carros em uma caixa de sapatos forrada com uma flanela.
    Bons tempos. Você sabe que eu não abandonei jamais este hobby desde os 6 anos de idade e hoje eu só corro com as réplicas 1/32 que são os carros que mais me lembram os que a Estrela fabricou na nossa época.
    Adorei o texto!!!!!! Bom final de semana!!!!!!
    Um abraço
    Ricardo Bifulco :)

  • Muito legal, FG. Sou uns 12 anos mais velho que você, então corria na década de 60 aqui no Rio mesmo, na pista da Hobby Center, na galeria onde ficava o cinema Bruni-Copacabana. Meus pais tinham um amigo que era piloto de avião, daí eu encomendava e ele trazia prá mim os carrinhos da Monogram e também da Cox, com chassis de magnésio. Meus favoritos eram o Cheetah, o Ford GT e o Porsche 904. Infelizmente larguei minha caixa em alguma esquina do tempo e da minha história…

    • Tive um Ford GT 40 e um Cheetah em 67, Hobby Center, Hobylandia, Coral, Maeda na Tijuca, lembrei do meu sonho de então ter um carro e um reostato COX, depois passei a montar os carinhos e ter um Mura 007 era entrar no Eden, tive uma caixinha profissional, meus carrinhos ficavam em cima de um pedaço de pista, com seus contatos ajustadinhos, tinha aquele produto para colocar nos pneus, as carrocerias bolhas que eram pintadas e adesivadas com todo carinho, corridas de força livre eram top, embora eu tenha tido carro escala 1/24 gostava , mesmo dos 1/32.. No Floresta Contry Club, onde era sócio, tin ha uma pista para a garotada montada com peças de vario autoramas e com uma reta de mais de 10 metros, fins de semana eu ficava nas nuvens. Bons tempos, muitas lembranças e a melhor viagem do tempo, juntos infância e automobilismo

  • Cara, este post foi um dos melhores…, como foi bom relembrar da minha caixa de autorama, herdada do meu irmão e que após algum tempo de uso foi ficando com a minha cara, com vários adesivos, arranhões e que ao abrir, a caixa se transformava na minha oficina, com os benditos estrelinhas que tomavam pau dos mabuchi, que demoraram para entrar na minha oficina devido a pouca grana disponível na época.
    Outra lembrança boa foi ver as suas bolhas, eu tinha as minhas também, cada uma com a sua história, a minha preferida era um opala preto.
    A minha caixa ainda está na casa dos meus pais em Santos, assim como vários brinquedos da minha época, aguardando a hora certa de serem abertas novamente por mim. Na próxima viagem para a casa dos meus pais vou fazer a mesma coisa que você fez, abrir a minha caixa e relembrar os tempos em que eu era o piloto e dono de uma equipe. Obrigado!

    • O autorama hj está bem evoluído, para vc ter uma idéia os tempos de volta na Blue King estão em 1,4 seg, é o esporte (?) que exige o reflexo mais rápido, mais do que a esgrima, inclusive temos vários títulos mundiais.
      O Gugu (um dos grandes do autorama de hj) encontrou o Plinio a pouco tempo e parece que ele mora no interior de SP

  • Minha caixa era de plástico catada do lixo, mas eu fazia tanto rolo que acabei com um mura 20, um mabuchi e um estrelinha.
    Eu pintava bolhas pros outros moleques em troca de peças e por aí… Mas meu preferido era o mabuchi pra andar na pista pequena da Parolu, nunca me entendi direito com o mura e acabei vendendo. Os outros estão aqui guardados, a Parolu ainda existe? Ainda existem pistas em SP?

    • Existem sim, inclusive a parou. O autorama hoje é muito menos romântico, mas ainda sobrevivi. Aqui em Brasília ficamos sem pista por 4 anos, engraçado vc postar isso agora pois exatamente hj, um desses malucos, desses que o mundo precisa mais iguais a eles, decidiu montar uma pista na sua casa, e hj ela foi montada. Contudo, infelizmente, o futuro do autorama e triste, não vemos mais crianças correndo, suas atenções se limitam ao virtual, aos videogames, os pais não levam seus filhos para pistas, não incentivam, e daqui alguns anos histórias como as nossas não serão mais contadas.

  • Ah o autorama. Histórias da Sébring dariam um livro. Uma pena a demora da digitalização da Gazeta Esportiva, pois além de ser rica em Esportes a Motor, o Salvador Sendin sempre estava lá. FG, sabia que o Nenê também criança, ia lá ver os “marmanjos” pró acelerarem?

  • Grande Flávio
    Sou uns 11 anos mais velho que você, porém, devemos ter frequentado os mesmos ambientes por algum tempo. Parei de competir em 1977.
    Fiz parte de duas equipes, a Indy e a Hi Speed.
    Me lembro bem desse crachá da foto. O prêmio foi uma viagem para a Inglaterra. Estou certo?
    Se sim, quem ganhou, foi o Ricardinho, da minha equipe, na época, a Hi Speed.
    Os carrinhos eram todos da Estrela e nós, considerados “profissionais”, não pudemos participar.
    Bons tempos… por que não dizer, ótimos.
    Obrigado pela lembrança

      • Grande Ratier! Veja o tópico que coloquei acima sobre esse campeonato. Foi nacional sim e todas as preliminares de SP foram na pista do Ibirapuera. Havia mais de 3.000 participantes no Brasil todo e vieram para SP 7 finalistas estaduais mais o Ricardinho, finalista de SP. A grande final nacional foi no Salão da Criança, no Anhembi e Wilsinho Fittipaldi entregou os prêmios ao vencedores. Entre outros, estavam presentes Ewaldo da Estrela, Osvaldo e Roberto da Paraiso, Plinio da Sebring entre outros e, claro, eu, “preparador” da Lotus 72 e “chefe de equipe” do Ricardinho em todas as estapas do campeonato. Abs

  • Tive experiência parecida recentemente ao visitar meus pais e encontrar uma caixa de times de futebol de botão. Uma imersão instantânea nos anos 70/80. Assim como vc com o autorama, em algum momento o que me importava era jogador futebol (o normal e o de botão) e acompanhar a Portuguesa. Todos esses prazeres foram levados com o tempo e hoje até a Lusa está em processo terminal (nesse caso, uma decepção enorme e que vai deixar uma lacuna muito triste).

  • rapaz, minhas coisas são parecidas com as suas… um mabuchi só (nem nunca rendeu muito, comprei usado), nenhum mura. minha bolha do fusca pintei diferente (grande sacada a do herbie!). meu controle tinha (tem) micro switch. sou um pouco mais novo que você, uma geração.

    nunca ganhei nada, mas também nunca participei de competição, então…

    tá tudo lá na minha oficina. ainda vou colocar pra rodar de novo, quando meu moleque tiver idade. tenho muita pista da estrela, inclusive curvas de 30 graus, pra encaixar nas de 60 e fazer pista pra 4 fendas (4 carrinhos)

    não vejo a hora de meu moleque chegar nessa idade…

  • Bem legal… podia começar com a Sessão Caixas de Autorama.

    Era assim mesmo como relatou, tinha a Sebring, a Paraiso, depois veio a Parolu e a gente de Santo André se divertia na Vicente Hobbies. Comprava os meus motores somente da Sebring.

    Vou ver se encontro a minha caixa, tem alguns selos interessantes colados, conforme for lhe envio fotos… selos da Copersucar, Martini Racing Brabham e alguns outros. Íamos a Interlagos na F-1 e uma das coisas que sempre procurávamos era esse tipo de adesivo para colocar nas caixas.

    Naquela bolha verdinha da para ver “a decalque da seta”, muito fácil de ser encontrada na Sebring nessa época. Lembro de pintar as bolha e passar “nanquim” com um palito de dente nos frisos das bolhas, ficavam sempre bem acabadas.

    • Se bobear ainda tenho um chassi “1/32” igual ao do seu mabuchino comprado na Sebring Sebring, As laminas de latão eram todas soldadas, dependendo da panca as soldas iam para o saco, rs rs rs.

      • Caraca deu para lembrar dos guias “Jet Flag”, Coroa Cox, Prancha de alinhamento, Pneus Limpach, primeira vez que ouvi falar de uma “chave alen”, dos “Glubs” para os pneus, etc, etc, etc…hoje com menos de R$100,00 da para comprar um motor Parma (caixa aliviada) e se divertir a baixo custo (como os Mabuchinhos de nossa época).

    • Eu também não saía… Da Vicente´s….. quando comecei a pista era um “8” com uma curva inclinada ( andava de mabuchi) Mudaram a pista para uma bem maior ( o legal é que não era BLUE KING) e aí resolvi melhorar e comprei um mura 12 ( chassis 1/24). Corajoso, entrei até em força livre lá com um mura 15 ( se não desse pau na malha de cobre do acelerador iria chegar em terceiro lugar atrás apenas de 1 camen da equipe INDY do José Roberto – cara gente fina- e do ricardo ( vermelho) mas à frente de muito motor melhor que o meu .. depois disso tomei vergonha e andei de de Bob Green 24 , de Cheetah 27 ( que me roubaram na loja) , e grupo 7 ( mura Green Vulcan II) esses dão saudade até hoje.
      Atualmente quero montar carro da categoria Retro PRO que rola nos EUA com chassis copiados da época dos anos 70 e motores atuais ( sem asa) que admitem na CANAM PRO até o PROSLOT PS4012 ( FK com induzido X-12) que é bem satisfatório para andar sem asa…
      Parabéns pelo Flávio que nos deu essas lembranças tão boas e nos lembrou até das dificuldades em comprar motores e peças que eram bem caras para quem quisesse andar mais rápido. Saudades do Seu Plínio da Sébring, abraço para o Paulo da Parolu e para o pessoal da Taladega de SBC que foram as pistas alternativas quando a Vicente´s fechou.

  • Belo post.

    É fantástico conseguir manter e reviver estes pequenos tesouros.

    Legal perceber também a participação de outro grande tesouro que certamente colaborou para encaminhar todas as suas demais conquistas: seus pais.

  • Até Passat TS 76! Hehehe… Belo achado! Meu pai tinha uma caixa de ferramentas idêntica. Quanto aos carrinhos, eu era ainda mais proletário que você, só ganhei um Autorama da Estrela em sociedade com meu irmão. Autorama “profissional”, só assistindo primos e tios se divertindo nas pistas dos anos 80 e começo dos 90 em Londrina/PR… :-)