SOVIÉTICAS (1)

sovieticas001SÃO PAULO(sqn) – Eu deveria ficar empolgadíssimo com um GP de F-1 na União Soviética, não? Afinal, a categoria chegou à Mãe Rússia, veremos milhares de Ladas nos estacionamentos, bandeiras vermelhas, foice e martelo!

Mas não estou minimamente. Primeiro, porque desde a primeira vez que vi o circuito de Sochi achei totalmente sem graça. Hoje, durante os treinos, a impressão foi a mesma.

Mas é algo que pode passar, essa má impressão, dependendo daquilo que acontecer no GP. Às vezes sai corrida boa em circuito ruim. E nem dá para dizer ainda que a pista é uma droga completa. Os próprios pilotos têm falado pouco sobre qualquer assunto. E olha que assunto não falta. Alonso na McLaren, Vettel na Ferrari, a disputa do título…

E o motivo é um só: o clima é muito triste em Sochi pelo que aconteceu com Bianchi. E está perto demais. O acidente foi domingo passado. Não tem nem uma semana. E todos eles sabem, claro, que o estado de Jules não é nada bom. A sensação que se tem é de que a qualquer momento a pior notícia poderá chegar.

Bem, o treino foi o treino, aquilo de sempre, com o adicional de conhecer um traçado novo, mas nada complicado. Antigamente, quando um circuito estreava no calendário, tinha um treino extra na quinta-feira. Hoje, com os simuladores cada vez mais próximos da realidade, isso não é necessário. As equipes trabalham nas fábricas e já chegam a qualquer pista com um acerto básico.

A novidade da sexta-feira foi a McLaren andando bem. Magnussen ficou em segundo, embora a distância tenha sido grande para Hamilton, o mais rápido. Button também curtiu o desempenho de seu carro. “É uma pista onde deveremos andar bem”, falou.

Algumas pílulas:

– A Marussia ensaiou colocar Alexander Rossi para correr, mas vai disputar a prova com apenas um carro, mesmo. Nos boxes da equipe, o nome de Bianchi ainda está pintado e seu carro está lá, parado.

– A Rússia teve dois pilotos na pista no primeiro treino livre. Sergey Sirotkin, reserva da Sauber, andou. Foram 22 voltas e um 17° tempo.

– A pista recebeu elogios tímidos dos pilotos. Magnussen, por exemplo, disse que “é melhor do que esperava”. E ele disse também que não esperava muito, depois de conhecê-la no simulador.

– Quaisquer que tenham sido os acordos fechados em Suzuka, ou nos dias anteriores ao GP do Japão, anúncio oficial nenhum será feito agora sobre o vaivém de pilotos de ponta. Simplesmente o ambiente está carregado demais para isso.

– É bom lembrar que quando um piloto morreu em fim de semana de corrida pela última vez, em 1° de maio de 1994, nenhum dos pilotos que estão no grid de hoje corria na F-1. A maioria era criança. Não há remanescentes. Portanto, caso aconteça o pior com Bianchi, será a primeira vez que essa molecada terá de conviver com uma morte em pista. É compreensível que estejam todos chocados. A morte de colegas não é algo com que eles tenham convivido em suas carreiras. Essa geração, por assim dizer, é “virgem” nesse quesito.

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