BERNIE, O JUSTO

SÃO PAULO (só vendo) – E não é que Bernie Ecclestone, num surto de justiça, andou dizendo que pode rever a distribuição da grana de TV da F-1? Ele citou o esquema da Premier League como um bom exemplo de reduzir as desigualdades na categoria. No futebol inglês, 50% do dinheiro é dividido igualmente entre todos os clubes. 25% são proporcionais ao desempenho da equipe no campeonato anterior. E 25% são proporcionais à audiência de TV que cada time proporciona. Assim, a diferença entre o que recebem os clubes mais ricos e populares e o que ganham os mais pobres e de torcidas menores não é um abismo — isso permite, por exemplo, que uma equipe como o Leicester conquiste o título, como nesta temporada.

[bannergoogle]Na F-1, nem sei dizer qual a diferença da grana que pinga nos cofres da Ferrari e dos caraminguás recebidos, sei lá, pela Sauber. É alguma obscenidade, certamente. Que está levando muitos times a um estado falimentar — é só olhar para a quantidade de equipes que fecharam as portas nos últimos anos. Não faz sentido tornar os ricos mais ricos e os pobres, mais pobres. Não é preciso ser nenhum gênio para perceber isso, mas é o que a F-1 tem feito ao longo de sua história.

Pode ser que alguém reclame. Pode ser que as declarações de Ecclestone sejam apenas mais uma bravata. Pode ser que nada mude.

Mas é essencial que mude.

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