SÓ PARA LEMBRAR…

SÃO PAULO (tudo como dantes) – Eis os 20 pilotos que estarão no grid na abertura do Mundial do ano que vem. Já falamos, é a primeira vez na história que o grid da última etapa de um campeonato se repete na primeira da temporada seguinte, sem mudança de pilotos ou equipes. O que muda é o nome de dois times: AlphaTauri e Alfa Romeo. A primeira deve se chamar, a partir de agora, Racing Bulls. A segunda será Sauber mesmo, até a entrada definitiva da Audi em 2026.

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SPRINTS/2024

SÃO PAULO (de novo) – A F-1 divulgou hoje as seis etapas do próximo Mundial que terão Sprints. As minicorridas de sábado serão realizadas nos GPs da China, Miami, Áustria, Austin, Interlagos e Catar. As novidades são China e Miami, que substituem Azerbaijão e Bélgica. O regulamento dessas provas ainda será anunciado — elas podem mudar até de dia, passando para as sextas-feiras.

É a quarta vez que o Brasil terá Sprint. O circuito paulistano é o único a receber as corridas curtas desde que a novidade foi introduzida na categoria, em 2021. O próximo Mundial terá suas duas primeiras etapas disputadas em sábados, dia 2 de março no Bahrein e uma semana depois, 9, na Arábia Saudita. A pré-temporada está marcada para o Bahrein de 21 a 23 de fevereiro.

O GP de São Paulo acontece em 3 de novembro. A temporada termina em Abu Dhabi no dia 8 de dezembro. Se nenhuma corrida for cancelada, serão 24 etapas em 2024, recorde absoluto em Mundiais.

Sprints: China, Miami, Áustria, Austin, Brasil e Catar

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ONE COMMENT

Piegas, previsível, mas sempre emocionante. E só carros permitem esse tipo de abordagem em comerciais.

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ONE QUESTION

Esta pintura da Williams, usada em alguns GPs deste ano para celebrar a parceria com a Gulf, foi considerada a mais bonita da temporada pela revista inglesa “Autosport”. Concordam ou tem outra?

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FOTO(S) DO DIA

A Williams confirmou Logan Sargeant para 2024, pondo um fim a todos os rumores sobre uma possível substituição do americano, que fez uma temporada sofrível de estreia. Assim, os 20 pilotos que terminaram o ano em 2023 começam a próxima temporada exatamente onde terminaram, nas mesmas equipes.

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ENCHE O TANQUE

Escreveu o Anderson Grzesiuk, flanando pela capital francesa:

Prezado Flavio, em recente viagem a Paris, não pude deixar de lembrar do blog ao avistar estes dois postos no 13° arrondissemant, um infelizmente abandonado, mas o outro ainda na ativa!

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MR. PERFEITO

SÃO PAULO (que coisa…) – A lista abaixo, do prejuízo que cada piloto deu a sua equipe em 2023 com batidas & similares, mostra que Verstappen, além de tudo, é daqueles que ganha bônus da seguradora todo ano. E se bem me lembro — vocês vão lembrar aí nos comentários — o maior “acidente” do tricampeão no ano foi bater na mureta dos boxes não sei de onde quando ele saía para a pista.

Já o menino Sargeant…

  • Já cornetei a turma do Grande Prêmio pelos “milhões” no plural do Leclerc ao Zhou. Vão arrumar.
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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

O sorriso do vencedor: coleção de troféus só aumenta

SÃO PAULO (contagem regressiva) – Essa foto aí em cima chegou ontem tarde da noite, numa sequência que tem mais duas. O garoto Max e sua namorada Kelly, filha de Nelson Piquet, num momento da mais pura e genuína alegria quase juvenil. Achei melhor do que qualquer imagem de carro pista, embora o RB19 seja uma viatura merecedora de todas as homenagens. Como disse Christian Horner, vai para as páginas da História com H maiúsculo.

E vai mesmo. Esse automóvel superou o quase insuperável MP4/4 da McLaren de 1988, um carro lendário pilotado por duas lendas, Senna e Prost. Mas é gozado… Quando a gente olha para 35 anos atrás, quase sempre menciona o carro antes dos pilotos. Como será no futuro, quando falarmos desta temporada de 2023? Quem virá antes na fila do mérito, o carro ou o piloto?

Desconfio que o piloto. Max tem sido um personagem maior que seu instrumento de trabalho. Como foi Schumacher sobre a Ferrari, Hamilton sobre a Mercedes. Donde concluo que em algum momento do passado as máquinas, ao menos algumas, foram mais valorizadas que os homens que as pilotaram. A gente vive lembrando “a Lotus do Emerson”, “a Williams do Mansell”, “a Brabham do Piquet”. Façam esse exercício. E depois me digam se tenho razão. Um dos motivos para que se recaia sobre as figuras humanas antes do amontoado de lata, cabos e borracha talvez seja o hedonismo dos tempos em que vivemos. É Instagram aqui, Twitter ali, Facebook acolá, TikTok algures… Carros não dançam nem postam fotografias, não criam emojis e figurinhas, não elaboram legendas engraçadinhas. São discretos e, dentro do possível, silentes. Gosto mais deles do que das gentes.

Mas é apenas uma reflexão meio rasa, sem muita importância.

Em todo caso, viva Verstappen! E viva o RB19, carrão da porra!

A FRASE DE YAS MARINA

“A Red Bull ganhou com 17 segundos em cima do segundo colocado, e eles não encostam no carro desde julho, agosto. Então posso imaginar onde estarão no ano que vem…”

Lewis Hamilton

O inglês, que dominou a F-1 de 2014 a 2021 — com soluços em 2016, ao perder o título para Rosberg, e 2021, derrotado por Verstappen –, sabe bem do que está falando. Já experimentou uma hegemonia longa, e dela desfrutou empilhando números impressionantes e recordes que muita gente julga imbatíveis. Sabe como é difícil e quanto tempo leva para alguém escalar a mesma montanha — para usar expressão usada por Rosberguinho para explicar sua aposentaria.

A pergunta é: a Red Bull fará o mesmo que fez a Mercedes quando começou a era híbrida?

A resposta só a pista concede, mas a gente pode especular, claro. Eu acho que pelo menos nos próximos dois anos Verstappen e sua equipe seguirão controlando a F-1. Em 2026, a mudança de regulamento pode abrir brechas para outros protagonistas. Claro que esses prognósticos dependem de um monte de fatores: como Mercedes, Ferrari, McLaren e — vá lá — Aston Martin chegam no ano que vem, quais pilotos vão evoluir, quais vão enfiar o pé na jaca, quem vai descobrir algum pulo do gato como fez a Brawn em 2009, quanto tempo Max sustenta sua infalibilidade, como vai ser a parada da Ford na Red Bull, qual é exatamente a da Audi nesse negócio, Andretti vem ou não… Tem muita coisa para acontecer.

Mas é preciso raciocinar com base em alguma lógica. E a lógica, hoje, aponta para um período hegemônico da Red Bull e de Verstappen. Que pode ser longo como o da Mercedes, um pouco mais curto, como o da McLaren nos anos 80/90 ou o da Williams nos tempos da Renault, quiçá quase exasperante como a era Schumacher.

E é em algo parecido que aposto. Até pela semelhança entre Max e Michael.

O NÚMERO DE ABU DHABI

71

…anos se passaram desde a última vez que um Mundial de F-1 não teve pelo menos uma vitória de um piloto ou uma equipe da Grã-Bretanha. Foi em 1952. A primeira vitória britânica na categoria foi de Mike Hawthorn no GP da França de 1953. Desde então, a turma da ilha cravou vitórias em todos os anos — ou com um piloto, ou com uma equipe. A temporada de 2023 quebrou a série. Foram 21 vitórias de um time austríaco e uma de uma equipe italiana. Entre os pilotos, 19 triunfos de um holandês, dois de um mexicano e um de um espanhol.

Como vimos ontem no textão pós-corrida, a temporada dominante de Verstappen e da Red Bull produziu números impressionantes, derrubou recordes, robusteceu as cifras do piloto e de sua equipe. As 21 vitórias em 22 corridas (95,45%) talvez tenham sido a marca mais emblemática, por superar os 93,75% de aproveitamento da McLaren de Senna & Prost em 1988 — 15 vitórias em 16 corridas. Mas é bom lembrar que 35 anos atrás a McLaren só não emplacou 100% por duas meras voltas.

Aconteceu no GP da Itália em Monza, prova que teve Senna na pole, seu companheiro Prost com o motor Honda quebrado e o veterano Jean-Louis Schlesser, então com 42 anos, disputando seu primeiro GP. Schlesser tinha vasta história em categorias menores de monopostos e em provas de Endurance. Foi chamado meio às pressas pela Williams para substituir Nigel Mansell, com sarampo. Um carro de F-1, para ele, era indecifrável mistério.

Sem Prost para incomodar, Ayrton liderava a corrida com relativa tranquilidade, apesar da aproximação de Berger, da Ferrari, nas últimas voltas — o brasileiro precisou tirar um pouco o pé por causa do consumo de combustível, mas nada que ameaçasse sua vitória, mais uma. Mas quando foi colocar uma volta em Schlesser, na primeira chicane, o francês se atrapalhou na freada, saiu da pista, tentou voltar e aconteceu o choque. Foi a única prova que o MP4/4 não ganhou. Por conta de uma batida boba, não falta de desempenho — a Red Bull só não bateu 100% de vitórias neste ano porque em Singapura o carro não andou bem, mesmo.

Com o abandono de Senna, a torcida da Ferrari fez a festa com a dobradinha Berger-Alboreto. Festa ainda maior porque dias antes o fundador da equipe, Enzo Ferrari, tinha morrido, causando enorme comoção na Itália.

CURIOSIDADE – A Ferrari foi a equipe que impediu, duas vezes, uma equipe de vencer todas as corridas de uma temporada. Aconteceu com Berger em 1988 evitando os 100% da McLaren e com Sainz neste ano, derrubando as pretensões da Red Bull de ganhar tudo.

Max: pontuação mais alta da F-1 moderna

Mas há outros — muitos — números incríveis que devem ser anotados nos anais neste ano da graça de 2023, até que um dia caiam, se é que isso vai acontecer. Verstappen, por exemplo, marcou 575 de 620 pontos possíveis, 92,7% do total. Há casos de 100% na história, mas eles ocorreram em temporadas em que havia descarte de resultados. Em 1952, por exemplo, eram oito etapas e quatro descartes. Portanto, um piloto poderia somar no máximo 36 pontos (nove por vitória). Mesmo que marcasse mais, teria de jogar no lixo. É um desses casos de 100%, com Alberto Ascari. Como foram 100% as duas conquistas de Jim Clark em 1963 e 1965. Nos dois anos, os pilotos consideravam apenas os seis melhores resultados e descartavam outros quatro. O escocês ganhou sete corridas em 1963 e teve de jogar uma fora. Em 1965, venceu seis.

De qualquer forma, Max atingiu o maior aproveitamento de pontos de um piloto na F-1 desde 1966, quando Jack Brabham ganhou o Mundial com 42 dos 45 pontos que poderia marcar — 93,3%. Já a Red Bull pode se jactar de ter feito mais pontos do que a segunda e a terceira colocadas juntas. Foram 860 contra 815 de Mercedes + Ferrari.

Outra façanha de Verstappen: ele completou todas as voltas dos 22 GPs do ano. Antes dele, só Schumacher, em 2002 (17 corridas), e Hamilton, em 2019 (21), tinham feito o mesmo.

Já rolou uma caixinha aí em cima. Mais umas, agora?

FAÇANHA JAPONESA – Ao liderar cinco voltas do GP de Abu Dhabi, da 18ª à 22ª, Yuki Tsunoda se tornou o primeiro japonês a pontear uma corrida de F-1 desde 2004. Naquele ano, Takuma Sato, então na BAR, liderou duas voltas do GP da Europa em Nürburgring. Tsunoda ganhou do amigo internauta o título de “Piloto do dia” e ajudou a AlphaTauri a encerrar sua história com esse nome marcando pontos na oitava colocação. Não o suficiente, porém, para superar a Williams na briga pelo sétimo lugar entre os construtores. Terminou o ano com 25, contra 28 do time rival. Curioso é que a arrancada da AlphaTauri se deu mesmo no final da temporada. Nas últimas cinco provas, a equipe — que em 2024 deve se chamar Racing Bulls — marcou 20 pontos, contra cinco da Williams. Foi a despedida do querido e carismático Franz Tost da F-1. Ele estava na chefia do time havia 18 anos.

NADA GARANTIDO – Uma declaração de James Vowles, diretor da Williams, deixou com uma pulga atrás da orelha aqueles que apostavam na permanência de Logan Sargeant no ano que vem. O dirigente elogiou a melhora do piloto nos últimos cinco GPs, mas afirmou com todas as letras: “Logan está se esforçando para merecer [a vaga], mas não estamos em posição de confirmar [que ele vai ficar] neste momento”. É bom ficar de olho. A opção Drugovich ainda não está totalmente descartada.

CIAO, BAMBINI – Foram cinco anos alojada na Sauber, e não se pode dizer que a Alfa Romeo tenha muito a comemorar nesta sua nova passagem pela F-1 — a marca fez sucesso no começo dos anos 50, voltou meio capenga nas décadas de 70 e 80 e retornou agora no sistema “alugue uma equipe e coloque seu nome”. O contrato com o time suíço terminou e não rendeu muito. Nada de poles, pódios, primeiras filas. O sexto lugar no Mundial do ano passado foi o melhor momento, com 55 pontos dignamente somados, bem mais que os ridículos 16 deste ano — que deixaram a Alfa em penúltimo no campeonato. Mas, pelo menos, dois pilotos nos encheram de alegria no período: Raikkonen com sua pilotagem e seus maneirismos e Bottas com sua bunda branca. Ano que vem o time volta a ser Sauber, mantém Bottas e Zhou e em 2026 vira Audi.

É CAMPEÃO! – E teve título para um piloto apoiado pela marca. Ontem, Théo Pourchaire terminou a corrida longa do encerramento da F-2 em Abu Dhabi em sexto. Frederik Vesti, com quem disputava o título, foi o terceiro colocado. Mas o resultado não foi suficiente para descontar a diferença de pontos que o francês tinha aberto até então. Pourchaire fechou o campeonato com 203 pontos, contra 192 do dinamarquês apoiado pela Mercedes. Jack Doohan ganhou a última corrida do ano.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de ver como a McLaren reagiu a um começo desastroso de campeonato, terminando em quarto lugar com 302 pontos. Nas oito primeiras corridas, com um carro muito ruim, o time fez 17 pontos — média de 2,1 por GP. Nas 14 etapas seguintes, depois de estrear um carro praticamente novo na Áustria, foram 285 pontos, média de 20,3 por etapa. Se tivesse tido essa média o ano inteiro, chegaria em segundo no campeonato. De quebra, a McLaren ainda nos apresentou um jovem muito promissor, Oscar Piastri, que terminou a temporada em nono com 97 pontos — desempenho mais do que aceitável para um estreante.

NÃO GOSTAMOS do campeonato patético da Haas. Em 2018, seu terceiro ano na F-1, a equipe americana terminou o Mundial em quinto lugar com 93 pontos. Um desempenho sensacional para uma quase estreante na categoria. Nos cinco anos seguintes, somou 80. Foi duas vezes última colocada — como neste ano –, duas vezes penúltima e uma, antepenúltima. Em 2023, vexaminosos 12 pontos. Nem para nos divertir na Netflix serve mais.

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FOTO DO DIA

Massa vence em Cascavel: primeira desde 2008

SÃO PAULO (parabéns) – Felipe Massa venceu hoje a corrida #2 da rodada dupla de Cascavel da Stock Car, penúltima etapa do campeonato. Foi a primeira vitória do veterano piloto de 42 anos em corridas de carros desde 2 de novembro de 2008, quando venceu o GP do Brasil de F-1 em Interlagos com a Ferrari. Ele deixou a categoria no final de 2017, tendo disputado suas últimas quatro temporadas pela Williams. Depois, foram três campeonatos na Fórmula E sem bons resultados, até chegar à Stock em 2021.

Em sua terceira temporada na categoria, Massa disse hoje que seus dois primeiros anos muito ruins chegaram a levá-lo a pensar em parar. “Achei que estava velho e que talvez devesse procurar outra coisa para fazer”, contou. “Agora vejo que tenho lenha para queimar e quero lutar pelo título no ano que vem.”

A última rodada dupla do ano acontece dia 17 de dezembro em Interlagos. Com 56 pontos em disputa por etapa (dois para o pole e 30 para o vencedor da corrida #1 e 24 para o vencedor da corrida #2), os sete primeiros na classificação ainda têm chances matemáticas de título. Gabriel Casagrande lidera com 286 pontos, seguido por Daniel Serra (271), Felipe Fraga (253), Thiago Camilo (250), Rafael Suzuki (243), Rubens Barrichello (241) e Ricardo Zonta (237).

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ACA BHALOGO (3)

Festa de Verstappen em Abu Dhabi: domínio nunca visto

SÃO PAULO (tudo em seu lugar) – O Mundial de F-1 2023 terminou hoje em Abu Dhabi como começou no Bahrein, no mesmo pedaço do planeta que, atualmente, funciona como motor financeiro da categoria: com Max Verstappen na frente. Foi uma temporada de superlativos para o holandês e para a Red Bull. Max conquistou o tricampeonato por antecipação na véspera do GP do Catar, ao vencer a Sprint e fechar a disputa com seis corridas ainda pela frente. Pois é, o título foi conquistado também no mundo árabe. Oh, que sortudo o mundo árabe, que abre e fecha campeonatos e ainda consagra campeões.

(Podia respeitar os direitos humanos, também, mas isso é outra conversa.)

Verstappen bateu vários recordes em 2023: o de vitórias num ano (19 em 22 etapas), pódios na mesma temporada (21), voltas na liderança (1.003), vitórias seguidas (10) e pontos (575 de 620 possíveis, 92,7% do total), por exemplo. Além das 19 vitórias, ganhou quatro das seis Sprints e nas outras duas terminou uma em segundo e outra, em terceiro. Chegou a 54 triunfos na carreira e se tornou o terceiro maior vencedor de todos os tempos. Não abandonou nenhuma corrida. Das três que não venceu, chegou em segundo duas vezes (Arábia Saudita e Azerbaijão) e em quinto na sua pior participação (Singapura).

Prost, Senna e o MP4/4: McLaren de 1988 superada

Já a Red Bull inscreveu de vez o nome na história com o maior domínio já registrado por uma equipe na mesma temporada. Foram 21 vitórias em 22 etapas, 95,45% de aproveitamento, superando a mítica McLaren de 1988, que venceu 15 de 16 corridas com Senna e Prost. O percentual de aproveitamento do time de Ron Dennis naquele ano foi de 93,75%. Mais uma marca que cai.

E cai graças a Verstappen, porque seu opaco companheiro de equipe, Sergio Pérez, conseguiu terminar o ano com menos da metade dos pontos, 285, e duas meras vitórias. Se Max corresse sozinho pela Red Bull, ainda assim o time teria sido campeão mundial de construtores, já que a vice de 2023, a Mercedes, terminou com 409. Dos 30 troféus que a esquadra austríaca levou para casa, Checo foi responsável por apenas nove. Aliás, esse é um recorde que a Red Bull não bateu, o de pódios na mesma temporada. A primazia segue com a Mercedes, que levou 33 taças em 2016, 32 em 2015 e 2019 e 31 em 2014.

Quadriculada para Max: 19 vitórias em 22 corridas

Esse monte de números, e outros surgirão ao longo deste relato, é importante para que se compreenda o caráter histórico deste campeonato, em que pese o fato de ele não tenha sido grande coisa do ponto de vista da competição. Max avisou que seria campeão muito cedo e ninguém fez cócegas em seu favoritismo. Aproveitou que tinha um grande carro nas mãos, juntou a máquina ao seu talento extraordinário e simplesmente massacrou a concorrência sem dó.

E quase sempre deixou o massacre para os domingos (OK, em Las Vegas foi sábado…), porque se teve algo com que não e preocupou muito em 2023 foi em fazer pole-positions. Não é muito sua praia. Foram apenas 12 nas 22 corridas, 54,55% do total, o que não é muito impressionante. Nigel Mansell, por exemplo, fez 14 das 16 possíveis em 1992, 87,5%, melhor aproveitamento da história até hoje.

Ajudou nesse verdadeiro empilhamento de cifras quase absurdas a inoperância das rivais. A Mercedes, que dominou a F-1 de 2014 a 2020 e começou a ter seu poder ameaçado em 2021 por Max e pela Red Bull, entrou em parafuso no ano passado na primeira temporada de um novo regulamento aerodinâmico que gestou um carro horroroso. O calvário dos alemães seguiu neste ano com um automóvel igualmente ruim, que deixava perplexos seus pilotos a cada volta. Ao final do campeonato, foram apenas oito pódios, uma pole e nenhuma vitória em 22 finais de semana.

Ferrari: poles com Leclerc (acima) e uma vitória com Sainz

Já a Ferrari, outra potencial adversária, juntou nove taças e foi um pouco melhor nas poles (sete) e vitórias (uma, com Sainz em Singapura). Outros dois times que se destacaram, a Aston Martin e a McLaren, viveram momentos muito distintos no ano. A primeira começou o campeonato bem, enchendo a estante de troféus com Fernando Alonso, mas a partir da metade da temporada despencou. A segunda iniciou o ano de forma patética, mudando radicalmente seu carro a partir da Áustria e, aí sim, entrou no Mundial de verdade. Mas não ganhou uma corrida sequer, nem fez uma pole. Tiveram seus momentos, Aston Martin e McLaren. Mas tiveram de se contentar com migalhas.

Nesse cenário, ficou fácil antever o que iria acontecer a cada GP desde 5 de março, quando foi dado o pontapé inicial na temporada. Um carro muito bom, que não quebra, nas mãos de um piloto excepcional, que não erra, só podia dar no que deu. A chave de ouro foi usada para fechar os trabalhos no circuito de Yas Marina. Então, vamos ao último capítulo de 2023.

Largada em Yas Marina: Verstappen sustenta a ponta e vai embora

Durou – o quê? – uns 20 segundos o trabalho pesado de Verstappen no GP de Abu Dhabi. Ele largou bem, como de costume, olhou no espelho para ver se alguém o incomodaria, e viu Chaleclé. “Ele de novo, coitado…”, pensou. Deu uma aceleradinha, contornou as primeiras curvas no modo “aff-que-saco-toda-largada-tem-alguém-pra-me-incomodar-mesmo-sabendo-que-não-vai-ganhar”, espiou outra vez o retrovisor e lá estava o monegasco ainda atrás. Max olhou o volante, girou o botão para o modo “não-dê-falsas-esperanças-a-ninguém-principalmente-para-pilotos-da-Ferrari” e foi embora, não sem antes anotar mentalmente: “Vou pedir para diminuir o tamanho da descrição dessas funções, perco muito tempo lendo. Outro dia me atrapalhei com ‘dar-o-vácuo-pro-Pérez-pra-ver-se-ele-consegue-fazer-alguma-coisa’ e confundi com ‘humilhar-Lewis-passando-por-fora-sem-asa-móvel-mandando-dedo-pro-Toto’, e naquele dia quase deu ruim”.

Nas primeiras voltas da corrida foi bacaninha a briga de Russell e Piastri pela quarta posição. O australiano já tinha perdido o terceiro lugar para seu companheiro Norris e segurou Jorginho por um bom par de voltas, até que foi ultrapassado, na volta 11.

Na 13ª volta, Alonso abriu a janela de paradas. Estava em sétimo, caiu para 18º. Piastri veio na volta seguinte. Depois, Russell e Norris – que demorou um pouco e acabou perdendo a posição para o #63 da Mercedes. Vislumbrava-se uma corrida de dois pit stops para quem visitava os boxes tão cedo. Todos colocaram pneus duros.

Verstappen parou na volta 17. Leclerc, na 18. E quem assumiu a ponta, pela primeira vez na vida, foi Yuki Tsunoda, na despedida da AlphaTauri da F-1 com esse nome – ano que vem será Racing Bulls. Stroll era o segundo. Ambos sem trocar pneus. O canadense da Aston Martin tinha largado com pneus duros e demoraria, mesmo, para parar. Sainz, também com pneus duros desde o início, era o terceiro. Mas o japinha tinha pneus médios e estava curtindo a liderança. Esticava o stint para tentar uma parada única na corrida, o que seria bem interessante.

Na volta 19, Max passou o espanhol da Ferrari e foi para a terceira posição, com dois carros à frente com pneus velhos. Em pouco tempo retomaria a ponta. Na volta 21, deixou Lance para trás. “Max, coloque agora o carro no modo ‘sair-do-pit-stop-e-passar-logo-os-carros-que-ainda-não-pararam-porque-estão-em-estratégias-diferentes-mas-não-por-isso-muito-eficientes’”, pediu o engenheiro. “Não dá pra resumir um pouco isso não?”, pediu o holandês. “Max, você sabe que trabalhamos com informações precisas, por favor apenas faça o que estamos pedindo”, respondeu o engenheiro em tom de repreensão. “E se você está achando complicada nossa comunicação e longos os textos impressos no painel, depois te mostro o volante do Russell.”

Tsunoda e Stroll pararam na volta 23. Voltou em 12º. Àquela altura, Sainz e Bottas eram os únicos na pista sem pit stops. A Ferrari chamou Carlos na volta 24 e colocou pneus duros de novo, mas teria de parar outra vez. Não tinha muita importância, de qualquer maneira. A corrida seguia sem grandes emoções, com Max bem à frente de Leclerc, Russell em terceiro, Norris em quarto e Piastri em quinto. Este, sim, tendo de se defender. No caso, de Pérez. Que passou o australiano na volta 18. O jovem estreante da McLaren, tão bem na classificação, não tinha um bom ritmo de prova.

Sainz: posição ruim de grid prejudicou o espanhol

Na metade da corrida, com Russell em terceiro e Hamilton em oitavo, a Mercedes seguia na frente da Ferrari na briga pelo vice-campeonato. Os italianos pontuavam apenas com Leclerc, em segundo, já que Sainz se debatia com o segundo escalão em 14º, cercado por Gasly e Hülkenberg, longe dos pontos.

A segunda parada de Norris aconteceu na volta 34. Russell foi chamado na sequência. Contestou a decisão da Mercedes. “Será que não podemos ir até o final com apenas uma parada? Foi uma estratégia que discutimos ontem de madrugada, lembram? Foi naquela hora em que todos sentimos fome e fiz uma surpresa para vocês, encomendando quibes e esfihas pelo delivery. Sim, eu sei que faltou um limãozinho, mas aqui é meio complicado conseguir limões. Naquela hora eu falei de fazer uma parada apenas e vi que teve gente que concordou com a cabeça”, argumentou. Toto Wolff entrou no rádio e, de forma até rude, interrompeu o piloto: “Era eu, George, e não estava concordando com uma parada, estava apenas confirmando que o quibe ficava gostoso com coalhada seca, para logo e troca esse pneu!”.

Ele parou e trocou, como fizeram Leclerc e Hamilton também. Verstappen e Pérez, assim, passaram a ocupar primeiro e segundo lugares. Max entrou no rádio e, solícito, ofereceu os boxes para o mexicano. “Se vocês quiserem chamar o Checo antes para trocar os pneus, fiquem à vontade”, disse. Mas demorou, até. Pérez parou na volta 43. Verstappen, como tinha sugerido, uma depois.

Pérez: ajudinha de Verstappen

Na volta 46, a 12 do final, Verstappen, Leclerc, Russell, Norris, Pérez, Tsunoda, Piastri, Alonso, Sainz e Hamilton eram os dez primeiros. Desses, Sainz ainda precisava parar mais uma vez. A prova melhorou um pouco, com alguns duelos entre Pérez e Norris, Lewis e Alonso, depois o próprio Hamilton contra Sainz. A cada instante a transmissão da TV, com as mudanças de posição na pista, informava como estava a pontuação no campeonato. A Ferrari já tinha passado a Mercedes, depois empataram, na sequência o time alemão voltou à vice-liderança. O único que parecia se importar com isso era Russell, que a todo momento perguntava onde estava Hamilton, como estava a tabela, quanto cada equipe ganharia em prêmios pelo segundo lugar, até Toto Wolff, de novo, pedir para ele calar a boca que não era problema dele.

Pérez tomou uma punição de 5s por tocar em Norris quando passou o inglês. Mas foi à luta. Na volta 54, passou Russell, também, e assumiu a terceira colocação. Para garantir o pódio, porém, precisava colocar pelo menos 5s de vantagem sobre o Mercedão #63.

Fazendo contas sabe-se lá com qual calculadora, Leclerc deixou Pérez passar para que ele tentasse manter a posição em relação a Russell, tirando pontos da Mercedes. Charlinho, claro, manteria o segundo lugar com a punição ao #11 da Red Bull. No fim, não deu muito certo. Checo recebeu a bandeirada em segundo, mas caiu para quarto com o acréscimo de 5s ao seu tempo final de prova. Xingou os comissários pelo rádio e foi chamado à torre para pedir desculpas.

Verstappen, Leclerc e Russell foram para o pódio. Jorginho não ganhava um troféu desde o GP da Espanha, em junho. Fecharam os pontos, pela ordem, claro, Pérez, Norris, Piastri, Alonso, Tsunoda, Hamilton e Stroll. Fernandinho passou Yuki na última volta e conseguiu segurar o quarto lugar entre os pilotos com 206 pontos, o mesmo que Leclerc, mas com vantagem nos critérios de desempate. Norris, com 205, ficou em sexto. Sainz, que chegou a Yas Marina em quarto, zerou e terminou em sétimo.

O resultado assegurou o vice para a Mercedes, com 409 pontos. A Ferrari terminou com 406. Se Sainz tivesse se classificado melhor ontem, talvez os italianos conseguissem superar os alemães, mas a tarefa ficou complicada com o espanhol lá no fundão do grid.

Verstappen e Tost: criatura e criador

Max termina o ano com 19 vitórias em 22 corridas. Recorde absoluto também no aproveitamento: 86,36%. Com 54 vitórias, passou a ser o terceiro maior vencedor da história, deixando Sebastian Vettel para trás. Agora, só Hamilton (103) e Schumacher (91) ganharam mais do que ele.

Foram 21 pódios para Verstappen, outro recorde absoluto que, em termos proporcionais, só não supera os 17 de Schumacher nas 17 etapas de 2002 – 100% de presenças entre os três primeiros. Em Abu Dhabi, ele se tornou o primeiro piloto a ultrapassar as mil voltas na liderança num ano. Chegou a 1.003, 75,7% do total de 1.325 voltas percorridas na temporada. Outro recorde, superando os 71,4% de voltas lideradas por Jim Clark em 1963 – 506 de 708.

Zerinhos em Abu Dhabi: comemoração na pista, lágrimas no pódio

O tricampeão mundial fez os tradicionais zerinhos para colocar um ponto final em 2023 assim que recebeu a bandeirada. Pelo rádio, agradeceu Franz Tost, que lhe deu a primeira chance na Toro Rosso em 2015 e se despediu hoje da sucessora AlphaTauri: “Ele teve muitos de nós sob suas asas”, reconheceu. Falou do orgulho por uma “temporada incrível” e admitiu que vai ser difícil repetir algo parecido no futuro.

No pódio, Max ouviu o hino da Holanda de cabeça baixa. Estava emocionado e seus olhos, quando levantou o rosto, surgiram vermelhos.

Na última corrida do ano, foi a única coisa diferente que fez na temporada: chorar.

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