DETROIT, 30

D

SÃO PAULO (compensou) – Foi num 22 de junho, em 1986, que Senna catou a bandeira do Brasil pela primeira vez de um transeunte para comemorar uma vitória. Lá se vão 30 anos. O GP dos EUA, em Detroit, aconteceu um dia depois da eliminação do Brasil pela França, nos pênaltis, na Copa do México. Ayrton corria pela Lotus e usava motores Renault. O time tinha uma penca de franceses, que passaram o sábado e parte do domingo zoando o piloto brasileiro. A bandeira, contaria depois, foi uma espécie de desagravo. Renan do Couto conta a história aqui.

[bannergoogle]Fazia muito tempo que eu não via essas imagens — no vídeo acima, depois dos 14 minutos. Na minha memória empoeirada, era um bandeirão com mastro de bambu do tamanho daquela que fica na Praça dos Três Poderes. Hoje noto que era uma bandeirinha mequetrefe e, me pareceu, meio desbotada. Talvez de plástico.

Não importa. O gesto entrou para a história particular de Senna, que passou a repeti-lo sempre que possível. Momento legal de sua carreira. E consta que os franceses da Renault não se irritaram nem um pouco. Afinal, venceram também.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

22 Comentários

  • Luiz Alfredo na narração.
    Pacheco como quase todos à época, mas muito menos arrogante que certos narradores oficiais da F-1, que num dia almoçaram com um, semana passada estiveram numa viagem com outro…

  • Como já disseram, os carros eram muito bonitos. E os capacetes eram mais marcantes.
    Foi uma pena o que houve nas copas de 82 e 86. Dois timaços. Acho que qualquer uma delas, especialmente a de 82, ganharia de qualquer outra seleção que o Brasil já tenha tido.
    Quem será que deu essa bandeira?

  • Ué. Tema da vitória?

    Sempre achei que a primeira vez que ele foi tocado foi quando o Piquet foi tricampeão.

    Ou foi quando o Nelson foi campeão a primeira vez?

    Ou era algo que sempre tocava pro ganhador do GP Brasil?

    Tô confuso.

    • O Tema da Vitória foi criado a pedido da Rede Globo ao maestro Eduardo Souto Neto para ser tocado em homenagem ao vencedor do GP do Brasil, independentemente da nacionalidade deste, sendo que ela foi tocada pela primeira vez em 1983 com a vitória de Nelson Piquet em Jacarepaguá. Em 1984, o Tema da Vitória foi executado para Alain Prost que venceu o GP Brasil daquele ano.

      Só em 1986 é que o tema passou a ser executado como uma homenagem pela vitória de um piloto brasileiro na F1, deixando de ser somente trilha sonora do vencedor do GP Brasil.

    • Todas suas afirmativas estão corretas…
      Rsrs…
      Teve tema da vitória para Alain Prost, vencedor do GP do Brasil em 1984. Tocou para Senna, Piquet, Barrichello, Massa. A associação do tema às vitórias do Senna é forte, tanto que alguns torcedores reclamaram quando o tema foi tocado nas vitórias de Barrichello e Massa.

      • O Tema da Vitória também tocou momentos após Hamilton ter cruzado a linha de chegada, quando do seu primeiro campeonato em Interlagos. Atrasaram a entrada do tema, que acabou coincidindo com a comemoração do inglês dentro do carro. O mico foi tão grande, que diminuíram o volume e retiraram o tema do ar.
        É claro que o tema foi em homenagem à vitória de Massa, mas a forma rocambolesca pela qual o título foi perdido, aliada à demora da música, frustrou qualquer festejo.

  • Foi a primeira copa que me entendo por gente, a de 86. Passado um tempo, entendi que França e Brasil 86 foi o jogo certo na copa errada. Era pra ser o jogo da copa de 82, a final, das duas seleções mais técnicas daquela copa, com Zico, Platini, Falcão, Giresse, Socrátes, Tigana no auge de sua forma física. Foi uma pena não ter havido essa final em 82.
    Saudades de uma F1 em que havia coisas que nunca deveriam ter mudado = pontos só para os 6 primeiros, [ 9, 6, 4, 3, 2, 1 ]. 16 gps ao longo do ano, pelo menos uma três equipes com chances reais de vencerem gps. Pistas e países que eu nunca pensei que veria fora da f1 hoje. A única coisa daquela época que eu não curtia era o descarte de pontos (rs). Eu e meus amigos que curtiam F1 ficávamos tentando entender como funcionava(rs). Era mais difícil que entender o impedimento no futebol rs

  • Não tem a ver com a razão do seu post, mas…
    A classificação final mostra que há muito tempo a Formula 1 não tem corridas equilibradas.
    Nós é que esquecemos e achamos que era emocionante, principalmente quando quem liderava isoladamente era um piloto brasileiro.
    O ronco dos motores turbo também era bem menos empolgante que dos motores aspirados.
    Na minha opinião, com o passar do tempo as pessoas ficaram mais críticas e exigentes, ou simplesmente mais chatas mesmo.
    Abraços.

    • Esqueceu de mencionar que antigamente não tinha essa frescurada de botões de ajuste de setup, de reaproveitamento de energia eletronuclear, de atomização do eletrocircuito magnetizador, obrigatoriedade de se usar n pneus, de asa móvel, de não poder defender as posições mais de duas vezes….

    • Concordo, Talarico. Respeitamos as opiniões de todos mas a exigência (inclusive a minha) aumentou demais. Moçada dizendo que não aconteceu nada em Baku… O mexicano lá conseguiu ser competitivo, a Ferrari do Kimi teve problema, houve quebra de record de velocidade, Hamilton não largou lá atrás e não tava em primeiro na volta 20, tampouco chegou no pódio. Tem câmera on board hehe. O líder deu uma volta somente no 12º posto ao 17º. É claro que com isso tudo ainda dá sono.
      Mas se garimpar ali e acolá vai achar coisas boas. Naõ dá pra se contentar com migalhas, mas dá pra achar algum motivo pra curtir cada temporada, mesmo em épocas dominantes na F1.

      PS: Temporada recheada de carros lindos essa de 1986. E tenho saudades do Luíz Alfredo. A voz dele combina muito com competição de carros! Abr

  • Nessa época eu tinha uns 10 anos…. comprava álbum de figurinha, desenhava esses carros na última folha do caderno, tinha pôsteres, tanto da Lotus, quanto da Williams no quarto, fazia corrida de tampinhas na rua…. enfim….. vivia a Formula 1.

    Meu pai construiu um carrinho de Formula 1, não tinha motor nem nada. Era só pra descidas mesmo… E em 86 ele era preto/dourado , em 87 foi amarelo/azul/branco , em 88 foi branco/vermelho e em 89 continuou com as mesmas cores, só que com o número 20……

    Sinceramente, coloco em dúvidas se alguma criança de 10 anos hoje em dia gosta de F1 como gostávamos nos anos 80…

    Bom, divagações infanto-oitentistas à parte, nessa época a Lotus bebia mais que tio chato, e quem tinha condição de consistência de vitórias, era a Williams. O Ayrton dizia várias vezes, que em várias corridas, o detotalizador indicava que ele não iria terminar a corrida….. e ele dava seu jeito…

    Diria que essa época começou o segundo período de ouro do Brasil na F-1….. e que foi até 94.

    Bons tempos, seja com o Ayrton, seja com o Nelson.

    Caguei pra esse fla-flu imbecilóide que muita gente fomenta até hoje.

    Boa lembrança.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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