CADILLAC É FERRARI!

SÃO PAULO (já é) – A Ferrari anunciou hoje oficialmente que será a fornecedora de motores da Cadillac F1 Team, parida nas entranhas da Andretti. O contrato é plurianual e começa em 2026. A equipe será a 11ª participante do Mundial. A partir de 2028, a GM, dona da marca, promete ter seu motor próprio na categoria.

No ano que vem, um dos assuntos dominantes será a dupla de pilotos da Cadillac para 2026. Vai ter fila na porta.

Modelo da Cadillac já foi para o túnel de vento
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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

O adeus de Hamilton à Mercedes: “Maior honra”

SÃO PAULO (o último!) – Chega de abraços e sorrisos em cor de laranja! Acho que a imagem mais marcante de Abu Dhabi foi, mesmo, o adeus de Lewis Hamilton à Mercedes. Ele abraçou e acarinhou o último carro da marca que guiou na F-1. Não foi o melhor de todos, longe disso. Mas lhe deu duas vitórias, na Inglaterra e na Bélgica.

Lewis é grato à marca que defendeu a vida toda na categoria. Desde a chegada pela McLaren, em 2007, até hoje. Nunca usou outro motor. Fará parte eternamente da família da estrela de três pontas, como disse Toto Wolff pelo rádio. E se despediu com uma atuação de gala. Não deu taça, é verdade. Mas terminou em quarto depois de largar em 16º.

E fez sua última ultrapassagem na última volta sobre outro carro da Mercedes. Se alguém tivesse de escrever esse roteiro, não sei se capricharia tanto.

Abaixo, mais fotos da última das 246 corridas que o heptacampeão fez pela Casa de Stuttgart.

Ainda falando de Hamilton, o que acharam de seus modelitos para o fim de semana? Ele chegou na sexta de “prata off-white” quase cinza, a cor começou a mudar no sábado e, no domingo, o piloto aparece no paddock de Yas Marina todo de vermelho. Teve gente que achou desrespeitoso. Eu achei genial. Hamilton usa a moda como linguagem, forma de se expressar. Sem dizer uma palavra, anunciou sua metamorfose.

Foi o maior barato.

Metamorfose: sem ofender ninguém

E o campeonato mais legal dos últimos tempos acabou com uma série de cifras interessantes. Foi a primeira vez na história que sete pilotos venceram mais de uma corrida, a saber: Verstappen (nove), Norris (quatro), Leclerc (três), Piastri, Hamilton, Russell e Sainz (duas cada). Também a primeira vez desde 2010 sem que um piloto ou uma equipe vencessem três provas seguidas. Os três primeiros na classificação foram de times diferentes — Red Bull, McLaren e Ferrari. Quatro equipes ganharam quatro ou mais corridas. Cinco pilotos diferentes fizeram poles (Verstappen, Leclerc, Sainz, Norris e Russell). E houve uma incrível série de seis corridas com seis vencedores diferentes: Azerbaijão (Piastri), Singapura (Norris), EUA (Leclerc), México (Sainz), Brasil (Verstappen) e Las Vegas (Russell).

Mas número bom, mesmo, é esse aqui:

O NÚMERO DE ABU DHABI

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…de prejuízo deu Pierre Gasly à Alpine com batidas em 2024. Ele pegou o carro no dia 2 de março no Bahrein e devolveu ontem, nove meses depois, sem um arranhão, polido, higienizado e com os pneus calibrados. O piloto que mais arrebentou a viatura foi Sergio Pérez. Com ele, a Red Bull teve de gastar cerca de US$ 5 milhões em peças, componentes e serviços. O mexicano terminou o Mundial em oitavo, a pior posição de um piloto da equipe dos energéticos desde o oitavo de Daniel Ricciardo em 2015.

Outro que merece menção honrosa numérica é Piastri. O australiano da McLaren percorreu as 1.444 voltas das 24 etapas do campeonato. O segundo lugar na lista foi Norris, com 1.437 — sinal claro da confiabilidade do equipamento papaia.

É a primeira vez que um piloto completa todas as voltas de uma temporada sem ser campeão mundial. Os outros que fizeram isso foram Michael Schumacher em 2002, Hamilton em 2019 e Verstappen no ano passado.

A propósito, aí embaixo vocês veem como ficaram os dois campeonatos de 2024. Gasly, na última corrida, tirou a décima posição de Hülkenberg. Que, por sua vez, comemorou o que chamou de seus melhores anos na F-1, o período na Haas, fazendo pontos em seis das últimas sete provas. Nico estará na Sauber no ano que vem.

Falando em Haas, o autor da melhor volta ontem foi Kevin Magnussen, que se despediu da equipe e da categoria. Vai para a BMW no WEC. Foi a terceira vez na carreira que o dinamarquês fez a volta mais rápida de uma corrida. Curioso é que em nenhuma dessas levou o ponto extra, porque chegou fora da zona de pontuação: foi 18º em Singapura/2018 e 17º na mesma pista em 2019. Ontem, terminou em 16º.

Mais um que falou tchau foi Valtteri Bottas. Ele causou um acidente justamente com Magnussen, que perdeu qualquer chance de chegar entre os dez primeiros e por isso colocou pneus macios para fazer a melhor volta da prova no fim. O finlandês pediu desculpas e tomou uma punição de cinco posições no grid na próxima corrida. Que, para ele, não haverá. Ao saber do pênalti, Bottas não perdeu a chance de fazer a piada: “Oh, não. Não é a situação ideal”, falou.

A FRASE DE YAS MARINA

“Forza, Ferrari!”

Carlos Sainz, ao se despedir da equipe

Com quatro vitórias e seis poles em quatro anos, Carlos Sainz se despediu do time italiano sem ressentimentos. Disse que compreende a opção pela permanência de Leclerc, que faz parte dos planos ferraristas desde sempre. E que quando se tem a chance de contratar alguém como Hamilton, é normal que haja um esforço para fazê-lo. Alguém tinha de sair.

Um dia depois de fechar sua história de vermelho com um segundo lugar em Abu Dhabi, Sainz já acelerou a Williams na mesma pista, para uma espécie de shakedown — o time ainda tinha direito a 200 km livres para filmagens na temporada. A partir de amanhã, estará nos testes de fim de ano com a nova equipe. Hoje, o banco espanhol Santander, que patrocinava a Ferrari, anunciou que passará a colocar seu logotipo nos carros azuis da Williams.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… de ver a McLaren voltar à primeira prateleira da F-1 com o título mundial conquistado depois de 26 anos. Foi o nono de sua história, o primeiro desde 1998 — já explicamos aqui ontem por que a equipe perdeu o título de 2007, embora tenha terminado a temporada na primeira colocação. E gostamos muito de ver Andrea Stella, seu principal dirigente de pista e de fábrica — Zak Brown é mais um executivo –, usando um broche com o capacete de Gil de Ferran na camisa. Gil, cuja morte completa um ano daqui a 20 dias, foi importante no processo de reconstrução papaia. Justa lembrança.

NÃO GOSTAMOS… que acabou!

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BORTOLETO

SÃO PAULO (sucesso, jovem!) – O Brasil volta a ter um titular na F-1 depois de sete anos de seca. Um rapaz que chega com um currículo comparável ao de três pilotos que defendem equipes de ponta na categoria. Gabriel Bortoleto ganhou a F-3 e a F-2 nas suas temporadas de estreia. O último que conseguiu isso foi Oscar Piastri, hoje na McLaren. Os outros foram Charles Leclerc, da Ferrari, e George Russell, da Mercedes. O monegasco foi campeão da GP3 em 2016 e da F-2 em 2017 — primeiro ano do campeonato com esse nome sob chancela da FIA. O inglês ganhou a mesma GP3 em 2017 e a F-2 em 2018. A GP3 era a equivalente à F-3 de hoje.

É uma façanha que não pode ser ignorada. E que leva a crer que o paulista de Osasco é um piloto especial, embora tenha uma carreira curta com carros. O que é óbvio, afinal tem apenas 20 anos de idade. Como toda a molecada que chega lá, começou no kart, foi morar na Europa muito novo e na hora em que o funil ficou mais apertado, mostrou talento e resultados.

Bortoleto é de família rica, o que não é crime. E auxilia muito no início da carreira num esporte caro como o automobilismo. Vi todas as provas da F-2 neste ano e deu para perceber que é um piloto muito agressivo e hábil para fazer ultrapassagens. Gosto do estilo. Fora da pista, pouco posso dizer — não o conheço pessoalmente. Pelas entrevistas, notei que tem a cabeça no lugar, mas abusa um pouco do papinho de que “corre pelo Brasil”, “representa o país”, “é pra vocês”, abusa um pouco desse patriotismo fajuto fora de moda que, na minha visão, mais atrapalha do que ajuda.

Mas é normal. Bortoleto é fruto das redes sociais, deve ler os comentários, se empolgar com as bandeirinhas do Brasil que o pessoal coloca ao lado das postagens. Eu seria um pouco mais cuidadoso com isso. Assumir o papel de redentor de uma nação é uma carga desnecessária e inútil. Usando uma expressão detestável, correr de F-1 “não é sobre” patriotismo. É apenas um esporte, uma competição pesada entre os melhores de uma modalidade que envolve marcas, patrocinadores, engenheiros, tecnologia, dinheiro e, no fim das contas, é cada um por si e não tem nada a ver com países. Os países disputam, quando muito, o direito de fazer corridas. Se eu pudesse dar um conselho, diria apenas isso: esqueça essa conversa fiada de que sua missão na Terra é elevar o verde e amarelo e mostrar ao mundo como somos resilientes e esforçados e não desistimos nunca. Isso é bobagem, sua missão na Terra é acelerar um automóvel — que no caso será alemão e fabricado na Suíça, e no ano que vem terá motores italianos.

O título da F-2 veio domingo com uma segunda colocação na 28ª e última corrida do ano. A temporada teve 14 rodadas duplas com provas curtas, as Sprints, e longas, as Features. Bortoleto não dominou o campeonato de forma arrasadora. Ganhou duas corridas longas, na Áustria e na Itália, e fez duas poles. A vitória em Monza foi o divisor de águas para ele: venceu depois de largar em último, o que chama a atenção em qualquer categoria. Mas foi regular e constante. Deixou de pontuar apenas seis vezes. O vice-campeão Isack Hadjar, apoiado pela Red Bull, ganhou quatro provas, mas zerou em 13. No final, o brasileiro terminou com 214,5 pontos, contra 192 do francês.

Filiado à McLaren desde o início do ano, Bortoleto só fez um teste com um carro de F-1. E de modelo antigo, 2022. Foi em setembro, na Áustria. Quem encurtou o caminho foi Fernando Alonso, que passou a ser seu agente no ano retrasado. No vaivém de pilotos para 2025, a Audi se interessou e a McLaren chegou a endurecer a negociação, já que não queria emprestá-lo. Mas acabou dando certo.

Bortoleto fará seus primeiros testes de verdade a partir de amanhã em Abu Dhabi. Não se deve esperar nenhum milagre no ano que vem, posto que a Sauber foi a última colocada neste ano. Mas, da mesma maneira, não se deve cobrar nada dele. É bom que os patriotas se contenham. Gabriel vai aprender a ser piloto de F-1 em 2025, algo completamente diferente de tudo que fez até hoje. Estará vinculado a uma marca que faz projetos de longo prazo e não entra na pista para fazer figuração. É uma ótima porta de entrada. O mais difícil, talento para pilotar, tem. Que os próximos anos sorriam para ele.

E se posso dar um segundo conselho, mude o capacete. Seu nome é Gabriel e o sobrenome é Bortoleto. Esqueça o resto. Preocupe-se em ser Gabriel Bortoleto da Audi. Essa coisa de querer ser a reencarnação de Ayrton Senna do Brasil não tem como dar certo.

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DESPEDIDAS (3)

Brown e Norris: McLaren campeã depois de 26 anos

SÃO PAULO (foi bom) – A McLaren voltou a ser campeã mundial de Construtores depois de 26 anos. A vitória de Lando Norris e o décimo lugar de Oscar Piastri hoje em Abu Dhabi levaram a equipe papaia a 666 pontos, contra 652 da Ferrari – que colocou seus dois pilotos no pódio ao lado do inglês, com Carlos Sainz em segundo e Charles Leclerc em terceiro. Em 1998, ano do último título do time de Woking, os pilotos eram Mika Hakkinen, o campeão, e David Coulthard. A taça dos pilotos, já desde o GP de Las Vegas, ficou com Max Verstappen pelo quarto ano consecutivo. O holandês da Red Bull terminou a corrida de Yas Marina na sexta posição.

Esse jejum da McLaren não seria tão longo se não fosse a tumultuada temporada de 2007, em que a equipe acabou tendo todos seus pontos anulados por conta de um escândalo de espionagem envolvendo alguns de seus funcionários. Eles tungaram projetos da Ferrari a eles passados por baixo dos panos pelo engenheiro inglês Nigel Stepney, que trabalhava em Maranello. A McLaren foi multada na época em US$ 100 milhões. O caso foi batizado de “Spygate” pela imprensa especializada. Stepney morreu aos 56 anos em 2014 num acidente rodoviário. As investigações na época mencionaram a suspeita de suicídio, o que nunca foi comprovado.

Naquele ano, Kimi Raikkonen, da Ferrari, foi o campeão com 110 pontos. Lewis Hamilton e Fernando Alonso, a dupla da McLaren, terminaram empatados com 109. A equipe inglesa marcou 218 pontos contra 204 dos italianos, que tinham Felipe Massa como companheiro de Kimi. A Ferrari foi declarada campeã de Construtores e Alonso, que fazia sua primeira temporada pela McLaren, rompeu seu contrato e voltou para a Renault. O espanhol tinha entrado em atrito com o então estreante Hamilton no meio do campeonato e foi personagem importante no “Spygate”. Ele que entregou os e-mails provando que os engenheiros da McLaren estavam recebendo informações contrabandeadas da Ferrari.

Mas isso é passado. Naqueles tempos, o dono do time era Ron Dennis, afastado das funções em 2016 por seus acionistas. Foi quando o norte-americano Zak Brown assumiu o comando da McLaren para, oito anos depois, subir ao pódio de Yas Marina para tomar banho de champanhe sem álcool e comemorar um título que vale muito dinheiro e confere enorme prestígio a quem o conquista.

Norris por milagre largou bem na corrida de hoje, ele que não costuma desfrutar de suas pole-positions com muita alegria. Verstappen também. Quarto no grid, jogou seu carro por dentro na primeira curva e tocou em Piastri. Os dois rodaram. Max deu uma pirueta e seguiu, passando em 11º na primeira volta. O australiano desabou para o fundo do pelotão. Na confusão, Leclerc ganhou 11 posições e subiu para oitavo. Kevin Magnussen, outro que largou como um foguete, levou sete de roldão: de 14º para sétimo. E ainda na primeira volta o infeliz Sergio Pérez rodou depois de um toque com Valtteri Bottas e abandonou. O fim mais melancólico de carreira de um piloto em todos os tempos. Isso, claro, se ele for mesmo despachado pela Red Bull. Ou se resolver parar por conta. Amanhã deve sair alguma decisão.

O safety-car virtual foi acionado e a prova, retomada na terceira volta com Norris, Sainz, Pierre Gasly, George Russell, Nico Hülkenberg, Alonso, Magnussen, Leclerc, Lance Stroll e Verstappen nas dez primeiras posições. Hamilton, o único que largou com pneus duros – os demais foram de médios –, pulou de 16º para 12º. Bottas e Verstappen foram punidos com 10s cada pelos incidentes da primeira volta. Piastri também levou um pênalti, mas por tocar em Franco Colapinto. Ui.

Na volta 10, algumas posições mudaram na turma da frente. Leclerc e Verstappen foram abrindo caminho e a ordem, depois dos cinco primeiros, passou a ser Leclerc, Alonso, Verstappen, Magnussen e Stroll. O monegasco e o holandês se divertiam. Na 12ª volta, Max passou Alonso e Leclerc deixou Hulk para trás. A asa móvel ajudava bem. Fernandinho deve ter-se lembrado de 2010, último ano sem o dispositivo. Ficou preso a corrida toda atrás do russo Vitaly Petrov e perdeu o título para Sebastian Vettel. Se o DRS existisse, talvez o fim daquela temporada pudesse ter sido diferente.

Na altura da volta 15 começaram os pit stops. Gasly, Hulk, Alonso, Stroll, Magnussen… Metade do grid colocou pneus duros. Os cinco primeiros, Norris, Sainz, Russell, Leclerc e Verstappen, seguiam na pista com os médios. Depois vinham Hamilton de duros e Liam Lawson de médios, também sem paradas.

Leclerc fez sua troca na volta 21 para tentar ganhar a posição de Russell na estratégia de box. Com pneus novos, veio jantando todo mundo e na volta 25 já estava em sexto. Quando George parasse, voltaria atrás da Ferrari #16. Azar deu Lawson. Teve de ir aos boxes duas vezes, porque a roda dianteira esquerda não ficou bem presa. Na 26ª volta, foi a vez de Sainz fazer seu pit stop. Na seguinte, Norris e Russell. O inglês manteve a liderança e o espanhol da Ferrari sustentou o segundo lugar. Mas o inglês da Mercedes voltou atrás de Charlinho, como planejara a equipe italiana. Na metade da corrida, volta 29, restavam dois pilotos sem paradas na pista: Verstappen, o terceiro, e Hamilton, o quarto.

Max parou na volta 30, pagou seu pênalti e voltou em 11º, puto da vida. Saindo dos boxes, pelo rádio, perguntou se poderiam trocar sua punição para 20s. “Idiotas”, resmungou. Na volta 31, Bottas deu uma barbeirada monumental e acertou o carro de Magnussen. Furou seu pneu e fez Kevin rodar. Mas não foi necessário chamar safety-car real, comissários virtuais ou o síndico. O finlandês da Sauber abandonou. Foi seu último ato na F-1. Magnussen, então, rumou para os boxes e colocou pneus macios para ele também deixar sua marca na despedida: a melhor volta da corrida. E conseguiu. Não valeu ponto extra, já que chegaria longe da zona de pontos. Mas entraria para as estatísticas. Foi a terceira de sua carreira.

Hamilton fez seu último pit stop pela Mercedes na volta 35. Voltou em sétimo, com Alonso colado nele e Verstappen grudado no espanhol, já em nono. Naquele trenzinho de três vagões, nada menos do que 13 títulos mundiais nos contemplavam. Com pneus médios novos, Lewis desgarrou rapidinho e foi embora. Max passou o veterano da Aston Martin no final da volta 36. Fernandinho, logo depois, faria seu segundo pit stop. Seus pneus já tinham ido para o saco, como se diz.

Hamilton fazia uma despedida digna. Na volta 41, ultrapassou Hülkenberg e foi para sexto. Tinha Gasly na mira e também passou o francês sem grande dificuldade na volta seguinte. O quinto lugar parecia ser o limite. O quarto, seu companheiro Russell, estava mais de 14s à frente. Informação que Lewis pediu pelo rádio. “Catorze segundos?”, espantou-se. Toto Wolff tentou animar o velho amigo: “Você consegue”.

Russell, então – isso só eu sei, porque não foi ao ar –, magoado, retrucou: “Vejam bem. Entendo que meu ex-colega Lewis merece todo respeito. É um heptacampeão mundial. Conquistou, em nome de nossa família tedesca, seis títulos e 84 vitórias. São números robustos, dos quais tem de se orgulhar. Mas não sei se os senhores notaram, hoje ele chegou ao autódromo vestido de vermelho da cabeça aos pés. Até a cueca era encarnada. Sei disso porque nos trocamos no mesmo vestiário. Não lhes pareceu um desaforo? Mesmo assim vocês ficam estimulando nosso ex-amigo a tentar me ultrapassar? Quem estará aqui no ano que vem? Hein? Alguém pode me responder? Creio que diante deste quadro não tenho recebido a devida atenção de todos aqui e quiçá na fábrica, uma vez que…” “George, por favor, dá para calar a boca?”, suspirou Toto, sem a menor paciência para aquele discurso.

Na volta 50, Norris, Sainz, Leclerc, Russell, Hamilton, Verstappen, Gasly, Hülkenberg, Alexander Albon e Alonso eram os dez primeiros, todos separados por intervalos confortáveis para quem olhava para trás e incômodos para quem precisava alcançar o amiguinho da frente. A exceção era Albon, que foi alcançado pelo espanhol da Aston Martin e, logo depois, deu adeus a um possível pontinho suado ao ser ultrapassado por Piastri. Já estávamos na volta 54 das 58 da corrida.

Mas tinha ainda Hamilton x Russell, valendo o quarto lugar. Lewis chegou e abriu a última volta menos de 1s atrás de seu companheiro de tantas jornadas. A chefia entrou no rádio e pediu que George fosse camarada e não fizesse nenhuma bobagem deselegante. “Nem precisa pedir, Toto.”

Assim, a última ultrapassagem de Hamilton pela sua Mercedes foi feita sobre outra Mercedes, nos metros finais da prova. Tem alguma poesia nisso.

Lewis ganhou um totem especial no meio da reta junto às placas dos três primeiros. Deu zerinhos, queimou borracha e estacionou seu carro preto e prateado diante das arquibancadas. Depois, agachou-se ao seu lado. Um longo filme deve ter passado por sua cabeça naqueles rápidos instantes – ainda que eu não seja afeito a tentar adivinhar pensamentos. Enquanto isso, Norris, sorridente, abraçava todo mundo para comemorar o título de Construtores da McLaren. Lewis, então, foi até Zak Brown para dar parabéns ao comandante papaia. A McLaren foi sua primeira casa na F-1, onde conquistou seu primeiro campeonato, em 2008. Não tem como esquecer.

Final em Yas Marina: Leclerc e Hamilton, os melhores

Norris, Sainz e Leclerc foram para o pódio. O monegasco fez um corridão, largando lá de deus-me-livre para ganhar um troféu merecidíssimo. Hamilton, Russell, Verstappen, Gasly, Hulk, Alonso e Piastri fecharam o top-10. Foi a quarta vitória da carreira de Norris, todas neste ano – havia vencido antes em Miami, na Holanda e em Singapura. Ele fechou o campeonato na segunda colocação com 374 pontos, 18 à frente de Leclerc, o terceiro.

A F-1 volta à pista terça-feira lá mesmo em Abu Dhabi com o já tradicional teste de pós-temporada, que é realizado para que novatos experimentem carros de F-1 pela primeira vez, pilotos que trocam de equipe conheçam seus novos colegas de trabalho e pneus do ano seguinte sejam experimentados por quem se interessar.

Um desses novatos será o paulista de Osasco Gabriel Bortoleto, que horas antes do GP conquistou o título da F-2 ao terminar a última etapa do campeonato na segunda colocação. Campeão da F-3 no ano passado, ele repete os passos de Piastri, que também venceu nas duas categorias na estreia. Bortoleto, agenciado por Alonso, será piloto da Sauber no ano que vem. E o Brasil terá um titular no grid da F-1 depois de sete anos.

O Mundial de 2025 começa no dia 16 de março na Austrália. Serão 24 etapas até o dia 7 dezembro, com encerramento, novamente, em Abu Dhabi. O GP do Brasil, também conhecido como GP da capital paulista, está marcado para 9 de novembro.

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DESPEDIDAS (2)

Última pole do ano: Norris, com Piastri ao seu lado na primeira fila

SÃO PAULO (já deu) – Com dois carros da McLaren na primeira fila, o Mundial/2024 termina amanhã em Abu Dhabi provavelmente consagrando a equipe papaia, de forma merecida, como campeã de Construtores. Lando Norris larga na pole (nona vez na carreira, oitava no ano), com Oscar Piastri em segundo. A Ferrari, 21 pontos atrás na classificação, tem Carlos Sainz em terceiro e Charles Leclerc em último, já que ficou em 14º na classificação, mas já sabia que perderia dez posições na grelha de partida por troca de baterias, guitarras, baixos e violoncelos.

A sessão que definiu o grid acabou sendo quase uma festinha de fim de ano. Oito das dez equipes levaram pilotos ao Q3. Só ficaram de fora Williams e Dá Pra Parcelar?, que tiveram uma noite ruim em Yas Marina. Até a Sauber, com Valtteri Bottas — nono colocado, melhor posição dele desde o sétimo em Las Vegas/2023, quando a equipe alugava sua barriga para a Alfa Romeo.

A decepção — e chateação, afinal essa história poderia terminar melhor — foi o 18º lugar de Lewis Hamilton, em sua despedida da Mercedes. O inglês, em sua volta rápida no Q1 (que já não era grande coisa), passou por cima de um daqueles bastões plásticos que delimitam o vértice de uma curva, e ficou com o troço enroscado debaixo do carro. O “cone” (entre aspas porque não é cone coisa nenhuma, é um pequeno poste) foi deslocado de seu lugar original por Kevin Magnussen, que o atropelou ao sair da pista para não atrapalhar Hamilton. O show de trapalhadas deu nisso. “Eu tinha carro para pódio”, lamentou Lewis. O vídeo pode ser visto aqui.

Na noite quente de Aby Dhabi, temperaturas oscilando entre 27 e 30°C, o Q1 teve um final dramático justamente por conta da aflição de Hamilton. E teve momentos curiosos, também, como a presença momentânea de Bottas em primeiro. Que não foi algo casual; ele terminou o primeiro segmento em segundo, atrás apenas de Leclerc, que fez o tempo de 1min23s302. Sainz, Max Verstappen e Pierre Gasly foram os cinco primeiros.

A diferença de tempo entre Leclerc, o mais rápido, e Jack Doohan, o 20º, foi de apenas 0s803. Foi a classificação mais apertada da temporada. Alexander Albon, Guanyu Zhou, Hamilton, Franco Colapinto e Doohan foram os eliminados.

Verstappen começou o Q2 arrasando, com uma volta em 1min22s998. Nem ficou no carro esperando para o caso de precisar de outra tentativa. Naquele calor danado, saiu do cockpit e foi tomar um ar. Seu tempo acabaria sendo superado apenas por Sainz, 1min22s985. De novo o equilíbrio foi a marca. Do primeiro a 15º, 0s892. Os dez primeiros ficaram separados por apenas 0s394. Como tenho dito há meses, não dá para reclamar desse campeonato, não.

Yuki Tsunoda, Liam Lawson, Lance Stroll, Leclerc (que teve sua melhor volta cancelada por exceder os limites da pista; era a melhor de todas, 1min22s980) e Magnussen foram os eliminados. Nico Hülkenberg, em terceiro, foi a grande surpresa. Sergio Pérez passou em décimo. Naquela que pode ser sua última corrida pela Red Bull, pelo menos foi ao Q3. É dado como certo o anúncio, na semana que vem, de Lawson em seu lugar.

Hülkenberg, terceiro: grande surpresa do Q2

Só McLaren e Red Bull avançaram com seus dois pilotos. Ferrari, Haas, Alpine, Aston Martin, Mercedes e Sauber colocaram um representante cada entre os dez primeiros. A primeira volta de Verstappen, 1min22s945, teve uma salvada espetacular na última curva, com seu carro saindo de traseira e apontando para o meio da pista. Mas perdeu tempo.

No segundo lote de voltas rápidas, Hülkenberg chegou a ficar em primeiro com 1min22s886. Durou pouco. Acabou superado por Norris, Piastri e Sainz, que terminaram nas três primeiras posições. O alemão da Haas ficou em quarto, uma excepcional colocação. Pena que depois foi punido com três posições no grid porque ultrapassou dois carros no túnel da saída dos boxes. Verstappen não melhorou e terminou em quinto, a 0s350 da pole. Vai largar em quarto. Gasly, George Russell, Fernando Alonso, Bottas e Pérez fecharam o grupo. A diferença de Lando para o mexicano foi de 0s669.

Bottas festejou muito a nona colocação e contou que na véspera foi ele quem pagou a conta no jantar de fim de ano dos pilotos. Gastou, em suas palavras, 20 mil dinheiros locais — a moeda se chama dirham. O equivalente a pouco mais de 5 mil euros.

Após a última classificação do ano, ele foi o segundo piloto com maior domínio sobre seu companheiro de equipe: largou 21 vezes à frente de Zhou em 24 corridas, sem contar as Sprints. A maior goleada foi de Verstappen sobre Pérez: 23 x 1. Norris bateu Piastri por 20 x 4. Russell fez 19 x 5 sobre Hamilton, mesmo placar de Alonso x Stroll. Contando apenas os titulares, porque houve uma ou outra mudança de piloto ao longo da temporada, Hulk bateu Magnussen por 16 x 6, Leclerc derrotou Sainz por 14 x 9, Esteban Ocon superou Gasly por 13 x 10, Tsunoda marcou 12 x 6 em Ricciardo (e 6 x 0 em Lawson) e Albon esmagou Logan Sargeant (13 x 0) e Colapinto (7 x 2).

Falando em Ricciardo, sumido desde a demissão pela filial da Red Bull, o papo da hora é que ele será o substituto de Damon Hill como comentarista da Sky Sports na Inglaterra. Vai ser divertido.

Classificação em Abu Dhabi: Hulk cai para sétimo, Max, Gasly e Russell sobem

A McLaren é muito favorita à vitória amanhã, mas não se deve descartar Verstappen. O holandês teve dois treinos livres ruins (no primeiro foi substituído por Isack Hadjar), mas deu a volta por cima na classificação — como fizera no Catar.

A corrida será marcada, claro, pelo último ato de Hamilton na Mercedes depois de 12 anos na casa. É o casamento mais longevo e vitorioso da história da F-1, que termina com certa melancolia pela dificuldade que o piloto teve nos últimos anos, desde 2022. Nunca se acertou com o carro da equipe alemã feito para o novo regulamento. De suas 84 vitórias com os prateados, apenas duas foram conquistadas nas últimas três temporadas — ambas neste ano, em Silverstone e Spa; passou em branco em 2022 e 2023.

É um fim de linha meio tristonho, claro. Mas, por outro lado, é a prova inconteste de que ciclos terminam. E, quando isso acontece, o melhor a fazer é mudar o rumo. No seu caso, vestindo o vermelho da Ferrari para a última fase de sua brilhante carreira.

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DESPEDIDAS (1)

Irmãos Leclerc: treino emocionante para ambos

SÃO PAULO (atrasadinho) – A sexta-feira de Abu Dhabi, corrida que encerra o Mundial de F-1, foi cheia de novatos na pista na abertura dos trabalhos. Seis não-titulares ocuparam os carros da Ferrari (Arthur Leclerc), Aston Martin (Felipe Drugovich), Williams (Luke Browning), Red Bull (Isack Hadjar), McLaren (Ryo Hirakawa) e Pode Parcelar Até Três (Ayumu Iwasa). Fora Jack Doohan, fazendo sua estreia oficial pela Alpine no lugar de Esteban Ocon.

Primeiro treino: seis novatos

O único que ficou na frente do companheiro de equipe foi Drugovich, que participou de seu quinto treino livre em fim de semana de GP. O brasileiro terminou a sessão em nono. Terminou a sessão em nono, com Fernando Alonso em 11º. Não significa nada, não vai mudar seu futuro, mas pelo menos fez sua parte.

Na segunda sessão, os adultos entraram em campo e a McLaren dominou a noite, com Lando Norris em primeiro e Oscar Piastri em segundo. O campeão Max Verstappen foi o 17º e reclamou muito do carro, como fizera no Catar. Lá, de sexta para sábado, ele virou o jogo. Acabou vencendo a corrida, domingo passado. Portanto, não deem muita bola para as queixas de Max.

Ademais, muito mais importante para ele, neste momento, é a notícia de que será pai. Sua namorada Kelly Piquet anunciou a gravidez pelas redes sociais.

Papai Max, no entanto, precisa se acalmar um pouco. Depois de dizer em Lusail que perdeu o respeito por George Russell — que o acusou de atrapalhar uma volta de preparação de volta rápida na classificação –, continuou a disparar a metralhadora em direção ao inglês. Que respondeu, dizendo que o holandês é perigoso, ameaçou dar com sua cabeça na parede, e que a mãe dele é isso, a irmã é aquilo, e se quiser me pega lá fora.

O clima está bem pesado entre os dois. Que não levem para a pista, porque aí pode machucar. A treta, claro, respingou nos chefes Toto Wolff e Christian Horner. O primeiro, da Mercedes, falou que o segundo lembra muito um cãozinho terrier histérico que late sem parar. Horner respondeu que terriers são ótimos cães e que é melhor ser cachorro do que lobo, e se quiser me pega lá fora.

Norris: mais rápido da sexta-feira

A McLaren deve mesmo conquistar o título de Construtores em Abu Dhabi, já que metade da Ferrari, Leclerc, parte com punição de dez posições no grid por troca de baterias. A equipe papaia tem 640 pontos, contra 619 dos italianos. São 21 pontos administráveis. Basta chegar na frente, ou não muito atrás. Franco Colapinto e Alexander Albon trocaram as caixas de câmbio de seus carros e também serão punidos, o que não fará muita diferença porque a Williams está longe de ser protagonista do fim de semana.

O que importa nesta corrida derradeira, na verdade, não é nem o resultado final, já que o título de Verstappen está garantido desde Las Vegas e a taça para a McLaren é pule de dez. Abu Dhab será uma daquelas provas cheias de despedidas, bem diferente da do ano passado, que também encerrou o campeonato mas com todos os pilotos do grid confirmados para o ano seguinte nas mesmas equipes.

Agora não.

Lewis Hamilton está dando adeus à Mercedes depois de 12 temporadas vestindo prata. Curiosidade: nos três anos como companheiro de Russell, cada um fez 685 pontos. O desempate será domingo. Mas falaremos mais disso, da longa trajetória de Hamilton com a estrela de três pontas, amanhã e depois. Valtteri Bottas, Guanyu Zhou e Kevin Magnussen deixam a categoria, ao menos como titulares. Os dois primeiros tentam um empreguinho como reservas, ainda, o que me parece melancólico e desnecessário. Melhor fariam se desapegassem, como o dinamarquês da Haas: vai para a BMW no WEC.

Na Ferrari, Carlos Sainz fecha seu ciclo de quatro anos de vermelho para dar lugar a Hamilton. No ano que vem, estará na Williams assumindo o carro que hoje é de Franco Colapinto. O argentino chegou chegando, mas perdeu força e está sem carro para 2025. Ele tinha alguma esperança numa das equipes da Red Bull, já que a aposentadoria — voluntária ou compulsória — de Sergio Pérez parece cada vez mais perto. Mas a turma dos energéticos já decidiu: com a saída do mexicano, Liam Lawson deve ser promovido para o time principal e Hadjar, que pode conquistar o título da F-2 no domingo, vai para a Pode Ser Por Aproximação. O francês briga pela taça com o brasileiro Gabriel Bortoleto na rodada dupla de Yas Marina.

Vai ter muita emoção e choradeira ao final da prova, claro. Principalmente na Mercedes, já que sua história com Lewis é a mais longeva da categoria. Além de ser a mais bem sucedida de todos os tempos, com seis títulos mundiais de Pilotos e oito de Construtores — sem falar no título de 2008 com a McLaren equipada com os motores alemães.

Sainz também já fez declarações comoventes de amor ao time de Maranello, mas disse que entendeu a decisão da equipe, que a tentação de ter um heptacampeão como Hamilton é irresistível e que seu instinto garante que o projeto da Williams será vencedor em breve.

Que tenham todos muita sorte na vida.

Mas, antes de derramar lágrimas, tem uma corrida pela frente.

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ENCHE O TANQUE

Geraldo Papa escreveu: “Em Maragogi (AL), na rodovia AL 101, na Praia do Dourado (próximo à divisa com Pernambuco), tem o Posto da Vovó Zilda. Seria mais um posto comum, não fosse pela homenagem a um dos carros mais carismáticos do Brasil. Na entrada do posto, tem um Fusca e a vovó como frentista. Acaba sendo um ponto turístico naquele paraíso.

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A ÚLTIMA!

E a temporada da F-1 termina domingo em Abu Dhabi. Querem os horários? Aí embaixo!

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QUEBRA O COFRINHO

SÃO PAULO (acaba, ano!) – Dois leilões fabulosos estão ouriçando os colecionadores no mundo inteiro. O primeiro deles é do museu de Indianápolis, que vai se livrar de todos os carros de seu acervo que não têm relação com as 500 Milhas. São modelos de outras categorias, como F-1 e Le Mans, e alguns do início do século passado, dos primórdios das corridas. São 11 lotes. Aqui tem fotos e detalhes de todos eles.

Mercedes de Fangio: quem quer?

O outro leilão é da coleção particular de Bernie Ecclestone. “Leilão”, aqui, é licença poética. O ex-dono da F-1 vai vender seus 69 carros em negociações individuais. Mas é claro que ouvirá “lances” de diversos interessados. Então, dou-me o direito de chamar de leilão.

Bernie tem 94 anos. Sabe que seus carros precisarão encontrar novos lares. Espera arrecadar mais de 600 milhões de euros. Deixará uma bela herança. Seu filho com a brasileira Fabiana Ecclestone é muito novinho — Ace tem quatro anos. A coleção é absolutamente fantástica.

Werner Sauter mandou os links.

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SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

Pontos para Zhou: milagre em sua penúltima corrida na F-1

SÃO PAULO (só mais uma!) – Pode colocar Guanyu Zhou como “imagem da corrida”? Ah, pode, vai! Afinal, o chinês se despede da F-1 daqui a uma semana e na sua penúltima prova na categoria conseguiu tirar a Sauber do zero em 2024. Esse carro verde e preto apareceu raramente aqui. Na maioria das vezes, para que falássemos mal dele. A resiliência do time, porém, não pode ser ignorada. Esforço, dedicação, paciência… Embora a Sauber tenha ficado em penúltimo e último na maior parte dos treinos, classificações e corridas do ano, nunca foi uma coisa muito discrepante. O pelotão está achatado, as distâncias, no cronômetro, são menores do que eram no passado.

Mas numa F-1 tão competitiva, em que um segundo pode separar o primeiro do último, não dá para ser mais ou menos. Tem de ser bom. Zhou foi bom, domingo. Oitavo lugar, quatro pontos, e os abraços de todos no time. Inclusive Mattia Binotto, chefe recém-contratado que vai comandar o projeto da Audi. Ano que vem essa equipe terá um brasileiro, Gabriel Bortoleto. Por isso, os olhos do país estarão nela.

Não sobrou muita coisa para falar sobre o GP do Catar, então vamos logo à principal notícia de hoje, já antecipada ontem: Esteban Ocon não vai mesmo correr pela Alpine em Abu Dhabi. É oficial. Seu contrato foi rescindido para permitir que ele participe dos testes pós-temporada com a Haas — devidamente paramentado com as marcas que representará em 2025. São testes que começam na terça-feira depois da prova, no mesmo circuito de Yas Marina. Jack Doohan, que estava escalado para o primeiro treino livre, fará seu GP de estreia na categoria. O australiano será o companheiro de Pierre Gasly no ano que vem.

Ocon chegou à Renault para a temporada de 2020, depois de um ano sabático em 2019. Em 2017 e 2018, emprestado pela Mercedes — sua patroa desde priscas eras –, correu pela Force India. Naquele ano, o da pandemia, terminou o campeonato em 12º e fez um pódio, com o segundo lugar no GP do Sakhir. Em 2021, com o time rebatizado como Alpine, foi 11º e ganhou uma corrida, na Hungria — uma das maiores zebras de todos os tempos. Na sua melhor temporada pelo time azul, em 2022, não levou nenhum troféu, mas fechou o campeonato em oitavo. No ano passado foi 12º e ganhou uma taça em Mônaco, com uma surpreendente terceira colocação. Neste ano, o ponto alto foi o segundo lugar em Interlagos, quase um milagre. Está em 14º no campeonato com 23 pontos. Gasly tem 36.

Falemos agora da Mercedes e de Lewis Hamilton. Ele deixa o time no próximo domingo, encerrando uma longa jornada de 12 anos — desde 2013 é titular dos prateados. Nas seis primeiras temporadas na F-1, de 2007 a 2012, também correu de motor Mercedes, mas defendendo a McLaren. No ano que vem, pela primeira vez vai acelerar um motor de outra marca na categoria.

Pena que os últimos capítulos sejam tão melancólicos. Ontem, levou duas punições: queimou a largada e não acionou o limitador de velocidade nos boxes. “Foi minha culpa nos dois casos. Eu e esse carro não temos nos dado bem desde o início”, falou. Hamilton terminou a prova de Lusail em 12º. Em todos esses anos de Mercedes, só três vezes tinha recebido a bandeira quadriculada acima da 11ª colocação. A quarta foi ontem.

O NÚMERO DO CATAR

400

…GPs completou Fernando Alonso na F-1, com uma bela sétima posição. O espanhol estreou em 2001 pela Minardi, foi bicampeão em 2005 e 2006 pela Renault, defendeu McLaren, Ferrari e Alpine, e aos 43 anos segue firme e forte na Aston Martin. É um fenômeno de longevidade e talento.

O Mundial de Pilotos está decidido desde Las Vegas, mas tem coisa para ser resolvida em Abu Dhabi, domingo. Uma delas, o vice-campeonato. Com o segundo lugar em Lusail, Charles Leclerc se aproximou de Lando Norris e agora a diferença entre eles é de apenas oito pontos. Segundo lugar é o primeiro entre os perdedores, diria o outro. Mas é melhor do que terceiro.

Já o título de Construtores ficou mesmo para a última rodada do ano. A McLaren lidera com 21 pontos de vantagem sobre a Ferrari. É muito difícil perder. O time papaia não ganha uma taça entre as equipes desde 1998. A Ferrari, desde 2008. É a primeira vez desde 2012 que a equipe italiana chega à última etapa de um Mundial lutando pelo título

A FRASE DE LUSAIL

“Perdi completamente o respeito por ele. Na frente das câmeras é um, por trás é outro. Hipócrita. Ele que vá se foder.”

Verstappen, sobre Russell
Max e George: acabou o amor

Max Verstappen disse que ficou “puto da vida” com George Russell porque, no sábado, o inglês da Mercedes foi à direção de prova reclamar que o holandês estava lento na sua frente na volta de preparação para a tentativa de fazer a pole. Resultado: os comissários tiraram uma posição do grid do piloto da Red Bull. Que era justamente a pole. E quem subiu para primeiro? Russell.

Verstappen tem razão na queixa. A punição foi absurda. Talvez não tenha tanta razão assim na reação com Russell — acho exagerada, e George não parece ser um “duas caras” daqueles traíras ardilosos que faz tudo pelas costas.

Mas talvez tenha apenas ficado muito puto, mesmo. É bem a cara de Max, um obcecado pela vitória que não desiste nunca (sim, há outros obcecados pelas vitórias que não desistem nunca, não é só o Senna, tá bom, pessoal?).

Pérez: depois de mais uma rodada, dificilmente fica na Red Bull

E o Sergio Pérez, hein?

O cara rodou sozinho numa relargada. Não dá mais para defender. Contei ontem: é a maior distância entre um campeão e seu companheiro de equipe desde 1994. Verstappen já confirmou o tetra e o mexicano está em oitavo no Mundial. Há 30 anos, pela Benetton, Michael Schumacher ganhou o título e seu parceiro Jos Verstappen terminou o campeonato em décimo. Ele mesmo, o pai de Max.

Christian Horner disse ontem que Pérez “é um grande cara” e que a Red Bull “vai apoiá-lo até a última volta do último GP do ano”. “Depois, o que ele decidir está decidido”, falou. “Checo foi maravilhoso para a gente em 2021, 2022 e 2023. Ele é adulto e sábio o bastante para chegar às suas conclusões.”

A Red Bull espera que ele conclua que deve pendurar o capacete. Não quer demiti-lo porque teria uma multa pesada para pagar — seu contrato vai até o fim de 2026. Hoje, a ESPN americana e o site “The Race” cravaram que o piloto se despede em Abu Dhabi. Vai parar de correr. E que seu substituto será Liam Lawson ou Yuki Tsunoda.

Aguardemos.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS do quinto lugar de Pierre Gasly, piloto subestimado nesta F-1 cheio de afagos com a molecada e que fecha os olhos para a turma das equipes médias com um pouco mais de rodagem. Gasly, que foi da Red Bull, estaria hoje fazendo muito mais pela equipe dos energéticos do que Pérez.

NÃO GOSTAMOS do décimo lugar de Lando Norris, que estava em segundo até cometer um erro bobo sob bandeira amarela e receber um stop & go de 10s. “A equipe me deu um grande carro hoje, o mais rápido de todos, e eu estraguei tudo. Conheço as regras de bandeira amarela, sei que precisa tirar o pé, a gente aprende isso desde o kart. Por alguma razão, não fiz isso. É um soco no queixo… Só me resta pedir desculpas ao time até o fim do ano”, falou.

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