PINTURA 8: WILLIAMS

SÃO PAULO (faltam três) – Atrasadinha, a Williams apresentou hoje o FW48, seu carro para 2026. Foi a única equipe que não participou dos testes de Barcelona, semana passada. E mandou só uma foto no press-release. Ainda bem que fui atrás da conta deles no Twitter e tinha mais algumas. Antigamente, as equipes mandavam fotos em papel ou cromo para a gente. As menores, desse jeito: uma do carro e uma de cada piloto para o kit de imprensa. E olhe lá.

Não ter feito os treinos na Espanha foi ruim, claro. Significa que os três dias da sessão barenita de 11 a 13 de fevereiro serão para fazer o que todos os outros já fizeram. Isso, como já disse, cobra um preço. Mas se o carro for bom e se mostrar confiável desde o primeiro momento, talvez dê para mitigar o problema.

Nas cores, azuis, branco, preto e algum filete vermelho descrito no texto de divulgação que não fui capaz de encontrar, e também não é importante.

Hoje o time anunciou o patrocínio do banco Barclays e informou que Sir Frank Williams era cliente da instituição, tinha talão de cheques, cartão preto fosco e um bom limite na conta. Saiu o Santander, que tinha acompanhado Carlos Sainz quando ele saiu da Ferrari.

Domingo, no intervalo do Superbowl, será apresentada a pintura da Cadillac. No dia seguinte, segunda (9), McLaren e Aston Martin completam o lote.

RESERVA – Outra notícia de hoje: a Haas, que não sei se vou chamar de Toyota, TGR ou Gazoo, anunciou a contratação de Jack Doohan como terceiro piloto, reserva, operador de simulador e chefe da manutenção das máquinas de café espresso do time. Ele se junta a Ryo Hirakawa nas funções — no caso do japonês, a manutenção é de chaleiras, não de cafeteiras.

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CARRO(S) DA FIRMA

Encontrei uma pasta no meu computador com fotos selecionadas séculos atrás para esta seção. Vou começar a desovar, para mexer com as memórias de vocês. Começo com cinco Kombis: Café Capital, Rádio 9 de Julho, Corpo de Bombeiros aparentemente na fábrica da VW, Rádio Eldorado e “Estadão”.

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LEGIÃO IBÉRICA

SÃO PAULO (exceções à regra) – O Fábio Bragança bateu as fotos em Portugal e na Espanha e mandou a mensagem abaixo. Sabe que adoro esses francesinhos. Com as marcas do tempo como esses dois, então… O 4L, aliás, é meu objeto de desejo eterno. Ainda terei um.

Tudo bem? Espero que sim! Sei que você é um apreciador de carros antigos, vi esses na rua e tirei as fotos pra você. Era pra eu ter te mandado antes, principalmente as do Citroën, que foram tiradas antes do fim do ano (em Bragança, Portugal), mas acabei esquecendo e deu tempo de tirar as do Renault (essas em San Sebastián de los Reyes, pertinho de Madri, onde estou). Espero que goste!

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FOTO(S) DO DIA

SÃO PAULO (e é vermelho, comunista!) – A Mercedes volta a ser a única fornecedora de safety-car e medical-car para a F-1, depois de cinco anos dividindo o palco com a Aston Martin — o contrato da marca inglesa foi de 2021 a 2025, assim como o da “Bénd”.

Os alemães estão desde 1996 colocando seus modelos na pista em caso de acidentes ou incidentes que exijam a intervenção do carro de segurança. O modelo atual é o AMG GT Black Series. Para os médicos, usa-se o AMG GT 63 S 4MATIC. Nos últimos 30 anos, a Mercedes utilizou 13 modelos diferentes como safety-car e oito como medical-car.

A primeira intervenção da marca numa corrida aconteceu no GP da França em 30 de junho de 1996 em Magny-Cours. No ano passado, em Austin, a Mercedes bateu 500 GPs com seus carros de serviço. E o piloto Bernd Mayländer, que desde 2000 pilota o safety-car, chegará a 500 GPs na abertura do Mundial, dia 8 de março na Austrália. Ele tem 54 anos.

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WE HAVE A PROBLEM (5)

Bortoleto com a Audi: equipe deu 140 voltas hoje

SÃO PAULO (estudem!) – Não me canso de dizer que essa pintura da Audi é a mais bonita da temporada, antes mesmo de ver como virão Cadillac, Aston Martin, McLaren e Williams, que apresentam seus carros na semana que vem.

Isso dito, hoje foi o melhor dia da equipe alemã na semana que abriu a temporada 2026 da F-1 em Barcelona. Gabriel Bortoleto e seu companheiro Nico Hülkenberg completaram 140 voltas sem grandes problemas técnicos, que é a prioridade de todo mundo neste momento: não quebrar.

Os tempos de volta — as folhas de cronometragem começaram a vazar por todos os lados; as equipes queriam que estes testes fossem fechados, mas é óbvio que quem andou bem fez questão de contar as novidades ao distinto público — não foram grande coisa, três a quatro segundos por volta piores que os carros mais rápidos. Tudo bem, porém. Três times em particular vão sofrer neste começo de ano mais que os outros. A Audi é um deles, por fazer um motor próprio e um chassi idem, ainda que tenha usado, no último ano, mão de obra qualificada da Sauber. Mesmo assim, apesar do reforço dos ex-sauberianos, está cheio de gente nova na equipe. Uma galera para quem F-1, até outro dia, nada mais era que a junção de uma letra com um número.

As outras duas que vão penar são Cadillac e Aston Martin. A primeira é nova de tudo, estreante pura. Embora use motor e câmbio fornecido pela Ferrari, o carro é o primeiro feito pela turma que Michael Andretti foi contratando nos últimos anos, até ver recusado seu pedido de ingressar na categoria — e ter de vender a operação toda para fundos de investimento e para a GM. É uma equipe que nasceu do zero absoluto. A segunda é a Aston Martin, que trocou os motores Mercedes pelas unidades de potência da Honda, e essa integração chassi-motor é das coisas mais complicadas da F-1.

Os testes terminaram hoje com 12 pilotos na pista e oito equipes trabalhando: Ferrari, McLaren, Red Bull, Aston Martin, Haas, Audi, Alpine e Cadillac. Mercedes e Parcela no Crédito já tinham andado três dias, o máximo permitido nesta semana. A Williams só vai para a pista no Bahrein, na primeira sessão oficial de pré-temporada, de 11 a 13 de fevereiro. Depois tem outra, de 18 a 20, e aí só em Melbourne, para a largada do campeonato no dia 8 de março.

Na folha de tempos de hoje, a Ferrari apareceu em primeiro com Lewis Hamilton: 1min16s348. Lando Norris foi o segundo com 1min16s594 e Charles Leclerc, o terceiro com 1min16s653. Os tempos todos estão aqui.

Até agora, o que se sabe sobre esses novos carros é que são muito rápidos de reta — mais estreitos e leves, podendo abrir as asas dianteira e traseira, seria natural ganhar velocidade nas retas — e mais complicados nas curvas, por conta de uma menor pressão aerodinâmica. E, também, que são muito diferentes que os anteriores na pilotagem e na gestão de energia. No fim todo mundo acaba se acostumando. Mas alguns vão se acostumar mais que os outros. Aí veremos quem vai ser dar bem.

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VI O SOL NASCER

Amanhecer em Interlagos: difícil descrever (foto Júlio D’Paula)

Senti de verdade que o tempo parou, e se mo pareceu é porque eu queria mesmo que parasse. Queria que parasse, para que aquele amanhecer demorasse bastante para deixar de ser um amanhecer e virar dia. Queria que aquele amanhecer não terminasse nunca. Queria não ter outro dia. Queria só aquele amanhecer, não mais um dia. Queria que o sol me cegasse cada vez que entrasse na Curva do Sol, e fizesse o mesmo com todos nós que estávamos na pista. Só ali, na Curva do Sol, por breves instantes: uma piscadela, para nos cegar de novo na outra volta, e na outra e na outra; mas só ali, com o dia amanhecendo.

Trechinho da minha newsletter desta semana. O texto na íntegra está aqui.

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WE HAVE A PROBLEM (4)

Aston Martin na pista: primeira (e fugaz) aparição

SÃO PAULO (mais um) – Eis a Aston Martin! O que acharam do AMR26? Sacaram a asa dianteira? Perceberam a parada das suspensões? Notaram a genialidade dos bargeboards, do assoalho, das entradas de ar?

Eu não achei nada de nada, o que é uma pena, porque trata-se do primeiro projeto autoral de Adrian Newey para a equipe de Lawrence Stroll. A Honda reencontra Alonso, que um dia, tão distante que se perdeu no tempo, disse que os motores japoneses eram tão ruins que se pareciam com os da GP2.

Os anos se passaram, a Honda ganhou quatro campeonatos com Verstappen e com a Red Bull, e mesmo assim decidiu abandonar a F-1, para depois voltar atrás e encontrar as portas rubro-taurinas fechadas. Sobrou a Aston Martin.

A equipe tem dinheiro, bastante, e ambições. Mas por enquanto não se viu grande coisa na pista, exceto em 2023, temporada em que Fernandinho conseguiu incríveis oito pódios e ficou em quarto lugar no campeonato — o time ficou em quinto entre os construtores.

Hoje o carro mal andou. Lance Stroll foi o encarregado dos trabalhos, saiu dos boxes no fim da tarde e parou no meio da pista. Vamos ver amanhã.

A Mercedes encerrou sua labuta com mais 168 voltas, 90 de Antonelli e 78 de Russell, completando 502 nos três dias em que andou. Hoje a equipe fez questão de lembrar ao distinto público que exatos 140 anos atrás, em 29 de janeiro de 1886, Carl Benz patenteou o primeiro motor de automóvel do mundo. Na tabela de tempos, George foi o mais rápido do dia com 1min16s641. Kimi ficou em segundo. A McLaren voltou à pista com Piastri e andaram também Ferrari (com Leclerc e Hamilton), Pode Ser no Pix (com Lindblad e Lawson) e Cadillac (com Pérez). Haas, Alpine, Red Bull e Audi ficaram nos boxes.

Sem problemas sérios de quebras e com uma performance aceitável, a Mercedes pode se dar por satisfeita nesta primeira semana. O ponto forte, claro, a confiabilidade. Mais de 500 voltas em três dias é um feito e tanto para um motor novo em folha. O que é uma boa notícia para quem também usa as unidades alemãs, como McLaren, Williams e Alpine. Clientes que, certamente, não recorrerão ao Reclame Aqui ao longo do ano.

As declarações dos pilotos continuam evasivas e desimportantes. De tudo que disseram, duas coisas apenas se salvam: que os carros têm muito menos “downforce” que os da última geração e que o jeito de guiar é “muito diferente” de qualquer coisa que eles tenham guiado na vida.

Tratem de se adaptar.

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WE HAVE A PROBLEM (3)

Norris com o número 1: pintura provisória

SÃO PAULO (vai indo…) – Barcelona, dia #3, presentes: McLaren, Alpine, Mercedes, Audi, Haas e Vai no Débito Mesmo. Ausentes: Aston Martin (ainda não andou), Red Bull, Ferrari e Cadillac. Nem apareceu: Williams.

É só um balanço dos 11 times para a gente sempre ter em mente quem está fazendo o quê. A McLaren colocou seu carro na pista pela primeira vez com o campeão Lando Norris ostentando o número 1 no bico, algo que o time não fazia desde 2010 com Jenson Button — campeão na temporada anterior pela extinta Brawn.

Pela cronometragem extra-oficial, porque nenhuma equipe está divulgando tempos, tampouco FIA ou Liberty, Kimi Antonelli foi o mais rápido hoje com 1min17s382. A Mercedes andou com seus dois pilotos. O mesmo fez a Alpine, com Pierre Gasly e Franco Colapinto. George Russell, da Mercedes, pegou o asfalto a 2°C e falou que nunca andou sobre algo tão frio na vida. O dia teve até sol, mas a temperatura não passou dos 11°C. (Venham para Jacarepaguá da próxima vez, aqui faz sol e calor e tem caipirinha.)

Na Audi, o responsável pelos trabalhos hoje foi Nico Hülkenberg. Na Crédito ou Débito?, Arvid Lindblad. Na Haas, Oliver Bearman. A Mercedes comemorou o fato de ter completado 183 voltas hoje. No total, contando o que andou anteontem, já são 334 sem maiores intercorrências. É disso que se trata neste começo de temporada: confiabilidade.

Faltam dois dias para o fim da “Shakedown week”. A equipe alemã pode escolher quando voltar à pista, amanhã ou depois. Já andou em duas sessões e cada time pode fazê-lo em apenas três dos cinco dias previstos. Espera-se que a Aston Martin dê as caras — todo mundo quer ver o primeiro projeto autoral de Adrian Newey no novo time. Ferrari, McLaren e Cadillac podem andar nos dois dias e a Red Bull terá de decidir se vai na quinta ou na sexta, como a Mercedes.

“Nossa, você não sabe nada sobre desempenho, quem vai andar melhor, quem vai ganhar o campeonato, quem está se ferrando?” Não, não sei.

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WE HAVE A PROBLEM (2)

Verstappen na chuva: clima levou só dois times à pista

SÃO PAULO (entendo…) – Duas equipes e quatro pilotos. Foi assim o segundo dia da “Shakedown Week” da F-1 em Barcelona. Com frio e chuva, oito das dez equipes que estão na Catalunha optaram por não colocarem seus carros na pista hoje. Andaram apenas Red Bull e Ferrari. O melhor tempo do dia, quando o asfalto ainda estava seco, foi de Max Verstappen: 1min19s578. Não tem a menor relevância, fica apenas para os registros.

O que dá para dizer até agora? Nada, ainda. A Audi teve problemas ontem, o que é mais do que normal, e decidiu se debruçar sobre eles hoje. Os gremlins estavam, previsivelmente, no motor. A McLaren anunciou que vai andar apenas em dois dias — o que ainda precisa ser confirmado.

A imprensa internacional está feito barata tonta, sem informações precisas para difundir. Os testes são fechados e segundo a mídia inglesa, a iniciativa de trancar os portões e de realizar essa sessão de cinco dias foi das equipes. A FOM (Formula One Management, empresa que pertence ao grupo Liberty e toca o barquinho da F-1) diz que não teve nada a ver com isso, muito menos com a proibição de transmissão ao vivo dos treinos.

Treinos que nunca interessaram a ninguém em particular no passado, mas que desde o advento de “Drive to Survive” e a invasão das redes sociais passaram a ser necessários para que os produtores de conteúdo produzam… conteúdo. Por mais merda que seja. Qualquer coisa vira conteúdo. Qualquer chute é lançado ao ar.

As equipes têm falado pouco, como contei ontem. Platitudes — palavra que me agrada — que vendem um mundo cor de rosa com harpas sendo dedilhadas como fundo musical. Não está nada bem, parece muito claro, e isso também não é surpresa. A mudança de regulamento foi drástica demais e tem muita coisa para ser testada. As equipes mal sabem se seus carros andam para a frente, e vedar os testes é instinto de autopreservação. Ninguém quer aparecer mal na fita no “insta”, no TikTok ou no Twitter que não é mais Twitter. Preferem contar as lorotas de sempre.

E está tudo bem. Uma hora esses carros vão ter de andar para valer e saberemos exatamente o que vai acontecer no Mundial. A revolução será televisionada.

Ah, achei os carros bem bonitinhos. Menores, mais compactos e simpáticos.

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WE HAVE A PROBLEM (1)

Antonelli: primeiro carro 2026 na pista pra valer

SÃO PAULO (ainda é cedo, cedo, cedo) – Começou. Com sete das 11 equipes na pista, a temporada 2026 foi aberta hoje em Barcelona com o primeiro dos cinco dias de testes da chamada “Shakedown Week”. Cada equipe pode andar em três desses cinco dias. Aston Martin, Ferrari e McLaren não começaram os trabalhos hoje. Nem a Williams, mas esta já avisou: atrasou na construção do carro e não vai andar em Barcelona.

Os treinos são fechados, erráticos e truncados. Por isso, desconfie das conclusões definitivas dos influencers e produtores de conteúdo das redes sociais. Eu, do meu cantinho, apenas informo o que sei. Por exemplo, que Isack Hadjar fez o melhor tempo do dia: 1min18s159. Pole do ano passado em Barcelona: 1min11s546 (Oscar Piastri). Melhor volta da corrida espanhola: 1min15s743 (do mesmo Piastri).

Começar uma nova geração com voltas cerca de 3s piores que em corrida na temporada anterior não é ruim. Mas ainda não significa muita coisa, quase nada. Não se sabe com quanto combustível Hadjar andou, quais pneus foram usados em quais condições, mapas de motor, energia de bateria, é tudo um mistério.

Importante é andar bastante. Os tempos e o live-timing, pelo que li, foram obtidos com conexões pirateadas não sei de onde. A F-1 divulgou imagens em suas redes oficiais. O teste, afinal, nem é tão secreto e fechado assim. Está sendo gravado, obviamente. A única coisa que falta é informação relevante. Por enquanto, as platitudes de sempre: felizes por voltar ao carro, impressionados com tantas voltas completadas, parabéns a todos pelo incrível trabalho etc.

O primeiro carro a ir para a pista, ainda úmida, foi o de Kimi Antonelli, da Mercedes. Até as 9h20 os sete times que decidiram andar hoje já estavam em atividade.

Vamos aguardar. Tem bastante tempo, ainda.

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