Alexandre Neves mandou. A cafonice de Las Vegas será inigualável.
DICA DO DIA
BUS STOP

SÃO PAULO (que ódio…) – Revoltante a matéria do meu amigo Douglas Nascimento na “Folha”. Ele conta que a SPTrans, empresa que cuida do transporte público sobre rodas na cidade de São Paulo — mas não tem um ônibus sequer; está tudo privatizado –, quer proibir o rapaz que é dono desse Mercedão aí em cima de usar a pintura da CMTC. A marca pertence à SPTrans, alega a empresa municipal de capital misto. Ocorre que ela, a CMTC, foi extinta em 1995.
O argumento da SPTrans é de que as pessoas, ao virem passar este ônibus na rua, podem se confundir e achar que é um coletivo em atividade.
Primeiro: as pessoas não são burras. Se os “SPTransers” são, problema deles. Segundo: se alguém confundir, e daí? Qual o prejuízo? Esticar o dedo e fazer sinal?
São Paulo é uma cidade administrada por um beócio bolsonarista obscuro e irrelevante, que nada fez de importante para a população da maior metrópole da América do Sul. Aliás, pouca gente sabe seu nome. No tocante ao transporte público (quem sabe ao ler “tocante a” se interessa pelo tema) e à SPTrans, havia um museu maravilhoso dedicado ao assunto ali na avenida Cruzeiro do Sul, perto da Portuguesa. Fechou na pandemia. Não reabriu, porque a gestão municipal, provavelmente, nem sabe de sua existência.
Em resumo, São Paulo é uma merda. Quanto à réplica do busão da CMTC, se é meu não mexo em nada. A SPTrans que se foda.
(Nossa, quanto palavrão! Bem, queridos e queridas… Com certo tipo de gente, só assim funcionam os recados.)
ONE COMMENT
Carro feio dos infernos, não fará falta alguma. Resumo da história: Hamilton encomendou esse troço quando ainda era um moleque bobo, em 2014. Achou uma merda, vendeu. O atual proprietário bateu dentro de um túnel. A viatura se chama Pagani Zonda 760 LH. LH de Lewis Hamilton, por supuesto. Mais detalhes e fotos aqui e aqui.

ONE QUESTION
E agora?

ENCHE O TANQUE
SÃO PAULO (pena…) – Estamos de volta! Vocês, os três ou quatro que me seguem, sabem que férias são sagradas para este escriba. Bem, elas terminaram. Mas fui juntando uma coisinha aqui e outra ali para reativar este blog meio empoeirado. Vamos pegar no tranco…
Começamos com cinco, sim, cinco postos de gasolina. Todos de Minas Gerais. Estão abaixo. E vocês vão entender por que tantos lendo a mensagem do Jeferson Araújo Pereira.





Tenho dois amigos de infância que trabalham vendendo armarinhos em várias cidade de Minas Gerais. Pedi para eles fotografarem postos de gasolina que se enquadram no padrão Enche o Tanque. As cidades têm nomes estranhos. Esses amigos são os irmãos Julio Marcio Lima e Cunha e Luis Sérgio Lima e Cunha. O posto mais belo fica na cidade chamada Senhora de Oliveira. O da cidade de Lamim leva o troféu do 2º lugar.
Nem preciso dizer que adoro os nomes das cidades mineiras. Para ver as gasolineiras um pouco maiores, é só clicar nas fotos. Valeu, Jeferson! Mande um abraço aos irmãos que abastecem Minas com linhas, botões, tecidos e tudo mais. Tem coisa mais bela do que vender armarinhos pelo interior? Já pensaram no tanto de histórias que essa dupla tem para contar?
SOBRE DOMINGO DE MANHÃ
A IMAGEM DA CORRIDA

ERFURT (em trânsito) – Foi domingo, hoje é quinta, mas nunca deixamos a meia-dúzia de leitores deste blog sem rescaldo de corrida.
O “Sobre ontem…” de Spa, porém, será breve como a liderança de Pérez domingo passado. Porque Verstappen tratou de simplificar as coisas na corrida sem perder muito tempo com irrelevâncias.
A foto acima, quando Max acabara de passar o mexicano, é a que melhor explica essa prova. Um massacre impiedoso. Mais de 22s de vantagem sobre o companheiro de equipe, mesmo tendo largado em sexto – o outro, em segundo.
Soube, aqui por essas bandas, que patrocinadores mexicanos de Pérez andaram acusando a Red Bull de beneficiar o holandês. Na F-1, latino-americanos choram muito e não sabem perder. É o que concluo.
O NÚMERO DA BÉLGICA
12
…vitórias seguidas na temporada tem agora a Red Bull (se contarmos as Sprints, são 15…). Foi-se o histórico recorde da McLaren de 1988. Ampliou-se, igualmente, o recorde de vitórias consecutivas de uma equipe: 13 agora, contando o GP de Abu Dhabi do ano passado.
Não tivesse perdido o GP do Brasil no finalzinho da temporada de 2022 para a Mercedes de Russell, maior surpresa do ano, a Red Bull teria uma série absolutamente espantosa de 23 triunfos seguidos. Mas como perdeu, contabiliza 22 vitórias nas últimas 23 corridas. Esticando um pouco mais a linha do tempo, são 29 nas últimas 33.
A FRASE DE SPA
“Gosto de irritar a equipe.”
Max Verstappen
O quase tricampeão mundial explicou, depois da corrida, por que sugeriu fazer uma terceira parada para garantir o ponto extra da melhor volta. Tirando uma onda de seu paranoico engenheiro, Gianpiero Lambiase. “É para vocês treinarem um pouquinho de pit stops”, falou, pelo rádio.
Lambiase teve muita vontade de xingar seu piloto.
Algumas caixinhas coloridas, agora, para arredondar o noticiário.
VAI ENROLAR MUITO? – Hamilton e a Mercedes ainda não chegaram a um acordo sobre o novo contrato do inglês. Tudo se encaminha para um acerto de dois anos. Mas faz tempo que falamos nisso. Meses. Toto Wolff garante que não haverá surpresas. Eu não garanto.
ALFA-HAAS – A Alfa Romeo tira o nome da Sauber no fim do ano, isso já se sabe. Em 2026, quem recebe as chaves da equipe suíça é a Audi. Mas talvez fique na F-1 como patrocinadora/parceira/amante da Haas. Tais rumores circulam na imprensa italiana desde o início da semana.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS de ver o poder de reação da Alpine, com os dez pontos de Ocon e Gasly no fim de semana em que um tufão varreu a equipe. Os franceses vinham de duas corridas no zero.


NÃO GOSTAMOS de ver a Aston Martin descendo a ladeira. Desde o GP do Canadá que Alonso virou coadjuvante, depois de começar o ano como protagonista absoluto. Nas últimas quatro provas, o time verde fez 42 pontos. A Mercedes, com quem briga pelo vice, marcou 80. A Ferrari, que encostou na tabela, 69. E a McLaren, 86.
DEIXA CHOVER (3)

SÃO PAULO (o de sempre) – Está ficando cansativo. A cada fim de corrida em 2023, nos resta listar estatísticas. Vamos lá.
Max Verstappen venceu o GP da Bélgica. Terceira vitória seguida dele em Spa-Francorchamps. Chegou a 45 vitórias na carreira. São dez no ano, oito delas seguidas. Se ganhar a próxima, iguala a maior sequência de vitórias consecutivas da história, marca que ainda pertence a Sebastian Vettel, de 2013. Pela Red Bull.
A Red Bull, agora. São 104 triunfos no total, isolada na quinta posição entre as equipes. Mas, hoje, alcançou algumas cifras históricas. Tornou-se o primeiro time a vencer as 12 primeiras etapas de uma temporada, superando as 11 da McLaren de Senna e Prost em 1988. Como ganhou a última de 2022, chegou a 13 vitórias consecutivas, ampliando recorde que havia estabelecido na Hungria.
O holandês aumentou sua vantagem na classificação para 125 pontos sobre o vice-líder, seu companheiro Sergio Pérez. O placar aponta 314 x 189. Ficou legal a disputa pelo terceiro lugar. Quarto em Spa, Lewis Hamilton foi a 148 pontos e agora está apenas um atrás de Fernando Alonso. O espanhol da Aston Martin terminou o GP belga em quinto.
Ah, o pódio. Pérez foi o segundo e Charles Leclerc, da Ferrari, o terceiro.
Quando a história dessa corrida for contada daqui a dois séculos, ninguém vai lembrar de muita coisa relevante. Mas o registro faz-se necessário.
A ele.

Desta vez a meteorologia acertou e o GP belga começou com um solzinho tímido entre nuvens. E pista seca, que era o que mais importava para quem estava sentado num cockpit. E todos queriam aproveitar o asfalto sem água. Por isso, sem hesitar, a maioria optou pelos pneus macios para a largada. Piastri, Norris, Russell, Alonso, Stroll, Tsunoda e Hülkenberg escolheram os médios.
Pérez foi o cara dos primeiros metros, passando sem pestanejar Leclerc, que herdou a pole de Verstappen (punido, o holandês largou em sexto). Max tomou todo cuidado do mundo para não bater em ninguém, mas como a turma da frente parecia vacilar, foi ganhando posições e subiu de sexto para quarto. O azarado da largada foi Piastri. Tocado por Sainz na La Source, avisou que seu carro havia sido danificado, tentou chegar aos boxes, mas não conseguiu. Abandonou.




Sainz também ficou com o carro todo estropiado e começou a perder rendimento. Foi ultrapassado por Alonso na quarta volta e, quando percebeu, viu atrás dele um trenzinho puxado por Tsunoda, em sétimo. O japonês, reconheça-se, fez uma boa largada. Superou o espanhol da Ferrari na quinta volta e depois que o boi japonês passou, a boiada multinacional veio atrás. A prova de Sainz estava comprometida.
Verstappen ficou menos de seis voltas atrás de Hamilton. Passou tão fácil que, pelo rádio, cometeu uma gafe. “Valtteri sempre foi fácil”, disse. “Era Lewis, Max.” “Ele também”, gargalhou. A transmissão da F-1 não mostrou esse diálogo, mas me contaram que foi assim.
Sainz foi para os boxes na oitava volta. “Vamos trocar seus pneus!”, alertou o novo rapaz da Ferrari que fica na mureta, cujo nome me escapa. “Não dá para trocar o carro inteiro?”, suspirou o piloto. “Vamos ver! Vamos ver!”, respondeu, solícito, o funcionário recém-promovido.

Na nona volta, Verstappen já aparecia no retrovisor de Leclerc. “Ele está atrás de mim!”, gritou o monegasco, apavorado. “Agora sumiu! Cadê ele?” “Fique tranquilo, Charles”, e dessa vez quem falou foi Frédéric Vasseur, com seu inconfundível sotaque franco-italiano. “Já passou.”
A corrida ficou para a Red Bull. A dobradinha era pule de dez, como se diz no turfe, e só restava saber quem chegaria na frente. Pérez liderava com 2s7 de vantagem para Verstappen na altura da 11ª volta. Este estudava o que fazer. Passa na pista? No pit stop? Por fora? Por dentro? Na hora da bandeirada? Tinha várias opções. Mas o desfecho parecia óbvio.
Hamilton parou na 13ª volta e colocou pneus médios. Voltou em quarto, onde estava. Pérez fez sua troca na 14ª, seguido por Leclerc. Assim, Max assumiu a ponta pela primeira vez no domingo. Sua vantagem sobre o mexicano era de 16s. O normal seria trocar os pneus também. Mas a equipe lhe avisou pelo rádio que havia alguma possibilidade de chuva. Como não confia nas previsões, Max parou na volta 15 e colocou pneus médios como o companheiro, saindo à caça novamente. A diferença para ele, porém, caiu para 1s5. O que fazer? Passa na pista? Por fora? Por dentro? Na hora da bandeirada? No pit stop não deu.
Max encostou em Pérez na volta 16. Checo agonizava. “Tirem ele daí! Eu não gosto desse cara! Toda hora ele! Por que o carro dele anda mais que o meu? Por que ele está dando farol alto?”, gritava, alucinado. Na volta seguinte estava atrás do líder do Mundial. No rádio, em vez de um engenheiro dando explicações, ouviu uma guarânia. “Cabecinha no ombro”, de Almir Sater. Muito bonita, a canção.

Resolvida a dobradinha dentro dos atuais parâmetros de normalidade, o negócio era olhar para o pelotão de trás e se divertir com Alonso, Russell, Stroll, Gasly e Tsunoda, que se engalfinhavam entre a quinta e a nona posições.
Os avisos apocalípticos sobre a chuva iminente seguiam assustando os pilotos em seus fones de ouvido. Eles olhavam para o céu e para o asfalto e não viam uma gota sequer, porém. Enquanto isso, Tsunoda escalava o pelotão e ia passando quem fosse possível, na sua melhor atuação na temporada. Na volta 19, passou Stroll, assumiu o oitavo lugar e partiu para cima de Gasly.
E aí, na volta 21, Verstappen foi o mensageiro do caos. “Está chovendo muito!”, berrou. “Onde? Onde?”, questionou seu engenheiro Gianpiero Lambiase, carinhosamente chamado de “GP” pelo piloto. Algumas pessoas nas arquibancadas – a organização informou: 380 mil pessoas nos três dias – começaram a abrir seus guarda-chuvas.



Quando deu para ver que a água começava a cair na região dos boxes, Russell parou. Mas colocou pneus slicks, macios. Na imensidão de Spa, Francorchamps & cercanias, a chuva nem sempre é homogênea. Você pode comprar uma batata frita debaixo d’água num quiosque, atravessar a rua e pedir uma cerveja com o sol queimando a moleira. Por isso, arriscar um pneu de chuva com mais de 90% do asfalto seco seria suicídio. O jeito era se segurar como desse e esperar para saber o que os céus iriam mandar.
Sainz, lembram dele?, abandonou na volta 23. Verstappen seguia tranquilo em primeiro, já com mais de 6s de vantagem para Pérez, que continuava ouvindo sua playlist. Agora, “Judiaria”, de Lupicínio Rodrigues. A plenos pulmões, cantava: “Já chega um tempo que eu fiquei sozinho, que eu fiquei sofrendo, que eu fiquei chorando, agora quando eu estou melhorando, você me aparece pra me aborrecer!”, e esticava enormemente a última sílaba, com a voz estridente e esganiçada.
A chuva que veio sem vir de verdade foi embora, ao perceber que ninguém deu bola para ela. O sol apareceu. Hamilton, em quarto, fez sua segunda parada na volta 28 e colocou pneus macios. Voltou em quinto, atrás de Alonso. Leclerc também parou, na volta seguinte, com medo de Lewis. Era justificado. Ao sair do box, Hamilton já tinha passado Alonso e foi para cima da Ferrari #16. Queria um pódio de qualquer jeito. Mas Charlinho conseguiu escapar.

Pérez fez sua segunda parada na volta 30. Cantava “Galopeira”, naquele momento. Colocou pneus macios. Verstappen fez o mesmo na volta seguinte. Vivia-se uma situação rara: os dez primeiros colocados fazendo a parte final da corrida com pneus macios. Todos, exceções feitas a Russell e Stroll, com duas paradas cada.
Uma volta depois de sair dos boxes, “GP”, o engenheiro de Verstappen, disse a ele que estava abusando dos pneus. Max não respondeu. Pouco depois, irritado, “GP” falou: “A borracha está se degradando mais do que o normal. Acho melhor você usar a cabeça”. A resposta foi na lata: “Vou acelerar mais um pouco e aí vocês fazem mais um treininho de pit stop…”. Dessa vez, quem ficou em silêncio foi “GP”, emburrado com a insolência do rapaz. Que, na sequência, fez a melhor volta da corrida.
As posições se acomodaram. Briga, mesmo, na rabeira da zona de pontos. Na volta 39, Ocon passou bonito por Tsunoda, assumindo o nono lugar. E partiu para cima de Stroll, o oitavo. Passou na volta 42, sem dificuldade. O canadense nem ofereceu resistência, com pneus muito gastos. Fazia boa prova, o francês da esfacelada Alpine.
Sem conseguir chegar perto de Leclerc, e com grande vantagem para Alonso, Hamilton fez uma terceira parada na penúltima volta e colocou pneus médios para tentar o ponto extra do giro mais rápido do dia, só para cutucar Verstappen – que, àquela altura, fazia 100% dos pontos do fim de semana.

Sob fumaça laranja de milhares de torcedores holandeses, Max recebeu a bandeira quadriculada 22s à frente de Pérez, com Leclerc fechando o pódio. Hamilton ficou em quarto e fez a melhor volta. Alonso, Russell, Norris, Ocon, Stroll e Tsunoda completaram o top-10. No Mundial de Construtores, a Mercedes se distanciou da Aston Martin na briga pelo vice-campeonato, 247 x 196. Já a Ferrari foi a 191 e encostou no time verde, que começou a temporada como grande novidade do ano, mas perdeu fôlego.
Agora a F-1 entra em férias e só volta no fim de agosto. Eu idem.
DEIXA CHOVER (2)

SÃO PAULO (o de sempre) – Max Verstappen colocou mais oito pontos na bolsa ao vencer a Sprint de hoje em Spa-Francorchamps. A gente sabe que nem precisa, que o título está no papo, mas o rapaz é insaciável. Com a vitória, a Red Bull segue invicta em 2023. Ganhou os 11 GPs disputados até agora e as três Sprints. Para Verstappen, foi a quinta vitória em corridas curtas desde sua introdução na programação do Mundial – uma em 2021, duas em 2022 e mais duas neste ano. Oscar Piastri, da McLaren, ficou em segundo. E Pierre Gasly, da Alpine, em terceiro.
O holandês, horas antes, fizera a pole, também. Foi um sábado típico de Spa, com chuva antes do Shootout, a classificação para a Sprint, e o sol indo e voltando timidamente. Foi preciso usar os pneus intermediários no SQ1 e no SQ2, com o asfalto secando mais ou menos no SQ3, permitindo o uso de pneus macios. Houve uma intercorrência – batida de Stroll – e alguns minutos de atraso para a direção de prova liberar os carros na pista molhada em situação minimamente segura.
Piastri começou a se destacar já no Shootout, ficando com a segunda posição no grid, apenas 0s011 atrás de Verstappen. Que, por sua vez, deu uma esnobada talvez involuntária: “Não forcei muito para não correr riscos”. A corrida, horas depois, mostraria que ele havia sido sincero.









A Sprint teve seu horário original de largada, 11h30 (de Brasília) adiado para 12h05, depois 12h12 e, por fim, 12h35. Tudo por causa da chuva e das condições de pista perigosas.
Finalmente às 17h35 locais a volta de apresentação foi autorizada atrás do safety-car, com todos usando pneus para chuva forte. O Aston Martin verdão seguiu à frente do pelotão por quatro voltas enquanto os pilotos avaliavam (e ajudavam a secar) o asfalto.
“Já dá para usar os intermediários”, disse Russell pelo rádio enquanto percorria os 7.004 m de Spa. “Vejam”, continuou, com sua proverbial prolixidade, “estamos nas Ardenas, onde ficava a Linha Maginot. Foi uma iniciativa de defesa inútil dos franceses, uma vez que os alemães contornaram-na, e cumpre reconhecer que não se detiveram por causa das intempéries, do clima chuvoso, do frio, da neve, da lama. Acabaram invadindo a França mesmo assim. Vejam”, prosseguiu, “não estou, aqui, entrando numa discussão ética e moral sobre aliados e inimigos. Tal tema é amplamente conhecido e a História, com H maiúsculo, não pode ser reescrita. Refiro-me apenas a estratégias militares. Nossa equipe é alemã. Temos de pensar de um modo, como diria?, germânico. Concordam?” “George”, veio a resposta pelo rádio, “não estamos em guerra. Você é inglês, e a Inglaterra lutou contra os alemães. E se você nos fizer a gentileza de observar o pequeno semáforo à frente, notará que já trocamos seus pneus e a corrida está acabando.”
As quatro voltas atrás do safety-car ajudaram a dar uma secada na pista, reduzindo o spray a níveis aceitáveis. Sempre é bom lembrar que esses pneus de chuva da F-1, os de chuva forte, com inscrições em azul nas laterais, são capazes de drenar cerca de 80 litros de água por segundo em altas velocidades. É isso mesmo que vocês leram: por segundo, jogam para trás o equivalente a quatro galões de 20 litros de água mineral. Cada pneu — dependendo, claro, da quantidade de água na pista. Não se enxerga nada atrás.




Quando o veículo de segurança se retirou de cena, a largada da Sprint foi dada com os carros em movimento. Nos boxes, mecânicos preparavam os intermediários para quem decidisse trocar. Dez pilotos foram para os boxes, num movimento orquestrado: um de cada equipe, para não haver congestionamento (e tempo perdido) em paradas duplas. Verstappen não estava entre eles. Parou na volta seguinte, seguido pelos outros nove que deixaram para trocar depois. Foi uma decisão correta. Não tinha spray na cara, conseguiria uma volta razoavelmente boa mesmo com pneus mais lentos que os intermediários, e se fosse o primeiro a parar, puxando a fila, poderia ter complicações porque os boxes da Red Bull são os primeiros do pitlane. Na saída, perderia bastante tempo com quem estava entrando e/ou saindo. Correndo riscos desnecessários de uma batida boba, daquelas que acontecem sempre que uma equipe libera alguém de um pit stop sem o devido cuidado. Quando parou, Verstappen fez uma troca tranquila e sem atropelos. Teve o pitlane, na saída, inteirinho para ele.
Max perdeu a ponta para Piastri, que tinha parado antes e desfrutou de uma volta rápida com pneus intermediários. Gasly subiu para terceiro. Pérez, para quarto. Os dois carros da Ferrari caíram para sétimo e oitavo.
Por conta das voltas atrás do safety-car na largada, a Sprint acabou tendo apenas 11 voltas em ritmo real de corrida. E já na terceira o aniversariante do dia, Fernando Alonso, 42 anos bem vividos, cometeu raro erro e rodou sozinho. Foi preciso chamar o safety-car de novo para remover seu Aston Martin, atolado na brita.

O reinício da prova se deu na abertura da sexta volta com Piastri, Verstappen, Gasly, Pérez, Hamilton, Sainz, Leclerc e Norris nas oito primeiras posições. E não demorou nada para Max retomar a ponta. Fez a Eau Rouge colado no australiano e lá no fim da reta Kemmel, antes da freada para a chicane Les Combes, passou.
Mais atrás, Hamilton foi para cima de Pérez e ganhou a posição do mexicano – mais tarde seria punido com 5s em seu tempo total por ter tocado no carro do adversário. Na sequência os dois carros da Ferrari superaram o Red Bull #11, que ficou danificado. Quando Norris ia fazer o mesmo, Checo escapou da pista e foi para a brita. Caiu para 17º. O nome disso, ainda que tenha havido um entrevero físico com Lewis, é vexame. Ao menos para quem está vendo de longe… Na volta 9, a equipe o chamou para os boxes para abandonar, antes que alguém de bicicleta passeando pela floresta o ultrapassasse também. “Entre na garagem, bata a mão no cinto e saia pela porta dos fundos. Não pare para conversar com ninguém. Doutor Marko disse que vai lhe dar uma bengalada, então se cruzar com ele pelo caminho saia correndo e de capacete”, orientou seu engenheiro, concluindo: “Tem uma Kombi te esperando no portão B para levá-lo ao aeroporto”. “B ou D?”, perguntou Pérez. “B. De burro.”


Quando Verstappen recebeu a bandeira quadriculada em primeiro mais uma vez, ficou aquela sensação de “quero mais”, porque a corridinha até que vinha sendo bacana. Piastri terminou em segundo, seguido pelo surpreendente Gasly. Como se sabe, não tem pódio nas Sprints e seus resultados não entram na contabilidade das estatísticas da F-1. Mas valem pontos, e os oito primeiros marcam. Assim, fecharam essa zona de pontuação Sainz, Leclerc, Norris, Hamilton (já com a punição) e Russell. Verstappen foi a 289 pontos. Em 11 GPs e três Sprints um piloto pode marcar, no máximo, 310. O aproveitamento do rapazinho é de 93,22%.
Foi apenas um aperitivo para a prova de amanhã. Como costuma escrever o Fábio Seixas, a Sprint é o “pequeno prêmio” que antecede o Grande Prêmio de verdade. De acordo com os serviços meteorológicos, a prova, com 44 voltas, deverá ser realizada com pista seca.
O GP da Bélgica começa às 10h.
DEIXA CHOVER (1)

SÃO PAULO (vem, férias!) – Chaleclé larga na pole domingo na Bélgica, mas daquele jeito: tomando uma luneta de Verstappen, que por ter trocado o câmbio perde cinco posições no grid e parte em sexto para a 12ª etapa do Mundial — mas antes tem Sprint, e daqui a pouco falamos dela. Max fechou a classificação hoje em Spa com 1min46s168, 0s820 à frente do monegasco da Ferrari. Um estrondo.
A sexta-feira chuvosa de Spa-Francorchamps não foi uma novidade, já que a meteorologia indicava água com 100% de certeza. E indica para amanhã, também. Talvez não chova domingo. Mas nunca se sabe. A classificação para o GP belga teve até sol.
O único treino livre do fim de semana, de manhãzinha para nosotros aqui no Brasil, aconteceu com pista muito molhada e todos preocupados com a absoluta falta de visibilidade gerada pelos pneus de chuva e pelos assoalhos quase planos da F-1 atual. O spray que esses carros estão levantando é intransponível. Daquele jeito, não daria para correr. Mas como era só um treino livre, OK. Cuidado, meninos. Um por vez, fiquem longe de encrencas.
Dos 20 pilotos, apenas 15 marcaram tempos no meio da tempestade. Sainz, da Ferrari, fez 2min03s207 e ficou com a melhor volta. Pneus intermediários foram usados por alguns. Mas os “wet”, para chuva pesada, acabaram sendo a escolha da maioria. Eles drenam 80 litros de água por segundo. Não é possível para quem vem atrás enxergar nada.

A chuva diminuiu no intervalo entre o treino livre e a classificação, mas mesmo assim os pilotos só iriam usar slicks no final do Q2. Spa é um circuito muito longo, mais de 7 km de extensão, no meio da floresta. A pista demora muito para secar. Por isso, no Q1, os pneus intermediários foram mandatórios. A sessão foi adiada em dez minutos porque a direção de prova tinha informação de que as condições climáticas iriam melhorar. E assim foi.
Os primeiros tempos foram anotados na casa de 2min01s, com Norris, Russell, Piastri, Sainz, Verstappen e Leclerc se alternando na primeira posição. Charlinho acabou ficando na frente com 1min58s300, seguido por Max e Hamilton. Na lista dos cinco primeiros cortados, nenhuma grande surpresa: Albon, Zhou, Sargeant, Ricciardo e Hülkenberg. Nico, que tem feito boas classificações, teve um problema hidráulico em seu carro e por isso ficou em último. Já o australiano da AlphaTauri teve tempo cancelado por exceder os limites de pista. Paciência. Bem-vindo de volta.

A pista melhorou um pouco no Q2, mas ainda estava molhada em muitos trechos. Por isso, demorou para alguém arriscar os pneus slicks. Piastri fez uma volta em 1min56s370 e avisou pelo rádio: “Já está quase dando para usar os macios”. Foi dizer isso e Verstappen baixar a marca para 1min55s535. Faltando menos de 7min para o fim da segunda parte da classificação, os pneus lisos com inscrições em vermelho começaram a ser tirados das garagens.
Mas só nos últimos dois minutos do Q2 que os tempos despencaram de verdade com todo mundo usando slicks. Piastri fechou o segmento em primeiro com 1min51s534, seguido por Sainz, Leclerc e Stroll. Verstappen tomou um susto, avançando com a décima colocação. Depois dele foram eliminados Tsunoda, Gasly, Magnussen, Bottas e Ocon.
DEMISSÕES EM MASSA – A Alpine, destaque-se aqui, vive um momento de crise. Otmar Szafnauer, o chefe, deixa o time domingo. A equipe informou antes do início das atividades que o engenheiro romeno-americano será substituído, de forma interina, por Bruno Famin. Szafnauer veio da Aston Martin no começo de 2022, mas no ano passado caiu em desgraça quando perdeu Oscar Piastri para a Mclaren. O diretor-esportivo Alan Permane, 34 anos de Renault, também foi mandado embora. E o diretor-técnico Pat Fry também fez as malas. Assume a Williams em novembro.

A direção atrasou em alguns minutos o início do Q3, que seria disputado pelas cinco duplas das cinco melhores equipes da temporada: Red Bull, McLaren, Aston Martin, Ferrari e Mercedes. Só gente grande. O asfalto já estava seco, ao menos no trilho por onde era recomendável passar. Um sol tímido se insinuava entre as nuvens das Ardenas.
A primeira leva de voltas rápidas viu um Leclerc todo espevitado fazendo 1min47s931, 0s128 mais rápido que Verstappen. Com a pista melhorando rapidamente, todos deixaram para sair dos boxes em cima do laço na segunda tentativa, e aí o holandês chutou o balde, metendo quase um segundo no segundo colocado. Mesmo sabendo que vai largar em sexto, comemorou.

A troca de câmbio foi estrategicamente feita pela Red Bull porque mesmo perdendo posições no grid Verstappen tem todas as condições de vencer domingo. Além de ter um carro melhor e estar pilotando de forma exuberante, a corrida acontece numa pista que oferece muitos pontos de ultrapassagem. É só ter paciência. Esperar umas quatro ou cinco voltas e correr para o abraço. Ainda mais se a prova for disputada no seco.
O grid para domingo, portanto, terá Leclerc na pole (pela 20ª vez na carreira e segunda no ano), com Pérez ao seu lado da primeira fila. Em terceiro virá Hamilton, seguido por Sainz, Piastri, Verstappen, Norris, Russell, Alonso e Stroll. Aí embaixo, os tempos de hoje na classificação.

Mas antes de pensar na corrida principal, a turma terá de se preparar para o sábado de Sprint, que começa com a classificação curtinha, o Shootout. A sessão define o grid da minicorrida e começa às 7h de Brasília. Às 11h30 será dada a largada da terceira Sprint do ano, que terá 15 voltas. Lembrem-se que essa prova curta dá pontos aos oito primeiros colocados, mas não interfere mais no grid de domingo.
Às 19h chegamos com o “Fórmula Gomes” lá no YouTube. Até!


