NOS PLANOS

Já temos o carro e a placa. Agora é só fazer a foto!

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NADA PRA FAZER…

…encontrei este site aqui e descobri que já estive em 40 países. E vocês?

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SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA

Vitórias seguidas para contar nos dedos das mãos: um fenômeno

SÃO PAULO (tá perto…) – Desculpem os que sugeriram ontem, aqui e nos comentários das transmissões no YouTube, que a foto do GP da Itália fosse dos dois carros da Red Bull lado a lado na chegada em Monza. O pessoal viu, naquela imagem, uma provocação da equipe numa referência a “Ford x Ferrari”, o filme. Em 1966, a marca americana derrotou a Ferrari em Le Mans e fez questão de cruzar a linha com seus três carros juntos, para humilhar os italianos. Tudo porque Enzo Ferrari não quis vender sua marca para Henry Ford II, ou III, sei lá qual.

Como se sabe, a Red Bull assinou com a Ford. OK, só vai estar valendo em 2026, mas já tem o oval azul na fachada da sede do time na Inglaterra. E ontem Verstappen e Pérez, se não humilharam exatamente ninguém, fizeram dobradinha na casa da Ferrari.

Mas a Red Bull não tem raiva da Ferrari, e sequer a considera uma rival de verdade. A rival de Christian Horner & cia. é a Mercedes, que anda meio em baixa. Assim, fiquemos com os dez dedos de Verstappen como imagem mais significativa dessa prova. O recorde que ele bateu, dez vitórias seguidas agora, é coisa que a gente não vê toda hora.

A FRASE DE MONZA

“Nossa posição era diferente [da red Bull hoje], porque tínhamos dois carros lutando entre si. Não acho que Max liga muito para recordes. Esses números servem para a Wikipedia, e ninguém lê aquilo.”

Toto Wolff

Vocês têm notado que o chefe da Mercedes se tornou um ótimo frasista neste ano. Mas escolhi essa declaração aí em cima, dando a ele novamente o privilégio da autoria da frase do fim de semana, justamente para ilustrar o parágrafo anterior, sobre rivalidades. É com Verstappen e com a Red Bull que Toto se preocupa. A Ferrari, e sei que isso pode deixar muita gente ofendida, é café com leite nessa briga.

Caixinhas coloridas, agora, porque sei que vocês adoram.

FERRARI 1 – Falando nela, a Ferrari, vale destacar outra frase interessante do domingo, esta de Leclerc. O monegasco minimizou a tensão gerada pela briga com Sainz ao longo de toda a prova, especialmente nas últimas voltas. “Lutamos feito loucos, mas foi divertido para nós. Talvez não muito para os torcedores. Mas isso é Fórmula 1, eu só consigo entender uma corrida dessa maneira, competindo e me divertindo”, falou. Sainz, já na primeira entrevista antes do pódio, também exaltou a disputa. Disse que seu companheiro é um grande piloto e que curtiu a batalha. Sendo assim, não serei eu a discutir a conveniência de se colocar em risco um resultado daquela maneira. Na verdade, acho legal, também. Se fosse chefe de equipe, só impediria essas coisas em casos muito extremos — disputa de título, pódio inédito ou coisa parecida. No mais, briguem à vontade. Mas não batam um no outro. Como Sainz e Leclerc não bateram, está tudo bem.

Invasão após a corrida: ferraristas tensos com disputa entre Sainz e Leclerc

FERRARI 2 – E não é que o domingo de Sainz foi ainda mais tenso depois da prova? Por volta das 20h30, ele saía de seu hotel em Milão, o chiquérrimo Armani, quando dois caras roubaram seu relógio! Era um Richard Mille avaliado em 500 mil euros. Aí ele, mais um acompanhante e vários cidadãos que passavam por ali saíram correndo atrás dos gatunos. Que foram pegos e entregues para a polícia. O relógio, claro, foi recuperado.

QUASE… – Depois da prova, Verstappen revelou que nas últimas voltas recebeu uma “urgent request” para tirar o pé e monitorar a temperatura de seu motor. A equipe detectou um problema que poderia, simplesmente, deixá-lo a pé a qualquer momento. As últimas três voltas, em particular, foram bem tensas. “Tinha uma boa vantagem e deu para controlar”, contou o holandês. Assim, venceu mais uma no ano, a 12ª, e, como já informado repetidas vezes, décima seguida. Detalhe: a Red Bull ganhou 24 das últimas 25 corridas disputadas na F-1. Desde a vitória no GP da França, no fim de julho do ano passado, a equipe dos energéticos só perdeu uma corrida. Foi o GP do Brasil, vencido por George Russell, da Mercedes.

PNEU CERTO – O décimo lugar de Bottas foi uma recompensa para a estratégia da Alfa Romeo. O finlandês foi um dos três únicos que largaram com pneus duros ontem, adiando a parada. Deu certo para Valtteri, que encerrou a seca de pontos de cinco corridas da equipe. E acabou funcionando também para Hamilton, que terminou em sexto. Magnussen, o terceiro que largpou com pneus duros, ficou em último.

NAS ESTATÍSTICAS – Oscar Piastri tornou-se ontem o 137º piloto da história a registrar a melhor volta de uma corrida. E o 180º a liderar um GP na história da categoria. Foi por uma volta apenas, mas está valendo, claro.

PUNIÇÃO INÚTIL – Russell e Hamilton foram dois dos pilotos punidos com 5s em seu tempo total de corrida por manobras irregulares em Monza. A dupla da Mercedes, porém, não foi afetada pelas decisões dos comissários esportivos. Ambos conseguiram terminar a prova com mais de 5s de vantagem para quem vinha atrás — no caso de George, o quinto colocado, quem estava em sexto era seu próprio companheiro. O prejuízo foi bem maior para quem eles atrapalharam, especialmente Piastri. Tocado por Hamilton, o australiano perdeu a chance de pontuar porque quebrou a asa dianteira.

Alonso: marca histórica de longevidade

O NÚMERO DA ITÁLIA

20.000

…voltas em corridas completou ontem Fernando Alonso, que terminou o GP da Itália em nono. Ele já era o piloto com mais voltas completadas em GPs, mas agora alcançou a marca redondinha. Depois dele, nas estatísticas, vêm Kimi Raikkonen (18.621) e Lewis Hamilton (18.528).

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS muito do desempenho de Alexander Albon, sétimo colocado. Ficou atrás, apenas, das duplas de Red Bull, Ferrari e Mercedes. E isso com a Williams. A equipe chegou a 21 pontos (todos feitos pelo tailandês) e se firmou em sétimo entre os construtores. De 2017 para cá, só em 2021 o time marcou mais do que isso: 23 pontos. Essa cifra deve ser batida nesta temporada graças a Albon, um dos maiores destaques do ano.

NÃO GOSTAMOS da Alpine, que depois de um bom fim de semana na Holanda saiu zerada da Itália. A equipe mostrou uma enorme deficiência de motor, com velocidades máximas até 30 km/h inferiores que suas rivais nas retas enormes de Monza. Há quem diga que os motores Renault, que só estão na Alpine hoje em dia, têm cerca de 40 HP menos do que a concorrência.

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MOTOLAND

SÃO PAULO (ah, cunhado…) – Recebi hoje a mensagem aí embaixo. O Guilherme Mozzato de Paiva só não disse a cidade e se foi lá ver a moto do cunhado. Moto que, claro, despertou o interesse deste que vos bloga. Aproveitando, vamos ver se vocês são bons mesmo… Ano e modelo dessa DKW?

Alô Flavio! Ontem teve uma festinha aqui na minha cidade, festa típica de cidadezinha, com várias atrações… Uma delas era uma exposição de oldtimers, e me chamou a atenção esta moto da qual mando fotos. Mas minha maior surpresa foi meu cunhado me dizer: eu tenho uma destas na garagem… Abraços, Guilherme

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GRANO DURO (3)

Dez seguidas: recorde histórico de Verstappen

SÃO PAULO (imparável) – Max Verstappen registrou hoje em Monza um recorde importante na F-1. Tornou-se o primeiro piloto da história a vencer dez GPs consecutivos. Desde o dia 7 de maio, quando abriu a série em Miami, só ele ganha na categoria. O holandês superou a sequência que havia sido estabelecida pela primeira vez em 2013 por Sebastian Vettel pela mesma Red Bull.

O piloto teve poucas dificuldades para vencer o GP da Itália, 14º do ano. Como não largou a pole, precisou de alguma paciência e estratégia até ultrapassar Carlos Sainz. Quando passou, tchau. Só foi visto de novo recebendo mais um troféu. O espanhol da Ferrari terminou em terceiro, atrás ainda do outro carro da Red Bull, de Sergio Pérez.

O dia do novo recorde de Verstappen começou quente e ensolarado com casa cheia no histórico autódromo italiano. Segundo os organizadores, passaram pelas catracas de Monza 304.134 pessoas nos três dias do evento – o domingo, claro, com mais gente; afinal, uma Ferrari aparecia na frente de todos no grid.

Sainz em terceiro: pódio suado para o espanhol

Hamilton, Bottas e Magnussen foram os três pilotos que optaram pelos pneus duros na largada, contra os médios de todos os outros. Na volta de apresentação, o carro de Tsunoda quebrou na entrada da curva Parabólica, forçando o cancelamento da largada. Tristeza para a AlphaTauri, correndo em casa. Frustração para o japonês, que nem largou. Garantia para Lawson de terminar de novo um GP melhor que o companheiro, na sua segunda corrida na F-1. Coisas da vida.

Como o carro de Yuki demorou para ser retirado do acostamento, a direção de prova abortou o procedimento de largada, provocando uma curiosa aglomeração de mecânicos na saída dos boxes para “reiniciar” os carros. Uso as aspas para reforçar a ação: esses automóveis são como computadores, que quando desligados precisam sair do zero de novo para funcionar. A boiada de mecânicos foi autorizada a cruzar a mureta dos boxes e às 10h20 de Brasília, com 20 minutos de retardo, uma nova volta de apresentação aconteceu, com a distância original da corrida reduzida de 53 para 51 voltas.

Fazia muito calor em Monza, 30°C e um sol inclemente de assar pizza fora do forno. No asfalto, 43°C, o que era uma péssima notícia para a Ferrari, notável devoradora de borracha. Apesar de todo o entusiasmo da torcida, quem conhece um pouco de F-1 sabia que era uma questão de tempo para seus pilotos começarem a ter problemas com o desgaste de pneus.

A largada foi uma das mais limpas da história da humanidade, sem contatos, toques ou esbarrões. A maioria manteve suas posições, com uma ou outra exceção no meio do pelotão. Na volta 4, o uso da asa móvel foi autorizado. Era a senha para Verstappen começar a perturbar o líder Sainz. De camarote, o holandês observava o carro do espanhol escorregando de um lado para o outro e começando a detonar seus pneus – consequência da alta temperatura e da falta de equilíbrio dos carros vermelhos.

Na volta 6, Max fez a primeira tentativa de ultrapassagem na chicane do fim da reta dos boxes, colocando seu carro por fora. Sainz resistiu. “Danadinho!”, disse o piloto da Red Bull pelo rádio. Parecia muito claro que ele tinha mais carro que o adversário, mas era preciso ter alguma paciência. Leclerc, em terceiro, só observava. Monza, apesar das altas velocidades, é uma pista difícil para ultrapassar. Carros ruins, mas rápidos de reta, conseguem se defender durante algum tempo. Era o caso evidente da Ferrari #55. Um pouco mais atrás, Pérez, em quinto, enfrentava a mesma dificuldade para superar Russell, o quarto.

Erro forçado: Max levou 15 voltas para passar Sainz

E foi na abertura da volta 15 que Verstappen, depois de cozinhar o galo sem pressa, levou Sainz a frear no deus-me-livre, fritando pneus, arregaçando de vez a borracha e tracionando mal na saída da segunda perna da chicane. Max, então, preparou o bote e passou o espanhol antes da chicane seguinte, assumindo a ponta. No tênis, isso se chama “forçar o erro” do adversário. Na F-1, também. Em seguida Pérez ganhou a posição de Russell, começando a abrir sua trilha particular para, no final, terminar em segundo.

Leclerc, que vinha em terceiro acompanhando o duelo entre Max e Carlos e poupando seus pneus, encostou no companheiro de equipe, então. Tinha um carro mais inteiro. Foi esperto de não se meter na briga dos dois nas primeiras voltas. “Ele que se vire para segurar o cara. Vou ficar por aqui só olhando”, pensou (este blog tem a capacidade de adivinhar pensamentos). Começava ali uma peleja que só seria resolvida quando a corrida terminasse.

Max sumiu na frente depois de passar Sainz. Na volta 19, tinha mais de 4s de vantagem. O espanhol fez sua parada na volta 20, abrindo a janela de pit stops da turma da frente. Colocou pneus duros e voltou em oitavo. Do meio para trás do pelotão, bastante gente já tinha feito suas paradas. Na 21ª volta, Verstappen trocou seus pneus e Pérez assumiu a liderança. Depois das paradas, Sainz e Leclerc se encontraram de novo na pista e começaram a litigar. O espanhol na frente. O monegasco embutido nele.

Na volta 22, Piastri era líder, com Norris em segundo e Hamilton em terceiro. Os três sem paradas. A dupla da McLaren foi para os boxes e, Lewis, com pneus duros, seguiu na pista e virou líder. Momento efêmero de prazer, porque Verstappen era o segundo, veio com pneus novos, retomou a liderança na 25ª volta e foi embora de novo, atrás do recorde do dia.

Houve um toque entre os dois pilotos da McLaren quando Piastri saiu dos boxes, o que pode azedar a relação entre os dois – a ver as declarações após a corrida. Hamilton parou na volta 28, caindo para décimo. Sua estratégia não foi lá grande coisa, mas com esforço ele terminaria numa posição até razoável, no fim.

Hamilton x Piastri: inglês da Mercedes se desculpou

A briga na segunda metade da prova ficou interessante entre Pérez, quarto, e a dupla da Ferrari à frente. Na volta 31, o mexicano recebeu uma porta na cara de Leclerc, mas passou limpo na 32ª, assumindo o terceiro lugar. Aí a batalha mais divertida se transferiu para Albon x Norris pelo sexto lugar. O tailandês, bravamente, se manteve à frente até a volta 38, quando Lando passou por dentro da chicane, devolveu a posição e voltou à carga. À espreita, atrás dos dois, Piastri. Chegando neles, com pneus médios, Hamilton.

Na volta 41, Pérez grudou em Sainz para buscar o segundo lugar e a dobradinha para a Red Bull. E um momento tenso aconteceu entre Hamilton e Piastri. O inglês partiu para cima do australiano da McLaren e em alta velocidade os dois se tocaram chegando na segunda chicane. Oscar quebrou a asa e teve de ir para os boxes, deixando a zona de pontos. Lewis foi considerado culpado pelos comissários e levou uma punição de 5s. Depois da corrida, pediu desculpas ao jovem estreante. “É o que cavalheiros devem fazer quando erram”, explicou, assumindo a responsabilidade pelo incidente. A Piastri restou o consolo de, com pneus novos depois da parada imprevista nos boxes, fazer a melhor volta da corrida entrando para as estatísticas oficiais da F-1.

Pérez tentou passar Sainz 200 vezes no mesmo lugar, a primeira chicane, e só conseguiu na volta 46. Mais atrás, Hamilton ia abrindo passagem com seus pneus mais aderentes. Passou Norris e foi para cima de Albon.

Briga interna na Ferrari: divertida, segundo Leclerc

Na volta 47, a torcida da Ferrari ficou de cabelo em pé. Leclerc atacou Sainz, passou, mas depois foi superado pelo companheiro na curva seguinte. Os dois quase se tocaram mais de uma vez. E seguiram combatendo feito alucinados. Estavam tão perto que se um xingasse a mãe do outro de dentro do cockpit, seria ouvido. Na mureta da equipe, o chefe Vasseur pedia atendimento médico. Pelo rádio, o espanhol implorou: “Vamos levar os carros de volta pra casa!”. O que, em “corridês”, quer dizer: guerrear a essa altura da corrida não faz nenhum sentido, manda ele parar de fazer isso!

Foi só aí que a Ferrari orientou Charles ficar onde estava. Mas ele não respeitou a ordem. Partiu para cima de novo na última volta. Cortou a chicane, quase levou o companheiro ao abismo. Mas acabou não passando.

Final em Monza: dobradinha da Red Bull

Verstappen, enquanto isso, desfilava lépido e faceiro para receber a quadriculada em primeiro, estabelecendo o supracitado recorde de dez vitórias seguidas. A Red Bull chegou a 15 triunfos consecutivos, os 14 deste ano mais o último da temporada passada, ampliando marca que já era sua. Foi a sexta dobradinha do time austríaco no campeonato, 28ª de sua história.

Verstappen, Pérez, Sainz, Leclerc, Russell, Hamilton, Albon, Norris, Alonso e Bottas terminaram na zona de pontos. Destaque-se aí o ótimo sétimo lugar de Albon e o empenho de Hamilton para chegar em sexto, mesmo com a punição. Bottas, em décimo, foi uma surpresa. A Alfa Romeo estava sem marcar um pontinho sequer havia cinco corridas. No Mundial de Construtores, os 27 pontos marcados pela Ferrari levaram o time italiano a passar a Aston Martin, que caiu para quarto na classificação: 228 x 217.

Sainz foi para o pódio com o boné da Ferrari, quebrando um protocolo comercial que exige que os três primeiros, na cerimônia, vistam a bombeta da Pirelli, fornecedora de pneus da categoria. Alguém vai ter de pagar por isso, mas nada que afete a saúde financeira de ninguém. O espanhol tentou reger a torcida, meio sem jeito, e a massa que invadiu a pista o aplaudiu. Verstappen, por sua vez, comemorou sua 12ª vitória em 14 corridas neste ano como fez em todas as outras: com discrição e naturalidade.

O holandês tem agora 47 troféus de primeiro colocado na carreira. Com mais quatro, iguala Alain Prost nas estatísticas. Faltam oito corridas para o final da temporada. A questão agora é, apenas, saber quando ele será matematicamente campeão e quais outras marcas vai derrubar até o encerramento do Mundial.

Momentos que serão comemorados, da mesma forma, discreta e naturalmente.

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GRANO DURO (2)

Sainz na pole: festa ferrarista

SÃO PAULO (surpresa!) – Carlos Sainz larga na pole-position para o GP da Itália. “Fammi sognare!”, estampariam os jornais italianos amanhã, se jornais ainda existissem como no passado. Pode ser até que essa seja a manchete de “La Gazzetta dello Sport” nas páginas cor-de-rosa de seu site. Vá lá. Sonhar não faz mal. A Ferrari é uma religião no país, e sair na frente em Monza é sempre especial. O espanhol terá a seu lado na primeira fila Max Verstappen. A festa dos torcedores vermelhos foi ainda maior pela boa posição do outro piloto do time, Charles Leclerc, terceiro colocado.

Foi uma classificação interessante, com emoção nos instantes finais na briga de todos contra o holandês da Red Bull. Desta vez, ele perdeu. O que não significa que não seja favorito à vitória amanhã. É.

Vamos aos fatos.

Espanhol fez a quarta pole na carreira: sonho de vitória

Fazer o Q1 de pneu duro é sempre uma loteria, porque eles são pouco usados nos treinos livres. Assim, era questão de acertar uma boa volta para fazer tempo na abertura da classificação. A primeira volta de Verstappen foi anulada por exceder os limites da pista na curva 7. Alonso foi vítima da mesma infração. O festival de voltas canceladas ainda teve Stroll, Ocon, Gasly, Zhou… Logo apareceu Albon na ponta, o maior candidato a surpresa do fim de semana – como foi a Williams no ano passado, com o nono lugar na corrida de Nyck de Vries, chamado às pressas pela equipe para o lugar do mesmo Albon, que teve uma crise de apendicite.

Max, que não se abala com pouco, foi à luta e na sua segunda tentativa superou o tailandês. Pérez já havia feito o mesmo. Alonso, também imperturbável, fez nova volta e foi para terceiro. Os últimos minutos da primeira parte da classificação foram, como de hábito, tensos. Gente procurando vácuo, muito tráfego, eu diria que, se fosse possível fazer uma analogia com o futebol, era o medo do goleiro diante do pênalti. No caso, do piloto diante do cronômetro.

Ao fim e ao cabo, Verstappen fechou o Q1 na frente com 1min21s573, trazendo o incrível Albon em segundo, a 0s088. Foram eliminados Zhou, Gasly, Ocon, Magnussen e Stroll. A lista dos vexames estava recheada: os dois pilotos da Alpine, enorme decepção com um motor que dá mostras de cansaço, e Lance em último. Talvez seja o caso de considerar as raquetes.

Alpine ficou no Q1: decepção

A primeira saída da Red Bull no Q2 foi orquestrada: Verstappen dando o vácuo para Pérez. A Ferrari fez o mesmo com Leclerc e Sainz. Idem para a Mercedes. Não funcionou para Hamilton, que atrás de Russell fez apenas o 12º tempo por ter aberto mal a volta, atrapalhado por Pérez. A primeira bateria de voltas rápidas do Q2 foi fechada com Sainz em primeiro, 1min20s991.

A segunda foi aquele caos. Todos saíram juntos dos boxes a 2min da quadriculada para aproveitar o vácuo dos adversários e/ou companheiros. Verstappen, como sempre, colocou ordem no galinheiro e fez 1min20s937, melhor tempo. Leclerc, Sainz, Pérez e Albon vieram na sequência. Os degolados: Tsunoda, Lawson, Hülkenberg, Bottas e Sargeant. Normal. Normalíssimo. Mas o japonês da AlphaTauri se penitenciou. “Eu deveria ter feito mais. Devo desculpas à equipe”, falou, num rasgo de sinceridade.

O grid em Monza: Ferrari na frente

Na hora da verdade, no Q3, Verstappen cometeu um erro na abertura de sua primeira volta, e acabou sendo superado pelos dois carros da Ferrari — Sainz em primeiro, Leclerc em segundo. As arquibancadas de Monza foram ao delírio. O tempo de Max, 0s099 pior que o do espanhol, indicava que se ele encaixasse uma volta perfeita na sua segunda saída poderia fazer a pole.

Mas era o dia de Carlos. Com 1min20s294, o ferrarista fechou sua segunda volta 0s013 à frente do líder do campeonato, conquistando a quarta pole de sua carreira, terceira no ano para a equipe italiana. Leclerc, 0s067 atrás, ficou em terceiro. Russell, Pérez, Albon, Piastri, Hamilton, Norris e Alonso fecharam o top-10.

Aqui no meu galpão, de onde rabisco estas mal traçadas no evento presencial patrocinado pela Parimatch com seguidores do meu canal no YouTube, fizemos um bolão. A única — insisto: ÚNICA — pessoa que acertou os três primeiros no grid pela ordem foi a expert Catherine Salaroli Teixeira, de Brasília. Ela tem 12 anos.

Entende mais de F-1 que todos os outros 40 marmanjos que estão aqui juntos.

Catherine, a especialista: só ela acertou

Hoje é dia de “Fórmula Gomes” no YouTube, mas ele não tem hora para começar. Estamos indo ao The Town para ver o que fizeram com Interlagos. Até mais tarde!

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FOTO(S) DO DIA

SÃO PAULO (parabéns!) – Gabriel Bortoleto conquistou hoje o título da F-3 antes mesmo da disputa da primeira corrida do fim de semana. Seu mais direto perseguidor, o estoniano Paul Aron, precisava fazer a pole e todos os pontos possíveis na rodada dupla de Monza para superar o brasileiro, e como a pole ficou com outro, já era.

Aos 18 anos, o paulistano está lotado na A14 Management, empresa de Fernando Alonso que faz a gestão de jovens pilotos. Corre pela Trident. Ganhou o campeonato na base da regularidade, com pontos em 13 das 16 etapas disputadas até agora. Venceu duas, apenas: no Bahrein e na Austrália, no começo da temporada. Mas somou cinco pódios no total e manteve-se na ponta da classificação o tempo todo, administrando a vantagem que abriu no início. Seus adversários foram muito irregulares. O campeonato teve sete vice-líderes diferentes.

Bortoleto negocia com equipes da F-2 para o ano que vem. Deu o primeiro — e muito importante — passo para construir uma carreira sólida. Vencer a F-3 na primeira temporada é algo que chama a atenção. Um título desses não passa despercebido.

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GRANO DURO (1)

Sainz na frente: só para animar a torcida…

SÃO PAULO (vale tudo) – Antigamente, quando chegava o GP da Itália, a gente sabia que a Ferrari, nos treinos, iria andar bem. Brincávamos, na época, que os caras usavam gasolina de avião, nitroglicerina, motores com dois cilindros a mais, carros mais leves, tudo fora do regulamento. Só para animar os torcedores e vender mais ingressos para a corrida. Claro que era só piada recorrente, e nem tinha tanta graça assim. Mas os jornalistas italianos se divertiam com a gente.

Bom, hoje começaram os treinos em Monza e deu Ferrari em primeiro, com Carlos Sainz. Se estivéssemos lá, faríamos as mesmas pilhérias para dar algumas risadas antes do jantar. Mas amanhã tudo volta ao normal.

Normal como foi esta sexta-feira, apesar do P1 de Sainz. Como é fim de semana de alocação restrita de pneus (duros para o Q1, médios para o Q2 e macios para o Q3), novamente pilotos e equipes economizaram nas voltas para não gastar o que têm à disposição.

Os tempos do segundo treino: nada de muito especial

A tabela de tempos da segunda sessão livre está aí em cima. Monza não tem muito mistério. Arranca as asas e acelera. Hamilton fez o contrário, a Mercedes experimentou um acerto com mais carga aerodinâmica para andar bem nas curvas e deu errado. Amanhã, de contrato novo, ele volta à configuração mais apropriada.

Verstappen disse que na classificação a Red Bull tem mais a tirar — especialmente do motor, ligando a chavinha que acende a bagaça. Alonso pediu desculpas ao público por ter dado poucas voltas, culpando a regra dos pneus. Pessimista, Norris falou que o resultado foi melhor que o desempenho, e que a McLaren está mais atrás da Ferrari do que indica a tabela de tempos. Pérez, que rodou, garantiu que está vivendo seu melhor fim de semana em muito tempo.

Mas notícia, mesmo, teve de manhã. Alguns torcedores estenderam essa faixa aí para apoiar o pleito de Felipe Massa, que pretende ser proclamado campeão mundial de 2008 depois de 15 anos. Todos já sabem do que se trata. Bernie Ecclestone deu uma entrevista em março dizendo que no fim daquela temporada já sabia que Nelsinho Piquet tinha batido o carro de propósito no GP de Singapura para favorecer seu então companheiro Alonso, da Renault. Mas o caso só se tornou público em 2009. Como Massa se deu mal naquela corrida, quer que ela seja anulada por considerá-la “manipulada”. Assim, Hamilton perderia os pontos conquistados com o terceiro lugar e o brasileiro ficaria à sua frente na classificação final, conquistando o título.

É um despropósito, mas Massa resolveu brigar pelo que considera seu direito. Seus advogados mandaram cartas à FIA e à Liberty alguns dias atrás, avisando que o atual piloto da Stock Car iria abrir processos na Justiça. Como FIA e Liberty não responderam, outra carta foi enviada, exigindo uma posição das entidades até o dia 8 de setembro. A FIA, então, pediu a Felipe para não ir a Monza neste fim de semana — ele vai a muitos GPs. Não foi.

A faixa da foto aí em coma foi retirada da arquibancada a pedido dos organizadores. Acho errado. Se não estava atrapalhando ninguém, é censura indevida a uma reivindicação legítima, embora estapafúrdia. Os torcedores não estão pedindo para colocar fogo na sede da FIA. Apenas concordam com Massa, por mais que a batalha do brasileiro seja desprovida de lógica. Afinal, Hamilton nada tem a ver com o que fizeram Nelsinho e a Renault 15 anos atrás.

Além disso, dirigentes e equipe foram punidos na época. O piloto, não. Foi perdoado por ter denunciado seus algozes — no caso, Flavio Briatore e Pat Symonds, que comandavam a Renault. E Bernie dizer que no fim de 2008 já sabia que Piquet Jr. tinha batido de propósito não é um fato novo. Foi seu pai, hoje fiel depositário de artigos desviados do patrimônio da União, quem disse isso à FIA no fim de semana do GP do Brasil daquele mesmo ano.

O interlocutor, na ocasião, foi Charlie Whiting, diretor de prova que morreu em 2019. Ele pediu que Piquet Sr. formalizasse a denúncia. Nelson-pai não quis. Sem denúncia, nenhuma investigação poderia ser aberta. No ano seguinte, quando o pimpolho foi demitido da Renault, Piquet resolveu botar a boca no trombone. E aí a FIA investigou. Isso tudo está descrito em detalhes no relatório final da investigação.

Anular o resultado da corrida está fora de questão. Seria punir todos os pilotos que dela participaram sem ter nada a ver com a patifaria de Nelsinho, Briatore & Symonds. Se Massa e a Ferrari se atrapalharam no pit stop naquela prova, é algo que ele e a equipe podem lamentar até o fim dos tempos, mas não pode ser apagado da história. Assim como o GP, que foi cumprido até o final. No máximo, a FIA poderia, na época, cassar a vitória de Alonso — beneficiário da batida proposital do companheiro. Se tivesse feito isso, Hamilton subiria do terceiro para o segundo lugar e ganharia mais pontos ainda. Riscar o GP como se ele não tivesse acontecido nunca é algo que, claro, não faz sentido nenhum.

Agora, Drugovich.

O campeão da F-2 foi escalado pela Aston Martin para o primeiro treino livre de hoje em Monza e fez tudo que a equipe pediu a ele. Foram 23 voltas com pneus médios e, basicamente, coleta de dados. Terminou a sessão em 18º. A posição não tem a menor importância. Nesses treinos, os pilotos têm de fazer exatamente aquilo que o time solicita. É um trabalho bem específico e minucioso.

Drugovich disse à repórter Mariana Becker, da Band, que percebeu uma evolução do carro em relação ao que havia pilotado no começo do ano, na pré-temporada, e que foi interessante andar com uma configuração aerodinâmica para pistas bem velozes, caso do circuito italiano. Seus testes de fevereiro foram feitos no Bahrein, que tem um traçado muito diferente.

Calmo, concentrado, focado naquilo que a equipe queria que fizesse, Felipe cumpriu seu papel. Gosto de seu estilo tranquilo e profissional. Drugovich não fica babando deslumbrado “pela chance única que Deus me deu de guiar um carro de F-1, #gratiluz”, como os neofãs (palavra que criei agora) da categoria devem estar escrevendo hoje em suas redes sociais, como se fossem capazes de se apossar de seu corpo e alma.

Piloto pilota. Não é herói ou redentor de povos e nações. Drugovich hoje teve apenas mais um dia de trabalho na empresa que paga seu salário. Terá outro parecido mais para o fim da temporada, em Abu Dhabi. E segue buscando, claro, um lugar para correr no ano que vem. Tomara que não termine na Fórmula E. Ele está pronto para a F-1.

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ATÉ QUE ENFIM!

SÃO PAULO (ufa) – A Mercedes anunciou há pouco a renovação dos contratos de Lewis Hamilton e George Russell por mais dois anos. Ambos ficam no time até o fim de 2025. Se chegar ao final do compromisso, Lewis terá completado nada menos do que 13 temporadas na Mercedes. Sem contar o apoio da marca no kart, nas categorias de base e nos tempos de McLaren. George é piloto da marca há um bom tempo, também: desde 2017. Correu três Mundiais pela Williams, de 2019 a 2021, e virou titular do time alemão no ano passado.

Hamilton é o piloto mais bem sucedido da história, com sete títulos mundiais e recordes de vitórias, poles e pódios na categoria. Com a estrela de três pontas, ganhou 82 corridas, fez 78 poles e conquistou seis campeonatos.

Pode ser o último contrato do heptacampeão, que terá quase 41 anos no final de 2025 — ele nasceu em 7 de janeiro de 1985. É difícil querer adivinhar, hoje, se o cara está a fim de dar uma de Alonso para encarar o início de uma nova era, a partir de 2026, com mudança de regulamento da F-1.

Mas…

Mas e se a Mercedes acertar a mão e voltar a vencer? Aí, Alonso passa a ser um bom exemplo no qual se mirar. A verdade é que nem ele, Hamilton, sabe o que será do futuro. Ninguém sabe. Quanto a Russell, é bola de segurança da equipe alemã. Uma boa bola de segurança. O menino é ótimo, embora não faça um grande campeonato neste ano. Mas é o sucessor natural de Lewis.

Uma novela a menos. Aguardemos as próximas!

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ONE COMMENT

Pintura da Alfa Romeo para Monza, para celebrar o lançamento da Stradale 33, um tributo ao modelo lançado pela marca italiana em 1967. Linda, a pintura. Pena que não anda nada.

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