Flavio Gomes quarta-feira, 30 de agosto de 2023 22:05 3 comentários
SÃO PAULO(chupa!) – Lembram dessa história aqui? Postei no dia 19, reportagem do Douglas Nascimento relatando o absurdo da SPTrans, que queria proibir o dono do Mercedão restaurado como ônibus da CMTC de rodar por aí, em eventos, porque a marca CMTC ainda pertence à SPTrans — embora a empresa tenha sido extinta em 1995.
Pois bem. Acabo de receber a seguinte mensagem do blogueiro Diego Antelo:
Fala Flavio, boa tarde. Vi sua postagem sobre a imbecilidade da SPTrans com o colecionador que reformou um ônibus no estilo da CMTC. Não sei se viu a resposta do proprietário, que fez piada com o caso (único caminho possível). Agora o ônibus pertence à CCMC (Companhia dos Cachaceiros de Mogi das Cruzes), conforme foto anexa.
Carlos Alberto dos Santos é o dono do ônibus. Parabéns pra ele. Quanto à SPTrans, depois do vexame público desistiu de acionar o colecionador, me contou o Douglas.
Flavio Gomes terça-feira, 29 de agosto de 2023 20:04 5 comentários
SÃO PAULO(gostei!) – Pensem num ensaio fotográfico completo de um posto de gasolina. Pensaram? Pois foi o que fez o Felipe Rangel em Lecco, na Itália. Um posto que serve a terra e a água. E parte dele está à venda! Alguém se habilita?
As fotos estão abaixo (clique nelas para ver em tamanho família) e, depois delas, a simpática mensagem do blogueiro. Grazie!
Fala, Flavio! Tudo bem? É a primeira vez que escrevo ao seu blog, mesmo sendo leitor de longa data. Adoro a sessão “Enche o Tanque” e criei coragem pra mandar minha primeira contribuição. Esse posto fica em Lecco, e poderíamos dizer: enche os tanques! Porque serve tanto os veículos que circulam pela cidade quanto os barquinhos que navegam pelo lago de Como. Um posto bem charmoso com um pano de fundo irresistível, a região do Lario. Aliás, ele fica pertinho (menos de 9 km) de Madello del Lario, onde fica a sede histórica e a fábrica da Moto Guzzi. E por curiosidade, o bar desse postinho está passando o ponto, ótima oportunidade para os bem-aventurados!
Flavio Gomes terça-feira, 29 de agosto de 2023 13:53 6 comentários
SÃO PAULO (aproveite!) – A Aston Martin confirmou hoje que Felipe Drugovich fará o primeiro treino livre para o GP da Itália, em Monza. Será sua segunda participação pela equipe num fim de semana de corrida — a outra foi em Abu Dhabi no ano passado, tendo completado 23 voltas. Drugovich, campeão da F-2 em 2022, também participou da pré-temporada do time em fevereiro, com 117 voltas em dois dias. Substituiu o mesmo Stroll, que tinha tomado um tombo de bicicleta quebrando os punhos.
Neste ano, o paranaense já fez testes também com a Maserati na Fórmula E. Seu futuro imediato, porém, ainda não está definido. Mas os rumores aqui ali indicam que pelo menos uma equipe, a Sauber, mantém o piloto no radar. Em 2024 e 2025, o time deixa de usar o nome Alfa Romeo e se prepara para a chegada da Audi, que estreia em 2026 como sua parceira — e, provavelmente, proprietária.
Flavio Gomes segunda-feira, 28 de agosto de 2023 17:57 14 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Lawson ultrapassa Leclerc: Ferrari, Ferrari…
SÃO PAULO (glacial) – Não vou ficar aqui repetindo fotos de Verstappen. Nem mesmo no dia em que ele iguala o recorde histórico de nove vitórias seguidas na F-1 — que deve ser batido domingo em Monza. Procurei alguma foto bacana do Adrian Newey no pódio. Afinal, ele desenhou esse carro das nove vitórias de Max em 2023 e aquele das nove vitórias de Vettel em 2013. Mas não encontrei nenhuma boa o bastante.
Assim, fiquemos com os fracassos! A foto do GP da Holanda é do Leclerc sendo ultrapassado pelo estreante Liam Lawson! Ô, Ferrari…
E vamos às caixinhas, porque o tempo voa…
Alonso: melhor volta
PONTO EXTRA – Alguém reparou que a melhor volta da corrida foi de Fernando Alonso? Pois é. Aproveitou quando trocou pneus, a pista estava seca, fez 1min13s837 e levou para casa o ponto extra. Foi a primeira volta mais rápida de um GP registrada pela Aston Martin. Com a segunda colocação e o pontinho de lambuja, Alonso somou mais 19 e segue firme em terceiro no campeonato. O espanhol teve seu melhor desempenho no ano e levou o sétimo troféu para casa nesta temporada. Tem o mesmo número de pódios que Pérez.
Neozelandês confirmado para Monza: mais chances
RICCIARDO FORA – Pode parecer óbvio, mas é preciso registrar que, oficialmente, a AlphaTauri já avisou que Liam Lawson corre em Monza. Daniel Ricciardo foi operado para consertar o osso quebrado da mão esquerda e não se sabe quando poderá pilotar de novo. O prazo de recuperação pode passar de seis semanas. Eu diria que ele não corre em Singapura, Suzuka e Catar, também. Com sorte, volta nos EUA em 22 de outubro. Se voltar.
QUEM SERÁ VICE? – Entre as equipes, Mercedes (255), Aston Martin (215) e Ferrari (201) brigam para terminar o Mundial em segundo. Nas últimas cinco corridas, algum equilíbrio nos pontos somados: 88 para a Mercedes, 79 para a Ferrari e 61 para a Aston Martin. A McLaren, que está em quinto, fez 94 no mesmo período. Mas tem só 111 no total, porque começou o ano muito mal.
GRANDE ALBON – E vamos falar da Williams, como não? Os quatro pontinhos da oitava posição de Alexander Albon levaram o time a 15 no total, deixando a Haas para trás. Agora, a Williams ocupa a sétima posição no campeonato, à frente também de Alfa Romeo e AlphaTauri. Deve tudo ao tailandês, que em sua volta à categoria está mostrando que merece muito mais que uma equipe de fundo de pelotão.
O NÚMERO DA HOLANDA
8
…pontos apenas fez a Mercedes na corrida de Zandvoort, graças ao sexto lugar de Hamilton. Russell, que estava na zona de pontos no final, acabou tendo um pneu furado num toque com Norris e terminou em 17º. Foi o pior desempenho da equipe na temporada.
A FRASE DE ZANDVOORT
“Nas primeiras 15 voltas, fizemos tudo que podíamos de errado. Mas prefiro ter um carro rápido com um mau resultado num GP do que o contrário.”
Toto Wolff
A equipe alemã, de fato, cometeu muitos erros no início da prova. Demorou para trocar os pneus de Hamilton e Russell e jogou os dois para o fundo do pelotão. Lewis acha que, se não fosse isso, teria brigado com Verstappen e Alonso e levaria um troféu. Russell também lamentou: “Era uma corrida para chegar no pódio e terminei em 17º. Perdemos uma grande oportunidade hoje”.
Acontece. Mas está acontecendo muito, na Mercedes.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… de ver Pierre Gasly no pódio, o quarto de sua carreira, primeiro pela Alpine. Já tinha terminado em terceiro na Sprint da Bélgica, mas as corridas curtas não dão troféus… Quietinho, vai se firmando no time francês. Com o resultado de ontem, passou o companheiro Ocon na classificação: 37 x 36. E está em décimo na classificação.
Gasly: belo pódioFerrari: bela merda
NÃO GOSTAMOS… da Ferrari, porque não dá para gostar de uma equipe que comete tantos erros de cabo a rabo, passando por pilotos, engenheiros e mecânicos. Ontem, foi Leclerc a vítima de um pit stop desastroso. Além de tudo, seu carro ficou danificado em disputas pouco gloriosas lá no fundão. Não está dando mais.
Flavio Gomes domingo, 27 de agosto de 2023 12:37 73 comentários
Verstappen: imbatível em qualquer situação
POÇOS DE CALDAS(acabou) – O caótico e divertidíssimo GP da Holanda poderia ter qualquer resultado, mas deu a lógica com uma nova vitória de Max Verstappen, a nona seguida dele nesta temporada. O piloto da Red Bull igualou o recorde de vitórias consecutivas estabelecido por Sebastian Vettel, da mesma equipe, em 2013. Foi o 46º triunfo do holandês na categoria, 11º em 13 etapas neste ano. Completaram o pódio Fernando Alonso, da Aston Martin, e Pierre Gasly, da Alpine.
A corrida começou com pista seca, chuva na primeira volta, depois sol e uma tempestade a dez voltas do final. O dilúvio levou à interrupção da prova com bandeira vermelha por 40 minutos na 65ª das 72 voltas previstas — Guanyu Zhou bateu e uma barreira de proteção teve de ser refeita. Houve dezenas de pit stops, gente rodando e batendo, decisões de box apressadas ou atrasadas, muitas ultrapassagens, belas disputas de posição, caos à espreita o tempo todo e, no fim, acabou sendo uma das melhores corridas de uma temporada enfadonha por causa do domínio do atual bi e virtual tricampeão mundial.
Aconteceu bastante coisa. Então, vamos passar a régua na inesquecível prova de Zandvoort.
Olho nos radares: a chuva foi, voltou, foi, voltou…
Hamilton foi o único piloto a largar com pneus médios. Os outros 19, com macios. E foi sob expectativa de chuva que a prova começou, com intensa comunicação de rádio entre pitwall e cockpits. O problema era saber em quem acreditar. Narciso Vernizzi, o Homem do Tempo de uma antiga rádio de São Paulo? Não, não. Ele só sabia o que acontecia em Neuquén, na Argentina. Anne Lottermann? Também não, foi para o Faustão, largou a meteorologia. Sites, aplicativos, pais-de-santo, ciganas?
Melhor era olhar para o céu. E quando as luzes se apagaram, o céu estava cinzento, carregado e ameaçador. Na metade da volta, a água veio. Daria para dizer, antes de mencionar a chuvarada, que Verstappen e Alonso fizeram grandes largadas. Bottas também, ganhando seis posições. Mas com a chuva lavando o asfalto, os primeiros carros foram para os boxes antes mesmo de completarem a primeira volta. E as cartas colocadas na largada acabaram sendo embaralhadas de novo. Foram sete que espetaram pneus intermediários logo de cara. Entre eles, Sergio Pérez.
Na segunda volta, Max e Alonso, primeiro e segundo colocados, pararam. Norris e Russell, da turma da frente, ficaram na pista. O inglês da Mercedes passou o da McLaren e assumiu a ponta. E Pérez, o primeiro a colocar pneus de chuva, se deu muito, muito bem. Passou todo mundo que tinha slicks, ganhou a liderança e viu Verstappen em oitavo. O holandês foi abrindo caminho e na volta 4 estava em quinto, 13s7 atrás do mexicano. Norris e Hamilton trocaram pneus na terceira volta e despencaram para as últimas posições.
Clima instável: corrida virou uma quase loteria
Com seis voltas, cinco carros seguiam com slicks no banhado asfalto de Zandvoort: Albon, Piastri, Bottas, Hülkenberg e Sargeant. Todos lá no fundão. Na liderança, Pérez. Em segundo, Zhou. Sim, Zhou! OK, estava 11s atrás da Red Bull, mas se deu bem, como Pérez, ao colocar pneus intermediários rapidamente.
A segunda posição honrosa do chinês durou pouco, porém. Na sétima volta, Verstappen, que foi jantando quem via pela frente, já tinha passado por ele e mirava Pérez. Que, àquela altura, via o companheiro se aproximar, a 7s3 de distância. De forma impressionante, o holandês foi tirando a diferença para apavorar o companheiro. Tirou 6s em três voltas.
Na décima volta, Pérez, Verstappen, Zhou, Gasly, Alonso, Sainz, Leclerc, Tsunoda, Magnussen e Ocon eram os dez primeiros. O dinamarquês da Haas, então, parou de novo e resolveu voltar aos pneus slicks. A pista estava secando. Os que se seguraram com esses pneus, desafiando a chuva, vibraram. E os mecânicos perceberam que teriam um dia longo, muito longo. De repente, havia uma fila nos boxes para recolocar pneus para piso seco.
Na volta 11, só os quatro primeiros tinham intermediários, que eram cerca de 4s mais lentos que os slicks. Na 12ª, então, Verstappen parou. Desta vez, antes que Pérez. O último com intermediários. Ele parou na volta 13. E quando voltou à pista, estava em segundo. Na frente? Verstappen, por óbvio.
Não dava para Checo reclamar muito, porém. A agilidade dele e da Red Bull na primeira parada resultaram num salto de sétimo no grid para a liderança. Após a volta aos slicks, estava em segundo. Nada mau. E o sol apareceu em grande parte do circuito. O fenômeno meteorológico aconteceu exatamente na volta 14. Só que, na 15ª, a chuva voltou. Mas foi apenas na área dos boxes. O resto do traçado estava seco. O que fazer? Parar? Continuar? Rezar?
Sargeant arrasado: fiasco do americano da Williams
Na dúvida, todo mundo seguiu com os pneus para pista seca. Até porque a breve pancada vista na reta dos boxes foi isso mesmo: breve, brevíssima; coisa de segundos. O saldo do troca-troca e do chove-não-molha foi muito negativo para Russell – de terceiro no grid, caiu para 18º. Norris também: de segundo na largada, despencou para 11º. Então veio um safety-car na volta 16. Sargeant bateu na curva 8 e abandonou.
Para tentar salvar sua corrida, Russell parou e colocou pneus duros. Se tudo desse certo para ele, não choveria mais e ele teria paradas a menos até o fim da corrida. Mas era um chute.
Atrás do feioso Aston Martin que na Holanda foi escolhido como safety-car, o pelotão em fila indiana tinha Verstappen, Pérez, Alonso, Gasly, Sainz, Zhou, Magnussen, Albon, Ocon e Tsunoda nas dez primeiras colocações. O único, aí, que não tinha entrado nos boxes ainda era Albon. Ele se mantinha com os pneus da largada.
O safety-car deixou a pista no final da volta 21. Sol brilhando, asfalto seco, protetor solar à mão, o ritmo da relargada foi dado por Verstappen, que fez o que faz sempre: quase para o carro, depois dá uma estilingada e some na frente.
A corrida deu uma acalmada, apesar de algumas boas disputas intermediárias como Albon x Magnussen e Hamilton x Leclerc. Sem intercorrências. Lá na frente, ao notar que Pérez já tinha perdido o contato com Verstappen, Alonso, em terceiro, começou a se insinuar sobre o mexicano. Se o cabrón não vai, vou eu, pensou o espanhol. Alguém, a essa altura do relato, pode estar se perguntando: e a Ferrari? De fato, mal foi citada até aqui. Então, citemos: Sainz se mantinha razoavelmente bem em quinto e Leclerc se arrastava lá atrás, em 14º. Já tinha trocado um bico e feito um pit stop desastroso, o monegasco. Feito o registro.
Gasly: pódio merecido e valoroso
Ali pela 30ª volta, o sol desapareceu e nuvens escuras tomaram o autódromo. Verstappen entrou no rádio imediatamente. “O que diz a Maju?”, perguntou. “Maju está no ‘Fantástico’, Max”, respondeu seu engenheiro. O piloto suspirou com a falta de informações mais acuradas.
A prova chegou à metade, 36 voltas, com Verstappen quase 5s à frente de Pérez — que, por sua vez, não havia se impressionado muito com as ameaças de Alonso, deixando o carro da Aston Martin quase 4s atrás. Gasly, Sainz, Albon, Ocon, Tsunoda, Norris e Hamilton fechavam o grupo dos dez primeiros.
Sem muito o que fazer, Max brincava com o cronômetro registrando voltas mais rápidas. Pelo rádio, recebeu a informação de que dali a uns cinco minutos algumas gotas cairiam nas curvas x, y e z. Nem respondeu. “Se não tem Maju mais, não acredito”, pensou. De fato, os cinco minutos se passaram e não choveu.
Quem parou na volta 42 para colocar pneus novos, abrindo uma nova janela de pit stops – todo mundo teria de trocar outra vez, ao menos aqueles que estavam com macios –, foi Sainz. Caiu de quinto para 11º. Aproveitando que tinha gente no box, Leclerc estacionou também. Ao chegar, seu engenheiro perguntou o que ele fazia ali. “Nada, vim tomar um café”, respondeu Charlinho. “Curto, que é mais rápido.” Seu carro tinha problemas no assoalho, na asa, no motor, no câmbio, na alma. E a Ferrari optou pelo abandono. Um alívio para o piloto, que momentos antes brigava com o estreante Liam Lawson pela 15ª posição. Não precisava passar aquela vergonha.
Albon, finalmente, fez seu pit stop na volta 45 e colocou pneus médios. Uma façanha: terminaria a prova com apenas uma parada se não voltasse a chover. Voltou em 11º. Pérez também parou, na volta 46. A bateria de trocas entrou em marcha: Hamilton, Gasly (que teve de pagar uma punição por excesso de velocidade nos boxes), Piastri… Russell – lembram? –, com seus pneus duros, era já o sétimo.
Alonso fez uma parada ruim na volta 49, o que resultou na perda da terceira posição para Sainz. Um problema na troca do pneu dianteiro esquerdo foi o que atrapalhou o veterano das Astúrias. Verstappen, tranquilo, trocou seus pneus na volta 50. A briga pelo terceiro lugar no pódio virou a grande atração da corrida naquele momento. Eram dois espanhóis, com Fernandinho claramente mais rápido.
Alonso: corridão e volta ao pódio após quatro GPs de jejum
Na volta 52, El Fodón del Coche Verdón fez a ultrapassagem em cima da Ferrari #55 com estilo, garbo e elegância. Mais atrás, Russell, Albon, Ocon e Norris foram para cima de Tsunoda e passaram o japonês, que já tinha problemas com pneus desgastados e uma asa danificada. Hamilton fez o mesmo. Em duas voltas, o japonês perdeu cinco posições. Lewis, depois, passou Norris e foi para nono.
Faltavam 15 voltas quando os rádios das equipes, frenéticos e apocalípticos, passaram a avisar seus pilotos que um dilúvio bíblico se aproximava do circuito. Alguém citou o livro de Gênesis: “Faze para ti uma arca de madeira, e a revestirás de betume por dentro e por fora”. Na volta 60, Gasly passou Sainz e foi para quarto. Pouco antes, Hamilton deixara o companheiro Russell para trás.
E veio a chuva. “Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus lhe mandou, assim o fez.” Ainda bem que Noé fez o que lhe mandaram. Porque na volta 61, Pérez, Gasly, Sainz, Hamilton, Russell e quem mais estivesse passando pelas cercanias dos boxes parou e colocou pneus intermediários. A parada de Pérez foi ruim. Verstappen e Alonso vieram na volta seguinte. Desabou o mundo. Uma tempestade memorável. Os carros começaram a aquaplanar. Ocon colocou pneus para chuva pesada. Pérez rodou. Zhou bateu. O safety-car virtual foi acionado. Verstappen voltou aos boxes e colocou pneus mais apropriados para alagamentos datenianos. O mexicano fez o mesmo. Quando sairia dos boxes, a direção de prova mandou uma bandeira vermelha parar tudo. Noé passou ao largo pelo Mar do Norte em direção ao Canal da Mancha, acenando para as pessoas na praia e no autódromo. De dentro da arca, porque não queria se molhar.
A corrida foi interrompida na volta 65 com Verstappen, Alonso, Gasly, Sainz, Hamilton, Pérez, Norris, Russell, Albon e Piastri na zona de pontuação. Mas as posições seriam revistas para a relargada, porque em caso de bandeira vermelha vale sempre o resultado da volta anterior – seja para um reinício, seja para o encerramento da prova. Assim, o novo grid teria Verstappen, Alonso, Pérez, Gasly, Sainz, Hamilton, Norris, Russell, Albon, Piastri, Ocon, Tsunoda, Stroll, Hülkenberg, Bottas, Lawson e Magnussen – os 17 sobreviventes.
Norris x Russell: toque no final
A corrida foi reiniciada cerca de 40 minutos depois, ainda com o piso bem molhado. Os pneus intermediários já seguravam a onda, e foram percorridas duas voltas atrás do safety-car, com largada em movimento.
Ninguém quis dar uma de herói. Quase sem visibilidade, Russell foi o único que partiu para cima de alguém – no caso, Norris. Mas os dois se tocaram e George foi despencando até abandonar no final da volta. Pérez ainda levou uma punição estúpida por excesso de velocidade nos boxes. Para garantir o pódio teria de abrir 5s para quem estivesse atrás.
Nas últimas duas voltas, em sexto, Hamilton tentou como pôde ultrapassar Sainz, que resistiu. Max recebeu a quadriculada diante do delírio dos torcedores holandeses. Foi sua terceira vitória seguida em casa – ele está invicto desde a volta do país ao calendário. A vantagem para Alonso foi de 3s7. Gasly fechou o pódio com uma atuação fabulosa, herdando a posição de Pérez graças à punição para o mexicano, que terminou em quarto. Sainz, Hamilton, Norris, Albon, Piastri e Ocon fecharam a grupo dos dez primeiros. Registre-se que Lawson, o estreante, terminou em 13º. Na frente de Tsunoda.
Momentos de uma corrida empolgante: aconteceu de tudo
Foi um grande espetáculo. A chuva ajudou e, felizmente, não machucou ninguém. Verstappen deu mais uma aula de frieza, competência, repertório, talento, autoridade. É um dos maiores pilotos de todos os tempos. Veloz, preciso, decidido.
E o que mais impressiona é sua incrível capacidade de se adaptar a qualquer situação numa corrida. Falamos de caos lá em cima. O caos, no entanto, não incomoda muito esse rapaz. Ele faz com que tudo pareça muito normal. Assim, suas vitórias acabam sendo naturais e previsíveis. Porque ele sabe exatamente o que está fazendo. O tempo todo.
Flavio Gomes sábado, 26 de agosto de 2023 11:47 19 comentários
Albon, quarto: grande nome do sábado
POÇOS DE CALDAS(aqui, chuva!) – Max Verstappen larga na pole amanhã na Holanda. Se vencer a corrida, chega a nove vitórias seguidas na F-1, igualando o recorde de Sebastian Vettel, registrado em 2013 com a mesma Red Bull. É a primeira marca de uma série que o holandês deve quebrar no restante da temporada de 2023, se mantiver o ritmo assustador que vem mostrando neste campeonato. Seu domínio é absoluto.
Ninguém, claro, se espantou com a oitava pole de Verstappen no ano. Chamou a atenção, mesmo, o excepcional quarto lugar de Alexander Albon, da Williams. E a confirmação do ótimo momento da McLaren, que colocou Lando Norris em segundo.
Sem mais delongas, como diz o outro, vamos ao que aconteceu neste sábado em Zandvoort.
Pista molhada: começo tinhoso da classificação
Sol e chuva, casamento de viúva na abertura do Q1. Pista molhada, bem molhada, mas com as nuvens mais carregadas se afastando e sol e céu azul aparecendo entre elas. Mas não dava para usar pneus slicks. Assim, foi com intermediários que os pilotos começaram a deixar os boxes.
Albon fechou a primeira volta cronometrada da classificação com 1min31s315. Mais de 20s mais lento que no seco, ontem. Mas os tempos começaram a cair rapidamente na medida em que os pilotos iam encontrando os limites de frenagem e as melhores trajetórias no asfalto escorregadio e traiçoeiro. Para isso, passearam na brita com frequência – inclusive Verstappen, no início da sessão, reclamando barbaridade com a equipe.
O tempo mudou de repente e o sol desapareceu nos últimos minutos do Q1, voltando a chover fraco. Quando a pista esteve em seu melhor momento, as voltas entraram na casa de 1min20s e o mesmo Albon, daquele 1min31s do início, fechou a primeira parte da classificação com 1min20s939, seguido por Verstappen, Piastri e Norris. Zhou, Ocon, Magnussen, Bottas e o estreante Lawson foram os eliminados.
O neozelandês da AlphaTauri ficou em último, a 2s481 do tailandês da Williams. Normal. Nunca tinha andado nesse carro, primeiro GP, chamado às pressas. Não se pode exigir muito, como pouco se exigiu, por exemplo, de Pietro Fittipaldi no final de 2020, quando ele substituiu Grosjean na Haas. Ainda assim, é preciso que se diga: pilotos jovens têm de aproveitar essas chances, que são raras. Não adianta apenas mostrar que sabem dirigir carros de F-1 e devolvê-los aos boxes sem riscos na lataria.
Norris: McLaren bem
O Q2 foi parecido: nuvens negras, algumas gotas, alertas de radar, o sol aparecendo um minutinho, se despedindo e voltando, e nessa situação a pista demorava um pouco mais do que o normal para secar de vez. O trilho ideal não era exatamente perfeito. Spray não havia, porém, indicando que pelo menos no Q3 havia uma chance de o asfalto se oferecer numa condição mais amigável aos pilotos.
Verstappen baixou de 1min20s pela primeira vez no sábado, com 1min19s652 a 5min do final da segunda parte da classificação. E foram os últimos minutos os mais interessantes, porque aí sim a pista melhorou bastante. Quem percebeu o que estava acontecendo e colocou um jogo de pneus intermediários novos começou a subir na tabela: Albon, Piastri, Russell e Alonso entraram na casa de 1min19s também.
Quando a quadriculada foi mostrada, Piastri era o primeiro com 1min19s392. Mas todo mundo estava na pista tentando melhorar. Verstappen foi um deles: 1min18s856, para não deixar muitas dúvidas sobre quem mandava em Zandvoort. E os cinco ceifados foram Stroll, Gasly, Hamilton, Tsunoda e Hülkenberg. Nem é preciso dizer que Lewis foi a grande decepção, com o 13º tempo. E que a Williams, levando seus dois pilotos ao Q3, foi a maior surpresa. Desde o GP da Bélgica de 2021 que o time não ia com dois carros à fase final de uma classificação.
No seco: Max sem adversários
Piastri, Pérez, Verstappen e Leclerc saíram sem enrolar muito dos boxes no Q3 com pneus intermediários, para fazer uma voltinha de reconhecimento do asfalto. Os demais colocaram pneus slicks macios. Já dava. No trilho, a pista estava seca. O sol voltou. Russell fez 1min18s245 com a borracha lisa, e na sequência Albon cravou 1min15s743. Definitivamente, a pista estava OK. Só que, aí, Sargeant, que estava em segundo, bateu na curva 2. A bandeira vermelha foi acionada, faltando 8min13s para o fim da classificação.
Naquele momento, Albon, Sargeant, Sainz e Russell tinham tempos registrados. Demorou um pouco para os comissários arrumarem a barreira onde Sargeant bateu, mas quando a sessão foi reiniciada a pista seguia seca. Para sorte dos que ainda não haviam fechado voltas, a chuva não voltou.
A primeira volta rápida após a retomada dos trabalhos foi de Norris, 1min12s049 – tempo de pista totalmente seca. Piastri foi para a segunda colocação. E Leclerc bateu na curva 9 bisonhamente. Nova bandeira vermelha, a 4min05s do encerramento.
O grid na Holanda: Verstappen na pole
Desta vez a paralisação foi mais curta. Sobrava tempo para apenas uma volta rápida para cada um nos instantes finais do Q3. Max fez sua volta voadora em 1min10s567. Um temporal. Pole-position, mais uma, a 28ª na carreira. Norris larga em segundo, 0s537 atrás. Russell ficou em terceiro e Albon, com a modestíssima Williams, conseguiu um extraordinário quarto lugar no grid. Depois vieram Alonso, Sainz, Pérez (péssimo, em sétimo), Piastri, Leclerc e Sargeant fechando os dez primeiros.
Desde a volta da Holanda à F-1, em 2021, só Verstappen fez poles e venceu. Hoje ele começou a escrever a mesma história.
Flavio Gomes sábado, 26 de agosto de 2023 9:26 9 comentários
POÇOS DE CALDAS(paciência!) – Deixa explicar, logo de cara. Estou em Poços de Caldas para o Blue Cloud, encontro de DKWs que acontece uma vez por ano. Quando cai em fim de semana de F-1, me desdobro para fazer tudo: ver treinos e corrida, escrever, fazer vídeo, e cuidar dos meus carros que sempre trago para o evento. Ontem tivemos um problema no meu 67 e não deu para escrever uma linha. Não tem problema, os quatro ou cinco que vêm aqui hão de compreender.
Então, coloquemos as coisas em dia.
Ontem, sexta-feira, na abertura dos treinos para o GP da Holanda, o mais relevante — e triste — foi o acidente de Daniel Ricciardo.
Imagino que a essa altura todos saibam, mas depois de duas corridas pela AlphaTauri o australiano está fora da prova de Zandvoort e também de Monza, no outro domingo. Teve uma fratura na mão esquerda. Pode ser que perca ainda mais etapas.
Tudo aconteceu no segundo treino livre. Oscar Piastri rodou e bateu na curva 3, inclinada e meio cega, e Ricciardo vinha logo atrás. Quando viu o carro da McLaren atravessado à sua frente, jogou o seu no “soft wall” do lado direito. “Era bater nele, ou no muro”, contou depois. Segundo o piloto, não deu tempo de tirar a mão do volante. Aí, quebra mesmo. O impacto é sempre fortíssimo.
Liam Lawson, piloto de testes da holding Red Bull, será seu substituo. Está atualmente disputando a Super Fórmula japonesa. É vice-líder e tem chance de título na rodada dupla de Suzuka que encerra a temporada, no fim de outubro. Neo-zelandês, Lawson tem 21 anos e desde 2019 faz parte da escolinha rubro-taurina. Correu na F-2 em 2021 e 2022. Na primeira temporada, terminou em nono (com uma vitória). Na segunda, foi o terceiro colocado (ganhou quatro corridas), atrás de Drugovich e Pourchaire.
Sua experiência com carros de F-1 se resume a três treinos livres em finais de semana de GP no ano passado, dois com a AlphaTauri e um com a Red Bull. Tem uma boa chance de mostrar serviço, porque Ricciardo não estará recuperado até o GP da Itália. São pelo menos duas corridas. Numa equipe que ainda não sabe com quem vai correr no ano que vem.
O australiano foi ontem mesmo para a Espanha, onde foi operado pelo cirurgião Xavier Mir, famoso por consertar ossos quebrados de pilotos da MotoGP. Seu prazo de recuperação pode chegar a seis semanas.
Quanto aos treinos em si, ontem, nada muito especial. Verstappen foi o melhor na primeira sessão e Norris liderou a segunda. Ambas aconteceram com casa cheia e pista seca — e suja, muito suja da areia da praia. Hoje, sábado, choveu no terceiro treino livre. E a pista estará molhada na classificação.
Flavio Gomes quinta-feira, 24 de agosto de 2023 11:12 5 comentários
SÃO PAULO (normal) – A Haas confirmou hoje a permanência de sua dupla para 2024. Nico Hülkenberg e Kevin Magnussen, dois veteranos, seguem no time que pode ganhar o apoio/patrocínio/parceria/nome da Alfa Romeo, já que os italianos encerram seu casamento com a Sauber no fim do ano.
É a confirmação de uma guinada da Haas cujo “start” foi dado com a demissão forçada de Mazepin no início de 2022, quando explodiu a guerra entre Rússia e Ucrânia. Depois, quem saiu foi Schumaquinho, por deficiência técnica. O time, que chegou a ter dois estreantes, foi atrás de gente experiente. Eles pararam de bater carros e dar prejuízo.
Flavio Gomes terça-feira, 22 de agosto de 2023 19:42 8 comentários
SÃO PAULO(vale, claro!) – Raramente, nesta seção, publicamos fotos que não sejam de minha autoria. Mas algumas merecem entrar nas listas de exceção… Vejam a foto e, depois, a mensagem do Thiago Dalmazzo.
Flavio boa tarde, tudo bem? Sou seu leitor (ouvinte, espectador…) já há alguns anos. Sou de São Paulo, mas vivo em Bogotá, na Colômbia, desde 2017. Não sei se você já teve a oportunidade de conhecer a Colômbia, mas aqui a primeira grande montadora de automóveis foi a Renault (guardando as devidas proporções, equivalente ao que foi a VW no Brasil). O que significa encontrar muitos modelos antigos de Renault por todo o país. Acho que li em algum lugar que você tinha um desejo de ter um Renault 4 em sua coleção e aqui é muito fácil encontrar esse carro, já que foi o primeiro “popular” daqui, inclusive sendo apelidado de “el amigo leal”. Bom, conto toda essa história para contextualizar a foto anexa que tirei esse fim de semana e me pareceu curiosa, já que mostra o Renault 4 e seu tataraneto Twingo (que também tem muito aqui). Parabéns pelo trabalho!
(Próximo passo: acessar o Mercado Libre da Colômbia!)
Flavio Gomes terça-feira, 22 de agosto de 2023 19:31 7 comentários
SÃO PAULO(e é na Argentina…) – Assim estava este posto da YPF em 2019. Construído em 1938, foi fechado em 2010, abandonado e depredado. Fica na pequena Alicia, cidade de 3,5 mil habitantes na província de Córdoba.
Aí um rapaz resolveu comprar e restaurar. Virou bar. A história, enviada pelo Jason Vôngoli, está aqui. Como costumam dizer na internet, o resultado dá até um quentinho no coração.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
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CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...