ONE COMMENT
Lindo demais.
Lindo demais.
A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (no gás!) – Raramente repito fotos neste blog, mas hoje serei obrigado, por falta de opções. Talvez se tivesse alguma foto boa de “track limits”… Mas não achei. Pensei também em colocar aqui o comunicado da FIA sobre as oito punições que só foram definir o resultado final do GP da Áustria quase às 22h pelo horário local, o que é meio ridículo. Não é foto, mas é imagem — uma folha de papel. Só que seria dar cartaz demais a uma bobagem, que é essa história de limites de pista. É muito fácil resolver: tem asfalto, cimento, concreto, zebra, dá para passar por cima sem correr riscos? Então pode. Quer limitar o espaço utilizável, estabelecer uma faixa de rodagem menos generosa, dificultar a vida dos caras, reduzir as velocidades? Que se coloque um fosso com crocodilos ou hipopótamos delimitando a pista. Ou grama, brita, paralelepípedos, areia movediça, o que quiserem. Algo que faça os pilotos perderem tempo. E acabou.
É muito ridículo cancelar os tempos de centenas de voltas num fim de semana. Punir oito pilotos cinco horas depois de encerrada uma corrida. Analisar 1.200 imagens procurando por centímetros além de uma linha branca. Não estou aqui pregando a transgressão, o suicídio assistido, a irregularidade, a malandragem, a virilidade babaca dos que dizem que “se decolar na zebra ou der no muro e morrer, azar, corrida é assim mesmo”. As soluções não são complicadas. É só estabelecer limites físicos para aquilo que se deseja que seja a pista. Em vez de perder tempo instalando sensores, câmeras, fiscais.
Essa baboseira precisar ser banida de vez.
O NÚMERO DA ÁUSTRIA
800
…pódios alcançou a Ferrari com o segundo lugar de Leclerc na Áustria. O primeiro de todos foi de Ascari, segundo colocado no GP de Mônaco de 1950. Nas estatísticas, depois dos italianos vêm McLaren (494), Williams (313), Mercedes (285) e Red Bull (248).

Haveria muitos outros números majestosos para escolher depois dessa corrida, mas todos eles seriam relativos a Verstappen, ou à Red Bull. Serão desmembrados abaixo, em caixinhas. Por isso a opção pela marca redondinha da Ferrari, que não deve ser desprezada, claro. Notem que a McLaren, segunda colocada na lista, está perto dos 500 pódios. Numa temporada minimamente competitiva, chegaria lá. Mas faz tempo que o time papaia não é minimamente competitivo. Nos últimos nove anos, incluindo 2023, conseguiu nove pódios. Um por ano.
VOLTAS NA LIDERANÇA – Começando com a pilha de cifras rubro-taurinas e verstappianas da semana. Max liderou o GP da Áustria até a volta 24, quando fez seu pit stop e perdeu a ponta. Assim, completou 248 voltas seguidas em primeiro lugar, desde a 48ª do GP de Miami. Em Mônaco, Barcelona e Montreal, liderou todas. A sequência é a terceira maior da história, perdendo apenas para as 305 de Ascari entre os GPs da Bélgica e da Holanda de 1952 e as 264 de Ayrton Senna entre os GPs da Inglaterra e da Itália de 1988 — interrompida após um acidente bobo com o retardatário Jean Louis Schlesser. A Red Bull, em 2023, liderou nada menos do que 95,34% das voltas percorridas em nove etapas: 532 de 558. Dessas, 419 na conta de Verstappen e 113 na de Pérez.

VITÓRIAS SEGUIDAS – Foi a décima vitória seguida da Red Bull na F-1, contando a de Abu Dhabi, no encerramento do Mundial de 2022, e as nove primeiras deste ano. O recorde para uma equipe é de 11, da McLaren em 1988 (do Brasil à Bélgica). A equipe inglesa também detém, por supuesto, o recorde de vitórias seguidas na mesma temporada. Se tudo correr dentro da normalidade, a Red Bull deve superar essa marca. Na história há outras quatro sequências de dez vitórias seguidas do mesmo time. A Ferrari fez isso em 2002 (do Canadá ao Japão) e a Mercedes, três vezes: de Japão/2015 a Rússia/2016, de Mônaco a Singapura/2016 e de Brasil/2018 a França/2019.
100% DE APROVEITAMENTO – Até aqui a Red Bull ganhou todas no ano, mas ainda vai ter de remar bastante para bater a McLaren de 1988 no percentual de aproveitamento. Naquela temporada, o time de Senna e Prost ganhou 15 das 16 etapas, 93,75% do total. Para superar essa marca, a dupla Verstappen-Pérez precisa de 21 vitórias em 22 corridas. Não é fácil. Na história, depois do massacre da McLaren de 1988, os melhores aproveitamentos num mesmo campeonato foram da Mercedes em 2016 (90,48%, com 19 vitórias em 21 corridas) e da Ferrari em 2002 (88,24%, com 15 triunfos em 17 GPs).
A FRASE DE SPIELBERG
“A gente sabe que o carro é ruim. Apenas pilote.”
Toto Wolff, para Hamilton

Os 11 pontos somados por Hamilton e Russell na Áustria deram à Mercedes seu pior fim de semana no ano. Com o agravante de que era um GP com Sprint, com chance de pontuar no sábado. Por isso Lewis reclamou tanto durante a corrida. A ponto de Toto Wolff entrar no rádio e pedir para ele ficar quieto e apenas dirigir.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS da boa atuação de Lando Norris, que terminou em quarto depois da punição a Sainz. Foi seu melhor resultado no ano, depois de duas provas seguidas sem pontuar. As atualizações da McLaren, aplicadas apenas em seu carro (Piastri vai recebê-las em Silverstone), funcionaram, pelo jeito. E o inglês ainda foi eleito “piloto do dia” na internet.


NÃO GOSTAMOS dos resultados de audiência da corrida na Band: apenas 2,6 pontos pelo Kantar-Ibope, deixando a emissora do Morumbi em quarto lugar no horário na Grande São Paulo, atrás de Globo (8,8), SBT (3,2) e Record (2,7). A Globo estava com um jogo de futebol feminino no ar, o SBT com seu “Domingo Legal” e a Record, com desenhos do Pica-Pau.
Assim será a McLaren no GP da Inglaterra. Cromada.

Track limits em 2003. Enviado pelo Rafael Rego.

SÃO PAULO (absoluto) – Comecemos com os números: cinco vitórias seguidas, sete em nove corridas de 2023, 42 na carreira, superando Ayrton Senna e isolando-se na quinta colocação entre os maiores vencedores da história. Esse foi o resultado do GP da Áustria hoje, e é claro que as cifras se referem a Max Verstappen. O holandês só não venceu de ponta a ponta porque foi uma prova de muitos pit stops, e num circuito curtinho como a pista da Red Bull é difícil parar sem perder posição se o pit stop acontecer numa volta diferente da de quem está em segundo.
Mas voltas na liderança não dão pontos, apenas engordam estatísticas, e por isso Verstappen não liga muito para isso. O que é relevante para ele é espremer um fim de semana de GP até a última gota. E o fez. Somou todos os pontos que a F-1 coloca à disposição em eventos com Sprint, da vitória na minicorrida ao ponto extra da melhor volta na prova principal: 34. Isso sem contar as poles para as duas, que também não dão pontos mas mostram quem manda no pedaço.
Não menos importante, sua equipe segue invicta no ano. Ganhou as nove provais disputadas até aqui. E as duas Sprints. A de Baku, com Sergio Pérez.

O GP austríaco foi agitado, apesar da previsibilidade da vitória de Verstappen. Teve muitas disputas, algumas atuações dignas de nota – como as de Charles Leclerc e Pérez, segundo e terceiro colocados – e alguma movimentação na tábua de pontos, especialmente na de Construtores, com a Ferrari dando sinal de vida e entrando na briga pelo vice-campeonato. Horas depois de encerrada a corrida, a Aston Martin entrou com recurso contra o resultado final, alegando que várias passagens de pilotos por fora dos limites de pista foram ignoradas. A FIA reviu a corrida e aplicou várias punições, o que mudou algumas posições na prova. Lá no fim do texto explico tudo que aconteceu.
O domingo começou com homenagens a Dilano van ‘t Hoff, 18 anos, que morreu num acidente ontem em Spa na Fórmula Regional Europeia, campeonato promovido pela Alpine. Um minuto de silêncio foi respeitado em memória do jovem piloto holandês. Sem chuva e sem calor, 22°C, os pneus médios foram a escolha da maioria dos pilotos para começar a prova em Spielberg, vilarejo rural aos pés dos Alpes austríacos. Fernando Alonso, Valtteri Bottas e Kevin Magnussen foram os únicos que decidiram partir com os compostos duros. A largada foi interessante. Leclerc atacou Verstappen com vontade nas curvas 2 e 3, de forma até surpreendente, mas o holandês resistiu. E respirou ao final da primeira volta, quando o safety-car foi acionado porque Yuki Tsunoda deixou pedaços de seu carro na curva 1 e, depois, foi para a brita um pouco adiante. Era preciso fazer uma breve faxina para tirar detritos do asfalto.
Pista limpa, a relargada aconteceu na terceira volta e lá foi Charlinho de novo, sonhando com uma ultrapassagem. Só que dessa vez Max não seu sopa para o azar. Socou o pé no acelerador e não permitiu a aproximação do monegasco. Muito rapidamente abriu mais de 1s para a Ferrari #16 e foi embora. Só seria visto de novo na bandeira quadriculada debaixo de uma nuvem laranja de seus torcedores.

Com Verstappen a léguas de distância, quem teve de se preocupar com o assédio foi Leclerc. Carlos Sainz, seu companheiro, em terceiro, se assanhou e começou a fustigar o rapaz de bochechas róseas, educadíssimo e solícito — ao contrário do espanhol, grosso que só ele. “Nos informe sobre seu ritmo, Carlos, se não for muito incômodo”, pediu seu engenheiro, com toda polidez. “Não tá vendo? Preciso mesmo dizer? Tu é cego? Vão ficar me tratando como segundo piloto até quando?”, respondeu.
(Sempre reforço que as reproduções dos diálogos aqui obedecem a um critério bastante particular no quesito “tradução”, em esforço desmesurado para oferecer aos diletos leitores interpretações que se aproximem da realidade dos fatos, muitas vezes dura e incômoda.)
Alterando ligeiramente o tom de voz diante da aspereza do piloto, a chefia devolveu: “Fica na sua e deixa o menino na frente, seu…, seu…, seu comedor de jamón serrano!”. A comunicação foi prejudicada pela estática e Sainz, irritadíssimo, ainda teve tempo de dizer que “nunca comi Ramon nenhum, é tudo mentira, ele é só meu amigo, a gente se conhece desde os tempos da escola, e o que falavam da gente não era verdade, aquele negócio do sabonete no chuveiro do vestiário nunca aconteceu!”.
Outro momento radiofônico curioso aconteceu pela altura da 12ª volta, quando Lando Norris passou a avisar à McLaren que Lewis Hamilton, quarto colocado à sua frente, estava excedendo os limites da pista. “Onde e quando?”, questionou o time. “Em todas as curvas o tempo todo, não vou ficar avisando vocês toda hora, haja paciência, senão não faço outra coisa na corrida, além de tudo não sou narrador!”. A Mercedes captou a delação através de seu serviço de espionagem e alertou seu piloto, que não hesitou: “Se eu não fizer isso, esta bosta de carro não faz as curvas!”.

Na volta 15, Nico Hülkenberg quebrou, parou o carro num lugar perigoso, e o safety-car virtual foi acionado. Hamilton e Norris aproveitaram, foram para os boxes e trocaram pneus. A Ferrari fez a mesma coisa na volta seguinte, parando seus dois pilotos ao mesmo tempo. Sainz perdeu duas posições e caiu para sexto. Na relargada, na volta 17, Verstappen liderava com Leclerc em segundo, já de pneu novo, Pérez em terceiro (vinha lá de trás, sem trocar pneu), Hamilton em quarto e Norris em quinto.
Sainz passou Norris bufando pelo rádio porque não queria ter parado nos boxes, irritando ainda mais o pitwall ferrarista. Meus serviços de espionagem captaram, inclusive, comentários bem maldosos envolvendo Ramon ou jamón, não deu para entender direito — sotaque italiano é terrível. No mesmo momento, a direção de prova começou a distribuir cartões amarelos na forma de 5s de punição para os pilotos que ultrapassavam os limites da pista insistentemente. Hamilton e Tsunoda foram os primeiros.
Endiabrado, (“Deve estar pensando no jamón”, disse um mecânico nos boxes também captado pelos meus microfones escondidos, mas talvez ele tenha dito “Ramon”), Sainz foi para cima de Hamilton, passou e assumiu o quarto lugar. Havia diferenças de pneus entre eles – Lewis de duros, Carlos de médios. Na sequência, foi para cima de Pérez e engoliu o mexicano sem dó, voltando à terceira posição. Atrás dele, Hamilton foi ao rádio e falou: “Já que é assim, ficaram me dedurando, bando de X-9 dos infernos, vamos lá: o Pérez saiu da pista também. Não vão punir? Se me deram cinco segundos, não vão dar pra ele? Por quê? Ah, nem precisa responder, eu mesmo digo! É Red Bull, né? É um coitadinho, segundo piloto, ninguém faz nada com ele. Olha lá! De novo! Curva 10! Já puniram ele? Claro que não! Eles podem tudo! Lembram em 2021? Eu estava em primeiro, aí o Lat…”. A Mercedes desligou o rádio.

Na volta 25, Verstappen parou nos boxes e colocou pneus duros. Perdeu a liderança de uma corrida pela primeira vez desde a volta 48 do GP de Miami – depois disso, liderou todas as voltas em Mônaco, Barcelona e Montreal. Voando, na volta seguinte passou Sainz e calibrou a mira sobre Leclerc, o líder. A Ferrari teria de parar de novo. Max, só se tivesse vontade.
Pérez também colocou pneus duros e caiu para décimo. Hamilton, atormentado pelas injustiças do mundo traduzidas em punições de 5s, foi ultrapassado por Norris. Na volta 30, Leclerc, Verstappen, Sainz, Norris, Hamilton e Alonso eram os seis primeiros colocados. Sainz também levou um pênalti de 5s pelo mesmo motivo: ultrapassar as linhas que delimitam a pista – na Áustria, esse tipo de ação é clássica, pela configuração do traçado e suas zebras.
Verstappen, enquanto isso, remava para retomar a liderança. À razão de 1s por volta, se aproximava de Leclerc, que era avisado pela Ferrari de que a degradação de seus pneus era maior do que o esperado e talvez ele tivesse de fazer sua segunda troca antes do desejado. Max encostou no carro vermelho na volta 34. Ficou ali ciscando e na volta seguinte passou.
O festival de punições seguia: Esteban Ocon, Alexander Albon, Nyck De Vries, Pierre Gasly… Por exceder os limites de pista ou outros motivos, como empurrar amiguinho para fora da pista (De Vries sobre Magnussen), liberação perigosa do pit stop (Ocon), macacão desalinhado, barba malfeita…
A Mercedes parou seus pilotos pela segunda vez nas voltas 42 (George Russell) e 43 (Hamilton) abrindo nova sessão de pit stops. Na 46ª, Sainz também foi para os boxes. Ele e Lewis aproveitaram para pagar suas multas de 5s. Verstappen, de quem ninguém mais falava, liderava com 13s sobre Leclerc, que ainda precisava fazer mais uma troca. Pérez era o terceiro, mas também teria de parar de novo.
Charlinho parou na volta 48. Voltou atrás do mexicano. A Ferrari fazia uma corrida boa, com esperança de colocar seus dois pilotos no pódio. Quase deu. Verstappen, um ano na frente de todo mundo, foi chamado para os boxes na 50ª volta. Colocou pneus novinhos, bocejou e voltou à pista sem perder a liderança. Pérez parou na seguinte e retomou sua jornada em quinto. Restou, então, uma briga pelo terceiro lugar. Norris, com grande atuação, encostou em Sainz. Não passou. Quem foi atrás de um trofeuzinho foi Pérez, que ganhou a posição do piloto da McLaren e partiu para cima do espanhol. Tentou na volta 59, levou o troco, insistiu, teve muito trabalho e só conseguiu na 61, aos trancos e barrancos.





E os rádios? Ah, os rádios… Em sétimo, Hamilton insistia: “Alguém mais foi punido? Hã? Hã? Ou só eu? Tudo eu, sempre eu!”. Foi quando Toto Wolff in persona entrou na linha pela segunda vez, algo que não costuma fazer. Antes, tinha dito a ele que “todo mundo na frente seria punido”, para tentar encerrar o assunto. Depois, foi duro de verdade com seu piloto: “Lewis, sabemos que o carro é ruim. Por favor, apenas o dirija”. E, aqui, as palavras do chefe da equipe alemã são literais – sem tradução livre. Hamilton finalmente silenciou. Mas pensou (sim, temos detectores de pensamento): “Bosta de carro lerdo do caralho, não vou renovar meu contrato, eles que se virem, esses caras só sabem fazer caminhão e ônibus e olhe lá, Mercedes é carro de velho rico, vou comprar uma Kombi Safári e sair pelo mundo com meu cachorro, nunca mais vão ouvir falar de mim, vão se foder”.
Com a ultrapassagem de Pérez sobre Sainz, as posições se acomodaram. Carlos ainda teve tempo para uma reclamação inusitada: “Os comissários deveriam dar uma olhada no que aconteceu. Ele ficou me intimidando”. Hoje não estou nem precisando brincar muito com os rádios. Eles vieram prontos. Intimidou, Carlito? Jura? Ficou com medo? O que ele fez? Gritou com você? Ameaçou chamar o cartel de Tijuana? Mostrou a língua, rangeu os dentes? Ah, tenha dó…
Ganancioso, com 23s de vantagem sobre Leclerc, na volta 69 Verstappen pediu para fazer uma terceira parada e colocar pneus macios. Faltavam duas para o final. Queria o ponto extra da volta mais rápida, mesmo correndo o risco de dar alguma coisa errada no pit stop. Um maluco ensandecido, resvalando no sadismo. A parada aconteceu, foi bem rápida e o moleque foi lá e cravou a melhor volta da corrida.

Verstappen, Leclerc, Pérez, Sainz, Norris, Alonso, Hamilton, Russell, Gasly e Lance Stroll foram os dez primeiros na quadriculada. O resultado teve algumas alterações por conta das punições aplicadas depois do recurso da Aston Martin. Na zona de pontos, Sainz caiu de quarto para sexto, Hamilton foi de sétimo para oitavo e Gasly, de nono para décimo. No quadro acima, um detalhe: estão todos com uma parada a mais porque no safety-car da primeira volta os pilotos foram obrigados a passar por dentro dos boxes para limpeza da pista. Além do holandês, merecem notas elogiosas Leclerc, que manteve o segundo lugar do grid e conseguiu seu melhor resultado no ano, e Pérez, que saiu de 15º e, desta vez, soube se recuperar para fisgar o terceiro degrau do pódio. Assim como Norris, em quarto, ganhando até o título de “piloto do dia” do amigo internauta. A Aston Martin teve um desempenho opaco, com Alonso em quinto e Stroll em nono, já no resultado corrigido. A Mercedes, idem.
Com 100% dos pontos que podia marcar na Áustria, Max foi a 229 na classificação, contra 148 de Pérez – uma diferença de 81, obviamente intransponível. Alonso vem em terceiro com 131, seguido por Hamilton (106), Sainz (82), Leclerc (72) e Russell (72). Entre as equipes, a Red Bull permanece absoluta com 377, mas a briga pelo vice se tornou muito interessante: Mercedes (178), Aston Martin (175) e Ferrari (154). O time italiano deu um passo largo para entrar de vez na disputa fazendo 32 pontos no fim de semana, contra 21 da Aston Martin e apenas 11 da Mercedes.

O ingresso no top-5 dos maiores vencedores de todos os tempos parece não ter comovido muito Verstappen, que até onde pude acompanhar não tocou no assunto, como não havia se importado muito com o tema no Canadá, depois de igualar Senna. De qualquer forma, vale sempre lembrar os que estão à frente dele: Hamilton (103), Michael Schumacher (91), Sebastian Vettel (53) e Alain Prost (51).
Essa, definitivamente, é a sua turma.
ÚLTIMA HORA – A Aston Martin protestou o resultado da corrida, alegando que muitas passagens de vários pilotos excedendo os limites da pista não foram consideradas pelos comissários esportivos. Pediu contagem manual das irregularidades e punições aos infratores. A FIA analisou o videoteipe e aplicou punições a oito pilotos: Sainz (10s), Hamilton (10s), Ocon (30s), Gasly (10s), Sargeant (10s), Albon (10s), De Vries (15s) e Tsunoda (5s). Na zona de pontuação, como já atualizado no textão, Sainz caiu de quarto para sexto, Hamilton foi de sétimo para oitavo e Gasly, de nono para décimo. Norris subiu para quarto, Alonso para quinto, Russell para sétimo e Stroll para nono. Albon e Sargeant mantiveram suas posições (11º e 13º). Ocon foi de 12º para 14º. De Vries, de 15º para 17º. E Tsunoda, de 18º para 19º.



SÃO PAULO (hoje tem Lusa!) – A chuva deu uma animada no sábado austríaco e Max Verstappen somou mais oito pontos na classificação ao vencer a Sprint, com Sergio Pérez em segundo e Carlos Sainz em terceiro. O holandês, bem cedinho, fez a pole para a minicorrida com pista úmida na classificação batizada de Shootout, que teve algumas surpresas no grid: Lando Norris em terceiro, Nico Hülkenberg em quarto e as duas Mercedes lá no fundão.
Na sessão que definiu o grid, todos usaram pneus slicks, apesar do asfalto tinhoso. Mas a pista foi secando, secando, e Verstappen acabou andando no ritmo que lhe deu a pole para o GP da Áustria ontem, na casa de 1min04s. Só que entre a classificação e a Sprint choveu mais e a prova teve de ser iniciada com pneus intermediários. Foi assim que todos alinharam, exceção feita a Valtteri Bottas, que colocou pneus médios. Mas já ao fim da volta de apresentação foi para os boxes e calçou seu carro com borracha mais apropriada para a pista molhada.
E graças à chuva corrida não foi ruim, como a de Baku — a primeira das seis Sprints desta temporada. Na largada, Pérez conseguiu fazer a primeira curva na frente de Verstappen e espremeu o companheiro, que teve de colocar duas rodas na grama. Nas duas curvas seguintes a dupla da Red Bull se estranhou um pouco e no fim o líder do Mundial reassumiu a ponta, reclamando pelo rádio.

Naquele vai-não-vai, Pérez perdeu também o segundo lugar para Hülkenberg, e aí as coisas ficaram muito fáceis para o holandês. Quando Checo conseguiu passar o alemão da Haas, na volta 12, o parceiro já estava 10s à frente. Não havia mais o que fazer. Foi quando, pelo rádio, a Red Bull pediu a Verstappen “considerações sobre as condições da pista”. “Considero que estão boas, não o suficiente para colocar pneus slicks, mas o asfalto é de boa qualidade e o cenário, idílico”, respondeu. “Vejo vaquinhas e pequenos chalés alpinos nas encostas, o verde aqui é mais verde que acolá, adoro este lugar, a tranquilidade, o ritmo mais lento das pessoas, a falta de pressa no ir e vir, quando me aposentar é aqui que quero viver.”
A prova era curta, 24 voltas, e na metade da contenda algumas brigas entretinham o público, como Hamilton x Magnussen e Leclerc x Norris. O inglês da McLaren, terceiro no grid, havia perdido muitas posições na primeira volta e buscava uma recuperação. Na volta 14, uma disputa se desenhava entre os pilotos da Aston Martin, com Lance Stroll em quinto e Fernando Alonso em sexto. Stroll ligou para o pai e pediu para Alonso não brigar com ele. “Filho, é uma corrida de carros…”, respondeu o dono da equipe, desligando o microfone e comentando com o chefe do time: “Ele é muito mimado, é tudo culpa da mãe dele. Foi criado com iogurte grego e granola de tapioca.”

Na volta 16, outro rádio interessante, que fui anotando palavra por palavra enquanto o pau comia na pista. De Russell, para a Mercedes: “Olá, amigos, creio que a pista está secando. Não sei se o bastante para trocarmos pneus, talvez, quem sabe… Gostaria de saber a opinião de todos, Toto, Lewis, o pessoal na fábrica… O que vocês acham? Seria o caso de pararmos nos boxes? Se for o caso, haveria uma possibilidade de…”. Nesse momento, George foi interrompido bruscamente por seu impaciente engenheiro. “Você já está nos boxes e já trocamos seus pneus, meu caro. Se não for incômodo, engate a primeira E VOLTE PARA A CORRIDA, CACETE!”
“Não precisava gritar…”, resmungou Russell, voltando na última posição. Mas não foi o único a ter a ideia de colocar pneus para pista seca. Vários pilotos fizeram o mesmo para tentar alguma coisa nas voltas finais. Um deles foi Hülkenberg, que voltou à pista em 12º e foi escalando o pelotão para buscar pelo menos uma posição entre os oito primeiros que ganham pontos na Sprint.
Na 20ª volta, Nico já era o oitavo colocado, a 14s de Norris. Os sete primeiros não tinham trocado pneus e nem iriam, porque a prova estava no fim. Na 22ª, Alonso colou em Stroll, então quarto colocado, e o menino entrou no rádio de novo berrando. “Pai! Pai! Olha ele aqui! Fala pra ele ir embora! Ele quer me passar! Fala pra ele parar!”, e Lawrence, o pai, repetiu o que havia dito antes. “Filho, é uma corrida de carros…”, e desligando novamente o microfone cochichou com o chefe do time: “Sempre foi assim. Qualquer coisa, chamava o pai. Na escola, roubavam o lanche dele e o que fazia? Pegava o celular e me ligava chorando. Eu em reuniões de negócios, do outro lado do mundo, tendo de resolver briga de lanche na escola. É culpa da mãe. Da mãe e da vó. Só tomava Toddynho, porque Nescau dava dor de barriga”.

Da turma que colocou slicks, Hülkenberg acabou sendo o destaque da Sprint, chegando à sexta posição. Foi aí que recebeu a quadriculada, atrás de Verstappen, Pérez, Sainz, Stroll e Alonso, os cinco primeiros, que terminaram a corridinha com os pneus com que largaram, intermediários. Ocon, em sétimo, e Russell, em oitavo, fecharam a zona de pontos. Foi a quarta vitória de Max em provas Sprint.
Ao final da corrida, assim que estacionou o carro, o holandês foi até Pérez para interpelá-lo pelo esfrega-esfrega da primeira volta. O mexicano tentou explicar que não o viu ao lado, entregou a posição, e procurou não esticar muito o assunto para não entrar em atrito com o primeiro piloto do time. “Conversamos, e está tudo bem”. Max também não alimentou polêmicas. “Foi um pouco complicado, mas consegui controlar o carro [na grama] e depois disso fiz minha corrida”, disse. Intramuros, porém, Verstappen foi mais duro. “Não foi nada OK. Poderíamos ter batido.”

Não houve muita festa depois da corrida, porque antes da largada chegou a notícia da morte do jovem Dilano Van ‘t Hoff, 18 anos, na prova #2 da FRECA (Fórmula Regional Europeia) em Spa-Francorchamps. O acidente aconteceu na reta Kemmel, trecho de altíssima velocidade no circuito belga. Holandês como Verstappen, o piloto da também holandesa MP Motorsport perdeu o controle debaixo de muita chuva e foi atingido em cheio pelo carro de Adam Fitzgerald. Foi uma batida semelhante à que matou o francês Anthoine Hubert na mesma pista em 2019, numa corrida de F-2.
A falta de visibilidade na chuva foi tema de algumas entrevistas e Alonso foi um dos mais veementes ao avaliar a validade de se correr no molhado com monopostos. “Não dá para enxergar nada, eu sei que as pessoas não entendem direito as bandeiras vermelhas, as interrupções… Mas com as velocidades desses carros hoje e o tanto de spray que os pneus jogam para trás, é muito perigoso.”
A previsão para amanhã na região de Spielberg é de tempo seco. O GP da Áustria, nona etapa do campeonato, começa às 10h. Às 19h, hoje, tem “Fórmula Gomes” lá no YouTube, não esqueçam!
SÃO PAULO (a hora chega…) – O Justicialista comemora 70 anos amanhã. Pioneiro da indústria argentina, merece aplausos e reverência!


SÃO PAULO (segura ele) – O relato da sexta-feira austríaca neste blog não estará à altura dos demais, já vou avisando. É que a classificação aconteceu na mesma hora que meu programa na Placar TV. Assim, fui vendo meio atravessado e fazendo anotações num lamentável pedaço de papel.
De qualquer maneira, deu para acompanhar mais um dia de domínio absoluto de Max Verstappen, que fez sua sexta pole no ano (em nove corridas), quarta seguida, 26ª na carreira. É bom lembrar que hoje ficou definido o grid da corrida de domingo. Amanhã é tudo Sprint: 7h, classificação “Shootout”, de 44 minutos de duração, para formar o grid da provinha que começa às 11h30 e terá 24 voltas.
Destaques do dia: Albon entre os dez primeiros e Pérez, pela quarta vez seguida, fora do Q3. À classificação, então.


O Q1 teve uma bandeira vermelha causada por rodada de Bottas, mas nada de espetacular. Foram poucos minutos de interrupção para limpar a pista e tudo bem. Verstappen fechou a primeira parte da classificação em primeiro. A sessão, para registro, foi toda realizada com pista seca e temperaturas altas, na casa dos 27°C. Ficaram fora do Q2, sem grandes surpresas, Tsunoda, Zhou, Sargeant, Magnussen e De Vries.
O holandês está mesmo com os dias contados na AlphaTauri. Se eu sou a Red Bull, chamo logo Ricciardo para correr. De Vries é a grande decepção da temporada. Eu apostava muito mais no cara, dado seu currículo robusto, com títulos na F-2 e na F-E, e sua atuação pela Williams no ano passado em Monza. O holandês não virou. A Red Bull já mandou gente embora por muito menos.

No Q2, Lando Norris manteve-se na ponta com uma McLaren atualizada por um bom tempo, até Verstappen se tornar o primeiro a baixar de 1min05s, fazendo 1min04s951. Vários pilotos excederam os limites da pista especialmente na curva 9, causando um festival de cancelamento de voltas. Uma das vítimas foi Pérez, que terminou em 15º, eliminado ao lado de Russell, Ocon, Piastri e Bottas. Perdeu duas voltas cronometradas depois da revisão dos comissários.
O mexicano, claro, foi um vexame. Desde 2008, com David Coulthard, que um piloto da Red Bull não ficava quatro corridas seguidas fora do Q3. Pérez murchou de vez. Russell também decepcionou ao não levar a Mercedes para a fase final da classificação. Albon, da Williams, e Hülkenberg, da Haas, foram as surpresas.

No Q3, Verstappen fez o que dele se espera. A primeira volta, em 1min04s503; a segunda, em 1min04s391. Deve-se admitir que Leclerc chegou perto, com a Ferrari: apenas 0s048. Palmas para o monegasco, então — ótimo piloto em classificações. Mas, na real, Max não foi ameaçado de verdade. Se precisasse, melhoraria seu tempo ainda mais. E o resto ficou longe, quando se considera a curta extensão da pista austríaca.
Sainz e Norris formam a segunda fila, com menção honrosa para o inglês da McLaren. Depois vieram, fechando o top-10, Hamilton, Stroll, Alonso (apagado, atrás do companheiro), Hülkenberg, Gasly e Albon.
Max igualou Mika Hakkinen na lista dos maiores “polemen” da F-1 na décima colocação. O próximo alvo nas estatísticas é ninguém menos do que Fangio, que tem 29 poles na carreira, três a mais que o holandês. É marca que cai facilmente neste ano. Pelo andar da carruagem da Red Bull, Verstappen pode até fechar a temporada entre os cinco maiores fazedores de poles da história. O quinto colocado hoje é Jim Clark, com 33. Faltam oito para superar o escocês, morto em 1968 numa corrida de F-2. E ainda faltam 13 provas até o fim do campeonato. Não é uma tarefa muito difícil.

Amanhã serão distribuídos pontos aos oito primeiros colocados na Sprint, a segunda desta temporada. Serão seis ao final do campeonato — a primeira aconteceu em Baku e as próximas serão na Bélgica, Catar, Austin e Interlagos. Hoje às 19h estaremos ao vivo em nosso canal iutúbico para falar de tudo.
Inclusive dos próximos oito anos de relativa paz.
SÃO PAULO (teria fácil!) – Recebo sempre press-releases da Audi Tradition e o de hoje me chamou a atenção, pela beleza da peruinha. É a NSU Uruguai, cuja história está contada abaixo no texto da assessoria de imprensa da montadora alemã. Como a NSU — uma das marcas que a VW comprou nos anos 60 junto com a Auto Union dando origem à Audi como a conhecemos — está fazendo 150 anos, eles têm produzido algum material de imprensa bem interessante. Juntar Audi + Uruguai + perua é o bastante para me deixar bobo. Será que sobrou alguma lá na terra do Mujica? Pergunta para nosso Jason Vôngoli responder. Aguardemos.





É um modelo quadrado – como se desenhado com uma régua. A NSU Uruguai não se encaixa de forma alguma na linguagem de design dos automóveis da NSU no final dos anos 1960. E como isso aconteceu? O importador NSU no Uruguai, chamado Quintanar, começou a produzir e vender por conta própria uma perua em 1968 usando subconjuntos técnicos do NSU Prinz 4 de dois cilindros. No final daquele ano, a empresa havia vendido 140 unidades. Mas o importador queria mais, principalmente um motor mais potente para a perua – de preferência um quatro cilindros. Uma reunião foi realizada na fábrica de Neckarsulm em maio de 1969 para ver se isso era viável. Para esta reunião, uma carroceria foi enviada a Neckarsulm para que os engenheiros da NSU pudessem construir um protótipo. No fim, o motor de quatro cilindros do NSU Prinz 1000 não caberia no compartimento do motor sem grandes modificações — mas poderia caber na parte de trás do carro. Os representantes da Quintanar pareciam não se incomodar com a perda considerável de espaço de carga no processo, nem foram desencorajados por uma lista mais longa de problemas do departamento de Desenvolvimento Técnico da Neckarsulm. As autoridades de inspeção em Darmstadt avaliaram a perua NSU positivamente no geral, exceto por algumas “reclamações fáceis de consertar” e deram luz verde. E assim, entre 1969 e 1971, cerca de 500 peruas saíram da linha de montagem na América do Sul nas variantes de modelo P6 e P10. Em 1971, a NSU se retirou do mercado uruguaio – o que também selou o destino da “Uruguai”. Hoje, o protótipo do NSU P10 – o primeiro e único de seu tipo a rodar nas estradas alemãs – faz parte da frota de veículos históricos da Audi. É inegavelmente um dos modelos mais extraordinários, angulares e distintos da coleção.
Perguntaram nos comentários e não soube responder. No que deu esse projeto de documentário? O trailer é ótimo!
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