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Wednesday, 18 de March de 2015 - 18:41F-1

OLHEM PARA TRÁS

92spa

SÃO PAULO (desse jeito, morre) – Embora Bernie Ecclestone não admita, e pode ser apenas que não enxergue, dado o avançado da idade e da arrogância, a F-1 vive sua pior crise. Não, não precisam buscar no passado outras piores. Esqueçam. Crises anteriores eram bem específicas e muito midiáticas, tinham a ver com brigas políticas, como nos anos 80, quando alguns times resolveram peitar a FISA (o braço esportivo da FIA), ou segurança — depois das mortes de Senna e Ratzenberger, em 1994.

Eram, por assim dizer, crises “boas”. Todo mundo falava da F-1, os boicotes dividiam torcedores e fãs, as mortes chocavam e despertavam sentimentos e discussões. E havia ídolos, e eles eram bons.

A crise atual é de outra natureza. É a crise da indiferença.

Com índices de audiência caindo no mundo inteiro, minúscula participação da indústria automobilística, autódromos vazios, países desinteressados por GPs, poucos carros, pilotos inexpressivos técnica e pessoalmente, tecnologia incompreensível, corridas enfadonhas, a F-1 é, hoje, assunto para ninguém. Este é o seu grande problema: ninguém mais liga para ela.

O dinheiro continua sendo volumoso, porque ainda há gente disposta a gastar na F-1. Mas é cada vez menos, e por razões pouco nobres — basta ver a quantidade de países sem a menor tradição no automobilismo que ingressaram no calendário nos últimos anos. Abu Dhabi, Cingapura, Bahrein, Rússia, Índia, Coreia do Sul, Turquia e China desbancaram San Marino (OK, Itália, mas vocês entenderam), França, Portugal, Argentina, até a Alemanha corre o risco de perder seu GP porque não tem ninguém a fim de pagar a conta e assumir os prejuízos.

Estes novos GPs têm muito mais a ver com negócios do que com esporte. Basta ver que alguns deles, como Turquia, Índia e Coreia do Sul, já foram para o vinagre e estes países ficaram com o mico na mão — autódromos suntuosos e caríssimos que não servem para mais nada. E ninguém, nestes países, lamentou a perda de seu GP. Simplesmente se foram como chegaram, sem que alguém se importasse realmente. Falo do público, naturalmente. Quem botou dinheiro nessas pistas e corridas deve estar com vontade de matar um.

O grid de domingo em Melbourne foi das coisas mais deprimentes da história da categoria, mais até do que a corrida de meia-dúzia de carros em Indianápolis em 2005 — ali, outra crise midiática e ruidosa, a história dos pneus Michelin que podiam estourar a qualquer momento, foi notícia no mundo inteiro. Eram 15 alinhados na Austrália. Já se sabia quem ganharia. Já se sabia que a McLaren não faria nada. Dois abandonaram na primeira volta. Foram 90 minutos de nada acontecendo na pista. O mais rigoroso nada. Um espetáculo horrível. E aí?

Aí que, claro, ninguém quer ver um troço desses. A não ser, claro, os fãs de sempre, os antigos, remanescentes de outras eras, que se irritam profundamente com o que estão vendo justamente porque são… antigos. Porque já viram coisa muito melhor. Porque se apaixonaram por esse negócio no passado. E os mais jovens? Como convencer um garoto de 15 anos, um jovem de 25, um rapaz de 35 a ver um treco tão chato? Eles ouvem dos mais velhos que a F-1 era sensacional. Quando se detêm por alguns minutos diante da TV, assistem a algo que de sensacional não tem nada. Desistem antes de ensaiar qualquer aproximação. Têm coisa melhor para fazer durante uma hora e meia aos domingos. Internet, games assustadoramente realistas, Tinder, Facebook, Twitter, GoPro, Instagram, Snapchat. Não adianta. Eles não se conectam com algo que não lhes diz nada. Nem mesmo alguma relação com seus carros de rua, quando os têm, encontram. Automóvel, já escrevi sobre isso, não chega a ser um campeão de audiência para a juventude. É caro, gasta gasolina, paga imposto e seguro, não tem onde parar, não pode guiar depois de beber, é um estorvo.

E os personagens? Quem são esses caras aí? Pérez, Grosjean, Stevens, Magnussen, Kvyat, Ericsson, Verstappen, Sainz Jr., Nasr, Merhi, Van der Garde? De onde vieram, para onde vão, o que comem, o que pensam, onde vivem, como se reproduzem? Que diabos é uma Manor Marussia?

É evidente que a F-1 se descolou da juventude. É evidente que precisa angariar novos fãs. É evidente que não pode viver de quem tem mais de 40 anos, principalmente porque quem tem mais de 40 anos faz comparações com o que viu no passado, e é covardia colocar lado a lado essa turminha de desconhecidos aí em cima com Mansell, Piquet, Patrese, Senna, Prost, Berger, Alesi, Fittipaldi, Stewart, Hunt, Lauda, Peterson, Berger, Schumacher, Cevert, Scheckter, Villeneuve, Jarier, De Angelis, Andretti, Regazzoni, Jabouille, Arnoux, Depailler, Laffite, Reutemann, Pironi, Ickx, Jones, Boutsen… Da mesma forma como é sacanagem falar em Toro Rosso, Manor e Force India quando já se teve Brabham, Tyrrell, Ligier, Arrows, Shadow, Alfa Romeo, Renault, até a Minardi. E, assim, que tem mais de 40 anos já está perdendo, ou já perdeu, a paciência e está em outra, não gosta nem de ver o que existe hoje, para não ficar com raiva e excesso de nostalgia.

E é aí que quer chegar. Nostalgia e saudosismo não são necessariamente ruins. Ao contrário, é algo que todo mundo tem, do jovem de 15 anos, que lembra com carinho e ternura dos desenhos que via na TV e dos brinquedos que tinha aos 5, ao senhor de 70 que olha para trás e se lembra de tanta coisa boa por que passou — muita gente, aliás, tem saudade e nostalgia inclusive de tempos que não viveu. A memória afetiva não deve ser desprezada, em resumo. Coisas, lugares, marcas, cenários, sabores, imagens, sons, tudo isso faz parte das nossas lembranças, e não há mal nenhum em revivê-las — quantas vezes, e vindo de gente de todas as idades, já ouvimos a frase “no meu tempo que era bom”?

Se a F-1 foi boa, muito boa, no passado, talvez esteja no passado a chave para que ela renasça. A assertiva pode parecer simplória, mas tem muita lógica: os jovens de 15, 20, 30 anos gostavam da F-1 antes, e eram jovens como são jovens os que têm 15, 20, 30 anos hoje; se gostavam, é porque a qualidade do espetáculo como um todo era atraente; os jovens de hoje são tão jovens quanto eram jovens os de ontem, e se não gostam de algo que a juventude sempre gostou, é porque esse algo deixou de ser atraente. Não é culpa dos jovens, se é que me entendem.

Parece confuso, não? OK, é um pouco. Relendo o que escrevi, é quase incompreensível.

O que quero dizer é que se a F-1 agradava quem tinha 20 anos antes, não há motivo para que não agrade quem tem 20 anos hoje, a não ser que o produto que está sendo entregue seja uma porcaria, muito diferente daquele do passado.

E a F-1 de hoje não tem nada a ver com a F-1 do passado. É uma porcaria. Um amontoado de bobagens do ponto de vista técnico, protagonizado por personagens anódinos que produzem um espetáculo ruim. Simples assim: o espetáculo é ruim. Perdeu todos seus atrativos: o barulho, a variedade de marcas e modelos, os cenários clássicos e históricos, as cores, os personagens, a competição. E no mundo de hoje, com tantas alternativas de diversão e entretenimento, um espetáculo ruim só gera uma coisa nos mais jovens: indiferença. Os jovens não acham a F-1 chata, desinteressante, entediante, aborrecida. Eles simplesmente não acham nada. Nem sabem que existe. Não faz parte de seu mundo. É uma abstração, como um disco de vinil ou um videocassete.

Não é muito difícil fazer uma F-1 parecida com a do passado, de forma a reativar na mente e nos corações de quarentões e cinquentões a paixão que  ela despertou neles quando eram mais novos. Se se apaixonarem de novo, dirão aos mais jovens que estão apaixonados de novo. E esses jovens podem, por que não?, se apaixonar também por algo de que apenas ouviram falar, e nunca viram de verdade.

Para isso, é preciso simplificar as coisas. Deixar de lado esses motores incompreensíveis, por exemplo. V8 aspirados de 2,4 litros e barulhentos, que tal? Toda fábrica de automóveis é capaz de fazer motores V8 aspirados de 2,4 litros e barulhentos. Qualquer uma. Não custa caro. Muito menos do que se investiu nessas unidades de força que daqui a menos de dois anos serão apenas lixo tecnológico. O som dos motores, ainda que muita gente ache que isso é uma irrelevância, não é. Escutar um motor rugindo, machucar o ouvido, tremer na arquibancada à passagem de uma Ferrari, é experiência que só quem teve sabe o que é, e não pode ser descartada. É como proibir uma torcida de gritar “gol” num estádio. Não faz sentido. Câmbio padrão, com liberdade para escolher relações de marcha. Medidas fixas de comprimento, altura e largura e peso mínimo, e a partir disso cada um faz o que bem entender. Mais de uma marca de pneus. Uso limitado de túnel de vento. Asas dianteiras e traseiras sem apêndices. Fim da asa móvel. Limite de mecânicos em pit stops. Treinos de classificação na sexta e no sábado com soma de tempos. Warm up. Sim, warm up, tinha coisa mais legal do que o treino de domingo de manhã para quem chegava cedo aos autódromos? Possibilidade de fazer testes particulares em pistas que não estão no calendário, mas com limite do número de dias por ano. Venda de chassis do ano anterior para equipes menores. Teto de gastos. Aproximação dos pilotos com o público, sessões de autógrafos, motorhomes menos herméticos e paquidérmicos que custam um absurdo, a inutilidade mais cara do planeta, fim do esquema rígido de entrevistas coletivas, mais liberdade para essa gente falar o que quiser quando quiser, ingressos mais baratos, mais corridas em países tradicionais como França, Portugal, Argentina, Holanda, Suécia, Itália, Inglaterra.

Não é complicado. Basta querer. Mas é um modelo que nada tem a ver com o atual, exige ruptura e, sobretudo, apoio daqueles que, hoje, estão por cima da carne seca e terão de abrir mão da hegemonia que impuseram aos demais — hoje é a Mercedes, mas se eu escrevesse este texto três anos atrás, seria a Red Bull; dez anos atrás, a Ferrari.

Parece muito claro que no formato que a F-1 é disputada hoje, o destino é a morte lenta e melancólica, minguando a cada dia, sendo abandonada pelos velhos fãs e incapaz de seduzir novos. Hoje, tirando aqueles que se encantaram no passado e ainda têm esperança de que os bons tempos — terrível, o clichê, mas é o que temos pra hoje — voltem, ninguém mais liga para ela.

É a indiferença o grande veneno que está matando a F-1. O antídoto está lá atrás. É só olhar no espelho.


648 comentários

  1. Paulo says:

    Flávio, sou antigo e assim ainda consigo ver boa parte de uma corrida. Com a mesma paciência de quem dormiu na arquibancada de Interlagos para ver o Pace ganhar. Entretanto, acho que vc está se esquecendo do “tédio” imposto por algumas equipes em muitos campeonatos passados. Já passamos por campeonato em que uma equipe ganhou 15 de 16 provas! Um tremendo saco, não tivessemos o Senna envolvido.
    Equipes nanicas sempre existiram. Pilotos “não tão bons” idem. Vários deles listados no seu ótimo texto.
    Acho que tem gente da FIA inventando muito. Pôe e tira reabastecimento, troca de pneu, motores 4, 6, 8 e 10 cilindros, tem turbo, não tem turbo, isso tudo é um saco. Mudanças de regulamento penalizam as equipes sem grana e aumentam muito a distancia prás equipes grandes. Talvez esta fosse uma solução. Mexer menos, estabelecer vida útil para um regulamento. Só muda de tantos em tantos anos. Dariam chance para as nanicas investirem com um horizonte mais amplo.

  2. Delano says:

    Belo texto produzido Flávio Gomes,

    A Fórmula 1 pode ser menos burocrática se realmente pretende aumentar o grid nos próximos anos, isso se não acabar.

    Segue algumas sugestões!

    1. Pode alinhar equipes novatas com apenas um carro nas duas primeiras temporadas com menor custo e maior desenvolvimento. Retornar com uma corrida extra campeonato no mês de dezembro só com os piores times da temporada com ingressos pela metade do valor das provas do campeonato e parte da renda possa ajudar estas equipes, além de poder atrair novos patrocínios.

    2. Já que tem o mundial de construtores e pilotos, que tal adotar um campeonato de motores, assim pode atrair montadoras desde que possam reduzir custos.

    3. Acabar com o sistema artificial do ‘DRS’ e fazer uma mesclagem entre pneus ranhuras com slick. Os pneus de faixas em compostos duros para todos os pilotos são utilizados através da volta do Warm up por tempo de 30 minutos no domingo na parte da manhã e são reutilizados na largada e durante a primeira parte da prova podendo trocar só quando atingir mais de 60% da performance (em caso de um furo troca-se somente o pneu danificado). Fica a tática de cada equipe para quem for fazer duas trocas utiliza-se compostos macios ou quem optar apenas em uma com um composto mais duro e duelo de duas ou até três marcas.
    As corridas ganham maior emoção e algumas surpresas dependendo das condições de cada piloto e a variação da temperatura em determinado circuito.

    4. Utilizar um motor V6 Turbo com 1200HP para durar duas corridas seguidas, mas antes será testado durante a sessão do Warm Up antes da prova de domingo junto com os pneus ranhuras, enquanto isso nos treinos livres e classificação é utilizado um motor V6 Turbo de 1000HP, mas isso só será possível caso tenha sete ou oito montadoras envolvidas no campeonato, cria boas disputas dependo da etapa.

    5. Outro detalhe que era bem legal e que poderia voltar é recepcionar os três primeiros colocados no momento do pódio com as famosas “coroas de louros” e claro manter as entrevistas após as corridas.

    Fica aí minha sugestão aos amantes da F-1.

  3. Alexandre says:

    Belo texto, mas sabemos que a F1 esta afundando nas mãos desse Bernie Ecclestone com suas baboseiras de manter os carros competitivos, não vai sobrar nem os ratos. Ficará só na história. A globo já se movimenta para deixar a categoria e logo logo é interlagos é quem pula fora. Hoje nao temos mais carros pilotados por pilotos e sim pilotos pilotados por carros. Ah, nao consegue ultrapassar, aperta o botaozinho que o carro da frente nao vai nem poder se defender. Poe essa galera pra pilotar com embreagem e cambio manual no assoalho, nao devem nem sair do lugar.

  4. Estevão says:

    O novo site da F1 ficou joinha. A sessão de vídeos está muiiiito mais simpática.
    Pode ser um começo. E que seja.

  5. marcos carvalho says:

    ´Brilhante texto Flávio!!
    Acredito que as coisas ,de fato , são assim mesmo… a F1 está iniciando o seu lento processo de extinção, graças as escolhas que seu atual “patrão” fez, a lista é extensa e já foi colocada por voçê.
    Ainda tenho esperança que depois de chegar bem perto do final uma verdadeira revolução será colocada em prática na categoria, a até lá , espero, (sem a presença do Bernie Eclestone) a F1 retornará com uma nova doutrina, desta vez voltada ao esporte,as corridas serão como antes e o talento será a peça principal , os pilotos serão os melhores dos melhores e não os mais endinheirados como atualmente, quem sabe um dia isso aconteça, até lá temos que engolir esta porcaria…

  6. Alberto says:

    Duas coisas.
    1. Você escreve bem bagarai!!!!!
    2 As diferenças das listas de equipes e pilotos de agora e antigamente quase me fez chorar…..

  7. Gustavo Gomes says:

    Desculpe, a F1 tá tao chata que nem consegui ler o post inteiro, mas mesmo assim não lembro de um assunto tão comentado em seu blog, 627 comentários até agora.
    Estive na Índia a trabalho por longos períodos em 2013 e este ano. A única coisa boa dos GP que lá ocorreu foi a construção de uma estrada de New Delhi até Agra (cidade do Taj Mahal), e no meio do caminho, no meio do nada construiram ou circuito.
    A única coisa que citam lá é a tal da estrada que podem andar a incríveis 110 km/h..

  8. tfelsky says:

    Quase não comento nenhuma reportagem que leio na Internet, mas essa merece.
    Tenho 27 anos, e quando tinha meus 4, 5, 6 anos acordava sedo para entrar embaixo da coberta do meu pai e assistir com ele a F1. Aqueles carros me enchiam os olhos. Depois meu pai passava fitas gravadas de corridas mais antigas e eu ali admirado com toda aquela F1. Por esses motivos hoje gosto de carros e principalmente os antigos. Entre meus amigos sou a pessoa fora da curva, só eu gosto de ferrugem, fico viajando sozinho cada vez que vejo um clássico ou as vezes não tão clássico assim (kkkk). Fico fascinado com cada carro de cada museu que tenho a oportunidade de visitar.
    Sou daqueles que ama o automobilismo e o automóvel e fico muito frustrado em ver a F1 como esta hoje, e sempre pensando que não pode piorar, mas cada ano eles conseguem.
    Por isso creio que a Nascar consegue ter cada vez mais fãs inclusive no Brasil, pois ela faz de tudo para o seu público, seja ele jovem, adulto ou idoso, homem ou mulher,… . Lá o piloto não se nega em dar entrevista ou reclamar de repórter pois a Nascar e eles sabem que o fã é o que move o esporte. Vale lembrar que a Nascar só possui 2 provas em circuito misto, as outras são em circuito oval, e mesmo assim é muito melhor de assistir do que a F1.
    Eles precisam abrir os olhos pois os jovens e os trintões também gastam e muito (muitos gastam o dinheiro do pai, kkkk), público esse que o próprio Bernie falou que não tem interesse.
    Abraços a todos e parabéns Flávio pela reportagem.

  9. Glauson says:

    Caramba , quando fui ver tomei um susto: mais de 600 comentários!!!
    Acho que é recorde hein, Flavio?

    Parabéns pelo post! Você mexeu num ponto nevrálgico, traduziu em palavras o fino sentimento de todos nós que amamos esse esporte. Parabéns!

  10. Ricardo Jesus says:

    Óptimo comentário. Em Portugal a situação ainda é pior, porque se quiseres ver qualquer coisa que seja relacionado com esse desporto que sempre me emocionou tenho que pagar, visto que é transmitido pela televisão em sinal fechado (Sportv). Que saudades dos domíngos à tarde a ver um Grande Prémio do Mónaco, de Imola, até de Portugal e toda a emoção das largadas, das ultapassagens no limite, etc tudo que fazia da F1 aquele espetáculo. Está na hora do senhor Eclestone se reformar e meter sangue novo para revitalizar o desporto. Mas o mesmo problema passa-se nos rali, só com 2 ou 3 marcas, sem emoções, sem luta, sem nomes como Sainz, Mcrae, Mikola, Makinen, e todos os finlandeses voadore. Estão a ficar como pão sem sal.

  11. Juggerbr says:

    Não assisto mais desde que o Massa virou putinha do Alonso. Uns cinco anos? Não me fez nenhuma falta… Só entro aqui neste blog pra ver coisas legais que o blogueiro posta. Tenho 37 e assistia todos os domingos.

  12. Leandro 440 Magnum says:

    A queda de interesse é um efeito colateral da própria politica de elitização e do avanço no sentido de dar a sensação de que este é um esporte só para quem pode comprar um Rolex ou abrir uma conta no UBS (segundo mandachuva), não para quem mora numa favela ou algo parecido, pois esporte de pobre é futebol, basquete atletismo…

    A partir do momento em que o Don Berne decidiu levar a F1 para fora da Europa, o interesse diminuiu, não por conta das corridas serem em lugares exóticos, mas porque os tradicionais foram abandonados , dando espaço para categorias que estavam em segundo ou tericeiro planos, imagina só que tem até uma divisão da NASCAR na Europa , e que a cada ano aumenta o interesse do público, os caras correm em Spa,

  13. Leonardo says:

    Fala Flavio!

    Parabéns pelo texto…. Entre suas sugestões (não sei se já falaram, poi não vou ler 600 comentários) eu incluiria a volta do reabastecimento. Carros leves e no extremo da velocidade…. isso é correr. O que estamos vendo hoje é um exercício de economia de combustível. Isso não é corrida.

  14. Henrique says:

    E se a divisão de renda fosse mais igual?

  15. JSandeo says:

    O pior de tudo isso é que parece não haver sinais de que mudanças ocorrerão num futuro próximo. A globo , naquele circo armado para a transmissão, e cortando o treino, está contribuindo também. Um lástima para nós que gostamos de fórmula 1.

  16. Antonio says:

    Depois de mais de 600 comentários, não tenho muito a dizer, senão dar os parabéns ao Flávio pelo texto que resume todo o nosso sentimento (acompanho assiduamente a F! deste 1972) com a situação atual da categoria que mais amamos.
    Assisti e trabalhei em inúmeras categorias do automobilismo e sempre digo que, não importa a velocidade que desenvolvam, corrida de carros, caminhões, carrinhos de rolimã, etc. só são interessantes quando tem um GRID recheado. Bons tempos (alguém se lembra) onde haviam 40 carros inscritos e havia até uma corrida antes dos treinos, para fazer uma pré seleção de quem iria para a qualificação, onde alguns ainda eram eliminados até sobrarem 26. Os custos exorbitantes que cobram de todos os envolvidos (equipes, países sedes, torcedores, etc.) acabou nos trazendo um grid patético na primeira prova da temporada e o cancelamento dos grande prêmio da pátria dos principais atores deste circo. Continuaremos acompanhando por teimosia.

  17. Luiz Pupim says:

    Tenho 53 anos e já vi coisa muito pior do que agora, por exemplo nós anos 2000 quando aquele enganador do Machael Schumacher, ganhavava todos os campeonatos .. Aquilo sim era ridículo e monotono, foi ali que a F1 acabou. Esse ano ainda vou ver Montreal e São Paulo ao vivo por causa do Naser.

  18. Farid Salim Junior says:

    Ótimo comentário! Traduz tudo o que nós, pilotos de poltrona nos domingos de corridas desde a era Fittipaldi, sentimos hoje! Antes, ficava aquela fissura de aguardar o despertador para ver GPs na madrugada. Hoje, melhor continuar dormindo… Desperta quem é viciado e sonha com dias melhores, que não chegam…
    Você só esqueceu de comentar sobre essas novas pistas do Tilk – umas bostas de traçado, apesar da estrutura de conforto.
    Se pudesse, sugeriria a criação de uma Fórmula 1 “vintage”. Com características dos carros dos anos 70, 80 e até dos 90, com a segurança de hoje. Apenas a segurança. Deixemos a tecnologia futurista um pouco de lado, para que a emoção que move a categoria volte. Que sejam reduzidos os limites de gastos, democratizando a categoria. Ingressos mais em conta. Cotas de patrocínio limitadas, Como na Fórmula Indy, permitir que cada carro – e não cada equipe – tenha seu próprio patrocinador. Aproximar os pilotos do público…. Enfim, democratizar a categoria. às vezes, o mais simples é o mais indicado. Muitas vezes, a boa e gostosa broa de fubá é mais bem vinda aos olhos e ao paladar do que uma torta cheia de recheios e coberturas exóticas e caras. Como gostaria de conversar com o Bernie!!!…Ah! Se pudesse…

  19. Lucas Ribeiro says:

    Belo Post ! Tenho 24 anos, sou fã de esporte no geral, incluo automobilismo nos meus esportes favoritos. Hoje assitir a F-E é melhor do que assitir F-1, simplesmente por a corrida ser mais divertida ! A corrida de F-1 é chata, alías tirando uns 2,3 anos, os ultimos 15 anos de f-1 é chato ! A F-1 precisa voltar a ter 26 carros, pilotos de varios paises, acabar com essa historia de piloto pagante ! Precisa aumentar a premiação por posição para equipe querer melhores pilotos, ter piloto bom precisa ser rentavel a equipe. Concordo em 99% do que você escreveu.
    Hoje a F-1 tem um Câncer, que é muito facíl de detectar, até esse cancer morrer a F-1 vai estar em decâdencia !

  20. Rodrigo Moraes says:

    Olha, eu penso num regulamento ainda menos restritivo. Tipo, vocês têm 100 litros de gasolina pra fazer os 300 km da corrida. Virem-se! Aí isso poderia trazer progressos pra indústria automobilística, pois se tem tecnologia pra rodar a 300 km/h percorrendo 3 km/L, rodaria uns 30 km/L a 100 km/h.

    • Lukas says:

      Idéia boa essa.

    • Al says:

      Era exatamente isso que eu ia dizer…
      Dá 100L de gasolina padrão pro cara e ele se vira. Se quiser um bicilíndrico de 3L 2T, ou um V12 2.4 turbo com kers, problema pra ele resolver. Cada fabricante tem uma tradição, um caminho técnico que quer demonstrar como o melhor. Tem quem opte pelo downsizing, outros por kers. Há quem ache que tração nas 4 é melhor. Só teria de haver uma compatibilidade dimensional por razões de segurança.
      Tem fabricante que é bom de testes em pistas, outro desenvolveu muito seu túnel de vento, outro tem o CFD mais representativo. Essa conversinha de cortar custos reduzindo testes só está forçando os desenvolvedores a seguir por um caminho só.
      E outra coisa… era bacana quando um carro começava o ano uma draga e os caras viravam noite e na segunda metade do campeonato estavam arrepiando. Essa coisa de homologar as partes e não poder mexer não é competição. Quem não tem recursos fica para trás. As equipes tem que gastar muito dinheiro desenvolvendo as melhores soluções, com liberdade, e não gastando milhões para melhorias mínimas e soluções limitadas em um regulamento técnico ultra restritivo.
      Custos são um problema, mas arrisco dizer que o maior problema da F1 hoje não é o alto custo, mas o baixo benefício.

  21. Eduardo says:

    FG,

    Parabéns! Excelente crítica, memorável nos detalhes do passado e na melancolia do espetáculo presente.
    Não admira que eu tenha a abandonado pela MotoGP, essa sim um espetáculo invejável nas pistas – 15 carros na F1 e 25 motos na GP…..e ainda falta a Kawasaki voltar…
    O “Berne” Ecclestone que se vire no seu caixão automobilístico!
    Abraços

  22. Fabio Tust says:

    Muito boa a análise e o caminho para a solução Gomes! Gostaria de saber o que acham os outros jornalistas bons, do Brasil e de outros países, também apaixonados pela F1. Tu tens contatos com várias pessoas deste meio, vocês conversam sobre isso. A insatisfação é geral também? Vocês discutem sobre o que poderia ser feito?
    Eu acho triste o fim de um esporte do qual eu gosto tanto.
    Vi a corrida da Austrália, mas devo passar as próximas noturnas. O foda é notar que fãs d e F1 viraram nicho. Ninguém fala sobre. E quando falam não sabem os nomes dos pilotos, pistas, nada. É como tu mesmo resumiu: as pessoas não acham F1 ruim, elas simplesmente não acham…
    Eu ouvi falar uma vez que o baseball passa por algo assim nos EUA: Regras complicadas, partidas longas, não renovaram a base de fãs, pois os jovens não tem paciência para assistir aos jogos e entender as regras. Assim o número de torcedores tende a diminuir conforme as gerações forem passando e pode se extinguir no futuro.
    Penso que é para onde a F1 vai, mas não merecia.

  23. Luiz Magina says:

    Fantástico texto Flavio !
    Tomei a liberdade de compartilhar no facebook.
    Essa crítica merece ser lida por todos que viram a F1 de SennaxProst e PiquetxMansell pra trás !!

  24. Miguel Direito says:

    Grande texto. Toda a razão. Acontece que hoje existe uma multiplicidade de atrações para os jovens e penso que o mundo automóvel deixou de ser visto como o vértice tecnológico, deixando de ter a áurea e brilho que tinha até 2000. A própria TV já não manda sozinha. Mas, tendo eu 44 anos, não posso deixar de pensar que os tempos dos Ligier, brabham, tyrrell, Lotus, Ensing, Toleman, Arrows, etc são irrepetíveis
    O colorido, os patrocínios, os circuitos, a confusão nervosa das partidas, os “pilotos Homens”, de bigode e com 30 anos de média- e não garotos, o barulho, as pré-qualificações, etc. tudo era essencial, e acabou de vez. Quando, por algum motivo financeiro, acabarem com o GP de SPA, MONZA, Japão ou Mónaco, desligo de vez,

  25. Danilo A. says:

    A F1 piorou e o mundo mudou. Essa porra não tinha como ser legal pra sempre.

  26. Leandro Ribeiro says:

    613 comentários, como não falar algo que alguém já tenha falado? Sempre leio o blog, todos os dias e não é clichê, realmente leio todos os dias na hora do meu almoço.

    Não fórmula para o sucesso, o que impressionava antes, não impressiona mais. Antigamente um disquete de 5 1/4″ era algo maravilhoso, hoje em dia meu filho de 12 fica rindo.

    A vida progrediu e o consumidor tb, as necessidades são outras, os anseios são outros. Mas se tratando de carros, há quem babe em um camaro novo (principalmente meu filho de 12 anos), daí eu mostro para ele o “verdadeiro” camaro, da década de 70. Ele ri e me diz: “mas esse não está no trasformers”. Balanço a cabeça de forma negativa e saio de perto enquanto ele joga o XBOX ONE.

    Hoje a tecnologia tem necessidade de fazer presente nos carros da F1, mas meu filho de 12 só vai passar a gostar de F1, se o pai dele de quase 40 o chamar para assistir ao lado dele. Assim como o meu pai fazia comigo. Quantas madrugadas meu pai me chamava e falava: “filho a largada e em 5minutos! Levanta”. E assim eu vi as lutas de Senna e Prost. Ali me apaixonei, ali pensei que não perderia mais nenhuma corrida e que eu faria o mesmo com o meu filho.

    Os carros atuais foram criados para que o piloto tire o máximo dele. Antigamente era o contrário. o Piloto era criado para tirar o máximo do carro. Hoje o limite não é o piloto, mas o carro. Antes o piloto era o limite. Vejam o filme Rush com disputa entre James Hunt e Niki Lauda… tentaram implantar uma rivalidade entre Rosberg e Hamilton, coisa mais falsa impossível.

    Quero me apaixonar de novo, quero chamar meu filho para sentar ao meu lado e ver comigo. Mas hoje em dia eu vejo pq não tem mais nada para se ver na televisão no domingo de manhã, mas acordar de madrugada, não, obrigado!

  27. Marcos says:

    Turfe… simplesmente e futuramente será como um turfe, que já foi a F 1 dos séculos passados.

  28. Rodrigo says:

    A F1 tinha v8 aspirados quando Schumacher começou a ganhar tudo e quase todo mundo no Brasil desanimou com F1. Não é só barulho. Mas também não quer dizer que é só o fato de alguém ganhar tudo que gera desinteresse. Como corinthiano (e vc mais ainda como lusitano) sei bem que um time pode ficar anos sem vencer e ainda assim despertar paixões. Mas veja bem, Flavio, o mundo mudou BASTANTE e a indústria do entretenimento mudou mais ainda! As máquinas dos anos 70 e 80 eram assombrosas não só pelo barulho, pela velocidade e pelo perigo, mas sobretudo também por fascinar um público que não tinha as milhões de outras coisas para assisitir não apenas na TV, mas em aparelhos que se carrega no bolso. E se tinham opções como praias, picnics e viagens, ainda assim corridas eram questões e acontecimentos grandiosos, localmente, e sua conexão com o mundo era pelo fascínio de uma geopolítica mundial conturbada, mas com divisões muito claras: o fascínio de europeus por corridas em repúblicas como Brasil e México e por outro lado o fascínio dos ocidentais por corridas em lugares como a Hungria. A F1 era ponta de lança de uma mundialização capitalista, levando suas marcas de gasolineras, cigarros, relógios e champanhes com seus jovens heróis ingleses, astutos franceses ou apaixonados italianos. F1 era relevante em um mundo que tinha dois lados e disputava em tudo, principalmente no esporte e no entretenimento. Era o mundo da grande aceleração do capitalismo.

    Hoje, a F1 não serve a nenhum propósito maior. Não é suficientemente ecológica para levantar essa bandeira. Não é suficientemente inovadora e relevante para questões atuais da vida das pessoas. Sua relevância geopolítica é agradar e servir de palanque para governantes de caráter duvidoso de países periféricos que deveriam estar gastando dinheiro melhor em outras coisas. E recebemos imagens e nos conectamos com esse mundo complicado de milhares de outras formas, muito mais relevantes que a F1. Ela não nos apresenta mais o mundo através do esporte. E um esporte que não extrapola seus limites vira apenas um jogo, uma partida de cartas qualquer.

    Não há nada mais desinteressante para qualquer jovem, de qualquer época, que se sentir alienado do mundo. Jovens querem fazer parte do mundo, descobrir o mundo. Hoje, a F1 é um negócio de uns poucos alienados: tarados por luxo ou fama, tarados por aerodinâmica, tarados por marketing, tarados por acidentes. Eles e os saudosistas de tempos melhores que assistem como quem assistia a um episódio de casseta & planeta em seus últimos anos, esperando por brilharecos do passado, mas em geral, dormindo em frente a tv e não achando graça nenhuma.

    • Eduardo says:

      Resumiu bem o que penso, acredito que automobilismo como um todo já não exerce o fascínio de anos atrás, quando o ápice da tecnologia estava em carros e aviões (tecnologia à que o público podia ter contato mais imediato).

      Hoje há inúmeras inovações tecnológicas todos os dias em diversas áreas, os jovens estão acostumados a dirigir a ação (vídeo games), não a ficar hora e meia contemplando uma ‘carreata’, um carro atrás do outro como se tem visto.

      E mesmo nos vídeo games, os de corrida estão entre os menos vendidos, a não ser que envolvam violência etc (Gran Turismo, por ex).

  29. Para o Velho Gagá do Bernie Ecclestone Presidente da FOM e da FOA que de certa forma se sente dono da F1 isso nunca vai acontecer dessa categoria dar uma olhada pra trás.

  30. Paiva says:

    O seu texto disse tudo. Antes o piloto podia usar o pneu como bem entendia;fazia parte do espetáculo. Li há alguns anos na F1 Racing que Bernie Eclestone estava ouvindo fãs durante a elaboração de algumas regras,principalmente no final de 2008.Entretanto é fácil concluir que ao invés do Bernie ouvir fãs de verdade, ele ouviu um bando de nerds bronheiros.

  31. Clayton Moura Belo says:

    No post de domingo, F.G., eu pedi que você ajudasse a salvar o mundo (nosso mundo). Obrigado! Eu só gostaria que este post fosse parar nas mãos de alguém ligado à FIA. Além disso, acho que este post bateu o recorde de comentários (e olha que não estamos falando do “dèrriere” da Kim kardashian). Parabéns, FG

  32. Ariel says:

    Parabens FG, ótimo texto, falou e disse tudo. Se tivesse um pouco de boa vontade (basta isso) já resolveria muita coisa e, se não quiserem mudar nada, façam o que voce sugeriu em uma oportunidade passada. Acabar com comunicação com o box, é piloto, maquina e, como diria Nick Lauda no filme Rush, que ganhe quem tiver a melhor bunda!

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