FUTURO SOMBRIO

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[bannergoogle]SÃO PAULO (não quero ver isso) – Outro dia falamos aqui da Roborace. O pessoal da Fórmula E pretende colocar os carros sem piloto na pista ainda neste ano. Por enquanto, só exibição. Mas a ideia é criar um campeonato em breve, muito breve.

OK. É o futuro, talvez. Um carro sem motorista, guiado pelo Waze ou pelo Google, cheio de sensores, câmeras, com WiFi, telas de led, conexões USB, essas merdas todas. A gente chama pelo celular. Entra, diz para onde vai, e o carro vai. Cobra no cartão. Se tiver alguém junto, divide a conta.

Só que isso pode acabar com as corridas de verdade. A opinião, mais do que pertinente, é de Lucas di Grassi. Para ele, na medida em que as pessoas vão deixar de dirigir, obviamente o interesse por competições em que pessoas dirigem não existirá. Corrida de carro vai ser algo tão excêntrico e extemporâneo como, por exemplo, o venatio ou arco e flecha com uma maçã na cabeça do incauto como alvo.

Faz todo sentido. Não há mais bestiários enfrentando feras em anfiteatros romanos, nem quem se disponha a levar uma seta no meio da testa à guisa de competição. Cada época tem a modalidade que merece. Sem motoristas na vida cotidiana, a tendência é que qualquer esporte que deles faça uso tenda à extinção.

Lucas também critica o excesso de tecnologia nas categorias de ponta que, a cada dia que passa, tira dos pilotos a autonomia para controlar seus carros. O piloto não pode se tornar irrelevante, diz o brasileiro que, neste fim de semana, decide o título da Fórmula E em Londres.

De novo, está coberto de razão.

robocar

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

24 Comentários

  • Acho que o automobilismo precisa se fazer uma pergunta essencial neste momento para o seu futuro: para que serve?

    A origem do esporte remonta aos testes de fábrica, que precisavam saber se aquele negócio novo conseguia andar, e o quanto. Daí surgiram não somente as corridas, mas um conceito de liberdade, juventude e status de poder para quem possui e guia um automóvel. Acontece que o mundo mudou, e as montadoras entupiram as cidades de automóveis particulares até não caber mais, e estão no topo da exploração do capitalismo, onde o rico fica mais rico e o pobre mais pobre.

    Assim, gradativamente o esporte foi ficando com cada vez menos adeptos. Porém, a paixão por guiar algo em alta velocidade vai existir sempre, seja lá um rolimã, um kart, um carro elétrico. Mas se não há mais a pertinência de colocar a tecnologia das competições nas ruas, mas ainda assim existe a paixão, e a necessidade de se locomover – para que serve o esporte? Qual sua real função?

    Vejo como algo muito positivo os carros elétricos. Isso pode colocar cada coisa em seu lugar – o que é esporte e o que é se deslocar dentro das cidades.

  • Não vejo o Roborace como uma “ameaça” ao automobilismo. Pessoal às vezes viaja nas paranoias…
    Arco e flecha e hipismo existem como esporte, mesmo após séculos de obsolescência na vida quotidiana. Daqui a 100, 200, 300 anos (se a humanidade ainda existir), teremos pessoas guiando carros na pista. Talvez seja uma modalidade menos massificada e mais “cult”, mas existirá.
    Outra coisa: adianta lutar contra as mudanças de paradigma? Vamos lutar contra a energia elétrica, porque era melhor quando as pessoas se reuniam ao redor da fogueira para contar histórias de batalhas passadas? Ou lutar contra a impressão, pois os livros eram mais exclusivos e valorizados quando eram escritos à mão?
    Relaxem. O automobilismo não vai acabar tão cedo.

  • Também acho muito bom a vinda dos veículos autônomos, embora dirigir possa ser algo lúdico e ainda vai continuar a ser, na real é que vai ser ótimo ter veículos de transporte de carga e passageiros como caminhões, motos e ônibus sem gente se matando sob efeito de rebites ou com problemas pessoais enquanto dirige.

  • Acabei de assistir a este vídeo da Jaguar, em que eles simulam um simulador, mas levam as pessoas em um test drive real.

    https://youtu.be/_zpx0Eb1Tvo

    Eu gosto de jogos de corrida. Estou muito curioso para jogar Gran Turismo Sport e ver como ele vai funcionar. Sei que os jogos de corrida são muito limitados. Mesmo apenas dirigindo no trânsito, sem ter experiência com carros de corrida, é claro que nos jogos falta a noção de peso do carro, aceleração e frenagem; por isso, não consigo jogar com câmbio manual. Além da noção de risco também.

    Acho muito difícil, em um jogo, mesmo com capacete de realidade virtual como os propostos atualmente, que alguém se desligue de tal maneira que pense que aquilo é real.

    • Mickey e FG, valeu pelo vídeo da Jaguar!
      Com o perdão do palavrão, mas putaqueopariu! Pensar em corrida de robôs é tão emocionante quanto a “Robocup”, copa do mundo de futebol para robôs.
      Eu não teria a manha de ser piloto, mas, putz, como admiro esses caras!
      Há muito mais em corridas de automóveis do que máquinas, assim como há muito mais em jogos de futebol do que “caras correndo atrás de uma bola”.
      Imagino que a F-E esteja tentando seguir a ideia inversa da agora cada vez menos popular F1: tecnologia. Mas a gente curte mesmo é quando pinta uma chuva e uma Manor entra no Q2 e uma McLaren nova larga em 3º.
      Assim como torcemos mesmo é pelo Leicester e pela Islândia.

  • Quem vai pagar para assistir corrida de autorama na tv ou nos circuitos/pistas?
    É preferível jogar um video game, “pilotando” com um joystick num desses games super realistas-virtuais de F1, Wec, etc, em casa ou pela internet com um irmão ou amigo, do que pagar ou ficar na tv vendo uma bando de caras brincando de autorama de “tamanho real”. Seguro como uma corrida de automóveis sem pilotos, só que muito menos tedioso e mais interativo.
    Seria o cúmulo da chatice..
    Idéia que nasce morta. Pra falar a verdade, num mundo onde o marketing e o $$$ são os “governantes” que ditam as regras no esporte, essa idéia é uma burrice.
    Se não tem piloto dentro do carro, não tem coragem, não tem ousadia, NÃO TEM ÍDOLO. NÃO TEM HERÓI.
    Não vai dar certo.

  • Eu realmente acho que isso vai acontecer. E mais rápido do que imaginamos. O cerco tem se fechado e é bem nítida a mudança de comportamento/percepção a respeito dos veículos. Eles se tornarão aplicativos. Note o interesse cada vez menor dos jovens em corridas, motores e afins. Ainda desejam o veículo, em sí, por status, mas é um fenômeno normal no terceiro mundo e se conseguirmos avançar, esse desejo vai arrefecer, como na Europa.

    Países já se mobilizam pra colocar fim no motor a combustão… Carros elétricos cheios de frufru cada vez mais desejados…

    Eu me recuso, resisto,
    Mas que isso vai acontecer, vai. Seremos peças de museu, lunáticos, atrasados.

    Até escrevi isso na minha página, tempos atrás, motivado por alguma notícia dessas.

    “Nós, somos espécies ameaçadas. Eu e você.
    Nós, amantes da velocidade, devotos da potência, performance e barulho. Caia fora, nos dizem, e leve seu motor poluente com você. Tempos difíceis esses: Carros lentos, preguiçosos, autônomos e sem graça.
    Não teremos nosso lugar nessa era de segurança, de consumismo, onde as coisas tem obsolescência programada.
    A realidade é que a praticidade já substituiu a adrenalina e a medida de KM/l é mais importante que a de peso/potência.
    As evidências dessa extinção estão por toda parte. Fomos espremidos, jogados pra fora e caçados em cada curva. Mas estamos por aqui. Vamos andar nas nossas máquinas de qualquer forma. Se construíram um condomínio no nosso autódromo, nós nos mudaremos pra sua rua. E acredite, nós não vamos parar.”

    Acho que é isso.

  • Com a tecnologia não se tem volta, esta é a verdade ! Acredito sim que teremos corridas com carros sem pilotos ! O que vale é o interesse comercial e a propaganda, acredito que terá quem assista sim ! Eu não estou nem ai ! Se eu ainda estiver aqui, vou dar é risadas com as batidas e capotagens , como em todo joguinho de computador ! O que realmente me interessa, como apaixonado por automobilismo, e que sejam disponibilizadas cada vez mais videos , de preferencia de provas na integra, dos anos 60 e 70, Formula 1 , Sport Protótipos e demais categorias ! O resto francamente me dá sono !

  • Respeito as opiniões, mas não acho que esses tipos de inovações tecnológicas vão “matar” o automobilismo. Digo isso tomando como exemplo as competições que se baseiam no conjunto homem/cavalo, onde mesmo mais de um século após a invenção e popularização dos carros, ainda vemos o hipismo como esporte olímpico e o turfe fazendo relativo sucesso entre seus entusiastas.

    Mas vamos ver o que o futuro aguarda… (pessoalmente, torço para que o “pior caso” seja corridas com carros não tripulados mas com um piloto pilotando o carro via “controle remoto”…)

  • no futuro, as competições automobilisticas serão como as provas de hipismo. Numa palavra, ocupação para rico excentrico.
    A competição vai ser fazer baliza, parar na faixa de pedestre, trocar pneu. Se o carro queimar uma vela ou estragar o carburador, tem de ser sacrificado.
    E a competição virtual pega sim. É só imaginar o quão perto e rápido os carros sem piloto vão correr, sem o risco de matar o piloto. Deixa circular o primieiro vídeo de trinta carros capotando sem consequências em vida humanas e um monte de gente assiste no fim de semana seguinte.

  • Calma Flávio
    Há dezenas de competições “insanas e desnecessárias” que nos remete a idade da pedra que nem toda tecnologia do mundo as fará terminar.
    O Polo é uma delas, visto que o sacrifício maior é de um animal, não faz sentido.
    Aliás, corridas com animais temos por todo o planeta e por mais que haja automóveis, bicicletas ou motos, ainda são muito populares.
    Assim como autorama temos dezenas de carrinhos por controle remoto e deve haver muitas competições, nem por isso sequer o kart deixou de existir.
    Aliás, como o mundo virtual cada vez mais presentes em nossas vidas, talvez faça até mais sentido que carros por controle remoto ou programados por computadores.
    De qualquer forma será interessante ver uma máquina “autônoma” numa competição.
    São milhões de variáveis para prever, difícil saber se conseguirão.

  • Flávio, acho que nessa vc “viajou na maionese” …..se esse presságio do lucas tivesse algum fundo de verdade então me diga onde e quando corridas de autorama criaram alguma grande empolgação em qualquer lugar do mundo!!??? nós humanos não abrimos mão da possibilidade de “ver sangue” seja concretamente seja metafóricamente e seja lá em que atividade esportiva for….se hoje não temos gladiadores em teatros romanos temos lutadores de MMA se estraçalhando em seus octógonos……( em muitas lutas clandestinas mundo afora a morte de um dos oponentes é a unica condição para que a luta termine e o vencedor ganhe seu prêmio e quando isso acontece a platéia entra em verdadeiro êxtase….) é a possibilidade de “ver sangue” ( volto a dizer “concreta ou metafóricamente”) o que dá tesão ao público de qualquer esporte……..Apresento-lhe flávio, o que acostumamos a chamar de seres humanos e não há luz no final do túnel……

      • acho que você diz isso pq não deve ter entendido muito bem minhas colocações …..mas…sem problemas o que importa é que aquilo que escrevi foi em resposta ao texto do Flávio e se ele fez sentido para o Flávio e pra mais alguém já valeu a pena ter escrito…..

  • Essa é também a tese que defendo há muitos anos! A evolução tecnológica nos automóveis acabará por extinguir os desportos motorizados ou, no mínimo, transformá-los em eventos residuais e com pouco significado, tal como as actuais competições de carros antigos e clássicos.

    Os carros autónomos serão inevitavelmente muito melhores “condutores” do que qualquer humano, podendo guiar no limite durante as voltas que for necessário sem qualquer fadiga. Mesmo assim seria interessante um campeonato com carros guiados por humanos contra carros autónomos, mas a luta seria desigual.

    A tecnologia actual já permitiria uma Fórmula 1 sem piloto, hoje em dia torna-se claro que os desportos motorizados são um fenómeno transitório,

  • Que bosta! Eu que não iria acompanhar isso… qual a graça de torcer sem um competidor real envolvido? Até competição de vídeo game terá mais graça.

    E sobre o comentário de Lucas, lembro de uma declaração do Nelsinho por aí, que na NASCAR, tentam usar o mínimo de tecnologia possível, até para haver, também, alguma empatia entre público e máquina na pista.

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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