PRECIPITESTES (3)

Os tempos do último dia da pré-temporada: Red Bull na frente

SÃO PAULO (façam um print) – Antes de analisar equipe por equipe com a habitual sobriedade, anotem aí as conclusões finais após três dias de testes no Bahrein. “Ah, foi só pré-temporada, você está chutando, isso tudo aí é precipitado, é cedo demais, tem 23 corridas, não dá pra fazer previsões, nunca mais venho aqui ler este blog!”. Tá legal, eu aceito o argumento. Mas não me altere o estilo tanto assim. Acho que a rapaziada está sentindo a falta de um colunista que assuma o que pensa. Sem preconceito ou mania de passado, sem querer ficar do lado de quem não quer arriscar.

Verstappen será tricampeão. Sem muita dificuldade. Não sei se ganha as 15 corridas do ano passado, foi algo um pouco fora da curva, 68% do total. Mas considerando o companheiro que tem na Red Bull, pode ser. A Mercedes, no fim das contas, vai terminar na frente da Ferrari, mas longe da ponta. E a Aston Martin, graças a Alonso, fechará o ano em quarto. Alpine e McLaren vão brigar no mesmo patamar da Alfa Romeo e os papaias ficarão atrás das duas. Williams, Haas e AlphaTauri lutarão para não ficar na lanterna. Mas a ordem será exatamente essa. Se houver uma surpresa aqui, é a Williams na frente da McLaren — o grande fiasco da pré-temporada.

Além dos pilotos das três grandes, o único com chance de beliscar alguns pódios será Alonso. Mas vou apostar numa única zebra: Bottas entre os três primeiros em um GP maluco — sempre tem um. Sargeant será o melhor estreante do ano, melhor que Piastri, que vai se perder no caos da McLaren.

Vamos começar?

RED BULL (133 voltas/Pérez P1) – Hoje só Pérez andou. E a equipe permitiu que ele usasse pneus que viram tempo, diferentemente de ontem. “Vai, anda e não enche!”, disse Christian Horner quando o encontrou o café da manhã chorando diante de um iogurte com granola. “Mas não gasta tudo!” É bom lembrar que a Pirelli calculou em 1s a perda de tempo por volta entre os pneus macios e os médios no pico de performance. O melhor tempo da semana foi registrado hoje pelo mexicano: 1min30s305. Um pouco melhor que a pole do ano passado no Bahrein, de Leclerc, 1min30s558. A Red Bull partiu de uma base excelente, que ganhou 17 das 22 corridas de 2022. Assim, não precisou mudar nada radicalmente em seu carro. Não faria sentido. Uma coisinha aqui, outra ali, e Adrian Newey entregou um projeto vencedor, mais um. Nenhum problema técnico foi registrado nos três dias. É o time a ser batido, como se diz. E ninguém vai bater, ainda que a Red Bull tenha menos tempo de túnel de vento para desenvolver o RB19, punida por ter estourado o teto de gastos de 2021. Sempre faz falta, mas quando o carro é bom, o melhor a fazer é nem mexer. Deixa o túnel de vento lá desligado e arruma apenas alguém para fazer faxina uma vez por semana.

Sainz na pista, Leclerc observa: nada impressionante

FERRARI (142 voltas/Leclerc P4, Sainz P5) – A impressão que a Ferrari passou nesses três dias foi de que andou para trás. Não muito, mas um pouquinho. Porque, no ano passado, começou a temporada batendo de frente com a Red Bull. E, agora, não parece em condições de arranhar o favoritismo rubro-taurino ao menos nas três primeiras provas do ano, a saber: Bahrein (5 de março), Arábia Saudita (19 de março) e Austrália (2 de abril). Eu continuo achando a dupla do time italiano pouco luminosa. Leclerc é muito bom de classificação, mas às vezes fica apagado em algumas corridas. Sainz é OK, mas ser só OK é pouco para uma equipe que sempre briga para ser campeã — ou pelo menos acha que briga. A chegada de Frédéric Vasseur só fará algum efeito daqui a alguns meses. Precisa tempo para treinar, diríamos no futebol. O fato é que a pré-temporada ferrarista foi muito sem graça. Pode até começar o ano na frente da Mercedes. Mas termina atrás. No fim do dia, Leclerc ligou para Mattia Binotto e se queixou que o carro é mais rápido nas retas, mas mais lento nas curvas. “Foda-se”, respondeu o ex-chefe.

MERCEDES (148 voltas/Hamilton P2, Russell P8) – Assisti a uma entrevista de Hamilton à F1TV e olha… Um ânimo igual ao de quem tem de ficar em jejum por 12 horas para fazer um exame de sangue às 6 da manhã do dia seguinte. Piloto percebe logo quando um carro é bom. Lembro que Jenson Button, em 2009, depois de meia dúzia de voltas com a Brawn, não conseguia nem tirar o capacete porque deslocou o maxilar de tanto rir. Por enquanto, a única coisa positiva dos carros pretos-cor-de-fibra-de-carbono é que não pulam mais nas retas, como na primeira metade da temporada passada. Mas isso já tinha sido resolvido, mesmo. “Estamos longe da Red Bull e talvez atrás da Ferrari”, disse Lewis. Ele até que fez um bom resultado hoje, segundo colocado. Mas quando se olha o cronômetro… 0s359 atrás de Pérez. DE PÉREZ. E com pneus C5, os mais macios do lote tirando o inútil (C5) com parênteses, que não dura nada. Não é lá muito animador. A Mercedes tem capacidade de melhorar seu carro, como mostrou em 2022. Começou o ano arrebentando a coluna de seus pilotos de tanto que saltava e terminou com uma vitória em Interlagos. Mas continua, pelo jeito, com um carro imprevisível. Torcedores do time alemão, não se iludam. Vai ser parecido com o ano passado.

ALPINE (132 voltas/Gasly P12, Ocon P14) – Juro que não sei o que dizer da Alpine. “Queremos terminar em quarto, mas mais perto dos três primeiros”, prometeu Otmar Szafnauer no lançamento do carro. A chance é zero. Vai ter crise rapidinho, porque os dois pilotos são reclamões. Onde erraram? Provavelmente, em tudo. A equipe promete atualizações para a primeira corrida do ano. E nem começou o ano.

McLAREN (81 voltas/Norris P11, Piastri P16) – Juntos, Norris e Piastri deram apenas 81 voltas hoje. O carro ficou um tempão parado nos boxes com problemas ainda não explicados — sempre é bom aguardar as informações oficiais. Até agora, é a grande decepção da pré-temporada. O carro não anda nada e aparenta não ser muito confiável.

ALFA ROMEO (131 voltas/Bottas P3) – Ontem só Zhou andou, hoje foi a vez de Bottas. Ontem Zhou ficou em primeiro, hoje Bottas foi o terceiro. É um começo animador para a Alfa Romeo. No ano passado foi mais ou menos assim, com a equipe pontuando com frequência para, a partir da metade do campeonato, despencar na performance e na classificação. Ainda assim, salvou um sexto lugar entre os construtores. Se não entrar em ritmo de fim de feira, porque a marca Alfa Romeo deixa o Mundial no fim do ano, pode fazer uma temporada decente. E tudo indica que a Sauber, que toca a operação, está animadinha com a chegada da Audi.

ASTON MARTIN (157 voltas/Alonso P9, Drugovich P10) – A primeira coisa a dizer é que Drugovich fez muito bem seu trabalho e está pronto para correr no Bahrein caso Stroll não se recupere das fraturas nos dois punhos depois de cair de bicicleta no começo da semana. Teve até de passar por cirurgia. Acho que não corre, e não fará nenhum sentido a Aston Martin recorrer a Vandoorne para ser seu substituto. Felipe teve a chance de andar com o carro, está muito mais preparado. Fez uma boa quilometragem, não cometeu erros, cumpriu suas obrigações, registrou bons tempos e, se for para a corrida, que agarre a chance. Porque terá nas mãos um carro que facilmente chega entre os dez primeiros. Se bobear, entre os cinco. A Aston Martin é, claramente, a equipe que mais melhorou em relação ao ano passado. Foi a sensação da pré-temporada. Alonso está nas nuvens. Temos um novo “player” no grid. E vou dizer: neste momento, é melhor para o time ter Drugovich no carro do que Stroll. O filho do dono, se voltar, estará baleado. E sem nenhuma referência do carro novo.

HAAS (171 voltas/Magnussen P7, Hülkenberg P15) – A Haas foi o time que mais andou no último dia de testes, o que é excelente para começo de temporada, quando os problemas de confiabilidade de equipamento costumam acometer quase todo mundo. Nessas horas, terminar corridas já é um grande passo para pontuar. Lembrem de Magnussen na abertura do campeonato do ano passado… Ficou em quinto, uma façanha inaudita. Hoje, o dinamarquês terminou o dia numa posição bem interessante, o sétimo lugar. A Haas tem de aproveitar as primeiras provas do ano para arrancar pontos em qualquer oportunidade. Acho que vai conseguir, ainda que não se deva esperar por milagres.

ALPHATAURI (166 voltas/Tsunoda P6, De Vries P17) – Incompreensíveis os tempos de De Vries, ainda que ele tenha se dedicado apenas a “long runs” e simulações de corrida. Vejam lá: 87 voltas, a melhor 7s939 pior que o tempo de Pérez com pneus macios e tanque vazio. OK, dá diferença, mas quase oito segundos? Tsunoda foi bem melhor e terminou em sexto. A AlphaTauri vive dias esquisitos e terei de me estender aqui. A imprensa alemã afirma que depois da morte de Dietrich Mateschitz, seu fundador, a Red Bull mudou o rumo de seus negócios. O novo CEO, Oliver Mintzlaff, deixou escapar que a operação da AlphaTauri dá prejuízo e não faz mais sentido. Com o teto de gastos, ao fim da temporada o time é mais caro para a empresa de energéticos do que a equipe principal. Isso porque a Red Bull Racing enche o rabo com dinheiro de premiação/pontuação. A AlphaTauri, não. E ambas gastam, teoricamente, o mesmo — os salários de algumas figuras como Verstappen, Horner e Newey não entram nessa conta. Há um diagnóstico que aponta um problema sério. Parte da operação da AlphaTauri está em Faenza, na Itália — onde fica a fábrica. Outra parte, em Bicester, Inglaterra — setor de aerodinâmica. É caro manter as duas estruturas. Outra: a grife de roupas AlphaTauri não colou e é bem provável que a empresa se concentre em vender energéticos e deixe de lado camisetas e moletons. Agora, das duas uma: ou muda tudo para a Inglaterra, perto da Red Bull principal, ou vende a equipe. Já há fortes candidatos, inclusive. Um deles, a Andretti Global — mais uma chance de entrar na F-1 sem ter de montar nada do zero absoluto. Outro, o bilionário indiano dono da Mumbai Falcons, equipe que corre na F-3 Asiática e tem parceria com a Prema. O terceiro pretendente seria a Hitech, equipe ligada à Red Bull na F-2, que contará neste ano com dois pilotos da academia de jovens rubro-taurinos, o francês Isack Hadjar (dizem que é muito bom) e o americano Jak Crawford. A Hitech tem conexões com dinheiristas de Dubai. Tabela FIPE para a AlphaTauri: US$ 700 milhões. Quem pagar leva.

Albon: bons resultados

WILLIAMS (136 voltas/Albon P13) – Para fechar, a Williams. Tem a dupla considerada a mais fraca do ano, mas fez um trabalho honesto nos três dias. Acho que escapa da lanterna. Mas vamos aguardar.

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FOTO DO DIA

Daniel Perrenaud mandou a dica nos comentários… Bottas sabe rir de si mesmo. Fez um capacete com BIGODE E CABELO! Disse que é só para os testes. Ele deve continuar usando na temporada inteira?

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BORGUDD, 76

SÃO PAULO – Morreu ontem na Inglaterra o sueco Slim Borgudd, aos 76 anos. Ele tinha Alzheimer. Borgudd foi baterista do Abba e disputou dez GPs na F-1, pela ATS e pela Tyrrell. Conseguiu um espantoso ponto com o sexto lugar no GP da Inglaterra de 1981 pela pequenina ATS. O Grande Prêmio traz mais informações

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PRECIPITESTES (2)

Segundo dia no Bahrein: Zhou na frente

SÃO PAULO (não gostou, reclama no Procon) – Prestem atenção na folha de tempos acima. É o resultado do segundo dia da pré-temporada no Bahrein. E é isso mesmo que vocês estão vendo: Guanyu Zhou, ou Zhou Guanyu, alguém precisa se decidir, ficou em primeiro. De Alfa Romeo! Verstappen, fominha, catou o carro que Pérez usou de manhã e foi o segundo.

Já dá para fazer prognósticos definitivos até sábado que vem? Lógico. Como ontem, a análise que segue será feita equipe por equipe. Anotem tudo e cobrem deste que vos escreve no fim do ano. Mas, antes, duas imagens para balizar vosso entendimento. A primeira, com os pneus que cada um usou para fazer seus melhores tempos. A segunda, com o total de voltas que cada equipe completou hoje. Clique nas imagens para vê-las em formato maior.

Nota-se que Zhou fez o melhor tempo com o (C5), que vem a ser uma goma de mascar derretendo no sol: o pneu mais macio do mundo, que dura uma volta e depois vira borracha líquida. De Vries e Hülkenberg foram de C4, macios, que após o uso pode virar mesa de centro, mas fica meio grudenta. Sargeant foi de C5 sem parênteses, um pouco menos gosmento que o (C5). E Pérez, coitado, foi de “proto”, pneu protótipo, feito para durar dois meses rodando sem parar calçando uma Rural Willys. Explico na caixinha da Red Bull. O resto foi de (C3), conhecidos como médios.

No quadro da direita, percebe-se que a McLaren tirou o atraso e que a Mercedes andou pouco porque teve uma quebra no carro de Russell. A equipe já considera voltar aos caminhões, apenas. Vamos à análise criteriosa do dia:

Pérez; “Posso andar de macios?

RED BULL (123 voltas/Verstappen P2, Pérez P14) – Sergio Pérez pôde andar no carro pela primeira vez. Amanhã será ele o dia inteiro. Quando entrou no cockpit, percebeu que seus pneus estavam envernizados. “Que pneu é esse?”, perguntou. “Protótipo”, respondeu o mecânico. “Você não trabalhava aqui, quem é você?”, estranhou o piloto. “Sou o novo marceneiro.” Explica-se. O pneu é de madeira, duro como um balcão de mogno laqueado. Ao mexicano não foi concedida a graça de experimentar pneus um tiquinho mais velozes. Ele andou, andou e nada de vir tempo. Nos últimos minutos, pediu para colocarem macios. “Não tem”, respondeu o marceneiro. “Mas se quiser de MDF a gente coloca. Só preciso lixar as bordas.” Verstappen pegou o carro de tarde e fez o segundo tempo. Vai ser campeão de novo.

Sainz: previsões otimistas

FERRARI (138 voltas/Sainz P6, Leclerc P8) – “Ele deu duas voltas mais que eu”, choramingou Leclerc ao telefone com o ex-chefe Mattia Binotto, reclamando que Sainz tem sido favorecido na equipe. “Foda-se”, respondeu o italiano. Ao final do dia, ambos terminaram em posições discretíssimas. “Estamos chegando”, falou o espanhol. “Quanto tempo mais?”, perguntou o jornalista italiano da “Gazzetta della Puglia”. “Uns oito meses.”

MERCEDES (98 voltas/Russell P13, Hamilton P15) – Encerrados os trabalhos no Bahrein, a equipe se reuniu em torno de uma mesa. O dia não foi lá muito proveitoso. “Da AlphaTauri e da McLaren a gente ganha”, disse Hamilton. “Estamos perto deles. Aproveitando, queria agradecer ao esforço da equipe aqui e na fábrica por…”, mas ninguém mais estava ouvindo, porque naquele momento chegava Russell, esbaforido. “Tive de voltar a pé, e é mentira que faz frio de noite no deserto.” O carro estava longe, parado com uma pane hidráulica ao lado de dois camelos e um beduíno que cobrou dez dinares para “ficar olhando”. “Você tinha dinheiro?”, perguntou Toto Wolff. “Ele tinha maquininha.” Ao espanto de todos, completou. “Mas não era de aproximação, fiquem tranquilos.” Alívio na equipe. Ao fim da reunião, o time concluiu que: 1) o carro é tão ruim quanto o do ano passado; 2) uma nova asa traseira será usada na primeira corrida do ano porque a trazida para os testes tem a aerodinâmica de uma máquina de lavar; 3) está sendo considerada a possibilidade de pedir ajuda a um projetista aposentado de São Bernardo do Campo que hoje vive em Trancoso, no sul da Bahia.

ALPINE (108 voltas/Gasly P10, Ocon P12) – “Pinta logo de rosa essa merda”, falou Ocon assim que saiu do carro. “Aí pelo menos vai ter assunto.” Na hora apareceu uma notificação no celular de Otmar Szafnauer. Era uma mensagem de Mark Webber, agente de Oscar Piastri. “Entendeu agora? Não era nada pessoal”, dizia o texto.

Piastri no crepúsculo: tem vertical?

McLAREN (138 voltas/Piastri P9, Norris P16) – “Me manda pra eu postar?”, pediu Piastri ao autor da foto acima. Quando viu que o corte no Insta ficou ruim, perguntou se tinha vertical ou em vídeo para o stories. Norris acorreu para ajudá-lo e os dois decidiram ensaiar uma dancinha para o TikTok. “Tenho uma namorada brasileira que me mandou uma música nova”, falou. Piastri perguntou o nome. “Não sei, mas diz assim: Vem deslizando/Que eu tô gostando/Ela me pede mais/Não para não meu bem/E vem sentando gostosinho pro pai/E vem jogando de ladinho, neném”. “Isso aí é o nosso carro, Lando!”, adorou Piastri. Estão ensaiando. Enquanto isso, o moleque de TI mexia no painel lateral que muda os patrocinadores do carro. Andar que é bom…

Zhou: o melhor do dia

ALFA ROMEO (132 voltas/Zhou P1) – “Vou tirar o bigode!”, decidiu Bottas, que passou o dia vendo o companheiro guiar. Quando Zhou tacou pneu melequento para fazer o melhor tempo do dia, Valtteri exultou: “Preciso levar esse cara pra sauna comigo, ele é foda!”. Guanyu chegou nos boxes e deu a letra: “Faz exatamente a mesma coisa amanhã. Mas quando parar o carro pede pra levantarem logo, porque senão ele vai ficar grudado no asfalto e nunca mais sai”. O quadro com os tempos foi impresso e serão feitas 1,412 bilhão de cópias para serem distribuídas à população pelo partido.

Alonso: a única equipe que melhorou de verdade

ASTON MARTIN (130 voltas/Alonso P3) – Antes, a notícia: Drugovich anda amanhã de manhã. Alonso, de tarde. Assim, no balanço das horas, Fernandinho ficou com dois dias e o brasileiro, que é reserva, com um. Melhor não reclamar. Porque, pelo jeito, Stroll dificilmente corre no dia 5. Então, que Felipe aproveite cada segundo. Quanto ao espanhol, voltou a andar bem, muito bem. A equipe fez grandes progressos. A boca pequena, andam dizendo que será a quarta força do ano. E que pode beliscar a Mercedes. A ver. Mas que até agora é a única que impressionou, disso não há dúvidas. Ao final do treino, Alonso mandou uma mensagem para Szafnauer: “Entendeu agora? Não era nada pessoal”. O dirigente da Alpine teve a sensação de que alguém já tinha dito aquilo para ele hoje.

Haas: economia nos banquinhos

HAAS (135 voltas/Hülkenberg P5, Magnussen P11) – Olha, esse quinto lugar do Hulk foi realmente incrível e palmas pra ele que ele merece. Mas a notícia mesmo é a da foto acima. A Haas decidiu que sua cabine de pitwall neste ano terá apenas três lugares, e não seis. Com isso, a equipe disse que vai economizar, na temporada toda, US$ 250 mil. UM QUARTO DE MILHÃO DE DÓLARES porque a cabana será menor e terá três banquinhos a menos. A imprensa comprou a cascata de Günther Steiner, que já mandou a frase da pré-temporada para ser usada no “Drive to Survive” do ano que vem: “Se pra economizar eu tiver de ficar em casa, fico também!”. Gene Haas está considerando a possibilidade.

ALPHATAURI (159 voltas/De Vries P4, Tsunoda P17) – Sim, sabemos que De Vries estava com pneus macios, mas me darei o direito de elogiar o rapaz. Gosto desse piloto. Sabemos também que a AlphaTauri não vai fazer nada no ano e que Tsunoda é ruim. Num dia como hoje, porém, fiquemos apenas com as boas notícias.

WILLIAMS (154 voltas/Sargeant P7) – Fiquem falando mal da Williams, fiquem… Fiquem falando mal do Sargento, fiquem… Depois não digam que não avisei.

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PRECIPITESTES (1)

No quadro aparece “morning”, mas os tempos são do dia todo

SÃO PAULO (agora vale!) – Antes de mais nada, uma observação. No quadro de tempos acima, a F-1 divulgou a classificação como sendo da parte da manhã, mas eles erraram no título. São os tempos de toda a primeira sessão da pré-temporada no Bahrein, que vai até sábado. Verstappen foi o mais rápido no geral, com 1min32s837. Na primeira metade do dia, ele também registrou o melhor tempo: 1min32s959. Como referência, a pole do ano passado, de Charles Leclerc, foi registrada em 1min30s558.

Farei uma análise absolutamente precipitada de cada equipe, já avisando: nenhuma das afirmações tem validade, porque É SÓ O PRIMEIRO DIA DE TESTES DO ANO! Mas tenho certeza que é isso que vocês querem: conclusões definitivas depois de apenas um dia. No fim do ano a gente vê se elas fizeram algum sentido.

Verstappen: vai ser campeão

RED BULL (157 voltas/Verstappen P1) – Verstappen foi o mais rápido, como já dito, nas duas metades do dia. Houve uma pausa para o almoço, e ele voltou ao carro um pouco mais pesado depois de bater um prato, sei lá, de quibes. Eu gosto de quibes com coalhada seca, assim como coloco coalhada seca nas esfihas, também. E me recuso a escrever “esfirras”, assim como detesto “estande” e “estafe”. Max completou 157 voltas (849,684 km) e a Red Bull foi a única equipe que andou com um piloto só. Sergio Pérez ficou na garagem assistindo “Chaves” no celular. O carro é tão bom quanto o do ano passado. E, portanto, o holandês será campeão de novo.

FERRARI (136 voltas/Sainz P3, Leclerc P4) – Os italianos ficaram a pouco menos de meio segundo de Verstappen. Sainz andou mais: 72 voltas, contra 64 de Leclerc. Soube, por fontes seguras, que ele já ligou para Binotto para reclamar que Vasseur favoreceu o espanhol. Binotto só atendeu na segunda chamada. Depois de ouvir as lamúrias do ex-pupilo, respondeu: “Foda-se”. E desligou.

Russell: nono colocado, a mais de 1s de Verstappen

MERCEDES (152 voltas/Hamilton P6, Russell P9) – Lewis também andou mais que Russell, 83 a 69 no número de voltas. Mas Russell não reclamou, porque nunca reclama de nada. O heptacampeão terminou a quase 0s7 da Red Bull. Como de costume, agradeceu a todos na equipe pelo esforço em fazer o carro novo. Todas as equipes fizeram carros novos, mas só Hamilton agradeceu. Nas fotos, o carro preto ficou lindão. No cronômetro, mais ou menos.

ALPINE (113 voltas/Gasly P16, Ocon P17) – O início de ano da Alpine foi, ó, uma merda. Gasly, que chegou agora, completou 60 voltas e ficou na frente de Ocon, 53. Me falaram, mas não sei se é verdade, que Alonso mandou uma mensagem para Pierre: “Ele é lento, mesmo”.

McLAREN (92 voltas/Norris P5, Piastri P18) – Como no ano passado, vai correr com um carro só. Norris continua andando bem e Piastri não é nada disso. Me falaram, mas não sei se é verdade, que Ricciardo mandou uma mensagem para Zak Brown: “Vocês me trocaram por isso aí?”. Foi a equipe que menos andou, apenas 92 voltas (497,904 km).

Bottas: troféu de mais estiloso do grid

ALFA ROMEO (138 voltas/Zhou P8, Bottas P12) – Foram 67 voltas para o chinês e 71 para o finlandês. Pode-se dizer que a equipe não tem do que reclamar. Zhou fez um bom tempo, a menos de 1s de Verstappen, e Bottas saiu do autódromo com o troféu de melhor bigode da temporada que nem começou.

Alonso: fominha, anda sozinho amanhã

ASTON MARTIN (100 voltas/Alonso P2, Drugovich P14) – Assim que saiu dos boxes, Drugovich, escalado para o período da manhã, teve uma pane eletrônica. Ficou uma hora parado, a equipe resolveu o problema e ele conseguiu completar 40 voltas sem intercorrências. Alonso, de tarde, arrebentou um assoalho numa simulação de pit stop e, bufando, perdeu tempo esperando a troca. No fim, ficou com o segundo tempo do dia, a meros 0s029 de Verstappen. O carro é uma cópia verde da Red Bull e a equipe fará uma temporada bem melhor que a de 2022. O espanhol anda sozinho amanhã. No sábado, pode ser que Drugovich seja autorizado a manobrar o carro no box. Me falaram, não sei se é verdade, que Alonso mandou uma mensagem para Lawrence Stroll: “Pode deixar que eu termino os testes e acerto o carro para seu filho”.

Mick, ex-Haas, agora reserva da Mercedes: “Chupa!”

HAAS (108 voltas/Hulkenberg P11, Magnussen P19) – Foram 51 voltas para o alemão, que volta a disputar uma temporada inteira, e 57 para o dinamarquês, que terminou em último. Que é onde a Haas deve terminar o ano. Me falaram, não sei se é verdade, que Mick Schumacher mandou uma mensagem para Günther Steiner: “Chupa!”.

ALPHATAURI (131 voltas/De Vries P13, Tsunoda P15) – O holandês, que fará seu primeiro campeonato pela filial da Red Bull, andou muito mais: 85 voltas, contra 46 do japonês. O carro é tão ruim quanto o do ano passado. Me falaram, não sei se é verdade, que Tsunoda mandou uma mensagem para a sede da Honda no Japão: “Eles não gostam de mim”.

WILLIAMS (149 voltas/Albon P8, Sargeant P10) – Alvíssaras, a Williams não vai ser a última colocada neste ano e Sargeant vai ganhar o prêmio de estreante do ano!

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NAS ASAS

Alguém conhece o pássaro? Essas fotos em preto e branco são lindas de doer…

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DICA DO DIA

Um belo curta homenageando a Targa Florio. Muito legal, de verdade.

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BRASA NOS EUA

SÃO PAULO (orgulho danado) – O Márcio Baleki mandou a mensagem abaixo. E as fotos. E a gente ficou aqui babando…

Olá Flavio, tudo bem? Tomo a liberdade de começar a escrever assim por que te acompanho há muitos anos e admiro muito seu trabalho. Moro nos Estados Unidos há 17 anos, mais precisamente no Tennessee, na cidade de Chattanooga. Desde sempre acompanho seu blog e o Grande Prêmio, eles são minha principal fonte de informação sobre o automobilismo mundial e principalmente a Fórmula 1. Gostaria de compartilhar um pouco da minha Brasília 1979, ano em que nasci, aliás. O primeiro dono a comprou em 21 de maio de maio de 1979, dois dias antes do meu nascimento. Sou o terceiro dono dela, meu pai me ajudou a encontrá-la em São Paulo há uns dois anos, e resolvi trazê-la para perto já que admiro muito esse projeto da Volkswagen do Brasil. Existem algumas poucas nos Estados Unidos, a maioria vindo do México, e a minha é um grande sucesso por onde ando. Um grande abraço desse grande admirador do seu trabalho.

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PRIMEIRA CHANCE (AGARRE!)

SÃO PAULO (do céu) – Felipe Drugovich deverá fazer a pré-temporada da Aston Martin no Bahrein, nos próximos dias 23, 24 e 25 de fevereiro. Isso porque o glorioso Lance Stroll, filho do dono da equipe, caiu de bicicleta treinando na Espanha e teve de engessar o braço. A equipe confirmou que ele está fora dos testes. Da primeira corrida do ano, dia 5 de março, não se sabe.

E quem é o reserva apto a treinar na ausência de Stroll? Ele mesmo, Drugovich. Porque o outro reserva, o belga Stoffel Vandoorne, participa de uma etapa da F-E no fim de semana na Cidade do Cabo. A competição é sua prioridade.

Até agora, a Aston Martin não falou nada sobre eventual substituição de Stroll no Bahrein. Pode, inclusive, não escalar ninguém e deixar Fernando Alonso andando os três dias — chegou agora à equipe, o carro é novo, ele adoraria. Não é impossível, embora não seja recomendável. Seria de bom tom dar pelo menos um dia de treino a Drugovich, para a eventualidade de ele ter de correr.

Aguardemos os próximos capítulos. Não sem antes dizer que começou bem o ano da Aston Martin…

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EMPRESTA AÍ?

SÃO PAULO (cada uma…) – Depois de contratar todos os pilotos disponíveis no mundo para suas equipes de F-1, F-E, Extreme E, Indy, campeonato de videogames, mundial de mobiletes, torneio de autorama da Estrela e corridas de bolinhas de gude, a McLaren informou hoje que mandou emitir crachás para mais dois pilotos reservas. Ambos emprestados. Como, aliás, o primeiro anunciado no começo do mês, igualmente com carteira de trabalho assinada por outra empresa.

Explicando. No ano passado, o time papaia fez contratos com Pato O’Ward e Álex Palou, já tinha Daniel Ricciardo e Lando Norris e ainda negociava com Oscar Piastri na surdina. No fim, Palou ficou na Chip Ganassi, Ricciardo foi dispensado, O’Ward permaneceu na operação da empresa na Indy e a equipe ficou sem reserva para a F-1.

Aí, a McLaren pediu Mick Schumacher emprestado à Mercedes, para qualquer eventualidade. OK, a Mercedes respondeu que, se precisar, o menino estará pronto — para quem não lembra, Schumi Jr. foi dispensado pela Haas e tinha ficado desempregado. Uma cortesia dos alemães para quem compra seus motores e paga os boletos direitinho.

Então, hoje, Felipe Drugovich e Stoffel Vandoorne foram anunciados pela McLaren como reservas eventuais, também, com possibilidade de empréstimo pela Aston Martin até a 15ª etapa do campeonato, em Monza. Ambos foram contratados para as funções de reserva/testes/desenvolvimento pelo time verde, que igualmente usa motores Mercedes. Vandoorne, além de tudo, corre na F-E.

Desta forma, a McLaren vai compartilhar três pilotos com Mercedes e Aston Martin, caso precise de um reserva nesta temporada. Terá de mandar confeccionar macacões, capacetes, bancos personalizados e material promocional. Tinha um monte de gente na folha de pagamento, não tem mais nenhum.

Para os pilotos, a notícia é boa. Colocam seus pés em mais de um endereço e ficam torcendo para que os titulares tenham alguma dor de barriga. Mas me pergunto: se Norris ou Piastri não puderem disputar algum GP, quem é o reserva imediato da McLaren? Schumaquinho? “Drugo”? Stoffel?

A gestão de Zak Brown é esquisita.

Por enquanto, quem deve se dar bem é Drugovich. Na próxima postagem vocês saberão por quê.

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