DESÉRTICAS (3)

Alonso, a lenda: pódio aos 41 anos com a Aston Martin

SÃO PAULO (falta a Lusa, agora…) – Max Verstappen ganhou, Sergio Pérez ficou em segundo, mas a noite de domingo no Bahrein foi de Fernando Alonso. O asturiano quarentão terminou a prova em terceiro, confirmando tudo aquilo que se falou dele e da Aston Martin desde o início da pré-temporada. O carro é muito bom. E o piloto também. O pódio de Alonso veio antes do que se imaginava, talvez — teve uma ajudinha com a quebra de Charles Leclerc, na parte final da prova. Mas não sem esforço. Depois de uma largada ruim, El Fodón (por enquanto) de La Tercera Posición teve de ir atrás do que perdeu, fez duas ultrapassagens difíceis em cima de adversários fortes – Lewis Hamilton e Carlos Sainz – e mostrou que a turma da frente ganhou uma nova integrante neste ano. Falaremos muito de Alonso e da Aston Martin em 2023, o que é muito bom.

Porque o campeão… Bem, se Verstappen não conquistar o tri neste ano, será uma surpresa gigantesca. Paciência. A F-1 tem seus ciclos e não é estranha a hegemonias. Estamos vivendo mais uma, da Red Bull e seu infalível piloto holandês, uma máquina de vencer — desde o GP da França do ano passado, ele ganhou dez dos 12 GPs disputados (as exceções foram Singapura e Brasil). Para os anais: foi a 36ª vitória de sua carreira. Neste ano ele deve superar as 41 de Ayrton Senna para entrar no seletíssimo grupo de cinco maiores vencedores da história.

À corrida, então?

Dos 20 no grid, só um, Magnussen, largou com pneus duros na noite quente e enluarada do deserto do Sakhir — o luar é por minha conta, chutei. Todos os demais, com macios. Os médios não foram escolhidos por ninguém. Como tinha macios novinhos, Leclerc tracionou melhor que Pérez e passou o mexicano na largada. “Ali perdi a corrida”, diria Checo depois.

Da turma da frente, Hamilton foi quem partiu melhor, ganhando duas posições. Hulkenberg despencou cinco. Alonso perdeu duas, caindo de quinto para sétimo, e ainda tomou um totó do companheiro Stroll – um troço totalmente sem sentido, mas que resultará em pouco menos que a suspensão do sucrilhos no café da manhã do menino; não teve consequências.

(Sendo honesto, Stroll não teve culpa. Foi só para não perder a piada. Alonso largou mal, ficou às turras com os dois carros da Mercedes, esqueceu que havia outros na pista na tentativa de retomar o que perdera, não teve a cautela necessária numa largada. Parem de pegar no pé de Lance! Principalmente no que está com o dedo quebrado.)

Toque com Stroll: por pouco Alonso não dança no início

Verstappen saltou na frente assim que as luzes se apagaram e em cinco voltas já tinha mais de 3s de vantagem sobre Leclerc. Pérez, Sainz, Hamilton, Russell, Alonso, Stroll, Bottas e Ocon formavam o grupo dos dez primeiros. Do povo lá do fundo, Albon e Sargeant, da Williams, apareciam bem em 11º e 13º.

O início da prova era um passeio para Max. A certa altura, pela nona volta, ele entrou no rádio e comentou algo sobre redução de marchas e playlist para aquela noite no Spotify. As paradas nos boxes começaram ali, com Gasly fazendo o primeiro pit stop do ano em seu penoso calvário para chegar nos pontos, já que era o último no grid.

Quando Alonso apertou Russell pelo sexto lugar, o inglês avisou a equipe que seus pneus estavam esbagaçados. Mas quem foi chamado primeiro pela Mercedes foi Hamilton, na 13ª volta. Fernandinho, então, começou seu show. Atacou Jorginho, desenhou a ultrapassagem e conseguiu. Na volta 14, a Ferrari parou seus dois pilotos e Russell foi para os boxes, também. Alonso subiu para terceiro. Quase todos estavam colocando pneus duros. Mas Verstappen, na volta 15, optou pelos macios. Veio então o espanhol da Aston Martin para o pit stop e colocou duros. Voltou na frente de Russell. E quem se deu muito bem nas paradas foi Bottas, que ganhou nada menos do que três posições – de Alonso, Russell e Stroll –, subindo para sexto.

Bottas à frente de Stroll: bem nos pit stops

Pérez foi o último a parar do pessoal da ponta, na volta 18. Fez o mesmo que Verstappen, colocando pneus macios. Alonso e Russell se livraram rapidinho de Bottas e retomaram sua batalha, com o asturiano à frente. Hamilton, em quinto, estava mais distante dos dois.

A corrida entrou no modo tédio. Verstappen passeava sozinho na frente, havia enormes intervalos entre todos os carros e pelo menos duas equipes, com atuações melancólicas, se arrastavam lá atrás: McLaren e Haas. Piastri, estreante pelo time papaia, abandonou com problemas supostamente no volante. Na volta 22, Norris era o último. Ocon, outro que largou entre os dez primeiros, igualmente desapareceu, depois de levar um pênalti por alinhar o carro em posição errada no grid. Mais tarde tomaria outras duas punições: por não cumprir a primeira direito e por exceder a velocidade máxima nos boxes. A ver se não estourou os pontos na carteira hoje mesmo.

Na volta 26 algo relevante aconteceu. Pérez, com pneus macios, encostou em Leclerc, que tinha duros, e passou fácil, assumindo o segundo lugar. A dobradinha da Red Bull se desenhava. O mexicano precisava apenas se distanciar, aproveitando a borracha mais aderente, para ter alguma vantagem sobre Charlinho após a segunda parada – o monegasco tinha a possibilidade de usar pneus macios no fim da prova e Checo teria de escolher outros, mais lentos.

Leclerc: quebra no fim e pódio perdido

Na volta 31, Hamilton fez sua segunda parada e colocou outro jogo de pneus duros. Pareceu precipitada. “Meus pneus estavam bons, amigues”, suspirou pelo rádio. Sua corrida era contra Alonso, que assumiu o quinto lugar. A segunda bateria de pit stops começou, com Stroll, Russell e Sainz parando também. Lance conseguiu, na pista, ganhar a posição do #63 da Mercedes.

Na volta 34, Verstappen, Pérez e Alonso eram os três primeiros, todos com apenas uma parada. Os demais já tinham visitado os boxes duas vezes. Leclerc, um deles. Que colocou pneus duros de novo. Pérez, então, foi para os boxes e escolheu o mesmo composto. O que era só um rascunho de dobradinha para a Red Bull recebeu os retoques finais. Sem sobressaltos. Uma moleza, como cortar manteiga com faca quente. Verstappen parou na 37, colocou mais um jogo de pneus duros, tomou um mate, comeu um queijinho de coalho com mel, pediu um pacote de biscoito Globo para levar (“Doce, doce!”, reclamou quando trouxeram salgado, perdendo tempo) e voltou.

Restava Alonso. Em sexto de novo, depois das paradas, o espanhol tinha Hamilton pouco mais de 1s à frente. Pódio, como tanta gente esperava – e torcia –, era algo fora de questão naquele momento. Mas um quinto lugar estava ao alcance de El Fodón Verdón D’Astón. E ele foi para cima. Passou. Lewis devolveu. Tínhamos algo para ver, finalmente! Isso tudo aconteceu na volta 37, a 20 do final. A caça prosseguiu. Hamilton se defendia como um toureiro diante de um miura enfurecido. Na volta 38, Alonso passou. “Aeeeeeeeeeeeee, chupa porra!”, falou. Na verdade, ele disse “yes, let’s go!”, mas recorri ao meu talento literário para fazer a tradução.

Ah, Alonso, Alonso… Só por aquela ultrapassagem, já era o cara da corrida. Queria mais? Sim, queria. Porque Sainz, em quarto, estava meros 2s5 à frente, e ainda faltavam 19 voltas. Então, na 41ª, Leclerc, em terceiro, quebrou. O carro apagou do nada. A Ferrari informou mais tarde que a central eletrônica do automóvel deu pane. Ele conseguiu parar num ponto de fácil resgate e só o safety-car virtual foi acionado. Mas foi rápido, e ninguém arriscou um terceiro pit stop.

Charlinho volta a pé: Ferrari cheia de problemas

Aí o pódio para Alonso voltou a ser uma possibilidade. Era só passar Sainz. E não estava difícil. Seu rendimento era claramente melhor. Na volta 44, ele chegou na Ferrari #55. Encostou, abriu a asa, mostrou o bico para o retrovisor que agora tem 20 cm de largura, armou o bote, teve algum trabalho e, depois de três tentativas, ¡olé! Lindamente, ganhou a terceira posição. “Caralhoooooooo, porraaaaaaaaaa!, gritou pelo rádio. Na verdade, disse “yes!”, mas optei por nova tradução livre.

Sainz tinha pneus em más condições, mas Hamilton, em quinto, não parecia ter o mesmo ímpeto de Alonso. Nem o mesmo carro. “É uma delícia de guiar…”, falou o bicampeão de 41 anos pelo rádio, sem ter mais o que fazer a não ser esperar pela bandeira quadriculada para chegar ao 99º pódio da carreira, o segundo desde 2014, quando defendia a Ferrari – fez um terceiro lugar no Catar em 2021 pela Alpine.

O resultado final: aplausos para a turma dos pontos

E assim foi até o fim. Verstappen venceu com assombrosa facilidade, com Pérez em segundo, 12s atrás. Alonso, Sainz, Hamilton, Stroll, Russell, Bottas, Gasly e Albon fecharam a zona de pontos e os três últimos merecem aplausos efusivos. Gasly, em sua estreia pela Alpine, foi perseverante e terminou em nono depois de largar no fundo do pelotão. Albon fez um pontinho para a Williams, mostrando que a equipe, neste ano, não vai brigar para fugir da lanterna, apenas. Bottas, com a classe habitual, foi galgando posições até se assentar onde podia e onde sua Alfa Romeo permitia. E Stroll merece uma palavrinha, claro. Todo estropiado, encarou uma corrida cheio de dores e dificuldades para chegar em sexto. “Você é meu herói”, disse Alonso ao rapaz num abraço, assim que se encontraram no Parque Fechado.

Depois do que se viu hoje no Bahrein, dá para afirmar sem medo de errar que temos uma nova equipe para brincar na frente, a Aston Martin. E seu principal piloto se chama Fernando Alonso Díaz, o que não é pouca coisa. Foi a boa notícia do primeiro fim de semana de F-1 de 2023. A Red Bull será campeã, Verstappen será tri, Russell disse em tom apocalíptico que a equipe vai ganhar todas as corridas do ano e será impossível chegar perto.

Mas a gente vai se divertir, nesta temporada. Com um jovem de 41 anos que desafia o tempo.

Comentar

DESÉRTICAS (2)

Verstappen: 21 poles, lógica no Bahrein

SÃO PAULO (no fim das contas…) – Max Verstappen larga na pole para a primeira corrida do ano na Fórmula 1, no Bahrein. Depois de dias de muita expectativa com a aparição repentina de um carro candidato a ser a grande surpresa da temporada, o da Aston Martin, acabou dando a lógica no deserto de Sakhir: Red Bull em primeiro e segundo no grid.

A Ferrari foi a surpresa do dia, formando a segunda fila. O time italiano fizera uma pré-temporada discreta e ninguém apostava uma moeda de 500 liras nos carros vermelhos. E a Aston Martin, se não decepcionou, também não quebrou nenhuma banca: ficou em quinto com Alonso e oitavo com Stroll. A Mercedes, de quem nada se esperava, teve alguns bons momentos no Q1 e no Q2, mas no fim teve de se conformar com a dura realidade: Russell em sexto a 0s632 da pole, Hamilton em sétimo 0s676 atrás.

O grid completo: no fim das contas, Red Bull na primeira fila

Torcia-se para um desfecho diferente da classificação, porém. Depois de fazer o primeiro tempo no último treino livre, todas as câmeras, celulares, holofotes, polaroides, roleiflex e instamatics se voltaram para os boxes da Aston Martin.

Não para o lado da garagem de Stroll, que ontem foi notícia por seus punhos doloridos e hoje deixou de ser porque as dores não foram fortes o bastante para tirá-lo da corrida. Esse assunto passou. Não sem antes vir à tona nova revelação, feita pelo próprio canadense: ele também quebrou o dedo de um pé. “Não conseguia nem andar”, contou.

Estava todo mundo, mesmo, de olho em Alonso. Uma pole, depois de 11 anos? A última foi na Alemanha, pela Ferrari, em 2012. Por que não?

O treino livre mostrou realmente uma Aston Martin forte, mas não só ela. A Red Bull voltou a andar bem e Mercedes e Ferrari, com tempos interessantes, avisaram que estavam por lá, também, e gostariam de participar do jantar depois da classificação. Mas o cronômetro num treino livre com sol e calor não é referência muito precisa para tentar adivinhar o que aconteceria dali a algumas horas, já com a noite posta e a temperatura mais amena, na casa dos 24 graus e a secular brisa do deserto a refrescar as cucas.

Foi assim que começou a sessão que definiria o grid no Bahrein. No Q1, registre-se que uma bandeira vermelha foi acionada logo no início porque o carro de Leclerc pareceu se desmanchar sozinho, soltando peças por todos os lados.

(Exagero, foi só uma pecinha do assoalho. Arrumaram com esparadrapo.)

Foi uma sessão bem interessante, com todos deixando para registrar seus tempos no final, o que deixou a turma da degola indefinida até a bandeira quadriculada. Entre os passaram ao Q2, muitas surpresas nas posições: Sainz em primeiro com 1min30s993, numa Ferrari, como já dito, que vinha sendo muito discreta desde os treinos da semana passada; Russell em segundo, numa Mercedes idem; Hülkenberg em sexto, com a instável Haas, a equipe favorita da Netflix; e Albon em nono, com a modesta Williams.

Os dois pilotos da Aston Martin avançaram tranquilos, em quarto e quinto — Stroll fez sua volta nos estertores, porque uma anterior havia sido cancelada por exceder os limites da pista. O mesmo pode-se dizer da Red Bull, com Verstappen em sétimo e Pérez em décimo, sem sustos. Algo que chamou a atenção: apenas 0s899 entre Sainz, o mais rápido, e Magnussen, o 17º, já na zona de eliminação. Menos de um segundo! Oh, F-1, como te amamos!

Mas convinha esperar o Q2 e o Q3 antes de comemorar “o equilíbrio jamais visto na história da categoria”. Como todo mundo sabe, ou deveria saber, na parte final da classificação as equipes de ponta ajustam seus motores para atuarem mais ferozes, belicosos, agressivos. E se distanciam da escumalha que só faz número.

Ficaram de fora ao final do Q1: Sargeant (normal), Magnussen (algo aconteceu, já que Hülk ficou em sexto), Piastri (normal, a McLaren será uma bomba neste ano), De Vries (normal, a AlphaTauri vai andar lá atrás) e Gasly (último na estreia com a Alpine, daqui a pouco o fio desencapado começa a espalhar faísca; teve sua melhor volta cancelada, mas não largaria muito na frente, não).

O Q2 mostrou uma Ferrari na frente de novo, para espanto de todos, agora com Leclerc: 1min30s282. Colocou 0s221 sobre Verstappen, o segundo. Passaram, depois deles, Russell, Hamilton, Sainz, Alonso, Pérez, Hülkenberg, Ocon e Stroll, pela ordem. Hulk, em sua volta à F-1, seguia impressionando. A diferença entre o líder e o décimo, 0s845. Mas, agora, com dez carros, e não 17, no mesmo segundo. Oh, F-1, como te amamos, mas nada de inventar um equilíbrio que não existe. Devagar com o andor, que a ânfora é de barro. Eliminados foram Norris, da draga da McLaren, Bottas e Zhou, os dois da Alfa Romeo, mais Tsunoda e Albon.

Leclerc: um jogo novo de pneus guardado

E chegamos ao Q3, sinceramente, sem favoritos muito claros. Antes do nascer do sol no Golfo Pérsico, todos apostariam em Red Bull ou Aston Martin hoje. Mas, ao longo do dia, ofereceram-se ao sacrifício dos deuses do deserto as duplas da Ferrari e da Mercedes, ainda que sob alguma desconfiança. “Por uma pole, cortamos nossos pescoços com adagas sagradas!”, prometeram acólitos com cavalos rampantes e estrelas de três pontas em suas vestes. Por si, isso já era uma boa notícia: ninguém sabia quem faria a pole e nenhum palpite seria dado com muita convicção.

Mas no fim, deu Verstappen. Com uma bela volta em 1min29s708, o holandês conseguiu a 21ª pole de sua carreira. Nem todos os pilotos tentaram duas voltas, para guardar pneus novos para a corrida – a pista é cruel com a borracha. E a Red Bull confirmou seu favoritismo fechando a primeira fila com Pérez a 0s138 do companheiro. Na segunda fila, a surpresa ferrarista formará com Leclerc em terceiro e Sainz em quarto. Alonso, já mencionado, ficou em quinto, frustrando as expectativas dos que ansiavam por uma noite de Cinderela. Ficou a 0s628 da pole. O que não tirou o sorriso do rosto do espanhol. “Top 5 é irreal. Estamos no começo de um projeto, nossa meta aqui era ter os dois carros no Q3, terminar em primeiro seria bom demais para ser verdade, mas estamos na briga com Ferrari e Mercedes, e se tivermos uma chance de pódio amanhã, vamos agarrá-la”, disse.

Russell ficou em sexto, seguido por Hamilton, Stroll, Ocon e Hülkenberg fechando a turma dos dez primeiros. George estava animadinho, até. “Passamos três quartos da temporada passada tentando entender e corrigir os problemas do carro, agora temos um carro que é bom de guiar e é só focar em melhorar sua performance”, falou. Lewis, ao contrário, era a imagem da decepção. “P7? Sabíamos que estávamos atrás, podia ser qualquer número…” Suas entrevistas foram monossilábicas, e traduziam exatamente o que seu chefe Toto Wolff, a metros de distância, dizia: “A diferença para a Red Bull não é ridícula, mas ainda é grande. Não temos chance contra eles na corrida. Que ninguém espere por um milagre. Acreditamos nesse conceito de carro, levamos um ano para fazê-lo funcionar, não é o caso de jogar tudo no lixo, mas temos de ser humildes neste momento. É onde estamos”.

Para Leclerc, lutar pela pole foi “uma surpresa”. “Estamos mais perto que na pré-temporada. Guardar um jogo de pneus novos pode ajudar amanhã”. Pérez, por sua vez, garantiu que na corrida a Red Bull será mais forte. “Nós comprometemos a classificação para preparar o carro para o domingo”, falou. “Normalmente nosso carro é melhor em corrida que em classificação”, concordou Verstappen.

Assim, pode-se esperar amanhã que dê a lógica de novo. Mas que vai ser divertido ver Alonso brigar pelo pódio, e vai, será. E se o espanhol voltar a levantar um troféu, o GP do Bahrein já terá valido a pena.

A corrida começa ao meio-dia, com 57 voltas.

Comentar

DESÉRTICAS (1)

Alonso na ponta: será?

SÃO PAULO (não se precipitem, mas…) – Seria muito, muito legal se Alonso pudesse lutar por vitórias e títulos neste ano. Desde o primeiro dia da pré-temporada todo mundo diz que a Aston Martin foi a equipe que mais cresceu em relação a 2022. O primeiro dia de treinos para o GP do Bahrein, abrindo hoje oficialmente o Mundial de 2023, comprovou isso.

Significa que Alonso lutará por vitórias e pelo título? Não. Mas pode-se afirmar, sem muito medo de errar, que ele será um dos protagonistas do ano. O carro da Aston Martin é bom, aparenta ser o segundo melhor do lote ao menos deste fim de semana, e imaginar o espanhol no pódio já no deserto de Sakhir não é viajar na maionese. O que virá depois, ainda é cedo para chutar.

O espanhol lidera no Bahrein: carro bom, piloto ótimo

Stroll também entra nesse pacote de prognósticos? Difícil. O canadense ainda está baleado, como era de se esperar. Deu para ver (e ouvir) que ele teve dificuldades, dores, desconforto, e precisou de ajuda para sair do carro. O pulso ainda pulsa, mas ainda dói. Está 100%? Claro que não. Dá para correr? Parece que sim. O número de voltas que completou hoje ficou na média dos demais pilotos. E fez um bom sexto tempo — mais um indicativo da qualidade do carro aston-mártico.

Alonso evitou grande euforia com o primeiro lugar na sexta-feira. Elogiou o trabalho da equipe e recebeu aplausos de volta do projetista Dan Fallows. “Fernando entende o que acontece com o carro e passa informações que os engenheiros adoram”, disse. “A Aston Martin chegar a uma condição de desafiar os times de ponta é uma questão de tempo”, devolveu o asturiano. “Lawrence [Stroll] tem uma visão vencedora das coisas e é difícil vê-lo falhar”, emendou, como se conhecesse o chefe há séculos. A ver.

E o resto?

Bem, a Red Bull apresentou o que dela se esperava. Bom desempenho, constantemente na ponta, tempos mais do que decentes em longas séries de voltas, uma ou outra queixa de Verstappen, que achou o carro melhor nos testes do que hoje. Nada preocupante. Christian Horner ficou impressionado com a Aston Martin. “Eles estão voando”, espantou-se.

A Ferrari andou exatamente como na pré-temporada, a saber: longe da ponta, sem encantar ninguém. O mesmo pode-se dizer da Mercedes. As duas equipes sabem que estão coisa de meio segundo atrás da Red Bull — e da Aston Martin, por que não dizer?

O pelotão da merda, como a gente costuma falar no automobilismo, está bem povoado com Haas, Alpine, McLaren e Alfa Romeo. A Williams e a AlphaTauri vão disputar garbosamente a lanterna. Eu achava que os carrinhos azuis fossem ficar um pouco mais à frente. Pelo jeito, seguem na rabeira.

Às 19h tem “Fórmula Gomes” lá no meu canal no YouTube. O texto de hoje foi pouco inspirado e sem graça, sei bem disso. Mas como ninguém mais lê blog, acho que a pressa não será notada…

Antes de terminar, porém, algumas palavrinhas sobre Fernando Alonso Díaz.

Aos 41 anos, Alonso ainda é competitivo: carreira longa e polêmica

Quando estreou na F-1, em 4 de março de 2001, Alonso tinha 19 anos. Foi na Austrália, pela Minardi. Desde então foram 355 GPs (é o piloto que mais disputou corridas na história) por seis equipes diferentes, contando a Aston Martin — as outras foram Minardi, McLaren, Renault, Ferrari e Alpine. Trocou de endereço sete vezes, chegou a largar a F-1, correu na Indy, venceu Le Mans, e aos 41 anos olha para o lado e vê um menino como Oscar Piastri, da McLaren, que ainda não tinha nascido quando ele alinhou num grid da F-1 pela primeira vez.

Considerado um piloto muito acima da média, Alonso não tem conquistas proporcionais ao seu talento. Suas 32 vitórias o colocam em sétimo na história da categoria, apenas. São só 22 poles, uma discreta 13ª posição nesse ranking das estatísticas — atrás de nomes nem menos luminosos, como Nico Rosberg e Mika Hakkinen. Os dois títulos conquistados em 2005 e 2006, da mesma forma, o deixam muito distante dos grandes multicampeões como Schumacher, Hamilton, Prost, Fangio e Vettel. Quase ninguém coloca o asturiano nas intermináveis listas de cinco ou dez melhores de todos os tempos.

Acusam-no de fazer escolhas erradas: sair da McLaren para voltar à Renault, jogar âncora na Ferrari, apostar numa volta à McLaren anos depois acreditando nos motores Honda, pular de galho em galho. Por conta dessas idas e vindas, a última vitória de Alonso já tem quase dez anos (2013, na Espanha, pela Ferrari), a última pole está ainda mais longe (2012, também pela Ferrari, na Alemanha), e se não fosse o pódio de 2021 no Catar, estaria desde 2014 sem colocar um trofeuzinho na estante.

Fernando voltou às manchetes em agosto do ano passado, quando se antecipou a todo mundo e se ofereceu para correr no lugar de Vettel, que anunciara sua aposentadoria horas antes. Bagunçou o mercado de pilotos e foi alvo de muita desconfiança. Um cara com mais de 40 estaria em condições de exigir contrato longo, ser tratado ainda como piloto de ponta? Justificaria um salário altíssimo? Estaria com essa bola toda para abrir mão de um lugar garantido, como tinha na Alpine? Teria gás para encarar um projeto novo, de uma equipe ainda trôpega e claudicante, que nunca foi grande? Ainda seria competitivo no meio de garotos de vinte e poucos anos?

A resposta a todas essas perguntas, como estamos vendo, é sim. E que bom que seja assim. Porque Alonso é quem vai dar graça a este campeonato.

Comentar

ONE COMMENT

O menino jornalismo, coitado… Está aqui. Ou estava, imagino que alguém vá corrigir.

Comentar

STROLL CORRE

SÃO PAULO (encerra o assunto) – Lance Stroll passou por exames médicos hoje pela manhã e corre no Bahrein. Ele teve uma contusão em um pulso, não nos dois. Contou que tomou um tombo de bicicleta ao cair num buraco perto de Málaga, na Espanha, segunda-feira retrasada. Passou por breve cirurgia em Barcelona e optou pela recuperação, por isso não andou na pré-temporada. Drugovich e Vandoorne voltam à condição de reservas. Aqui no Brasil, patriotas acorrem aos quartéis e fazem vigília na frente das concessionárias da Aston Martin, cantando o hino nacional para pneus slick!

Comentar

QUEM LEVA?

SÃO PAULO (quem não leva a gente sabe…) – No quadro abaixo, quanto cada equipe melhorou, por volta, nos testes do Bahrein deste ano em relação à pré-temporada do ano passado. Dá para notar que tem gente que andou muito para trás — a Alpine. E que a melhora de times como Williams e Aston Martin foi brutal, assim como a da Mercedes, que começou 2022 muito mal. Ferrari e McLaren evoluíram pouco. A Red Bull, que já era forte, teve crescimento razoável.

O campeonato começa neste fim de semana. E aí, quem leva?

Comentar

CHEQUE ESPECIAL

Sem querer fazer publicidade gratuita de banco, por óbvio, mas é relevante do ponto de vista jornalístico. Afinal, é a primeira empresa brasileira, o Itaú, que contrata Lewis Hamilton como garoto propaganda.

Comentar

DICA DO DIA

Na página “formula.addict” do Instagram, como seriam os carros da F-1 se tivessem pinturas e patrocínios das equipes que deram origem aos times atuais. Vale para conhecer, também, a linha sucessória de cada organização. Vocês sabiam que a Mercedes nasceu de uma costela da Tyrrell? Pois é…

Comentar

FOTO(S) DO DIA

Um sorridente Lance Stroll desembarca no aeroporto de Oxford, vindo de Barcelona (foto da direita). Corre ou não corre? Hoje vai para o simulador da Aston Martin.

Comentar

SEM SURPRESAS

SÃO PAULO (cqd) – A Aston Martin confirmou hoje que se Lance Stroll não puder correr no Bahrein, seu substituto será Felipe Drugovich. O brasileiro completou 117 voltas em dois dias de testes na mesma pista. Foi bem, não cometeu erros, está pronto.

A escolha, depois que ele foi nomeado para a pré-temporada, era óbvia. Mas, nos dias de hoje, o óbvio precisa ser explicado. Ainda mais quando invenções de redes sociais se espalham e viram “notícia”. Falo sobre a história de Vettel ser chamado para correr ao lado de Alonso. Ele pode até ter recebido um telefonema do time. No dia em que Stroll caiu da bicicleta. Disse não, papo encerrado na segunda-feira mesmo. Quando Drugovich foi escalado para andar nos testes, claro que seria ele o piloto. Mas, ontem, “a internet”, como se diz genericamente, estava alvoroçada com a possibilidade de Sebastian correr. As pessoas não raciocinam mais com um mínimo de lógica. É exasperante.

Drugovich corre se Lance não puder: óbvio ululante
Comentar

Blog do Flavio Gomes
no Youtube
MAIS VISTO
1:24:07

POR QUE AMAMOS UM LOGAN (BEM, MERDINHAS #257)

O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...

1:10:23

CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)

Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...