FAZ UM MIOJO (6)

Verstappen: 12ª vitória no ano, 32ª na carreira, bicampeão mundial

SÃO PAULO (é só ler) – Max Verstappen é bicampeão do mundo. Aos 25 anos de idade, o holandês da Red Bull levantou sua segunda taça consecutiva ao vencer o confuso (e curto) GP do Japão na madrugada de hoje em Suzuka. Por causa das condições ruins de pista, muito molhada, a prova teve apenas 28 das 53 voltas previstas.

Depois de uma interrupção de quase duas horas após a largada, a corrida foi retomada quando faltavam 45 minutos para terminar o limite de três horas estabelecido para a conclusão de um GP, contados a partir do horário marcado para seu início. No caso do GP do Japão, pelos horários locais, largada às 14h e fim de conversa às 17h — com um máximo de duas horas de carros na pista dentro desse intervalo. E a corrida foi encerrada quando esse tempo expirou.

As regras da categoria preveem que a pontuação de um GP é integral se for concluído com bandeira quadriculada, mesmo se o número de voltas não atingir o mínimo de 75% da distância original. No caso de uma prova suspensa, aí sim os pontos são distribuídos de forma fracionada, proporcionalmente ao número de voltas completadas. Mas não foi o caso do GP do Japão. Houve uma interrupção e a sequência depois, até estourar o tempo máximo.

Por conta dessas novas regras, percebeu-se alguma confusão assim que Verstappen recebeu a bandeira quadriculada, com Charles Leclerc em segundo e Sergio Pérez em terceiro. Se o resultado final fosse aquele, Max ainda precisaria de um ponto para garantir o título matematicamente. Mas na última volta Leclerc cortou a chicane que leva à reta dos boxes quando se defendia do mexicano e foi punido com 5s em seu tempo total de prova. Caiu para terceiro.

A dupla da Red Bull se abraça: 22ª dobradinha da história da equipe

A punição foi decidida rapidamente e anunciada quando Verstappen já dava sua primeira entrevista antes de subir ao pódio. Ficou surpreso com a informação de que era campeão, dada a ele pelo ex-piloto Johnny Herbert, mestre de cerimônias da vez. Assim como muita gente no paddock e nas transmissões de TV, o piloto também achava que não faria todos os pontos da vitória, porque a corrida teve pouco mais da metade das voltas originais. Faltou ler o regulamento novo — que é bastante claro, embora possa ser discutido em sua essência. Não importa. Boas ou ruins, as regras foram cumpridas.

Foi a 12ª vitória de Verstappen na temporada, 32ª na carreira. Nas estatísticas da categoria, ele agora está empatado com Fernando Alonso na sexta posição entre os maiores vencedores da história. Perde apenas para Lewis Hamilton (103), Michael Schumacher (91), Sebastian Vettel (53), Alain Prost (51) e Ayrton Senna (41). Faltando quatro etapas para o fim do campeonato, sua próxima meta será bater o recorde de vitórias na mesma temporada. Essa marca pertence a Schumacher (2004) e Vettel (2013), com 13.

A largada debaixo de chuva: muito spray e visibilidade nula

A meteorologia acertou na mosca e a prova de Suzuka começou mesmo com pista bem molhada e chuva intermitente. Não foi a tempestade esperada por muita gente, mas havia água o bastante no asfalto para levantar um spray desgraçado assim que os carros saíram para a volta de apresentação. Aquilo não ia dar certo. Os pneus escolhidos por todos foram os intermediários. E um piloto partiu dos boxes, Pierre Gasly – a AlphaTauri mexeu em tudo que podia para adequar seu carro à condição de piso encharcado.

A largada foi bonita no duelo entre Verstappen e Leclerc — o que se passou atrás dos dois, não deu para ver. A Ferrari #16 patinou menos, mas Max não quis nem saber. Não deixou o monegasco entrar na primeira curva na frente, fez um traçado quase exótico, por fora, e segurou a ponta.

Parecia que a primeira volta seria milagrosamente completada sem incidentes, mas que nada… Vettel e Alonso se tocaram, Albon furou o radiador num toque de Magnussen e abandonou, Zhou rodou, Sainz bateu forte e Gasly arrastou com o bico uma enorme placa publicitária da Rolex — que foi parar no meio da pista com o acidente da Ferrari #55.

O safety-car foi imediatamente acionado e no fim da segunda volta a direção de prova achou melhor parar tudo para recolher mortos e feridos ao longo dos 5.807 m do circuito. Bandeira vermelha e todos orientados a voltar para os boxes.

Verstappen, Leclerc, Pérez, Ocon, Hamilton, Alonso, Russell, Ricciardo, Tsunoda e Schumacher ocupavam as dez primeiras posições quando a corrida foi suspensa. E a chuva começou a apertar. Seria uma longa tarde no Japão, uma interminável madrugada para quem acompanhava a prova pelo horário brasileiro.

Na parada, um piloto em particular estava indignado. Gasly percebeu que com os carros ainda em movimento, embora a bandeira vermelha já tivesse sido mostrada, um caminhão-grua e um trator entraram na pista para resgatar os que tinham ficado pelo meio do caminho. E o caminhão veio trafegando na contramão! As imagens foram aterrorizantes.

À esquerda de Gasly, um caminhão na pista: situação perigosíssima

Foi inevitável a lembrança do acidente de 2014 com Jules Bianchi, no mesmo circuito. O piloto bateu num trator que resgatava a Sauber de Adrian Sutil e acabou morrendo nove meses depois. “É inaceitável!”, berrou o francês pelo rádio. Os comissários, porém, disseram que o piloto da AlphaTauri é que estava mais rápido do que deveria, a 250 km/h, porque parou no box com o safety-car ainda na pista para trocar o bico danificado pela placa publicitária e saiu em disparada para se juntar ao pelotão. Gasly seria punido por isso — 20s acrescidos ao seu tempo final de prova. Um absurdo do tamanho do mundo. Porque as câmeras on-board de todos os carros, a partir do líder Verstappen, mostraram que o caminhão e o trator entraram na pista antes que eles parassem nos boxes. Todos correram riscos enormes. “Estive a dois metros de perder minha vida!”, protestou Gasly, com toda razão.

A direção de prova chegou a ensaiar um reinício atrás do safety-car 40 minutos após a paralisação, mas logo voltou atrás e suspendeu a relargada, deixando o autódromo num vácuo de informações. Ninguém sabia exatamente o que iria acontecer. A única certeza: se a corrida fosse retomada, todos teriam de usar pneus para chuva forte, por determinação da torre de controle.

Aqui cabe um longo esclarecimento para compreender tudo que se passaria nas horas seguintes. Em 2022, o regulamento mudou para evitar que situações como a do ano passado na Bélgica se repetissem. Em Spa/2021, para quem não se lembra, a corrida não aconteceu, na prática. Mas teve metade dos pontos atribuídos aos dez primeiros porque o diretor de prova, depois de vários adiamentos, autorizou duas voltas atrás do safety-car – suficientes, pelas regras de então, para que o GP fosse considerado formalmente realizado — e suspendeu o evento. O motivo foi o mesmo: excesso de chuva, condições precárias de segurança. Verstappen ganhou, Russell foi o segundo de Williams, Hamilton ficou em terceiro.

As críticas generalizadas do público e da imprensa — além de integrantes das equipes, pilotos, camareiros, mecânicos, cozinheiros, sapateiros, bispos evangélicos, rabinos e padres ortodoxos — levaram a uma revisão das regras. Agora, os pontos distribuídos passaram a ser proporcionais ao percentual de voltas concluídas em relação à distância original. Mas apenas em caso de suspensão da prova e impossibilidade de um reinício. E se o líder não completar pelo menos duas voltas com bandeira verde até a suspensão definitiva, ninguém pontua. Se a corrida não tivesse sido reiniciada até se esgotarem as tais três horas do evento, seria exatamente esse o desfecho do GP japonês.

Ocorre que o GP não foi suspenso, e sim interrompido e retomado mais tarde. Quando o cronômetro regressivo apareceu na tela da TV, ficou claro que a corrida não seria disputada integralmente por causa do limite de três horas para encerrar o evento. Às 17h locais, acontecesse o que acontecesse, todo mundo iria para casa. No caso de um reinício antes disso, a bandeira quadriculada seria mostrada quando se chegasse nesse horário, independentemente do número de voltas percorridas — tipo bar que tem de fechar à meia-noite, esteja você com o copo cheio ou quase vazio. E a pontuação seria integral.

Só que a chuva não dava trégua.

Mensagem do pai de Bianchi no Instagram: protesto veemente

Enquanto esperavam por uma decisão da direção de prova, pilotos como Norris, Pérez, Ocon e Sainz manifestaram, pelas redes sociais, seu inconformismo com as aparições fantasmagóricas do caminhão e do trator na pista. “Inaceitável” foi a palavra mais usada. “Não respeitam a vida dos pilotos nem a memória de Jules”, escreveu Philippe Bianchi, pai do desafortunado francês que era uma das apostas da Ferrari para o futuro quando sofreu o acidente de 2014, correndo pela extinta Marussia. Fãs também disparavam impropérios contra os dirigentes. “Um brinco ou um piercing são perigosos. Um caminhão na pista, não! Tá certo, FIA…”, escreveu um deles no Twitter.

Quando faltavam 58 minutos para zerar o cronômetro, veio a mensagem da direção de prova: o reinício seria autorizado às 16h15 locais, 4h15 pelo horário de Brasília, com largada atrás do safety-car. Seriam, no máximo, 45 minutos de carros andando. Mas se a prova chegasse ao fim das três horas sem nenhum incidente que levasse a uma suspensão, ainda que com muito menos voltas do que as 53 originais, a pontuação seria integral. Os pontos fracionados, é bom reforçar, só são aplicados quando a corrida é suspensa sem possibilidade de retomada — um terremoto que engole os boxes, um disco voador pousando no paddock pilotado por Jean Marie Balestre trazendo Max Mosley vestido de Carmem Miranda, coisas assim.

Como o GP terminou no limite de tempo, não se configurou suspensão alguma. Foram 28 voltas no total. Poderiam ser quatro ou cinco e os pontos seriam concedidos integralmente da mesma forma.

Reinício ainda com muita água na pista: 45 minutos de corrida

Assim que voltaram à pista, logo nos primeiros metros os pilotos começaram a informar, pelo rádio, que as condições estavam melhores do que antes. Depois de três voltas puxando a fila que ajudava a drenar a água, o safety-car apagou as luzes. A largada, com todos em movimento, seria dada. Na regressiva do relógio, seriam cerca de 40 minutos de corrida de verdade. Um pouco mais que uma Sprint.

E assim foi. Vettel e Latifi nem esperaram a bandeira verde e já foram para os boxes colocar pneus intermediários. Estavam no fim do pelotão. Uma boa sacada, sem dúvida, baseada na sensibilidade de ambos naquele pouco tempo atrás do safety-car. Na volta seguinte, Norris e Bottas fizeram o mesmo. Verstappen e Leclerc, em primeiro e segundo, correram para os boxes na volta seguinte. Quase todo mundo fez a mesma coisa na mesma hora. Os pneus de chuva forte já não eram mais necessários. Os últimos a parar foram Alonso, Ricciardo, Zhou e, bem mais tarde, Schumacher — que apostou, e perdeu, na eventualidade de a chuva voltar forte nas últimas voltas.

Após os pit stops, o holandês disparou na frente de forma assombrosa e rapidamente abriu mais de 5s sobre Leclerc, o segundo. Vettel e Latifi, os primeiros que colocaram intermediários, se deram bem e jogaram âncora em sexto e oitavo — queriam que o mundo acabasse em barranco para morrerem encostados onde estavam. Seria um prêmio pela ousadia. E valeu a pena, como se vê pela classificação final da corrida aí embaixo. O alemão da Aston Martin terminaria em sexto. O canadense da Williams, que largou em último, acabou em nono. E fez seus primeiros pontos no ano, com enorme mérito — era o último do grid.

Final em Suzuka: prova curta, pontos integrais

Mais para trás, Russell era o único que conseguia ganhar posições. Passou Tsunoda e Norris em duas voltas e subiu para nono. Ainda superaria Latifi, para terminar em oitavo. Hamilton, em quinto, perseguia Ocon, mas não conseguia passar o francês da Alpine de jeito nenhum. Dificuldade semelhante tinha Alonso fustigando Vettel. Faltando 15 minutos para o final, Max já corria sozinho, mais de 13s à frente de Charlinho.

Pérez, em terceiro, era quem se aproximava do monegasco. Colou na Ferrari quando o cronômetro zerou. Na última chicane, Leclerc passou direto e voltou ao leito da pista na frente do mexicano. Recebeu a quadriculada 26s atrás de Verstappen, mas acabaria sendo punido com 5s por ter levado vantagem no atalho da chicane — aquela mesma do quiproquó entre Senna e Prost em 1989. Caiu para terceiro, e foi essa punição que deu o título ao holandês. Com o resultado, Max passou a ostentar uma diferença de 113 pontos para Pérez, o novo vice-líder do campeonato. Há 112 em jogo até o fim da temporada.

Ocon terminou em quarto, seguido por Hamilton, Vettel, Alonso, Russell, Latifi e Norris nas dez primeiras posições. A Alpine passou novamente a McLaren e reassumiu o quarto lugar na tabela de classificação. A Red Bull, após mais uma dobradinha, é virtual campeã de construtores. Com 191 pontos em disputa até Abu Dhabi, tem 165 de frente para a Ferrari. Será o quinto título rubro-taurino entre as equipes, o primeiro desde 2013.

Max no clube dos que ganharam ao menos dois títulos seguidos: boa companhia

Por conta do desconhecimento generalizado e das dúvidas sobre as regras de pontuação adotadas neste ano, a comemoração de Verstappen e de seu time foi, digamos, hesitante. Demorou um pouco para a turma entender que a fatura estava liquidada. Quando teve certeza da conquista, Max abriu um largo sorriso e saiu abraçando seus companheiros. No pódio, foi felicitado pelos colegas. “O primeiro título é mais emocionante, mas o segundo foi mais bonito”, tentou resumir o holandês.

Sim, foi bonito. E fácil. Porque para Verstappen as coisas parecem mais simples do que realmente são. Neste ano, ele ganhou corridas no seco e no molhado, em pistas rápidas e nas mais travadas, largando na frente e partindo de trás, dominando os adversários implacavelmente ou subjugando-os com manobras desconcertantes. Mostrou um repertório vastíssimo, errou pouco, exibiu sua técnica em plenitude, esbanjou talento e maturidade.

Se no ano passado muita gente torceu o nariz para seu primeiro título, pela forma como se deu o desfecho em Abu Dhabi, nesta temporada não há muito mais a fazer além de aplaudir o rapaz. É um desses gênios que só aparecem de vez em quando.

Comentar

DESAFIO DO DIA

Fazendo hora enquanto a corrida não começa, pergunto: o que Jackie Stewart e esse monte de gente com boinas escocesas estão fazendo num carro da Indy?

Comentar

FAZ UM MIOJO (5)

Hamilton chegando a Suzuka para a corrida da madrugada. O nome disso aí é elegância.

Comentar

FAZ UM MIOJO (4)

Ricciardo admite: não corre em 2023 e carreira pode ter chegado ao fim

SÃO PAULO (fim de papo) – Daniel Ricciardo assumiu hoje que não correrá em 2023. Pretende passar um ano sabático, como se diz, para voltar em 2024. Não tem mais lugar para ele no grid. Não que não tenha tentado. Aparentemente, a Alpine era seu desejo. “Mas eu sabia das negociações com Gasly desde o início”, falou o australiano da McLaren.

Com as confirmações, ontem, de Gasly na Alpine e De Vries na AlphaTauri, sobraram duas vagas no grid para 2023, como se vê no quadro abaixo. Uma na Haas e outra na Williams. Para a primeira, fala-se em Nico Hülkenberg, embora Mick Schumacher lute para ficar onde está. “Ah, mas e o Pietro?”, clamará alguém com camiseta da seleção, lembrando que o Fittipaldi em questão é reserva da Haas. O Pietro, respondo, não faz parte dos planos de ninguém. Para a outra vaga, a da Williams, Logan Sargeant, americano que corre na F-2, é o favorito.

Alguns desses pilotos já confirmados para 2023 terão seus contratos encerrados ao final da próxima temporada. Hamilton, por exemplo. Possivelmente Zhou, Tsunoda e Magnussen. É com isso que Ricciardo conta para tentar um retorno em 2024. Minha tese: talvez esteja de olho na Sauber pós-Alfa Romeo, que deverá iniciar um processo de transição para virar Audi em 2026. Como há uma certa escassez de nomes no mercado, de pilotos habilitados a guiar carros de F-1, pode ser que recorram a ele. É um cara jovem, 33 anos, e experiente. E já mostrou ser capaz de vencer. Pode ser uma boa. Sei lá.

Só que a fila anda. Quem fica um tempo parado corre sempre o risco de ser esquecido. OK, Raikkonen e Alonso pararam e voltaram. Mas eram campeões mundiais. E não viveram um período tão ruim quanto o que Ricciardo vem passando nos últimos dois anos. Optaram por deixar a categoria por motivos diversos, não foram demitidos com contratos em vigor como aconteceu com o australiano. Não saíram por baixo, de forma melancólica, quase como ex-pilotos em atividade. Mantiveram a fama de mau. Não é o caso de Daniel agora, que vai se recolher cabisbaixo e duvidando da própria capacidade de voltar a ser competitivo.

Com 227 GPs debaixo do capacete, o sorridente Ricciardo chegou à categoria sob o guarda-chuva da Red Bull em 2011 e estreou pela HRT, que nascera como Hispania. Logo passou à Toro Rosso, no ano seguinte, e em 2014 já era titular do time principal. Com três vitórias naquela temporada e terminando o campeonato em terceiro, à frente do tetracampeão Sebastian Vettel, foi alçado à condição de piloto de ponta.

Foram mais quatro anos na Red Bull, com mais quatro vitórias — uma em 2016, uma em 2017 e duas em 2018. Em 2016, repetiu sua melhor classificação no Mundial e foi terceiro de novo. Mas foi justamente nessa temporada que as coisas começaram a azedar, com a chegada de Max Verstappen ao time. Ele percebeu que deixaria de ser o queridinho de Milton Keynes com a ascensão do holandês. Assim, no final de 2018 pediu as contas e se mandou para a Renault.

No time francês foram dois anos e apenas dois pódios, ambos em 2020. Sem se animar muito com a equipe — a recíproca era verdadeira –, mudou de casa novamente e foi parar na McLaren no ano passado. Teve um único momento de glória em Woking: a vitória no GP da Itália, em Monza. Seu único pódio vestindo o macacão papaia. Em 2022, faz um campeonato melancólico. Está em 11º lugar com 29 pontos, enquanto seu parceiro Lando Norris, 11 anos mais novo, ocupa a sétima posição com 100.

Ricciardo tinha contrato até o fim do ano que vem, mas já em julho a McLaren começou a negociar com Oscar Piastri, ao perceber que a Alpine tinha bobeado no contrato com o jovem campeão da F-2. Pegou o moleque e, depois, avisou Daniel que não precisaria mais de seus préstimos. Pagou uma multa — especula-se que em torno de dez milhões de euros — e dispensou o piloto.

Comentar

FAZ UM MIOJO (3)

Leclerc cumprimenta Verstappen: holandês foi o mais rápido na madrugada

SÃO PAULO (o tempo não passa…) – O primeiro passo está dado. Max Verstappen, que pode ser bicampeão antecipado na madrugada deste domingo, conseguiu a pole-position para o GP do Japão. Foi a quinta pole dele no ano e a 18ª na carreira. Com 104 pontos de vantagem sobre o vice-líder Charles Leclerc e 106 sobre o terceiro colocado, Sergio Pérez, ele precisa sair de Suzuka 112 pontos à frente de quem estiver em segundo na classificação para levantar a taça quatro etapas antes do final do campeonato. Numa conta rápida e simplificada, já que há outras combinações de resultado possíveis, se Max vencer e fizer a melhor volta fecha a disputa independentemente das posições de seus adversários.

Em tese, é um resultado que nada tem de anormal. Três de suas 11 vitórias nesta temporada foram conquistadas com o ponto extra da volta mais rápida. É raro, mas acontece sempre, como se diz. O que pode não ser normal é a corrida. De acordo com os serviços de previsão do tempo, a região de Suzuka deve ser castigada com fortes chuvas na hora da prova, que começa às 2h do domingo, pelo horário de Brasília. Dependendo do volume de água, tudo pode acontecer. Até, segundo os prognósticos daqueles mais chegados a um catastrofismo, um GP encerrado antes do tempo por falta de segurança.

É cedo para querer adivinhar o futuro, porém. Melhor esperar um pouquinho para saber o que os céus nos reservam. Teve um ano, não lembro qual, em que ficamos trancados em casa num sábado em Suzuka aguardando a passagem de um tufão. Cancelaram todas as atividades de pista e fecharam o autódromo. Não veio tufão algum. A chuva foi mais fraca que a de ontem à noite em São Paulo.

Mas vamos em frente. Para quem não aguentou acordado para ver a classificação, segue um breve relato, cortesia do blogueiro que está atento e forte. Mesmo de madrugada.

Max em sua volta voadora: título pode vir na madrugada de domingo

Como já haviam antecipado os meteorologistas, o sábado foi bem diferente da sexta-feira e não caiu uma gota sobre Suzuka ao longo do dia. A temperatura estava na casa dos 19°C assim que os boxes foram abertos. Tudo correu normalmente no Q1, exceto para Pierre Gasly, que passou toda a primeira fase da classificação com problemas crônicos de freio, gritando feito louco pelo rádio.

Verstappen, que já havia sido o mais rápido no último treino livre, ficou com a primeira posição no Q1, com o tempo de 1min30s224. Sainz, Leclerc, Alonso e Pérez vieram atrás dele nas cinco primeiras posições. Nenhuma surpresa entre os eliminados: pela ordem, Albon, Gasly-sem-freio, Magnussen, Stroll e Latifi.

Equilíbrio foi a marca do Q2. Do mais veloz, desta vez Pérez com 1min29s925, ao 13º, Tsunoda, a diferença no cronômetro foi de apenas 0s7. Alonso, Verstappen, Ocon e Hamilton fecharam o grupo dos cinco primeiros. A degola ceifou Ricciardo (por meros 0s003), Bottas, Tsunoda, Zhou e Schumacher. A briga pela pole prometia.

Norris desvia pela grama: pilotos foram chamados à torre

Como de hábito, o Q3 permitiria duas baterias de voltas rápidas para todo mundo – ou quase, porque Vettel foi para apenas uma tentativa. Na primeira saída, Verstappen quebrou a banca com uma voltaça em 1min29s304. Leclerc e Sainz ciscaram ali por perto, a 0s253 e 0s398 do holandês, respectivamente. Houve um momento de tensão quando Max preparava sua volta, aquecendo os pneus. Deu uma ziguezagueada no meio da reta e Norris vinha bem mais rápido atrás dele. Teve de passar pela grama para não partir o Red Bull #1 no meio. (Os comissários avisaram que iriam investigar o episódio e convocaram os dois para dar explicações depois da classificação. Lando ficou bravo: “O que ele fez não pode fazer”, resumiu de forma bem clara. Não houve punição alguma.)

Os tempos de sábado: menor diferença entre primeiro e segundo no ano

Caberia aos pilotos da Ferrari tentar desbancar o líder do Mundial na segunda rodada de voltas voadoras. Mas a tarefa não era mesmo das mais fáceis. Charlinho até melhorou seu tempo e ficou muito perto: apenas 0s010 de distância. Mas não foi o bastante. Ficou em segundo, seguido por Sainz, Pérez, Ocon, Hamilton, Alonso, Russell, Vettel e Norris. Max nem precisou acelerar para melhorar sua marca. Quando Leclerc fechou a volta e não conseguiu bater seu tempo, tirou o pé.

Breve momento de emoção foi o retorno de Vettel aos boxes. Agradeceu a todos em japonês e disse que iria sentir muita falta do circuito onde conquistou quatro de suas 53 vitórias na F-1. “Não tem pista nenhuma no mundo igual a essa!”, vibrou, feliz da vida por ter ido ao Q3 e pelo bom nono lugar no grid. Como contente também estava Ocon, com a quinta posição — à frente dos dois carros da Mercedes e de seu futuro ex-companheiro Fernando Alonso.

E nada tendo mais a acrescentar, vou dormir.

Comentar

FAZ UM MIOJO (2)

SÃO PAULO (vai, madrugada!) – Como se esperava, antes da abertura dos treinos deste sábado em Suzuka vieram as confirmações oficiais: Pierre Gasly foi liberado pela Red Bull e será piloto da Alpine no ano que vem. Seu lugar será ocupado por Nyck de Vries, holandês que estreou neste ano fazendo um GP pela Williams em Monza e que estava vinculado à Mercedes.

Bicampeão mundial de kart em 2010 e 2011, De Vries ganhou também o título da F-2 em 2019 e da Fórmula E na temporada 2020/2021, este pela Mercedes. Fez três treinos livres em finais de semana de GP neste ano e com o nono lugar no GP da Itália, chamado às pressas para o lugar de Alexander Albon, se recolocou no mercado instantaneamente.

Gasly tem uma carreira de idas e vindas e uma grande volta por cima, quando foi dispensado pela Red Bull em 2019 para, no ano seguinte, vencer seu primeiro GP vestindo o macacão da AlphaTauri, em Monza. Especula-se que a liberação de seu contrato para a Alpine custou à equipe francesa US$ 10 milhões, já que ele tinha compromisso com o time atual até o fim de 2023. Pierre e seu futuro companheiro, Esteban Ocon, cresceram no kart e foram subindo degraus juntos até chegarem à F-1.

Dizem que não se dão tão bem hoje como quando eram crianças. Mas Gasly recebeu as boas vindas do parceiro, pelas redes sociais, com carinho. Ocon costuma chamá-lo de “Pierrot”. A Alpine, assim, revive os tempos da Renault nos anos 70 e 80, quando só tinha pilotos franceses em seus carros. De 1977 a 1982 foi sempre assim. O norte-americano Eddie Cheever, em 1983, foi o primeiro a vestir o macacão da montadora sem saber a Marselhesa de cor.

Comentar

FAZ UM MIOJO (1)

Leclerc a caminho dos boxes: todo mundo molhado

SÃO PAULO (e tome madrugada…) – Muita água e pouca notícia. Foi assim a sexta-feira chuvosa de Suzuka, com dois treinos livres realizados com pista totalmente molhada o tempo todo, o que inviabilizou os testes de meia hora com os pneus de 2023 na segunda sessão — que, mesmo assim, teve 90 minutos de duração.

Como a previsão para o sábado (anotem: meia-noite de hoje o terceiro treino livre, 3h do sábado a classificação) é de tempo firme e pista seca, pode-se dizer que o dia não serviu para muita coisa. Mas como há boa uma chance de chover domingo, os pilotos até que andaram bastante e experimentaram os pneus intermediários e de chuva forte. No fim do dia, a Mercedes fez 1-2 com Russell e Hamilton. O relato completo do segundo treino está aqui.

Embora algumas rodadas e passeios pela brita tenham sido registrados ao longo dos dois treinos, o único incidente digno de nota foi a batida de Mick Schumacher quando a primeira sessão já tinha sido encerrada e ele voltava para os boxes. Bateu feio, tanto que a Haas terá de trocar seu chassi para amanhã. O alemão nem participou do segundo treino livre. E, claro, a pancada não vai ajudar nada nas suas negociações para ficar na F-1.

Falando em negócios, aguardem para as próximas horas um anúncio da Alpine confirmando Pierre Gasly para o ano que vem. Pode ser que aconteça antes mesmo de os carros irem para a pista de novo. Seu lugar na AlphaTauri será ocupado por Nyck de Vries. Comunicados das duas equipes, a esta altura, já devem ter sido redigidos e revisados por todas as partes. Gasly vai agradecer à Red Bull e saudar a possibilidade de correr por uma equipe francesa. O holandês também irá agradecer a oportunidade de disputar seu primeiro Mundial completo e, da mesma forma, dirigirá algumas palavras de gratidão à Mercedes.

Caixinhas, agora.

Kobayashi em Suzuka, 2012: dez anos de pódio histórico

KOBA, 10 – Hoje, 7 de outubro, faz exatamente dez anos do histórico pódio de Kamui Kobayashi em Suzuka. Ele terminou o GP do Japão em terceiro, atrás de Sebastian Vettel (Red Bull) e Felipe Massa (Ferrari). Defendia a Sauber, na época. Kobayashi se tornou o terceiro japonês a subir ao pódio na F-1 — e também o último. Antes dele, os samurais que levaram troféus foram Aguri Suzuki (de Lola com motor Lamborghini em 1990, também em Suzuka, na prova que teve Piquet em primeiro e Moreno em segundo) e Takuma Sato (terceiro no GP dos EUA de 2004, em Indianápolis, com um BAR-Honda).

Um GP no Soweto, com o nome de Mandela: ótima ideia

MAMA ÁFRICA – A última informação, ainda muito preliminar, envolvendo a possibilidade de um GP na África do Sul espocou hoje na imprensa inglesa. E seria um negócio bem diferente de uma corrida convencional em Kyalami. Um grupo de empresários sul-africanos estaria disposto a investir pesado num GP pelas ruas do histórico bairro do Soweto — centro da resistência negra à política do apartheid que vigorou no país durante anos, até o início da década de 90. A prova levaria o nome de GP Nelson Mandela. Como disse, é tudo muito incipiente. Mas que seria fantástico, seria.

Foto de divulgação da Red Bull: time fez questão de mostrar a placa

HONDA, SIM – Não deve demorar muito para que seja anunciado um reatamento das relações formais entre Honda e Red Bull. Como se viu hoje (e tinha sido informado no início da semana), os carros da equipe líder do Mundial e os da AlphaTauri voltaram a estampar a marca da montadora japonesa no capô. A Honda tinha decidido deixar a F-1 no fim do ano passado, assinando apenas um contrato de manutenção e assistência técnica de seus motores com a Red Bull até 2025. Motores que nem levariam mais seu nome. Alguém percebeu a besteira que fez e, agora, a empresa deve retomar a parceria que inclui, claro, dinheiro de publicidade, ações de marketing e tudo mais.

Hoje à noite tem “Fórmula Gomes”, começando às 19h, para a gente contar umas cascatas do Japão. No canal do YouTube, que vocês já conhecem bem.

Comentar

NA AGENDA

SÃO PAULO (programe-se) – Pessoal de São Paulo e quem vier para o GP do Brasil não pode perder essa… Vou reproduzir o release na íntegra, porque o pessoal da assessoria da corrida é de altíssima qualidade, além de serem meus amigos. Não precisa mexer nada no texto!

EXPOSIÇÃO 50 ANOS DE GRANDES PRÊMIOS NO BRASIL


A Fórmula 1 está chegando ao Parque Ibirapuera. A Oca – Pavilhão Lucas Nogueira Garcez – vai abrir as portas, a partir do próximo dia 18 de outubro, com a primeira grande exposição de F-1 realizada no país. Como parte da comemoração dos 50 anos da categoria no Brasil, o evento reunirá carros, capacetes, troféus dos pilotos que fizeram a história nos autódromos de Interlagos, em São Paulo, e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A venda antecipada de ingressos começa nesta quinta, 6/10 no site da Eventim.

A Williams de Nelson Piquet, a Jordan de Rubinho, a Ferrari de Felipe Massa e a Renault de Giancarlo Fisichella, estarão entre os carros expostos no local. A família de José Carlos Pace cedeu o macacão e o capacete que ele utilizou em sua única vitória na F-1, o GP do Brasil de 1975, assim como o troféu que recebeu após a corrida. É a primeira vez que eles serão exibidos nos últimos 35 anos. Também estarão expostos na Oca a sapatilha e macacão que Ayrton Senna usou no GP do Brasil de 1993 e o troféu recebido pela sua segunda vitória em Interlagos. O capacete que Emerson Fittipaldi vestiu no GP do Brasil de 1972 é outra das atrações da exposição.

Um “túnel do tempo” com fotos de todos os GPs realizados no Brasil, um trabalho realizado por Beto Issa, fotógrafo oficial do GP São Paulo de F-1, é um painel que retrata os grandes momentos da categoria no Brasil. Entrevistas ao vivo com personalidades do automobilismo, jovens pilotos, engenheiros estão previstas ao longo da exposição. Produtos comemorativos dos 50 anos de GPs estarão disponíveis na loja da Oca, durante todo o período da exposição.

Os ingressos custarão R$ 50, de quarta à sexta, e finais de semana de manhã; nos sábados e domingos, o preço será de R$ 150, dando direito a participar da Garage-Fest com DJs e telão para assistir às corridas restantes do Mundial — GPs do México, EUA, São Paulo e Abu Dhabi, no dia 20 de novembro, último dia da exposição. Haverá venda de meia entrada todos os dias e às terças o acesso é gratuito. Clientes da Porto Seguro Bank, uma das patrocinadoras do evento, terão 15% de desconto na compra de ingressos utilizando seu cartão de crédito. A exposição funcionará de terça a domingo, das 10h às 21h, e cada grupo de visita é limitado a 200 pessoas e tem duração de 60 minutos.

Comentar

DICA DO DIA

Hoje faria 100 anos José Froilán-González. Foi com ele que a Ferrari ganhou seu primeiro GP, em Silverstone/1951. O pessoal do “Futebol Portenho” mandou este depoimento emocionante daquele que entrou para a história da F-1.

Comentar

ONE COMMENT

Mais um (uma?) SUV elétrica saindo do forno surfando na onda de carrinhos do passado. Agora é a Renault. Vai usar até o nome. O Renault 4, o de verdade, é meu último sonho de consumo.

Comentar

Blog do Flavio Gomes
no Youtube
MAIS VISTO
1:24:07

POR QUE AMAMOS UM LOGAN (BEM, MERDINHAS #257)

O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...

1:10:23

CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)

Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...