ENCHE O TANQUE
Liubliana, Eslovênia. O carro? Bom, acho que está mais perto do que vocês imaginam.

Liubliana, Eslovênia. O carro? Bom, acho que está mais perto do que vocês imaginam.


SÃO PAULO – Quem conta é o Crispim.
A Vemag tinha uma grande equipe e pelo menos dois pilotos, Marinho e Bird, fora de série. Faziam muitas corridas longas. Eram 24 horas aqui, mil milhas ali, 500 quilômetros acolá.
Tinha aquelas largadas Le Mans, piloto de um lado, carro do outro. Geralmente largava de noite, Interlagos é frio pra burro. Aí nossos carros ficavam lá parados esperando para largar, o óleo decantava, e toca descer na pista para balançar os carros, misturar o óleo, o motor pegar. Quando a gente saía já tinha gente lá no fim da reta. Aí ia pegando, pegando, limpava um cilindro, limpava o outro e ia falhando até a curva dois, depois limpava tudo.
Carro nenhum faz corrida longa assim sem parar nos boxes um monte de vezes. E trocávamos tudo, é o Crispim que está contando, a gente parava e trocava pneu, vela, abastecia, e precisava trocar lona de freio, também, a gente tirava o freio inteiro, panela, sapata, tambor, e colocava outro.
Mas isso demorava, porque o freio chegava muito quente e a gente precisava usar luva de amianto, para não queimar a mão, e era difícil com aquelas luvas grossas mexer nas ferramentas, tirar os parafusos, os pinos, colocar o conjunto novo. Então o Bird reclamou um dia que isso demorava muito e a gente perdia muito tempo, e explicamos que era por causa das luvas, porque pra tirar tudo a gente ia queimar as mãos, era impossível, e com aquelas luvas a gente não conseguia segurar as ferramentas direito para tirar as coisas, precisava esfriar um pouco, era complicado.
Então o Bird disse, na próxima vez que tiver de parar me mandem uma placa umas duas voltas antes, e não precisa colocar luva pra trocar nada, vai chegar tudo frio. Como frio, Bird? E ele disse pra fazermos o que ele tinha dito, então demos a placa e na volta seguinte ele parou. Interlagos era grande, tinha oito quilômetros. Quando ele parou tiramos as rodas e fomos no freio com a luva pra arrancar tudo, e ele gritou de dentro do carro para tirarmos as luvas, que era pra trocar mais rápido, e a gente tirou com medo de queimar a mão, e quando fomos no freio eles estavam gelados. Era de noite, Interlagos é frio pra burro.
Como ele fez isso?, perguntei. O Bird deu quase duas voltas sem usar o freio pra esfriar. Como assim, não freou? Ele não freou. O problema é que o tempo de volta não mudou.
Quem conta agora sou eu.
Faz tanto tempo que nem sei se lembro quanto, mas tinha uma agência do Bamerindus na Onze de Junho e em frente dela uma loja de carros usados. Então troquei um cheque no banco e quando saía vi na loja um carro amarelo com uma faixa verde no capô, e era um Interlagos.
Então atravessei a rua e como nunca tinha comprado um carro na vida perguntei ao vendedor quanto é, como se estivesse na feira. Eu não teria dinheiro, de qualquer maneira, porque tinha 18 ou 19 anos e com 18 ou 19 anos a gente não tem dinheiro.
Então o vendedor me perguntou se eu sabia que carro era aquele e eu sabia, é um Interlagos amarelo com uma faixa verde no capô, respondi, quanto é?, insisti, e ele me mandou esperar, foi a uma gaveta no fundo da loja, tirou uma carteira com um documento e me trouxe, olha aqui de quem era, e estava escrito no documento Bird Clemente.
Eu tinha 18 ou 19 anos e sabia quem era o Bird Clemente, claro que sabia, tinha visto correr em Interlagos, era mais garoto ainda, conhecia o Bird Clemente das capas das revistas e das histórias que meu pai contava, só não sabia que o Bird se chamava Bird, mesmo, porque achava que era um apelido. Um apelido bem apropriado para um piloto, inclusive.
Esse carro era do Bird Clemente, disse o vendedor, enfatizando o Clemente como se houvesse outros Birds por aí. E quanto é?, perguntei de novo ignorando a informação, agora para irritar o vendedor, porque ele queria aumentar o preço, claro, e ao mesmo tempo queria jogar na minha cara que aos 18 ou 19 anos eu não teria dinheiro para comprar carro algum, muito menos o Interlagos amarelo com uma faixa verde no capô do Bird Clemente.
Então ele fechou o documento com força, não iria perder tempo com alguém que tinha 18 ou 19 anos, que não teria dinheiro para comprar um Interlagos amarelo com uma faixa verde no capô e que não sabia quem era o Bird Clemente.
Mas eu sabia quem era o Bird Clemente, e como ele não me disse quanto era aquele carro, virei as costas e disse, isso aí vivia apanhando de DKW, e fui embora.





Muitos anos depois conheci o Bird e soube que o nome dele era homenagem a um explorador do Polo Sul ou do Polo Norte ou de ambos, e era um Bird com Y, o que fazia dele outra coisa que não um pássaro. Bird, o pássaro, sempre dizia que o DKW de 1961 das Mil Milhas foi o maior carro de corrida que guiou na vida, e ele falava “nosso carro” com a mesma entonação que o Crispim diz até hoje, “nosso carro”, com um sentimento de posse inabalável e infinito, porque aquele era o carro deles, do Bird, do Marinho, do Crispim, do Jorge Lettry, da Vemag, e era branco com o número grandão na bolota preta, e de tanto eles dizerem “nosso carro” nas eternas tardes e noites em que contavam essas histórias eu, de vez em quando, vejo suas fotos e falo para mim mesmo que nosso carro era o mais lindo de todos, o melhor carro de corrida do mundo.
Vem aqui, pô, ele dizia no telefone nos últimos anos, e eu fui algumas, menos do que deveria. O Crispim, sim, vivia lá. Vou almoçar no Bird, ele avisava. Virou artista, faz retratos dos amigos com lápis, fez o meu. Vem aqui, pô, eu não ia sempre, mas sabia que ele estaria por ali, agora um pouco mais frágil, como um passarinho, e saber que estaria por ali era o bastante, o Crispim sempre voltava com notícias, estava tudo bem.
Pássaros, voam, porém, e o Bird voou de vez, com seus suspensórios, seu sorriso tímido, seu ouvido esquerdo que não escutava nada porque eu fiquei quase surdo, Flavinho, o escapamento do nosso carro era desse lado, você precisava ouvir.
BIRD CLEMENTE foi um mestre no que fez, o primeiro piloto profissional do Brasil, um dos 50 escolhidos pela “Autosport” inglesa para a lista dos melhores pilotos do mundo que não chegaram à Fórmula 1. A lista está aqui. Está entre Carlos Sainz, o pai, e Valentino Rossi. Sua história, hoje, foi contada em diversos textos fartos de informações e imagens. Algumas dessas fotos estão aqui, no seu site oficial. No “Bandeira Quadriculada” de Paulo Peralta é possível encontrar um perfil bem completo, com todas suas provas e resultados entre 1958, quando começou a correr, e 1974, quando parou. Bird faria 86 anos em dezembro. Morreu na noite de domingo em São Paulo.

SÃO PAULO (feito) – A FIA anunciou hoje que aceitou a candidatura da Andretti Global a uma vaga no Mundial de F-1. As demais propostas, de Carlin, Hitech, Formula Equal e LKYSUNZ, não atenderam às exigências do, digamos, “caderno de encargos” da entidade.
Agora, a Andretti precisa negociar algumas questões comerciais com a FOM, a Liberty e as outras equipes. Mas é questão de tempo para que seja oficialmente declarada como 11ª participante do campeonato. Para estreia, possivelmente, em 2025. Ou, talvez, em 2026, com o novo regulamento de motores.
A associação com a GM, através da marca Cadillac, pesou a favor de Michael Andretti, claro. Mas toda sua capacidade de trabalho, presença em oito categorias, expertise nas pistas e história no automobilismo contaram bastante, claro. Além da grana: o grupo tem os US$ 200 milhões exigidos como taxa de diluição, que serão divididos entre as equipes atuais, e lastro financeiro que garante uma longa vida na categoria.
É uma ótima notícia. Desde 2017, os grids dos GPs da F-1 têm apenas 20 carros. Ninguém acha que voltaremos aos anos 80/90, quando qualquer maluco montava um F-1 no fundo da garagem, comprava um motor e um câmbio e disputava o campeonato. Era divertido e coisa boa saiu daquela loucura. Mas os tempos são outros, os custos são outros, tudo é outro. Assim, a chegada de uma nova equipe deve ser saudada. E que comecem as especulações sobre os pilotos!
Logan's on a journey with the team, and we're behind him all the way 👊💙
— Williams Racing (@WilliamsRacing) September 28, 2023
James addresses this and more in the latest episode of the @krakenfx Vowles Verdict! 👇 pic.twitter.com/KIP79ajwC6
SÃO PAULO (a conferir) – Para quem não entende inglês ou não está a fim de ouvir o chefe da Williams, James Vowles, vamos lá. Esse tuíte — ou esse X — aí em cima é de hoje de manhã. Diante dos boatos, especulações, rumores, mexericos, zunzunzuns e alcovitices que circulam na imprensa sobre o futuro de Logan Sargeant, ele resolveu vir a público expressar seu apoio ao piloto norte-americano. Uma espécie de #SomosTodosLogan, para o menino não entrar em parafuso de vez. Um resumo do que ele disse, primeiro, e volto depois:
“Logan tem objetivos claros até o final do ano e sabe quais são. Queremos que ele consiga atingi-los. Queremos ele no nosso carro no ano que vem. Isso [que está acontecendo neste ano] tem muito a ver com a gente. Pegamos um piloto direto da F-2, sem nenhum teste significativo, demos a ele um dia e meio de testes no Bahrein e dissemos: tenha uma boa temporada. É um desafio terrível para qualquer estreante. Logan tem demonstrado vários sinais positivos. É preciso dizer, antes de mais nada e principalmente, que seu carro não tem as mesmas especificações aerodinâmicas que o de Alex [Albon]. As atualizações que fizemos foram para o carro de Alex, mas não para o dele, por várias razões ligadas ao andamento do campeonato. O progresso que ele está fazendo é visível. Em Suzuka estava andando a um décimo de Alex, numa pista difícil, quando aconteceu o acidente. Vamos continuar a trabalhar com Logan e a investir nele, porque queremos que ele se saia bem como resultado da jornada em que está conosco. A Williams tem um programa de jovens pilotos e vai continuar investindo nele. Só no momento em que todos chegarmos à conclusão de que chegamos ao fim desse caminho é que vamos tomar decisões. Mas ainda não estamos nem perto disso.”
Muito bem. São belas palavras, uma defesa do piloto que, levada ao pé da letra, faz todo sentido. De fato a Williams pegou o garoto muito verde, ele quase não testou e é difícil a vida para quem chega assim na F-1. Mas alguns chegam e se viram. Lawson, por exemplo. E não destroem carros, nem passam vergonha.
Fui olhar o que cada um deles fez antes de sentar num F-1 para seu primeiro GP. Sargeant, 22 anos, andou no carro da Williams pela primeira vez no final de 2021 em Abu Dhabi, no teste de novatos. Foram 486 km percorridos. Na ocasião, tinha terminado sua terceira temporada na F-3. Correu em 2019 (pela Carlin), 2020 (na Prema) e 2021 (na Charouz). Nesse período, conseguiu três vitórias, dez pódios e três poles. Foi terceiro colocado no campeonato em 2020.
Em 2022, foi para a F-2. Fez uma temporada razoável, com duas vitórias, quatro pódios e duas poles. Terminou em quarto. Pela mesma Williams, participou de quatro treinos livres nos GPs dos EUA, México, Brasil e Abu Dhabi, totalizando 96 voltas e 465 km. Encerrado o Mundial, fez de novo um dia de treinos em Yas Marina, mais 433 km. Contratado no começo de 2023 para ser titular, cumpriu um dia e meio de pré-temporada no Bahrein, com mais 1.239 km no lombo. No total, antes de alinhar no mesmo Bahrein para a primeira corrida no meio de gente grande, foram 2.623 km de experiência. É pouco.
Aí a gente vai ver o tal do Lawson, 21 primaveras completadas em fevereiro. Em 2021, fez o teste de novatos em Abu Dhabi pela AlphaTauri, 660 km. No ano passado, participou dos treinos livres nos GPs da Bélgica e do México pela AlphaTauri e de Abu Dhabi pela Red Bull, mais 298 km no total. Pela mesma Red Bull, de novo em Yas Marina, mais 586 km para fechar o ano. Deu 1.544 km. Aí chamam o moleque na Holanda numa fogueira danada, porque Ricciardo quebrou a mão, vai direto para a classificação com chuva, não comete nenhum erro, segue em Monza, Marina Bay e Suzuka, e já tem dois pontos e um Q3 no currículo, obtidos em Singapura. Não quebrou uma asa.
Sargeant disputou 16 GPs, chegou ao Q3 apenas uma vez (na Holanda) e seu melhor resultado até agora é um 11º lugar. Suas inúmeras batidas ao longo do ano já causaram um prejuízo de US$ 3 milhões à Williams em peças de reposição, funilaria e pintura. A franquia do seguro dele é altíssima. Sabe como é, jovem, menos de 25, pouco tempo de carta…
Tudo que Vowles disse é verdade: Sargeant precisa de apoio, a equipe pode ter se precipitado em colocá-lo como titular sem estar preparado para tal, o carro é diferente do de Albon, ele é bonzinho e querido etc. e tal. Mas é fraco. Por isso, por mais que o time tenha saído em sua defesa — e eu faria o mesmo, porque a fritura na F-1 é cruel e nem todo mundo é como Helmut Marko ou Flavio Briatore –, é muito difícil que ele permaneça no ano que vem. Tem prazo até o fim da temporada para, como disse o chefe, atingir certos objetivos.
Não sei quais são. Mas ninguém deve esperar por milagres. O rapaz precisa, antes de tudo, colocar a cabeça no lugar e se acalmar. Depois, mostrar do que é capaz. Receio que não seja de muita coisa. Assim, a vaga continua aberta para 2024. E Felipe Drugovich segue sendo um dos nomes cotados para ela. É a única aberta, inclusive.

Chegada gloriosa!

A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (merecido) – A vitória de Verstappen em Suzuka foi tão tranquila e natural que, da pista, não emergiu nenhuma imagem muito marcante da corrida. A Red Bull foi campeã ontem. Muita gente acha que carro bom surge por geração espontânea e sorte do piloto que tem a chance de recebê-lo ao início de uma temporada. Não é assim. F-1 é trabalho de equipe, com muita gente envolvida. E, de verdade, cada um tem seu quinhão numa vitória dessas. Milhares de pessoas trabalham numa equipe, nos autódromos e nas fábricas. O que vemos pela TV é apenas o cume dessa pirâmide.
Por isso a escolha dessa imagem aí em cima. Que seja interpretada como uma homenagem mais do que justa aos trabalhadores do automobilismo. E que todos recebam o devido reconhecimento e desfrutem dos louros da conquista!
(Frase horrível, mas é isso aí.)
O NÚMERO DO JAPÃO
33
…pontos fez a McLaren em Suzuka, com o segundo e o terceiro lugares de Norris e Piastri. Foi a melhor performance da equipe no ano. Nas últimas oito corridas, desde a estreia do carro novo na Áustria, o time fez 155 pontos. Até o Canadá, oitava etapa do campeonato, tinham sido apenas 17. A média das primeiras oito corridas, que era de 2,12 pontos por GP, subiu para 19,37. Quase dez vezes mais.
Os números acima mostram que é possível corrigir a rota mesmo depois de um início de campeonato ruim. A gente costuma dizer que carro mal nascido não tem jeito, geralmente as emendas ficam piores que o soneto. A Mercedes tem dado mostras disso desde o ano passado. É verdade, claro. Carro que nasce ruim, normalmente, morre ruim. Mas a McLaren conseguiu mudar radicalmente os conceitos aplicados no modelo que começou a temporada e fez um carro praticamente novo. Com teto de custos e tudo. É um caso a ser estudado.
Vejam a Aston Martin, em oposição ao exemplo dos papaias. Começou muito bem o ano e nas mesmas oito primeiras corridas marcou 154 pontos, média de 19,25 por GP. Desde então, também em oito provas, foram 67 pontos — a média caiu para 8,37. Deve-se considerar aqui o fato de que a Aston Martin é equipe de um piloto só. Alonso fez 174 dos 221 pontos da equipe (78,7%). Stroll marcou 47 e zerou nas últimas quatro. É um peso morto. Por isso, não se espantem se a McLaren terminar o campeonato na frente da Aston Martin. Mesmo tendo jogado no lixo oito corridas com o carro antigo.

Oscar Piastri subiu ao pódio pela primeira vez, já em seu ano de estreia na F-1. É um ótimo piloto. A McLaren fez bem em investir nele para tirá-lo da Alpine. Mas ir ao pódio no primeiro ano não é algo raríssimo na história da categoria. Muita gente já conseguiu, e de cabeça cito aqui Senna, Hamilton, Magnussen, Kubica, Wurz, Ralf Schumacher… De qualquer maneira, fazia algum tempo que um estreante não levava um troféu. O último, acreditem, foi Stroll. Quando defendia a Williams, em 2017, foi terceiro colocado no GP do Azerbaijão.
E para encerrar a ode à McLaren, vamos à…
FRASE DE SUZUKA
“OK, terminamos longe de Max. Mas não tão longe assim.”
Lando Norris
A diferença de Verstappen para o inglês, ao fim da corrida, foi de 19s3. É uma distância enorme. Mas o que Lando quis dizer é que, na real, essa vantagem poderia ter sido bem menor se ele não tivesse sido atrapalhado por Pérez durante um safety-car virtual, quando ele saía dos boxes. Na 13ª volta, Norris estava 5s334 atrás de Max. Na 15ª, 9s911. Foi mais uma das lambanças do mexicano na corrida.

Checo parou nos boxes nas voltas 2, 12, 13 e 14. Na última delas, ficou dentro do carro. Tinha sido punido por bater em Magnussen. E foi por isso que a Red Bull o manteve sentado no cockpit por mais de 40 minutos, até a 40ª volta. O time mandou os mecânicos arrumarem o carro todo estropiado para que ele voltasse à pista quando desse. Apenas para pagar o “time penalty”. Segundo a explicação da equipe, a decisão foi essa porque o regulamento esportivo diz que uma punição, se não for paga na corrida em que foi aplicada, “pode ser carregada para a etapa seguinte”. Na dúvida, para evitar a possibilidade de Pérez, por exemplo, perder posições no grid no Catar, a multa foi paga.
Mas, para mim, foi castigo, mesmo.
Caixinhas, agora?

SCHUMACHER VIVE – Como não foi campeão em Suzuka, Verstappen manteve vivo mais um recorde impressionante de Michael Schumacher. Ele foi o piloto que se sagrou campeão com maior antecedência na história, seis provas antes do final de uma temporada. Foi em 2002, ao vencer o GP da França em Magny-Cours — 11ª etapa daquele Mundial, que teve 17 corridas. Foi sua oitava vitória num ano em que também estabeleceu outra marca jamais repetida: subir ao pódio em todas as provas de um campeonato. Verstappen deixou escapar essa possibilidade com o quinto lugar de Singapura. Max deve ser campeão no Catar. Precisa de apenas três pontos. Conseguindo, terá conquistado o tri cinco provas antes do fim do campeonato.
TRETA FRANCESA – A Alpine mandou Gasly entregar o nono lugar a Ocon na última volta da corrida. Pierre tinha pedido passagem para tentar alcançar Alonso, não conseguiu e o time ordenou que devolvesse a posição ao companheiro. Fez isso. Mas ficou furioso, mandou o dedo do meio pelas câmeras para todo mundo ver e nas entrevistas soltou seus cães em direção à chefia que ninguém sabe direito qual é. Totalmente desnecessário. Nono ou décimo, é tudo igual. As coisas vão muito mal na Alpine. É um time que perdeu totalmente a relevância.


SÓ PREJU – Achei isso aí em cima no Instagram. Com base em valores aproximados de peças que compõem um carro de F-1, alguém fez as contas do prejuízo que cada piloto causou à sua equipe com batidas em geral neste ano. Os cálculos vão até Singapura. Portanto, Logan Sargeant já aumentou o rombo depois de mais duas pancadas no Japão: na classificação e na corrida. Até a prova anterior, o estrago do norte-americano nas finanças da Williams estava quase em US$ 2,8 milhões. Verstappen, por sua vez, é o funcionário ideal. Não traz despesas e ganha corridas.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS do troféu que acende as luzinhas! A um beijo, ele se ilumina com as cores da bandeira do país do vencedor. Uma boa ideia, simples e simpática. Que obriga o cara que ganha a corrida a demonstrar algum afeto e ternura no pódio. Bem legal.


NÃO GOSTAMOS da tolerância da Williams com Sargeant. O rapaz não tem a menor condição de seguir na F-1. Atrapalha muito uma equipe que mostra sinais de recuperação depois de anos na miséria técnica absoluta. James Vowles, chefe do time, falou que o Logan segue até o fim da temporada. É um atraso. Se a equipe pensa em substituí-lo em 2024, que o faça logo. Assim, quem assumir o cockpit chega um pouco mais preparado à próxima temporada.
SÃO PAULO (já tô com saudades…) – Uns dois meses atrás mandei um e-mail para um blogueiro que sempre aparece por aqui pedindo dicas de onde ficar em Paris. Ele sugeriu Saint-Germain-des-Prés. Ficamos lá. Nada como falar com quem conhece. E esse mesmo blogueiro me mandou a foto do postinho abaixo. Tem talento para fotografia e literatura. Vou até indicar a uns amigos. A mensagem dele está abaixo.

Salve, Flavio. Mais um posto para sua coleção. Este aqui na foto parece um pouco tétrico (e o é), mas neste espaço, além dos três tipos de combustível, o cara ainda troca o óleo, faz mecânica e lava o carro. Fica em Paris, na esquina do boulevard Raspail com a rue Boissonade, logo ao lado da Fondation Cartier para a Arte Contemporânea. Forte abraço, JR Duran.

SÃO PAULO (massacre) – Enquanto vocês aí dormiam, a Red Bull conquistava em Suzuka, de madrugada, o título mundial de construtores na F-1. Max Verstappen venceu o GP do Japão com absoluta tranquilidade, levando a equipe austríaca a 623 pontos na tabela. Não pode mais ser alcançada por ninguém nas seis etapas restantes da temporada. É a sexta taça do time, que antes vencera os campeonatos de 2010, 2011, 2012, 2013 e 2022.
Verstappen ganhou sua 13ª corrida em 16 etapas neste ano, recuperando-se muito rapidamente do mau desempenho da semana passada em Singapura. Foi a 48ª vitória da carreira do holandês, que deve confirmar matematicamente seu terceiro título no fim de semana da próxima prova, no Catar. O tricampeonato pode vir já no sábado de Losail, já que está prevista a realização da quarta Sprint do ano, prova curta que distribui pontos aos oito primeiros colocados. Max chegou a 400 pontos contra 223 de seu companheiro Sergio Pérez – que abandonou a prova de Suzuka. São 177 de diferença, com 180 ainda em disputa. O mexicano pode chegar a 403 se ganhar todas, incluindo as Sprints. Trocando em miúdos, Verstappen precisa de três míseros pontinhos no Catar para ser campeão. Um sexto lugar na minicorrida de sábado, dia 7 de outubro, é o suficiente.

O GP japonês começou com os oito primeiros no grid optando pelos pneus médios para a largada. Dali para trás, médios e macios se alternaram entre os coadjuvantes da corrida. Fazia muito calor: sol 27°C, 44°C no asfalto. Verstappen largou se defendendo de Oscar Piastri, com quem dividiu a primeira fila, e quando olhou para o outro lado viu Lando Norris tentando passar os dois. Jogou o carro para a esquerda, mergulhou feito um louco na sequência de “esses” (plural de “S”, se me entendem) e conseguiu se manter à frente de ambos.
Mas houve toques aqui e ali. Pérez bateu em Lewis Hamilton. Valtteri Bottas, em Alexander Albon. Pedaços de carros ficaram espalhados pelo asfalto e a direção de prova chamou o safety-car para poder limpar a pista. O mexicano da Red Bull teve de ir para os boxes trocar o bico. Bottas também parou para fazer um martelinho de ouro e arrumar o que fosse possível. Esteban Ocon, Guanyu Zhou e Albon também trocaram pneus.
No final da quarta volta o safety-car foi embora e a corrida começou para valer. Verstappen, como de hábito, relargou muito bem. Em sétimo e oitavo, Hamilton e George Russell bateram rodas, com o primeiro perdendo a posição e recuperando logo depois. Pouco antes, Logan Sargeant, com sua proverbial habilidade, bateu em Bottas. Já que será demitido mesmo, ninguém mais duvida disso, que seja com estilo. Valtteri abandonou. Logan tomou um pênalti.

Max desapareceu na frente quando a prova foi retomada. Em dez voltas, já tinha mais de 3s de vantagem para Norris, o segundo. Piastri, Charles Leclerc, Carlos Sainz, Fernando Alonso, Hamilton, Russell, Liam Lawson e Lance Stroll eram os dez primeiros. A turma dos pneus macios começou a parar nessa hora. Yuki Tsunoda e Lawson foram os primeiros. Alonso colocou pneus duros na volta 12. Mais para trás, Pérez abusava das bobagens. Tinha tomado um pênalti por passar alguns carros sob safety-car. Depois, bateu em Kevin Magnussen. Pediu um novo bico e parou outra vez. Cortou a linha de entrada dos boxes. Era um festival de atrocidades sem precedentes. “O carro não está legal”, informou, pelo rádio. “Ah, não diga, Checo”, falou seu engenheiro. “Só porque você bateu no Hamilton, depois no Magnussen, depois passou o safety-car, depois cortou a linha de entrada no box, entornou pimenta na porção de guacamole e encheu a cara de tequila?” Foi chamado para o pit-lane e guardou o carro na garagem.
Piastri tinha parado na volta 14, colocou pneus duros e caiu de terceiro para nono. Verstappen foi para os boxes na 17ª e repetiu os médios. Hamilton e Russell seguiam numa luta fratricida. George reclamou. “Vejam, amigos. Disputamos o mesmo campeonato, nascemos no mesmo país, defendemos a mesma equipe. Lewis é mais velho, ganhou sete títulos, é experiente e respeitado por suas posições progressistas e, por que não dizer?, populares. Reconheço. Mas isso, e só isso, daria o direito a ele de me tratar desta maneira tão, como posso definir…, rude? Vejam, amigos. Sou jovem. Dedicado. Tenho defeitos, mas algumas qualidades, também. Amarguei três anos numa equipe, como posso definir…, pífia! Resiliente, aguardei minha vez. E justo agora que encontrei meu lugar ao sol…”, e então foi interrompido por Toto Wolff, que nem foi a Suzuka e estava se recuperando em casa de uma cirurgia no joelho. Pelo telefone, entrou no rádio da equipe e disparou: “George, dá para calar a boca?”. “Oh, Toto! Como está o seu joelho?”, Russell, atencioso, perguntou. “Doendo. E o seu vai ficar igual se não ficar quieto.”

Enquanto tudo isso acontecia no rádio e no telefone, Russell assumiu a liderança da corrida, sem pit stop. Mas Verstappen logo retomou a ponta e o inglês entrou no rádio de novo para falar sobre aquela que considerava a melhor estratégia de pneus. Como a conversa seria longa, colocaram o fone no rapaz que serve amendoim no paddock e pediram a ele para fingir que era o engenheiro. “Quando ele decidir parar, você avisa a gente.”
George parou na volta 25, colocou pneus duros, voltou em nono, e a vida seguiu. Com apenas um carro na pista sem trocar pneus, o de Ocon, Verstappen, Piastri e Norris eram os três primeiros. O holandês, 12s à frente do australiano. Lando, por sua vez, colado no companheiro de equipe. E os dois começaram a brigar. A McLaren percebeu que eles estavam quase se atracando e pediu a Oscar que saísse da frente. Assim foi.
Era uma corrida de muitos abandonos. Na volta 27, a Williams solicitou a Albon que encostasse o carro. Sargeant, Stroll, Pérez e Bottas já haviam desistido. Mas o mexicano da Red Bull continuava dentro do cockpit. “Posso sair agora?”, pediu, enquanto os mecânicos mexiam em seu carro – ou fingiam mexer. “Não, agora você vai ficar aí até acabar a corrida. Vai que você sai, tropeça em algum cabo de computador, desliga tudo. Fica aí”, ordenou Christian Horner. “Mas eu quero ir no banheiro”, reclamou o piloto. “Número um ou dois?” “Um.” “Claro, porque o dois você já fez hoje várias vezes…”, encerrou o chefe. Ele ficou no carro.

Na volta 35 começaram as segundas paradas previstas para a maioria: Hamilton, Leclerc, Pierre Gasly, Piastri, Norris, todos foram para os boxes. Verstappen parou na volta 37. Viu Pérez na garagem ao lado e perguntou o que ele estava fazendo lá. “Vendo você na TV para aprender, colocamos sua on-board no monitor”, respondeu Horner, sem muita paciência. No entra e sai dos boxes da segunda bateria de pit stops, quem se deu bem foi Hamilton, que ganhou a posição de Sainz, se colocando em sexto entre os dois carros da Ferrari. Aí, na volta 40, a Red Bull mandou Pérez sair. “Até que enfim!”, falou o piloto, aliviado, já começando a soltar o cinto de segurança. “Não, cabrón. É para sair dos boxes, não do carro. Vai pra pista e não faz nenhuma pergunta. E fica longe do Max!” Ele foi, não deu nem uma volta inteira e retornou para a garagem. “Posso ir no banheiro agora?” A equipe, enfim, liberou.
Nas últimas voltas, Russell, com apenas uma parada, perdeu o terceiro lugar para Piastri e, depois, o quarto para Leclerc. Hamilton também chegou no parceiro. Mas demorou para passar, o que permitiu a aproximação de Sainz. Então a Mercedes mandou George sair da frente de Lewis. Na volta seguinte, a 50ª das 53 da corrida, o espanhol da Ferrari fez a ultrapassagem e deixou Russell em sétimo.



Verstappen ganhou a corrida com quase 20s de vantagem para Norris e ainda fez a melhor volta da prova, marcando os 26 pontos possíveis em Suzuka. Piastri foi o terceiro, subindo ao pódio pela primeira vez na carreira. Leclerc, Hamilton, Sainz, Russell, Alonso, Ocon e Gasly foram os demais que pontuaram no Japão.
No pódio, Max deu um beijinho num troféu cheio de tecnologia que, submetido ao ósculo, se coloriu de leds com as cores da bandeira da Holanda para festejar a vitória. A dupla da McLaren comemorou bastante e com os 33 pontos somados no Japão o time papaia foi a 172, descontando 29 da Aston Martin — ainda em quarto lugar entre as equipes com 221. Nesse ritmo, vai acabar passando. Mercedes (305) e Ferrari (285) permanecem brigando pelo vice ponto a ponto.

A Reb Bull celebrou a conquista com a serenidade das grandes campeãs. O time, que estreou em 2005 depois de comprar a Jaguar, que pertencia à Ford, está em sua 19ª temporada na F-1. Ganhou seis Mundiais e foi vice cinco vezes. Tem 107 vitórias e só não venceu mais GPs do que Ferrari (243), McLaren (183), Mercedes (125) e Williams (114).
É uma trajetória de tirar o chapéu.

SÃO PAULO (lógica é isso) – Bom, se alguém realmente achava que a Red Bull e Max Verstappen haviam mergulhado na obsolescência programada por causa de uma corrida, a de domingo passado em Marina Bay, talvez seja o caso de deixar de lado a conversinha boba sobre diretivas técnicas, trapaças e desconfianças para se render às evidências. O que aconteceu em Singapura foi algo totalmente anormal. E o normal é o que se viu nesta madrugada em Suzuka. Um domínio absoluto e esmagador do holandês e seu carro imbatível.
Verstappen fez a pole para o GP do Japão e larga na frente pela nona vez no ano, 29ª na carreira. Uma pole que o deixa ao lado de Juan Manuel Fangio nas estatísticas, empatado em nono lugar com o argentino pentacampeão mundial. Está em boa companhia.

Como na sexta, o sábado foi quente e ensolarado em Suzuka, com os termômetros batendo nos 27°C na tarde japonesa. Lawson e Stroll abriram os trabalhos no Q1 e chamou a atenção a diferença do primeiro para o segundo: mais de 0s5 a favor do neozelandês. O canadense da Aston Martin tem sido uma decepção enorme. Nunca foi grande coisa, mas também não parecia ser tão ruim. Dá a impressão de que já não está nem aí com o brinquedo que ganhou do pai – uma equipe de F-1 só para ele.
Verstappen fez sua primeira volta rápida do dia em 1min29s878. É o que no automobilismo se chama de “temporal”. Não deu tempo de muita gente fechar volta, porque a 9min do encerramento do Q1 Sargeant bateu de novo. Foi na entrada da reta dos boxes. Destruiu o carro da Williams. A bandeira vermelha foi acionada, interrompendo a sessão.

(Sargeant merece algumas palavras em longos parênteses, num momento como esse. É um piloto muito, muito ruim. Foi contratado pela Williams por causa de sua nacionalidade, um troço meio fora de moda, inclusive, na categoria. Mas como a Liberty, dona do negócio, é uma empresa norte-americana, a equipe foi comprada por um fundo de investimentos dos EUA e vive-se um propagado “boom” da F-1 no país, compreende-se o esforço para se ter um comedor de hambúrguer e ovos com bacon no grid.
Só que não dá. OK, os EUA têm três etapas no calendário, uma delas a mais esperada do ano pelos jecas de plantão, em Las Vegas. Mas alguém como Sargeant não só não acrescenta nada a um time, como traz prejuízos a cada corrida. Bate o tempo todo, não consegue um resultado decente sequer, e só piora. Achávamos que Latifi era ruim. Mazepin também. Sargeant, para ser ruim como esses dois, precisa melhorar muito.
A Williams ainda não confirmou sua permanência para 2024. James Vowles, chefe do time, disse que tomará uma decisão depois da corrida de Austin. Até lá ainda temos Japão e Catar. Assim, Sargeant teria três provas para mostrar alguma coisa. Não vai conseguir. Porque é ruim. E está muito pressionado. Piloto ruim pressionado termina no muro. Não há milagres.
Nesse cenário, Felipe Drugovich lidera a fila dos candidatos à vaga, que nem são tantos assim. Toto Wolff tentou empurrar Mick Schumacher, mas Vowles, que trabalhou na Mercedes por anos e só saiu no início desta temporada, teve acesso aos dados de telemetria de Mick nos simuladores da equipe alemã. Não ficou nada impressionado. Assim, o brasileiro tem uma tarefa que nem é tão absurda assim para virar titular: arrumar uns 15 milhões de euros com patrocinadores para garantir o lugar. Mas mesmo se conseguir menos, tem chances muito boas. Porque não tem ninguém muito melhor no mercado. Drugovich, é bom lembrar, é piloto de testes e de simuladores da Aston Martin, que também usa motores Mercedes. Assim, o que tem feito na fábrica também chega aos ouvidos de Vowles. Neste momento, pode-se dizer, sem muito medo de errar, que Drugovich está bem perto de fechar com a Williams – as partes estão conversando, inclusive. Porque as chances de manutenção de Sargeant passavam por um mínimo aceitável de performance até Austin. E a batida de hoje no Q1 mostrou que esse mínimo não será atingido. Fechamos os parênteses.)

O Q1 foi retomado depois de 20 minutos, e os últimos instantes foram caóticos com um tráfego intenso na saída dos boxes. Essas bandeiras vermelhas quebram o ritmo de pilotos e equipes e por isso algumas surpresas podem acontecer. Batata. Os eliminados não foram novidade: Bottas, Stroll, Hülkenberg, Zhou e Sargeant. Mas lá na frente apareceu Lawson em quarto, um espanto. Tsunoda foi bem, também: oitavo. E Alonso bateu na trave da degola, em 14º.
Com pneus usados, Verstappen foi o primeiro a sair dos boxes no Q2 e já fez uma volta em 1min29s964 logo de cara. Ninguém chegava perto. A McLaren se insinuava com seus dois pilotos, é verdade, mas a briga era muito menos para tentar bater a Red Bull do holandês do que para superar Ferrari e, pasmem, AlphaTauri. A Mercedes não assustava, confirmando as previsões sombrias de Hamilton para o fim de semana de Suzuka. Max seguia soberano. Até ali, liderara todas as sessões no Japão, tanto dos treinos livres quanto na classificação. Só foi desbancado no final do Q2 por Leclerc, que fez 1min29s940. Mas não se incomodou. Sua volta era mais do que suficiente para avançar ao Q3. Nem pensou em voltar à pista. Não precisava. Ficaram fora Lawson, Gasly, Albon, Ocon e Magnussen.

Max puxou a fila de novo no Q3, agora com dois jogos de pneus macios novos para buscar mais uma pole na temporada. Fez 1min29s012 na primeira volta, um tempo inatingível pela concorrência. Se quisesse voltar aos boxes, tirar o macacão e sair para tomar uma caipirinha de saquê (recomendo com limão siciliano e gengibre, fica muito bom), podia. Na primeira bateria de voltas rápidas, o segundo colocado, Piastri, ficou 0s446 atrás dele. A Ferrari deixou para buscar tempo no final, uma volta para cada piloto, apenas – a explicação era simples: escassez de pneus macios; era preciso guardar alguns para a corrida.







Verstappen até voltou à pista para uma segunda “flying lap”. E resolveu dar uma humilhada básica na concorrência: 1min28s877. Ninguém conseguiu melhorar seus tempos e a Ferrari, com sua volta única para cada piloto, ficou para trás. Piastri assegurou o segundo lugar no grid e vai largar na primeira fila pela primeira vez na carreira. Seu tempo foi 0s581 pior que o da pole. Norris foi o terceiro, seguido por Leclerc, Pérez, Sainz, Hamilton, Russell, Tsunoda e Alonso.
Esqueçam Singapura. O Verstappen de 2023 é esse que vimos hoje em Suzuka e em 14 das 15 corridas deste ano, não o do último fim de semana. Vai ganhar fácil a corrida.
SÃO PAULO (faz algum sentido…) – A AlphaTauri, que deve mudar de nome no ano que vem, não mudará de pilotos. Seguirá com Tsunoda, pelo quarto ano seguido, e Ricciardo — que assumiu neste ano a vaga do demitido De Vries.
E Lawson? O neozelandês ocupa o lugar de Ricciardo desde o GP da Holanda. Quando o australiano se recuperar do acidente de Zandvoort, voltará ao cockpit. Os planos da Red Bull para Lawson, agora, parecem claros. Ele será piloto de testes da matriz e da filial em 2024. E em 2025, podem apostar, estará no lugar de Pérez.
Com a confirmação da dupla Tsunoda-Ricciardo, resta apenas uma vaga aberta para o próximo Mundial. Na Williams, que ainda não sabe se ficará com Sargeant. O resto fica como está.

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