Flavio Gomes terça-feira, 10 de outubro de 2023 21:52 7 comentários
SÃO PAULO(campeão supremo) – Fornecedora única de pneus da F-1 desde 2011, a Pirelli estendeu seu contrato com a categoria por mais quatro anos. Vai até o final de 2027, e sem concorrência. A última temporada com duas marcas de pneus na F-1 foi a de 2006, com Bridgestone e Michelin travando a guerra da borracha.
Flavio Gomes terça-feira, 10 de outubro de 2023 19:58 10 comentários
Este é o Aston Martin Valkyrie, que será inscrito nas 24 Horas de Le Mans de 2025 — a marca tem uma vitória na geral em Sarthe, em 1959. Acho que papis Lawrence tem planos pro filhote Lance.
Flavio Gomes terça-feira, 10 de outubro de 2023 19:38 6 comentários
O querido Murray Walker, a voz da F-1 na Inglaterra, faria 100 anos hoje. Ele morreu em março de 2021, aos 97. Narrou sua primeira corrida antes mesmo de a F-1 existir, em 1949. E foi até 30 de setembro de 2001, encerrando a carreira no GP dos EUA daquele ano. Aqui, um lindo artigo sobre Walker assinado por Matt Bishop, um dos grandes jornalistas com quem convivi na F-1 nos anos 90 e início deste século.
Flavio Gomes domingo, 8 de outubro de 2023 15:41 55 comentários
Verstappen: 49 vitórias na carreira, 14 no ano, tri no bolso
SÃO PAULO (cumprindo tabela) – O fim de semana “incrível” de Max Verstappen terminou com mais uma vitória do holandês na temporada. Venceu o GP do Catar, conseguindo seu 14ª triunfo no ano em 17 etapas. Ontem ele se sagrou tricampeão mundial. Hoje conquistou a 49ª vitória de sua carreira. Faltando cinco corridas para o final do campeonato, ele agora tem duas metas não declaradas: passar Alain Prost (51) e Sebastian Vettel (53) nas estatísticas e bater o recorde de vitórias em uma temporada — marca que é dele mesmo; foram 15 no ano passado.
A corrida, maculada pelo problema dos pneus detectado na sexta à noite pela Pirelli (veja post abaixo) e pelo calor desumano, foi ruim. Meio besta, por conta do limite de voltas para cada jogo de pneus imposto pela fornecedora, por razões de segurança. No fim das contas, o destaque do fim de semana – Verstappen e Red Bull à parte – foi a McLaren. Ontem, a equipe papaia fez primeiro e terceiro na Sprint de Lusail com Piastri e Norris. Hoje voltou a colocar seus dois pilotos no pódio: Oscar em segundo, Lando em terceiro. É o grande time da segunda metade de 2023.
Piastri & Norris: grande dupla, grande carro
O grid esteve desfalcado de um carro, a Ferrari de Carlos Sainz. A equipe descobriu um vazamento de combustível antes da largada e não conseguiu encontrar de onde. Carburador? Boia? Bomba? Filtro? Mangueira? Azar dele.
O início da prova foi dos mais tumultuados. Hamilton, com pneus macios, largou bem e percebeu a chance de ultrapassar seu companheiro Russell por fora. Este tinha médios, menos aderentes. Mas Lewis errou miseravelmente o cálculo quando mergulhou para a curva à direita. Acertou seu pneu traseiro direito no dianteiro esquerdo de Jorginho.
Lewis arrebentou a suspensão, rodou e abandonou. “Você está bem, parceiro?”, perguntou seu engenheiro Bono Vox. “Sim. Fui tirado da corrida por meu companheiro de equipe”, respondeu o heptacampeão mundial. Do outro lado da trincheira, Russell berrava loucamente. “Aaaaaaaahhhhh! Não é possível! De novo! Duas corridas seguidas! Existem certas regras de convivência que precisam ser respeitadas, ainda que não sejamos propriamente amigos, daqueles que jogam buraco aos domingos tomando ponche de frutas e ouvindo boleros de Francisco Alves, enquanto nossas esposas preparam macarronada com molho de tomate e queijo ralado de pacotinho…”, e nisso foi interrompido por Toto Wolff, que nem no autódromo estava. “George, cale a boca.”
(Hamilton foi multado em 25 mil euros por cruzar a pista a pé de forma perigosa, com carros podendo aparecer a qualquer momento em alta velocidade. Pediu desculpas e admitiu que não devia ter colocado ninguém em risco.)
Hamilton volta a pé: multa de 25 mil euros
O safety-car foi acionado antes mesmo de terminada a primeira volta. Russell foi para os boxes trocar pneus e verificar danos. Voltou lá atrás. Na relargada, na abertura da quinta volta, Verstappen, que tinha partido sem problemas, Piastri, Alonso, Leclerc e Ocon eram os cinco primeiros. Hülkenberg, em oitavo, foi avisado de que tomaria um pênalti de 10s por alinhar o carro fora de lugar – ele teve problemas quando fez a prova de baliza aos 18 anos, tirando a carteira de motorista.
Russell voltou com a faca nos dentes, como se diz, numa referência aos piratas do Caribe. Na volta 10 já estava na zona de pontos, passando todo mundo. Como a prova seria marcada pelos múltiplos pit stops ordenados pela Pirelli – que concluiu que não mais do que 18 voltas poderiam ser completadas com cada jogo de pneus –, as mudanças de posição determinadas pelas paradas de boxes eram muito frequentes.
E foi ali pela 11ª volta que as trocas começaram. Era importante notar que esse limite de 18 voltas por jogo de pneu estabelecido pela Pirelli incluía as percorridas nos treinos e na classificação. Russell foi escalando o pelotão na medida em que todos paravam e na volta 15 era o segundo colocado, quando fez seu segundo pit stop. Albon, então, apareceu na vice-liderança. Verstappen, ainda sem trocar pneus, tinha mais de 20s de vantagem para o tailandês da Williams. Pérez, que largou com pneus duros, era o terceiro.
Max: tranquilo até o final
Max usou sua borracha até onde era permitido e parou no final da volta 17. Albon assumiu a ponta, mas tinha de parar também na volta seguinte, o que fez. Verstappen retomou a primeira posição e Piastri apareceu em segundo, abrindo caminho vindo lá de trás com pneus novos. Com 20 voltas, Bottas era o terceiro e Alonso, o quarto. O finlandês da Alfa Romeo se beneficiara de uma troca durante o safety-car. Mas teria de parar de novo em breve. Fernandinho passou por ele e foi atrás de um pódio — àquela altura, bastante provável.
A situação ridícula dos pneus ameaçados pelas zebras do Catar fazia com que a transmissão oficial da F-1 informasse o tempo todo quem teria de parar nos boxes e quando, acabando com qualquer especulação e/ou tentativa das equipes de surpreenderem seus adversários. Na volta 25, Piastri foi para os boxes e Alonso assumiu o segundo lugar. Naquele momento, Hamilton chegava à zona mista de entrevistas e assumia a bobagem que fizera com Russell. “Na hora, de cabeça quente, falei aquilo. Mas depois vi as imagens e George não tinha mesmo para onde ir”, assumiu. “ É 100% culpa minha.”
Alonso parou na volta 27. Pouco antes, avisara à Aston Martin que seu rabo estava quente. “Tem alguma coisa queimando meu traseiro no banco, joguem água, façam alguma coisa!” Ninguém fez nada – não havia o que fazer — e ele saiu dos boxes com a bunda em chamas. Na metade da prova, Verstappen, Russell (a 23s), Pérez (com punição a cumprir por exceder os limites da pista), Albon, Piastri, Zhou, Norris, Alonso e Bottas eram os dez primeiros.
Alonso: queimou a bunda
Na volta 33, o então provável pódio de Alonso foi para a brita. O espanhol da Aston Martin perdeu a traseira de seu carro, foi para a área de escape e quando voltou quase mandou Leclerc para o Golfo Pérsico. Perdeu várias posições e a chance de levar um troféu para casa.
Verstappen parou na volta 34 e saiu dos boxes tranquilamente em primeiro, com Piastri e Norris em segundo e terceiro. Depois da xaropada de Alonso, El Fodón de la Caja de Britón, era o pódio que deveria ser confirmado na bandeira quadriculada, ainda que até lá algumas posições se alterassem pelo momento em que cada piloto fizesse sua terceira ou até quarta parada.
Pérez, que tinha alguma chance de fazer pontos mesmo tendo largado dos boxes, recebeu uma segunda punição de 5s por ultrapassar os limites da pista. Pelo rádio, seu engenheiro, claramente de mau humor, deu-lhe uma dura. “Mais uma. Isso está acabando com nossa corrida”, falou. “Cucurrucucúúúú! Palooooomaaaaa, no llores!”, respondeu o mexicano. “Como?”, perguntou o engenheiro. “Que una paloma triste, muy de mañana le va a cantar… A la casita sola, con sus puertitas de par en par! Juran que esa paloma no es otra cosa más que mi alma, que todavía la espera a que regresse…” “Está delirando”, comentou Christian Horner, e entrou no rádio: “Checo! Checo! Está tudo bem?”. “Ay, ay, ay, ay, ay, lloraba, ay, ay, ay, ay, ay, gemía, ay, ay, ay, ay, ay, cantaba, de pasión mortal moría…”
Pérez: trapalhadasAlbon: centro médicoSalinha pré-pódio: todos mortos
Quem quase morreu foi Sargeant, que pouco mais de dez voltas antes do final pediu à equipe para abandonar a corrida. Estava esgotado fisicamente e não aguentou o tranco. O time, claro, deu a maior força para o menino. “Pelo menos não vai bater em nada”, disse um mecânico cuja leitura labial consegui fazer pela TV. Mas não foi o único. Todos os pilotos se queixaram do calor e das condições extremas da corrida. Albon foi ao centro médico. Ocon vomitou dentro do carro. Stroll disse que chegou a perder a consciência. Amanhã, no “Sobre ontem…”, vamos discutir isso melhor.
Na volta 48, Verstappen liderava com Russell em segundo, Piastri em terceiro e Norris em quarto. O inglês da Mercedes tinha mais uma parada obrigatória. Assim, restava saber quem ficaria em segundo e terceiro. A McLaren acabou com as dúvidas pelo rádio, pedindo a Lando para não atacar o companheiro e determinando que as posições finais seriam aquelas. O inglês contestou, reclamou, arguiu, replicou, argumentou, discutiu, debateu, mas a equipe foi inflexível. E fez muito bem.
Classificação no Catar: quatro punidos por exceder os limites da pista
Max fez seu derradeiro pit stop na volta 52. Naquele momento, dos dez primeiros, apenas Zhou, em sexto, ainda tinha uma troca para realizar. Verstappen fechou a corrida em primeiro, léguas à frente de Piastri, o segundo. Norris, Russell, Leclerc, Alonso, Ocon, Bottas, Zhou e Pérez fecharam a zona de pontos, com destaque para a bela recuperação de George e o quase milagre da Alfa Romeo, de colocar dois carros entre os dez primeiros — passando a Haas no Mundial de Construtores.
Piastri, Verstappen e Norris: corrida desumana
A F-1 volta à América daqui a duas semanas para o GP dos EUA, em Austin. Será mais um fim de semana de Sprint. Mais dois dias incríveis para Verstappen, que agora só busca recordes. E também para continuarmos a apreciar a incrível ascensão da McLaren e seus dois garotos velozes.
E, claro, para discutir algumas coisas sérias. Correr no Catar faz algum sentido? Que F-1 é essa que não se importa em não ter uma etapa na Alemanha ou na França e tem etapas em países abjetos e com condições climáticas inaceitáveis para a segurança de todos?
Chega de tapar o sol com a peneira e de achar que tudo que a Liberty faz é legal. Não é. Não tem nada de legal. Gasta-se muita energia para debater (e vetar) a entrada de uma nova equipe na categoria, algo que só agrega valor e amplia a competição, e nada para os absurdos geopolíticos e esportivos de uma categoria que se acha o máximo, mas derrapa o tempo todo.
Flavio Gomes domingo, 8 de outubro de 2023 12:03 12 comentários
SÃO PAULO(tem corrida demais, eu falo…) – Essa aí em cima é a zebra da discórdia, que levou a Pirelli a determinar, agora há pouco, que cada piloto poderá completar no máximo 18 voltas com um jogo de pneus no GP do Catar. Isso significa que todo mundo está obrigado a uma estratégia de pelo menos três paradas na corrida. Quem pensava em uma ou duas, esquece. Serão no mínimo três, e pronto.
Claro que tal decisão torna absolutamente artificial a prova de daqui a pouco. Escrevi aqui ontem que isso teria pouca relevância, pelas circunstâncias desse GP: título decidido ontem, festa para Verstappen, elogios para Piastri etc.
Errei. Não se pode minimizar o que está acontecendo, como fiz na última postagem. Tem relevância, sim. Porque ainda que seja uma corrida que não valha muita coisa, ela tem de ser levada a sério. E equipes e pilotos levam. Quem não está levando a F-1 a sério, neste momento, são a FIA e a Liberty. A primeira, por ser negligente naquilo que é sua obrigação: fiscalizar com rigor os palcos de seus espetáculos; a segunda, porque não tem o menor pudor em marcas corridas em qualquer lugar, desde que paguem bem.
O que levou a Pirelli a esse alerta das 18 voltas foram essas zebras aí em cima. A combinação de dois fatores está levando os pneus ao risco de colapso. Primeiro, a extensão das faixas de zebras, que levam os carros a permanecerem muito tempo sobre elas. São desnecessariamente enormes, causando vibração excessiva nas carcaças dos pneus. Depois do primeiro e único treino livre do fim de semana, eles foram analisados pela fornecedora e apresentaram microrrachaduras nas laterais. O segundo fator é a construção dessas zebras, que estão sendo chamadas de “piramidais”. Elas se elevam de dentro para fora da pista, com um vinco criminoso no topo. São feitas, aparentemente, para rasgar pneus.
Disse ontem na minha live no YouTube, e repito hoje. Não há necessidade de padronização de zebras em todos os circuitos. Cada pista tem uma característica, cada curva tem um raio, uma velocidade máxima, um ponto de tangência. As necessidades são, por assim dizer, individuais. Assim, podemos ter, claro, zebras diferentes de um circuito para outro. O que não pode, em hipótese alguma, é permitir uma construção que ofereça perigo a equipamentos e pilotos. Lembro de umas zebras malucas em Interlagos anos atrás, instaladas como se fossem salsichas colocadas uma do lado da outra perpendicularmente à pista. Feitas para quebrarem suspensões. Foram banidas no ano seguinte.
Zebras tinham, originalmente, a função de “devolver” um carro à pista nas saídas de curva, pelo lado de fora. Eram inclinadas e, do ponto de vista físico, devolviam mesmo. Por dentro, serviam como ponto de orientação para tangências. Com o tempo, foram sendo aprimoradas e passaram a delimitar o leito carroçável de um circuito no caso de traçados muito planos. Algumas mais altas, outras mais baixas. Umas mais inclinadas, outras menos. E ao redor do mundo podem ser encontradas feitas em diversas formas, cores, materiais e dimensões. Mas cada caso é um caso. Engenheiros existem para isso, para conceber essas estruturas de forma que elas cumpram determinada função sem oferecer risco a ninguém. Fiscais da FIA, idem. Devem vistoriar o que é proposto e aprovar, ou não.
Como é que alguém pode ter autorizado o uso dessas lâminas de concreto em Lusail? Quem foi a besta quadrada que inventou esse formato? Ele é inaceitável em qualquer situação, para competições de carros, motos, charretes ou patinetes. Nada que possa cortar um pneu tão fácil e obviamente pode ser instalado numa pista de corridas.
Dessa forma, o GP do Catar está comprometido desde já. O absurdo de uma obra porca e inaceitável determinou as estratégias para todas as equipes. Vinte pilotos vão largar numa pista que pode parecer segura, com suas enormes áreas de escape, mas no fundo é perigosíssima porque, simplesmente, tem zebras que podem rasgar a borracha sobre a qual estarão acelerando a 300 km/h.
Tenho cá minhas teorias para explicar episódios como esse. Uma delas é a da ganância. A F-1 está aceitando correr em qualquer canto — Arábia Saudita, Catar, Las Vegas, Miami — sem a mínima preocupação com o esporte em si. É meio clichê, mas é igualmente fato: vale a grana. O resto que se dane.
Flavio Gomes sábado, 7 de outubro de 2023 22:18 8 comentários
Verstappen tricampeão: clube seleto, mas com naturalidade
SÃO PAULO(poucos e bons) – Não é todo dia que você se torna tricampeão de nada. Funcionário do mês do McDonald’s, campeonato de truco na faculdade, torneio de futebol de botão no prédio. Um tricampeonato é algo a se comemorar efusivamente. Do que for.
Max Verstappen se tornou tricampeão mundial de Fórmula 1 hoje no Catar. Achou “incrível”.
São poucos os que atingiram esse patamar na história. Há aqueles que passaram pelo tri e foram adiante, como Prost e Vettel (quatro vezes campeões), Fangio (cinco), Schumacher e Hamilton (sete cada). Outros cinco — Brabham, Stewart, Lauda, Piquet e Senna — estacionaram nas três conquistas. Não sei exatamente o que cada um deles disse depois de seus títulos. Talvez tenham dito que foram incríveis.
E, no fim das contas, é isso que são. Incríveis.
O tri de Verstappen chega depois de 16 corridas das 22 que serão disputadas nesta temporada e de quatro das seis Sprints previstas — que são corridas, mas não são GPs; daquelas coisas dessa F-1 moderna. Como hoje é sábado e o GP do Catar é só amanhã, pode-se dizer que Max foi campeão com seis etapas de antecipação — Schumacher conseguiu isso em 2002. Como a Sprint faz parte do fim de semana de GP, alguns dirão que essa antecipação foi de cinco etapas, e não seis.
Tanto faz. O fato é que a conquista foi incrível porque até agora, de 16 GPs, Verstappen ganhou 13. Dessas 13 vitórias, dez foram seguidas. Das quatro Sprints já realizadas, venceu duas. Subiu ao pódio 15 vezes. Fez dez poles. E tudo com uma naturalidade atordoante. Entrou para um clube seletíssimo de lendas do automobilismo mundial, lugar de poucos, só acessível aos grandes gênios do esporte, qualquer esporte.
É. Incrível mesmo.
Abraços e mais abraços, de mecânicos, rivais e do pai: temporada impecável
Verstappen escreve mais um capítulo notável de sua história na F-1, que não é curta. Tem só 26 anos, mas estreou em 2015, com 17. Um fenômeno que dá gosto de ver, e privilegiados somos os que podemos acompanhar essa saga em tempo real, ao vivo, de domingo em domingo — e em alguns sábados, também. Como hoje. Precisava de um sexto lugar na Sprint de Lusail para ser campeão. Ficou em segundo. O título, na verdade, veio antes da bandeira quadriculada, na 11ª das 19 voltas da miniprova catariana. Foi quando Pérez, seu companheiro, bateu e abandonou. Ele tinha chances de ser campeão. Precisava vencer todas as corridas, todas as Sprints, fazer todos os pontos extras das melhores voltas e Max não poderia marcar mais do que dois pontos até o fim do ano.
As possibilidades de Pérez, claro, eram apenas retóricas. Na vida real, nem se aos seus pontos no Mundial fossem acrescentados todos os do Bragantino, do Leipzig e do Salzburg em seus campeonatos, times patrocinados pela Red Bull no futebol, o mexicano seria campeão. Verstappen foi absoluto. Chegou a 407 pontos, e se sua equipe não tivesse outro piloto, corresse só com ele, estaria folgada na liderança entre os Construtores, já que a Mercedes, vice-líder, tem 305.
Piastri: vitória com autoridade na Sprint
A Sprint de Lusail foi vencida por Oscar Piastri, da McLaren, depois de uma boa batalha com a Mercedes de George Russell, para quem perdeu a posição no início — ele era o primeiro no grid, depois do Shootout que definiu as posições de partida no fim da tarde, pelo horário local. Estatisticamente, não contam nem a pole nem a vitória para o australiano. Mas o menino vai guardar este sábado com carinho na estante das memórias. Pela primeira vez, em seus poucos meses de F-1, largou na frente de todo mundo. E chegou na frente, também. Não vale para as estatísticas, mas vale para a vida.
E tem de ser assim. Piastri foi para a corrida com pneus médios, contra os macios de alguns adversários, como a dupla da Ferrari e o próprio Russell. O inglês da Mercedes deu azar porque a provinha teve três entradas do safety-car, e uma delas, no fim, permitiu a aproximação do jovem estreante da McLaren. Os pneus de George já não aguentavam mais o tranco. Oscar se aproveitou da borracha em melhores condições, passou e ganhou.
A escolha dos pneus permitiu também que Verstappen e Norris, segundo e terceiro, superassem os calçados com pneus de faixa vermelha nas últimas voltas. Russell, Hamilton, Sainz, Albon e Alonso completaram a zona de pontuação da Sprint, que contempla até o oitavo colocado. Lewis fez um corridão. Mal no Shootout, apenas 12º no grid, estava em nono a três voltas do fim da corrida. Fez belas ultrapassagens e terminou em quinto. Olho nele amanhã. Está em terceiro no grid. O mesmo vale para Albon, de 17º no grid a sétimo no final, beneficiado ainda com a punição de 5s a Leclerc, por ter excedido os limites de pista várias vezes. O monegasco acabou ficando fora dos pontos.
Pérez bate: fim de campeonatoPiastri com a placa: primeira vitória
A batida de Pérez, retratada acima, foi resultado de um pega-pra-capar com Ocon e Hülkenberg. O alemão ficou no meio, como se fosse o recheio de um sanduíche, e acabou sendo tocado pela esquerda pelo francês da Alpine. Sobrou para o mexicano, que estava do lado direito. Os três abandonaram. Disputavam posições lá no fundo, sem grande importância.
Dois novatos, Sargeant e Lawson, cometeram erros bobos no início da prova e abandonaram, também. O neozelandês da AlphaTauri não se conformava. “Não posso errar assim, se quiser ficar na F-1”, falou, em cerimônia pública de autoimolação. Ele rodou sozinho. Já o americano da Williams, atolado na brita, saiu desolado do autódromo. Sabe que suas chances de ficar na equipe em 2024, a cada barbeiragem como essa, diminuem drasticamente.
À esq., resultado da Sprint; à dir., classificação do Mundial
A corrida de amanhã será festiva para a Verstappen e para a Red Bull. Não tanto para a Pirelli, que detectou, ontem à noite, problemas estruturais em seus pneus por conta da excessiva vibração sobre as extensas zebras do circuito do Catar. Por volta das 8h deste domingo, horário de Brasília, vai informar às equipes se, na prova principal, os pneus terão um limite de voltas para não colapsarem. As análises seriam feitas durante a noite e a madrugada.
É um problema sério, mas que certamente será resolvido pela empresa e por engenheiros, equipes, borracheiros, astrólogos e gurus. Não tem muita relevância num fim de semana como este, de tricampeão consagrado e jovenzinho prodígio mostrando suas armas para o futuro.
O grid para o GP do Catar foi definido ontem, e vocês lembram: Max larga na pole. Vai vencer para celebrar em grande estilo. E porque vencer um dia depois de ser campeão deve ser… incrível.
Flavio Gomes sexta-feira, 6 de outubro de 2023 18:32 15 comentários
Verstappen: 30 poles na carreira, superando Fangio
SÃO PAULO(vamos lá!) – Max > Senna (em vitórias), Max > Fangio (em poles). Começo assim, como se fosse o presidente do fã-clube de Max Verstappen, apenas para que as pessoas tenham uma ideia mais bem fundamentada sobre o piloto que estamos tendo a sorte de ver em atividade.
O holandês fez a pole para o GP do Catar, que acontece domingo, e amanhã deve conquistar o título de 2023 por antecipação. Precisa apenas chegar entre os seis primeiros na Sprint, a quarta minicorrida da temporada. Foi a 30ª pole de sua carreira, tornando-se o nono piloto com mais poles na história. Estava empatado com Juan Manuel Fangio. São dez neste ano.
Os números impressionam e, por favor, resistam à tentação de dizer que ele só consegue tudo isso porque tem o melhor carro blablablá. Pilotos que sabem desfrutar dos melhores carros são aqueles que entraram para a história, como Schumacher, Senna, Vettel, Hamilton — para ficar nos contemporâneos. E carro não fica bom sozinho. Nem anda sozinho. Os muitos companheiros desses senhores tiveram carros iguais. E não conseguiram nem chegar perto dos parceiros. E, como sempre, basta citar Sergio Pérez para reforçar o que se pensa sobre Verstappen. O mexicano, hoje, ficou de novo no Q2. Larga em 13º.
Festa com mecânicos: décima pole no ano
O GP do Catar é uma corrida noturna e será disputado pela segunda vez na história. A outra foi em 2021, ano ainda pandêmico. De lá para cá reasfaltaram o belo circuito e construíram boxes e instalações de paddock das mil e uma noites. Dinheiro não falta. Se não lembram, teve uma Copa do Mundo outro dia por lá.
Os treinos começaram no fim de tarde, pelo horário local, com muita areia na pista e um calor de aborrecer camelos. “Está bom para meu pai”, brincou Carlos Sainz, filho de um dos maiores pilotos de rali de todos os tempos. Na medida em que os carros iam andando, o traçado ficava mais limpo e veloz. Os primeiros tempos foram marcados na casa de 1min37s. A pole de Verstappen, em 1min23s778, algumas horas depois.
Vamos a um resumo rápido em caixinhas, porque daqui a pouco tem live no YouTube:
Alonso: bom início e muito calor
Q1 – Alonso foi o primeiro piloto a fazer um tempo bom, na casa de 1min25s, numa sessão que teve muitas voltas canceladas porque a turma estava excedendo os limites da pista. A curva 5 era a grande vilã. Verstappen, Norris, Alonso e Piastri foram os quatro primeiros. Sargeant, Stroll, Lawson, Magnussen e Zhou foram os eliminados. Algumas observações, aqui. O americano da Williams andou bem, até, dentro das circunstâncias. Deixou de passar ao Q2 por apenas 0s092, derrubado justamente por seu companheiro Alexander Albon. Hülkenberg fez o nono tempo, o que mostra como Magnussen foi mal. E Stroll tomou 1s3 de Verstappen, sendo degolado logo de cara. Nos boxes, irritado, empurrou seu preparador físico. Na entrevista pós-classificação, fez isso aí embaixo. Esse moço saiu do prumo. Não se espantem se resolver parar de correr de uma hora para outra.
Q2 – Verstappen abriu os trabalhos com 1min24s748, uma ótima volta. Mas logo as Mercedes se aproximaram. A McLaren também. Faltando três minutos para o fim da sessão, os carros papaia estavam em primeiro e segundo. Max reagiu, voltou à ponta, mas acabou superado no fim por Hamilton, com 1min24s281. Tsunoda, Sainz (a 0s947 de Lewis), Pérez (a 1s081, com volta cancelada por exceder os limites da pista), Albon e Hülkenberg foram os eliminados. Vexame da Ferrari com Sainz, que estava contrariado com o desempenho de seu carro e disse que não ficou surpreso de ter empacado no Q2. Já Pérez, outra decepção, não sabia o que dizer. “É difícil explicar”, falou o chefe Christian Horner sobre a diferença de desempenho entre seus dois pilotos. É mesmo.
Sainz: eliminado no Q2
Q3 – Norris começou bem com uma volta em 1min24s088, mas ela foi rapidamente cancelada, ou “deletada”, como vocês humanos dizem. O mesmo motivo de sempre: sair dos limites da pista. Mas seu tempo foi superado por Verstappen na primeira saída do holandês, com 1min23s778. Colocou 0s7 em Piastri, então segundo. Russell se aproximou um pouco, 0s6 atrás. Hamilton veio em seguida, 0s5. Na segunda saída da maioria, erros aqui e ali, algumas escorregadelas e trapalhadas e no fim Lando teve outra volta anulada, assim como seu companheiro Piastri, que só foi saber disso quando estava sendo entrevistado como terceiro no grid. Deu risada e levou na boa. Até tirou a foto oficial dos três primeiros, embora tenha caído para o sexto lugar. Max não fechou a segunda volta. O grid está aí embaixo.
Max e Russell na primeira fila domingo: amanhã tem Sprint
ROLÊ ALEATÓRIO – Algumas informações curiosas. Sete equipes estiveram representadas no Q3, apenas três delas com seus dois pilotos: Mercedes, Alpine e McLaren. As outras: Alfa Romeo, Red Bull, Ferrari e Aston Martin. Alonso é o único piloto no ano que foi ao Q3 em todas as 17 etapas do campeonato. Pérez e Stroll, juntos, somam 16 passagens à fase final da classificação. Entre as equipes, a Ferrari tem 30 aparições no Q3, seguida da Mercedes com 28 e de McLaren, Aston Martin e Red Bull com 24.
Piastri: volta canceladaHamilton: terceiroNorris: sem tempoRussell: primeira filaLeclerc: quintoPérez: vexameVerstappen: título deve sair amanhã
SPRINT – Amanhã sai o grid da Sprint e a corridinha será realizada às 14h30, horário de Brasília. Como já dito, Verstappen precisa de três pontinhos para encerrar matematicamente a fatura. Falando de Sprint, faltam duas ainda neste ano, depois da de Lusail: em Austin e Interlagos. Max vai se juntar a outros cinco tricampeões no panteão da F-1: Jack Brabham (1959, 1960 e 1966), Jackie Stewart (1969, 1971 e 1973), Niki Lauda (1975, 1977 e 1984), Nelson Piquet (1981, 1983 e 1987) e Ayrton Senna (1988, 1990 e 1991).
Flavio Gomes quinta-feira, 5 de outubro de 2023 14:04 7 comentários
SÃO PAULO(bom caminho) – Campeão da F-3, Gabriel Bortoleto, 18, foi incluído no programa de jovens pilotos da McLaren. Seu tutor na equipe será o ex-piloto Emanuele Pirro. Bortoleto começou a correr de monopostos em 2020 na F-4 Italiana. Ganhou corridas em Monza e Mugello. Aí foi para a FRECA (a Fórmula Regional da Alpine), onde correu em 2021 e 2022. Nesta temporada, pela Trident, conquistou o título que o colocou no radar da F-1.
A McLaren começou seu programa de desenvolvimento de pilotos em abril deste ano. A ideia é pegar a molecada desde o kart, se for o caso. Hoje, informa a equipe, fazem parte desse time Pato O’Ward (24 anos, que corre na Indy pela própria McLaren), Ryo Hirakawa (29 anos, que correr na Toyota no WEC e foi escolhido como piloto reserva para o ano que vem; de jovem não tem nada) e Ugo Ugochukwu (kartista americano de origem nigeriana, 13 anos). O time também assinou por um ano com Brando Badoer, 17 anos, filho de Luca Badoer, que corre na F-4 da Itália.
Bortoleto vai correr na F-2 no ano que vem. Não sei onde ainda. Mas a McLaren, claro, vai ajudar a encontrar um lugar bom.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
1:10:23
CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...