SOBRE DOMINGO À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA

Refrega entre Verstappen e Hamilton: clássica (foto Rodrigo Berton)

SÃO PAULO (tristeza imensa por Isabel) – Ô ano que não acaba…

Bom, temos de seguir em frente. GP de São Paulo, do Brasil, como queiram. Mas como foi rebatizada, a corrida, uso de minha prerrogativa de abrir mão do verde e do amarelo para colorir este rescaldão quase secreto, que o ranço só aumenta.

A imagem da prova, claro, poderia der qualquer uma de Russell. Foi sua primeira vitória. É inesquecível. Adiante deixaremos algumas aqui, para a posteridade.

Mas ficarei com o clique de Rodrigo Berton, do Grande Prêmio, que pegou a sequência do esfrega-esfrega entre Verstappen e Hamilton no começo da prova. “Eu perdi cinco segundos, ele perdeu a corrida”, falou Max, que confessou: “Vi que ele não ia deixar espaço e que a gente ia bater, e deixei bater mesmo.”

Eu faria o mesmo. Na hora, achei que Lewis foi o culpado. Continuo achando. Fato é que quando Verstappen disputa posição com Hamilton, qualquer posição, seu comportamento na pista é, digamos, peculiar. Bem diferente de outras disputas com outros pilotos. E o mesmo pode-se dizer de Lewis: ele é um contra qualquer um, e outro contra Max.

Faz parte. Rivais se reconhecem e são mais duros que a média quando o embate é inevitável.

A FRASE DE INTERLAGOS

“Ele mostrou quem realmente é. Tem de lembrar que se se é bicampeão, deve isso a mim.”

Sergio Pérez
Pérez irritado: queria posição, Max não devolveu

A treta entre Pérez e Verstappen no fim da corrida pode ser explicada rapidamente assim: a Red Bull pediu que Max deixasse o mexicano passar para somar mais uns pontinhos na luta pelo vice-campeonato, o holandês não deixou, a equipe perguntou o que tinha acontecido, ele disse que já tinham discutido o assunto e que não queria mais que lhe pedissem para fazer aquilo, e que tinha suas razões e iria sustentá-las, ao que Pérez disse a frase acima, magoado e exagerado.

Agora, o que se chama de contexto…

Aparentemente tudo começou no dia 28 de maio deste ano, foto acima à esquerda. Faltava pouco para terminar o Q3 em Mônaco e Pérez, que estava na frente de Verstappen, bateu bisonhamente na entrada do túnel. Uma batida tão besta que Sainz, que vinha atrás, não conseguiu evitar o carro do mexicano ali atravessado. Max vinha numa volta boa, talvez para a pole, certamente bateria o mexicano. A sessão foi interrompida e ele não teve tempo de tentar superar o companheiro.

Desde então há suspeitas de que Pérez tenha batido de propósito, para garantir que largaria à frente de Verstappen, o que em Mônaco, é essencial — e ele, efetivamente, ganhou a corrida, embora na primeira fila estivessem os dois pilotos da Ferrari. Verstappen insinuou a desconfiança naquele dia mesmo pelo rádio. A imprensa holandesa, depois do GP de Interlagos, publicou informações, sem citar fontes, dando conta de que Pérez teria admitido a sacanagem para alguém no time.

Acho difícil, porque uma equipe sabe, apenas olhando dados de telemetria, se um piloto faz uma coisa dessas de propósito. E quem faz isso não merece respeito. E três dias depois, a Red Bull anunciou a extensão do contrato de Pérez até o fim de 2024. Faria isso se tivesse provas de que o cara é desonesto, antiético, um escroto? Duvido.

Mas que a desconfiança persiste, persiste. A Red Bull garante que conversou com ambos assim que terminou a prova e que Max vai ajudar Checo em Abu Dhabi, se precisar. Isso ainda vai dar pano pra manga, como se diz, e arrisco: nesse clima de animosidade, Pérez não chega ao fim de seu contrato.

O NÚMERO DE SÃO PAULO

235.617

…ingressos foram vendidos para o GP de São Paulo, 29,9% a mais que no ano passado. O público total é para os três dias do evento, e os organizadores da corrida esperam chegar a 300 mil em 2024.

Russell vence pela primeira vez em GP com recorde de público: sucesso em Interlagos

A organização do GP divulgou mais alguns dados interessantes sobre a corrida, que seguem abaixo:

FAIXA ETÁRIA – O público aumentou entre os jovens e caiu entre as pessoas mais velhas. Foram 21,3% de torcedores entre 18 e 24 anos e 22,8% entre 25 e 29 anos, taxas ligeiramente mais altas que em 2021. Caíram os espectadores entre 30 e 39 anos (28,3%), 40 e 59 anos (8,3%) e mais de 60 (4,1%).

DE ONDE VIERAM – 70,2% dos que estiveram no autódromo vivem fora da capital. Destes, 45,5% vieram de outros estados e 4,6%, de fora do país. Houve um importante aumento no público feminino, de 75,8% em relação ao ano passado: as mulheres representaram 36,4% do público total em Interlagos.

GRANA – De acordo com os organizadores e a Prefeitura de São Paulo, o impacto financeiro da corrida para a cidade foi de R$ 1,37 bilhão, sendo R$ 826,2 milhões de dinheiro que circulou efetivamente e R$ 545 milhões de impacto que se chama de indireto (valoração da imagem da cidade pelas transmissões de TV no mundo inteiro, assim como em mídia impressa e eletrônica). São Paulo arrecadou R$ 206,4 milhões em impostos, 15 mil empregos foram gerados (hotéis, restaurantes, bares, ambulantes, motoristas, garçons, cozinheiros etc.) e 13.708 pessoas trabalharam no evento. Os números são da Fundação Getúlio Vargas.

AUDIÊNCIA – Na Bandeirantes, a corrida teve 5.8 pontos de audiência média e 6.8 de pico, ficando na vice-liderança no horário.

Acima, alguns momentos para Russell guardar no coração. Foi a primeira dobradinha inglesa na F-1 desde o GP do Canadá de 2010, que teve Hamilton em primeiro e Button em segundo, ambos da McLaren. E foi a primeira vez, também, que o hino britânico foi executado com “king” em vez de “queen” na F-1 — a rainha Elizabeth, que morreu em setembro, assumiu o trono em 1952. E segue a escrita: desde 1953, quando Mike Hawthorn venceu o GP da França, nenhuma temporada tinha sido completada sem que ao menos um piloto ou equipe do Reino Unido vencesse um GP. A de 2022 corria o risco. Essa história completa está aqui.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS da atuação de Fernando Alonso, de 17º no grid para quinto no final. Foi uma de suas melhores corridas no ano. E com Ocon em oitavo, a Alpine fez 14 pontos em Interlagos, contra apenas dois da McLaren. Assim, os franceses praticamente garantiram o quarto lugar entre as equipes, abrindo 167 x 148 sobre o time papaia. Na briga pelo sexto, gostamos também da boa prova de Bottas, que adotou um bigodão, como ele disse, de ator pornô. Ficou em nono, a Alfa foi a 55 pontos, contra 50 da Aston Martin.

NÃO GOSTAMOS do desempenho pífio, mais um, da McLaren. Os dois pontinhos do fim de semana vieram da Sprint, sábado. Na corrida, zero. É meio repetitivo, mas o fim de Ricciardo tem sido, mesmo, melancólico. Ele bateu em Magnussen na primeira volta, estragando a corrida do dinamarquês e a sua própria. O abandono de Norris ainda não foi explicado. Se foi, não vi ainda.

Comentar

N’UOL

As lágrimas de Russell (na foto de Rodrigo Berton) valeram muito num GP que não valia nada. É do que falo em minha coluna de hoje no lacrimoso portal. Para ler, cliquem aqui.

Comentar

EXISTE GP EM SP (19)

George Russell: 113º piloto a vencer na F-1

SÃO PAULO (foi bom, não foi?) – A Fórmula 1 tem mais um piloto para colocar na sua lista de vencedores. George Russell ganhou o GP de São Paulo e deu à Mercedes sua primeira vitória no ano. Com direito a festa completa para o time alemão: Lewis Hamilton chegou em segundo para fechar a dobradinha prateada. Com a Ferrari, Carlos Sainz foi o terceiro.

A prova de Interlagos foi divertida, teve toque entre Verstappen e Hamilton no início, punição ao bicampeão, recuperação bonita do inglês, papelão da Red Bull com Pérez na escolha dos pneus, atuação exuberante de Alonso – de 17º no grid para quinto no final –, duas entradas de safety-car e nada de chuva.

Vamos a ela, então.

Magnussen, fora na primeira volta: enorme decepção

Com 23,6°C de temperatura, sol e céu azul, quente mesmo estava o asfalto na hora da largada: 50,1°C. A escolha de pneus não foi unânime. Os quatro primeiros no grid foram de macios – duplas de Mercedes e Red Bull. A Ferrari optou por colocar médios nos carros de Leclerc e Sainz, assim como a Haas com seus dois pilotos. Até pneus duros foram usados, por Alexander Albon, da Williams.

Russell e Hamilton largaram muito bem, trazendo Verstappen e Pérez logo atrás. Mas já na primeira volta, na freada do antigo S pós-Laranjinha, um acidente motivou a chamada do safety-car: Daniel Ricciardo tocou na traseira de Kevin Magnussen, que rodou e bateu de volta em seu algoz. Os dois abandonaram tristemente. O australiano, porque vai se despedindo da F-1 melancolicamente; o dinamarquês, porque teve uma sexta-feira de sonho, com a pole-position mais surpreendente dos últimos tempos, e não pôde desfrutar sequer de uma volta completa no GP que entrou para sua história pessoal.

Magnussen ficou tão chateado, para não dizer absolutamente irado e inconformado, que sequer entrou no carro médico que levaria os dois pilotos de volta aos boxes. O piloto da McLaren foi sozinho. O da Haas ficou encostado no guard-rail, no meio do gramado, segurando o capacete.

A prova foi retomada no final da sexta volta. E treta de novo. Na freada para o S do Senna, Verstappen e Hamilton se tocaram e foram se esfregando até a entrada do Sol. O holandês da Red Bull perdeu parte da asa dianteira. No Laranjinha, Norris bateu em Leclerc, que rodou, bateu de leve nos pneus e conseguiu voltar à pista. Max foi para ao boxes, trocou o bico, colocou pneus médios, xingou o rival e Hamilton, que estava em segundo, caiu para oitavo.

Lewis partiu para a recuperação, enquanto na frente Russell, Pérez, Sainz e Norris se mandavam. Rapidamente o #44 passou por Schumacher e Gasly, e na volta 11 já estava em sexto, atacando Vettel. Pouco depois, os comissários anunciaram punições: 5s para Verstappen e para Norris, ambos considerados causadores de seus respectivos sinistros com Hamilton e Leclerc. “Não tinha espaço para ele”, resmungou Max pelo rádio. “Foda-se.” Na verdade, ele disse “não importa”, mas foda-se é mais eloquente. E concordo com sua irritação. Minha impressão foi de que Lewis fechou a porta acintosamente na cara do rival na segunda perna do trecho que leva o nome do brasileiro tricampeão mundial.

Alonso e Ocon: ótimos pontos para a Alpine

Na volta 16, Hamilton já aparecia em quarto, depois de deixar Vettel e Norris para trás sem muita dificuldade. Na 18ª, Sainz foi para os boxes para colocar pneus macios e caiu de terceiro para 11º. A explicação para pit stop tão precoce: uma sobreviseira enganchou no duto de freio traseiro direito de seu carro, e ele precisou parar para remover o lixo.

Com 20 voltas, Russell e Pérez seguiam em primeiro e segundo com a diferença entre os dois oscilando na casa dos 2s. Hamilton, em terceiro após a parada de Sainz, imprimia um ritmo forte para não deixar a dupla sumir de seu campo visual. Para Checo, a diferença era de 6s7. O mexicano parou na volta 24 e colocou pneus médios. Voltou em sexto, no meio do tráfego, atrás de Bottas e Norris. Perdeu algum tempo. Russell parou na volta seguinte e quando retornou, estava em segundo, atrás de Hamilton. Com a corrida na mão.

Fora da briga, lá no fundão, Verstappen fez sua segunda parada, pagou a multa de 5s e voltou apenas para cumprir tabela. A prova estava entre os pilotos da Mercedes e, eventualmente, Pérez. Hamilton, na liderança e sem trocar pneus, percebeu que nuvens escuras se aproximavam da região do autódromo e perguntou se ia chover.

Na falta de um meteorologista de plantão, a Mercedes preferiu chamá-lo para os boxes e espetar um jogo de pneus médios em seu carro na volta 29. Voltou em quarto, atrás de Russell, Pérez e Sainz, 15s atrás do líder. Alonso, Bottas, Vettel, Ocon, Gasly e Norris completavam a lista dos dez primeiros.

Com todos de pneus trocados e punições pagas, foi aquele momento em que a prova se acomodou um pouco. Russell tinha mais de 5s sobre Pérez, que por sua vez via Sainz a mais de 3s de distância, diferença parecida entre o espanhol da Ferrari e Hamilton. O sol tinha desaparecido, como notara Lewis pouco antes, e a temperatura caíra para 22°C. Chuva, porém, nada.

Sainz fez sua segunda parada na volta 37, colocou pneus médios e voltou em quarto. Se nada de errado acontecesse com ele, a meta era um pódio assim que Hamilton parasse de novo, também. Quem estava preocupada era a Red Bull, com o ritmo pouco entusiasmante de Pérez, em segundo: Russell se afastava dele, na liderança, e Hamilton se aproximava, em terceiro. “Plano B”, decidiu a equipe. Qual era exatamente, o futuro diria.

Fosse qual fosse o plano B, teria de ser colocado em prática logo. Na abertura da volta 45, Hamilton passou pelo mexicano na reta dos boxes e assumiu a segunda posição. Russell estava 9s9 à frente dele. Registre-se que, nesse momento, Verstappen, de quem já havíamos nos esquecido, estava em sexto.

A Red Bull chamou Pérez para a derradeira parada na volta 48. Mas colocou médios em seu carro, não macios. Hamilton parou na seguinte e a Mercedes optou pelos macios. Voltou à frente do mexicano. Por fim, na volta 50, Russell fez seu último pit stop. Macios, também.

Russell, Sainz, Hamilton e Pérez eram os quatro primeiros para a fase final da prova. Os dois da Mercedes com pneus macios, o ferrarista e o rubro-taurino com médios. O espanhol sofreria mais que os outros, porque tinha pneus mais desgastados – seu segundo pit stop fora feito bem antes.

Max para cima de Pérez: treta na equipe

Aí Lando Norris quebrou, parou no Bico de Pato e um safety-car virtual foi acionado, na volta 54. Sainz aproveitou e trocou pneus pela terceira vez no dia. Caiu para quarto, mas pelo menos teria uma borracha mais veloz para buscar, ao menos, um pódio. A dobradinha da Mercedes estava desenhada. E a direção de prova resolveu dar emoção à corrida, colocando na pista o safety-car de verdade enquanto o McLaren de Norris era recolhido ao pátio. A volta: 56.

O safety-car foi excelente para Hamilton, que estava mais de 10s atrás de Russell. E para Sainz, com pneus melhores que Pérez. O pelotão se juntou e George perguntou pelo rádio quais seriam “as regras”. Em outras palavras: “Gente, eu mereço ganhar, não?”. A Mercedes respondeu apenas que ele e seu companheiro estavam livres para fazer o que bem entendessem. Desde que fossem “respeitosos”.

OK, então.

Russell, Hamilton, Pérez, Sainz, Bottas, Leclerc, Vettel, Ocon, Alonso e Verstappen eram os dez primeiros na fila indiana se preparando para a relargada. Candidatos à vitória à parte, Valtteri era o cara da corrida, em quinto com seu bigodão de ator pornô. E Ocon x Alonso era um duelo promissor.

As bandeiras verdes foram mostradas na abertura da 60ª volta e Jorginho não deu moleza. Relargou como um foguete e escapou do assustador parceiro. Alonso, que trocou pneus no safety-car, veio jantando quem via pela frente e ganhou três posições em uma volta. Pérez se sustentava à frente das duas Ferrari do jeito que dava.

E não deu por muito tempo. Sainz passou na 63, por fora, no Lago. Foi para terceiro. Leclerc também superou o mexicano e subiu para quarto. Verstappen, recolocado na corrida graças ao safety-car, se divertia passando gente – uma ultrapassagem dupla sobre Ocon e Bottas foi daquelas para colocar no DVD de melhores momentos.

Com seus inexplicáveis pneus médios, Pérez foi superado em seguida por Alonso, que fazia um corridão, e, creiam, Verstappen. O plano B da Red Bull para Checo foi brilhante: de terceiro para sétimo em quatro voltas. E o mexicano ainda pediu para Max lhe dar a posição de volta, em nome da briga pelo vice-campeonato. O holandês se recusou. Amanhã trago detalhes no “Sobre ontem…”.

Primeira dobradinha inglesa desde Canadá/2010: God save the King

Com muita personalidade, Russell não deu a menor chance a Hamilton de tentar alguma coisa e viu a bandeira quadriculada ser agitada por Emerson Fittipaldi para vencer o GP de São Paulo. Lewis terminou 1s5 atrás e Sainz fechou o pódio. Leclerc, Alonso, Verstappen, Pérez, Ocon, Bottas e Stroll completaram a zona de pontos.

Russell chorou com a equipe pelo rádio e ao abraçar seus mecânicos, e quando tirou o capacete estava com os olhos vermelhos. Na primeira entrevista pós-vitória, se disse “sem palavras”. “Vem tudo à cabeça, as lembranças, o tempo no kart, meu pai e minha mãe, as oportunidades que tive com a Mercedes, a Williams, é muito emocionante”, falou.

Russell é o 113º piloto a ganhar uma corrida na F-1 e o 20º britânico a entrar na lista. Hamilton segue correndo por um tempo, já se sabe, mas é igualmente sabido que a coroa da Mercedes já tem sucessor. George é muito, muito bom. Em sua primeira temporada pelo time que o mantém sob contrato desde 2017, se mantém à frente de um heptacampeão mundial desde a segunda etapa da temporada. Não é para qualquer um.

A temporada de 2022 acaba domingo que vem em Abu Dhabi. Ufa.

Comentar

EXISTE GP EM SP (18)

Saga da entrada: Ferrari, sempre a Ferrari, quebrou

SÃO PAULO (29°C lá fora, 56,9°C no asfalto) – Sempre venho cedo para Interlagos em fim de semana de GP por causa do trânsito etc. Nos tempos de rádio, 6 da manhã o bonito estava de microfone na mão falando do público, do tempo, da chegada dos pilotos e das celebridades, aquelas coisas para encher linguiça até a hora da largada, que era mais cedo.

Hoje em dia não preciso mais abrir os portões do autódromo, a corrida começa às 15h, moro mais ou menos perto, se traçada uma linha reta entre Interlagos e Bacabal, no Maranhão, esta tangenciará minha rua, saí exatamente às 8h47, conheço alguns caminhos que, se não são alternativos, ao menos me tiram da avenida Interlagos, que é sempre um problema, liguei o rádio, acendi um cigarro e fui.

Aqui vale um par de parênteses, que não serão abertos nem fechados, é só modo de falar. Desde tempos imemoriais, quando bigas davam voltas entre os lagos puxados por equinos musculosos, há uma faixa reversível para veículos credenciados que leva ao acesso ao portão 7, onde entra todo mundo, que sempre funcionou muito bem. Sucede que, de uns anos para cá, vans com vidros escuros procriaram numa taxa assustadora, proporcional aos lugares vendidos para áreas comumente chamadas de VIP, muitas delas sobre os boxes, entre as curvas, sob tendas árabes, tribunas abastecidas com acepipes e beberagem sortida. Essa gente importante gosta de ser desembarcada a poucos metros de onde se refestelará, portanto que ninguém os despeje no portão de entrada, subjugando-os a longas caminhadas que podem chegar a meia légua. Essa proliferação de furgões inviabilizou a faixa reversível, e é por isso que quando venho para cá contorno o que me parece ser um braço do rio Pinheiros, mergulho nos confins da zona sul e chego pelos fundos do kartódromo, desviando de ambulantes que vendem bonés falsificados (30 reais, segundo o Fábio Seixas), camisetas falsificadas, bebidas falsificadas, espetinhos falsificados e esperanças idem — havia um grupo de patriotas na praça Enzo Ferrari protestando contra a ascensão do comunismo ao poder, em quantidade não muito expressiva, talvez duas dezenas, pouco mais, pouco menos, é o que me disseram.

E corria tudo bem, com um total de 27 minutos até o ponto em que a avenida Jangadeiro — adoro o nome –, que circunda o autódromo, se encontra com a Senador Teotônio Vilela, justa homenagem ao menestrel de Alagoas, que, saibam vocês, é o endereço formal do complexo esportivo onde estão abrigadas a pista de corridas e algumas quadras de futebol de salão. Ali, normalmente, vira-se à direita e pronto, o lendário portão 7 se descortina e está tudo bem.

Mas a Senador Teotônio Vilela está bloqueada, o que é normal nesses eventos, então foi preciso avançar mais um quarteirão para pegar um trechinho da avenida Interlagos, direita, direita de novo e esquerda logo a seguir, e divisa-se o portão 7, mítico e acolhedor, e está tudo bem.

Não estava. Notei, ao apontar na avenida Interlagos, que a faixa reversível, que vem do outro sentido, estava apinhada de vans. Folguei de não ter de encarar aquela fila graças ao roteiro de baixo clero pelo qual sempre venho para cá. Minha entrada seria bem mais ágil. Ocorre que naquele momento, naquele exato momento, uma manada de cavalos rampantes nas cores vermelha (muitos), amarela (bastantes), preta (menos) e branca (raros) chegava ao autódromo para o que parecia ser um desfile monomarca conduzido por milionários orgulhosos de suas montarias.

Coloquei-me entre uma e outra, pois que o acesso dar-se-ia pelo mesmo portão 7, o quimérico, que nos conduziria a um túnel por baixo da pista, de onde nos observa o busto de José Carlos Pace, modesto, em nada parecido com a cabeçorra de Ayrton Senna instalada não muito longe dali, com seus três metros e meio de altura, 550 kg de massa cromada, e que em muito lembra as feições da pistoleira Carla Zambelli.

Aquele trajeto, sob o túnel até o estacionamento que fica na antiga Curva do Sol, percorre-se em tempos de paz em dois ou três minutos.

Levei uma hora.

Meu carro tem motor dois tempos, que não gosta muito de ficar parado, menos ainda debaixo de sol. É preciso acelerar o tempo todo para que as velas não encharquem, o que compromete todo o conjunto — o motor morre e para pegar de novo é preciso orar e ser gentil nas súplicas ao próprio carro, que devem ser feitas em voz baixa e tom carinhoso.

Procurei saber, com operadores do trânsito que iam e vinham a pé vestindo coletes fosforescentes onde se lia “staff”, o que se passava logo após a saída daquele túnel, que eu já tinha atravessado — e, por isso, de sua sombra não desfrutava; antes, restava sob a implacável ação solar, já que ali estávamos parados havia muito tempo. O congestionamento, supunha, já deveria alcançar a marginal do rio Tietê, talvez chegasse a Campinas, passasse por Minas atingindo a Bahia, quiçá resvalando nas franjas de Sergipe.

“Uma Ferrari quebrou”, informou o agente.

Uma Ferrari quebrou.

Uma Ferrari quebrou e nenhuma alma conseguia tirá-la de onde estancou, jumento teimoso que nada nem ninguém convencia a se mover, e por isso foi preciso providenciar um reboque, enquanto o tráfego, daquele ponto logo depois do túnel até o litoral do Ceará, permanecia imobilizado à espera da remoção.

Como na autoestrada de Cortázar (Google, queridos e queridas), dos mais belos contos jamais escritos, em determinado momento, sem maiores explicações, a fila voltou a andar, lentamente, é verdade, os carros vermelhos, amarelos, pretos e brancos se espalharam, minhas velas encharcaram, efetivamente, e demandou algum trabalho e habilidade com motores de três cilindros para conseguir chegar com meu pobre automóvel ao local onde ficará até o fim do dia, descansando da estafante jornada.

Depois fui ao paddock, encontrei alguns amigos e tirei umas fotos.

E para não dizer que não tenho informação alguma de relevância, faz sol e calor, não há nenhuma perspectiva de chuva, Emerson Fittipaldi vai dar a bandeira quadriculada 50 anos depois de disputar um GP no Brasil pela primeira vez, Tsunoda vai largar dos boxes, os pilotos estão desfilando em carros conversíveis neste momento (Pérez num Fusca, Vettel num Rolls Royce dirigido pelo Mick Schumacher) e por enquanto é tudo que sei.

Comentar

EXISTE GP EM SP (17)

Rombo no carro de Ocon: Alpine em chamas

SÃO PAULO (contando as horas) – Fernando Alonso ficou muito, muito irritado com seu companheiro de Alpine Esteban Ocon. “Ele me jogou no muro em Jedá, depois em Budapeste, e hoje de novo. Ainda bem que só falta uma corrida, está acabando, finalmente. Só quero que chegue logo Abu Dhabi para que eu possa andar com o carro verde.”

O desabafo do espanhol, citando sua futura equipe, a Aston Martin — ele vai participar dos testes pré-temporada já pelo novo time –, foi feito depois que ele e Ocon se tocaram na curva do Lago na primeira volta. Esteban jogou o parceiro para fora da pista, e quando voltou foi atingido por ele na lateral. Pouco depois, na reta dos boxes, Alonso foi para a ultrapassagem e o francês mudou de direção repentinamente. Na manobra, um toque quebrou a asa do veterano bicampeão.

Ocon se defendeu, disse que foram incidentes normais de corrida, e que quando espalhou para cima de Alonso na primeira volta estava ultrapassando uma McLaren. Evitou maiores confusões. Chamados à torre, os dois pilotos foram questionados pelos comissários. Alonso levou 5s em seu tempo de prova, caindo de 15º para 18º.

O atrito entre os dois trouxe enorme prejuízo ao time francês. Na classificação, seus dois pilotos ficaram em sexto e sétimo no grid — Esteban à frente. Amanhã, por causa do resultado desastroso na Sprint, estarão em 17º e 18º. “Francamente, os dois precisam fazer um trabalho melhor”, resumiu o chefe da equipe, Otmar Szafnauer.

Comentar

EXISTE GP EM SP (16)

Russell, vencedor da Sprint: erro da Red Bull deu uma mão

SÃO PAULO (dia de Ferrari) – Uma escolha inexplicável de pneus tirou de Max Verstappen o que poderia ser uma vitória fácil da Red Bull na Sprint de Interlagos neste sábado. O holandês largou com compostos médios, contra macios de quase todos os demais no grid – Latifi foi o outro que não usou os macios. A vitória acabou ficando com George Russell, da Mercedes. Carlos Sainz foi o segundo e Lewis Hamilton, o terceiro. Max terminou apenas em quarto. Magnussen, o pole, ficou em oitavo.

A provinha começou com céu azul, sol e algumas nuvens camaradas sobre Interlagos, 22°C, temperatura agradável para a prática do esporte automobilístico. Nas arquibancadas, muita gente. O GP de São Paulo, nunca é demais lembrar, pretende chegar a um público total de 230 mil pessoas nos três dias do evento.

A opção de Verstappen e Latifi pelos pneus médios para a corrida de 24 voltas foi uma surpresa, ao menos no caso do holandês; o canadense poderia largar de radiais 145/70/13 que não faria muita diferença. “Se perde, é uma besta. Se ganha, é bestial”, decretaria Otto Glória (Google, crianças) se chamado fosse a analisar brevemente a competição.

Magnussen largou lindamente, e seus pneus macios permitiram que abrisse um pouco de Verstappen na primeira volta, pelo menos. A torcida, acreditem, gritava: “É! Ma-guinússen!”. Max sofreu por alguns metros para se defender de Russell no início, mas na terceira volta fez a ultrapassagem sobre o dinamarquês no S do Senna e conseguiu respirar um pouco. Depois vieram Russell e Sainz para acabar com a alegria do piloto da Haas.

O primeiro esfrega-esfrega da corrida aconteceu na primeira volta entre Alonso e Ocon no Lago. Logo depois, o espanhol tocou no carro de seu companheiro de equipe. “Perdi a asa dianteira graças ao nosso amigo”, falou, pelo rádio. Na sequência, narrou o lance: “Ele me prensou e jogou no muro, belo trabalho”. Estava puto dentro do macacão. Foi para os boxes e voltou à corrida. Terminou em 15º. O carro de Ocon pegou fogo no Parque Fechado. No próximo post, um resumo da treta, já que os dois foram chamados à torre de controle.

La no fundo, o carro de Ocon pegando fogo: treta na Alpine

Na sexta volta, Magnussen já havia sido ultrapassado por Hamilton, também, e ocupava a quinta colocação. Verstappen seguia na liderança, perseguido de perto por Russell. Só na nona volta o bicampeão conseguiu abrir mais de 1s sobre o britânico da Mercedes, se livrando da ação da asa móvel do adversário. Mas foi por pouco tempo. Jorginho foi à luta e não desistiu. Na 12ª volta, atacou na Reta Oposta, mas Max se defendeu com absoluta precisão, por dentro.

Na 13ª, Russell tentou a mesma manobra, mas Verstappen, espertíssimo, como se tivesse nascido em Interlagos, fazia um traçado de defesa de almanaque. A disputa era belíssima. Na 15ª volta, finalmente, o Mercedão #63 foi para cima e antes da freada do Lago conseguiu a ultrapassagem.

Não deu para entender, mesmo, a escolha dos pneus médios por Verstappen. A equipe até tentou explicar. A ideia era guardar dois jogos de macios para a corrida de amanhã. OK. Mas o piloto foi mais sincero e direto: “Com qualquer pneu hoje não tínhamos ritmo. Amanhã não vai dar para ser pior que isso, não. Precisamos saber o que aconteceu, simplesmente estávamos lentos”.

Seu ritmo era, de fato, visivelmente pior que o de todo mundo – menos Latifi, claro. Russell começou a abrir na liderança e a briga seguinte se deslocou para logo atrás deles, entre Sainz, o terceiro, e Hamilton, o quarto. Com ambos se aproximando do #1 perigosamente.

E não teve jeito. Na volta 19, Sainz mergulhou por dentro no S do Senna e passou Verstappen. Eles se tocaram. Uma aleta da asa dianteira da Red Bull voou pelos ares. Na volta seguinte, Hamilton fez a mesma coisa e também deixou Max para trás. Favoritaço à vitória, o bicampeão caiu para quarto de forma inapelável. E lá ficou.

O resultado da prova curta: grid de amanhã é esse aí

Daí em diante, as coisas se acomodaram. Como diriam os locutores de rádio no apito final de um clássico no Pacaembu, não havia tempo para mais nada. Russell ganhou com 3s9 de vantagem sobre Sainz, o segundo, e Hamilton fechou o pódio que não há – nas Sprints só são entregues umas medalhinhas fajutas para os três primeiros. Verstappen, Pérez, Leclerc, Norris e Magnussen completaram a lista dos oito que pontuam em provas curtas. K-Mag, o pole, pelo menos salvou um pontinho.

O resultado da corrida forma o grid do GP, amanhã. Assim, Russell larga na pole efetivamente, com Hamilton ao seu lado na primeira fila, porque Sainz trocou o motor e perderá cinco posições – parte em sétimo. Verstappen e Pérez estarão na segunda fila. A corrida começa às 15h e terá 71 voltas.

Hamilton ainda pode perder a posição. Ele, Zhou e Ricciardo estão sendo investigados por por alguma irregularidade no procedimento de largada. Portanto, este texto pode ter de ser atualizado daqui a pouco.

Hamilton abraça Russell: Mercedes com boas chances amanhã

Com dois carros na primeira fila, a Mercedes tem sua maior chance no ano de vencer uma corrida nesta temporada. A Ferrari está mais para trás, a Red Bull se diz confusa com o acerto e o desempenho de seus carros e Russell e Hamilton estão sedentos por vitórias. Um, porque nunca venceu. Outro, porque desde a estreia na F-1, em 2007, não deixou jamais de ganhar ao menos um GP por ano.

A chance de chuva para amanhã, segundo os serviços meteorológicos, diminuiu um pouco. No meu celular, a informação é de que há 40% de possibilidades. Sei lá. Hoje não caiu uma gota. Mas é São Paulo, é Interlagos, e tudo pode acontecer. Até agora, em dois dias, já tivemos uma pole de Magnussen e uma vitória de Russell. Se no final da tarde, amanhã, eu estiver escrevendo sobre um pódio com Zhou, Latifi e Tsunoda, ninguém deve se espantar demais.

Comentar

EXISTE GP EM SP (15)

Ocon: primeiro no último treino livre

SÃO PAULO (25,5°C, 51,9°C na pista) – O último treino livre para o GP de São Paulo terminou há pouco sem permitir grandes conclusões sobre qualquer coisa, porque aconteceu com sol, relativo calor (para quem é da cearense Santa Quitéria, por exemplo, “fresquinho”; para islandeses de Reykjavik, “insuportável”) e asfalto escaldante, condição climático-geológica que nunca mais será vivida neste fim de semana com carros na pista. A Sprint começa às 16h30 e deve chover — se não chover, estará bem mais frio. Amanhã, a largada é às 15h e também há previsão de chuva.

Seja como for, os pilotos aproveitaram o tempinho agradável para andar bastante e matar a saudade de um piso seco e aderente, e foram voltas e mais voltas, um total de 677 completadas pelos 20 pilotos escalados para a lida, entre eles o novato Logan Sargeant. O americano treinou pela Williams no lugar de Alexander Albon, para somar mais quilometragem e ganhar mais um pontinho que lhe garanta a superlicença para 2024 — ele já foi confirmado como titular, mas precisa formalizar a vaga, ainda; em Abu Dhabi, no encerramento da F-2, deverá conseguir sem muita dificuldade.

Para se ter uma ideia de como estava gostoso percorrer os 4.309 m de Interlagos debaixo de sol e sem ter de acender o farol e passar flanela na viseira embaçada, três pilotos completaram mais de 40 voltas na preparação para a Sprint e para a corrida de amanhã. Foram eles Vettel (44), Stroll (43) e Schumacher (40). Quem andou menos foi Lando Norris, 25 voltas.

Schumacher, 40 voltas: Haas vive seu dia de Cinderela

O alemão da Haas conseguiu um bom oitavo lugar na sessão, que foi liderada pelo francês Esteban Ocon, da Alpine. Seu tempo, 1min14s604, ficou bem distante da melhor marca de ontem, na casa de 1min10s enquanto a pista estava seca. A enorme diferença se explica pelo peso dos carros. Todo mundo andou com bastante gasolina no tanque, porque é assim que se larga para uma corrida, seja ela de 24 voltas, como a Sprint, ou de 71, como o GP de verdade.

Sergio Pérez foi o segundo, seguido por Russell, Alonso, Verstappen, Hamilton e Gasly nas sete primeiras posições. Por que sete? Porque já falei de Schumacher, em oitavo. Não iria repetir. Na estrutura do texto, ficaria ruim falar a mesma coisa em dois parágrafos seguidos.

Magnussen, que larga na pole às 16h30 para a prova curta de meia hora, ficou em nono. O piloto dinamarquês pretende aproveitar seus 15 minutos de fama até o fim, já que na hora do vamos ver ninguém acredita que será capaz de sustentar uma liderança na Sprint por mais de duas ou três voltas. As apostas mais frequentes, inclusive, são de que Verstappen conseguirá ultrapassá-lo ao final da primeira volta, na freada para o S do Senna.

Max é muito favorito às duas vitórias em Interlagos, hoje e amanhã, por motivos óbvios. Dificilmente encontrará resistência das equipes que mais se aproximam da Red Bull, Ferrari e Mercedes, porque uma, a italiana, parece já estar de férias, e outra, a alemã, ainda bate cabeça com um carro complicado. O resto não conta muito.

A Alpine, dirá alguém, tem dado alguma pinta de que pode se apresentar com dignidade, mas nada que remotamente preocupe os rubro-taurinos. Em condições normais, serão dois passeios do holandês. Mas como em Interlagos as condições nunca são normais, é melhor esperar e torcer para que tudo seja divino e maravilhoso.

Comentar

EXISTE GP EM SP (14)

Enzo e Marko: passo importante para o jovem Fittipaldi

SÃO PAULO (aí sim) – A notícia foi tornada oficial agora há pouco e, pelo jeito, a negociação foi conduzida com bastante discrição — ninguém tinha falado da possibilidade. Enzo Fittipaldi, neto de Emerson, 21 anos, foi contratado pela Red Bull e passa a fazer parte da academia de pilotos da marca no ano que vem. Sexto colocado na F-2 neste ano, seis pódios, com chances de terminar o campeonato entre os três primeiros se for bem na rodada dupla de Abu Dhabi que fecha a temporada, Enzo segue na categoria no ano que vem. Mas deixará a modesta Charouz para ser alocado num time mais competitivo pela Red Bull, a Carlin.

Eu diria que esse acerto é mais promissor, pensando em F-1, do que o de Felipe Drugovich, campeão antecipado da F-2, com a Aston Martin. Enzo tem sido um grande destaque da F-2 e o faz de forma surpreendente. Estreou no fim da temporada passada, sofreu um forte acidente em Jedá, quebrou a perna, mas se recuperou e veio forte neste ano.

A turma da Red Bull na F-2 neste ano decepcionou, e em 2023 a aposta, além de Enzo, será feita no franco-argelino Isack Hadjar, 18 anos. Vice-campeão da F-3 desta temporada, o moleque é tido como um fenômeno. Certo é que esses dois podem alimentar esperanças reais de chegar à F-1 rápido, se não fizerem nenhuma besteira, pela porta da AlphaTauri. Yuki Tsunoda corre no ano que vem, mas não tem vida longa na categoria. Será engolido por Nyck de Vries em 2023 e em 2024 só continua se a garotada da base fracassar redondamente e ele mesmo, Tsunoda, fizer algo que ninguém espera.

Brasileiros com o patrocínio da Red Bull não são exatamente uma novidade no automobilismo. No passado, Enrique Bernoldi (quando chegou à F-1 na Arrows), Ricardo Maurício, Pedro Bianchini (que começou muito bem no kart, sofreu um acidente na F-BMW e sumiu) e Sergio Sette-Câmara vestiram as cores dos energéticos. Todos passaram pelas mãos de Helmut Marko, mas nenhum foi muito longe. Nos monopostos, pelo menos.

Comentar

EXISTE GP EM SP (13)

Mais algumas fotos aleatórias da manhã/início de tarde, por enquanto, com um solzinho tímido e 24°C em Interlagos. Teve até Soteldo batendo bola com Alonso. Momento único acompanhado de perto por Ocon. Soteldo é do tamanho de Tsunoda.

Comentar

EXISTE GP EM SP (12)

SÃO PAULO (e vem chuva) – Hoje dá para fazer rescaldão de sexta-feira, com as aparas do que deixei de rabiscar ontem neste espaço repleto de teias de aranha. E vou nas caixinhas, que é mais rápido.

Pryce (esq.) na pole, Pace ao seu lado: Inglaterra, 1975

EUA NUMBER ONE! – A pole da Haas ontem, porque é ela que entra nas estatísticas mesmo se Magnussen aparecer de ressaca hoje no autódromo e desistir da Sprint, é a primeira de uma equipe americana na F-1 desde 1975. Na ocasião, no GP da Inglaterra, em Silverstone, o pole position foi o inglês Tom Pryce. O time com bandeira dos EUA era a Shadow.

BRAZIL, NUMBERS ONE AND TWO! – Aquela corrida foi das mais doidas da história e teve vitória de Emerson Fittipaldi, com a McLaren, seguido por José Carlos Pace, da Brabham, na segunda das 11 dobradinhas brasileiras na F-1. Foi também o último triunfo de Emerson na categoria, já que no ano seguinte ele foi para a Copersucar. Choveu muito, parou, choveu de novo, e no fim 16 dos 26 que largaram se acidentaram. Entre eles, quatro dos seis que pontuaram — porque a prova foi interrompida com bandeira vermelha (veja a foto acima) e valeu o resultado da volta anterior, quando essa turma toda ainda não tinha batido.

Carros da Haas hoje cedo em Interlagos: 41ª equipe na pole

E MAIS NÚMEROS – Magnussen se colocou ontem como o 106º piloto da história a conseguir uma pole. Foi, como já dito, em sua 140ª tentativa. Pérez levou 216 GPs para chegar lá e Sainz, 151. Também já escrevi isso ontem. O que não escrevi foi que a Haas se tornou a 41ª equipe da história a registrar uma pole. Foi em seu 142º GP. É, de longe, a que mais demorou. Quem liderava esse ranking era a BAR, com 87 GPs, seguida da Red Bull, com 74.

PRESENTE – A pole do dinamarquês foi um ótimo presente de aniversário para o americano Gene Haas, dono da equipe. Ele faz 70 anos hoje.

NÃO GIRA, CAPOTA – E vejam como são as coisas… No começo deste ano, quando a Haas apresentou seus carros com as cores da Rússia de Nikita Mazepin, Magnussen postou a imagem da esquerda em seu Twitter. Ele, na época, estava negociando para correr de IMSA, Indy, WEC e com meu Lada na Superliga. Veio a guerra, a Haas o chamou de volta e oito meses depois…

Comentar

Blog do Flavio Gomes
no Youtube
MAIS VISTO
1:24:07

POR QUE AMAMOS UM LOGAN (BEM, MERDINHAS #257)

O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...

1:10:23

CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)

Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...