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segunda-feira, 22 de julho de 2019 - 21:07Automobilismo internacional

AUTOMOBILISMO, 125

Dieser Peugeot mit Daimlermotor wird beim ersten Autorennen der Welt mit dem ersten Platz ausgezeichnet

RIO (só louco) – Às 8 da manhã do domingo 22 de julho de 1894, 21 carros saíram do Boulevard Maillot, em Paris, rumo a Rouen, a 126 km de distância. Essa competição, promovida por “Le Petit Journal”, é considerada a primeira corrida da história, e hoje completa 125 anos.

Oficialmente, a prova foi batizada de “concurso de viaturas sem cavalos”, e como condição para inscrição o jornal determinou que seus “pilotos” apresentassem veículos que não fossem perigosos, fossem “fáceis de guiar” e que, ao longo do percurso, provassem que seus custos não seriam exorbitantes.

Apareceu um pouco de tudo: tratores a vapor, veículos elétricos, propulsionados a gás, movidos a pedal, hélices ou alavancas, uma miríade de máquinas que, em comum, dispensavam a tração animal. No fim, depois de três dias de exibições e, digamos, provas de qualificação, sobraram os 21 que partiram de Paris para a capital da Normandia.

A coisa começou meio duvidosa porque o cabra que chegou em primeiro, o Conde de Dion, dirigia uma trapiz0nga a vapor que os organizadores não curtiram muito. Dividiram o primeiro prêmio, de 5 mil francos, entre dois carros com motores a gasolina feitos pela Peugeot — considerados “mais próximos do ideal” pedido pelo regulamento. Um deles é esse da foto, pilotado pelo glorioso Albert Lemaître — não sei exatamente qual desses elegantes senhores é o digníssimo motorista — primeiro a chegar depois do conde, com 3min30s de diferença.

De Dion levou 6h40 para percorrer os 126 km, com pausa para um lauto almoço em Mantes, no meio do caminho. Dos 21 que largaram, 17 chegaram ao final. Nove deles usavam motores de 3,5 HP com dois cilindros em V fabricados a partir do modelo inventado por Gottlieb Daimler, engenheiro alemão que, ao lado de Karl Benz, é tido como o inventor do automóvel. Daimler, inclusive, recebeu festivamente os participantes na chegada. Benz, por sua vez, patenteara o automóvel em 29 de janeiro de 1886 — data que, para todos os efeitos, é considerada como o dia de nascimento do veículo, embora seu primeiro carro tivesse apenas três rodas; Daimler fez, no mesmo ano, um veículo semelhante, mas com quatro.

Por essas e outras a Mercedes vai comemorar, domingo, os 125 anos do automobilismo — além de seu 200º GP na F-1. A marca se vangloria de estar na origem dos automóveis como os conhecemos e também das competições entre eles. O nome Mercedes, para quem não sabe, surgiu graças ao empresário Emil Jellinek, que era cliente de Daimler no final do século 19, se empolgou com esse negócio de carros, comprou alguns e começou a correr usando o pseudônimo Mercédès — nome de sua filha mais velha. Em abril de 1900, Jellinek, que ficou conhecido nos meios automobilísticos como “Monsieur Mercédès”, fez uma sociedade com a DMG (Daimler-Motoren-Gesellschaft), empresa de Gottlieb, e encomendou ao engenheiro um lote de carros que deveriam ser equipados com um motor de 35 HP batizado como Daimler-Mercedes. Em 1902, a DMG incorporou o nome Mercedes aos seus produtos. A fusão com a empresa de Benz aconteceria em 1926, dando origem à Mercedes-Benz. Ufa.

Tudo isso para dizer que se tem uma corrida que a Mercedes não quer perder neste ano, é a de Hockenheim.

15 comentários

  1. Essa é uma das postagens mais importantes do blog.

  2. CRSJ disse:

    Voltaria no tempo por 15 minutos em 1894 lá por Paris só pra matar a curiosidade sobre a primeira corrida da História, na época era como algo de outro Planeta nunca visto por ninguém.

  3. Renato F1 disse:

    Para quem conseguiu ler toda a história descrita pelo Flavio Gomes, parabéns! Conseguiu fazer duas coisas na época de hoje: ler (a maioria das pessoas adora um vídeo) e aprender sobre história (tem aquela clássica piada que diz que não se aprende história porque são coisas da época em que não éramos nascidos).

    Agora, a cereja do bolo é que é um texto sobre a Mercedes-Benz! Primordial!

  4. kalil01 disse:

    interessante observar que
    as grandes fabricantes de carros da atualidade são aquelas dos países do antigo eixo
    alemanha-itália-japão
    na prática, a maioria dos melhores carros
    e olhaê a carreta de adolfo e benito:
    https://www.youtube.com/watch?v=tjphaPnslR4&pbjreload=10

  5. Czar disse:

    Imagino como deve ter sido esse almoço no meio da corrida.

    Os Oeufs à Benedict devem ter sido preparados com o salmão apenas brevemente suavizado no vapor para não acarretar demasiado atraso na linha de chegada.

  6. Alê disse:

    Segundo o livro “Asas da loucura” (excelente leitura), que conta a história de Santos Dumont, ele participou de algumas provas automobilísticas na França, possivelmente até desta aí (gostaria de ver a lista dos participantes), pois nesta época ele vivia em Paris, já tinha carro (acho que alguns, inclusive um elétrico) e estava sempre envolvido com eventos e pessoas ligadas à tecnologia.

  7. Felipe Luz CWB disse:

    A história é sensacional, mas quando a festa está pronta para ser comemorada a Dona Zica surge sem convite e azeda tudo. E parece que ela vem de vermelho tomando enérgico kkkk

  8. Farid Salim Junior disse:

    Caro Flávio, ainda há uma vertente que diz o seguinte: Mercedes era o apelido de uma das filhas do Sr. Jellinek – e, essa menina chamava-se na realidade, Martina… Pode ser boato, pode ser verdade…

  9. frank disse:

    Albert Lemaître é o da esquerda, ao lado dele está Adolphe Bayard fabricante de bicicletas e um dos criadores do tour de france.
    Lemaitre disputou diversas corridas entre 1894 e 1902, pilotou para a mercedes em 1902 , mas ficou famoso por ter assassinado a esposa em 1906 e ter tentado suicídio ,tendo posteriormente sido absolvido por ter sido traído e a ação considerada um ajuste emocional, seja la o que isso signifique.fonte wiki french, le figaro dossie.

  10. RAFAEL PIQUEIRA CHININI disse:

    resumindo, foi tipo uma corrida maluca.

  11. Amaral disse:

    Os caras vão vir com o diabo no corpo. Vão meter meio segundo no Lec-Lerc e um segundo no Vettel. Não tem pra ninguém nesse fim de semana. Só falta acertar quem ganha, Hamilton ou Bottas. As apostas estão em 50 pra 1 em prol do mirtão.

    • Amaral disse:

      Mas… Falando agora do evento em si. Fantásticos esses registros e relatos tão pioneiros na história do que hoje consideramos automobilismo. Naquela época eles não deveriam fazer idéia do pioneirismo que estavam promovendo.
      Cem anos depois, chega a ser folclórico corredores de terno e chapéu (um tava de bengala na mão na foto, e provavelmente carregavam aqueles relógios de correntinha e aqueles oclinhos que se usam com uma mão só segurando na frente do rosto, que esqueci o nome agora), em carros mais parecidos com carruagens do que carros de corrida…
      Será que nossos tataranetos rirão das imagens de hoje, vendo imagens antigas, com carros com pneus, aerofólios e um halo pra proteger a cabeça, andando em pistas asfaltadas, pois sei-lá-o-quê terá sido inventado para competições, daqui a cem anos? Levitação magnética? Propulsão a hidrogênio? Gravidade zero?

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