Flavio Gomes segunda-feira, 20 de março de 2023 17:24 22 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Alonso líder: quem diria que a Aston Martin estaria aí?
SÃO PAULO(justo) – O vaivém do troféu de Alonso em Jedá já foi bem explicadinho na postagem de ontem sobre o GP da Arábia Saudita. Como escrevi e reescrevi o texto três vezes, acho que não faltou dizer nada. Talvez, apenas, que a FIA vai rever o artigo que descreve como devem ser cumpridas as punições por tempo dentro dos boxes, para ficar claro o que é “trabalhar no carro”: se pode encostar, dar um beijo no nariz, abraçar o piloto, polir a carenagem, limpar o espelhinho, ou se ninguém pode chegar perto do automóvel. O que seria bem fácil de compreender, executar e fiscalizar. Basta colocar no texto que até serem cumpridos os cinco segundos do pênalti ninguém pode sair de dentro da garagem. Têm de ficar todos atrás de uma linha pintada no chão. Claro que, assim, a parada seria ainda mais demorada, mas paciência. É o preço a pagar por uma irregularidade.
Escolhi como imagem mais representativa da corrida os primeiros metros logo depois da largada, com Alonso liderando a prova à frente de Sergio Pérez. Podia ter optado por essa aí embaixo à esquerda, na pequena galeria dedicada ao espanhol. É a do macaco que tocou no carro do espanhol. Mas a foto é ruim, então fica só o registro.
Para ver em tamanho maior, é só clicar nas fotos.
O NÚMERO DA ARÁBIA SAUDITA
9
…voltas na liderança soma a Aston Martin agora na F-1. A equipe, que estreou em 2021 (teve participações esparsas em 1959 e 1960, também, com apenas 11 provas disputadas), havia liderado os GPs do Azerbaijão de 2021 (quatro voltas) e dos EUA de 2022 (duas), sempre com Vettel. Alonso liderou três voltas ontem em Jedá.
Hoje estou na linha “podia ter escolhido” outra coisa. O número acima é menos importante que o centésimo pódio da carreira de Alonso, mas a cifra foi igualmente citada ontem, com grande destaque. GP ruim rende pouco no dia, menos ainda no dia seguinte. Mas vamos em frente.
Depois da prova, Toto Wolff deu entrevistas mais aliviado, já que a Mercedes, pelo menos, chegou na frente da Ferrari. Prometeu mudanças no W14 que deverão ser mais visíveis em Ímola, em 21 de maio. Antes do primeiro GP europeu da temporada, a F-1 ainda corre na Austrália, no Azerbaijão e em Miami. Nessas três etapas, o carro alemão continua mais ou menos a mesma coisa: “agradável” para Russell, “incompreensível” para Hamilton.
A FRASE DE JEDÁ
“Mesmo se [o carro novo] tiver de parecer com um ônibus londrino de dois andares, vamos fazer com que seja rápido.”
Toto Wolff, chefe da Mercedes
Russell na frente de Hamilton: pelo menos, melhor que a Ferrari
A melhor volta da corrida de ontem garantiu a Verstappen a liderança do campeonato, um ponto à frente de Pérez. Ela foi anotada na última passagem do piloto pela cronometragem, para não dar chance ao mexicano de devolver a gentileza.
Checo tinha feito sua melhor volta na 38ª, e depois da prova disse que a equipe precisa ser “mais clara” ao lhe passar informações. Aparentemente, ele perguntou se Max iria apertar o ritmo para buscar o ponto extra — para fazer o mesmo, claro — e lhe responderam com uma receita de torta de maçã, para disfarçar. “Quantas xícaras de farinha pra massa?”, perguntou o mexicano. Antes que respondessem, a corrida tinha acabado. Ficou um certo mal-estar interno.
O que é uma bobagem. Pérez sabe que não vai ser campeão. Ganhou um GP com o companheiro fodão do Bairro Peixoto em segundo, está bom demais. Quer fazer a melhor volta, que faça. E pronto.
Checo vence e a volta mais rápida vem logo atrás com Max: mal-estar na Red Bull
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS da Alpine, que levou seus dois carros aos pontos e mostrou algum poder de reação depois do mau início no Bahrein. Ocon ficou em oitavo e Gasly foi o nono. A equipe terminou a temporada passada em quarto e não vai repetir o resultado, com a ascensão meteórica da Aston Martin. Mas, pelo menos, não dá vexame como a McLaren. E se terminar em quinto, ficará feliz.
Ocon: oitavo honestoMcLaren: rabeira ridícula
NÃO GOSTAMOS da McLaren, que terminou em 15º com Piastri e em 17º com Norris. Ambos tiveram problemas na primeira volta. Um toque de Oscar em alguém quebrou sua asa dianteira. Os restos mortais da peça quebraram a asa dianteira de Norris. Trocaram os bicos, caíram para a rabeira do pelotão e lá ficaram. Duas equipes estão zeradas nos pontos depois de duas etapas: a AlphaTauri e a McLaren. A situação do time papaia é patética.
Flavio Gomes domingo, 19 de março de 2023 16:20 66 comentários
Pérez vence pela quinta vez na carreira: domínio da Red Bull
SÃO PAULO(chato, chato…) – Sergio Pérez aproveitou a chance e venceu o GP da Arábia Saudita sem muitos problemas hoje em Jedá. A “chance” foi a quebra de Max Verstappen ontem na classificação. O holandês teve de largar em 15º. Terminou em segundo, pouco mais de 5s atrás do companheiro. Pode-se dizer que se ele tivesse feito a pole, o que seria mais do que normal neste momento histórico da civilização, teria vencido com mais ou menos cinco camelos, quatro tendas, três esfihas de carne e dois quibes crus de vantagem. Ou mil e uma noites.
Foi a quinta vitória de Pérez na F-1, a quarta em pistas de rua – ainda que o circuito saudita permita velocidades não recomendadas em rua nenhuma do mundo. O mexicano já havia vencido em Baku, Mônaco e Singapura antes.
O pódio foi completado por Fernando Alonso, da Aston Martin. Mercedes e Ferrari, com suas duplas, vieram depois dos três primeiros, a léguas de distância. Aí começou mais uma zona patrocinada pela FIA.
Alonso, minutos depois de encerrada a prova, soube que seu troféu teria de ser entregue a George Russell, o quarto colocado. Isso porque teria havido uma irregularidade nos boxes quando fez seu pit stop e teve de cumprir uma punição de 5s por ter se posicionado mal no grid. Na parada, ninguém podia tocar no carro por 5s. Mas o mecânico responsável pelo macaco traseiro encostou o equipamento no veículo antes.
O piloto do time verde, então, tomou mais 10s em seu tempo total de prova, caindo para a quarta posição. A Aston Martin reclamou. Disse que o regulamento fala apenas em “não trabalhar no carro” durante o pagamento da multa. Os comissários, para tirar o pódio de Alonso, se referiram a um suposto acordo entre as equipes que considerariam qualquer toque no automóvel uma irregularidade. A equipe verde alegou que não havia acordo algum. Os comissários, então, concordaram com o time, assumiram que não havia nenhum entendimento claro sobre a questão e reverteram a punição.
Isso aconteceu por volta das 19h15, horário de Brasília, quase quatro horas depois do fim da prova. Resumindo, Alonso ficou em terceiro. E conquistou, assim, o 100º pódio de sua carreira. O troféu que fora entregue por ele a Russell foi devolvido. Fernandinho é o sexto piloto a colocar sua coleção de taças na casa dos três dígitos. Os outros são Hamilton (191), Schumacher (155), Vettel (122), Prost (106) e Raikkonen (103).
À corrida, então? Já antecipando que serão poucas as emoções despertadas por este texto, como poucas foram as da segunda etapa do Mundial.
Alonso pula na frente na largada: pódio quase perdido no tapetão
A escolha majoritária dos pilotos para o GP saudita foi pelos pneus médios na largada. Dos 20 no grid, 16 optaram por eles. As exceções foram Hamilton e Sargeant, com compostos duros, e Leclerc e Norris, que partiram com a borracha macia.
A largada de Alonso foi muito boa, assumindo a ponta na primeira curva. Mas, segundos depois, a direção de prova avisou que sua posição nos colchetes podia estar errada. E estava. O carro se posicionou muito à esquerda do local designado. Quem se deu mal nos primeiros metros foi Piastri, que perdeu um pedaço da asa dianteira num toque sutil com Ocon e teve de ir para os boxes trocar o bico.
A punição a Alonso foi instantânea: 5s que deveriam ser pagos no primeiro pit stop — que no fim seria o único. Informado pelo rádio, o espanhol não reclamou. “OK”, respondeu. Depois da prova, disse que se realmente o carro estava no lugar errado, o erro era dele. “Mas preciso ver as imagens antes.”
Verstappen largou com cautela, ganhando apenas duas posições nas primeiras voltas. Saiu de 15º para 13º. Já na quarta volta, sem muita dificuldade, Pérez passou Alonso e pulou para a liderança, que não perderia mais. Max, de grão em grão, ia passando gente. Na quinta volta, estava em 11º.
Em segundo, Alonso não deixava Pérez escapar. Aproveitava a pequena diferença, inferior a 1s, para abrir a asa móvel em três trechos da pista e não perdia tempo – algo que não teria a possibilidade de fazer se estivesse na liderança. Era uma estratégia inteligente. Na ponta, tendo de se defender da Red Bull #11 e sem asa móvel, seus pneus teriam um desgaste maior. Era uma leitura interessante da corrida, para terminar onde seria possível — sabia que Verstappen iria chegar, mais cedo ou mais tarde, e queria garantir um pódio, pelo menos.
Tranquilo, Alonso foi atrás do que dava: um terceiro
Max entrou na zona de pontos na oitava volta, ao passar Zhou. A diferença para o líder era superior a 16s. Mais à frente, Sainz já tinha superado Ocon para tomar o quinto lugar e Leclerc, com pneus macios, passou Hamilton e foi para sétimo. Em oitavo, Lewis olhou pelo retrovisor e viu Verstappen atrás dele, agora em nono.
Com dez voltas, Pérez, Alonso, Russell, Stroll, Sainz, Ocon, Leclerc, Hamilton, Verstappen e Gasly eram os dez primeiros. Nesse momento, o mexicano começou a se descolar do Aston Martin #14, abrindo 2s de vantagem. Na volta 12, sem que Lewis oferecesse alguma resistência, o holandês deixou a Mercedes #44 para trás e ganhou a oitava colocação.
Na 14ª volta, Stroll foi para os boxes e colocou pneus duros. Max passou Ocon e, com a parada do companheiro, subiu para sexto. Uma escalada segura e consistente. Os pit stops indicavam táticas parecidas de todos: pneus duros para ir até o final da corrida sem nova visita aos boxes.
Sainz fez seu pit stop na volta 16. Leclerc, o último moicano com pneus macios na pista, parou na 17ª. Verstappen, então, assumiu a quarta posição. E, na volta 18, Stroll recebeu o pedido pelo rádio: “Pare o carro, Lance”. Teve um problema num dos motores elétricos. O safety-car, então, foi acionado. Sem precisar, diga-se. Seu carro estava numa posição mais do que segura. Coisas da Liberty, que adora uma dose artificial de competição.
A parada do espanhol: atrás, o macaco tocou o carro
Com o carro de segurança na pista, Pérez foi para o box. Verstappen fez o mesmo. Alonso, idem. Russell, Hamilton e os demais que ainda não haviam parado também trocaram pneus. Foi bom para Alonso. Ele voltou em segundo, e mesmo com a punição de 5s paga pôde encostar em Pérez de novo. E foi bom para Verstappen, claro, que estava em quarto, mas longe dos primeiros. Com o pelotão reunido, a diferença foi anulada.
Pérez, Alonso, Russell, Verstappen, Sainz, Hamilton, Leclerc, Tsunoda, Ocon e Gasly eram os dez primeiros com a turma em fila indiana esperando a relargada. Que veio na volta 21. Do pessoal que brigava por alguma coisa, estavam todos de pneus duros, exceto Hamilton – que colocou médios no pit stop.
Alonso teve algum trabalho para segurar o ímpeto da noviça rebelde Russell, que partiu para cima do asturiano nos primeiros metros. Fernandinho se defendeu bem e foi embora. Hamilton fez uma bela ultrapassagem sobre Sainz e subiu para quinto. Max colou em Jorginho. Antes da metade da corrida, já dava para rascunhar uma dobradinha da Red Bull. Com quem na frente? O tempo diria.
Para vencer, Pérez precisava sumir na dianteira, de modo que quando Verstappen aparecesse em segundo um pedido para trocar de posição fosse constrangedor demais. Na volta 24, quando foi autorizado o uso da asa móvel após o safety-car, Max passou Russell e foi para terceiro. Daí a atacar Alonso era uma questão de segundos. Passou na volta 25 sem nenhuma objeção. Burro o espanhol não é.
Pérez absoluto: não deixou Max chegar e levou o GP saudita
Quando ganhou a segunda posição, a diferença de Verstappen para o mexicano era de 5s7. Eles tinham os mesmos pneus com a mesma vida útil, praticamente – Pérez fizera seu pit stop apenas uma volta antes que o holandês. O que uma equipe faz nessa hora? Se o de trás chega, é porque está mais rápido. Largou em 15º, vem babando, pedir para não tentar a vitória é sacanagem. Já o que está na frente, largou na pole, salvou o sábado do time, certamente vai achar que ninguém ousaria permitir uma briga fratricida. “Fiz a minha, poupei o carro, eu mereço!”
O melhor era esperar para ver o que iria acontecer. No rádio de ambos, naquela altura, silêncio absoluto. Pérez rezava para Nossa Senhora de Guadalupe. Max acelerava. Nas cinco primeiras voltas depois da ultrapassagem de Verstappen sobre Alonso, a diferença ficou estável, oscilando na casa de 5s. Enquanto isso, em sétimo, Leclerc entrava do rádio para reclamar da vida. A Ferrari estava atrás de Red Bull, Aston Martin e Mercedes – até da Mercedes, com seu carro estapafúrdio. “É ridículo”, resmungava o monegasco. Na Itália, tomando vinho e vendo a corrida numa velha TV de tubo de 14 polegadas, Mattia Binotto sussurrou com seus botões: “Foda-se”.
Justiça seja feita, Checo manteve a vantagem com solidez. E, para ajudá-lo, Verstappen começou a se incomodar com seu carro, que já havia quebrado na classificação. Relatou pelo rádio, na 38ª volta, que tinha alguma coisa esquisita acontecendo. Citou o semieixo e um ruído estranho. O time respondeu que estava tudo bem e não havia com o que se preocupar. Mas, depois, o engenheiro voltou ao rádio e perguntou se o barulho continuava. Max confirmou. No outro carro da Red Bull, o de Pérez, outra comunicação radiofônica: “Meu pedal de freio está ficando longo”.
Rascunho de dobradinha não é dobradinha, e por isso a tensão tomou conta dos boxes da equipe austríaca. Confere daqui, verifica ali, faz sinal da cruz acolá, o negócio era torcer para acabar logo. Depois, o papo mudou. Era engenheiro determinando ritmo, piloto perguntando se o outro faria o mesmo, e a tensão passou aos torcedores de ambos. Mas a diferença entre os dois se mantinha igual: 5s, um pouco mais, um pouco menos. Parecia mais teatrinho de rádio fomentado pela transmissão da TV do que vida real. A corrida estava decidida.
O último bom momento da prova foi na volta 46, com Magnussen partindo para cima de Tsunoda para ganhar a décima colocação, que valia um pontinho. Para equipes pequenas, casos da Haas e da AlphaTauri, um décimo lugar tem peso.
Resultado corrigido com punição a Alonso revertida: pódio devolvido
Verstappen tirou o pé nas últimas voltas, percebendo que alcançar o parceiro era impossível e arriscado, já que seguia ouvindo vozes interiores alertando para algum piripaque iminente em seu carro. Foi quando pintou a dúvida via rádio de outras equipes, Mercedes e Aston Martin. Primeiro, Russell foi avisado para tentar chegar a menos de 5s de Alonso, porque uma nova punição poderia ser aplicada pela irregularidade na parada do espanhol. Depois, a Alonso foi recomendado que chegasse mais de 5s à frente de Russell, para evitar problemas. O que ninguém previa era que a punição possível seria de 10s, não 5s.
Pérez recebeu a bandeirada 5s355 à frente de Verstappen, que na última volta cravou a melhor da corrida, fez o ponto extra e garantiu a manutenção da liderança do campeonato com 44 pontos contra 43 do companheiro – seria do mexicano se fosse ele o dono da volta mais rápida, “roubada” por Max no apagar das luzes. Alonso, em terceiro, cruzou a linha 5s138 antes que Russell, que no fim das contas ficou em quarto, seguido por Hamilton, Sainz, Leclerc, Ocon, Gasly e Magnussen.
Russell com o troféu de Alonso: posse transitória
Foi uma corrida ruim, a de Jedá. Sem dramas, reviravoltas, surpresas. Exceto, claro, a perda do pódio do veterano da Aston Martin e sua posterior restituição. Tinha sido uma punição tão besta, aplicada tanto tempo depois do ocorrido, que Russell só foi saber que ficaria com o terceiro lugar quando a repórter da Bandeirantes, Mariana Becker, interrompeu uma entrevista que ele dava no cercadinho dos pilotos para lhe dar a informação. “Pódio, eu?”, abriu um sorriso o piloto da Mercedes. Não reclamou, claro. “Mas eles mereciam esse pódio”, concedeu. Horas depois, a justiça foi feita.
No fim, um desfecho besta para um GP sofrível. Como será esta temporada, tamanha a superioridade da Red Bull neste ano. A próxima etapa será na Austrália daqui a duas semanas.
Flavio Gomes sábado, 18 de março de 2023 21:21 13 comentários
Pérez na pole: segunda na carreira, ambas em Jedá
SÃO PAULO (foi divertido!) – Quando o gato sai, os ratos fazem a festa. Acho que é mais ou menos assim, o ditado. Se não for, é parecido. O gato é Verstappen. Os ratos são os outros. E hoje o gato saiu. Saiu no Q2 e não pôde lutar pela pole para o GP da Arábia Saudita, em Jedá. O rato mais parrudo foi Pérez. Ficou em primeiro no grid. O ratão mais veterano também aproveitou a chance. Alonso larga em segundo. Chutou o ratinho Leclerc, que fez o segundo tempo, para 12º. O monegasco já começou o dia punido com dez posições no grid. Russell, Sainz, Stroll, Ocon, Hamilton, Piastri, Gasly e Hülkenberg formam o time dos dez primeiros no grid.
Verstappen quebrou no Q2. Faria a pole com tranquilidade, creio. Seu tempo no Q1, quando as equipes de ponta não usam tudo que seus carros oferecem, seria suficiente para largar em quarto. Imagine o que ele faria no “modo alegria” da Red Bull na última parte da classificação.
Não deu para saber. Quando fazia sua volta rápida no Q2, o semieixo direito de seu carro moeu. É o que chamamos normalmente de “problema de transmissão”. O semieixo transmite para as rodas a potência gerada no motor. Como trucidou tudo, não transmitiu nada. Assim, Max larga em 15º. “Tudo pode acontecer aqui, mas ganhar vai ser difícil”, disse o piloto, tranquilo porque sabe que ainda tem mais de duas dezenas de corridas para arrebentar a concorrência. Em condições normais, ele deve chegar ao pódio. Em condições não tão normais — entenda-se por “não tão normais” eventuais entradas do safety-car, ou ainda alguma desdita que atrapalhe Pérez –, pode até vencer, sim.
Mas o companheiro Checo não é seu único adversário. Afinal, ¡tenemos a Alonso!
Fernandinho, segundo no grid: por que não?
“Não estamos aqui para chegar em segundo. Quando um piloto como Alonso larga na primeira fila, certamente não vai para a corrida pensando em terminar em segundo. Quer algo a mais.” O pronunciamento saiu da boca de Mike Krack, um craque (desculpem) na chefia da Aston Martin. Mas seu otimismo foi amenizado pelo próprio piloto. “Não é realista falar em vitória ainda. A Red Bull está em outro mundo”, disse o espanhol. “Mas nosso carro é muito bom, agradável de guiar, e vamos buscar o máximo de pontos que pudermos aqui.”
Alonso acha que Verstappen “sem dúvida” chegará ao pódio. A Aston Martin confirmou hoje ser a segunda força da temporada, com Stroll conseguindo um bom quinto lugar no grid. Errou no final de sua volta rápida e poderia ter conseguido algo um pouco melhor. Abaixo, à esquerda, os tempos. À direita, o grid corrigido com a punição a Leclerc. Clique nas imagens para vê-las em tamanho maior.
A tarefa de Alonso será chegar na frente de Verstappen, já que acha Pérez, no mano a mano, impossível de bater. Ele tem sido contido nas declarações e evita criar grandes expectativas. Mas Fernandinho sabe que o mundo estará torcendo por uma vitória dele amanhã. A Red Bull vencer já enjoou. Pérez é um piloto medíocre e sem graça. El Fodón, aos 41 anos, voltar ao degrau mais alto do pódio seria uma grande história para um fim de semana que parecia condenado à mesmice.
Tanto que Verstappen abriu os treinos livres do sábado de novo na frente, e na frente terminou o Q1. A pole de Max era uma questão de tempo até a quebra de seu carro. Embaralhou as cartas. E mesmo que o resultado seja o de sempre — nova vitória do atual bicampeão mundial –, o enredo desta vez será diferente porque ele terá de partir de 15º do grid.
Piastri: bom oitavoGasly: no Q3 com a AlpineLeclerc: punido, 12ºRussell: feliz com o 3º no gridMax antes da quebra: vai ter de remar…
Tsunoda, Albon, De Vries, Norris e Sargeant foram os eliminados no Q1. A dupla da AlphaTauri não tem muito o que fazer. O carro é ruim. A equipe vive um péssimo momento, dizem que está à venda, o chefe Franz Tost xingou os engenheiros, o clima é uma desgraça. Já na Williams, Albon e Sargeant terão desempenho irregular ao longo do ano, e hoje foi o dia de oscilar para baixo.
A posição de Norris se deve a um erro em sua volta rápida. Lambeu o muro e quebrou a barra de direção. A McLaren deu um sinal de vida, pelo que fez Piastri. Talvez o desastre do desempenho no Bahrein não se repita. Mas não convém acreditar muito, não.
O Q2 tirou da disputa Hülkenberg, Zhou, Magnussen, Bottas e Verstappen. A Haas acha que dá para lutar pelos pontos a partir das posições de seus pilotos. O mesmo dizem os cabras da Alfa Romeo. Pode ser que ali no meio a briga seja divertida.
Alonso e Pérez: daí deve sair o vencedor
No Q3, Pérez foi absoluto. A Ferrari até ensaiou alguma coisa com Leclerc, mas sem entusiasmar ninguém porque o piloto teria de pagar punição. O tempo de Alonso não arranhou o do mexicano — quase meio segundo atrás. Não houve, na prática, uma briga pela pole. Haveria se Verstappen estivesse lá. E seria contra seu companheiro de equipe. E Max venceria.
Foi apenas a segunda pole da carreira de Pérez. A outra foi lá mesmo em Jedá no ano passado. Terminou a prova em quarto, sem brilho. Verstappen, que largou em quarto, ganhou.
E os demais? Na Mercedes, reações esquisitas de um e de outro. Russell saiu saltitante do carro parecendo a noviça rebelde cantando “My Favorite Things”. Elogiou o carro, o trabalho dos mecânicos, engenheiros, almoxarifes e porteiros da Mercedes. Larga em terceiro. “Ficar na frente de uma Ferrari e um Aston Martin foi mais do que esperávamos”, exultou, dançando como Julie Andrews. Hamilton, sétimo, foi mais sombrio. “Não consigo me conectar com esse carro”, disse. Tinha as feições do Coringa. Animadíssimo.
A corrida começa às 14h de Brasília. O problema de Verstappen vai ajudar a fazer dela um bom espetáculo. Vamos torcer.
Flavio Gomes sexta-feira, 17 de março de 2023 18:01 25 comentários
Angela Cullen com Hamilton: fim da parceria de sete anos
SÃO PAULO(quem aguenta?) – Juro que estava nos meus planos escrever uma coluna sobre Angela Cullen. Seria polêmica. Quem me chamou a atenção para a relação foi minha namorada, Laêne, cujo nome tatuei esta semana, mas assim: “É Lá N”. Porque ninguém fala o nome dela direito, e aí um seguidor do YouTube, não vou lembrar exatamente quem, sugeriu: “Tatua ‘É Lá N’ que as pessoas não erram mais”. Foi o que fiz. Mas não é uma tatuagem qualquer. Usei a fonte criada por Ariano Suassuna em seu Movimento Armorial, e ficou muito interessante.
Pois Laêne, já tem uns cinco anos, me fala de Angela Cullen. “Ela é uma serviçal do Hamilton. Ele sai do carro, tira o capacete, ela pega. Ela carrega a mala e a pochete dele. A garrafa de água e as luvas. O celular e o guarda-chuva. Os óculos e o relógio. Ele anda sempre na frente, ela atrás. Parece uma escrava seguindo seu senhor. Ninguém fala nada porque ele é preto e ela é loira e branca. Imagine se fosse o contrário.” O tema seria explosivo. Porque talvez alguém pudesse interpretar como algo análogo ao abominável artigo de Antonio Risério publicado na “Folha” em janeiro do ano passado — quem tiver estômago, que leia aqui. Ele defende um indefensável “racismo reverso”, tese tão estúpida que não merece mais do que a mera menção para que o idiota seja esculhambado.
Mas o que incomodava Laêne não era a questão racial. Se fossem dois brancos, dois pretos, dois asiáticos, ou misturas entre todos, ela ficaria indignada do mesmo jeito. O que exasperava minha namorada era uma atitude que ela considerava lacaia de Angela nas imagens que a TV mostrava: ela sempre atrás, Hamilton na frente. Eu argumentava que Cullen cumpria outras funções, mas não tinha jeito. Laêne é torcedora apaixonada de Vettel. E não gosta de Hamilton. “Poser”, diz ela. Sempre achou tóxica a relação entre ele e Angela.
Bom, a coisa anda tão previsível na F-1 que hoje o principal assunto do dia em Jedá foi o fim da parceria entre os dois. Trocaram mensagens carinhosas de despedida pelas redes sociais e, sete anos depois da primeira corrida em que apareceram juntos, acabou. Angela era uma faz-tudo de Hamilton. Pilotos têm figuras como ela a seu serviço. Mas talvez a neozelandesa de 48 anos fosse mais visível porque Lewis é protagonista da F-1 há muito tempo e não caminha um metro num paddock sem uma câmera mostrando qual pé foi na frente. E é claro que do mesmo jeito que centenas de imagens de Angela carregando suas coisas foram vistas nos últimos tempos, outras centenas de cenas de afeição, doçura e ternura entre os dois foram registradas desde 2016.
Mas a Laêne não gosta do Hamilton, não tem jeito. E suas observações fazem algum sentido, apesar de permeadas por um certo viés de antipatia.
Vamos para a pista, então.
Os tempos de hoje em Jedá: Red Bul, Aston Martin e o resto
Os primeiros treinos livres para o GP da Arábia Saudita, apenas a segunda etapa do Mundial, confirmaram tudo aquilo que se viu no Bahrein e que será visto até o fim do ano, com uma ou outra variação em certas pistas. A saber: Red Bull na frente, Aston Martin logo atrás com Alonso, Stroll crescendo, e depois deles o resto. Nesse resto incluam-se Ferrari e Mercedes. Basta olhar os tempos aí em cima. Verstappen, que teve um problema estomacal no começo da semana e só chegou a Jedá ontem à noite, não precisou se esforçar muito para ficar em primeiro. Alonso foi o segundo. Veremos o espanhol ciscando ali a temporada toda, mas ainda sem chances muito claras de vitória. Acho que em algum momento ganha uma corrida. A ver.
A Alpine andou direitinho com seus dois pilotos e a Haas voltou a fazer tempos razoáveis com Hülkenberg, embora em ritmo de corrida o time tenda a despencar. McLaren e AphaTauri ganharam a companhia de Alfa Romeo e Williams na rabeira. Mas o que choca, mesmo, é o time papaia. Muito, muito ruim.
Alpine de Ocon: bom desempenho
A Ferrari já começou o fim de semana informando que Leclerc perderá dez posições no grid por troca da central eletrônica de seu carro. Hamilton, falando sobre a Mercedes e sobre o que o espera neste ano, disse que a energia da equipe, depois da primeira corrida, deve ser gasta em objetivo diferente do esperado antes de começar o campeonato: resolver os problemas do carro é prioridade agora, e não pensar em lutar por vitórias ou para chegar perto da Red Bull, algo considerado impossível.
Lewis foi colocado no centro de especulações sobre uma mudança de equipe, papo de rede social, e tratou de cortar o mal das fake news pela raiz: “A Mercedes é minha família e não vou para lugar algum”, garantiu. Ele também deu uma espetada boa na sede da corrida, a Arábia Saudita. Na coletiva de quinta-feira, os pilotos que estavam ao seu lado — como Pérez, Stroll, Norris, Russell… — disseram se sentir seguros em Jedá, que o esporte pode ajudar o país, aquele papo furado para não ferir suscetibilidades. Quando chegou sua vez, Hamilton falou: “Nada a acrescentar, é tudo que eles falaram, mas ao contrário”. Lembram do ano passado, né? Uma refinaria da Aramco em chamas pertíssimo do autódromo, depois de ataques de drones de rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã. E o pau comendo na pista como se nada estivesse acontecendo.
Stroll: dores, mas OKAlonso: a paz do carro bomMax: dor de barriga e P1Red Bull: forte como no BahreinLewis: sem esperança no W14
Amanhã sai o grid de largada a partir das 14h. É o mesmo horário da corrida. O circuito saudita teve algumas modificações por conta de segurança e deve ficar um pouco mais lento que no ano passado. Mas, ainda assim, é pista de altíssima velocidade, com enorme chance de safety-car no domingo.
Às 19h, como de costume, tem “Fórmula Gomes” lá no YouTube, apareçam!
Flavio Gomes sexta-feira, 17 de março de 2023 1:28 6 comentários
SÃO PAULO (auguri!) – Como não registrar a volta da Ferrari à principal categoria do Endurance já fazendo a pole para a abertura da temporada do WEC? Cortesia do italiano Antonio Fuoco com a 499P de numeral 50. Alessandro Pier Guidi classificou a #51 em quarto. Fuoco dividirá o carro nas Mil Milhas de Sebring (largada nesta sexta) com Miguel Molina e Nicklas Nielsen. O Toyota #8 larga em segundo. A última vez que a Ferrari largou na pole na divisão principal de uma corrida de longa duração (no caso do WEC, estamos falando dos Hypercar) foi em 1973 com a dupla José Carlos Pace e Arturo Merzario nas 24 Horas de Le Mans, a bordo da inesquecível 312 PB.
Flavio Gomes terça-feira, 14 de março de 2023 23:59 76 comentários
Barichello em Kyalami/1993: 30 anos de uma linda carreira
SÃO PAULO (deu tempo!) – Há exatos 30 anos, em 14 de março de 1993, Rubens Barrichello estreava na F-1, pela Jordan. Foi no GP da África do Sul, em Kyalami. A última prova disputada no país. Eu estava lá, pela “Folha”. Dei uma olhada no acervo on-line do jornal. Foram três páginas de cobertura. Como era bom trabalhar em jornal! E como era bom LER jornal…
Numa dessas páginas, a manchete (nunca usem “manchete principal”; manchete é sempre o principal título de uma página de jornal, e os demais têm outros nomes, tecnicamente falando) foi dedicada ao excepcional quarto lugar de Christian Fittipaldi, com a Minardi. “Christian segue Senna para ficar em quarto” era o título que encabeçava a página, com a linha fina logo abaixo: “Piloto aconselha-se com o tricampeão, faz mesmo traçado da McLaren após a chuva e comemora com gritos e choro”. Era a segunda vez que Christian marcava pontos na F-1. No ano anterior, seu primeiro na categoria, fora sexto colocado no Japão. Naquela época, só os seis primeiros pontuavam, é bom lembrar. Ele ainda repetiria o resultado duas vezes em 1994, pela Footwork — em Aida e Hockenheim.
Rubinho mereceu uma retranca à parte. Retranca em jornalismo não é jogar na defesa, é sinônimo de matéria, ou texto. Como queiram. Em duas linhas, sob o chapéu “Barrichello”, o título informava: “Brasileiro pára na 32ª volta”. Usava-se acento na forma verbal de “parar”. E estava lá a descrição de sua ótima corrida, tendo largado em 14º para chegar à sétima posição no momento do abandono, com o câmbio quebrado. Schumacher, Patrese e Wendlinger, três dos seis que estavam à sua frente, não terminariam a prova. Se fosse até o fim, Barrichello teria grandes chances de pontuar, também.
Foi só a primeira de 322 largadas de uma carreira que, na F-1, chegaria ao fim em 2011 com 11 vitórias, 68 pódios, 14 poles e dois vice-campeonatos. Jordan (de 1993 a 1996), Stewart (1997-1999), Ferrari (2000-2005), Honda (2006-2008), Brawn (2009) e Williams (2010-2011) foram as equipes que contaram com seus serviços.
As seis equipes que Rubens defendeu: dois vice-campeonatos e 11 vitórias
Rubens disputou seu último GP no dia 27 de novembro de 2011 em Interlagos. Terminou em 14º, sem dizer adeus. Não teve uma despedida à altura de sua trajetória — achava que continuaria no ano seguinte, mas nenhuma equipe se interessou. Ainda bem que não parou de correr. Aos 50 anos, segue acelerando e vencendo na Stock Car. É, depois de Senna, Piquet e Emerson, o maior nome do automobilismo brasileiro.
Flavio Gomes terça-feira, 7 de março de 2023 20:23 22 comentários
Veio do Rafael Sola, o Mindu, este vídeo da Globo apresentando seu esquema de transmissão do GP do Brasil de 1983 com OITO CÂMERAS, usando bonequinhos do PLAYMOBIL e um AUTORAMA para explicar com funcionaria tudo em Jacarepaguá!
Flavio Gomes segunda-feira, 6 de março de 2023 16:06 95 comentários
A IMAGEM DA CORRIDA
Ninguém estava mais feliz que Alonso no Bahrein
SÃO PAULO(vai dar…) – Primeiro rescaldão do ano para deleite da meia dúzia de fiéis leitores que seguem aqui, assim como eu, escrevendo. E começando com o cara mais feliz do Golfo Pérsico no domingo, Fernando Alonso, terceiro colocado na prova de abertura do Mundial. Foi o 30º terceiro lugar de sua carreira, que já soma 99 pódios. Mas talvez tenha sido o mais festejado de todos. A foto foi distribuída pela Aston Martin e eleita, por votação eletrônica, a melhor imagem do GP do Bahrein. Se alguém quiser contestar o resultado do pleito, que corra para a porta de algum quartel.
Agora vamos às nossas caixinhas coloridas para passar a régua na primeira corrida da temporada.
Guanyu Zhou fez a melhor volta de um GP pela segunda vez
CHINÊS VELOZ – Com 1min33s996, Zhou fez a melhor volta do GP do Bahrein na penúltima das 57 da corrida. Não foi a primeira vez que o chinês da Alfa Romeo registrou uma volta mais rápida em GP. No Japão, ano passado, fez o mesmo. Em ambas, porém, não marcou o ponto extra destinado ao autor da façanha. Isso porque só leva o pontinho o cabra que faz a melhor volta e termina entre os dez primeiros. Nos dois GPs, Zhou acabou em 16º. Serviram, suas voltas rápidas, para robustecer suas estatísticas e tirar o ponto extra de alguém. No caso, Gasly era o dono do pontinho. E a Alfa Romeo vai brigar com a Alpine ponto a ponto neste ano. Ninguém dá ponto sem nó nesse negócio.
PANE GERAL – A Ferrari ainda não sabe direito o que aconteceu no carro de Leclerc. Antes da largada, o time trocou componentes elétricos do #16, incluindo a bateria. Por alto, o time informou que houve algo na central eletrônica que comanda os sistemas da viatura. Charlinho, além de lamentar a quebra (estava em terceiro, com chance de pódio), choramingou pela performance. “Em ritmo de corrida, estamos um segundo por volta mais lentos que a Red Bull”, disse. Um segundo por volta na F-1 é duro de tirar. Ô se é.
DESÂNIMO TOTAL – Toto Wolff, o chefe da Mercedes, já deu a dica. A equipe vai mexer no carro e jogar fora o projeto “zeropod”, da traseira magricela com assoalho exposto. Basta ler com atenção seu desabafo pós-corrida. “Não tem um único ponto positivo que possamos tirar deste fim de semana. Falta ritmo, velocidade. Os pilotos têm de apertar muito o ritmo e matam os pneus. A Red Bull está em outro planeta. A Aston Martin tem o segundo carro mais rápido. Foi um alerta para nós, temos de conversar com os engenheiros e não podemos nos apegar a dogmas. Temos de ser humildes. Foi um dos piores dias da história de nossa equipe em corrida.”
DESÂNIMO TOTAL 2 – Acrescente-se o depoimento de Hamilton sobre o W14. Perguntaram quando esse carro começou a dar errado. “Um ano atrás”, respondeu, referindo-se ao W13 — cuja ineficácia não foi grande o bastante para a Mercedes desistir do conceito adotado. “Precisamos mais carga aerodinâmica na frente e atrás. Temos o quarto melhor carro do grid. Estamos atrás de Red Bull, Aston Martin e Ferrari. Este não é o carro certo.”
A FRASE DE SAKHIR
“A Red Bull vai ganhar as 23 corridas da temporada. Essa é minha aposta. Pode ser que não façam as poles sempre, porque a Ferrari é muito competitiva em classificação. Mas em corrida, ninguém vai conseguir brigar com eles neste ano.”
George Russell, da Mercedes
O NÚMERO DO BAHREIN
10
…vitórias nas últimas 12 corridas conseguiu Verstappen. Desde o GP da França do ano passado, quando desandou a ganhar, o holandês da Red Bull só não subiu ao degrau mais alto do pódio em Singapura (sétimo) e no Brasil (sexto).
Pérez com Verstappen: Red Bull é só sorrisos
FIASCO PAPAIA – Escrevi ontem que Norris foi o último a cruzar a linha de chegada, argumento para malhar a McLaren. Não tinha reparado no número de pit stops: seis. A equipe explicou. Seu carro estava perdendo pressão pneumática no motor, e a cada dez voltas ele tinha de ir para os boxes “recarregar” o sistema. O abandono de Piastri foi por problemas elétricos.
Alonso abraça Stroll e festeja……o pódio com a equipe
MEU HERÓI – Stroll contou que quando os médicos o atenderam, previram que ele só voltaria a guiar um carro na Austrália ou no Azerbaijão. Disse que seus punhos estavam “pegando fogo” de dor na corrida. Foi chamado de “meu herói” por Alonso. O sexto lugar, de fato, foi uma façanha.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS do nono lugar de Gasly, depois de largar da última posição. O francês foi combativo e acabou fazendo do limão uma limonada na estreia pela Alpine. Ocon, em compensação, foi punido várias vezes e não conseguiu converter a boa classificação em um resultado decente.
Gasly: bom nono lugarFerrari: lenta e pouco confiável
NÃO GOSTAMOS da Ferrari, às voltas com um carro pouco competitivo (o final de prova de Sainz foi terrível, e só não perdeu o quarto lugar para Hamilton porque a Mercedes está na mesma) e pouco confiável, como se viu pelo abandono de Leclerc na primeira prova do ano.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
O Dacia Logan que dividiu os 25 km de Nürburgring com Max Verstappen foi o grande herói do fim de semana nas pistas. O carrinho fabricado na Romênia acabou se transformando no xodó dos 350 mil esp...
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CAMPEÃO TEEN (BEM, MERDINHAS #255)
Se conquistar o título deste ano, Kimi Antonelli o fará com 20 anos de idade, tendo começado a temporada oficialmente como um... adolescente! Depois de vencer as três últimas corridas com muita a...