2, 21, 81, 27

SÃO PAULO (irrelevâncias) – Eis a lista de inscritos para o Mundial de F-1 do ano que vem com os respectivos números. Os estreantes Logan Sargeant e Oscar Piastri escolheram, respectivamente, 2 e 81. Nyck de Vries, outra novidade, vai de 21. Nico Hülkenberg, de 27. Não me perguntem por que Alonso aparece inscrito como Fernando Alonso Diaz (o que me faz pensar que poderíamos tê-lo chamado de Diaz a vida inteira), nem por que Sergio Pérez Mendoza não foi Sergio Mendoza ao longo dos tempos. Na Espanha, o sobrenome materno vem, em geral, depois do paterno. Ambos optaram em suas carreiras pelos sobrenomes dos pais, não das mães. Quase todo mundo faz isso. Eu, inclusive. Patriarcado de merda.

Importante, mesmo, é a inclusão da marca Honda nos motores da Red Bull e da AlphaTauri, acrescidos da sigla RBPT, de Red Bull Power Trains. A marca japonesa volta sem nunca ter saído, mas numa condição, aparentemente, de sócia da Red Bull na produção dos motores.

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SCHUMI NA MERCEDES

Reserva na Mercedes: sobrevida para Mick

SÃO PAULO (e tá ótimo) – E hoje veio o que creio ser o último ato de 2022 na F-1: a confirmação de Mick Schumacher como reserva da Mercedes para o ano que vem. O alemão, depois de duas temporadas na Haas, perdeu a vaga para Nico Hülkenberg. Desvinculou-se da Ferrari, a quem esteve atrelado por quatro anos, e ficou sem emprego.

Acabar na Mercedes era natural, destino mais do que esperado para Schumaquinho. Primeiro, porque o time prateado perdeu seus dois pilotos de testes/reservas: Stoffel Vandoorne foi para a Aston Martin (e continua na Fórmula E) e Nyck de Vries virou titular da AlphaTauri. Depois, porque no ano que vem as equipes precisam reservas prontos para correr, gente que senta num F-1 e sabe onde liga um carro. O calendário é longo, tem muitas provas seguidas e qualquer enxaqueca ou tombo de patinete pode tirar um titular de cena por mais de um GP — basta um médico recomendar 15 dias de molho em casa.

Mick tem 23 anos e a relação da Mercedes com sua família vem lá do fim da década de 80. Foi a montadora alemã que pagou US$ 300 mil à Jordan por um cockpit vago no GP da Bélgica de 1991, o que permitiu a estreia de seu pai Michael na F-1. Ele acabaria se tornando heptacampeão por Benetton e Ferrari, mas depois de se aposentar, no final de 2006, atendeu ao chamado da Mercedes para voltar e ajudar na formação da equipe própria que estava nascendo a partir da compra da Brawn GP. Foi em 2010, Schumacher voltou, ficou por lá três anos e fundou as bases do time que, a partir de 2014, estabeleceria a maior hegemonia da história da categoria, com sete títulos de pilotos e oito de construtores consecutivos. Suas digitais estavam lá.

É quase um “obrigado” da Mercedes aos Schumacher, essa contratação do filhote. Mas para essa função, o time não tinha mesmo muitas opções. Mick não é um gênio, mas pode aprender e crescer dentro de uma estrutura vencedora e sem nenhuma pressão. Se vai voltar a ser titular de alguma equipe um dia, é impossível prever. Pelo menos estará à vista de todos, frequentando os autódromos e mantendo ativos seus relacionamentos. Já é alguma coisa.

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NAS ASAS

Um dos 747 operados pela Varig: histórico

SÃO PAULO (saudades…) – Uma especial reverência ao Jumbo, o Boeing 747 que no começo deste mês teve sua última unidade produzida em Everett, no estado de Washington. No total, desde 1969, foram feitas 1.574 unidades do avião que se não é o mais belo de todos os tempos está, com certeza, entre eles — avião é que nem time de futebol, tem gosto para tudo.

De todos os fabricados, 12 foram operados pela Varig entre 1981 e 1999. Em pelo menos um desses, um 747-400, eu voei — e mais de uma vez. Era uma rota que saía do Brasil para Hong Kong, com escalas em Joanesburgo e Bangkok. Fui cobrir o GP da África do Sul duas vezes, em 1992 e 1993, a bordo de um pássaro desses. Provavelmente peguei um ou outro voo para Frankfurt ou Nova York em Jumbos da Varig. De outras companhias, tenho lembrança de algum da Lufthansa e da British. Era o tipo de coisa que eu não anotava. Deveria.

Quem já voou num 747 sabe como era especial a sensação se subir aquelas escadas para o deck superior. Desconfio que esses tempos, como tantos outros, estão acabando de vez. Quem viveu viveu.

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DANÇA DAS CADEIRAS

Vasseur: novo chefe da Ferrari

SÃO PAULO (chacoalha tudo!) – E, no caso, são cadeiras, mesmo. Hoje foi dia de anúncios oficiais de trocas de chefia em várias equipes. Começando com a Ferrari, que tirou Frédéric Vasseur da Sauber/Alfa Romeo, onde ficou seis anos, para assumir o cargo de Mattia Binotto, demitido alguns dias atrás. O francês será o manda-chuva do time vermelho a partir de 9 de janeiro. Era um movimento esperado e a imprensa italiana cantou a bola no início da semana.

Na Sauber, quem assume é o alemão Andreas Seidl. Já esteve por lá, nos tempos de BMW. Depois passou pela Porsche, ganhou três edições das 24 Horas de Le Mans e desde 2019 ocupava a função de chefe na McLaren. Foram quatro anos no time papaia sem resultados muito expressivos — a vitória de Ricciardo em Monza no ano passado foi o ponto alto. A indicação de Seidl tem cara da Audi, que assume oficialmente a Sauber em 2026, mas claramente participa da estruturação da equipe para o futuro — 2023 será o último ano do time suíço sob a marca Alfa Romeo. Sua passagem pela Porsche foi bem-sucedida e, como se sabe, Audi e Porsche são parte do mesmo grupo, a Volkswagen.

A McLaren, para o lugar de Seidl, promoveu o italiano Andrea Stella, que está na equipe desde 2015. Stella trabalhou 15 anos na Ferrari e foi engenheiro de Schumacher, Raikkonen e Alonso.

Ontem, Jost Capito deixou a Williams depois de duas temporadas na chefia. Não se sabe ainda seu destino, nem quem vai ocupar o lugar no time inglês. Binotto está na pista e o que não falta é especulação. Uma delas, de que a Porsche, depois de tomar um passa-fora da Red Bull, poderia fazer uma proposta pela equipe inglesa e levar Binotto para tocar o projeto, já que o ítalo-suíço é especialista em motores.

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N’UOL

Clerot na MP: “nova Draco”

SÃO PAULO (tudo se repete) – Minha coluna no valoroso portal, hoje, é sobre o papel da holandesa MP Motorsport na formação de pilotos brasileiros, que se assemelha ao que fez a Draco italiana nos anos 90. O texto está aqui.

E acrescento, abaixo, depoimento do meu amigo Ricardo Tedeschi, responsável, há mais de 30 anos, pelas primeiras conexões com o time que, de certa forma, revelou Barrichello, Massa e outros. Ontem à noite, pelo WhatsApp, perguntei a ele como começou a história com a Draco se fazia sentido essa comparação com MP. E ele me respondeu:

Em 1989 um amigo brasileiro que estudou comigo desde a escola até a faculdade e se formou engenheiro estava morando na Inglaterra trabalhando com corridas e foi contratado pela Draco, que ia fazer a segunda temporada dela no Europeu de F-Opel. Ele me ligou pedindo pra eu escolher alguns pilotos pra levar pra testar lá em Vallelunga. Paralelamente a isso eu já tinha ficado muito impressionado com um menino do kart e, terceira coincidência, o pai desse garoto pediu pro Vinicius Losacco (pai do Giuliano) pra indicar alguém pra orientá-los na carreira internacional do garoto. Fomos ao teste e no fim do primeiro do dia o Morini me chamou e disse: “Quero esse garoto, o que fazemos pra assinar já?”. Assinamos, eles ganharam o Europeu de F-Opel e, veja só, hoje ele foi bicampeão da Stock Car aos 50 anos depois de focar quase 20 anos na F-1. Foi aí que a coisa começou e conseguimos fazer uma parceria muito boa, e ganhamos títulos em todas as categorias por onde passamos com diversos talentos brasucas. A Draco acabou faz alguns anos pois o Morini quis se aposentar. Hoje a Nadia, esposa dele, continua a administrar alguns patrocinadores e são parceiros da MP. O paralelo é superlegal e válido.

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FOTO DO DIA

Rubens Barrichello, aos 50 anos, conquistou seu segundo título na Stock Car em prova polêmica hoje em Interlagos. Um acidente na largada da corrida #2 envolvendo ele e mais dois candidatos à taça, Daniel Serra e Gabriel Casagrande, tirou os dois últimos da disputa. Rubens tinha sido campeão pela primeira vez em 2014. É um piloto interminável.

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ENCHE O TANQUE

Como dizem por aí na internet, deu vontade de morar nessa foto… Luis Melo mandou, com a mensagem:

Boa tarde FG, tô mandando duas fotos de um posto diferenciado que fica aqui no Ceará na rodovia que liga os municípios de Camocim e Granja, até um vira-lata caramelo resolveu aparecer. Mesmo sem grande volume de leitores não abandone o Blog, faz parte da minha vida ler sempre suas postagens há mais de 10 anos.

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ONE COMMENT

Justíssimas as homenagens da VW. Ao Gol e ao Carsughi.

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POR ENQUANTO, 23

SÃO PAULO (a ver) – A FIA e a Liberty publicaram o calendário “definitivo” de 2023 sem a China e sem ninguém no lugar. As aspas são porque ainda pode entrar alguém na data de Xangai. Estão negociando, claro. E a F-1 em peso torce para que não inventem mais um GP. As 22 etapas deste ano já foram dose. Ano que vem são 23, por enquanto, com seis Sprints. Ninguém aguenta. Falo de quem trabalha na categoria. Para quem assiste no conforto do sofá, está ótimo.

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SEIS SPRINTS

SÃO PAULO (tá bom) – Não é novidade, mas tornou-se oficial hoje o calendário das Sprints para 2023. Serão seis, como se sabe há mais de dois meses. E os GPs escolhidos são: Azerbaijão, Áustria, Bélgica, Catar, EUA (Austin) e São Paulo. Interlagos, como se vê, é sucesso para corridinha curta e vai para seu terceiro ano com a prova de sábado. A Áustria terá sua segunda Sprint. Os demais países estreiam na modalidade.

Vocês acham seis Sprints muita coisa?

Interlagos, 2022 (foto Rodrigo Berton)
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